O que você pode fazer com o seu poder?

Por Letícia Maria Klein •
17 setembro 2019
Ontem na aula de tango, apareceu um novo casal. Ela com 20 anos, ele, 22. Quando eu perguntei o que os tinha levado até ali, ele me respondeu que foi a apresentação que eu fiz com meu professor no festival da escola, no último fim de semana. Em dois minutos, nós conseguimos transmitir emoção e contagiar um jovem casal de namorados com a magia da dança. Só posso dizer que eu ganhei a noite com aquele depoimento.

Me peguei refletindo novamente sobre a grande responsabilidade que eu tenho, enquanto pessoa e cidadã, de, no mínimo, me tornar uma pessoa melhor. Meu jeito de ser; meu estilo de vida; meus pensamentos, palavras e ações extrapolam o limite físico do meu corpo e impactam outras pessoas, outros seres vivos e o ambiente que eu ocupo neste planeta (ou até onde eu alcanço de alguma forma). Eu tenho uma grande responsabilidade. Tenho consciência disso. Isso é poderoso, potente. Assustador. O que eu faço com isso? O que eu posso fazer com isso?

O que você pode fazer? O poder do exemplo é transformador. Quem você é e o que você faz reverbera no mundo como uma onda, transformando tudo no caminho. Depois ela volta para você. Que tipo de onda você quer sentir? Por quais ondas você quer ser atravessado, coberto, arrebatado? Não precisa ser nada grande nem longo. “Em um momento se vive uma vida”, como diz Al Pacino no filme “ Perfume de mulher”. Em dois minutos, eu fiz diferença na vida de duas pessoas por pelo menos uma noite em que eles dispuseram de seu tempo para fazer aula. 


Quando se diz para aproveitarmos cada momento, não é mera frase de efeito. É porque um instante tem poder. Esse poder é seu. É verdadeiro dizer que o que importa é a qualidade, não a quantidade, porque é a intensidade que faz diferença. Pense em você mesmo, na sua vida. Como as mudanças aconteceram? O que te levou a ser diferente hoje do que ontem? O que te inspirou a mudar um pensamento, uma ação, uma forma de falar? A mudança mais importante é a íntima, acontece dentro de cada um. A partir daí, a onda emana e você não tem mais controle. A única coisa que você controla é o tipo e a qualidade da onda. O que ela faz no caminho é consequência do seu poder.

Acredite no seu potencial, aceite a sua responsabilidade e use o seu poder da melhor forma. Seja um exemplo vivo e intenso de tudo que você acredita. Nas pequenas coisas, nas coisas do dia a dia. Nas suas tarefas em casa, no trabalho, na sua relação com as pessoas, consigo mesmo e com o meio. Um ano é uma sucessão de dias, com muitas horas, muito mais minutos e ainda mais segundos. Instantes com potencial de transformação. A sua própria, a do outro, a do planeta. Bilhões de transformações pequenas, íntimas, pessoais, ao alcance da mão, a todo instante. Viemos ao mundo com nossas próprias missões, tarefas, planejamentos... Independentemente do que sejam, que possamos simplesmente fazer o nosso melhor e ser melhor em cada dia, prestando atenção nas ondas.

Um ecobeijo e até breve.
+

O que fazer com roupas velhas ou que não servem? Use a Caixa Solidária!

Por Letícia Maria Klein •
03 setembro 2019
Mateus Rossi decidiu resolver um problema social e ambiental ao mesmo tempo. Em viagem à Itália há mais de seis anos, ele se deparou com um equipamento, numa esquina, onde as pessoas podiam depositar roupas para doação e reciclagem. Ele ficou interessado e foi pesquisar mais sobre o assunto. Aquela caixa era uma iniciativa da Caritas Itália, onde ele acabou indo trabalhar como voluntário para entender o processo de coleta, triagem e destinação das doações. Depois de viajar para outros países e conhecer outros projetos parecidos, em 2015 ele trouxe a ideia para o Brasil, começando na cidade dele, Criciúma.

Hoje, a Caixa Solidária está em 22 cidades catarinenses com 72 equipamentos. Dois deles estão em Blumenau até a metade de setembro. É um teste para avaliar a futura construção de uma central aqui na cidade (Joinville, Itajaí, São José e Florianópolis também receberam caixas para teste). Conversei com o Mateus sobre o projeto e ele disse que o teste está sendo positivo aqui em Blumenau; as pessoas aderiram mesmo e o volume de doações é grande. 

Além de roupas e calçados, também podem ser doados cobertores, brinquedos, fraldas, produtos de higiene pessoal e alimentos não perecíveis. Agora... sabe aquelas roupas velhas, rasgadas, que nem para pano de chão dá mais? Pode colocar também! Cerca de 50% dos itens doados não têm condições de reutilização, então são encaminhados para indústrias de reciclagem de fibras têxteis naturais e sintéticas em São Paulo. 

Caixa Solidária no Giassi
Caixa Solidária no Giassi
Depois de passar pela triagem, as roupas em bom estado são enviadas a instituições assistenciais, à defesa civil e a famílias cadastradas no sistema social do município, conforme a necessidade. Uma parte das roupas é revendida no bazar solidário, e o valor adquirido é enviado às instituições beneficiadas para que possam comprar o que precisam, sejam materiais escolares, de manutenção e construção, alimentos etc. 

Para a região sul do estado, onde o projeto nasceu, a meta é colocar mais 70 caixas até outubro e outras 70 até dezembro. Para 2020, estão previstas 280 caixas na região de Florianópolis. A última etapa é chegar ao norte do estado em 2021, totalizando mil caixas em Santa Catarina. A não ser que haja investimentos e parcerias da indústria privada antes disso. (Alguém da indústria têxtil lendo isso aqui? Olha a oportunidade!)

Hoje, o negócio social coleta 20 toneladas de roupas por mês no sul de SC, mas tem capacidade para atender todos os 45 municípios daquela região, que geram muito mais resíduos têxteis do que isso. Só em Criciúma, são 280 toneladas de roupas descartadas todos os meses, o que responde por 6,7% do lixo gerado na cidade. Em Florianópolis, são 700 toneladas por mês, pouco menos de 5%. Aliás, essa é a média brasileira: 5% dos resíduos sólidos produzidos por uma pessoa são peças de vestuário.

Os resíduos têxteis viajam pela cidade, como diz Mateus, e o descarte acaba sendo maior nas periferias. Devido a campanhas de agasalho, algumas cidades recebem um excedente de donativos, o que aumenta o descarte. Na serra catarinense, tem cidades em que as roupas representam 17% do lixo!

Campanha da Caixa Solidária
Campanha da Caixa Solidária. É só depositar a sacola de roupas no
espaço indicado e levantar a alavanca, que é o quadrado vermelho.
Para conseguir atender toda a população, Mateus prevê que haja uma Caixa Solidária para cada cinco mil pessoas no estado. Esse é um número bom. Em Roma, há 1.800 equipamentos, sendo um para cada 1.200 pessoas! Os projetos Planet Aid e USAgain tem 19 mil e 14 mil caixas espalhadas pelos Estados Unidos, respectivamente (lá, a indústria da reciclagem têxtil é bem desenvolvida, pois as fibras são reutilizadas como isolamento térmico em paredes). Para que todos tenham acesso ao projeto, os equipamentos ficam em supermercados ou locais públicos (mediante autorização da prefeitura). 

De dezembro de 2015, quando a ideia foi implantada, até o fim de 2018, mais de 50 mil pessoas foram beneficiadas diretamente com mais de 100 toneladas de donativos. O bazar vendeu mais de 40 mil itens, e cerca de 35 toneladas de tecidos foram encaminhadas para reciclagem têxtil. Além disso, a reutilização e a reciclagem significaram uma redução na emissão de 360 toneladas de gás carbônico, economia de 600 milhões de litros de água e a não utilização de 30 toneladas de fertilizantes e 20 toneladas de pesticidas. 

Mateus quer que todos os estados brasileiros tenham Caixas Solidárias. Cidades no RS, PR, SP, além de Salvador e Brasília já entraram em contato. “A demanda existe. Agora estamos montando uma forma de investimento para financiar a implantação do projeto”. Para buscar mais conhecimento e tecnologia, Mateus viajará para Portugal ainda neste ano para conhecer uma empresa que opera no país inteiro, com mais de três mil caixas, em um processo industrial. Só de triagem, são 35 toneladas por dia. 

Além de expandir gradativamente o alcance da Caixa Solidária, a Eco Group, que é a empresa do Mateus responsável pela gestão dos equipamentos, já tem um segundo projeto engatilhado: a Eco Box, uma caixa específica para resíduos sólidos, que deve ser disponibilizada para condomínios. Os estudos já começaram. 

Campanha da Caixa Solidária
Campanha da Caixa Solidária. Mateus disse que as doações aumentaram 50% depois da campanha
Se você não tem acesso a esse projeto, pode tentar contatar empresas de reciclagem têxtil, iniciativas de reutilização de roupas para confecção de peças novas ou mesmo reutilizar as suas peças em casa. Algumas ideias são usar camisetas velhas como panos de chão ou transformá-las em sacolas; estofar almofadas com roupas de baixo e meias rasgadas ou customizar peças. 

Eventualmente, porém, você precisará descartar tecidos. Vá guardando numa caixinha na sua casa até conseguir contato com alguma empresa de reciclagem para enviar a remessa ou esperar que a Caixa Solidária ou outro projeto semelhante chegue até a sua região. Ou você pode abrir o seu próprio negócio de upcycle ou reciclagem de roupas. De qualquer forma, o ideal é garantir que as peças sejam reutilizadas, doadas e recicladas, assim a gente fecha o ciclo da indústria têxtil e nenhum item vai parar no aterro sanitário nem no lixão nem no rio nem em qualquer outro lugar onde não deveria. 

Aiai, fiquei até emocionada... Tem um lencinho? De pano, né, o negócio aqui é lixo zero. 

Um ecobeijo e até breve. 
+

Como seus hábitos de consumo impactam a Amazônia

Por Letícia Maria Klein •
27 agosto 2019
Tem se falado muito da Amazônia ultimamente por causa dos incêndios, que estão mais frequentes e intensos. Teve até o “dia do fogo” neste mês de agosto, organizado por produtores para “mostrar trabalho” ao presidente da república. A principal causa dos incêndios é o desmatamento da floresta para fazer pastagens para gado. As árvores são queimadas para criar fazendas e o fogo foge do controle, invadindo a floresta em pé.

Como as árvores mantêm a umidade do ar, a falta delas deixa o ambiente mais seco. Aliado à atual estação de seca na Amazônia, é muito calor junto, criando as condições perfeitas para que os incêndios se alastrem. Como não dá para ir lá apagar o fogo diretamente, podemos agir de outras formas para combater o desmatamento ilegal. Tem tudo a ver com seus hábitos de consumo, especialmente alimentares.

Bateu a fome? Melhor que seja de salada. Não, estou brincando, não é só de salada que vive o vegetariano. Aliás, se tem uma coisa chata é quando eu pergunto o que vai ter para comer e a pessoa responde salada. ­­¬¬

“Mas o que você come?”, perguntam. Então, vamos lá. A dieta vegetariana tem vegetais, legumes, frutas, grãos, cereais, farinhas, massas, leites vegetais, chocolate sem leite e muito mais em centenas de receitas doces e salgadas que resultam da combinação de todos esses ingredientes que não vêm de animais. Na verdade, só não tem carne e derivados.

Almoço vegano no restaurante Permita Ser
Almoço vegano no restaurante Permita Ser, em Blumenau:
pizza vegana com espinafre da horta e queijo vegetal,
salada da horta (orgânica) e polenta com cogumelos e molho de tomate
Mas o que o seu consumo de carne tem a ver com a Amazônia? 

A pecuária é a principal responsável pelo desmatamento lá, respondendo por até 80%. Se você diminuir a quantidade de carne que come, já ajuda muito. Vá no seu ritmo. Comece com uma refeição por semana, depois um dia sem carne e assim por diante. Neste processo, aproveite para tentar deixar seu prato mais sustentável mesmo com a carne, procurando por fontes locais e orgânicas, de produtores da região. Com o tempo, você vai incluindo outros alimentos para fazer uma dieta balanceada e garantir o estoque de proteína. “Ah, para isso tem a soja, né?”. A-há, pegadinha!

Muito cuidado nessa hora. Além de não fazer bem na forma não fermentada, segundo algumas pesquisas, a soja é a principal cultura agrícola do Brasil, sendo utilizada para alimentar o gado e também pessoas, tanto aqui quanto em outros países. Junto com a pecuária, está na lista de fatores para o desmatamento na Amazônia. Então, temos que cuidar com o consumo de soja: não exagerar e procurar versões orgânicas no mercado, além de tentar saber de onde ela veio.

Além da alimentação, o que também afeta a floresta é o consumo de artigos eletroeletrônicos, joias e semijoias, produtos cosméticos e outros objetos que levam minérios na sua estrutura ou composição. Nós, enquanto sociedade, usamos muito os metais. Só que a mineração é responsável por 9% do desmatamento na região Norte do país.

O que você pode fazer em relação a isso?

Como todos nós somos consumidores de fato e em potencial, a melhor atitude nesse sentido é ser um consumidor consciente. Em vez de comprar novo na loja, você pode adquirir itens usados, pegar emprestado ou alugar. Dessa forma, você aumenta a vida útil do que já está no mercado, o que diminui a pressão por extração de mais minérios para fabricar produtos. Neste post sobre como reduzir o consumo de coisas novas, eu falei mais do assunto.

O foco aqui foi a Amazônia, mas as nossas atividades diárias e hábitos de consumo têm relação com todas as florestas. Quando falamos de consumo de papel e móveis, por exemplo, estamos ligados diretamente à Mata Atlântica, bioma onde mora 70% da população brasileira.

Já não te disse que está tudo conectado? É muito lindo isso. E poderoso.

Um ecobeijo e até breve.
+

Dicas para reutilizar água em casa

Por Letícia Maria Klein •
20 agosto 2019
Esta aqui é para começar hoje mesmo. Ou melhor, estas aqui: dicas super práticas de como reutilizar água na sua casa antes de jogá-la pelo ralo. É para economizar dinheiro na fatura, poupar esse bem natural que é SIM-PLES-MEN-TE-FUN-DA-MEN-TAL à vida e dar mais uns passos na sua jornada sustentável.

Dicas para reutilizar água em casa


1. Quando for tomar banho, coloque um balde embaixo do chuveiro para captar o primeiro jato de água fria (existem até caixas coletoras específicas no mercado); quando a água esquentar, deixe o balde no canto e reutilize depois para:


  • Dar descarga no vaso sanitário;
  • Regar suas plantas;
  • Lavar roupas que precisam ser lavadas à mão no balde;
  • Limpar a casa, superfícies, janelas.
  • Lavar carro, moto, bicicleta, patinete.
  • Dar em si mesmo uma ducha de água fria, porque dizem que faz bem. (brincadeirinhaaa... ou não).

2. Enquanto estiver enxaguando a louça, deixe na cuba as embalagens plásticas e metálicas que você vai separar para a reciclagem, assim elas já vão sendo limpas com a água do enxágue. Depois, é só tirar a água, talvez passar uma esponja, se necessário, e deixar secar. Essa prática é importante se você deixa os resíduos durante alguns dias em casa antes de descartar, para não dar cheiro nem atrair insetos.

3. Sabe aqueles cubos de gelo no congelador que estão velhos demais para gelar sua bebida? Deixe-os derretendo dentro de um copo ou pote e reutilize essa água para alguma das finalidades acima.

4. A água que sobra no vasinho de planta pode ser recolocada na própria planta.

5. Se você mora em casa ou tem como “fazer um arranjo” na sacada, deixe baldes para coletar água da chuva e também reutilizar de alguma das formas acima.

Já acabou. Viu que prático? Rápido, fácil e indolor. Se você tem alguma outra dica para reutilizar água em casa, deixe aqui nos comentários.

Um ecobeijo e até breve.
+

O que levar em consideração quando comprar roupas

Por Letícia Maria Klein •
06 agosto 2019
Não dá para sair pelado por aí (a não ser que você esteja numa praia de nudismo, claro). Entre a necessidade de usar roupas e os impactos negativos da indústria da moda, que é a segunda mais poluente do mundo, existe sustentabilidade, sim! Quando comprar roupas, calçados, acessórios ou peças de cama, mesa e banho, sejam usados ou novos, tem seis questões para você levar em consideração e, assim, ter um consumo de moda de consciência limpa. Porque quando o assunto é ser sustentável, a gente veste a camisa!

Não podia perder o trocadilho...

Natural aqui, por favor
Os tecidos são feitos com três tipos de fibras: naturais, artificiais ou sintéticas. As naturais vêm de plantas ou animais, como algodão, linho, cânhamo, lã, seda. As artificiais, como viscose, modal, liocel e acetato, são produzidas a partir da celulose com processos químicos e físicos. As sintéticas, como poliéster, polipropileno, náilon, acrílico e elastano, têm origem no petróleo, um bem não renovável, sendo, na verdade, plástico. Vá, lá, te dou um tempinho para responder qual é pior...

Apesar de todas terem vantagens e desvantagens, de forma geral, desde a origem até o fim do ciclo, as peças de fibras sintéticas pesam mais para o lado negro da força. Um dos problemas são os microplásticos que elas soltam todas as vezes em que são lavadas. Um relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) diz que de 15% a 31% dos plásticos nos oceanos são microplásticos primários, sendo que 35% (a maior fatia) vêm da lavagem de roupas. Por isso que couro sintético não é ecológico! Ele dura pouco e solta pedacinhos plásticos com o tempo. Por essa você não esperava, não é?

Etiquetas de roupas que tenho: uma 100% algodão, feita no Brasil;  a outra, 95% poliéster, feita na China (que eu comprei num brechó)
Etiquetas de roupas que tenho: uma 100% algodão, feita no Brasil;
a outra, 95% poliéster, feita na China (que eu comprei num brechó)
Escravidão é coisa do passado

Mas tem empresas que pararam no tempo. Segundo o relatório Global Slavery Index, da Walk Free Foundation, mais de 40 milhões de pessoas, sendo 71% mulheres, trabalham em regime de escravidão no mundo, de forma forçada, em ambientes insalubres, com carga horária excessiva e salários ridículos. A indústria da moda é a segunda com mais trabalhadores nessas condições. Os documentários China Blue e True Cost mostram um pouco isso. Para te ajudar a comprar de empresas sem mão de obra escrava, existe o aplicativo Moda Livre, que avalia ações de empresas nacionais para evitar o trabalho escravo na produção de roupas.

Olha a responsa!
Para se manter no mercado, não basta mais só ter um produto ou serviço que vende. Quanto melhor estiverem seus colaboradores e menos impactos negativos a empresa gerar, mais responsável ela é, e isso atrai mais clientes, consumidores conscientes como você. Os conceitos de Responsabilidade Social Corporativa (RSC), Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e Responsabilidade Social Ambiental (RSA) dizem respeito a práticas, adotadas de forma voluntária pela empresa, que trazem benefícios para os públicos interno e externo, incluindo o meio ambiente. Para saber se a empresa da qual você compra é responsável, acompanhe os relatórios de responsabilidade divulgados anualmente e entre em contato para exigir respostas.

Daqui mesmo
Quanto mais local, melhor. Mão-de-obra local, geração de renda local, matérias-primas locais, distribuição mais rápida, tudo isso gerando menos gases de efeito estufa para o produto chegar até você. “Indústria nacional” ou “Feito no Brasil” é sempre melhor de encontrar na etiqueta do que “Feito na China” ou sabe-se lá onde. Economias de baixo carbono, que são a tendência do século, devem garantir o maior suprimento possível de bens e serviços em curtas distâncias.

Dura uma vida
Qualidade, qualidade, qualidade. Já falei qualidade? Quanto melhor for a qualidade do material e da mão de obra, mais tempo a sua peça vai durar. São só benefícios: mais dinheirinho na sua conta bancária, porque você vai comprar com menos frequência; economia de água, energia, tintas e matérias-primas pelas empresas, porque a eficiência é maior; menos lixo no nosso planeta, porque o descarte é menor; uso consciente dos bens naturais do nosso planeta, porque dura mais. Mais amor pelo nosso planeta, porque sim!

Oi, de novo!
A Terra é redonda e gira, então as coisas precisam circular. Não dá para manter uma economia linear, que descarta seus produtos, num planeta que não cresce de tamanho e tem bens naturais finitos. Duas soluções da economia circular são reutilizar e reciclar materiais (outras soluções para suas roupas velhas estão nesta matéria que fiz para o Conexão Planeta). Empresas como Re-roupa, Insecta shoes e Caíques reaproveitam retalhos e resíduos de outras indústrias para produzir roupas e sapatos de qualidade, aumentando a vida útil de materiais que já foram produzidos e ainda podem ser usados por muito tempo. Comprar de empresas que tem esse perfil contribui para a sustentabilidade da indústria da moda.

Um ecobeijo e até breve.
+

29 dicas para não sobrecarregar a Terra

Por Letícia Maria Klein •
30 julho 2019
A segunda-feira de 29 de julho marcou o Dia da Sobrecarga da Terra em 2019. É uma data simbólica, que vem chegando mais cedo a cada ano, para marcar o esgotamento dos bens naturais do planeta. É como se já tivéssemos acabado com todo o estoque de água limpa, terra, ar puro e matérias-primas para este ano. A conta entrou no vermelho a partir de agora, meu bem! A informação é calculada pela ONG Global Footprint Network desde 1986. O que a gente faz com isso? Se mexe para aliviar o peso, oras! Combinando com a data, tem 29 dicas abaixo para você ser parte da solução, e não do problema:

1. Faça compostagem em casa. Já reduz pela metade a sua produção de lixo por dia. Ops, lixo não, resíduos sólidos!

2. “Compre batom, compre batom”. Lembra a propaganda? Pois saia da hipnose e faça o contrário. Pense antes de comprar qualquer coisa. Lembre-se desta também: útil nem sempre é necessário.

3. Saia com um kit lixo zero. Garfo, faca, colher, canudo reutilizável (inox, vidro, bambu), guardanapo de pano e garrafinha ou copo retrátil. Descartável, não, né, faça-me o favor! 

Kit lixo zero com talheres, canudo de vidro e xícara
Kit lixo zero com talheres, canudo de vidro e xícara
4. Usado, em bom estado, passa já pro meu lado! Comprar coisas usadas em brechós, sebos, grupos em redes sociais diminui bastante a demanda para produzir coisas novas que vão esgotando os bens da nossa Terrinha.

5. Também ajuda se pegar emprestado ou alugar.

6. Apague a luz de ambientes vazios; feche a torneira para escovar os dentes, se barbear, se ensaboar, passar shampoo, enxaguar (opa, esse não); separe os resíduos recicláveis para a reciclagem. Tudo numa dica só porque é de praxe, né?

7. Plante uma árvore. Duas, três... Muitas! As árvores são maravilhosas, embelezam, dão sombra, alimento e casa para várias espécies, regulam a temperatura, purificam o ar e são maravilhosas, porque repetir nunca é demais.

8. Aproveite todos os alimentos que você compra, não jogue nada fora. Ah, é verdade, não existe fora! Então, só para gravar, não desperdice comida.

9. Faça seus próprios produtos de limpeza. Dá para fazer pasta de dente, sabão líquido para lavar roupa e louça, multiuso. Natural, sem químicos nocivos e mais barato. Ó, que amor! 

10. Prefira roupas de algodão. Na hora de lavar, elas não soltam micropartículas de plástico como as roupas sintéticas, de poliéster, poliamida ou outros plásticos derivados do petróleo.

11. Faça um diagnóstico dos seus resíduos. Por uma semana, separe o que você produz e acumule num cantinho da sua casa. Uhh, isso vai causar uma revolução!

12. Adeus, sacola plástica! Leve sempre consigo uma sacola reutilizável, de pano ou outro material para guardar as compras. “Ah, mas o que eu vou usar como saquinho de lixo?”
Sacos de papel para o banheiro.
As próprias embalagens plásticos de outros produtos para a coleta seletiva.

13. Mulher, outro descartável para abandonar é o absorvente. Se ainda não conhece, deixe-se encantar e apaixonar pelo coletor menstrual

Coletor menstrual de silicone
Coletor menstrual de silicone
14. Peça sem canudo. Peça sem embalagem. Mande um e-mail ou faça uma ligação para aquela empresa que poderia melhorar. Peça sem sacola. Quando a gente se manifesta, mudanças acontecem.

15. Eficiência energética é tudo hoje. Escolha sempre lâmpadas de LED e aparelhos com selo de eficiência A. O investimento inicial maior compensa na conta de energia menor e na redução de gases de efeito estufa.

16. Falando nisso, leve as lâmpadas de volta ao vendedor (tem supermercado que coleta também) ou contate uma empresa que recolha esses resíduos para destiná-los corretamente. O mesmo vale para eletroeletrônicos, óleo de cozinha usado, pilhas, baterias e medicamentos.

17. Já tomou sua dose de veneno hoje? Tem centenas, pode escolher. Só que não. Vamos todos nos fazer um grande favor? Seja na feira de produtores certificados, na seção especial do mercado ou horta em casa: orgânico, sem agrotóxico.

18. Vamos falar de horta? É fácil, não precisa de muito espaço e é muito legal fazer comida com o que você mesmo planta.

19. É hora de morfar! Pegue suas coisas velhas e transforme em novas. Sabe aquelas meias e roupas de baixo que estão furadas, não dá para doar e você não acha ninguém que recicla? Podem virar recheio de almofada.

20. Vai uma saladinha feliz? Quem nunca comeu uma carinha sorridente de cenoura, tomate e alface? A produção intensiva de animais para consumo humano causa um baita impacto negativo no planeta e maltrata os bichinhos. Então, deixa eles serem felizes lá enquanto você fica feliz com todos os vegetais, grãos, frutas, farinhas e milhares de outros ingredientes vegetarianos.

21. O verde relaxa e dá sensação de bem-estar. Passear no parque, cultivar plantas em casa e visitar unidades de conservação são atividades que nos aproximam da natureza e ajudam a despertar nossa consciência. 

Bambu da sorte
Bambu da sorte
22. Deixa eu te contar o babado: caixão não tem cofre. Ah, sério? Sim, pois é! Ou seja, deixe o acúmulo compulsivo para o programa de TV e doe o que você não precisa ou que não serve mais. Você também pode vender, contribuindo para a economia colaborativa.

23. Prepare-se, pode ser um choque. Couro sintético não é ecológico! É feito de petróleo e com o tempo (bem curto, na verdade), vai soltando os pedacinhos de plástico por aí. Prefira outros materiais duráveis, com origem sustentável e ou passíveis de reaproveitamento.

24. A mobilidade urbana na sua cidade é boa? Ou está mais para imobilidade? Andar a pé, de ônibus, metrô, trem, patinete, skate, bicicleta é mais barato, não polui ou polui menos do que o carro e muito provavelmente vai te levar mais rápido ao seu destino.

25. Quem gosta de filme aí, levanta a mão! Documentários (e livros também) são uma ótima fonte de informação para quem busca se melhorar e melhorar o planeta. Aqui no blog tem várias sugestões.

26. Não importa o tamanho da ação, e sim a qualidade e a frequência. A prática constante se torna hábito e o hábito faz de você um exemplo. Comece, continue, amplie e fique firme. Deixe as pessoas olharem torto mesmo. Quem vai ficar com problema de torcicolo são elas.

27. Seja cliente de marcas que têm responsabilidade socioambiental e que estão engajadas na busca por tecnologias, processos e produtos melhores e mais sustentáveis. Para saber, entre em contato com a empresa e peça respostas.

28. Cuide de si mesmo. Como se diz, não é egoísmo, é necessidade. A gente só cuida bem do próximo e do ambiente quando cuida bem de si mesmo também. Ou você tem vontade de fazer alguma coisa quando a gripe domina?

29. Voluntarie-se! Se você já faz trabalho voluntário, me entende bem. Se não faz, hora de agilizar aí. Ajudar o próximo, seja pessoa, animal ou ambiente, nos torna melhores, melhora a sociedade e, por consequência, o planeta!

Um ecobeijo e até breve.
+

Passo a passo para não desperdiçar comida na sua vida

Por Letícia Maria Klein •
23 julho 2019
Vai doer, tá? Os dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) dizem que cerca de 30% dos alimentos são perdidos ou desperdiçados no mundo, somando 1,3 bilhão de toneladas de alimentos a cada ano. Daria para alimentar dois bilhões de pessoas, quase 1/3 da população mundial! A perda acontece na primeira parte da cadeia, quando a disponibilidade de alimentos vai diminuindo ao longo da produção, pós-colheita, armazenamento e transporte. O desperdício aparece depois, estando ligado à venda e consumo. Ai, doeu.

Logística e estrutura são questões chave para evitar perdas, o que inclui estradas e transporte para o agricultor vender seus produtos, preferencialmente em locais próximos à lavoura. Além das condições de armazenamento e embalagens adequadas, o comportamento de vendedores, de serviços de venda de alimentos e os hábitos de consumo também figuram nos fatores para evitar perdas e desperdício. Por ser uma situação que diz respeito a todos, afinal, todos comem, cada um precisa fazer a sua parte, tanto empresas quanto poder público e indivíduos.

No que cabe à nós, consumidores, tem várias atitudes que podemos ter no dia a dia para acabar com o desperdício em casa e fora dela. Olha que lindinho ficou o passo a passo para você nunca mais jogar comida fora – até porque fora não existe, vamos combinar?

Saquinho de algodão, cascas congeladas para compostagem e molho de tomate congelado
Saquinho de algodão, cascas congeladas para compostagem e molho de tomate congelado
Cardápio esperto
Além de ir ao mercado só quando você não está com fome, o que ajuda a comprar apenas o necessário é planejar suas refeições para a semana. Pense no que você quer consumir (considerando uma boa variedade de nutrientes), quantas refeições e quantos vão comer. O planejamento já é metade do sucesso de qualquer tarefa.

Olha a mão boba!
Para saber se uma fruta está verde ou madura, nós costumamos apalpá-las, não é mesmo? Esse hábito, feito por muitas pessoas, pode “machucar” o alimento e evitar que ele seja comprado. Por isso, tenha cuidado na hora de passar a mão.

Nada de saquinho, faz favor
Já que o assunto é desperdício, vamos falar de embalagens. A casca de frutas e hortaliças já é uma excelente embalagem natural. Então, não, você não precisa colocá-las num saquinho de plástico para pesar na balança. Como eu faço: quando vou ao mercado, coloco o que quero direto na cestinha e depois, no caixa, a pessoa coloca na balança; de lá, já vai para a sacola de pano (ou caixa de papelão, se esqueço de levar). A mesa coisa na feira. Pode parecer estranho no começo, mas é questão de costume. Você também pode levar saquinhos de pano para usar no lugar do saquinho plástico, se preferir; não farão diferença na hora de pesar. O mercado é um dos melhores lugares para ser exemplo, porque tem um monte de gente olhando!

Sem veneno, é por aqui
A compra de alimentos orgânicos só tem benefícios: nada de veneno no solo, nem no ar, nem na água, nem nos polinizadores, nem no corpo do trabalhador, nem no seu. Na feira, direto do produtor, ainda são mais baratos do que suas versões com agrotóxico que são vendidas no mercado. Outra vantagem é a possibilidade de comer com casca, que é a parte do alimento que tem mais nutrientes. Já é um desperdício a menos.

Olho grande, não
Quando criança, aprendi, de forma marcante, a comer tudo que está no prato. T-U-D-O. Desde então, o prato fica tão limpo que dá quase para guardar direto no armário (não, brincadeira, eu lavo antes). Cada folha de alface que sobra no prato é água, combustível, energia e hora trabalhada simplesmente menosprezados. Me-nos-pre-za-dos. Ai, doeu de novo. A verdade dóis às vezes, mas precisa ser encarada. Os 20% de comida que sobram nos pratos todos os dias no Brasil podem alimentar 19 milhões de pessoas! Então, na próxima vez que for a um buffet, lembre-se desta campanha abaixo:


Pediu um prato à lá carte e sobrou? Leve para casa. De preferência, já leve um pote na bolsa para evitar a embalagem de isopor ou alumínio. Tem vários retráteis no mercado.

Santo congelador
Uma boa tática para aproveitar tudo que você compra e não esquecer de usar alimentos frescos ou com validade curta é prepará-los de uma vez só e congelar para consumir no decorrer da semana ou semanas seguintes. Fazemos muito isso aqui em casa, especialmente com molho de tomate (um panelão se transforma em vários potinhos congelados). Frutas estragam rápido, por isso é melhor deixar algumas na geladeira (a única que eu deixo fora é a banana).

O truque do potinho
Nada como um bom armazenamento! Frutas e hortaliças tem uma condição de umidade ideal para durarem mais tempo na geladeira (é melhor mais úmido do que menos). Prefira potes de vidro para guardar restos de alimentos no refrigerador: além de não contaminarem o conteúdo, como faz o plástico, é possível ver o que está dentro, o que ajuda a não deixar o potinho abandonado lá num canto. Alimentos secos, como farinhas e massas, também ficam melhor acondicionados em potes de vidro bem fechados.

Inventar é uma arte
As sobras das refeições são uma ótima oportunidade para bancar o chefe de cozinha e sair inventando receita. São dois ótimos usos: o da criatividade e o da comida. Arroz pode virar bolinho, molho pode ser incrementado para um recheio de pastelão ou lasanha, folhas verdes de ontem podem ser picotadas e refogadas para fazer uma farofa diferente. Frutas que estão muito maduras podem virar geleias, inclusive usando as cascas (já fiz com a do abacaxi, ficou ótima). Casca de banana também vira bolo. Outras cascas podem virar aperitivo quando assadas, como a de abóbora, além de sementes, como a da abóbora também, Folhas de couve e beterraba também ficam ótimas no forno, salgadinhas. Ah, sabe aquele caldo de legumes para o risoto? Pode ser feito com cascas e talos de verduras (como casca de cebola e alho, talo de folhas, casca de cenoura e de beterraba), é só guardá-las no congelador até o momento de fazer o caldo.

Hora da mágica
Por fim, que na verdade é o começo de um novo ciclo, aquelas cascas, talos, folhas e sementes que não puderam ser aproveitados, podem ser compostados, virando adubo para plantas. Aqui no blog tem uma série de posts sobre como fazer compostagem em casa, seja no quintal ou num cantinho da área de serviço. Fácil, fácil, sem desculpas. Nem desperdício.

E aí, pronto para aproveitar 100% de toda a comida que você compra? Tem alguma outra dica que você usa para evitar o desperdício? Comente abaixo. Um ecobeijo e até breve.
+

Sabão líquido natural caseiro para lavar roupa

Por Letícia Maria Klein •
16 julho 2019
Já faz um tempo que venho testando marcas de sabão em pó e líquido do mercado que sejam naturais, com poucos ingredientes e ecológicas. Não sei se é a máquina de lavar (a minha é aquela com tampa na frente), os ciclos de lavagem, o sabão, a temperatura da água (a minha tem entrada de água quente), enfim, mas as minhas roupas não ficavam muito boas nem macias depois de lavadas, mesmo usando o vinagre no compartimento do amaciante, que muitas pessoas sugerem fazer (não deu muito certo aqui, não). Eu fiz muitos testes, sempre trocando alguma variável para tentar achar o problema. O sabão é uma delas e acho que finalmente encontrei um bom. O melhor de tudo é que dá para fazer em casa, é muito mais barato e super natural!

Vi esta receita no blog e canal Uma vida sem lixo e no canal Casa sem lixo. O sabão líquido natural caseiro só leva água, sabão de coco, bicarbonato de sódio, álcool e óleo essencial (que é opcional). As marcas recomendadas de sabão de coco são Milão e Uffe, nesta ordem, entre outras. Como a Cristal e a Nicole explicam, nem todo sabão de coco funciona nessa receita, pois depende da sua composição. Eu fiz e já usei na máquina de lavar e em balde com roupa de molho (que dá um resultado melhor do que na máquina, aqui. Sério, acho que o problema é a máquina).

Vale muito a pena fazer! É rápido, rende três litros e é muito mais barato do que os produtos convencionais que encontramos no mercado (não dá R$ 5,00). Anote a receita:

Ingredientes:

3 litros de água;
1 barra de 200g sabão de coco;
50ml de álcool (45, 70 ou 90, mas a Cristal recomenda os dois últimos);
3 colheres de sopa de bicarbonato de sódio;
5 a 10ml de óleo essencial da sua preferência, se quiser.

Como fazer:

- Ferva a água numa panela com capacidade para mais de três litros, para não transbordar quando colocar o bicarbonato.
- Enquanto isso, rale o sabão de coco com um ralador normal, de cozinha.
- Quando a água ferver, acrescente o sabão ralado e mexa até dissolver totalmente.
- Então, desligue o fogo, acrescente o álcool e o bicarbonato de sódio. Misture por mais cinco minutos e deixe esfriar.
- O óleo essencial deve ser colocado nessa etapa, na água fria, para não evaporar. Misture e deixe descansar por uma hora.
- Agora, é só colocar em garrafas ou potes de vidro (as meninas não recomendam reutilizar embalagens plásticas de outros produtos, pois elas são porosas e podem conter restos daqueles produtos).

Sabão líquido natural caseiro. Usei a marca de sabão Uffe nesta receita, com álcool 45.
Sabão líquido natural caseiro. Usei a marca de sabão Uffe nesta receita, com álcool 45.
Um pouco do sabão solidificou, talvez porque está muito frio aqui em Blumenau.
Tem espuma porque eu agitei para soltar um pouco o sabão.
Essa receita serve como multiuso, podendo ser utilizada para limpeza geral, para lavar louças e limpar superfícies e bancadas – nesse caso, é recomendável diluir um pouco a mistura e colocar num borrifador.

Ficou curioso para testar? Posso dizer com certeza: esse sabão líquido natural caseiro funciona, é cheiroso, tira manchas e deixa as roupas macias! Faça a receita aí na sua casa e depois me conte o que achou.

Um ecobeijo e até breve.
+

3 formas de reduzir seu consumo de coisas novas

Por Letícia Maria Klein •
09 julho 2019
Aproveitando que julho é o mês de conscientização e atitudes em prol de um mundo sem plásticos descartáveis, vamos falar sobre consumo, um ato diário em que utilizamos bens naturais e produzimos resíduos. Para diminuir nosso impacto negativo nesses dois lados, veja abaixo algumas maneiras de continuar consumindo sem comprar coisas novas
O consumo colaborativo é uma forma de consumo consciente para reduzir a compra de coisas novas
O consumo colaborativo é uma forma de consumo consciente para reduzir a compra de coisas novas
Compre usado
Livros, revistas, roupas, calçados, CDs, DVDs e aparelhos eletroeletrônicos usados são muito fáceis de encontrar, seja em lojas na sua cidade (sebos e brechós), sites (como Mercado Livre e OLX) ou grupos em redes sociais digitais (como Facebook). Vale a pena visitar ou ficar de olho nesses locais reais e virtuais para tentar achar o que você quer ou precisa. Eu sou rata de sebo e já encontrei, num brechó, uma calça específica que estava querendo. É sempre bom ter contigo uma sacolinha ecológica, assim você evita as malvadas descartáveis quando fizer suas compras conscientes.

Peça emprestado
Sabia que o tempo de vida útil de uma furadeira é somente 12 minutos? É o que diz Rachel Botsman nesta palestra do TED sobre consumo colaborativo. Ou seja: comprar algo novo que será usado por pouco tempo não vale a pena, tanto financeiramente quanto ambientalmente. Existem aplicativos e sites que permitem trocas de itens entre pessoas de um mesmo bairro (como o app Tem Açúcar?) ou até do país (como a troca de livros no Skoob). Ou você pode simplesmente cruzar o corredor do seu prédio ou sair de casa e pedir algo diretamente ao seu vizinho. Se quiser ficar no seu círculo social, peça a parentes e amigos aquilo que você só precisa por alguns momentos. Livros, roupa de festa junina, vestido social e até colchão de ar já entraram na minha lista de pedidos de empréstimos a conhecidos.

Reutilize
As compras no supermercado acabam nos dando muitas embalagens. Boa parte delas pode ser reaproveitada, especialmente as de vidro, o que evita a compra de potes novos. Eu guardo todas as embalagens de vidro de conserva e molhos que compro e vou reutilizando, tanto para guardar comidas que sobram quanto para dar aos outros. No último Natal, por exemplo, fiz bolachinhas e presentei amigos e familiares usando potinhos de vidro como embalagem. Além de fofo, é totalmente reutilizável e reciclável. Essa dica também vale para roupas. A Nathalia Arcuri, do Me Poupe, ensina a comprar no seu próprio guarda-roupa, combinando peças nunca combinadas. Além disso, você também pode customizar peças antigas ou dar um novo uso, como transformar uma camiseta velha em sacola ecológica com este passo a passo do Manual do Mundo.

Uma das questões chave do consumo consciente é aumentar a vida útil de coisas que já estão circulando e sendo usadas por outras pessoas, porque isso diminui a demanda por extração e utilização de bens naturais para produção de itens novos. Processos de fabricação e consumo, considerando desde a extração até o descarte que fazemos, também produzem muitos resíduos sólidos. Consumindo o que já existe há tempo, mas ainda está em bom estado, é uma forma de reduzir a montanha de lixo que cresce todos os dias no mundo, tanto indireta quanto diretamente. Gostou, já faz isso, quer começar a fazer? Comente aqui embaixo e bom consumo consciente!

Um ecobeijo e até breve.
+

Julho sem plástico e o que sabemos sobre a poluição plástica nos oceanos

Por Letícia Maria Klein •
27 junho 2019
Todos os anos no mês de julho, o The Story of Stuff Project convida todos a tomarem o juramento do julho sem plástico: “Eu juro evitar plásticos de uso único (descartáveis), reutilizar ou reciclar plásticos que utilizo, educar outras pessoas sobre os resíduos plásticos e fazer ações que ajudem o planeta a se libertar do plástico”. A hashtag #breakfreefromplastic viraliza nas redes sociais nesta época, acompanhada por fotos de muitas ações que podemos ter no dia a dia para deixar de lado os descartáveis e reduzir a produção de resíduos plásticos

Movimento Break Free From Plastic
Movimento Break Free From Plastic
Aproveitando a deixa, o Instituto 5 Gyres enviou um e-mail aos seus assinantes com as perguntas mais recebidas sobre a poluição por plásticos no mundo. São questões bem interessantes, que compartilho neste post.

Qual é a informação mais recente sobre a quantidade de plásticos nos oceanos hoje?
O que se sabe é que há uma ligeira tendência de aumento ao longo do tempo. Nossos modelos mais recentes, trabalhando com Win Cowger da UC Riverside, mostram uma estimativa de 110.000 toneladas de plástico flutuante nos oceanos do mundo. Por ser flutuantes, essa conta não inclui os plásticos que estão na coluna de água, no fundo do mar ou nas costas remotas em todo o mundo, que é onde a grande maioria dos plásticos oceânicos está.

As bioenzimas e os micróbios podem consumir toda a poluição plástica?
Não é difícil encontrar alguns organismos naturais que consomem plástico. Mas aqui estão as perguntas que sempre surgem:
1. O que acontece se um organismo geneticamente modificado que come plástico é liberado no mundo? Nos oceanos, ele comeria docas de pesca, boias, equipamentos de pesca, barcos e todos os tipos de equipamentos marítimos.
2. Onde, então, esse organismo seria aplicado?
Não é necessário colocá-lo em aterros porque o plástico já está contido e há pouco risco de vazamento. No ambiente? Muito arriscado.
A ideia de micróbios que comem plástico dá grandes manchetes, mas não é uma tecnologia que defendemos para resolver o problema do plástico oceânico. Esse problema é sintoma da má gestão do material em terra. Esse é o problema que precisamos resolver, por meio de políticas que garantam produtos mais inteligentes que sejam economicamente recicláveis ​​e sistemas mais inteligentes que forneçam mercadorias sem a necessidade de embalagens.

Se menos de 10% dos materiais recicláveis são reciclados, devo continuar encaminhando meus resíduos para a reciclagem?
Primeiro, saiba que os atuais sistemas de reciclagem nos EUA e na Europa estão severamente desafiados devido à proibição da China de importar resíduos (e devido à falta de design para reciclagem). [No Brasil, cerca de 3% dos resíduos são reciclados.] As possibilidades são que a maior parte do plástico que você está separando direito vai direto para o aterro sanitário ou está sendo guardada em armazéns. Evite comprar plásticos e embalagens de uso único, se for possível. Enquanto isso, você pode continuar reciclando, mas ainda melhor: elimine plásticos de uso único de sua lista de compras e apoie a responsabilidade estendida do produtor na sua comunidade, que é uma política que exige que os produtos e embalagens tenham um plano real e economicamente viável para que sejam recuperados quando se tornarem resíduos.

Estou tentando ser lixo zero. Como faço?
Sempre dizemos às pessoas que o primeiro passo para o desperdício zero é lembrar que, com qualquer coisa que você compre, vem a embalagem.
Se você quiser se envolver ainda mais, encontre seu grupo local de lixo zero ou procure em sites, blogs e livros sobre o que fazer para não gerar desperdícios em casa, na escola e no escritório. Lixo zero é um conjunto de valores. Se você consegue transformar sua casa, escola ou escritório em um local com cultura de desperdício zero, inserir esse conceito na missão da organização ou instituição, então isso se torna parte de quem você é.

Aqui no blog tem muitos posts sobre lixo zero e consumo consciente que vão te ajudar a produzir menos resíduos no seu dia a dia. Também vale a pena acompanhar o site e as redes sociais do Instituto Lixo Zero Brasil e procurar coletivos lixo zero nas redes sociais, além de outros blogs e canais que falam sobre o tema, como Casa sem lixo e Uma vida sem lixo. Uma mudança de hábito leva a outras, e muitas te tornam uma pessoa sustentável.

Um ecobeijo e até breve.
+

A vista de 360º no Morro do Sapo no Parque das Nascentes

Por Letícia Maria Klein •
21 junho 2019
Blumenau tem 67% do seu território coberto por vegetação. Uma parte disso fica no Parque Nacional Serra do Itajaí, uma unidade de conservação federal que abriga outra unidade de conservação, esta municipal: o Parque das Nascentes. São 5,3 mil hectares de Mata Atlântica, o que o torna o maior parque municipal do Brasil, segundo o Instituto Parque das Nascentes (Ipan), que gerencia a UC. 

Início da trilha do Morro do Sapo
Início da trilha do Morro do Sapo
O Parque das Nascentes é aberto à visitação nos fins de semana e feriados. Aproveitei o feriado de Corpus Christi para subir o Morro do Sapo, no parque, com um grupo de amigos. Além dessa trilha, os visitantes podem percorrer as trilhas da Lagoa, da Garganta e da Chuva. A subida do Morro do Sapo termina num mirante, a uma altitude de 715 m, com uma vista espetacular de 360º de Blumenau e região. A vista alcança até o litoral de Santa Catarina! O dia estava ensolarado, sem uma única nuvem; simplesmente maravilhoso! A temperatura estava amena, cerca de 20ºC, então foi bem gostoso. Vimos muitos cogumelos, um colibri e várias borboletas coloridas no caminho. 

Vista do mirante no Morro do Sapo
Vista do mirante no Morro do Sapo
Vista do mirante no Morro do Sapo
Vista do mirante no Morro do Sapo
Mirante no Morro do Sapo
Mirante no Morro do Sapo
Mirante no Morro do Sapo
Mirante no Morro do Sapo
A trilha tem um grau de dificuldade considerado médio, mas isso depende do seu condicionamento físico (como eu pratico três tipos de atividades físicas na semana, achei o trajeto fácil). A trilha tem subidas leves, descidas e caminhadas planas. Ela começa a ficar mais íngreme, com degraus naturais mais altos, quando está perto do cume. O caminho é demarcado com placas e bem delimitado devido à quantidade de visitantes. É preciso cruzar o rio em um momento, então é bom ir com bota à prova d’água ou levar uma toalhinha para secar o pé depois de atravessar sem o calçado (foi o que fizemos). 

Rio na trilha
Rio na trilha
São quase oito quilômetros de ida e volta. Nós começamos a trilha por volta das 9h30, levamos cerca de duas horas para subir (paramos algumas vezes) e começamos a descida às 12h30. No caminho de volta, encontramos uma trilha meio escondida que leva a uma cachoeira. É curta, mas bem íngreme. Acabei levando um tombo na descida e me agarrei numa árvore cheia de espinhos na subida, o que deixou minha palma da mão inflamada. Então, fica a dica, use luvas em aventuras na floresta e olhe bem ao redor antes de dar o próximo passo! Lição aprendida e um passeio belíssimo na memória. 

Cachoeira no Morro do Sapo
Cachoeira no Morro do Sapo
Cogumelos amarelos no Morro do Sapo
Cogumelos amarelos no Morro do Sapo
Cogumelos brancos no Morro do Sapo
Cogumelos brancos no Morro do Sapo
Cogumelos no Morro do Sapo
Cogumelos no Morro do Sapo
Cogumelos no Morro do Sapo
Cogumelos no Morro do Sapo
É permitido acampar no parque, mediante agendamento. Em dois dias, dá para fazer todas as trilhas. A da lagoa é um circuito plano curto e as da Chuva e da Garganta são mais difíceis. Com certeza voltarei para conhecer esses outros percursos em meio à Mata Atlântica exuberante em que moramos. É um local tranquilo, silencioso, com ar puro, águas cristalinas e uma paz que só se consegue sentir em meio à natureza.

Serviço:
Localização: Rua Santa Maria, bairro Progresso, Blumenau/SC, 89027-200.
Ingresso: R$ 10,00 até setembro de 2019 e R$ 20,00 a partir de então. Meia entrada para menor de idade, professor, estudante, doador de sangue, pessoas com deficiência e idoso, com comprovante. Crianças até cinco anos não pagam. Para acampar, mediante agendamento, o valor é R$30,00 por pessoa.
Site: https://institutoparquedasnascentes.wordpress.com/.
Horário de atendimento: sábado, domingo e feriado, das 8h15 às 17h. A entrada no parque é permitida até às 16h. Visitas durante a semana para grupos ou escolas devem ser agendadas.
Atrativos e infraestrutura: trilhas, rios, cachoeiras, mirantes, locais para banho, área de acampamento (com banheiros e churrasqueira), educação ambiental, turismo ecológico.
Contato: (47) 99782-1286.
+

Dicas para um Dia dos Namorados sustentável

Por Letícia Maria Klein •
11 junho 2019
Neste ano, o 12 de junho será duplamente romântico: cai numa quarta-feira, o dia da semana reservado para namorar. Para marcar a data, que tal comemorar seu amor com um Dia dos Namorados sustentável? Veja algumas dicas: 

Dicentra spectabilis, uma flor em formato de coração
Dicentra spectabilis, uma flor em formato de coração

Presente sem embalagem
Se vocês são um casal que gosta de trocar presentes, podem combinar de dá-los sem embalagem descartável, substituindo-a por uma durável ou reutilizável, como sacola de pano, caixa ou mesmo sacola de papel ou jornal. Eu gosto bastante de embrulhar em sacola ecológica, pois fica bonito e já são dois presentes em um. Antes de comprar o presente, responda às perguntinhas do consumidor consciente para fazer a melhor escolha.

Vale uma experiência
Massagem; sessão de cinema, teatro ou espetáculo; passeio em um parque especial; jantar em um lugar bacana... São vários os momentos que você pode dar de presente, como forma de gratidão e reconhecimento, que ficarão marcados na memória e que representam uma forma de consumo consciente.

No aconchego do lar
Para os caseiros, a noite também pode ser especial. Um jantar preparado em casa (com ingredientes orgânicos, que podem ser comprados a granel na feira), embalado por uma trilha sonora que agrade aos dois e seguido de um filme... Adoro! Essa é apenas uma sugestão, mas existem várias, só depende do estilo de cada casal. Se for pedir comida em casa, aproveite e leia este post para saber o que fazer com as embalagens que sobram.

Feliz e sustentável Dia dos Namorados para você!
Um ecobeijo e até breve.
+

Três hábitos sustentáveis para adotar no Dia do Meio Ambiente

Por Letícia Maria Klein •
05 junho 2019
Entre os dias 05 e 16 de junho de 1972, a Organização das Nações Unidas realizou a primeira Conferência sobre o Meio Ambiente Humano (Conferência de Estocolmo), que reuniu mais de 100 chefes de estado para falar sobre as problemáticas ambientais. Desde então, comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente em 05 de junho. Para estender a celebração para todos os dias do ano, veja três hábitos que você pode adotar hoje mesmo para praticar a sustentabilidade, por meio de cuidados contigo, com os outros e com o meio.

Dia Mundial do meio ambiente: cuidados consigo, os outros  e o meio para praticar a sustentabilidade todos os dias
Dia Mundial do meio ambiente: cuidados consigo, os outros
 e o meio para praticar a sustentabilidade todos os dias

Para cuidar de si
O indiano Satish Kumar traduz o tripé da sustentabilidade em alma, solo e sociedade. A alma representa o cuidado que precisamos ter conosco mesmos. Quando não estamos bem, parece que nada está bem, não é mesmo? É preciso cuidar de si tanto quanto dos outros e do ambiente. Uma forma de fazer isso é ficar um tempinho por dia a sós com você mesmo, em silêncio ou ouvindo uma música calma, prestando atenção na sua respiração, buscando entender o que você está sentido naquele momento, deixando os pensamentos virem e irem embora. Isso é meditação, basicamente. Podem ser cinco minutos no seu dia, para começar, que vão te trazer paz e tranquilidade.

Para cuidar do outro
Assuma a tarefa de fazer algo bom para alguém hoje. Pode ser uma pessoa, um animal, uma planta. Dê um abraço, um carinho, uma palavra amiga, um conselho, água, comida... Mas dê com atenção e de coração, buscando tornar o dia desse alguém melhor. A partir do momento que nos dedicamos, de verdade, a melhorar a vida de alguém, por menor que o ato possa parecer, compreendemos o poder e a responsabilidade que temos perante os outros seres vivos e o planeta Terra.

Para cuidar do meio
Além de ter um tempo diário para se dedicar a si mesmo e aos outros, comece a usar outro tempo somente para observar. O cientista e artista alemão Johann Wolfgang von Goethe desenvolveu a sua ciência holística baseada na pura arte da observação. Observar é uma forma serena e profunda de entrar em contato com algo e entender aquilo, num ritmo natural. É uma forma de conexão. Nos seus trajetos diários, observe o céu (de dia e à noite), as nuvens, a chuva, as árvores, os animais, o chão, as flores, a grama. Escute o som da água, da trovoada, do vento. Use seus sentidos para observar e absorver a natureza que nos mantém vivos no planeta. É só o que precisa para expandir sua consciência a todas as potencialidades da vida sustentável.

Um ecobeijo e até breve.
+

6 ideias para um casamento sustentável – Diário da noiva #1

Por Letícia Maria Klein •
29 maio 2019
Existem casamentos dos mais variados tipos, tamanhos, formatos e até temáticas. Em qualquer caso, é possível torná-lo o mais ecológico possível, demonstrando cuidado com o ambiente desde o convite até o fim da festa. Aproveitando que maio é considerado o mês das noivas (e que eu comecei a pensar na minha cerimônia), seguem seis ideias para um casamento sustentável (eco wedding, em inglês). 



Convite em papel semente
Confesso que nunca sei o que fazer com um convite de casamento quando recebo um. Guardar? Descartar? É reciclável para poder encaminhar à coleta seletiva? Pensando em evitar esse resíduo, lembrei do papel semente. Como o nome diz, essa folha de papel tem sementes em sua composição. Basta plantá-la e regar para nascer uma plantinha. Não gera lixo nem desperdício, mas sim um lindo ser vivo, que mantém viva a lembrança do casamento. Adorei essa ideia e já pensei num kit bem fofo para o convite, totalmente sustentável e lixo zero. Quando ficar pronto, compartilho aqui. Para compensar o preço mais elevado do papel, o convite pode ser menor do que o tradicional. Os menus das mesas podem ser em papel semente também.

Aluguel de vestido de noiva
Comprar itens usados ou pegar emprestado é sempre melhor do que adquirir itens novos, pois assim poupamos os bens naturais e matérias-primas que seriam usados na fabricação desses produtos. Não poderia ser diferente com o vestido. Minha primeira opção será procurar um vestido para alugar. Existem milhares de opções nas lojas de aluguel e tenho esperanças de encontrar o que tenho em mente. Se nada, mesmo, agradar, existe a opção do vestido de 1º aluguel feito com fibras naturais orgânicas, que não poluem o ambiente.

Decoração de flores em vasos
Celebrar o amor e o compromisso para a vida toda com flores vivas tem muito mais sentido do que com flores mortas, que foram cortadas. Por isso, escolhi ter somente flores plantadas em vasos como parte da decoração, tanto nas mesas quanto no salão. Tive algumas ideias alternativas para o buquê, vamos ver se dará certo. Futuramente, compartilho aqui. Na pior das hipóteses, as flores do buquê, que seriam as únicas cortadas, podem ser compostadas. 

Decoração com flores plantadas em vasos
Decoração com flores plantadas em vasos

Docinhos sem embalagem
Essa foi a primeira ideia que eu tive, considerando meu propósito lixo zero. Todos aqueles papeizinhos (quando não as famosas “bolsinhas de flores” de plástico ou tecido) são descartados (sim, nem as de tecido são reaproveitadas). Apesar de recicláveis, esses itens costumam ser misturados com outros resíduos na cozinha, inclusive de comida, e acabam não sendo separados para a reciclagem. Para evitar esse lixo, o doceiro pode apostar em várias soluções: os docinhos que são de copinho ou tortinha podem ficar apoiados em bandejas de vidro; os que são redondos podem ser colocados em tigelas com pé de vidro ou cristal; os papeis e plásticos podem ser substituídos por apoio de chapinha de chocolate ou de folha de bananeira (que é um material natural reaproveitado e compostável).

Bebidas em garrafas de vidro
Um dos maiores geradores de resíduos sólidos são as garrafas de plástico de água e refrigerantes. Muitos noivos já estão optando por garrafas de vidro, como minha cerimonialista comentou, porque o plástico deixa gosto nas bebidas. Outra vantagem do vidro é ser infinitamente reciclável e poder ser reenvasado. Algumas empresas que trabalham com bebidas em garrafas de vidro costumam pegá-las de volta para reenvase ou descarte correto.

Compostagem e reciclagem
Se o bolo que sobra, vai para casa, a comida do buffet também pode ir. Mas o que fazer com os restos que ficam nos pratos? Dá para pedir à equipe da cozinha para colocar tudo num baldinho para você fazer compostagem depois. Se onde você mora houver algum projeto de compostagem, pode encaminhar os resíduos orgânicos para lá. Se houver espaço na sua casa, você pode enterrá-los no quintal ou colocar na composteira. Dependendo dos alimentos, é possível colocar no seu minhocário. Eventuais papéis brancos usados podem ser compostados junto. Aproveite para pedir à equipe da cozinha para que mantenha um coletor somente para materiais recicláveis, os quais devem ser enviados à coleta seletiva posteriormente.

Acompanhe o blog para mais posts sobre o meu casamento sustentável. Um ecobeijo e até breve.
+

5 dicas de consumo consciente para quem é nerd

Por Letícia Maria Klein •
22 maio 2019
Eu sou nerd desde quase sempre. Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Star Wars, Star Trek e super-heróis estão na minha lista de fã de carteirinha. Gosto de usar roupas temáticas e colecionar objetos (de preferência os que eu possa utilizar de alguma forma). Como compatibilizar isso com a conservação dos bens naturais, a redução da produção de resíduos e o consumo consciente? Listei aqui algumas práticas que me ajudam a ser uma nerd sustentável.

Comprar usado
Eu sou rata de sebo. Muitos dos livros que eu compro são usados. Aliás, a minha preferência é por usados. Se eu não encontro o livro no sebo na minha cidade nem on-line (Estante Virtual ou trocas no Skoob), então compro na livraria. Tem muita gente que vende itens de coleção usados na internet. O consumo de produtos usados diminui a demanda por extração de bens naturais para produção de itens novos e aumenta a vida útil dos itens que já estão no mercado. Para que a indústria de livros, filmes, música e outros consiga se manter num sistema que seja sustentável ambiental, social e economicamente, vão surgir novos modelos de negócio que dependam menos da posse e mais do uso, similar ao streaming de áudio e vídeo e aos aluguéis de objetos e roupas. Daqui a algum tempo, acredito que as próprias livrarias vão dispor de aluguel de livros mediante taxas de mensalidade.

Compensar as emissões de carbono
Cada objeto produzido emite gases de efeito estufa durante sua produção, sem contar durante a extração e o descarte. Quanto mais água, energia, combustível e bens materiais cada um consome no seu dia a dia, maiores as emissões que provocam o aquecimento global responsável pela crise climática atual. Existem muitas formas de compensar o seu impacto. O primeiro passo é calcular a sua pegada de carbono e seguir algumas sugestões de redução de consumo de itens que não são tão importantes para você quanto os que apelam à sua nerdice. Eu, por exemplo:

Capacho de porta e chinelo: itens da minha coleção de Harry Potter que uso em casa
Capacho de porta e chinelo: itens da minha coleção de Harry Potter que uso em casa

Pensar antes
Eu sei que a vontade é ter tudo do universo que amamos. Mas ter controle é importante. Quando pensamos na tríade “necessário, útil e supérfluo”, dificilmente itens de coleção como bonecos de ação, objetos de decoração e outros assim entram na primeira categoria. Pensando nisso, eu deixo de comprar muitas coisas das quais tenho vontade ou postergo até realmente sentir que é importante para mim ter aquilo. Assim, uma sugestão é priorizar a compra de itens de coleção que você possa utilizar, como roupa, chinelo, caderno, abajur, recipiente, copo etc. Outra forma de tornar esse consumo mais sustentável é diminuir a frequência e a quantidade da compra. As reduções contribuem tanto para a conservação dos bens naturais quanto para a sua saúde financeira.

Pedir de aniversário ou data comemorativa
Aniversário, Páscoa, Natal, Dia das Mães e Dia dos Pais são datas em que as pessoas costumam dar presentes. Especialmente no aniversário, quando você sabe que vai ganhar alguma coisa (a não ser que peça para não ganhar nada), aproveite para pedir os artigos geek que você quer. Assim você satisfaz seu lado nerd e deixa de ganhar aquilo que não quer ou não vai usar. Eu fiz isso no amigo secreto da minha família no fim do ano passado e deu certo.

Conversar com os fabricantes
Existem algumas formas de ativismo ambiental e o contato entre consumidor e fabricante é uma delas. Deixar de comprar algo por ideologia, qualquer que seja, tem muito mais sentido quando você explica para a empresa por que está fazendo isso. Quedas nas vendas podem ter várias origens, então saber o motivo ajuda a indústria a direcionar sua ação. Você pode questionar a empresa sobre as ações socioambientais dela, o que ela está fazendo em termos de sustentabilidade e se tem planos de inovação, como melhorar o ecodesign dos produtos, implantar logística reversa, priorizar matérias-primas locais e naturais, optar por fontes renováveis de energia etc.

Você também é nerd ou tem outra paixão que te leva a querer ter tudo daquilo? Se você tem outras sugestões de consumo consciente, comente aqui embaixo. Um ecobeijo e até breve.
+

Como usar o biofertilizante produzido no minhocário – Meu santo composto #8

Por Letícia Maria Klein •
14 maio 2019
A compostagem feita no minhocário produz muito biofertilizante, que é o líquido escuro resultante da decomposição dos alimentos. A cor marrom ou preta é derivada da passagem da água pela terra. É um fertilizante natural rico em nutrientes e muito forte. Costumava ser chamado de chorume, mas para não ser confundido com o líquido tóxico que é produzido no aterro sanitário, é agora denominado de biofertilizante.

Por causa da sua concentração, deve ser usado na proporção de uma parte dele para 10 de água. Pode ser aplicado pelo menos uma vez por semana. Assim como nós precisamos de uma dose diária de nutrientes, as plantas também precisam, então o ideal é dar um pouco por dia, sempre variando as fontes de adubo, como explica a Carol Costa no livro Minhas Plantas. Eu coleto o biofertilizante numa garrafa reutilizada e coloco de uma a duas vezes por semana nos vasinhos.

Biofertilizante produzido no minhocário
Biofertilizante produzido no minhocário. Está diluído em água, mas está mais claro
do que o normal porque a caixa do meio quase não tem mais resíduos
e está na hora de eu trocá-la de lugar com a de cima.

Ao contrário do minhocário, o processo que existe na composteira não produz biofertilizante (ou produz muito pouco), pois a água é eliminada na forma de vapor graças às altas temperaturas. Por isso ela é chamada de compostagem termofílica. Na composteira que eu fiz e usei por quase um ano nunca foi gerado biofertilizante. Depois adquiri um minhocário e estou com ele até hoje. Uma das vantagens é justamente a obtenção de dois produtos: um adubo sólido e um líquido.

Para saber se o biofertilizante está bom, é só cheirar. Se não tiver odor, então seu minhocário está saudável e em equilíbrio. Se o cheiro estiver ruim ou forte, você pode estar colocando resíduos que não podem ser compostados ou a relação entre carbono e nitrogênio está desequilibrada. Se estiver bom, é só diluir e alimentar suas plantinhas.

Um ecobeijo e até breve.
+

Como evitar descartáveis de plástico sem um kit lixo zero

Por Letícia Maria Klein •
10 maio 2019
Você está de boa no trabalho e alguém te convida para tomar um café na padaria. Ou você está na rua e quer parar para fazer um lanche. Mas seu kit lixo zero não está contigo. E agora? Tem como comer na rua sem gerar todo aquele lixo? Veja abaixo o que você pode fazer para gerar o menos possível de resíduos descartáveis e garantir que nada vá para o aterro sanitário ou lixão (pelo menos da sua parte).

Peça copo de vidro
Tem estabelecimentos que têm tudo descartável, tudo durável ou meio termo. Neste último caso, geralmente há copos de vidro (às vezes eles são usados para algumas bebidas e não outras, como eu já presenciei). Aproveite que eles estão lá e peça a sua bebida no copo de vidro. Dificilmente vão te dizer não e você já pode aproveitar o momento para explicar seu pedido.

Sem canudo
Muitas vezes o seu suco, chá gelado, refrigerante ou caipirinha já vem com o canudo dentro. A cerveja nunca vem, já reparou? Utilize essa lógica e na hora de pedir a bebida acrescente um “sem canudo, por favor”. Certa vez, numa lanchonete com amigos, esse pedido feito de forma coletiva incentivou o dono a tirar os canudos do estabelecimento já no dia seguinte. Bom para o ambiente e para o restaurante, que vai gastar menos com descartáveis. Você pode até sugerir alternativas e substituições ao canudo de plástico.

No prato em vez do saquinho
Tem lugares que vendem sanduíches e hambúrgueres numa embalagem descartável e depois te entregam a comida num prato de porcelana, vidro ou plástico resistente. Nesses casos, você pode pedir sem a embalagem, direto no prato. Suas opções a partir daí podem ser pedir talheres (se tiver de metal, não de plástico), usar guardanapo (veja as próximas dicas) ou usar só as mãos e depois lavá-las no banheiro. 

Lanche de sanduíche no prato sem embalagem
Lanche de sanduíche no prato sem embalagem

Peça guardanapo em vez de prato descartável
Se só tiver descartáveis no restaurante e seu lanche permitir, peça para te entregarem no guardanapo em vez de no prato descartável. O papel leva muito menos tempo para degradar do que o plástico e tem uma cadeia produtiva menos impactante. Quando é inevitável gerar resíduos, melhor optar pelo menos pior.

Composte o guardanapo
Quem faz compostagem doméstica pode levar o guardanapo de papel usado no restaurante para casa. Ele é um elemento seco necessário para o funcionamento da sua composteira ou minhocário.

Guarde para reutilizar ou encaminhar corretamente
Se não teve jeito e acabou sobrando um copo, prato ou talheres descartáveis, você pode lavá-los no banheiro e reutilizar para qualquer finalidade. Uma faca de plástico pode servir de tutor em vaso de planta, por exemplo, assim como um canudo. Ou você pode apenas levá-los para um coletor de recicláveis da coleta seletiva da sua cidade (dificilmente o restaurante separa os resíduos passíveis de reciclagem, tudo costuma ir num mesmo saco para a coleta de rejeitos e orgânicos). Muitas vezes eu levo resíduos para casa só para separar para a coleta seletiva que passa na minha rua.

Por fim (mas na verdade é o primeiro passo), é legal você dar uma olhada pelo ambiente antes de fazer o pedido para saber quais utensílios o restaurante tem e a partir daí pensar em como você pode evitar gerar resíduos ou reduzi-los ao mínimo. Tem alguma outra dica para compartilhar? Comente aqui embaixo. Um ecobeijo e até breve.
+

© 2013 Sustenta Ações – Programação por Iunique Studio