Casa Aberta e PresentEco: dois projetos de educação para a sustentabilidade em Blumenau

Por Letícia Maria Klein •
20 novembro 2019
“Mudar o mundo uma pessoa de cada vez fazendo o que você gosta” é o lema de Mariane Gomes Sievert, que adotou a frase de um blog português. Há menos de dois meses, ela e a família colocaram em prática duas iniciativas de educação para a sustentabilidade em Blumenau: a Casa Aberta e o PresentEco. Mari trabalhou durante 15 anos como professora de educação infantil usando a metodologia Freinet e desde que sua terceira filha nasceu, dedica-se à família, aos estudos e a novos projetos como esses. Tivemos uma conversa muito bacana sobre as ideias, suas inspirações e as mudanças que ela quer provocar. As fotos foram cedidas pela Mariane.

O que é a Casa Aberta?
A Casa Aberta funciona na nossa própria casa: na sala, no quintal e na garagem. É um local que oferece eventos (nossos e de parceiros) e um espaço integrativo para acolher diversas pessoas e coletivos que estão buscando o mesmo olhar para infância, adolescência e família em que nós acreditamos. Queremos oferecer um espaço onde a criança e o jovem possam ser protagonistas, possam ser ouvidos e onde as coisas girem a seu favor. O objetivo da Casa Aberta é ser um espaço para conversarmos sobre educação positiva e cultura da paz e que oferece a reconexão com você mesmo, com o próximo e com a natureza.

Hoje em dia, as crianças estão superlotadas de eventos e ao mesmo tempo estão desorientadas em relação ao que fazer com isso tudo. O olhar que oferecemos não é o da religião, mas o da cultura da paz, que acolhe e integra as pessoas. Meditação, ioga e reiki são ferramentas que usamos que nos ajudam a manter o equilíbrio e nos mostram o que podemos aprender com a natureza. A natureza está sempre nos ensinando e nós não conseguimos perceber porque estamos desconectados.

Casa Aberta
Casa Aberta.
 
Como surgiu a ideia?
A ideia é fruto de um desejo antigo que foi se estruturando e agora conseguiu desabrochar. Existiam algumas crenças que eu precisava superar em relação a empoderamento, vencer as próprias limitações e ver quantas coisas boas eu tinha para compartilhar, não só como professora. Fiz o projeto, divulguei na rede social e comecei a arrumar o espaço.

Conte um pouco sobre algumas ações que vocês já realizaram.
Nosso primeiro evento foi no começo de outubro, com a venda de garagem protagonizada por crianças e jovens. Eles montaram suas próprias barracas e divulgaram nas redes sociais; tivemos cinco feirantes e bastante procura; além disso fizemos uma roda de conversa sobre consumo e produção de lixo naquele dia. Já participamos de feiras (especialmente com o PresentEco), do 2º Seminário Internacional de Ecoformação e da Semana Lixo Zero Blumenau, em que fizemos composteiras para os vizinhos. No seminário, fizemos oficina com professores sobre diminuição da produção de lixo no trabalho escolar com crianças e realizamos a dinâmica do ciclo de vida da borboleta, em que o foco é você e seus sonhos: seu sonho como um ovinho, como você o alimenta para que ele mude de fase e como você se abre para o mundo com seu sonho. 

Venda de garagem
Venda de garagem

Feira na Greenplace
Feira na Greenplace Park
Quais são os planos para o ano que vem? 
Nós queremos oferecer trabalhos contínuos, que funcionem periodicamente. Temos dois caminhos para explorar: foco em eventos ou abrir um espaço onde as crianças possam passar um tempo com acompanhamento educacional, livre brincar e espiritualidade (meditação, ioga, reiki, pintura de aquarela, entre outros) para desenvolver o empoderamento, a presença, segurança para se expressar e liberdade para modificar o lugar a partir de suas ideias. Um dos trabalhos que queremos fazer é sobre o feminino, voltado para meninas (como é para a menina ter a primeira menstruação, entrar na adolescência, como os indígenas veem isso, como a ayurveda vê isso etc). Queremos proporcionar o acesso desses conhecimentos a crianças e jovens, independente de religião, para que elas se conheçam melhor e busquem o que as torna inteiras. Além disso, queremos oferecer formação de professores nas escolas com ecoformação e cultura da paz (respeitar a si mesmo, o próximo e o ambiente). 

Dinâmica "um brinquedo chamado terra" no seminário de ecoformação
Dinâmica "um brinquedo chamado terra" no seminário de ecoformação
O PresentEco surgiu a partir da Casa Aberta?
Na semana da venda de garagem, fui tendo várias ideias sobre consumo e produção de resíduos, que acabaram levando ao PresentEco. “Existe o brechó, mas já pensou se existisse uma crença diferente em relação ao presente?” Marido e filhos adoraram.

O que é o PresentEco?
É um presente conceito que tenta mudar a crença de que o presente é algo que precisa ser novo, comprado na loja. O importante não é o presente em si. A ideia é que a pessoa tenha liberdade e consciência de usar algo da natureza que já foi manufaturado para dar de presente para alguém. Coisas que estão em estado ótimo, na sua casa, por exemplo, que possam ser dadas de presente. Em feiras das quais participamos com o projeto, algumas pessoas disseram que já deram de presente coisas que estavam em sua casa, mas não falaram para a pessoa que recebeu que aquilo não era novo, como se fosse motivo de vergonha. Se o objeto está como novo e não teve perda de valor, porque se pensa que ele vale menos? 

Produto à venda no PresentEco
Produto à venda no PresentEco
A ideia do PresentEco não é só proporcionar produtos usados em bom estado, mas também ser uma ferramenta de educação ambiental para que a pessoa reflita sobre o consumo e perceba que pode dar como presente coisas que tem em casa e que não usa. Queremos estimular as pessoas a pensarem sobre a necessidade de consumo e a fazerem esse caminho de perguntas e reflexões antes de comprarem algo. Uma das premissas do consumo consciente é o fornecimento local. A fonte mais local que existe é a sua própria casa. Não é porque algo não é novo que ele precisa ser somente doado. Como embalagem para o PresentEco, estamos reutilizando um material de serigrafia de empresas que estavam descartando. Junto com o presente, vai a explicação do projeto. Podemos migrar para outras ideias criativas de embalagem, porque também não queremos incentivar a produção desse lixo.

Como funciona o PresentEco? Qualquer pessoa pode participar?
Para participar comprando, a pessoa pode ir às feiras em que estamos presentes, que são divulgadas nas redes sociais. Para ser parceiro para vender, a pessoa deve ter um olhar crítico para as próprias coisas e ver o que está em ótimo estado que pode ser dado como presente (sem marcas, por isso não é exatamente como um brechó). A pessoa entra em contato conosco pela fanpage ou instagram e combinamos a retirada/entrega. A pessoa recebe o valor que estipulou para o produto e nós ficamos com uma pequena comissão que cobre custos de transporte e logística da feira.

Nossa intenção é educar sobre o consumo, produção de lixo e estilo de vida equilibrado, pois as pessoas trabalham muito para comprar tantas coisas. Será que você já não tem o presente que precisa dar? Precisamos repensar conceitos e ideias da sociedade em que vivemos. Queremos mexer com a pessoas, difundir a ideia e diminuir a resistência ao presente usado; provocar a pulga atrás da orelha, estimular desapego de coisas, estimular novas ideias; sermos um agente transformador do consumidor, que por sua vez transforma o mercado. Será que as coisas materiais, às quais você dispensa tempo em casa, não estão tomando seu tempo com famílias e amigos?

Como a família tem se envolvido nos projetos?
A questão da transformação é muito potente. Nossos filhos foram muito privilegiados, pois se envolveram muito. O objetivo é tornar os projetos sustentáveis financeiramente, mas se considerar tudo que já aconteceu, já foi muito válido por todo o conhecimento que eles adquiriram e a educação que estão tendo, que acabam passando para outras crianças na escola. A Lívia mostrou aos colegas as flores comestíveis, o Estevão deu muitas ideias de projetos na escola. Eles têm desenvolvido a criatividade e proposto ideias. 

Participação na Semana Lixo Zero Blumenau
Participação na Semana Lixo Zero Blumenau: produção de sistemas de compostagem para vizinhos. Eles armazenam os resíduos orgânicos nos baldinhos e a família da Mari coleta os resíduos para colocar no minhocário deles, dividindo a terra e o biofertilizante depois. O objetivo é que os vizinhos se interessem em fazer nas suas próprias casas.
Quais são as suas inspirações?
Educação positiva, escolas da floresta, quintais brincantes (uma inspiração é o Fava de Bolota em Tocantins), metodologia Freinet, cultura da paz, Paulo Freire, pedagogia Waldorf, jardins Waldorf e também a ideia de leveza (começar com o que você tem, fazer o melhor com o que tem disponível).

Que máximo, né! Muito sucesso à Mari, sua família e aos projetos.
Um ecobeijo e até breve.
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Golfinhos na baía e banho de rio em Governador Celso Ramos

Por Letícia Maria Klein •
06 novembro 2019
Foi a primeira vez que avistei golfinhos em alto mar! A experiência é emocionante. Estava num passeio de escuna pela costa do município de Governador Celso Ramos, em Santa Catarina. Foram mais de 20 golfinhos que apareceram na Baía de São Miguel, aos pares ou trios. Eles entram na baía para se alimentar, mas nem sempre as condições do tempo permitem vê-los, então tivemos sorte!

Que vento gostoso! Passeio de escuna
Que vento gostoso!

São dois golfinhos: na imagem da esquerda é possível ver um subindo, na imagem da direita vemos a barbatana dorsal dos dois
São dois golfinhos: na imagem da esquerda é possível ver um subindo, na imagem da direita vemos a barbatana dorsal dos dois.
Na primeira vez que estive na cidade, nos hospedamos num hotel à beira da praia de Henrique da Costa, que fica perto de onde sai o barco. Desta vez, ficamos no interior do município, num hotel entre montanhas. Naquela vez teve escalada em rochas na areia, desta teve trilha que leva a um mirante com vista do litoral.

Foi um fim de semana de relaxamento, tranquilidade e muita proximidade com a natureza, o que eu amo demais. Nosso quarto tinha vista para morros cheios de árvores e também para morros com áreas abertas, incluindo o mirante. Na sacada, uma rede que eu usei para ler um livro à noite. Como a região não tem tanta luz artificial, havia mais estrelas visíveis no céu, que é simplesmente a vista que mais me faz falta desde que voltei da Schumacher College. Não se compara, mas pelo menos é melhor do que a vista do céu noturno em Blumenau. A única vez que consegui rever um céu como aquele foi em Urubici, há dois anos, numa viagem fascinante pela serra catarinense

Morros à vista do quarto. Aquela árvore sozinha no canto direito marca o mirante.
Morros à vista do quarto. Aquela árvore sozinha no canto direito marca o mirante. A trilha até lá leva uns vinte minutos e te oferece uma vista lindíssima do litoral do município.
O hotel em que ficamos tinha piscina, mas o meu negócio é banho em águas naturais. Me joguei no mar na volta do passeio de escuna (quando podia fazer isso, claro; eu não dei a louca) e também no riacho que passa no terreno do hotel, vindo da cachoeira. Sou apaixonada por água e não perco a oportunidade de nadar no mar ou rio quando posso. A água estava geladinha, uma delícia! Não importa a temperatura, eu vou mesmo. 

Não é história de pescador, pulei no mar mesmo
Não é história de pescador, pulei no mar mesmo.
Outra parada do roteiro marítimo foi a Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, construída no século 18 na Ilha de Anhatomirim, próxima ao continente, e que hoje é de jurisdição do município de Governador Celso Ramos.
Ilha de Anhatomirim.
Ilha de Anhatomirim.


A construção do forte começou em 1739 e tem influência da arquitetura renascentista. São vários edifícios distribuídos na ilha, entre eles a primeira sede do governo do estado e o quartel da tropa (o maior entre as fortificações brasileiras). Apesar de ter sido construído para fazer parte de um sistema triangular de defesa de Santa Catarina, o sistema não funcionou e a ilha foi sendo aos poucos abandonada após a invasão espanhola em 1777. Depois de ter servido para usos diversos na Revolução Federalista de 1894, na Revolução Constitucionalista de 1932 e na Segunda Guerra Mundial, ela foi aberta à visitação pública em 1984. Vale a pena conhecer, é muito interessante e historicamente rica, além de ter belas paisagens naturais. 

Casa do comandante Brigadeiro Silva Paes na Ilha de Anhatomirim.
Casa do comandante Brigadeiro Silva Paes na Ilha de Anhatomirim.
Adoro tanto praia quanto montanha, então unir os dois numa só viagem foi fantástico! Poder andar no mato, nadar no rio, mergulhar no mar, avistar outras espécies de aves que não tem aqui são aqueles momentos simplesmente mágicos e magicamente simples que me acalmam, me energizam e me inspiram a ser melhor e agir em prol de um planeta sustentável.

Um ecobeijo e até breve.
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11 livros sobre meio ambiente que mudaram minha visão de mundo

Por Letícia Maria Klein •
29 outubro 2019
Os livros são parte de mim. Sinto até uma necessidade física quando fico alguns dias sem ler, nem que seja uma página. Para comemorar o Dia Nacional do Livro, celebrado em 29 de outubro, selecionei algumas obras com temática ambiental que li ao longo da vida e que mudaram minha forma de ver o mundo e viver nele (os que têm resenha aqui no blog tem o link no título).

Walden ou A Vida nos Bosques
Com toda a certeza um dos meus livros favoritos da vida! Henry David Thoreau faz um relato autobiográfico inspirador, profundo e verdadeiro da jornada de um ser humano em busca da essência da vida. Thoreau narra o período de pouco mais de dois anos em que viveu em um bosque, às margens do lago Walden (nos Estados Unidos), numa casa que ele mesmo construiu. Irônico, provocador, questionador e filósofo, Thoreau não fala meias verdades e toca em muitas feridas, escancarando hipocrisias da sociedade capitalista do século 19, com seu comercialismo e industrialismo crescentes (algo ainda mais verdadeiro hoje). Daquelas leituras para fazer refletir e encarar pré-conceitos.

Mundo sustentável – Abrindo espaço na mídia para um planeta em transformação
Foi um dos primeiros livros que eu li com temática ambiental, ainda na faculdade. O livro reúne entrevistas, artigos e comentários do jornalista ambiental André Trigueiro sobre assuntos relacionados a resíduos sólidos, energia, mudanças climáticas, água e padrões de produção e consumo, além de soluções para uma vida sustentável. No momento, estou no meio da leitura do segundo volume: Mundo Sustentável 2 - Novos rumos para um planeta em crise.

A teia da vida – Uma nova compreensão científica dos sistemas vivos
Fritjof Capra é um físico austríaco e ambientalista que consegue trazer temas científicos para o nosso dia a dia, com uma linguagem acessível. Neste livro, ele aborda a visão sistêmica da vida (a noção de que tudo está inter-relacionado), mostrando a riqueza e a fragilidade da teia de vida existente no planeta Terra e no universo. Ele explica ecologia profunda, pensamento sistêmico, teorias da complexidade e do caos, além de vários outros estudos e linhas de pesquisa que comprovaram a interligação e a interdependência entre os seres vivos, estruturas e elementos terrestres e universais.

O tao da física – Um paralelo entre a física moderna e o misticismo oriental
Esse foi o primeiro livro que Capra escreveu (e o segundo dele que eu li). Ele diz no livro que “a ciência não precisa do misticismo e o misticismo não precisa da ciência, mas o ser humano precisa de ambos”. Durante a narrativa, ele vai explicando sobre física quântica e as bases do pensamento filosófico indiano e chinês (budismo, hinduísmo e taoísmo), estabelecendo um paralelo entre os dois. É incrível o que ele consegue fazer, mostrando como, na realidade, ciência e espiritualidade se complementam.

A sexta extinção – uma história não natural
Um dos melhores livros ambientais que eu já li, escrito pela jornalista Elizabeth Kolbert. O livro tem 13 capítulos que contam a história das últimas cinco grandes extinções em massa ocorridas no planeta e mostram indícios do sexto episódio que pode estar em curso, provocado pela espécie humana nesta era de Antropoceno. A extinção é um fenômeno natural, mas a humanidade está intensificando-o em milhares de vezes, tornando-o massivo. Leitura recomendadíssima para quem quiser entender esse processo de uma maneira fácil, didática e envolvente. 

Livros com temática ambiental
Livros com temática ambiental 

O homem que salvou Nova York da falta de água e outros 11 mestres da sustentabilidade
Um livro muito interessante e inspirador. Com uma escrita fluida e envolvente, o autor Rafael Chiaravalloti descreve trajetórias de vida, desafios e conquistas de pessoas no Brasil e em outros países que fizeram ou fazem a diferença em termos de conservação, preservação e vida sustentável. As histórias são contadas em meio a contextos sociais, econômicos, políticos, culturais e ambientais, oferecendo ao leitor uma visão sistêmica sobre os problemas e as soluções que os 12 mestres encontraram. Um ótimo exemplo do que podemos fazer com o nosso poder.

Espiritismo e Desenvolvimento Sustentável
Carlos Orlando Villarraga questiona como será o futuro da espécie humana na Terra diante do modelo atual de desenvolvimento e do consumismo, trazendo indicadores sociais e ambientais, as bases do modelo de desenvolvimento sustentável, a diferença entre consumo e consumismo, a importância das religiões para o desenvolvimento sustentável, os princípios da sustentabilidade, exemplos de ações para um futuro sustentável e como o Espiritismo pode ajudar nesse processo.

Espiritismo e Ecologia
Esse é outro livro espírita que aborda a temática ambiental, escrito por André Trigueiro. Ele faz um paralelo entre as duas ciências que nasceram na mesma época, o Espiritismo e a Ecologia, e que compartilham princípios, como o uso sustentável dos bens naturais, o consumo consciente, a coletividade em detrimento do individualismo e a visão sistêmica da biodiversidade. Rápido de ler, com uma escrita objetiva, agradável e cativante.

Colapso – Como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso
Esse livro é uma viagem no tempo e um mergulho na história de civilizações que desapareceram ou triunfaram por causa da relação que tinham com o meio onde viviam. O autor Jared Diamond explica contextos sociais, econômicos, políticos e culturais de cada sociedade e como eles se inter-relacionam ao longo do tempo para levar essas comunidades à extinção ou à prosperidade. Tem uma linguagem clara e envolvente que revela a intrincada rede de relações entre os indivíduos de um povo e entre este e seu habitat.

Diário do clima – Efeitos do aquecimento global: um relato em cinco continentes
Foi escrito pela jornalista Sonia Bridi como resultado das reportagens para o quadro “Terra – que tempo é esse”, produzido em 2010 para o programa Fantástico, da Rede Globo. Ela e o cinegrafista Paulo Zero, seu marido, viajaram pelo mundo para mostrar os efeitos e explicar as causas das mudanças climáticas, geradas a partir da emissão acelerada e intensificada de gases de efeito estufa na atmosfera, decorrentes de atividades humanas. Apesar de já terem sido lançadas muitas outras obras (livros, programas de TV, documentários etc) sobre a crise climática na última década, vale a leitura por ter uma abordagem clara e didática do tema. Se você conseguir a edição do livro que vem com os episódios da série, melhor ainda.

O pequeno príncipe
O famoso livro do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, camuflado de infanto-juvenil, é uma das histórias mais lindas sobre humanidade e trajetória de vida de um ser humano. É um livro profundamente filosófico e poético que aborda qualidades e defeitos, desafios e aprendizados, ganhos e perdas, sentimentos e emoções, cuidado e destruição. A sustentabilidade se baseia nos atos simultâneos e interdependentes de cuidar de si, do outro e do ambiente, mensagens que esse livro tão belo nos mostra por meio de seus personagens, dos vários planetas, dos relacionamentos e da viagem do príncipe.

Já leu algum desses? Recomenda outros?

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Tela na caixa coletora do minhocário e um balde cheio de adubo – Meu santo composto #9

Por Letícia Maria Klein •
09 outubro 2019
Reservei duas horinhas nesta semana para fazer algo que estava há tempos precisando: limpar e melhorar meu minhocário. Na questão limpeza, tirei praticamente um balde inteiro de adubo, que estava há seis meses na caixa digestora debaixo. A de cima está lotada e eu precisava inverter as duas, para deixar a que está cheia em processo de decomposição dos orgânicos. A melhoria foi colocar uma redinha presa na tampa da caixa coletora, para evitar que minhocas caiam no biofertilizante e morram afogadas. Também retirei cinco litros de biofertilizante concentrado, que ainda precisam ser diluídos. 

Adubo e caixa digestora vazia
Adubo recolhido e caixa digestora vazia
O adubo estava com odor fraco de terra molhada, numa consistência pastosa, nem esfarelenta nem líquida. Ótimas condições! Para retirá-lo, deixei a caixa no sol e fui pegando aos poucos a camada de cima, conforme as minhocas iam descendo (elas fogem da claridade). Quase não tinha mais minhocas neste balde, estão quase todas na outra caixa digestora que está cheia, então foi fácil tirar o adubo sem encontrar as bichinhas. Usei uma pazinha e um garfinho de jardinagem, mas pode ser qualquer colher e garfo que você tiver em casa.

Adubo retirado do minhocário
Adubo retirado do minhocário. Só dá para reconhecer as cascas de ovo.
Agora eu tenho bastante adubo para usar nas minhas plantas, que estão precisando de nutrientes e de reposição de terra. Vou colocar também nas plantas do prédio. O biofertilizante, depois de diluído, pode ser aplicado semanalmente nas verdinhas.

Já comecei a colocar resíduos orgânicos na caixa digestora que tinha o adubo. Ainda ficaram alguns resíduos lá: deixei algumas cascas de pinhão, sementes de abacate e caroços de pêssego, que demoram muito tempo para se decompor. O que também não decompôs foram as cascas de ovos, mas tirei junto com o adubo, para ir decompondo nos vasos das plantas. 

Restou um fundo de resíduos orgânicos na caixa digestora, com algumas minhocas
Restou um fundo de resíduos orgânicos na caixa digestora, com algumas minhocas


Caixa digestora cheia
Caixa digestora cheia

Minhocário arrumado
Minhocário arrumado, com as caixas digestoras invertidas.
A cheia está embaixo, para os resíduos orgânicos se decomporem.
A redinha é uma solução prática e barata para o problema de morte de minhocas no biofertilizante. Ela é vendida em metro e custa menos de R$ 5,00. Usei só um quarto. Cobri a caixa coletora, afundei um pouco para permitir o encaixe do balde digestor que vai em cima e prendi com a tampa (que é recortada no meio para encaixar o balde superior). Assim, se alguma minhoca cair pelo buraco da caixa digestora, ela pode voltar facilmente e não afundará no líquido. 

Redinha no topo da caixa coletora
Redinha no topo da caixa coletora para as minhocas não caírem.
Agora me conte, como anda a sua compostagem doméstica? 

Um ecobeijo e até breve.
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Alternativas ao uso da sacola plástica para colocar o lixo

Por Letícia Maria Klein •
01 outubro 2019
“Mas daí eu vou ter que comprar aqueles sacos de lixo se eu não usar a sacolinha”. Essa é uma das frases que eu mais escuto quando digo que não pego sacola de plástico no mercado nem em lojas. Olhe a resposta linda: não, você não precisa comprar! “Mas o que tu usas na lixeira?” vem logo depois. Mais lindo ainda: alternativas sustentáveis, é claro. Quais são? Como fazer? Leia até o fim e abandone de vez essas pragas plásticas.

Faz alguns anos que eu sou adepta das sacolas reutilizáveis. Tenho uma de pano que fica bem pequenina na bolsa. Quando vou ao mercado ou à feira, levo outras, grandes, para trazer as compras. Com isso, deixei de usar sacolas plásticas para colocar o lixo do banheiro, os resíduos orgânicos (que vão direto para meu minhocário) e os materiais recicláveis. 

Como nós precisamos de alguma coisa para colocar os resíduos dentro, comecei a utilizar as próprias embalagens de alguns produtos como saco de lixo. Para os resíduos recicláveis, eu uso embalagens plásticas de pão, arroz, feijão, macarrão, batata frita congelada, entre outros, que são grandes o suficiente para acondicionar os resíduos, cuja maioria são outras embalagens. 



O que eu também uso, especialmente para colocar vidros, é caixa de papelão. Muitos mercados já disponibilizam caixas para os clientes colocarem suas compras. Elas também são boas para colocar papéis e embalagens de papelão para a reciclagem. Assim, tanto a embalagem quanto o conteúdo são do mesmo material, o que facilita na hora da triagem. Outra solução para embrulhar vidros é folheto de mercado ou jornal, especialmente se houver cacos. Eu também já usei embalagem metálica de entrega de comida, tipo marmita.

Para os resíduos orgânicos, a solução é a compostagem! Não manda para o aterro sanitário, não, pessoa linda. Tenho conhecidos que batem os restos de alimento no liquidificador com um pouco de água e dão como adubo para plantas. É uma alternativa se você ainda não tem um minhocário ou composteira. 

De qualquer forma, quando precisar de embrulho para os resíduos orgânicos, a melhor saída é o saco de papel, que decompõe muito mais rápido no aterro do que o plástico e tem uma origem renovável. Podem ser sacos de pão da padaria ou embalagens de papel de alguns alimentos. No site do Instituto Akatu, tem um passo a passo de como fazer um saquinho de lixo com jornal; encartes ou folhetos de mercado também servem. Tem lojas que dão sacolas de papel, outra alternativa.

Para o lixo do banheiro, que inevitavelmente vai para o aterro sanitário, eu geralmente uso saco de pão ou de entrega de comida, que tem um tamanho compatível com a minha lixeira. Além de ser mais sustentável, o uso do papel para acondicionar os resíduos sanitários diminui o odor, então é outra vantagem.

Gostou? Já faz algo assim? Faz diferente? Comente aqui embaixo.

Um ecobeijo e até breve.
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O que você pode fazer com o seu poder?

Por Letícia Maria Klein •
17 setembro 2019
Ontem na aula de tango, apareceu um novo casal. Ela com 20 anos, ele, 22. Quando eu perguntei o que os tinha levado até ali, ele me respondeu que foi a apresentação que eu fiz com meu professor no festival da escola, no último fim de semana. Em dois minutos, nós conseguimos transmitir emoção e contagiar um jovem casal de namorados com a magia da dança. Só posso dizer que eu ganhei a noite com aquele depoimento.

Me peguei refletindo novamente sobre a grande responsabilidade que eu tenho, enquanto pessoa e cidadã, de, no mínimo, me tornar uma pessoa melhor. Meu jeito de ser; meu estilo de vida; meus pensamentos, palavras e ações extrapolam o limite físico do meu corpo e impactam outras pessoas, outros seres vivos e o ambiente que eu ocupo neste planeta (ou até onde eu alcanço de alguma forma). Eu tenho uma grande responsabilidade. Tenho consciência disso. Isso é poderoso, potente. Assustador. O que eu faço com isso? O que eu posso fazer com isso?

O que você pode fazer? O poder do exemplo é transformador. Quem você é e o que você faz reverbera no mundo como uma onda, transformando tudo no caminho. Depois ela volta para você. Que tipo de onda você quer sentir? Por quais ondas você quer ser atravessado, coberto, arrebatado? Não precisa ser nada grande nem longo. “Em um momento se vive uma vida”, como diz Al Pacino no filme “ Perfume de mulher”. Em dois minutos, eu fiz diferença na vida de duas pessoas por pelo menos uma noite em que eles dispuseram de seu tempo para fazer aula. 


Quando se diz para aproveitarmos cada momento, não é mera frase de efeito. É porque um instante tem poder. Esse poder é seu. É verdadeiro dizer que o que importa é a qualidade, não a quantidade, porque é a intensidade que faz diferença. Pense em você mesmo, na sua vida. Como as mudanças aconteceram? O que te levou a ser diferente hoje do que ontem? O que te inspirou a mudar um pensamento, uma ação, uma forma de falar? A mudança mais importante é a íntima, acontece dentro de cada um. A partir daí, a onda emana e você não tem mais controle. A única coisa que você controla é o tipo e a qualidade da onda. O que ela faz no caminho é consequência do seu poder.

Acredite no seu potencial, aceite a sua responsabilidade e use o seu poder da melhor forma. Seja um exemplo vivo e intenso de tudo que você acredita. Nas pequenas coisas, nas coisas do dia a dia. Nas suas tarefas em casa, no trabalho, na sua relação com as pessoas, consigo mesmo e com o meio. Um ano é uma sucessão de dias, com muitas horas, muito mais minutos e ainda mais segundos. Instantes com potencial de transformação. A sua própria, a do outro, a do planeta. Bilhões de transformações pequenas, íntimas, pessoais, ao alcance da mão, a todo instante. Viemos ao mundo com nossas próprias missões, tarefas, planejamentos... Independentemente do que sejam, que possamos simplesmente fazer o nosso melhor e ser melhor em cada dia, prestando atenção nas ondas.

Um ecobeijo e até breve.
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O que fazer com roupas velhas ou que não servem? Use a Caixa Solidária!

Por Letícia Maria Klein •
03 setembro 2019
Mateus Rossi decidiu resolver um problema social e ambiental ao mesmo tempo. Em viagem à Itália há mais de seis anos, ele se deparou com um equipamento, numa esquina, onde as pessoas podiam depositar roupas para doação e reciclagem. Ele ficou interessado e foi pesquisar mais sobre o assunto. Aquela caixa era uma iniciativa da Caritas Itália, onde ele acabou indo trabalhar como voluntário para entender o processo de coleta, triagem e destinação das doações. Depois de viajar para outros países e conhecer outros projetos parecidos, em 2015 ele trouxe a ideia para o Brasil, começando na cidade dele, Criciúma.

Hoje, a Caixa Solidária está em 22 cidades catarinenses com 72 equipamentos. Dois deles estão em Blumenau até a metade de setembro. É um teste para avaliar a futura construção de uma central aqui na cidade (Joinville, Itajaí, São José e Florianópolis também receberam caixas para teste). Conversei com o Mateus sobre o projeto e ele disse que o teste está sendo positivo aqui em Blumenau; as pessoas aderiram mesmo e o volume de doações é grande. 

Além de roupas e calçados, também podem ser doados cobertores, brinquedos, fraldas, produtos de higiene pessoal e alimentos não perecíveis. Agora... sabe aquelas roupas velhas, rasgadas, que nem para pano de chão dá mais? Pode colocar também! Cerca de 50% dos itens doados não têm condições de reutilização, então são encaminhados para indústrias de reciclagem de fibras têxteis naturais e sintéticas em São Paulo. 

Caixa Solidária no Giassi
Caixa Solidária no Giassi
Depois de passar pela triagem, as roupas em bom estado são enviadas a instituições assistenciais, à defesa civil e a famílias cadastradas no sistema social do município, conforme a necessidade. Uma parte das roupas é revendida no bazar solidário, e o valor adquirido é enviado às instituições beneficiadas para que possam comprar o que precisam, sejam materiais escolares, de manutenção e construção, alimentos etc. 

Para a região sul do estado, onde o projeto nasceu, a meta é colocar mais 70 caixas até outubro e outras 70 até dezembro. Para 2020, estão previstas 280 caixas na região de Florianópolis. A última etapa é chegar ao norte do estado em 2021, totalizando mil caixas em Santa Catarina. A não ser que haja investimentos e parcerias da indústria privada antes disso. (Alguém da indústria têxtil lendo isso aqui? Olha a oportunidade!)

Hoje, o negócio social coleta 20 toneladas de roupas por mês no sul de SC, mas tem capacidade para atender todos os 45 municípios daquela região, que geram muito mais resíduos têxteis do que isso. Só em Criciúma, são 280 toneladas de roupas descartadas todos os meses, o que responde por 6,7% do lixo gerado na cidade. Em Florianópolis, são 700 toneladas por mês, pouco menos de 5%. Aliás, essa é a média brasileira: 5% dos resíduos sólidos produzidos por uma pessoa são peças de vestuário.

Os resíduos têxteis viajam pela cidade, como diz Mateus, e o descarte acaba sendo maior nas periferias. Devido a campanhas de agasalho, algumas cidades recebem um excedente de donativos, o que aumenta o descarte. Na serra catarinense, tem cidades em que as roupas representam 17% do lixo!

Campanha da Caixa Solidária
Campanha da Caixa Solidária. É só depositar a sacola de roupas no
espaço indicado e levantar a alavanca, que é o quadrado vermelho.
Para conseguir atender toda a população, Mateus prevê que haja uma Caixa Solidária para cada cinco mil pessoas no estado. Esse é um número bom. Em Roma, há 1.800 equipamentos, sendo um para cada 1.200 pessoas! Os projetos Planet Aid e USAgain tem 19 mil e 14 mil caixas espalhadas pelos Estados Unidos, respectivamente (lá, a indústria da reciclagem têxtil é bem desenvolvida, pois as fibras são reutilizadas como isolamento térmico em paredes). Para que todos tenham acesso ao projeto, os equipamentos ficam em supermercados ou locais públicos (mediante autorização da prefeitura). 

De dezembro de 2015, quando a ideia foi implantada, até o fim de 2018, mais de 50 mil pessoas foram beneficiadas diretamente com mais de 100 toneladas de donativos. O bazar vendeu mais de 40 mil itens, e cerca de 35 toneladas de tecidos foram encaminhadas para reciclagem têxtil. Além disso, a reutilização e a reciclagem significaram uma redução na emissão de 360 toneladas de gás carbônico, economia de 600 milhões de litros de água e a não utilização de 30 toneladas de fertilizantes e 20 toneladas de pesticidas. 

Mateus quer que todos os estados brasileiros tenham Caixas Solidárias. Cidades no RS, PR, SP, além de Salvador e Brasília já entraram em contato. “A demanda existe. Agora estamos montando uma forma de investimento para financiar a implantação do projeto”. Para buscar mais conhecimento e tecnologia, Mateus viajará para Portugal ainda neste ano para conhecer uma empresa que opera no país inteiro, com mais de três mil caixas, em um processo industrial. Só de triagem, são 35 toneladas por dia. 

Além de expandir gradativamente o alcance da Caixa Solidária, a Eco Group, que é a empresa do Mateus responsável pela gestão dos equipamentos, já tem um segundo projeto engatilhado: a Eco Box, uma caixa específica para resíduos sólidos, que deve ser disponibilizada para condomínios. Os estudos já começaram. 

Campanha da Caixa Solidária
Campanha da Caixa Solidária. Mateus disse que as doações aumentaram 50% depois da campanha
Se você não tem acesso a esse projeto, pode tentar contatar empresas de reciclagem têxtil, iniciativas de reutilização de roupas para confecção de peças novas ou mesmo reutilizar as suas peças em casa. Algumas ideias são usar camisetas velhas como panos de chão ou transformá-las em sacolas; estofar almofadas com roupas de baixo e meias rasgadas ou customizar peças. 

Eventualmente, porém, você precisará descartar tecidos. Vá guardando numa caixinha na sua casa até conseguir contato com alguma empresa de reciclagem para enviar a remessa ou esperar que a Caixa Solidária ou outro projeto semelhante chegue até a sua região. Ou você pode abrir o seu próprio negócio de upcycle ou reciclagem de roupas. De qualquer forma, o ideal é garantir que as peças sejam reutilizadas, doadas e recicladas, assim a gente fecha o ciclo da indústria têxtil e nenhum item vai parar no aterro sanitário nem no lixão nem no rio nem em qualquer outro lugar onde não deveria. 

Aiai, fiquei até emocionada... Tem um lencinho? De pano, né, o negócio aqui é lixo zero. 

Um ecobeijo e até breve. 
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Como seus hábitos de consumo impactam a Amazônia

Por Letícia Maria Klein •
27 agosto 2019
Tem se falado muito da Amazônia ultimamente por causa dos incêndios, que estão mais frequentes e intensos. Teve até o “dia do fogo” neste mês de agosto, organizado por produtores para “mostrar trabalho” ao presidente da república. A principal causa dos incêndios é o desmatamento da floresta para fazer pastagens para gado. As árvores são queimadas para criar fazendas e o fogo foge do controle, invadindo a floresta em pé.

Como as árvores mantêm a umidade do ar, a falta delas deixa o ambiente mais seco. Aliado à atual estação de seca na Amazônia, é muito calor junto, criando as condições perfeitas para que os incêndios se alastrem. Como não dá para ir lá apagar o fogo diretamente, podemos agir de outras formas para combater o desmatamento ilegal. Tem tudo a ver com seus hábitos de consumo, especialmente alimentares.

Bateu a fome? Melhor que seja de salada. Não, estou brincando, não é só de salada que vive o vegetariano. Aliás, se tem uma coisa chata é quando eu pergunto o que vai ter para comer e a pessoa responde salada. ­­¬¬

“Mas o que você come?”, perguntam. Então, vamos lá. A dieta vegetariana tem vegetais, legumes, frutas, grãos, cereais, farinhas, massas, leites vegetais, chocolate sem leite e muito mais em centenas de receitas doces e salgadas que resultam da combinação de todos esses ingredientes que não vêm de animais. Na verdade, só não tem carne e derivados.

Almoço vegano no restaurante Permita Ser
Almoço vegano no restaurante Permita Ser, em Blumenau:
pizza vegana com espinafre da horta e queijo vegetal,
salada da horta (orgânica) e polenta com cogumelos e molho de tomate
Mas o que o seu consumo de carne tem a ver com a Amazônia? 

A pecuária é a principal responsável pelo desmatamento lá, respondendo por até 80%. Se você diminuir a quantidade de carne que come, já ajuda muito. Vá no seu ritmo. Comece com uma refeição por semana, depois um dia sem carne e assim por diante. Neste processo, aproveite para tentar deixar seu prato mais sustentável mesmo com a carne, procurando por fontes locais e orgânicas, de produtores da região. Com o tempo, você vai incluindo outros alimentos para fazer uma dieta balanceada e garantir o estoque de proteína. “Ah, para isso tem a soja, né?”. A-há, pegadinha!

Muito cuidado nessa hora. Além de não fazer bem na forma não fermentada, segundo algumas pesquisas, a soja é a principal cultura agrícola do Brasil, sendo utilizada para alimentar o gado e também pessoas, tanto aqui quanto em outros países. Junto com a pecuária, está na lista de fatores para o desmatamento na Amazônia. Então, temos que cuidar com o consumo de soja: não exagerar e procurar versões orgânicas no mercado, além de tentar saber de onde ela veio.

Além da alimentação, o que também afeta a floresta é o consumo de artigos eletroeletrônicos, joias e semijoias, produtos cosméticos e outros objetos que levam minérios na sua estrutura ou composição. Nós, enquanto sociedade, usamos muito os metais. Só que a mineração é responsável por 9% do desmatamento na região Norte do país.

O que você pode fazer em relação a isso?

Como todos nós somos consumidores de fato e em potencial, a melhor atitude nesse sentido é ser um consumidor consciente. Em vez de comprar novo na loja, você pode adquirir itens usados, pegar emprestado ou alugar. Dessa forma, você aumenta a vida útil do que já está no mercado, o que diminui a pressão por extração de mais minérios para fabricar produtos. Neste post sobre como reduzir o consumo de coisas novas, eu falei mais do assunto.

O foco aqui foi a Amazônia, mas as nossas atividades diárias e hábitos de consumo têm relação com todas as florestas. Quando falamos de consumo de papel e móveis, por exemplo, estamos ligados diretamente à Mata Atlântica, bioma onde mora 70% da população brasileira.

Já não te disse que está tudo conectado? É muito lindo isso. E poderoso.

Um ecobeijo e até breve.
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Dicas para reutilizar água em casa

Por Letícia Maria Klein •
20 agosto 2019
Esta aqui é para começar hoje mesmo. Ou melhor, estas aqui: dicas super práticas de como reutilizar água na sua casa antes de jogá-la pelo ralo. É para economizar dinheiro na fatura, poupar esse bem natural que é SIM-PLES-MEN-TE-FUN-DA-MEN-TAL à vida e dar mais uns passos na sua jornada sustentável.

Dicas para reutilizar água em casa


1. Quando for tomar banho, coloque um balde embaixo do chuveiro para captar o primeiro jato de água fria (existem até caixas coletoras específicas no mercado); quando a água esquentar, deixe o balde no canto e reutilize depois para:


  • Dar descarga no vaso sanitário;
  • Regar suas plantas;
  • Lavar roupas que precisam ser lavadas à mão no balde;
  • Limpar a casa, superfícies, janelas.
  • Lavar carro, moto, bicicleta, patinete.
  • Dar em si mesmo uma ducha de água fria, porque dizem que faz bem. (brincadeirinhaaa... ou não).

2. Enquanto estiver enxaguando a louça, deixe na cuba as embalagens plásticas e metálicas que você vai separar para a reciclagem, assim elas já vão sendo limpas com a água do enxágue. Depois, é só tirar a água, talvez passar uma esponja, se necessário, e deixar secar. Essa prática é importante se você deixa os resíduos durante alguns dias em casa antes de descartar, para não dar cheiro nem atrair insetos.

3. Sabe aqueles cubos de gelo no congelador que estão velhos demais para gelar sua bebida? Deixe-os derretendo dentro de um copo ou pote e reutilize essa água para alguma das finalidades acima.

4. A água que sobra no vasinho de planta pode ser recolocada na própria planta.

5. Se você mora em casa ou tem como “fazer um arranjo” na sacada, deixe baldes para coletar água da chuva e também reutilizar de alguma das formas acima.

Já acabou. Viu que prático? Rápido, fácil e indolor. Se você tem alguma outra dica para reutilizar água em casa, deixe aqui nos comentários.

Um ecobeijo e até breve.
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O que levar em consideração quando comprar roupas

Por Letícia Maria Klein •
06 agosto 2019
Não dá para sair pelado por aí (a não ser que você esteja numa praia de nudismo, claro). Entre a necessidade de usar roupas e os impactos negativos da indústria da moda, que é a segunda mais poluente do mundo, existe sustentabilidade, sim! Quando comprar roupas, calçados, acessórios ou peças de cama, mesa e banho, sejam usados ou novos, tem seis questões para você levar em consideração e, assim, ter um consumo de moda de consciência limpa. Porque quando o assunto é ser sustentável, a gente veste a camisa!

Não podia perder o trocadilho...

Natural aqui, por favor
Os tecidos são feitos com três tipos de fibras: naturais, artificiais ou sintéticas. As naturais vêm de plantas ou animais, como algodão, linho, cânhamo, lã, seda. As artificiais, como viscose, modal, liocel e acetato, são produzidas a partir da celulose com processos químicos e físicos. As sintéticas, como poliéster, polipropileno, náilon, acrílico e elastano, têm origem no petróleo, um bem não renovável, sendo, na verdade, plástico. Vá, lá, te dou um tempinho para responder qual é pior...

Apesar de todas terem vantagens e desvantagens, de forma geral, desde a origem até o fim do ciclo, as peças de fibras sintéticas pesam mais para o lado negro da força. Um dos problemas são os microplásticos que elas soltam todas as vezes em que são lavadas. Um relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) diz que de 15% a 31% dos plásticos nos oceanos são microplásticos primários, sendo que 35% (a maior fatia) vêm da lavagem de roupas. Por isso que couro sintético não é ecológico! Ele dura pouco e solta pedacinhos plásticos com o tempo. Por essa você não esperava, não é?

Etiquetas de roupas que tenho: uma 100% algodão, feita no Brasil;  a outra, 95% poliéster, feita na China (que eu comprei num brechó)
Etiquetas de roupas que tenho: uma 100% algodão, feita no Brasil;
a outra, 95% poliéster, feita na China (que eu comprei num brechó)
Escravidão é coisa do passado

Mas tem empresas que pararam no tempo. Segundo o relatório Global Slavery Index, da Walk Free Foundation, mais de 40 milhões de pessoas, sendo 71% mulheres, trabalham em regime de escravidão no mundo, de forma forçada, em ambientes insalubres, com carga horária excessiva e salários ridículos. A indústria da moda é a segunda com mais trabalhadores nessas condições. Os documentários China Blue e True Cost mostram um pouco isso. Para te ajudar a comprar de empresas sem mão de obra escrava, existe o aplicativo Moda Livre, que avalia ações de empresas nacionais para evitar o trabalho escravo na produção de roupas.

Olha a responsa!
Para se manter no mercado, não basta mais só ter um produto ou serviço que vende. Quanto melhor estiverem seus colaboradores e menos impactos negativos a empresa gerar, mais responsável ela é, e isso atrai mais clientes, consumidores conscientes como você. Os conceitos de Responsabilidade Social Corporativa (RSC), Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e Responsabilidade Social Ambiental (RSA) dizem respeito a práticas, adotadas de forma voluntária pela empresa, que trazem benefícios para os públicos interno e externo, incluindo o meio ambiente. Para saber se a empresa da qual você compra é responsável, acompanhe os relatórios de responsabilidade divulgados anualmente e entre em contato para exigir respostas.

Daqui mesmo
Quanto mais local, melhor. Mão-de-obra local, geração de renda local, matérias-primas locais, distribuição mais rápida, tudo isso gerando menos gases de efeito estufa para o produto chegar até você. “Indústria nacional” ou “Feito no Brasil” é sempre melhor de encontrar na etiqueta do que “Feito na China” ou sabe-se lá onde. Economias de baixo carbono, que são a tendência do século, devem garantir o maior suprimento possível de bens e serviços em curtas distâncias.

Dura uma vida
Qualidade, qualidade, qualidade. Já falei qualidade? Quanto melhor for a qualidade do material e da mão de obra, mais tempo a sua peça vai durar. São só benefícios: mais dinheirinho na sua conta bancária, porque você vai comprar com menos frequência; economia de água, energia, tintas e matérias-primas pelas empresas, porque a eficiência é maior; menos lixo no nosso planeta, porque o descarte é menor; uso consciente dos bens naturais do nosso planeta, porque dura mais. Mais amor pelo nosso planeta, porque sim!

Oi, de novo!
A Terra é redonda e gira, então as coisas precisam circular. Não dá para manter uma economia linear, que descarta seus produtos, num planeta que não cresce de tamanho e tem bens naturais finitos. Duas soluções da economia circular são reutilizar e reciclar materiais (outras soluções para suas roupas velhas estão nesta matéria que fiz para o Conexão Planeta). Empresas como Re-roupa, Insecta shoes e Caíques reaproveitam retalhos e resíduos de outras indústrias para produzir roupas e sapatos de qualidade, aumentando a vida útil de materiais que já foram produzidos e ainda podem ser usados por muito tempo. Comprar de empresas que tem esse perfil contribui para a sustentabilidade da indústria da moda.

Um ecobeijo e até breve.
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29 dicas para não sobrecarregar a Terra

Por Letícia Maria Klein •
30 julho 2019
A segunda-feira de 29 de julho marcou o Dia da Sobrecarga da Terra em 2019. É uma data simbólica, que vem chegando mais cedo a cada ano, para marcar o esgotamento dos bens naturais do planeta. É como se já tivéssemos acabado com todo o estoque de água limpa, terra, ar puro e matérias-primas para este ano. A conta entrou no vermelho a partir de agora, meu bem! A informação é calculada pela ONG Global Footprint Network desde 1986. O que a gente faz com isso? Se mexe para aliviar o peso, oras! Combinando com a data, tem 29 dicas abaixo para você ser parte da solução, e não do problema:

1. Faça compostagem em casa. Já reduz pela metade a sua produção de lixo por dia. Ops, lixo não, resíduos sólidos!

2. “Compre batom, compre batom”. Lembra a propaganda? Pois saia da hipnose e faça o contrário. Pense antes de comprar qualquer coisa. Lembre-se desta também: útil nem sempre é necessário.

3. Saia com um kit lixo zero. Garfo, faca, colher, canudo reutilizável (inox, vidro, bambu), guardanapo de pano e garrafinha ou copo retrátil. Descartável, não, né, faça-me o favor! 

Kit lixo zero com talheres, canudo de vidro e xícara
Kit lixo zero com talheres, canudo de vidro e xícara
4. Usado, em bom estado, passa já pro meu lado! Comprar coisas usadas em brechós, sebos, grupos em redes sociais diminui bastante a demanda para produzir coisas novas que vão esgotando os bens da nossa Terrinha.

5. Também ajuda se pegar emprestado ou alugar.

6. Apague a luz de ambientes vazios; feche a torneira para escovar os dentes, se barbear, se ensaboar, passar shampoo, enxaguar (opa, esse não); separe os resíduos recicláveis para a reciclagem. Tudo numa dica só porque é de praxe, né?

7. Plante uma árvore. Duas, três... Muitas! As árvores são maravilhosas, embelezam, dão sombra, alimento e casa para várias espécies, regulam a temperatura, purificam o ar e são maravilhosas, porque repetir nunca é demais.

8. Aproveite todos os alimentos que você compra, não jogue nada fora. Ah, é verdade, não existe fora! Então, só para gravar, não desperdice comida.

9. Faça seus próprios produtos de limpeza. Dá para fazer pasta de dente, sabão líquido para lavar roupa e louça, multiuso. Natural, sem químicos nocivos e mais barato. Ó, que amor! 

10. Prefira roupas de algodão. Na hora de lavar, elas não soltam micropartículas de plástico como as roupas sintéticas, de poliéster, poliamida ou outros plásticos derivados do petróleo.

11. Faça um diagnóstico dos seus resíduos. Por uma semana, separe o que você produz e acumule num cantinho da sua casa. Uhh, isso vai causar uma revolução!

12. Adeus, sacola plástica! Leve sempre consigo uma sacola reutilizável, de pano ou outro material para guardar as compras. “Ah, mas o que eu vou usar como saquinho de lixo?”
Sacos de papel para o banheiro.
As próprias embalagens plásticos de outros produtos para a coleta seletiva.

13. Mulher, outro descartável para abandonar é o absorvente. Se ainda não conhece, deixe-se encantar e apaixonar pelo coletor menstrual

Coletor menstrual de silicone
Coletor menstrual de silicone
14. Peça sem canudo. Peça sem embalagem. Mande um e-mail ou faça uma ligação para aquela empresa que poderia melhorar. Peça sem sacola. Quando a gente se manifesta, mudanças acontecem.

15. Eficiência energética é tudo hoje. Escolha sempre lâmpadas de LED e aparelhos com selo de eficiência A. O investimento inicial maior compensa na conta de energia menor e na redução de gases de efeito estufa.

16. Falando nisso, leve as lâmpadas de volta ao vendedor (tem supermercado que coleta também) ou contate uma empresa que recolha esses resíduos para destiná-los corretamente. O mesmo vale para eletroeletrônicos, óleo de cozinha usado, pilhas, baterias e medicamentos.

17. Já tomou sua dose de veneno hoje? Tem centenas, pode escolher. Só que não. Vamos todos nos fazer um grande favor? Seja na feira de produtores certificados, na seção especial do mercado ou horta em casa: orgânico, sem agrotóxico.

18. Vamos falar de horta? É fácil, não precisa de muito espaço e é muito legal fazer comida com o que você mesmo planta.

19. É hora de morfar! Pegue suas coisas velhas e transforme em novas. Sabe aquelas meias e roupas de baixo que estão furadas, não dá para doar e você não acha ninguém que recicla? Podem virar recheio de almofada.

20. Vai uma saladinha feliz? Quem nunca comeu uma carinha sorridente de cenoura, tomate e alface? A produção intensiva de animais para consumo humano causa um baita impacto negativo no planeta e maltrata os bichinhos. Então, deixa eles serem felizes lá enquanto você fica feliz com todos os vegetais, grãos, frutas, farinhas e milhares de outros ingredientes vegetarianos.

21. O verde relaxa e dá sensação de bem-estar. Passear no parque, cultivar plantas em casa e visitar unidades de conservação são atividades que nos aproximam da natureza e ajudam a despertar nossa consciência. 

Bambu da sorte
Bambu da sorte
22. Deixa eu te contar o babado: caixão não tem cofre. Ah, sério? Sim, pois é! Ou seja, deixe o acúmulo compulsivo para o programa de TV e doe o que você não precisa ou que não serve mais. Você também pode vender, contribuindo para a economia colaborativa.

23. Prepare-se, pode ser um choque. Couro sintético não é ecológico! É feito de petróleo e com o tempo (bem curto, na verdade), vai soltando os pedacinhos de plástico por aí. Prefira outros materiais duráveis, com origem sustentável e ou passíveis de reaproveitamento.

24. A mobilidade urbana na sua cidade é boa? Ou está mais para imobilidade? Andar a pé, de ônibus, metrô, trem, patinete, skate, bicicleta é mais barato, não polui ou polui menos do que o carro e muito provavelmente vai te levar mais rápido ao seu destino.

25. Quem gosta de filme aí, levanta a mão! Documentários (e livros também) são uma ótima fonte de informação para quem busca se melhorar e melhorar o planeta. Aqui no blog tem várias sugestões.

26. Não importa o tamanho da ação, e sim a qualidade e a frequência. A prática constante se torna hábito e o hábito faz de você um exemplo. Comece, continue, amplie e fique firme. Deixe as pessoas olharem torto mesmo. Quem vai ficar com problema de torcicolo são elas.

27. Seja cliente de marcas que têm responsabilidade socioambiental e que estão engajadas na busca por tecnologias, processos e produtos melhores e mais sustentáveis. Para saber, entre em contato com a empresa e peça respostas.

28. Cuide de si mesmo. Como se diz, não é egoísmo, é necessidade. A gente só cuida bem do próximo e do ambiente quando cuida bem de si mesmo também. Ou você tem vontade de fazer alguma coisa quando a gripe domina?

29. Voluntarie-se! Se você já faz trabalho voluntário, me entende bem. Se não faz, hora de agilizar aí. Ajudar o próximo, seja pessoa, animal ou ambiente, nos torna melhores, melhora a sociedade e, por consequência, o planeta!

Um ecobeijo e até breve.
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Passo a passo para não desperdiçar comida na sua vida

Por Letícia Maria Klein •
23 julho 2019
Vai doer, tá? Os dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) dizem que cerca de 30% dos alimentos são perdidos ou desperdiçados no mundo, somando 1,3 bilhão de toneladas de alimentos a cada ano. Daria para alimentar dois bilhões de pessoas, quase 1/3 da população mundial! A perda acontece na primeira parte da cadeia, quando a disponibilidade de alimentos vai diminuindo ao longo da produção, pós-colheita, armazenamento e transporte. O desperdício aparece depois, estando ligado à venda e consumo. Ai, doeu.

Logística e estrutura são questões chave para evitar perdas, o que inclui estradas e transporte para o agricultor vender seus produtos, preferencialmente em locais próximos à lavoura. Além das condições de armazenamento e embalagens adequadas, o comportamento de vendedores, de serviços de venda de alimentos e os hábitos de consumo também figuram nos fatores para evitar perdas e desperdício. Por ser uma situação que diz respeito a todos, afinal, todos comem, cada um precisa fazer a sua parte, tanto empresas quanto poder público e indivíduos.

No que cabe à nós, consumidores, tem várias atitudes que podemos ter no dia a dia para acabar com o desperdício em casa e fora dela. Olha que lindinho ficou o passo a passo para você nunca mais jogar comida fora – até porque fora não existe, vamos combinar?

Saquinho de algodão, cascas congeladas para compostagem e molho de tomate congelado
Saquinho de algodão, cascas congeladas para compostagem e molho de tomate congelado
Cardápio esperto
Além de ir ao mercado só quando você não está com fome, o que ajuda a comprar apenas o necessário é planejar suas refeições para a semana. Pense no que você quer consumir (considerando uma boa variedade de nutrientes), quantas refeições e quantos vão comer. O planejamento já é metade do sucesso de qualquer tarefa.

Olha a mão boba!
Para saber se uma fruta está verde ou madura, nós costumamos apalpá-las, não é mesmo? Esse hábito, feito por muitas pessoas, pode “machucar” o alimento e evitar que ele seja comprado. Por isso, tenha cuidado na hora de passar a mão.

Nada de saquinho, faz favor
Já que o assunto é desperdício, vamos falar de embalagens. A casca de frutas e hortaliças já é uma excelente embalagem natural. Então, não, você não precisa colocá-las num saquinho de plástico para pesar na balança. Como eu faço: quando vou ao mercado, coloco o que quero direto na cestinha e depois, no caixa, a pessoa coloca na balança; de lá, já vai para a sacola de pano (ou caixa de papelão, se esqueço de levar). A mesa coisa na feira. Pode parecer estranho no começo, mas é questão de costume. Você também pode levar saquinhos de pano para usar no lugar do saquinho plástico, se preferir; não farão diferença na hora de pesar. O mercado é um dos melhores lugares para ser exemplo, porque tem um monte de gente olhando!

Sem veneno, é por aqui
A compra de alimentos orgânicos só tem benefícios: nada de veneno no solo, nem no ar, nem na água, nem nos polinizadores, nem no corpo do trabalhador, nem no seu. Na feira, direto do produtor, ainda são mais baratos do que suas versões com agrotóxico que são vendidas no mercado. Outra vantagem é a possibilidade de comer com casca, que é a parte do alimento que tem mais nutrientes. Já é um desperdício a menos.

Olho grande, não
Quando criança, aprendi, de forma marcante, a comer tudo que está no prato. T-U-D-O. Desde então, o prato fica tão limpo que dá quase para guardar direto no armário (não, brincadeira, eu lavo antes). Cada folha de alface que sobra no prato é água, combustível, energia e hora trabalhada simplesmente menosprezados. Me-nos-pre-za-dos. Ai, doeu de novo. A verdade dóis às vezes, mas precisa ser encarada. Os 20% de comida que sobram nos pratos todos os dias no Brasil podem alimentar 19 milhões de pessoas! Então, na próxima vez que for a um buffet, lembre-se desta campanha abaixo:


Pediu um prato à lá carte e sobrou? Leve para casa. De preferência, já leve um pote na bolsa para evitar a embalagem de isopor ou alumínio. Tem vários retráteis no mercado.

Santo congelador
Uma boa tática para aproveitar tudo que você compra e não esquecer de usar alimentos frescos ou com validade curta é prepará-los de uma vez só e congelar para consumir no decorrer da semana ou semanas seguintes. Fazemos muito isso aqui em casa, especialmente com molho de tomate (um panelão se transforma em vários potinhos congelados). Frutas estragam rápido, por isso é melhor deixar algumas na geladeira (a única que eu deixo fora é a banana).

O truque do potinho
Nada como um bom armazenamento! Frutas e hortaliças tem uma condição de umidade ideal para durarem mais tempo na geladeira (é melhor mais úmido do que menos). Prefira potes de vidro para guardar restos de alimentos no refrigerador: além de não contaminarem o conteúdo, como faz o plástico, é possível ver o que está dentro, o que ajuda a não deixar o potinho abandonado lá num canto. Alimentos secos, como farinhas e massas, também ficam melhor acondicionados em potes de vidro bem fechados.

Inventar é uma arte
As sobras das refeições são uma ótima oportunidade para bancar o chefe de cozinha e sair inventando receita. São dois ótimos usos: o da criatividade e o da comida. Arroz pode virar bolinho, molho pode ser incrementado para um recheio de pastelão ou lasanha, folhas verdes de ontem podem ser picotadas e refogadas para fazer uma farofa diferente. Frutas que estão muito maduras podem virar geleias, inclusive usando as cascas (já fiz com a do abacaxi, ficou ótima). Casca de banana também vira bolo. Outras cascas podem virar aperitivo quando assadas, como a de abóbora, além de sementes, como a da abóbora também, Folhas de couve e beterraba também ficam ótimas no forno, salgadinhas. Ah, sabe aquele caldo de legumes para o risoto? Pode ser feito com cascas e talos de verduras (como casca de cebola e alho, talo de folhas, casca de cenoura e de beterraba), é só guardá-las no congelador até o momento de fazer o caldo.

Hora da mágica
Por fim, que na verdade é o começo de um novo ciclo, aquelas cascas, talos, folhas e sementes que não puderam ser aproveitados, podem ser compostados, virando adubo para plantas. Aqui no blog tem uma série de posts sobre como fazer compostagem em casa, seja no quintal ou num cantinho da área de serviço. Fácil, fácil, sem desculpas. Nem desperdício.

E aí, pronto para aproveitar 100% de toda a comida que você compra? Tem alguma outra dica que você usa para evitar o desperdício? Comente abaixo. Um ecobeijo e até breve.
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Sabão líquido natural caseiro para lavar roupa

Por Letícia Maria Klein •
16 julho 2019
Já faz um tempo que venho testando marcas de sabão em pó e líquido do mercado que sejam naturais, com poucos ingredientes e ecológicas. Não sei se é a máquina de lavar (a minha é aquela com tampa na frente), os ciclos de lavagem, o sabão, a temperatura da água (a minha tem entrada de água quente), enfim, mas as minhas roupas não ficavam muito boas nem macias depois de lavadas, mesmo usando o vinagre no compartimento do amaciante, que muitas pessoas sugerem fazer (não deu muito certo aqui, não). Eu fiz muitos testes, sempre trocando alguma variável para tentar achar o problema. O sabão é uma delas e acho que finalmente encontrei um bom. O melhor de tudo é que dá para fazer em casa, é muito mais barato e super natural!

Vi esta receita no blog e canal Uma vida sem lixo e no canal Casa sem lixo. O sabão líquido natural caseiro só leva água, sabão de coco, bicarbonato de sódio, álcool e óleo essencial (que é opcional). As marcas recomendadas de sabão de coco são Milão e Uffe, nesta ordem, entre outras. Como a Cristal e a Nicole explicam, nem todo sabão de coco funciona nessa receita, pois depende da sua composição. Eu fiz e já usei na máquina de lavar e em balde com roupa de molho (que dá um resultado melhor do que na máquina, aqui. Sério, acho que o problema é a máquina).

Vale muito a pena fazer! É rápido, rende três litros e é muito mais barato do que os produtos convencionais que encontramos no mercado (não dá R$ 5,00). Anote a receita:

Ingredientes:

3 litros de água;
1 barra de 200g sabão de coco;
50ml de álcool (45, 70 ou 90, mas a Cristal recomenda os dois últimos);
3 colheres de sopa de bicarbonato de sódio;
5 a 10ml de óleo essencial da sua preferência, se quiser.

Como fazer:

- Ferva a água numa panela com capacidade para mais de três litros, para não transbordar quando colocar o bicarbonato.
- Enquanto isso, rale o sabão de coco com um ralador normal, de cozinha.
- Quando a água ferver, acrescente o sabão ralado e mexa até dissolver totalmente.
- Então, desligue o fogo, acrescente o álcool e o bicarbonato de sódio. Misture por mais cinco minutos e deixe esfriar.
- O óleo essencial deve ser colocado nessa etapa, na água fria, para não evaporar. Misture e deixe descansar por uma hora.
- Agora, é só colocar em garrafas ou potes de vidro (as meninas não recomendam reutilizar embalagens plásticas de outros produtos, pois elas são porosas e podem conter restos daqueles produtos).

Sabão líquido natural caseiro. Usei a marca de sabão Uffe nesta receita, com álcool 45.
Sabão líquido natural caseiro. Usei a marca de sabão Uffe nesta receita, com álcool 45.
Um pouco do sabão solidificou, talvez porque está muito frio aqui em Blumenau.
Tem espuma porque eu agitei para soltar um pouco o sabão.
Essa receita serve como multiuso, podendo ser utilizada para limpeza geral, para lavar louças e limpar superfícies e bancadas – nesse caso, é recomendável diluir um pouco a mistura e colocar num borrifador.

Ficou curioso para testar? Posso dizer com certeza: esse sabão líquido natural caseiro funciona, é cheiroso, tira manchas e deixa as roupas macias! Faça a receita aí na sua casa e depois me conte o que achou.

Um ecobeijo e até breve.
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3 formas de reduzir seu consumo de coisas novas

Por Letícia Maria Klein •
09 julho 2019
Aproveitando que julho é o mês de conscientização e atitudes em prol de um mundo sem plásticos descartáveis, vamos falar sobre consumo, um ato diário em que utilizamos bens naturais e produzimos resíduos. Para diminuir nosso impacto negativo nesses dois lados, veja abaixo algumas maneiras de continuar consumindo sem comprar coisas novas
O consumo colaborativo é uma forma de consumo consciente para reduzir a compra de coisas novas
O consumo colaborativo é uma forma de consumo consciente para reduzir a compra de coisas novas
Compre usado
Livros, revistas, roupas, calçados, CDs, DVDs e aparelhos eletroeletrônicos usados são muito fáceis de encontrar, seja em lojas na sua cidade (sebos e brechós), sites (como Mercado Livre e OLX) ou grupos em redes sociais digitais (como Facebook). Vale a pena visitar ou ficar de olho nesses locais reais e virtuais para tentar achar o que você quer ou precisa. Eu sou rata de sebo e já encontrei, num brechó, uma calça específica que estava querendo. É sempre bom ter contigo uma sacolinha ecológica, assim você evita as malvadas descartáveis quando fizer suas compras conscientes.

Peça emprestado
Sabia que o tempo de vida útil de uma furadeira é somente 12 minutos? É o que diz Rachel Botsman nesta palestra do TED sobre consumo colaborativo. Ou seja: comprar algo novo que será usado por pouco tempo não vale a pena, tanto financeiramente quanto ambientalmente. Existem aplicativos e sites que permitem trocas de itens entre pessoas de um mesmo bairro (como o app Tem Açúcar?) ou até do país (como a troca de livros no Skoob). Ou você pode simplesmente cruzar o corredor do seu prédio ou sair de casa e pedir algo diretamente ao seu vizinho. Se quiser ficar no seu círculo social, peça a parentes e amigos aquilo que você só precisa por alguns momentos. Livros, roupa de festa junina, vestido social e até colchão de ar já entraram na minha lista de pedidos de empréstimos a conhecidos.

Reutilize
As compras no supermercado acabam nos dando muitas embalagens. Boa parte delas pode ser reaproveitada, especialmente as de vidro, o que evita a compra de potes novos. Eu guardo todas as embalagens de vidro de conserva e molhos que compro e vou reutilizando, tanto para guardar comidas que sobram quanto para dar aos outros. No último Natal, por exemplo, fiz bolachinhas e presentei amigos e familiares usando potinhos de vidro como embalagem. Além de fofo, é totalmente reutilizável e reciclável. Essa dica também vale para roupas. A Nathalia Arcuri, do Me Poupe, ensina a comprar no seu próprio guarda-roupa, combinando peças nunca combinadas. Além disso, você também pode customizar peças antigas ou dar um novo uso, como transformar uma camiseta velha em sacola ecológica com este passo a passo do Manual do Mundo.

Uma das questões chave do consumo consciente é aumentar a vida útil de coisas que já estão circulando e sendo usadas por outras pessoas, porque isso diminui a demanda por extração e utilização de bens naturais para produção de itens novos. Processos de fabricação e consumo, considerando desde a extração até o descarte que fazemos, também produzem muitos resíduos sólidos. Consumindo o que já existe há tempo, mas ainda está em bom estado, é uma forma de reduzir a montanha de lixo que cresce todos os dias no mundo, tanto indireta quanto diretamente. Gostou, já faz isso, quer começar a fazer? Comente aqui embaixo e bom consumo consciente!

Um ecobeijo e até breve.
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