5 dicas de consumo consciente para quem é nerd

Por Letícia Maria Klein •
22 maio 2019
Eu sou nerd desde quase sempre. Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Star Wars, Star Trek e super-heróis estão na minha lista de fã de carteirinha. Gosto de usar roupas temáticas e colecionar objetos (de preferência os que eu possa utilizar de alguma forma). Como compatibilizar isso com a conservação dos bens naturais, a redução da produção de resíduos e o consumo consciente? Listei aqui algumas práticas que me ajudam a ser uma nerd sustentável.

Comprar usado
Eu sou rata de sebo. Muitos dos livros que eu compro são usados. Aliás, a minha preferência é por usados. Se eu não encontro o livro no sebo na minha cidade nem on-line (Estante Virtual ou trocas no Skoob), então compro na livraria. Tem muita gente que vende itens de coleção usados na internet. O consumo de produtos usados diminui a demanda por extração de bens naturais para produção de itens novos e aumenta a vida útil dos itens que já estão no mercado. Para que a indústria de livros, filmes, música e outros consiga se manter num sistema que seja sustentável ambiental, social e economicamente, vão surgir novos modelos de negócio que dependam menos da posse e mais do uso, similar ao streaming de áudio e vídeo e aos aluguéis de objetos e roupas. Daqui a algum tempo, acredito que as próprias livrarias vão dispor de aluguel de livros mediante taxas de mensalidade.

Compensar as emissões de carbono
Cada objeto produzido emite gases de efeito estufa durante sua produção, sem contar durante a extração e o descarte. Quanto mais água, energia, combustível e bens materiais cada um consome no seu dia a dia, maiores as emissões que provocam o aquecimento global responsável pela crise climática atual. Existem muitas formas de compensar o seu impacto. O primeiro passo é calcular a sua pegada de carbono e seguir algumas sugestões de redução de consumo de itens que não são tão importantes para você quanto os que apelam à sua nerdice. Eu, por exemplo:

Capacho de porta e chinelo: itens da minha coleção de Harry Potter que uso em casa
Capacho de porta e chinelo: itens da minha coleção de Harry Potter que uso em casa

Pensar antes
Eu sei que a vontade é ter tudo do universo que amamos. Mas ter controle é importante. Quando pensamos na tríade “necessário, útil e supérfluo”, dificilmente itens de coleção como bonecos de ação, objetos de decoração e outros assim entram na primeira categoria. Pensando nisso, eu deixo de comprar muitas coisas das quais tenho vontade ou postergo até realmente sentir que é importante para mim ter aquilo. Assim, uma sugestão é priorizar a compra de itens de coleção que você possa utilizar, como roupa, chinelo, caderno, abajur, recipiente, copo etc. Outra forma de tornar esse consumo mais sustentável é diminuir a frequência e a quantidade da compra. As reduções contribuem tanto para a conservação dos bens naturais quanto para a sua saúde financeira.

Pedir de aniversário ou data comemorativa
Aniversário, Páscoa, Natal, Dia das Mães e Dia dos Pais são datas em que as pessoas costumam dar presentes. Especialmente no aniversário, quando você sabe que vai ganhar alguma coisa (a não ser que peça para não ganhar nada), aproveite para pedir os artigos geek que você quer. Assim você satisfaz seu lado nerd e deixa de ganhar aquilo que não quer ou não vai usar. Eu fiz isso no amigo secreto da minha família no fim do ano passado e deu certo.

Conversar com os fabricantes
Existem algumas formas de ativismo ambiental e o contato entre consumidor e fabricante é uma delas. Deixar de comprar algo por ideologia, qualquer que seja, tem muito mais sentido quando você explica para a empresa por que está fazendo isso. Quedas nas vendas podem ter várias origens, então saber o motivo ajuda a indústria a direcionar sua ação. Você pode questionar a empresa sobre as ações socioambientais dela, o que ela está fazendo em termos de sustentabilidade e se tem planos de inovação, como melhorar o ecodesign dos produtos, implantar logística reversa, priorizar matérias-primas locais e naturais, optar por fontes renováveis de energia etc.

Você também é nerd ou tem outra paixão que te leva a querer ter tudo daquilo? Se você tem outras sugestões de consumo consciente, comente aqui embaixo. Um ecobeijo e até breve.
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Como usar o biofertilizante produzido no minhocario – Meu santo composto #8

Por Letícia Maria Klein •
14 maio 2019
A compostagem feita no minhocário produz muito biofertilizante, que é o líquido escuro resultante da decomposição dos alimentos. A cor marrom ou preta é derivada da passagem da água pela terra. É um fertilizante natural rico em nutrientes e muito forte. Costumava ser chamado de chorume, mas para não ser confundido com o líquido tóxico que é produzido no aterro sanitário, é agora denominado de biofertilizante.

Por causa da sua concentração, deve ser usado na proporção de uma parte dele para 10 de água. Pode ser aplicado pelo menos uma vez por semana. Assim como nós precisamos de uma dose diária de nutrientes, as plantas também precisam, então o ideal é dar um pouco por dia, sempre variando as fontes de adubo, como explica a Carol Costa no livro Minhas Plantas. Eu coleto o biofertilizante numa garrafa reutilizada e coloco de uma a duas vezes por semana nos vasinhos.

Biofertilizante produzido no minhocário
Biofertilizante produzido no minhocário. Está diluído em água, mas está mais claro
do que o normal porque a caixa do meio quase não tem mais resíduos
e está na hora de eu trocá-la de lugar com a de cima.

Ao contrário do minhocário, o processo que existe na composteira não produz biofertilizante (ou produz muito pouco), pois a água é eliminada na forma de vapor graças às altas temperaturas. Por isso ela é chamada de compostagem termofílica. Na composteira que eu fiz e usei por quase um ano nunca foi gerado biofertilizante. Depois adquiri um minhocário e estou com ele até hoje. Uma das vantagens é justamente a obtenção de dois produtos: um adubo sólido e um líquido.

Para saber se o biofertilizante está bom, é só cheirar. Se não tiver odor, então seu minhocário está saudável e em equilíbrio. Se o cheiro estiver ruim ou forte, você pode estar colocando resíduos que não podem ser compostados ou a relação entre carbono e nitrogênio está desequilibrada. Se estiver bom, é só diluir e alimentar suas plantinhas.

Um ecobeijo e até breve.
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Como evitar descartáveis de plástico sem um kit lixo zero

Por Letícia Maria Klein •
10 maio 2019
Você está de boa no trabalho e alguém te convida para tomar um café na padaria. Ou você está na rua e quer parar para fazer um lanche. Mas seu kit lixo zero não está contigo. E agora? Tem como comer na rua sem gerar todo aquele lixo? Veja abaixo o que você pode fazer para gerar o menos possível de resíduos descartáveis e garantir que nada vá para o aterro sanitário ou lixão (pelo menos da sua parte).

Peça copo de vidro
Tem estabelecimentos que têm tudo descartável, tudo durável ou meio termo. Neste último caso, geralmente há copos de vidro (às vezes eles são usados para algumas bebidas e não outras, como eu já presenciei). Aproveite que eles estão lá e peça a sua bebida no copo de vidro. Dificilmente vão te dizer não e você já pode aproveitar o momento para explicar seu pedido.

Sem canudo
Muitas vezes o seu suco, chá gelado, refrigerante ou caipirinha já vem com o canudo dentro. A cerveja nunca vem, já reparou? Utilize essa lógica e na hora de pedir a bebida acrescente um “sem canudo, por favor”. Certa vez, numa lanchonete com amigos, esse pedido feito de forma coletiva incentivou o dono a tirar os canudos do estabelecimento já no dia seguinte. Bom para o ambiente e para o restaurante, que vai gastar menos com descartáveis. Você pode até sugerir alternativas e substituições ao canudo de plástico.

No prato em vez do saquinho
Tem lugares que vendem sanduíches e hambúrgueres numa embalagem descartável e depois te entregam a comida num prato de porcelana, vidro ou plástico resistente. Nesses casos, você pode pedir sem a embalagem, direto no prato. Suas opções a partir daí podem ser pedir talheres (se tiver de metal, não de plástico), usar guardanapo (veja as próximas dicas) ou usar só as mãos e depois lavá-las no banheiro. 

Lanche de sanduíche no prato sem embalagem
Lanche de sanduíche no prato sem embalagem

Peça guardanapo em vez de prato descartável
Se só tiver descartáveis no restaurante e seu lanche permitir, peça para te entregarem no guardanapo em vez de no prato descartável. O papel leva muito menos tempo para degradar do que o plástico e tem uma cadeia produtiva menos impactante. Quando é inevitável gerar resíduos, melhor optar pelo menos pior.

Composte o guardanapo
Quem faz compostagem doméstica pode levar o guardanapo de papel usado no restaurante para casa. Ele é um elemento seco necessário para o funcionamento da sua composteira ou minhocário.

Guarde para reutilizar ou encaminhar corretamente
Se não teve jeito e acabou sobrando um copo, prato ou talheres descartáveis, você pode lavá-los no banheiro e reutilizar para qualquer finalidade. Uma faca de plástico pode servir de tutor em vaso de planta, por exemplo, assim como um canudo. Ou você pode apenas levá-los para um coletor de recicláveis da coleta seletiva da sua cidade (dificilmente o restaurante separa os resíduos passíveis de reciclagem, tudo costuma ir num mesmo saco para a coleta de rejeitos e orgânicos). Muitas vezes eu levo resíduos para casa só para separar para a coleta seletiva que passa na minha rua.

Por fim (mas na verdade é o primeiro passo), é legal você dar uma olhada pelo ambiente antes de fazer o pedido para saber quais utensílios o restaurante tem e a partir daí pensar em como você pode evitar gerar resíduos ou reduzi-los ao mínimo. Tem alguma outra dica para compartilhar? Comente aqui embaixo. Um ecobeijo e até breve.
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12 vantagens do coletor menstrual de silicone

Por Letícia Maria Klein •
07 maio 2019
Desde 2015 eu utilizo um coletor menstrual de silicone em vez de absorvente descartável. Minha única reclamação é não ter descoberto essa revolução feminina antes! Fácil de usar, durável, reciclável e com valor de investimento que se paga em média em seis meses de compra de outros absorventes são algumas das vantagens.

Não gerar lixo é outro benefício maravilhoso, visto que uma mulher utiliza em média 17 mil absorventes descartáveis durante a vida e que levam pelo menos um século para começar a degradar. Fraldas levam 600 anos para se decomporem! Apesar de já existir reciclagem desses materiais absorventes (feita pelas empresas europeias Knowaste e Fater), o processo é caro e o mercado é muito pequeno. Ainda, a melhor forma de lidar com o lixo é não gerá-lo.

Coletor menstrual de silicone
Meu coletor menstrual de silicone e a caneca de ágata que utilizo para ferver o copinho

Desde que comecei a usar, percebi que o coletor menstrual tem muitas vantagens, veja só:

1 - Não gera resíduos durante seu uso. Nenhum.

2 - É totalmente reciclável, então pode descartar para a coleta seletiva sem medo (só verifique se a cooperativa de reciclagem recebe materiais de silicone).

3 - É fácil e rápido para inserir e remover (o coletor é usado internamente e fica na entrada do canal vaginal). O produto vem com um manual de instrução e tem vários vídeos na internet que explicam como colocar.

4 - Ao contrário dos absorventes externos descartáveis, não produz cheiro nenhum, pois o sangue não entra em contato com o ar.

5 - É higiênico pelo mesmo motivo descrito acima.

6 - O coletor pode ficar por até 12 horas no corpo, o que permite colocar de manhã antes de ir trabalhar e só retirar quando chegar em casa. A quantidade de vezes em que será necessário descarregar o copinho depende do fluxo da menstruação.

7 - É muito fácil de cuidar: basta lavar com sabão neutro sempre que retirar para esvaziar e antes de inserir novamente. No fim do ciclo, é só ferver numa caneca de ágata esmaltada por cinco minutos. O sangue vai no vaso sanitário mesmo.

8 - Dá uma sensação de liberdade tremenda, nem parece que você está naqueles dias.

9 -  É confortável. Não dá para sentir o copinho, pois ele é flexível e se ajusta ao corpo.

10 - Não vaza. Nem durante o sono.

11 - Dura cerca de 10 anos, então o investimento inicial que se paga em menos de um ano tem um excelente custo benefício.

12 -  Tem diversos modelos, cores e tamanhos diferentes para atender a todas as mulheres.

Algumas cidades têm pontos de venda do coletor, mas o comum mesmo é comprar pela internet. Algumas marcas do mercado são Holy CupInciclo (uso esta), Korui e Meluna. Vale pesquisar bem antes de escolher o seu, devido à diversidade de tipos. Se você ainda não tem, permita-se descobrir e usufruir essa maravilha feminina! Um ecobeijo e até breve.
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Minhas minhocas estão amarelando? – Meu santo composto #7

Por Letícia Maria Klein •
03 maio 2019
Faz cerca de um mês que as minhocas californianas do meu minhocário parecem estar mudando de cor, passando de tons avermelhados para amarelados. Ai ai ai e agora? Uma vez ouvi um relato de uma pessoa que só colocava papel no minhocário no início e as minhocas ficaram brancas. O que eu percebi é que tenho colocado muito mais bananas do que qualquer outro alimento no último mês e penso se é isso que pode estar interferindo na coloração delas.

Entrei em contato com o pessoal da Morada da Floresta, que fabrica minhocários, e eles me responderam que a cor é da própria espécie, algumas minhocas californianas são mais amarelas do que vermelhas, mesmo. Conversei com alguns amigos que também têm minhocário, mas eles nunca viram minhocas tão amarelas quanto esta da foto e estranharam o fato. Como só estou colocando o que elas podem comer, como frutas, hortaliças e borra de café, imagino que a mudança de cor deve ser por causa do excesso de bananas. Ou será do pó de café?

Uma minhoca californiana bem amarela
Uma minhoca californiana bem amarela

Assim como nós, seres humanos, precisamos de uma alimentação diversificada que nos dê todos os nutrientes necessários para uma boa saúde, as minhocas também precisam. Eu sei isso, mas não tive muito tempo para cozinhar durante o mês de abril e diminuí meu consumo de frutas. Ruim para mim e para as minhocas. Além de compostarem meus resíduos orgânicos, elas estão me ajudando a avaliar meu cardápio. Nesta semana já comecei a colocar outros alimentos. Vou ficar acompanhando para ver como elas se comportam e volto a esse tema daqui a um tempo para contar como elas estão.

Se você sabe o que pode estar deixando as minhocas amarelas, por favor, comente aqui embaixo. Um ecobeijo e até breve.
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A linda natureza no Jardim Botânico de Timbó

Por Letícia Maria Klein •
26 abril 2019
Ótima opção para passeio, descanso, caminhadas, piquenique, brincadeiras com as crianças e uma boa refeição. O Jardim Botânico em Timbó tem cerca de 26 mil metros quadrados de natureza e é um local muito agradável para se estar (para tornar o momento ainda melhor, recomendo passar repelente, pois tem muitos mosquitos, especialmente nos bosques e no restaurante). Eu já tinha visitado o parque em 2013, durante um evento de observação de aves, e fui novamente no último fim de semana de Páscoa. Devido à atual estação do ano, o outono, não há muita floração, mas os lagos estavam cobertos de vitórias-régias. Tem também muitas aves por causa do ambiente natural cheios de árvores e lagos. 

Lago no Jardim Botânico de Timbó
Lago no Jardim Botânico de Timbó
Lago e vitórias-régias no Jardim Botânico de Timbó
Lago e vitórias-régias no Jardim Botânico de Timbó

Muitas vitórias-régias no Jardim Botânico de Timbó
Muitas vitórias-régias no Jardim Botânico de Timbó

Para alimentação, há um restaurante típico e quiosques com churrasqueira para você preparar sua própria refeição. O Jardim tem caminhos amplos entre os gramados e trilhas nos bosques, que permitem uma imersão na natureza. Tem também o horto florestal da cidade, lagos e um parque infantil. É um ótimo lugar para ir com amigos para uma roda de conversa, música e jogos. 

Bosque no Jardim Botânico de Timbó
Bosque no Jardim Botânico de Timbó

Caminho no Jardim Botânico de Timbó
Caminho no Jardim Botânico de Timbó

Horto florestal no Jardim Botânico de Timbó
Horto florestal no Jardim Botânico de Timbó
Poderiam ser feitas algumas melhorias no local, como a colocação de bancos ao longo do trajeto e a manutenção de canteiros de espécies vegetais que florescem em diferentes épocas do ano, para deixar o ambiente mais colorido e convidativo à observação da flora local. Eu amo observar flores e elas são atrativas a muitas espécies de aves e abelhas, grandes responsáveis pela polinização de espécies vegetais no planeta. Estou curiosa para visitar o parque durante a primavera para ver a floração das árvores. 

Ponto de madeira sobre o lago no Jardim Botânico de Timbó
Ponto de madeira sobre o lago no Jardim Botânico de Timbó

Para quem mora na região, o Jardim Botânico de Timbó é uma ótima opção de passeio frequente e um local fantástico para observar as diferentes estações do ano e as mudanças que elas trazem para a flora e fauna local. Para quem está turistando, vale muito a pena colocar na programação da viagem.

Serviço:
Endereço: Km 01 da Rodovia SC 417, bairro Das Capitais, Timbó.
Entrada gratuita
Horários de funcionamento:
- Jardim Botânico: das 7h às 18h, todos os dias.
- Restaurante: de terça a sexta, das 11h às 14h30; sábado e domingo, das 11h às 15h.
- Horto florestal: de segunda a sexta-feira, das 7h às 16h30h.
Infraestrutura: quiosques com churrasqueira, trilhas, bosques, restaurante, banheiros públicos, horto florestal, estacionamento, lagos e parque infantil.
Informações complementares:
- Não é permitido acampar;
- Não é permitida a circulação de veículos automotivos;
- Cães somente com coleiras e focinheiras.
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Alternativas e substitutos ao canudo de plástico descartável

Por Letícia Maria Klein •
16 abril 2019
Canudos se tornaram um ícone da luta contra os plásticos descartáveis, especialmente desde que este vídeo de uma tartaruga com um canudo na narina viralizou nas redes em 2015. Os canudos de plástico vêm do petróleo e são facilmente dispostos de forma irregular, indo parar nas ruas e, consequentemente, nos rios e oceanos. São usados em média por quatro minutos, mas poluem ecossistemas e podem matar animais, além de durarem centenas de anos. Só nos Estados Unidos, 500 milhões de canudos são usados e descartados todos os dias. A boa notícia é que é fácil resolver esse problema e a solução começa com cada um de nós no dia a dia. Veja algumas alternativas e substitutos dos canudos plásticos.

Bebida sem canudo, canudo de vidro, de metal, de biscoito, de macarrão e de algas
Bebida sem canudo, canudo de vidro, de metal, de biscoito, de macarrão e de algas

Sem canudo
É a primeira e sempre mais desejável alternativa. Não gerar é a etapa inicial na gestão de resíduos sólidos, que segue com redução, reutilização, reciclagem e compostagem (somente os rejeitos vão para o aterro sanitário, industrial ou outro tratamento). Para evitar esse resíduo, você pode pedir a bebida sem canudo. Além de ser lixo zero, é mais gostoso beber direto do copo. Se as pessoas não tomam cerveja com canudo, por que outras bebidas precisam dele, não é mesmo? Outra alternativa é sempre levar o seu próprio canudo.

Um canudo para chamar de seu
Ele pode ser de vidro, inox, titânio, bambu ou silicone. Tem também aqueles de plástico resistente e durável que vem geralmente em copo de acrílico e é uma opção para você começar se já tiver em casa. Eu e meu noivo temos um de vidro e um de inox. Para lavar, use água quente e a escovinha que geralmente vem junto, própria para limpar o canudo por dentro. Os canudos têm diâmetros diferentes, servindo a vários tipos de bebidas. É leve e cabe na bolsa e no bolso, dentro de um saquinho de pano.

Canudo de biscoito
Com a proibição do uso de canudos descartáveis na cidade do Rio de Janeiro, a rede de fast food Bob’s passou a utilizar biscoitos tipo tubetes como canudo, uma versão alongada e com uma camada interna de chocolate, chamada de Tubete Shake. Depois de tomar o milkshake, o biscoitinho pode ser comido. A ideia é muito boa, pois o canudo não é descartado no fim e ainda vira sobremesa. A proposta da rede é expandir o canudo comestível para todas as unidades no Brasil. Para outras bebidas, eles usam versões recicláveis e biodegradáveis (o que não é muito bom, na verdade, pois as condições ideais de temperatura, umidade, luz, oxigênio e nutrientes que o objeto precisa para se decompor podem ser diferentes de onde ele foi descartado).

Canudo de macarrão
Um restaurante aqui de Blumenau, o Nonno Nico RestoBar, utiliza canudos feitos de massa de macarrão. Como ele amolece em contato com a bebida, dá para comê-lo no fim. Adorei a proposta e comi o canudo. Eu imagino que a maioria das pessoas não o coma e o restaurante também não faz compostagem, mas é melhor esse canudo orgânico do que um de plástico no aterro sanitário. Se você não quiser comer, pode levar para casa e usar como tutor em vaso de planta. Com o tempo, ele vai se degradar e servirá de adubo para as verdinhas.

Canudo de algas
Uma empresa chamada Loliware produz canudos comestíveis feitos de algas marinhas (ágar-ágar), adoçantes orgânicos e sabores e cores derivados de frutas e legumes. Caramelo, manga e chocolate são algumas opções de sabores. Quando dispostos no ambiente, duram até 24 meses e em contato com uma bebida se dissolvem em menos de um dia. É uma opção para restaurantes e fornecedores de canudos.

Canudo de gelatina
Outra opção de canudo comestível que estabelecimentos alimentícios podem usar é o da empresa Sorbos, que fabrica opções feitas de açúcar, gelatina e amido de milho, com sabor de limão, lima, canela, maçã verde, morango, gengibre ou chocolate.

Canudo de papel
Indo para opções não tão boas quanto os comestíveis, mas mais sustentáveis do que os de plástico, estão os canudos de papel, que tem origem e produção menos impactantes e um tempo de degradação muito menor. É a opção mais procurada por restaurantes em cidades onde o canudo de plástico está proibido, mas penso que deve ser utilizado com foco na redução, incentivando os clientes a não usarem canudo. Se o local tiver ou participar de um projeto de compostagem, os canudos de papel podem ser compostados.

Comente aqui embaixo se você utiliza alguma dessas opções e qual delas. A luta pela extinção dos canudos de plástico é necessária e deve puxar outras proibições com ela, como a de copos, pratos e talheres descartáveis de plástico. Afinal, não faz sentido usar um material tão durável como o plástico para fazer produtos que são usados por tão pouco e descartados como se fossem lixo, sem utilidade e sem valor.

Um ecobeijo e até breve.
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5 dicas de consumo consciente de roupas

Por Letícia Maria Klein •
12 abril 2019
Precisamos de roupas para viver, isso é fato. Então, como escolher, comprar, manter e se desfazer das peças de forma sustentável? Como um consumidor consciente, você precisa se perguntar seis questões básicas antes de fazer compras: por que comprar, o que, como, de quem, como usar e como descartar. Pensando nisso, separei algumas dicas para praticar o consumo consciente quando o assunto é roupas, calçados e acessórios.

Usadas
Todas as roupas precisam de matéria-prima, água, tinta e eletricidade para serem feitas. Quando você compra roupas usadas em brechós e grupos de venda em mídias digitais ou troca roupas com amigos e em feiras, você estimula a economia circular, aumenta a vida útil das peças que estão no mercado e contribui para que menos bens naturais sejam extraídos da natureza. A indústria da moda é a segunda mais poluente do mundo (atrás da petrolífera) e quanto maior a extração, maior o impacto.

Upcycling
Retalhos e peças velhas podem virar novas composições com o uso de tesoura e máquina de costura. É o que está fazendo o Re-Roupa, um projeto de criação de vestuário com sobras de rolo de tecido, retalhos e roupas defeituosas. Você também pode customizar suas roupas antigas, transformando-as em peças exclusivas e novas. É uma forma de evitar descartar roupas para a coleta comum do município, que vai para o aterro sanitário. Se você enviar para a reciclagem, é provável que elas tenham o mesmo destino, pois somente 15% das peças são recicladas ou reutilizadas no Brasil. No mundo, a taxa é de 20%, segundo o relatório internacional Pulse of the Fashion Industry 2018.

Upcycling de roupa
Upcycling de roupa

Material reciclado Outra forma de diminuir a pressão sobre os bens naturais é comprar itens produzidos a partir de material reciclado. A Insecta Shoes, por exemplo, recicla os próprios pares de calçados que os clientes devolvem depois que não querem mais. Por meio da reciclagem, as roupas voltam a ser fibras que servirão de base para novas roupas, então é importante comprar de empresas têxteis que produzem suas coleções a partir de peças recicladas. Mas tome cuidado com as roupas feitas a partir da reciclagem de garrafas pet...

Fibras naturais Sempre que peças sintéticas (feitas com plástico, que vem do petróleo), são lavadas na máquina, elas soltam micropartículas e microfibras de plástico que seguem direto para os oceanos, ultrapassando os filtros na estação de tratamento de esgoto por serem muito pequenas. Nos corpos hídricos, esses pedacinhos se unem e contribuem para a poluição por plástico que está tomando rios e mares, matando espécies e contaminando até o ser humano. A própria extração do petróleo torna a produção de peças sintéticas mais impactante do que a fabricação de roupas com fibras naturais, como algodão, lã, linho, juta, cânhamo, seda. Assim, prefira roupas com essa composição àquelas feitas de acrílico, poliéster, poliamida e polipropileno.

Do berço ao berço O ideal é fechar o ciclo: produzir, usar e devolver à indústria para confecção de novas peças a partir da reciclagem. Uma empresa está conseguindo fazer isso em Criciúma, Santa Catarina, unindo iniciativa privada e sociedade civil. Com a Caixa Solidária, roupas doadas pela população são separadas para doação, brechó e reciclagem, fechando o ciclo da indústria têxtil. Afinal, quando você doa uma peça de roupa, por mais bem intencionado que seja o ato, é inevitável que essa roupa acabe no aterro sanitário, como explica o coordenador do projeto, Mateus Rossi. O propósito deles é espalhar caixas solidárias pelo Brasil, evitando que roupas virem lixo. 

Você pratica alguma dessas atitudes? Comente aqui embaixo.
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Por que cobrir os resíduos orgânicos com serragem ou folhas secas? – Meu santo composto #5

Por Letícia Maria Klein •
09 abril 2019
O processo de compostagem doméstica, feito na composteira ou no minhocário, precisa de uma relação equilibrada entre nitrogênio e carbono para funcionar. O nitrogênio está presente nos restos de alimentos e o carbono está na parte seca que se coloca por cima dos resíduos, como serragem ou folhas. Os materiais ricos em carbono dão energia para a compostagem e evitam que a massa de resíduos fique compacta, permitindo a passagem de ar necessária às minhocas e aos micro-organismos.

Baldinho onde eu guardo folhas e pedaços de papel para usar como elemento seco
Baldinho onde eu guardo folhas e pedaços de papel para usar como elemento seco

Palha, capim, serragem não tratada, cascas de árvores, feno, papel sem tinta ou químicos e podas de jardim (folhas e galhos) são os materiais carbônicos que podem ser usados para cobrir os resíduos orgânicos. Essa camada de materiais ricos em carbono evita o mau cheiro e o aparecimento de animais indesejados, como ratos e baratas. Eu costumo usar folhas secas, que pego do jardim do meu prédio, e eventualmente papel da caixa de pizza (como geralmente tem gordura, essas caixas não são recolhidas pela coleta seletiva de materiais recicláveis).

Pedaços da parte interna da caixa de pizza (não a tampa) e folhas secas
Pedaços da parte interna da caixa de pizza (não a tampa) e folhas secas

A proporção do elemento seco para a quantidade de resíduos orgânicos varia um pouco. Geralmente colocam-se três partes de materiais secos para uma parte dos resíduos. Três montinhos de folhas para um montinho de restos de comida. No caso da serragem, que tem mais carbono do que as folhas secas, a proporção pode ser de um para um. O importante é cobrir todos os resíduos.

Feito isso, como saber se a relação está equilibrada? O segredo é acompanhar e usar seus sentidos físicos.

Quando tem restos de alimentos demais e cobertura de carbono de menos, o nitrogênio é liberado na forma de amoníaco e gera um odor desagradável. O contrário, comida de menos e serragem ou folhas demais, deixa o processo de compostagem mais devagar, pois o crescimento de micro-organismos e minhocas diminui, e o composto final fica com pouca matéria orgânica (não tão rico). Se a relação está em equilíbrio e ainda tem mau cheiro, garanta que você não está colocando estes resíduos no minhocário.

Um ecobeijo e até breve.
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A prática lixo zero do Restaurante Origem Natural – Tour lixo zero em Florianópolis

Por Letícia Maria Klein •
05 abril 2019
O Restaurante Origem Natural quer “ser a origem de um mundo novo a partir da comida saudável, levando educação ambiental, social e transformação”. Quem me contou isso foi a sócia proprietária Joana Wosgrau Câmara. O restaurante foi a última parada do tour lixo zero em Florianópolis. Tivemos uma fala dela sobre o histórico e a missão do Origem e depois degustamos um buffet delicioso preparado especialmente para o grupo de embaixadores do Instituto Lixo Zero Brasil, com tudo vegano. 


Menos impacto ambiental, mais impacto social é o lema do Origem Natural
Menos impacto ambiental, mais impacto social é o lema do Origem Natural

Eu entrevistei a Joana e fiz uma reportagem que vai sair no portal do Projeto Colabora, então vou contar aqui minhas impressões e um pouco da trajetória do lugar. O início de tudo aconteceu num curso de liderança que Joana fez em 2015, onde teve a ideia de vender salada em potes de vidro, ao invés de usar plástico descartável. O projeto deu certo e se transformou num negócio. Junto com o namorado e uma amiga, os três sócios expandiram as atividades e abriram um restaurante em agosto de 2017 com uma pegada lixo zero e a missão de transformar a sociedade a partir da comida saudável com educação socioambiental

A cada prato vendido, R$ 1,00 é investido em projeto social
A cada prato vendido, R$ 1,00 é investido em projeto social

Origem Natural é o primeiro restaurante lixo zero do Brasil
Origem Natural é o primeiro restaurante lixo zero do Brasil

Depois de passar por uma auditoria, o Origem Natural recebeu a Certificação Lixo Zero do Instituto Lixo Zero Brasil, que assegurou o reaproveitamento de 91% dos resíduos sólidos gerados, tanto pela reciclagem quanto compostagem, além da preocupação com a não geração. Quase nada é descartável. Eles não usam plástico na cozinha, nem esponja. A comida é quase toda vegana e os talheres que estão à disposição para venda são compostáveis. O local ainda tem um armazém de produtos naturais, ecologicamente corretos e que permitem um estilo de vida lixo zero, como kits de talheres, guardanapos de pano, bucha vegetal, canudo de inox, entre outros. 

Uma parte do armazém de produtos sustentáveis
Uma parte do armazém de produtos sustentáveis

A comida estava deliciosa! Sério, todos gostaram. Tinha uma grande variedade de salgados e doces veganos. Joana contou que tudo no restaurante foi pensado para ser ambientalmente responsável e evitar a geração de resíduos sólidos. Os móveis foram feitos a partir de madeira de demolição e peças reutilizadas, como um portão descartado que foi reformado e serve de separação de ambientes. O cuidado com o conceito e a prática e a coerência entre os dois é visível. Joana disse que eles estão sempre buscando melhorar e ampliar as formas de ser lixo zero. A maioria dos fornecedores auxilia o processo, aceitando embalagens retornáveis e a pegando de volta embalagens descartáveis, como o isopor. 

Buffet vegano no restaurante Origem Natural
Buffet vegano no restaurante Origem Natural

Eu me senti muito bem lá e com certeza quero voltar. Quem mora na região de Florianópolis ou estiver passando por lá não pode deixar de conhecer o Origem. Vale a pena pela comida, pelo exemplo, pelas práticas e pelas pessoas que criaram e mantêm o lugar, uma equipe que trabalha com propósito para melhorar a sociedade e inspirar as pessoas a serem sustentáveis.

Os sócios Alexandra Lemos Nunes Dias, Joana Wosgrau Câmara e Artur Ferreira dos Santos, da esquerda para direita
Os sócios Alexandra Lemos Nunes Dias, Joana Wosgrau Câmara e
Artur Ferreira dos Santos, da esquerda para direita

Um ecobeijo e até breve!
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Universidade estadual catarinense rumo ao lixo zero - Tour lixo zero em Florianópolis

Por Letícia Maria Klein •
03 abril 2019
A Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc) pretende se tornar lixo zero até 2022. O projeto foi desenvolvido a partir da Semana Udesc Lixo Zero em 2017 e começou a ser implantado em maio de 2018. Ele integra o Programa Udesc Sustentável, que tem projetos também relacionados à água, energia, áreas verdes, mobilidade e outros. O campus da reitoria foi um dos locais visitados durante o tour lixo zero em Florianópolis, realizado no II Encontro dos Embaixadores do Instituto Lixo Zero Brasil.

O compromisso da universidade é reduzir em 90% a destinação dos resíduos sólidos para aterro sanitário até 2022. O desafio lançado há dois anos originou a Rede de Cooperação Acadêmica Internacional Lixo Zero, protagonizada pela Udesc, Universidade Federal Santa Catarina, Instituto Federal de Santa Catarina e Instituto Lixo Zero. Todos os 12 centros da Udesc presentes em 10 cidades catarinenses já estão executando o programa, que deve ser finalizado por todas as instituições da rede até 2022.

Os objetivos do programa são: trocar todas as lixeiras individuais e internas das salas de aulas e setores administrativos por residuários diferenciados com no mínimo três divisões (recicláveis, rejeitos e orgânicos), destinar corretamente os resíduos para compostagem, reciclagem e aterro sanitário (só os rejeitos) e eliminar o uso de copos plásticos descartáveis nas instituições. Desde abril de 2018, a Udesc não licita mais copos descartáveis, somente uma pequena quantidade de copos biodegradáveis será licitada para uso restrito.Para comparação, em 2017 foram usados 103.200 copos descartáveis e em 2018 foram 57.500, o que representou uma redução de 44% e uma economia de R$ 975,00. 

Para incentivar as pessoas a aderirem à proposta, foi criado o Selo Setor Lixo Zero, que segue os mesmos objetivos do programa e mais um: eliminar lixeiras individuais, criar estação de residuário para reciclável, orgânico e rejeitos, separar e encaminhar os papéis recicláveis para o almoxarifado central da Udesc ou fazer outra destinação ambientalmente correta e tirar os copos descartáveis no setor (cada servidor deve ter sua própria caneca e deve haver unidades extras para visitantes). 

Selo Setor Lixo Zero da Udesc
Selo Setor Lixo Zero da Udesc

Todos os departamentos do campus da reitoria já têm o selo, o que faz dele o primeiro lixo zero do Brasil. Na verdade, rumo ao lixo zero, pois os resíduos orgânicos ainda não são compostados ali. A equipe responsável está planejando a construção de uma composteira neste ano. Na Udesc de Lages, o professor Germano Guttler desenvolveu um método próprio para compostar os resíduos orgânicos, chamado hoje de Método Lages de Compostagem. Ele foi selecionado em primeiro lugar entre 300 propostas do edital do Ministério do Meio Ambiente e Caixa Econômica Federal. Os resíduos recicláveis são recolhidos pela associação de catadores da Comcap.

Também em 2018 a Udesc organizou o 1º Jogos Universitários Lixo Zero do Brasil, em Ibirama. O evento foi realizado em cinco escolas estaduais da cidade e todos os coletores de resíduos foram readequados para contemplar as três categorias mínimas. Durante os jogos, foram evitados 12 mil copos descartáveis! Depois do evento, duas escolas assinaram um acordo com a Udesc para implantar o Programa Lixo Zero.

Abaixo tem uma reportagem feita pela emissora local de televisão sobre o Selo Setor Lixo Zero, vale a pena conferir.



Um belo exemplo para outras universidades e para nós também! Um ecobeijo e até breve.
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Encheu a caixa digestora! Hora de trocar – Meu santo composto #5

Por Letícia Maria Klein •
29 março 2019
O meu minhocário tem três caixas, que é a estrutura mínima: duas digestoras, onde ficam as minhocas e outros bichinhos, e uma coletora, onde cai o biofertilizante derivado da decomposição dos alimentos. Há alguns dias, a caixa digestora de cima ficou cheia e eu precisei trocar de posição com a de baixo.

Caixa digestora cheia, sem a camada de folhas secas
Caixa digestora cheia, sem a camada de folhas secas

Composto retirado do minhocário pronto para uso, no pote à direita
Composto retirado do minhocário pronto para uso, no pote à direita

No período que a caixa de cima levou para encher, o conteúdo da de baixo já tinha ficado menor, mais decomposto. Para tirar parte desse composto, coloquei a caixa no sol para que as minhocas fossem para o fundo e eu conseguisse pegar a parte de cima do adubo sem levar minhocas junto. Não tinha problema levar algumas, já que eu usei o adubo nas minhas plantinhas, mas eu prefiro deixá-las no minhocário.

Coloquei um balde embaixo da caixa para o caso de minhocas quererem atravessar os buracos da caixa, mas nenhuma quis
Coloquei um balde embaixo da caixa para o caso de minhocas quererem atravessar os buracos da caixa, mas nenhuma quis

Quando você fizer esse procedimento com o seu sistema, sugiro deixar a caixa com o composto por uma ou duas horas no sol e tirar o conteúdo enquanto a caixa está no sol, pois as minhocas vão estar no fundo e conforme você vai tirando mais terra, elas vão descendo. Eu acabei saindo de casa no dia em que deixei a caixa digestora no sol e quando voltei já não tinha mais luz sobre ela, então as minhocas subiram de novo para a superfície e foi mais difícil tirar o composto sem elas. Outra vantagem de deixar no sol é que o composto seca um pouco e fica mais fácil de manusear.

Alguns resíduos orgânicos ainda estavam inteiros ou detectáveis, como casca de pinhão, de ovo e de pistache, ponta do cacho de banana e semente de manga. É normal, pois esses resíduos levam mais tempo para se decompor devido ao tamanho e composição. Eles podem ir junto com o adubo para as plantas ou jardim, pois vão terminar de se decompor lá. Se você quiser tirar quase todo o composto (é bom deixar uma base para cobrir os buracos da caixa), coloque a caixa cheia embaixo da que tem o adubo, assim as minhocas vão conseguir passar pelos buracos do fundo para a caixa debaixo conforme você vai tirando a terra.

Composto que ainda ficou na caixa, como semente de manga,  casca de ovo e ponta do cacho de banana
Composto que ainda ficou na caixa, como semente de manga,
casca de ovo e ponta do cacho de banana

Caixa digestora de volta ao minhocário com uma nova camada de resíduos orgânicos
Caixa digestora de volta ao minhocário com uma nova camada de resíduos orgânicos

Como está a sua compostagem doméstica? Já trocou as caixas de ordem? Conte aqui como está sendo sua experiência.

Um ecobeijo e até breve.
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Reciclagem e compostagem na Comcap – Tour lixo zero em Florianópolis #3

Por Letícia Maria Klein •
26 março 2019
A terceira visita do tour lixo zero em Florianópolis foi em um dos terminais da Comcap, a autarquia do governo municipal responsável pelo gerenciamento dos resíduos sólidos na cidade. A companhia foi criada na década de 1960 como parte do plano de desenvolvimento da capital catarinense.

Educação ambiental na Comcap
Casinha de educação ambiental na Comcap
No início, seu trabalho tinha relação com o calçamento, pois era uma companhia de melhoramento do município. Em 1986, foi criado o Projeto Beija-flor de coleta seletiva e posteriormente o projeto Minhoca na cabeça, que incentiva a compostagem doméstica. Atualmente a Comcap é responsável por toda a coleta de resíduos sólidos na cidade, incluindo rejeitos e orgânicos e também recicláveis, além dos pontos de entrega voluntária (PEV, que são móveis), ecopontos (fixos), raspagem de valas e podas urbanas. O ecoponto localizado na unidade recebe orgânicos, eletroeletrônicos, volumosos, madeira, papel, vidro, plástico e metal, além de livros, que ao invés de serem reciclados, são colocados numa pequena construção de madeira e deixados à disposição da população.

Ecopontos de vidro e outros materiais recicláveis
Ecopontos de vidro e outros materiais recicláveis

Ecoponto na Comcap para vários tipos de resíduos e a biblioteca ao fundo
Ecoponto na Comcap para vários tipos de resíduos e a biblioteca ao fundo

A vista da cidade e do topo das árvores revela a altura do terreno onde estávamos, que na verdade é o extinto lixão
A vista da cidade e do topo das árvores revela a altura do terreno onde estávamos, que na verdade é o extinto lixão

A visita foi realizada na unidade da Comcap localizada no bairro Itacorubi, onde existiu o lixão da cidade entre a década de 1950 e 1989, ano em que uma iniciativa popular impediu a continuação do depósito de lixo. O local ficou inativo por 10 anos e depois foi transformado no Centro de Transferência de Resíduos, hoje chamado de Centro de Valorização de Resíduos devido à diretriz de destinar os recicláveis para a reciclagem e os orgânicos recebidos lá para a compostagem, além da prática de educação ambiental realizada no local. Os resíduos recicláveis coletados pela companhia são entregues a associações e cooperativas vinculadas, sendo que uma delas, com mais de 60 colaboradores, fica no mesmo terreno.

Associação de catadores e uma montanha de vidro. Não tivemos permissão para entrar no local
Associação de catadores e uma montanha de vidro. Não tivemos permissão para entrar no local

Por dia, 30 caminhões fazem o trabalho de coleta de resíduos na cidade. As podas são picotadas e divididas para compostagem, jardim botânico, trabalho de educação ambiental e sociedade interessada. A compostagem é feita com os resíduos orgânicos que a população deposita no ecoponto localizado no terreno e com resíduos de restaurantes parceiros de uma iniciativa da Universidade Federal de Santa Catarina. O pátio da compostagem é enorme! Os resíduos orgânicos compostados equivalem a 1% dos produzidos na cidade diariamente. É o começo.

Pátio de compostagem com leiras
Pátio de compostagem com leiras

Pátio de compostagem com leiras
Pátio de compostagem com leiras

Visitamos ainda o Museu do Lixo, também localizado lá, que tem 15 anos de existência e foi criado a partir de resíduos descartados pelas pessoas. É espantosa a quantidade e diversidade de itens em perfeito estado! Brinquedos, jogos, pinturas, eletrodomésticos, artigos esportivos, discos, livros, enfeites, enfim, uma diversidade de objetos que provavelmente teriam ido parar no aterro sanitário. O museu dá até uma sensação de claustrofobia, de tantas coisas que tem lá dentro. É proposital, como disse nosso guia, para fazer as pessoas sentirem na pele o problema do lixo no mundo

Museu do Lixo
Museu do Lixo

Museu do Lixo
Museu do lixo

Visitar uma cooperativa de reciclagem, um aterro sanitário ou industrial ou um lixão é uma das melhores formas de perceber o tamanho e a profundidade do problema. Foi o que me fez acordar para o tema quando participei de um roteiro dos resíduos sólidos na minha cidade, em 2013. Cenários assim nos mostram a importância e a necessidade de adotarmos novas atitudes em prol de um mundo onde tudo se reaproveita.

Um ecobeijo e até breve.
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8 formas de conservar e economizar água

Por Letícia Maria Klein •
22 março 2019
O Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março, foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992 para conscientizar as pessoas e reforçar a necessidade de consumir água conscientemente. Temos várias maneiras de fazer isso no nosso dia a dia, tanto de forma direta quanto indireta. Fiz uma lista com oito atitudes que você pode adotar para cuidar da água:

- Não desperdice. Tomar banhos curtos (de até 10 minutos), fechar o chuveiro para se ensaboar e lavar o cabelo, fechar a torneira da pia enquanto escova os dentes, ensaboa a louça ou para se barbear e aproveitar a água da chuva são algumas formas de aproveitar toda a água que você paga.

- Não jogue nada no vaso sanitário. Papel higiênico, absorvente, fio dental, fralda e até comida figuram entre os itens que algumas pessoas jogam no vaso sanitário. Tudo isso contribui para o entupimento da tubulação ou a saturação dos filtros e grades nas estações de tratamento de esgoto. Por isso, deixe somente os números 1 e 2 irem por água abaixo.

- Remédios e óleo de cozinha usado também estão na lista de coisas que são descartadas na pia ou no vaso e que contaminam muito a água. Quando quiser descartar medicamentos, leve-os até uma farmácia. A maioria já tem coletores especiais para esses resíduos. No caso do óleo de cozinha, coloque numa garrafa pet e leve a um ponto de coleta. É bem comum supermercados terem pontos de entrega voluntária de óleo de cozinha.

- Prefira roupas de fibras naturais às sintéticas. Cada vez que lavamos roupas sintéticas, que têm fibras de plástico originadas do petróleo, as fibras se soltam e vão parar nos rios e oceanos, contribuindo para a massa de plástico que contamina e provoca a morte de milhares de animais marinhos. 

Imagem relacionada

- Não jogue nada de lixo na rua. Essa é velha, mas é pelo mesmo motivo descrito acima: a chuva leva tudo para o bueiro e o lixo segue até o oceano, aumentando o problema do plástico no mundo.

- Seja um consumidor consciente. Tudo que consumimos, de alimentos a roupas, móveis, eletrodomésticos, objetos de decoração e papelaria, precisou de água para ser fabricado, além de eletricidade e outras matérias-primas. Assim, quando consumimos somente o necessário, estamos poupando água e diminuindo a demanda por extração de bens naturais.

- Não desperdice alimentos. Cerca de 40% dos alimentos produzidos no mundo são perdidos ao longo da cadeia produtiva. Com eles, muita água se perde também. Consumir todos os alimentos que você compra ou coloca no prato é uma forma de poupar água.

- Faça compostagem. Transformar os resíduos orgânicos em adubo na sua casa diminui a pilha de resíduos que vai para o aterro sanitário. Lá, todo aquele lixo misturado produz chorume, que é um líquido tóxico derivado da decomposição de rejeitos, recicláveis e orgânicos que estão enterrados. O aterro tem uma manta de contenção, mas o chorume eventualmente pode vazar. Lixões e aterros controlados não têm métodos de impermeabilização do solo, então o chorume percola e contamina os lençóis freáticos. Compostar os orgânicos diminui a pilha de lixo nesses locais e, consequentemente, o potencial de contaminação do ambiente.

Feliz dia da água todos os dias!

Um ecobeijo e até breve.
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O que não pode ser compostado e o que fazer com esses resíduos – Meu santo composto #4

Por Letícia Maria Klein •
19 março 2019
A maioria dos resíduos orgânicos que sobram das refeições pode ir para o minhocário ou a composteira, mas tem alimentos que não entram nesta lista: carnes, doces, laticínios, óleos, gordura, alimentos cozidos em grande quantidade, limão, excesso de frutas cítricas, alho e cebola, fezes de animais de estimação, papel higiênico usado, carvão e suas cinzas. Esses resíduos desequilibram o processo de compostagem doméstica e atraem insetos e potenciais vetores de doenças.

Existem sistemas que compostam os alimentos citados acima, como a compostagem feita no Hotel Sesc e alguns equipamentos, mas não é possível em escala doméstica, onde a compostagem precisa ser bem controlada para não atrair vetores. Assim, a solução para carnes, doces, laticínios e cozidos é não desperdiçar. Se sobrou, consuma na refeição ou dia seguinte ou congele. Planeje seu cardápio semanal para não comprar além do necessário e conseguir aproveitar tudo.

Em relação às cascas de cebola e alho, você pode juntar com outras cascas e talos um pote, guardar no congelador e quando tiver uma quantidade suficiente, faça um caldo de legumes, que também pode ficar guardado no congelador. Cascas de frutas cítricas, especialmente de limão, podem ficar de molho em vinagre por duas semanas, resultando num desinfetante natural. Essas dicas são da Cristal, do blog Um ano sem lixo. Ela também indica uma receita de desengordurante da Neide Rigo, que bate as cascas no liquidificador com água e depois filtra.

Eu nunca fiz essas receitas. Quando eu montei minha primeira composteira, percebi que não ia ser suficiente para mim. Então, como meu noivo morava numa casa, eu congelava meus resíduos orgânicos e levava no fim de semana para a casa dele, onde enterrava no quintal. Ainda mantenho esse costume, congelando tudo que não cabe no meu minhocário, inclusive os cítricos e aromáticos (as cascas de cebola e alho).



Uma vez eu entrei em contato com o pessoal da Morada da Floresta para esclarecer essa dúvida sobre o que fazer com os aromáticos. Eles me responderam que as minhocas não se adaptam facilmente com esses itens se eles forem colocados em grande quantidade. Colocar até 10 cascas por caixa não tem problema. A Cristal diz que depois de fazer o desinfetante ou o caldo, os resíduos podem ir para o minhocário ou a composteira numa boa. Como ainda não fiz as receitas, não fiz esse teste. Quando testar, conto aqui o resultado.

Para óleos e gorduras, o ideal é colocá-los numa garrafa plástica e levar a um ponto de coleta deste tipo de resíduo, que contamina a água quando despejado na pia e também contamina o solo se você jogar no quintal. Em relação às fezes de animais de estimação, você pode ensinar o seu bichinho a fazer as necessidades no vaso sanitário (sim, é possível!) ou coletá-las e dar descarga. É um resíduo a menos que vai para o aterro sanitário.

As cinzas de carvão não podem ser compostadas, mas são adubo para suas plantas, desde que livres de sal e gordura. O casal do Jardim do Mundo dá mais dicas de como usar as cinzas. Cabelos e unhas, apesar de orgânicos, também não fazem bem para as minhocas, segundo a Morada da Floresta. Como não dá para colocar no vaso sanitário, pois entopem o sistema de tratamento de esgoto, um destino lixo zero para esses resíduos é a composteira seca ou o canteiro. Por fim, o melhor tratamento para o papel higiênico é não usar! Neste post eu explico como faço para evitar o papel higiênico em casa.

Agora você já sabe o que pode e o que não pode ser compostado em casa. Continue acompanhando a série para mais dicas e explorações do mundo da compostagem.

Um ecobeijo e até breve.
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Aeroporto de Florianópolis – Tour lixo zero em Florianópolis #2

Por Letícia Maria Klein •
15 março 2019
A segunda parada do tour lixo zero, parte da programação do Encontro dos Embaixadores do Instituto Lixo Zero, foi no aeroporto de Florianópolis (a primeira foi o sistema de compostagem do Hotel Sesc). Depois que a concessionária Floripa Airport assumiu o aeroporto, a gestão de resíduos foi terceirizada com a empresa catarinense Brooks, que consegue reaproveitar 60% dos resíduos sólidos gerados no local por meio de reciclagem e compostagem.

Última parte no processo dos resíduos recicláveis: o enfardamento

Os resíduos provêm do setor de manutenção, das aeronaves e da coleta seletiva geral do terminal, onde existem coletores para material reciclável, não reciclável, orgânico e vidro. São utilizados sacos de cores diferentes para acondicionar os resíduos: preto para rejeitos, marrom para orgânicos, azul para recicláveis e amarelo para rejeitos sanitários. Como ainda sobraram sacos vermelhos do sistema antigo, em voga antes da concessionária nova assumir, eles estão reaproveitando-os internamente para não descartá-los.

Caçambas para alguns resíduos recicláveis

Os resíduos recicláveis do terminal e dos voos nacionais são separados, triados, enfardados e destinados a empresas recicladoras. Entre os itens que são encaminhados para a reciclagem, é interessante ressaltar o papel toalha do banheiro, as embalagens plásticas metalizadas (BOPP) e as cápsulas de café, que não costumam ser reciclados. Como as embalagens de BOPP são enviadas para uma empresa no Rio Grande do Sul, o representante da empresa Brooks disse que eles só conseguem viabilizar o processo porque a empresa coleta o material da Pepsico em toda a cidade. Os vidros são enviados para a empresa Vidros Catarina. O isopor é coletado por uma cooperativa que envia o material para a empresa Santa Luzia, em Braço do Norte/SC. Os sacos de acondicionamento geralmente são reutilizados, pois não são necessários em todos os enfardamentos. A equipe de triagem do aeroporto separa os resíduos recicláveis em nove tipos.

Local da triagem dos resíduos recicláveis

Os resíduos orgânicos são compostados. O processo é feito por uma máquina, chamada FastCompost, que transforma os resíduos em um composto em até 18 horas, por meio de enzimas (ação biológica). O equipamento foi criado pelo proprietário da Brooks com base em sistemas diversos que ele conheceu em outros países. A máquina comporta até 650 quilos de orgânicos por ciclo e composta qualquer tipo de alimento ou restos orgânicos, como ossos pequenos. O consumo de energia do equipamento é de 7kw/hora e o processo de compostagem corresponde a não emissão de 280 toneladas de carbono equivalente por ano. O composto resultante é tão concentrado que deve ser misturado ao solo na proporção de um para 10.

De todos os resíduos gerados no aeroporto, os 40% considerados rejeitos que são encaminhados ao aterro sanitário são compostos por miúdos (pedaços muito pequenos de materiais), resíduos sanitários e resíduos de voos internacionais. Segundo a Resolução RDC nº 56/08 da Anvisa, devem ser tratados antes da disposição final em aterro e não podem ser “reciclados, reutilizados ou reaproveitados”. A norma diz que todos os resíduos de voos internacionais enquadram-se no Grupo A, que apresenta potencial risco à saúde pública e ao meio ambiente.

Acondicionamento dos resíduos de voos internacionais

Máquina de autoclave para os resíduos de voos internacionais que devem ser esterilizados

O analista ambiental André de Melo Corrêa, que trabalha no aeroporto e nos acompanhou na visita, disse que é feito um trabalho de educação ambiental com o público, porém, a característica flutuante deste torna a ação um desafio. Por isso o aeroporto mantém uma equipe que faz a triagem de todos os resíduos recicláveis coletados. A educação ambiental também é feita com a tripulação das aeronaves e é solicitado que o pessoal separe pelo menos os orgânicos dos recicláveis. André comentou que as companhias costumam aderir à campanha. Como a responsabilidade é de todos, os custos com o gerenciamento de resíduos sólidos são repassados às cessionárias comerciantes.

Resíduos prontos para o enfardamento
Resíduos enfardados

Um grande avanço! Que todos os aeroportos adotem políticas semelhantes e consigam se aproximar da meta lixo zero. Um ecobeijo e até breve.
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Compostagem no Hotel Sesc – Tour lixo zero em Florianópolis #1

Por Letícia Maria Klein •
12 março 2019
De 7 a 9 de março eu participei do II Encontro dos Embaixadores do Instituto Lixo Zero Brasil, em Florianópolis, SC. O primeiro dia foi dedicado a um tour para conhecer locais que estão gerenciando seus resíduos de forma a diminuir o que enviam para o aterro sanitário. Conhecemos o sistema de compostagem do Hotel Sesc, a gestão de resíduos do aeroporto de Florianópolis, o programa “Universidade lixo zero” da Udesc e o restaurante Origem, o primeiro lixo zero do Brasil. Neste primeiro post sobre o tour, venha comigo conhecer a compostagem do Hotel Sesc.

A rede de hotelaria do Sesc em Santa Catarina desenvolve uma iniciativa fantástica de compostagem dos resíduos orgânicos dos seus restaurantes. O adubo e o biofertilizante são depois usados nos jardins da própria rede e doados para projetos, parceiros e comunidade em ações de educação ambiental.

A compostagem é feita em leiras, que vão sendo erguidas com palha, serragem e resíduos orgânicos, num processo termofílico (o mesmo da composteira seca) em que a decomposição é feita por bactérias aeróbicas num ambiente em torno de 65°C. Para coletar o biofertilizante (produzido em grande quantidade nesse processo, ao contrário da compostagem seca feita em casa), é construída uma calha inclinada embaixo da leira, no solo, que leva o líquido até uma caixa coletora enterrada. Esse processo permite que resíduos orgânicos de vários tipos, incluindo carnes e cozidos, sejam compostados.

Leiras

Leiras

Os materiais secos utilizados na compostagem são doados por parceiros. A palha é conseguida na Ceasa (Central de Abastecimento do Estado de Santa Catarina) e a serragem vem da Sociedade Hípica Catarinense. A palha é utilizada na parte externa da leira, pois suas fibras longas ajudam na sustentação. A serragem é utilizada no interior como camada entre os resíduos orgânicos para conferir o carbono necessário ao processo de decomposição. Também podem ser usadas folhas secas junto com a serragem, a diferença é que elas tem menos carbono do que a madeira.

Leira aberta. A palha está ao lado e no centro vê-se a serragem cobrindo pilha. Dá para ver o vapor quente emanando do topo
Foco na serragem que cobre os resíduos orgânicos

Ao contrário da composteira seca doméstica, não é necessário mexer nesta leira para promover a ventilação. A aeração dela é passiva, ocorre naturalmente através da estrutura de palha por fora e serragem no lado de dentro. A leira fica sempre coberta com palha. Para colocar os resíduos orgânicos, a palha é retirada, os resíduos são espalhados e cobertos com serragem. Para finalizar, coloca-se a palha novamente no topo. São colocadas de 25 a 35 bombonas de alimento por dia, cerca de 350 quilos. Cada leira recebe alimento uma vez por semana. A temperatura mínima é de 65°C e a máxima já registrada foi de 79°C. A temperatura do ambiente não influencia a temperatura interna.

Durante a visita guiada, os participantes puderam participar do processo, colocando os resíduos das bombonas na leira. Uma próxima etapa no projeto é a instalação de um reservatório térmico para acondicionar água para lavar as bombonas, sendo que a água utilizada será aquecida por meio de serpentinas colocadas no interior das leiras.

O guia explica o processo de compostagem no Hotel Sesc
Participantes colocando resíduos orgânicos na leira

Em 2018, foram compostados 138,9 toneladas de resíduos orgânicos, que geraram 56,4 toneladas de composto orgânico e 9.500 litros de biofertilizante nos hotéis da rede no estado. O composto é utilizado nos jardins e distribuído em forma de amostra em ações de educação ambiental e doações de maior volume para projetos parceiros, particulares e instituições. A visita ao sistema de compostagem também faz parte das ações de educação ambiental do Sesc, que impactaram mais de 30 mil pessoas no ano de 2018 segundo o balanço social divulgado no início do mês.
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