Por um ponto de equilíbrio

Por Letícia Maria Klein •
23 dezembro 2015

Dia e noite. Claridade e escuridão. Coragem e medo. Força e fraqueza. Dois lados da balança, dois extremos de uma situação. Opostos e complementares. Um não existe sem o outro, pois o sentido de um passa pela compreensão do significado do outro. São referências mútuas, que ajudam a explicar uma a outra. Uma não é melhor ou pior do que a outra, mas a tendência para apenas um dos lados costuma não acabar bem. A solução reside em respeitar ambos e aceitar ambos, escolhendo o meio termo. A solução é o equilíbrio

Equilíbrio na hora de fazer escolhas, na hora de falar, na hora de agir. Equilíbrio nos relacionamentos, na forma de viver a vida. Equilíbrio com a natureza e com o meio em que vivemos. O equilíbrio provém de conhecer a realidade, analisar os diversos aspectos de uma situação, pesar prós e contras, entender o contexto para então agir da maneira que considere tudo e não machuque nada. O melhor resultado é sempre o ganha-ganha, nenhuma parte perde, nenhuma parte sofre.

O equilíbrio está embasado no respeito. Respeito a nós mesmos, aos outros, ao ambiente. Nada se conquista e nada perdura sem respeito, pois ele é a base da vida em sociedade, das redes complexas do planeta vivo. O equilíbrio garante a sustentabilidade do sistema, a manutenção do meio e tudo que dele depende. O equilíbrio está em agir agora pensando no amanhã, em fazer escolhas tendo em mente as consequências, em tomar atitudes considerando a coletividade. 

O equilíbrio advém da consciência do eu, do autoconhecimento, da noção de indivíduo membro de uma sociedade, da compreensão do pertencimento ao meio, do reconhecimento da teia da vida. Equilíbrio é vida em abundância. Equilíbrio é paz.

A busca é constante, diária, pois equilíbrio não se ganha, se conquista. Utilizando-me das palavras proferidas em um discurso de formatura: “Insista, persista, nunca desista. Assim você conquista”. Que este Natal seja leve, iluminado e que abra as portas para um 2016 em que você conquiste o seu ponto de equilíbrio.


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A árvore do Sustenta Ações na Serra da Gandarela

Por Letícia Maria Klein •
20 dezembro 2015

Em julho deste ano, publiquei este post em prol da campanha “Plante uma Árvore”, organizada pelo Coletivo Cirandar e pela Floricultura Ikebana Flores para reflorestar a Serra da Gandarela, em Minas Gerais. Cada publicação sobre a campanha recebe uma árvore nativa plantada no Cerrado. No dia 14 de novembro, os 70 sites e blogs que divulgaram o projeto tiveram mudinhas plantadas em seus nomes e a do Sustenta Ações está lá! 

Como havia muitos voluntários para ajudar no plantio, ao total foram 230 mudas nativas plantadas. Esta foi a quinta etapa da campanha, que já plantou 537 árvores nativas na Serra do Gandarela de espécies como Candeia, Ipê Branco, Ipê Crioulo, Ipê Amarelo, Mogno, Jacarandá, Sucupira, Aroeira, Peroba, Jequitiba, entre outras. 



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O acordo de Paris e o que você tem a ver com isso

Por Letícia Maria Klein •
15 dezembro 2015

A COP 21 conseguiu o que se esperava das convenções do clima há muitos anos: um acordo internacional com força de lei, aprovado por 196 Estados (basicamente o mundo inteiro), fruto da união de todos contra as mudanças climáticas. O acordo é ambicioso no que se refere a limitar o aumento da temperatura a uma média bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-revolução industrial, fazendo “esforços para limitar o aumento de temperatura a 1,5°C”. A temperatura média do planeta já aumentou 1ºC (marca atingida neste ano), devido ao alcance de 400 partes por milhão de carbono na atmosfera, então dá para entender por que o acordo é visto como ambicioso. Entretanto, e aqui jaz um ponto crucial, o texto não faz nenhuma menção a metas (quantidades e prazos) de redução de gases de efeito estufa em longo prazo. 


Cientistas do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, estimam que, para evitar um aumento médio de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, as emissões teriam de cair entre 70% e 90% em 2050 (em relação a 2005) e zerar a partir de 2075. As INDC (Contribuições Nacionais Pretendidas), que são as metas de redução de emissões de gases estufa apresentadas por cada país, não garantem a temperatura média da Terra abaixo de 2ºC. Pelo contrário. Somadas, as medidas revelam um aumento médio entre 2,7ºC e 3ºC em 2100, então temos um grande desafio pela frente. O acordo de Paris estabelece que os países se reúnam a cada cinco anos para rever (lê-se aumentar) suas metas nacionais. O primeiro balanço está previsto para 2018, mas os países só devem ampliar suas propostas em 2023. 

O acordo também prevê que o IPCC realize estudos, nos próximos três anos, para avaliar a quantidade de emissões que precisa ser cortada para impedir o aumento médio de 1,5ºC, pois o documento não determina as quantidades de emissões que devem ser cortadas nem quando as emissões devem parar de subir e começar a descer. O que os países precisam fazer é reduzir ou zerar suas emissões de gases de efeito estufa, que são responsáveis pelo aquecimento médio da Terra e suas consequentes mudanças climáticas. Isso é possível, por exemplo, por meio de investimento em energias renováveis, como solar, eólica e biocombusíveis e do desinvestimento em combustíveis fósseis, como petróleo e carvão.


Para inserir o mundo numa economia de baixo carbono, os países desenvolvidos se comprometeram a financiar US$ 100 bilhões nos países em desenvolvimento por meio de ações que visam ao corte de emissões de gases estufa e à adaptação aos efeitos das mudanças climáticas. As ações devem acontecer entre 2020 e 2025 e a partir desta data o valor do investimento será revisto, e reajustado para cima, a cada cinco anos. O que o acordo não diz, porém, é quanto cada país vai pagar e como será feito o financiamento.

Por fim, é importante ressaltar que o acordo é legalmente vinculante (tem força de lei), mas, como informa o jornalista André Trigueiro neste comentário, o texto não prevê multa, sansão, boicote ou retaliação contra os países que descumprirem o documento aprovado. Isso, aliado à ausência de metas para redução de emissões, significa que “nada se conquistou em relação à economia de baixo carbono e aos cálculos científicos”, como explica Trigueiro. Outro ponto relevante é que o acordo deve ser implementado em cada país por “ratificação, aceitação, aprovação ou acessão”. Esta matéria do G1 explica que, na prática, algumas partes do acordo, como o aumento médio menor que 2°C, precisam ser transformadas em leis e outras, como a implementação das metas nacionais de redução de emissões, podem começar a valer a partir de decretos presidenciais e outros instrumentos legais menos fortes.

Onde eu entro nesta história?

É lindo ver todos os presidentes aprovando o acordo de Paris, aplaudindo de pé e dando discursos motivacionais. É mesmo. Mas este documento é só o ponto de partida. Para conseguirmos evitar o aumento da temperatura média do planeta em 1,5º (desejável) ou 2ºC (máximo), é preciso que a ação parta de todas as esferas e segmentos da sociedade, do indivíduo cidadão aos grandes grupos econômicos formados por vários países. É necessário, urgente eu diria, que as pessoas repensem suas formas de consumo e modo de vida; que as empresas e as indústrias reavaliem suas formas de produção e manutenção; que o poder público crie políticas de incentivo a energias renováveis e a padrões sustentáveis de produção de alimentos, entre outros. 

Para cumprir as metas nacionais pretendidas, os governos em âmbito federal, estadual e municipal podem aumentar os subsídios e diminuir os impostos para energia renovável, diminuir até zerar o investimento em combustíveis fósseis, investir no transporte coletivo e sustentável por meio de melhoria e ampliação da infraestrutura, como corredores de ônibus e ciclovias, investir em gerenciamento de resíduos sólidos (pois a disposição final dos resíduos gera emissões de gases estufa), zerar o desmatamento e investir em reflorestamento.

Na esfera pessoal, cada um de nós também pode fazer a sua parte de várias maneiras:

- Usar o transporte coletivo ou bicicleta como principal meio de locomoção.
- Quando utilizar o carro, dar ou pegar carona sempre que possível, o que evita mais carros nas ruas.
- Comprar alimentos de produtores locais, que não precisam viajar longas distâncias e, portanto, liberam menos gases de efeito estufa para chegar até sua mesa. A regra vale, na verdade, para qualquer produto. Quanto mais local, melhor, afinal se gasta menos combustível e conserva-se mais o veículo, o que aumenta a vida útil de peças e partes, como os pneus, por exemplo.
- Consumir alimentos cultivados sem agrotóxicos. Além de contaminar o solo e os cursos de água, os fertilizantes geram gases de efeito estufa. Isto acontece porque os agrotóxicos são ricos em nitrogênio, mas grandes quantidades deste elemento não são absorvidas pelas plantas e retornam à atmosfera, onde reagem com vapor d’água e formam o óxido nitroso, um dos gases de efeito estufa.
- Reduzir (até parar, preferencialmente) o consumo de carne, visto que a pecuária é responsável por 14,5% dos GEE emitidos na atmosfera por atividades humanas, segundo a ONU. O dado está presente na publicação "Comendo o mundo", da Associação Vegetariana Brasileira, que aborda os impactos negativos no planeta provenientes da criação de animais para o abate.


- Instalar equipamentos que utilizam a radiação solar para aquecer a água ou gerar energia elétrica. O sol é uma fonte totalmente renovável de energia e o custo dos equipamentos se paga em pouco tempo, sendo uma média de dois a quatro anos para o sistema de aquecimento de água e de 10 anos para o microgerador com placas fotovoltaicas.
- Repensar seu estilo de vida e hábitos de consumo, buscando sempre seguir a ordem de prioridade referente à gestão dos resíduos sólidos, prevista no art. 9º da Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305/2010: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final, o que inclui a compostagem dos orgânicos.
- Plantar uma árvore. As árvores são parte fundamental do ciclo da água, regulam o ciclo das chuvas, reduzem a temperatura, filtram o ar, oferecem sombra, protegem do vento e da poluição sonora, evitam a erosão do solo e preservam a fauna. Uma árvore pode parecer pouco, mas se cada ser humano plantar uma, já serão mais de sete bilhões!
Economizar energia e trocar as lâmpadas incandescentes e halógenas por fluorescentes e LED, que são mais eficientes e reduzem a tarifa de energia elétrica. 
- Cancelar correspondências físicas de lojas, bancos e qualquer outra instituição, o que diminui a quantidade de coisas transportadas e, por sua vez, reduz as emissões de GEE.

“Acreditar é essencial, mas atitude é o que faz a diferença”. A COP 21 é considerada um marco na história da humanidade, pois conseguiu convergir todos os países na luta contra as mudanças climáticas. A partir de agora, é preciso que cada parte implemente as ações necessárias e faça tudo que estiver ao seu alcance para garantir o mínimo impacto negativo à vida na Terra como existe hoje. Conhecemos a teoria, temos as ferramentas, vamos à ação!
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7 vídeos para entender as mudanças climáticas

Por Letícia Maria Klein •
05 dezembro 2015

Negacionistas de plantão, atenção: as mudanças climáticas não são uma questão de opinião, são fatos. O aumento acelerado e intenso de gases de efeito estufa na atmosfera, provocado por ações humanas em grande escala, gera consequências graves para o planeta Terra e sua biodiversidade. Em clima de COP 21, a 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, que está sendo realizada em Paris, nada melhor do que assistir a alguns vídeos e documentários que explicam as causas e os efeitos das alterações no clima e nos ajudam a entender a importância de diminuir a dependência que temos dos combustíveis fósseis.

Conferência de Paris sobre o Clima: Adaptando-se a um clima em transformação 

Neste vídeo, a ONU traz um panorama das causas e efeitos das mudanças climáticas e a necessidade de adaptação às novas realidades causadas por elas. Além deste, o canal da ONU Brasil no Youtube tem muitos vídeos sobre o tema.


Uma verdade inconveniente

Dirigido por Davis Guggenheim e apresentado pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, este documentário trata da relação entre as mudanças climáticas e as ações humanas, comprovada por pesquisas, estudos, gráficos e imagens de satélite, entre outros. O filme foi vencedor de cinco categorias do Oscar, incluindo melhor documentário. Al Gore também fez três palestras no TED Talks sobre as mudanças climáticas. Além dele, há dezenas de palestras de outras personalidades falando sobre o tema no site do Ted Talks.


Mudanças climáticas

Bem didático e voltado para crianças, este vídeo produzido pelo INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais explica desde o efeito estufa até as consequências das mudanças climáticas na Terra, incluindo informações sobre como cada um de nós pode contribuir para combater estas alterações no clima.


Mudanças do clima, mudanças de vidas

Este documentário da ONG Greenpeace Brasil mostra como as mudanças climáticas estão impactando os brasileiros em diversas regiões do país, além de trazer entrevistas com cientistas sobre as alterações no clima e o que deve ser feito, por nós, cidadãos, e por governos, para reduzir os impactos. 


Aula da USP sobre Mudanças Climáticas

Aula do professor Tércio Ambrizzi, disponível no Portal da Universidade de São Paulo, sobre as mudanças climáticas, passando por causas naturais e antropogênicas até as diversas consequências. Pode ser vista aqui.

Desmistificando a acidificação dos oceanos

Produzido pela California Academy of Sciences, este vídeo explica como acontece a acidificação dos oceanos, um dos efeitos das mudanças climáticas, e as consequências dela para a vida marinha e também terrestre. 



Derretimento de geleiras na Groenlândia

Um dos capítulos da série "Terra, que tempo é esse", produzida pelo programa Fantástico, da Rede Globo, explica outra das consequências das mudanças climáticas: o derretimento das geleiras.

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