18 atitudes sustentáveis que economizam dinheiro

Por Letícia Maria Klein Lobe •
26 novembro 2020
Economia e ecologia tem tudo a ver uma com a outra! A ideia de que a sustentabilidade “atrapalha” o progresso não poderia ser mais falsa. Não é à toa que “O negócio é ser pequeno”, um dos principais livros sobre sustentabilidade já publicados, foi escrito por um economista, o britânico Ernst Friedrich Schumacher.

Para começar, os dois termos compartilham o radical “eco”, que significa casa em grego. Economia significa “gestão da casa”, enquanto que ecologia significa “estudo da casa”. Para cuidar do nosso planeta e seus bens naturais, precisamos conhecer e entender as relações interdependentes que existem entre todos os seres vivos e os ambientes e, consequentemente, conservar os habitats naturais e fazer um uso consciente e racional dos bens (água, energia, matéria-prima etc). 

Letícia segurando uma nota de 50 reais

Além de garantir a manutenção dos sistemas econômicos por mais tempo, a sustentabilidade prevê qualidade de vida para todos e redução de gastos. Então, vamos para a lista de 18 atitudes sustentáveis que economizam seu dinheiro no dia a dia.

  1. Compre em brechó: além de gastar menos dinheiro com roupas, calçados e acessórios, você aumenta a vida útil de peças que já estão no mercado, diminuindo a demanda de produção de produtos novos.

  2. Conserte roupas, calçados e acessórios: consertar costuma ser mais barato do que comprar algo novo e permite que você use por mais tempo aquilo que já tem em casa, sem precisar adquirir peças novas.

  3. Troque livros: você pode usar os sites Skoob e Livra Livro para trocar livros que você tem por outros que quer ler (neste caso, você envia e recebe os livros por correio, o que é bem mais barato do que comprar, mesmo que seja no sebo). Você também pode trocar seus livros no sebo da sua cidade, e neste caso você não gasta nada.

  4. Desligue aparelhos da tomada quando não estiver usando: essa atitude economiza até 30% na sua fatura de energia elétrica. Depois de usar o computador, aparelho de som ou televisão, tire o plugue da tomada.

  5. Solicite suspensão de serviços básicos quando viajar: sempre que estiver fora de casa por um período mais longo, você pode interromper os serviços de água, luz, telefone fixo e celular, televisão a cabo e internet da sua casa. Você pode suspender esses serviços uma vez por ano, sem custo.

  6. Tome banhos curtos e feche a torneira: você economiza água e de dinheiro ao mesmo tempo toda vez que fecha a torneira para escovar os dentes, fazer a barba e lavar a louça e sempre que toma banho de até 5 minutos (10 no máximo), fechando o chuveiro para se ensaboar e passar shampoo.

  7. Colete água do chuveiro: se você tem chuveiro a gás, em que a água quente demora para chegar, você pode coletar a água fria num balde e usar depois na descarga, para lavar roupa ou louça.

  8. Instale uma ducha higiênica no banheiro: assim você diminui (ou mesmo elimina) o consumo de papel higiênico e economiza dinheiro (além de não gerar embalagem).

  9. Utilize um coletor menstrual (se você é mulher, claro): é um produto reutilizável e muito mais econômico do que os absorventes descartáveis, além de não gerar lixo. Eu comprei o meu coletor por R$ 70 ou R$ 80 reais e uso há cinco anos. Sem mais gastos com menstruação!

  10. Lave roupa na máquina com água fria: algumas máquinas de lavar roupa têm entrada para água quente, mas usar água fria economiza energia, que por sua vez economiza dinheiro.

  11. Use lâmpadas LED: o diodo emissor de luz (tradução da sigla em inglês) é pelo menos três vezes mais econômico do que as lâmpadas incandescentes e não tem o mercúrio que existe nas lâmpadas fluorescentes, além de ser mais durável. Aproveitando, você sabe como descartar lâmpadas?

  12. Feche a porta quando o ar condicionado estiver ligado: isso reduz o consumo de energia elétrica porque a máquina atinge a temperatura programada mais rápido e opera numa faixa de estabilidade. Se você usa o ar condicionado enquanto dorme, mantenha a porta do quarto fechada durante o dia (com o ar desligado, por favor). O ambiente vai se manter fresco, e isso facilita a refrigeração do quarto na noite seguinte, o que economiza energia.

  13. Trabalhe e estude em ambientes onde entra luz natural: quanto mais luz solar você aproveita, menos energia elétrica você precisa para iluminar o ambiente onde está (trabalho, sala, cozinha, quarto etc).

  14. Tenha telhado verde ou com cor branca: se você mora em casa, você pode cobrir seu telhado com plantas baixas e flores ou com gramíneas, dependendo da inclinação. Telhados verdes reduzem a temperatura em até 5º C dentro da construção e aumentam a umidade relativa do ar em até 15% em relação às construções cobertas com concreto, o que aumenta a eficiência energética e reduz a necessidade de ar condicionado. A mesma lógica se aplica quando você pinta o telhado de branco, porque a luz reflete o calor de volta para a atmosfera. Em relação à instalação das plantas, tem empresas especializadas que fazem isso.

  15. Plante árvores no jardim e tenha plantas em casa: as árvores nos prestam muitos serviços ecológicos de graça que melhoram a nossa qualidade de vida. Em termos de economia de dinheiro, as plantas fazem sombra e evaporam água, o que aumenta a umidade relativa do ar. Isso deixa seu jardim, sua casa ou seu apartamento mais fresco, reduzindo a necessidade de ar condicionado.

  16. Compre alimentos que estão para vencer: existem mercados que dão desconto em produtos com vão vencer dentro de poucos dias e até mercados que só vendem produtos que estão com prazo de validade curto. Além de economizar dinheiro, você consome alimentos que ainda estão bons, mas que seriam descartados.

  17. Tenha horta em casa: você tem alimentos livres de agrotóxicos à sua disposição e ainda economiza na feira ou no mercado.

  18. Faça produtos de limpeza em casa: você pode fazer seu próprio vinagre de maçã, sabão líquido para lavar roupa, desinfetante e multiuso para limpar a casa. Com ingredientes básicos como álcool, vinagre e sabão de coco, entre outros, você consegue fazer quantidade muito maiores do que os produtos prontos do mercado, e economia dinheiro. Os blogues Uma vida sem lixo e Casa sem lixo tem várias receitas.   

Tem coisa, né? Ser sustentável não custa caro, não, na verdade diminui os seus gastos. Me conte aqui o que você já faz ou quer começar a fazer.

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Os 5 Rs dos resíduos sólidos

Por Letícia Maria Klein Lobe •
20 novembro 2020
Os 3 Rs dos resíduos sólidos são bem famosos, e também já falei dos 10 Rs da sustentabilidade por aqui, que valem pra vida. Hoje eu quero te apresentar os 5 Rs dos resíduos, que estão previstos na Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei 12.305/2019 (só que com um ou outro nome diferente). 

Letícia segurando um pote de vidro, uma maçã e uma sacola ecológica.
Aqui parece que só tem 3, mas na verdade tem 4 Rs

Recusar (não gerar)

O mais importante quando falamos em resíduos é a não geração. Afinal, o modo mais fácil de lidar com um problema é evitá-lo em primeiro lugar. Para isso, a gente deve usar o nosso poder de recusar para não produzir qualquer tipo de resíduo sempre que possível, mesmo que ele seja reciclável. Quando diminuímos a demanda, a pressão sobre a natureza também diminui.

Exemplos: recuse folhetos na rua, segunda via do cartão de crédito, fatura do cartão de crédito, embalagens (quando podemos comprar a granel), papel de presente (você pode embrulhar numa sacola ecológica), cartões de visita (dica da Bia Johnson: bata uma foto ou cadastre o contato no seu celular) e muito mais. Se você tem alguma sugestão, já deixe um comentário aqui embaixo.

Reduzir

Esse vem em segundo lugar na ordem de prioridade quando a gente fala em resíduos sólidos. Se não podemos evitar gerar, vamos reduzir a quantidade de lixo que geramos na nossa rotina. Essa ação também diminui a pressão sobre a natureza e a quantidade de resíduos que vai para o aterro sanitário.

Exemplos: use mais os meios digitais e menos papel; compre produtos do dia a dia em embalagens grandes em vez de várias pequenas; compre mais ingredientes e menos comida pronta (você consegue preparar mais refeições e ainda economiza). 

Reutilizar 

Com medalha de bronze, está o reutilizar. Antes de descartar qualquer produto ou embalagem, veja como você pode reaproveitar aquilo. Assim você aumenta a vida útil daquele objeto, diminui a quantidade de resíduos que encaminha para o aterro e evita comprar coisas novas que podem ser substituídas por aquilo que você já tem.

Exemplos: embalagem de vidro de requeijão vira copo, vidro de geleia vira pote para guardar comida, roupas velhas viram pano de chão, calça jeans vira bolsa, potes de plástico viram vasinhos de planta. Ai que festa da virada! A lista é longa aqui, é só usar a imaginação.

Reintegrar à natureza (tratamento)

Uso esse R para falar de compostagem, que é a transformação dos restos de comida (resíduos orgânicos) em adubo e biofertizante. Os orgânicos representam uma grande parte dos nossos resíduos diário e geram gás metano quando estão no aterro sanitário, o que contribui para o aquecimento global. Além de diminuir o que você envia para o aterro, fazer compostagem em casa te ajuda a prestar mais atenção na sua alimentação e gera nutrientes para suas plantas. 

Pegue tudo que for casca de fruta, sementes, talos e folhas de verduras, borra de café, folha de chá, casca de ovo, restinhos de cozidos e coloque no minhocário, composteira ou num buraco raso no jardim. Não pode colocar carne, doces nem gorduras. Quer saber mais sobre compostagem e como fazer? Tudo que você precisa está aqui na série “Meu santo composto”

Reciclar

É só nesse estágio que vem a reciclagem! E você achando que era a coisa mais importante, né? Já pensei isso também. Mas só depois de esgotadas todas as possibilidades de não geração, redução, reutilização e compostagem, é que chegou a hora de encaminhar o resíduo de volta para a indústria para ser reinserido na cadeia produtiva. Um dos maiores benefícios da reciclagem é diminuir a extração de matéria-prima e o uso de água e energia na confecção de produtos novos.

Entre em contato com a prefeitura, as cooperativas e as empresas de reciclagem da sua cidade para saber todos os itens que são coletados. De forma geral, a coleta seletiva aceita papel, plástico, vidro e metal, mas cada município tem as suas particularidades. Se você mora em condomínio, você pode organizar com os outros moradores um residuário, que é uma central de resíduos com o objetivo de facilitar a separação e a destinação de tudo que for reciclável. Já falei aqui no blog sobre o residuário do prédio onde eu moro e, a partir disso, eu escrevi um e-book sobre como montar um residuário no condomínio. Fica a dica para você conferir.

Já conhecia esses 5 Rs? Quais você já pratica? Comente aqui embaixo. 

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O que você usa para recolher as fezes do seu cachorro?

Por Letícia Maria Klein Lobe •
11 novembro 2020
Se você tem um cachorrinho de estimação, costuma passear com ele algumas vezes por dia para que ele faça as necessidades na rua? Agora me conta, você usa uma sacola plástica para recolher as fezes? É o que eu mais vejo por aí, sacolas ou saquinhos de plástico. Pode até ser prático, mas não é nada sustentável. Quer fazer diferente e ser exemplo de sustentabilidade canina na rua? Tenho umas dicas.

Você pode substituir a sacola plástica por um saco de papel, daqueles de padaria ou de entrega de comida. Depois é só levar para casa e colocar no lixeiro do banheiro (que também pode ter um saco de papel no lugar da sacola plástica). A cadeia produtiva do papel é bem menos impactante que a do plástico e o papel leva muito menos tempo para se decompor em comparação com a sacola. 

Não seria legal se os animais de estimação pudessem fazer suas necessidades direto no vaso sanitário?
Não seria legal se eles pudessem fazer direto no vaso sanitário?









Em condições propícias de degradação, com a presença de oxigênio e bactérias, a celulose se decompõe em meses ou poucos anos, enquanto que o plástico leva centenas de anos. Num aterro sanitário, onde não tem oxigênio naquela pilha de aterramento, os dois materiais levam muito mais tempo para se decompor. De qualquer forma, o papel é mais sustentável do que o plástico quando consideramos todo o ciclo de vida do produto, desde a extração até o descarte.

Outra dica é utilizar não um saco de papel, mas folhas de jornal ou revista ou mesmo papel higiênico, que depois você coloca no lixeiro do banheiro. Se o seu cãozinho faz coco no jornal dentro de casa, você pode colocar as fezes no vaso sanitário (aliás, você pode fazer isso também com as fezes que ele faz na rua, mas daí jogue somente elas no vaso, sem o papel que serviu de embrulho).

Gostou das dicas? Já tinha pensado nessa possibilidade? Comente aqui embaixo.

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O que significam minhocas amontoadas no minhocário? – Meu santo composto #11

Por Letícia Maria Klein Lobe •
03 novembro 2020
Você já abriu a tampa do seu minhocário e deu de cara com um montinho de minhocas, como se elas estivessem numa baita suruba? Bom, tá mais pra uma reunião de planejamento de fuga, porque o ambiente não tá legal. Minhocas amontoadas no topo do seu minhocário significam problema, mas é fácil resolver. Vem comigo, que eu te conto. 

Minhocas amontoadas na parte de cima da caixa digestora
Minhocas amontoadas na parte de cima da caixa digestora

Pra compostagem funcionar, ela precisa de um equilíbrio entre carbono e nitrogênio. A regulação entre esses dois elementos garante o tempo de decomposição adequado e a sobrevivência dos micro-organismos e minhocas. É pura química (e no ensino médio a gente pensava que química não servia pra nada, né...). O nitrogênio está presente nos resíduos orgânicos e o carbono está no material seco, que deve ser usado para cobrir os resíduos.

Um dos sinais de que a relação entre carbono e nitrogênio está desequilibrada é o excesso de umidade, que acontece quando tem pouco material seco no minhocário. Minhocas amontoadas na parte de cima da caixa digestora indicam excesso de umidade. Então, tudo o que você precisa fazer é cobrir com mais materiais ricos em carbono, que podem ser serragem não tratada, palha, folha seca, papel, casca de árvore ou feno.

A proporção de cada material varia em relação à quantidade de orgânicos. De forma geral, estudos indicam que a relação ideal é de 30 partes de carbono para 1 de nitrogênio. Isso significa que a parte seca deve ser sempre maior do que os restos de alimentos. No caso da serragem não tratada, isso não vale: como a serragem tem muito carbono, a proporção é de um para um, só o suficiente para cobrir o conteúdo orgânico (que não deve ser espalhado pelo minhocário).

Assim que vi minhas minhocas fazendo complô para fugirem, coloquei pedaços de papelão, que é o que eu tenho à disposição no momento para usar como material seco. Alguns minutos depois, elas já tinham se dispersado, como você pode ver nas fotos abaixo. Agora, você já sabe, quando vir minhocas amontoadas na caixa digestora, é porque o ambiente está muito úmido e precisa de mais material rico em carbono. Daí é só ajustar, e tá tudo certo. 

Depois que eu coloquei os pedacinhos de papelão, as minhocas, que estavam amontoadas, dispersaram

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Documentário: Nosso planeta e David Attenborough [Resenha]

Por Letícia Maria Klein Lobe •
27 outubro 2020
Já separa o lenço, porque este documentário vai te emocionar. “A life on our planet”, com título brasileiro de “Nosso planeta e David Attenborough”, é um documentário produzido pela Netflix com Sir David Attenborough, apresentador, locutor e naturalista britânico – que quebrou o recorde do Instagram ao alcançar um milhão de seguidores em apenas quatro horas.

Em uma hora e meia, David, com 94 anos, faz um testemunho do que presenciou no planeta desde durante a sua vida, especialmente a partir de suas viagens, apontando os principais problemas que estão levando à devastação e algumas soluções para salvar a própria humanidade. Apesar de incompleto e um tanto reducionista no que diz respeito às soluções, o documentário cumpre muito bem o seu papel de impressionar, sensibilizar e conscientizar sobre o impacto das nossas ações na nossa grande casa. 

Documentário: Nosso planeta e David Attenborough

O filme, que estreou no dia 4 de outubro de 2020 na Netflix, aborda alguns dos maiores desafios que a vida no planeta está enfrentando, com foco na crise climática e na sexta extinção em massa (ambos causados pela espécie humana) e refaz o caminho da destruição da natureza durante o período de uma vida – a própria existência de David, dando também uma previsão dos potenciais danos até 2100. Na verdade, está mais para catástrofe, se mudanças fundamentais não forem feitas nas sociedades humanas ao redor do planeta.

Por apresentar uma visão de mundo de David, o documentário mescla vídeos dos seus programas de televisão sobre a vida selvagem (que começaram em 1979 com a série Life on Earth, na BBC), com imagens belíssimas de ecossistemas e sua biodiversidade e também registros de atividades humanas impactantes, como pecuária intensiva, pesca predatória e desmatamento. São tomadas aéreas, terrestres e aquáticas que evidenciam a riqueza e a fragilidade da vida no planeta. O paralelo do começo do filme, e retomado ao final, com o acidente nuclear de Chernobil, é certeiro.

A construção da narrativa é bem estruturada, seguindo a linha do tempo da vida do naturalista, com divisões temporais que marcam a população mundial, a quantidade de partes por milhão de carbono na atmosfera e a porcentagem de vida selvagem restante no planeta em anos específicos. Essa narrativa traz um histórico conciso da evolução da vida no planeta até os dias de hoje, deixando claro como a espécie humana tem impactado e desestabilizado o equilíbrio natural da Terra nos últimos 200 anos, principalmente.

A fala de David é simples, direta e sensível. Combinada com as imagens, torna o documentário pungente e emocionante, de chorar mesmo. Mas não deixe de assistir por causa disso, a gente precisa conhecer as situações para poder mudá-las, pois ficar na ignorância não vai nos ajudar a resolver os problemas. Fica claro no documentário que a grande missão da vida do naturalista é expor o desconhecido selvagem, a imensa biodiversidade de fauna e flora, para que possamos cuidar e preservar o planeta que nos abriga.

A parte final do documentário é destinada a apresentar soluções que podem minimizar as mudanças climáticas e a extinção em massa de espécies. É aqui que o filme abre espaço para a esperança – depois de já ter provocado deslumbramento, alegria, tristeza, raiva e desespero –, nos mostrando soluções possíveis que são já utilizadas e que podem ser ampliadas.

O principal caminho apontado é a restauração da biodiversidade no mundo, que é responsável por manter o equilíbrio da teia de vida no planeta. Quanto mais biodiverso, mais resiliente um ecossistema é, ou seja, mais ferramentas ele tem para superar as dificuldades. A espécie humana está extinguindo outras espécies e diminuindo os habitats selvagens, o que desestabiliza o equilíbrio da Terra que foi desenvolvido e mantido ao longo de milhares de anos. David toca num ponto importante: nós devemos olhar para a natureza para buscar soluções. Porém, o filme falha em não utilizar, nas soluções que apresenta, o seu próprio argumento sobre importância da diversidade e da biomimética. Penso que poderia haver mais tempo para explorar uma gama maior de soluções, seus contextos de implantação e de viabilidade, não recorrendo somente à alta tecnologia, que é uma forte indicação do filme.


Como David diz, uma espécie só prospera quando seu ambiente prospera. Prosperidade não tem a ver com crescimento, mas com qualidade de vida, e é possível reconquistar a qualidade da vida no planeta para todas as suas espécies. Depende de cada um de nós, a cada dia, enquanto indivíduos e coletividade. “A inteligência que trouxe a humanidade até aqui já não é mais suficiente. Precisamos de sabedoria.”

Se você já viu, comente aqui o que achou. Se não, fica a recomendação, vale a pena.

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Passeio de trem até Morretes e Parque Vila Velha

Por Letícia Maria Klein Lobe •
21 outubro 2020
Viajar de trem é uma delícia! No último fim de semana eu realizei a vontade que tinha há anos de fazer o passeio de trem até Morretes, saindo de Curitiba. Fomos eu, meu marido e um casal de amigos muito querido. No dia seguinte, conhecemos os arenitos no Parque Estadual de Vila Velha, um sítio geológico localizado em Ponta Grossa. O tempo estava perfeito nesses dias, com temperatura agradável, o que deixou o passeio ainda melhor.

Passeio de trem

O trem da Serra do Mar Paranaense parte às 8h30 da manhã (no nosso caso, uma hora depois, devido a um problema técnico com algum trem de carga na linha), chegando em Morretes após quatro horas de viagem pela Ferrovia Paranaguá-Curitiba. A velocidade máxima é de 40 km/h, então dá para curtir muito a paisagem. A linha férrea começou a operar em 1885 e foi construída sem mão de obra de escrava, numa época em que a escravatura ainda existia no Brasil. Outra inovação foi o uso da pólvora negra para abrir alguns pontos no caminho. 

Represa Caiguava no trajeto de trem entre Curitiba e Morretes
Represa Caiguava
Passeio de trem de Curitiba até Morretes
Trecho de campo






















O trajeto é lindíssimo, passando por campos, vales e montanhas a partir da cidade de Pinhais. Alguns dos 34 pontos pelos quais passamos são o Túnel Roça Nova (em linha reta dentro da montanha, permitindo ver a entrada e a saída), o Rio Ipiranga, a Represa Caiguava e o Reservatório Marumbi (que registram a triste situação atual da falta de água no Paraná), o Canyon do Ipiranga, Garganta do Diabo, a Ponte São João e o Viaduto do Carvalho (a paisagem mais famosa, quando a linha férrea passa rente ao precipício). 

Vista depois do Viaduto do Carvalho
Vista depois do Viaduto do Carvalho
Garganta do Diabo no trajeto entre Curitiba e Morretes
Garganta do Diabo 






















Almoçamos em Morretes, com direito à sobremesa de sorvete artesanal de-li-ci-o-so (100% banana, marca registrada do município), continuamos a viagem com o ônibus de turismo até a cidade portuária de Antonina e retornamos para a capital, numa viagem de uma hora e meia. Existe a opção de voltar de trem também, e tem vagões diferentes, do básico ao luxuoso. Por causa da pandemia, os vagões estavam operando com metade da capacidade, o que nos permitiu passar de uma janela à outra para ver os pontos nos dois lados do trem. Em uma situação normal, com capacidade total, recomendo sentar no lado esquerdo do trem, se puder escolher, que é o que tem a vista do Viaduto do Carvalho. 

Parque Vila Velha

Visitamos o Parque Estadual de Vila Velha no dia seguinte. Levamos uma hora e quinze até lá, partindo de Curitiba, e o passeio dentro da unidade de conservação dura três horas e meia. Hoje o parque é administrado pela iniciativa privada e está com obras em andamento para novas atrações. Com mais de três mil hectares, é o primeiro Parque Estadual do Paraná, criado em 1953. Em 1966, foi tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Estadual.

São três passeios que podemos fazer dentro do parque neste momento: Arenitos, Furnas e Lagoa Dourada. Tem ônibus que levam as pessoas até esses pontos, onde cada um faz o trajeto no seu ritmo. O caminho é autoguiado, com placas explicativas.

Visitamos primeiramente os arenitos, que têm 300 milhões de anos. Eles são formações de areia compactada esculpidas pela ação da chuva, do sol, das mudanças de temperatura e de atividades orgânicas. Alguns dos arenitos têm formas que nos parecem familiares, como leão, camelo, gato, proa de navio e taça (a mais famosa). Depois que passamos os muitos arenitos, que têm entre 20 e 30 metros de altura, caminhamos por um quilômetro dentro de um bosque

Arenito com formato de camelo no Parque Estadual Vila Velha
Arenito com formato de camelo
Arenito com formato de leão no Parque Estadual Vila Velha
Arenito com formato de leão 
























Arenito com formato de dragão
Arenito com formato de dragão
A famosa taça de arenito
A famosa taça de arenito

No fim do trajeto, esperamos o ônibus para voltar à estação central e pegar outro que nos leva até às furnas. Furnas são cavernas ou covas, também conhecidas como poços de desabamento. De origem marinha costeira, tem 400 milhões de anos. A região dos Campos Gerais do Paraná tem 14 furnas, das quais 12 estão no parque, mas somente três estão abertas à visitação: Furnas 1, 2 e a Lagoa Dourada. Os poços têm vegetação ao longo de toda a extensão vertical e água do lençol freático no fundo. É muito lindo! 

Para conhecer a Lagoa Dourada, esperamos novamente o ônibus. A volta pela lagoa é bem curta, tem apenas 400 metros, então é rapidinho (o que é ótimo, porque o passeio até ali já cansa). De lá, voltamos para o começo do parque, onde almoçamos no restaurante que tem no centro de visitantes. 

Furna 1 no Parque Estadual Vila Velha
Furna 1

Lagoa Dourada no Parque Estadual Vila Velha
Lagoa Dourada
Conhecer paisagens naturais é uma das minhas viagens favoritas. E você? Já visitou esses locais? Comente aqui que outras belezas naturais você já conhece. 

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