Como economizar água em casa com dicas simples

Por Letícia Maria Klein •
20 maio 2018
A água para consumo humano está dividida em três grandes usos: agropecuária, indústria e abastecimento. O primeiro usa cerca de 70% da água doce captada, o segundo 20% e só 10% são utilizados nas casas e comércios, segundo relatório de 2018 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil mostrou que o consumo de água para irrigação e abastecimento animal somou 78,3% em 2017, ficando a indústria com uso de 9,5% e abastecimentos urbano e rural com 10,2%.

A ONU diz que uma pessoa precisa de cerca de 110 litros de água por dia para suprir as necessidades de consumo e higiene, mas no Brasil esse número pode até dobrar. Dentro da parcela que nos cabe como cidadãos, tem várias dicas que podemos seguir para usar menos água em casa. Dessa forma, economizamos dinheiro e contribuímos para a conservação de um dos bens mais preciosos do planeta.



Chuveiros

O ideal é levar até, no máximo, 10 minutos para tomar banho. Uma ducha de 15 minutos, com o registro meio aberto, consome 135 litros de água, segundo a Sabesp, empresa concessionária dos serviços públicos de saneamento básico no estado de São Paulo (no site da empresa, é possível calcular o consumo de água de uma casa ou apartamento). Uma ducha de 5 minutos economiza 90 litros, se você fechar o registro ao se ensaboar. É o equivalente a 360 copos de água com 250 ml. Um banho de chuveiro elétrico (que, aliás, é um grande consumidor de eletricidade) por 15 minutos representa 45 litros de água. Se o tempo cai para um terço, o uso é de somente 15 litros.

Outra forma de economizar água do chuveiro é acumulá-la em um balde para usar depois. Quando se tem sistema de aquecimento a gás ou energia solar, a água quente pode demorar até um minuto para chegar. Enquanto isso, a água fria pode ser armazenada num balde para ser usada na descarga, por exemplo.

Torneiras

Uma torneira gotejando pode enviar até 46 litros de água pelo ralo em um dia, diz a Sabesp. Escovar os dentes por 5 minutos com a torneira meio aberta manda embora 12 litros. Abrir a torneira para molhar a escova e enxaguar a boca no fim consome somente 500ml, uma economia de 96%. Para lavar o rosto, a dica é ser rápido mesmo. Ou então, fechar o ralo da pia e encher um pouco, o que também vale para a hora de se barbear. Assim, o consumo fica entre dois e três litros.

Descarga

O vaso sanitário pode consumir até 12 litros de água quando a válvula é acionada por seis segundos, conforme a Sabesp. Quando está com defeito, o gasto pode chegar a 30 litros! A melhor forma de economizar nesse caso é instalar um vaso sanitário que consome seis litros por descarga ou vasos sanitários com caixas acopladas que usam entre três e seis litros por descarga. Melhor ainda é poder escolher não usar água nenhuma. Isso é possível com o banheiro seco, que pode ser construído em casas e permite a compostagem dos dejetos. Neste vídeo eu mostrei como funciona o banheiro seco da Schumacher College.

Lavação de louça

Numa casa, se a torneira fica meio aberta por 15 minutos, lá se vão 117 litros de água, segundo a Sabesp. Se for em apartamento, o gasto aumenta para 243 litros, devido à alta pressão. Por isso, o ideal é molhar a louça rapidamente, fechar a torneira, ensaboar tudo e depois enxaguar; dessa forma o consumo chega a 20 litros. Outra dica bacana para economizar água na hora de lavar a louça é encher uma bacia com água, ou a própria pia, então molhar e ensaboar a louça e por fim enxaguá-la numa outra bacia.

O que também economiza água é usar a máquina de lavar louça. As máquinas atuais são mais eficientes no uso da água e da energia, consumindo cerca de oito litros por ciclo, podendo chegar a 18 dependendo da marca e modelo, para lavar até 60 utensílios. O uso de água quente e sabão mais concentrado faz com que a máquina acabe precisando de menos água do que a lavagem manual.

Lavação de superfícies e veículos

Pisos e paredes podem ser lavados com aquela água frita do chuveiro que foi acumulada num balde. Aliás, balde e pano são as melhores ferramentas na hora de lavar superfícies ou veículos, como carro e bicicleta. Conforme a Sabesp, uma mangueira solta 279 litros de água em 15 minutos. Quem tem sistema de captação de água da chuva, pode usá-la para esta finalidade.

Alimentação

A água que consumimos indiretamente é muito maior do que o volume que usamos para limpeza, higiene e hidratação. Não a vemos, mas ela está incorporada no processo produtivo de produtos e alimentos que consumimos. Por isso é chamada de água virtual. O pesquisador holandês Arjen Hoekstra diz que o Brasil é o quinto maior exportador de água virtual do mundo. A agropecuária no país é responsável pela exportação indireta de 112 trilhões de litros de água doce por ano, cerca de 45 milhões de piscinas olímpicas, segundo a Unesco.

A água virtual também entra na conta da pegada hídrica, uma medida que representa o volume total de água doce utilizado para produzir os bens e serviços que se consome, direta e indiretamente (você pode calcular a sua pegada hídrica no site da Water Footprint Network). Assim, uma ótima forma de economizar água é consumir de forma consciente, diminuindo a compra de alimentos e objetos que precisam de grandes quantidades de água. Para se fazer um quilo de carne bovina, por exemplo, são necessários mais de 17 mil litros de água!

Fonte: infográfico do Planeta Sustentável com dados da Sabesp
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5 passos para fazer compostagem em casa

Por Letícia Maria Klein •
29 abril 2018
Seja em baldes, caixas de plástico, caixotes de madeira ou em camadas no chão, a mágica da compostagem só precisa de três elementos para acontecer: húmus ou terra (com ou sem minhocas), resíduos orgânicos e palha, serragem ou folha seca. Essa é a receita básica. Mas mesmo as receitas mais tradicionais têm seus segredos. Para garantir um composto rico e um fertilizante nutritivo, confira algumas dicas para acertar na compostagem em casa.

Compostagem em casa


1 – O que pode e o que não pode compostar

Uma definição de compostagem que eu gosto e uso muito é retornar à terra o que é da terra, devolver à natureza o que veio dela. De tudo o que geramos no dia a dia, essa parcela equivale a 51% na média nacional. Assim, compostar os restos orgânicos é uma ótima forma de reaproveitá-los e acabar com o desperdício, usar o adubo e o fertilizante nas suas plantas ou mesmo conseguir uma renda extra com a venda desses subprodutos.

Mas nem tudo que é comida pode ir na composteira ou no minhocário (quando o processo acontece em leiras no chão, a situação é um pouco mais liberal). Certos alimentos podem afetar o pH do sistema e matar os seres vivos que fazem o processo. Por isso, o primeiro passo para começar a fazer compostagem é saber o que vai e não vai na composteira.

  • O que pode: frutas, verduras e legumes de forma geral, chá (folhas e de saquinho), borra e filtro de café, casca de ovo, flores, podas de árvores (as folhas podem ser secas ao sol e usados como cobertura sobre os orgânicos), guardanapos usados, cabelos e unhas (não pode no minhocário, pois não são consumidos pelas minhocas). 
  • O que não pode: carnes, gorduras, bolos, doces, laticínios, plantas doentes, couro, borracha, resíduos têxteis, óleos, cigarro, madeira tratada, carvão, cinzas (incluindo do churrasco), conteúdo do aspirador de pó, fezes humanas ou de animal de estimação, papel higiênico e fraldas. 
  • O que pode, com ressalvas: frutas cítricas, restos de alimentos muito aromáticos (como alho e cebola) e alimentos cozidos ou assados (no máximo 20% do total dos resíduos orgânicos). Mas tem uma forma de aproveitá-los integralmente, o que nos leva à dica seguinte. 

2 – Ajude quem te ajuda


Minhocas californianas e insetos no minhocário
As minhocas californianas (primeiro quadrinho) devem estar em maior número

Para facilitar e agilizar o processo de compostagem, tem algumas coisas que você pode fazer para ajudar as bactérias, minhocas e insetos que decompõem os seus resíduos:

  • Reduzir o tamanho dos orgânicos que vão para a composteira ou o minhocário. Quanto menor os pedaços de frutas, legumes e folhas, mais rápida será a decomposição. 
  • Para conseguir aproveitar todas as cascas de laranja, tangerina e limão, coloque-as de molho em um pote com água (pode acrescentar um pouco de vinagre e álcool também, se quiser) e depois de uma semana você pode usar o produto como desinfetante natural. Depois desse processo, as cascas podem ser enxaguadas e adicionadas à composteira ou ao minhocário sem problema, pois perdem sua acidez. Você também pode transformar as cascas das frutas cítricas em doces
  • As cascas de cebola e alho não podem ir cruas para o sistema, a não ser em quantidade bem pequena. Essas cascas e outros restos, como talos de couve-flor, são ótimos para fazer um caldo de legumes. Depois de cozidas, podem ir para o minhocário ou a composteira numa boa. 

3 – Equilíbrio no ecossistema

A decomposição da matéria orgânica é feita tanto por micro-organismos, como fungos e bactérias, quanto por minhocas e insetos. Neste último, a vermicompostagem, eles são bioindicadores. Como as minhocas fogem do calor, a presença de muitas delas na tampa ou na borda superior da caixa é sinal de que o ambiente está quente para elas. Para evitar essa situação, coloque o minhocário em local sombreado e coberto.

Quando feita de maneira correta, a compostagem não produz mau cheiro. O segredo está no equilíbrio entre nitrogênio (resíduos orgânicos) e carbono (elemento seco como palha, serragem ou folhas secas). O sistema não pode ficar nem úmido demais nem seco demais. A medida é você pegar um pouco do composto na mão e espremer: se não pingar nem esfarelar na palma, está no ponto certo.

Se o sistema estiver em desequilíbrio, você vai sentir um cheiro forte ou ruim, tanto no chorume quanto no composto. O chorume da compostagem é um líquido escuro resultante da decomposição dos alimentos, composto em 70% por água, e não é o mesmo do aterro sanitário, que é tóxico. Como resultado da decomposição de resíduos orgânicos pela compostagem, o chorume é um fertilizante rico e nutritivo que pode ser borrifado nas plantas. A solução é uma parte de chorume para dez de água.

4 – Escolha seu sistema ideal

Minhocário, composteira, caixas de madeira, leiras, baldes de compostagem


Na composteira, onde só tem micro-organismos para decompor os orgânicos, o processo é mais lento e gera menos chorume, então é bom para quem produz poucos resíduos ou que prefere manter distância das minhocas (mas garanto que você se afeiçoa a elas depois). Além disso, só se recomenda mexer na composteira de uma a duas vezes por semana, para que a temperatura alta seja mantida (podendo chegar a 65°C) e a decomposição seja feita pelas bactérias. Assim, você precisa estocar seus resíduos na geladeira ou no congelador por alguns dias.

Como as minhocas processam mais rapidamente os alimentos do que os micro-organismos, o minhocário é ideal para famílias a partir de duas pessoas (existem opções de tamanhos diferentes na internet) e pode receber resíduos todos os dias. A vermicompostagem gera muito mais chorume do que a compostagem termofílica, então você terá mais fertilizante para suas plantinhas. Porém, a variedade do que pode ir no minhocário é um pouco menor.

A compostagem em baldes ou caixas de plástico é prática e ocupa pouco espaço, então dá para fazer em apartamento. Você mesmo pode montar sua composteira ou minhocário. São dois ou mais recipientes chamados de digestores, onde é feita a decomposição dos orgânicos, e um recipiente para coletar o chorume.

Se tiver um quintal, pode enterrar os resíduos orgânicos. Abra um buraco raso e cubra com terra. A desvantagem é que você não consegue aproveitar o chorume, pois ele escorre pelo solo. Além disso, minhocas devem começar a surgir no local onde você faz a compostagem, então é preciso cuidado na hora de remover a terra para não as machucar.

5 – Siga sua intuição

Com o tempo, você vai pegando o jeito e entendendo como funciona o processo na sua composteira ou minhocário: se precisa de mais elemento seco, o que as minhocas gostam de comer, se tem umidade suficiente, se a variedade e quantidade de insetos está de acordo (lembrando que as minhocas devem ser a espécie dominante). A compostagem não é uma ciência exata, por isso a experiência e a intuição são grandes aliadas na hora de transformar os resíduos orgânicos da sua cozinha em adubo nutritivo para as plantas.

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Cuidado com receitas caseiras

Por Letícia Maria Klein •
18 abril 2018
Digo por experiência própria. Quando eu conheci o lixo zero e suas tantas possibilidades, me apaixonei pelas receitas de produtos de higiene, limpeza e cosméticos que podemos fazer em casa. As vantagens incluem um produto mais natural, sem químicos prejudiciais e menos embalagens, além de te permitir saber tudo que vai na composição.


Mas existem algumas ressalvas na hora de fazer e usar produtos caseiros. É muito importante atentar para os ingredientes utilizados, a função de cada um na receita e como seu corpo responde ao produto feito em casa.

A Cristal Muniz já falou sobre os principais erros na hora de fazer seu cosmético em casa, como, por exemplo, não entender o papel de cada ingrediente. Além da produção, acrescento que é fundamental acompanhar como seu corpo reage aos produtos de higiene e beleza que você faz, pois existem várias receitas na internet, mas você é único. Cada corpo é um corpo e é preciso prestar atenção às particularidades do seu. 

No meu caso, percebi os efeitos há algum tempo, mas acabei demorando mais do que devia para mudar de atitude. Fiz e usei por mais de dois anos uma pasta de dente caseira feita com bicarbonato de sódio, óleo de coco e óleo essencial. É uma receita muito divulgada nos blogs sobre lixo zero e muitas pessoas usam e adoram. Funciona, mas não deu certo para mim. Eu tenho problema de retração e a pasta acabou intensificando o caso. Variei na quantidade de bicarbonato e óleo essencial e fui intercalando com outras pastas, mas o efeito continuou.

Conversa com o dentista

Esta semana fui ao dentista e conversei com ele sobre minhas tentativas. Ele me explicou algumas coisas e me alertou que o problema de retração piorou e que só tem um creme dental que contém o ativo necessário para a minha situação. Assim, vou precisar aposentar a pasta caseira e as outras que tentei nesse tempo para que eu possa recuperar e manter minha saúde bucal.

Falei para o meu dentista que uma das minhas motivações ao começar a usar a pasta de dente caseira tinha sido a questão ambiental, visto que a embalagem da pasta não tem muito mercado para reciclagem (pelo menos aqui onde eu moro o material não é coletado).

Ele se mostrou preocupado e ficou de entrar em contato com o fabricante da marca recomendada, além de procurar se informar e participar do programa de reciclagem da TerraCycle para escovas de dente e embalagens de produtos de higiene bucal. Se der certo, será um grande passo e terei aonde levar os tubos das pastas que usar.

Às vezes, perde-se um pouco num lado para ganhar mais de outro. A luta pela conservação do nosso planeta precisa ser feita com respeito, amor, equilíbrio, cuidado e responsabilidade, a começar por nós mesmos. Se o nosso meio e nossas relações são reflexos do estado interior, é preciso estar bem consigo mesmo em primeiro lugar. Bem de corpo, mente e espírito.

Além disso, vale lembrar que cada passo dado é uma conquista e que a natureza não dá passos largos. Mais vale mudanças pequenas solidificadas ao longo do tempo do que uma grande modificação que se desfaz no primeiro obstáculo. 

Vou continuar fazendo produtos caseiros e incentivo você a fazer os seus. É importante e libertador. Só que eu vou precisar abdicar da pasta de dente porque não me fez bem. Tentei, motivada pela causa e pelo que eu acredito, mas precisei reconhecer quando não deu certo e passou a me fazer mal.

Se for o caso de você tentar e também lhe prejudicar de alguma forma, pesquise mais, converse com outras pessoas, procure especialistas (afinal, eles entendem mais do assunto), tente outras alternativas, suspenda o uso. Dê tempo ao tempo e a você mesmo. Não se culpe se algo não sair conforme o planejado ou esperado. Acredite, a culpa é um peso desnecessário e só retarda nosso aprendizado. 

Nessa trajetória de aperfeiçoamento, faça tudo que fizer com responsabilidade. Afinal, é você quem responde por sua própria vida. Por experiência própria, aprendi que anular a si mesmo não leva ninguém a lugar algum, muito menos a melhorar o mundo.

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Os tons de azul do Morro Azul

Por Letícia Maria Klein •
10 abril 2018
Um lugar perfeito para um passeio rápido no fim de semana. Foi minha primeira vez no Morro Azul e quando cheguei lá em cima, entendi por que o chamam assim.

As hortênsias lindamente floridas fazem jus ao apelido carinhoso do Parque Natural Municipal Freymund Germer, localizado a cerca de 20 minutos do centro de Timbó. No topo do morro, com seus 758 metros de altitude, é possível ver as cidades de Indaial, Pomerode e Blumenau, da esquerda para direita. Com luneta, dá para ver até o litoral! Além da vista, o local também atrai apaixonados por voos livres de parapente e de asa delta.

Vista do Morro Azul
Indaial, Pomerode e Blumenau (da esquerda para direita)

É possível subir até o topo a pé ou de carro (que foi nossa escolha). A subida é bem íngreme, então fica a dica para quem não pode fazer muito esforço físico (ou tiver preguiça mesmo). Àqueles que topam o desafio da caminhada sinuosa e um pouco pesada (assim parecia pelas expressões dos caminhantes), a vista compensa depois do exercício. Pode até levar um lanchinho para fazer um piquenique lá em cima, a área de descanso é bem extensa.

O parque foi criado no dia 11 de março de 1993 pela Lei Municipal n° 1.463. Por estar enquadrado na categoria de Unidade de Conservação de Proteção Integral, de acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC, é permitida a realização de pesquisas científicas, atividades de educação e interpretação ambiental, recreação em contato com a natureza e turismo ecológico.

Hortênsias ao longo do caminho e no topo do Morro Azul

É um passeio muito gostoso para fazer em companhia da família ou dos amigos, desfrutando do ar puro, da tranquilidade e do contato renovador com a natureza.

Serviço

Endereço: Parque Ecológico Freymund Germer, Rua Geral do bairro Mulde Alta, a 18 km do centro de Timbó, CEP 88717-000. O acesso ao parque se dá pela BR 470 e pela SC 416, através da Rua Pomeranos.
Horário de funcionamento: portões abertos das 8h às 18h.
Ingresso: entrada gratuita. Para acampar, o ingresso custa R$ 5,00 por final de semana.
Infraestrutura: camping para barracas e motorhomes, área de convivência, banheiros, chuveiros, churrasqueiras, rampa para a modalidade de voo livre (parapente e asa delta), trilhas ecológicas sinalizadas, sala de educação ambiental e parque de recreação para crianças.
E-mail: institutoaracua@yahoo.com.br.
Site: https://www.facebook.com/parquemunicipalfreymundgermer/.
Telefone: (47) 9603-4948.



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Muito suor na rota das cachoeiras

Por Letícia Maria Klein •
16 fevereiro 2018
São 2.950m de trilha morro acima para conhecer as 14 cachoeiras, numa subida de tirar o fôlego (literalmente!) e surpreender com sua exuberância natural. A rota das cachoeiras, como é conhecida, fica na RPPN Emílio Fiorentino Battistella, em Corupá, Santa Catarina. A  Reserva Particular do Patrimônio Natural é um remanescente de Floresta Atlântica e está em nome da empresa Mobasa Reflorestamento S.A. Fui lá a trabalho pela Fundação do Meio Ambiente, como convidada da Câmara Técnica de Educação Ambiental do Conselho Estadual do Meio Ambiente, na qual minha colega é titular.

Foto: Juliana Budag.

Começamos a subida às 14h (de manhã foi a reunião). O tempo estava ótimo, nublado a maior parte do tempo, com aberturas de sol, e não estava quente. Mas isso não nos impediu de suar bicas. A subida cansa mesmo! Especialmente entre as terceira e quarta cachoeiras, onde tem muitos degraus. A trilha está passando por melhorias desde que a Mobasa assumiu a administração e quase todo o trecho está assentado com pedras, retiradas da reserva mesmo, das margens do Rio Novo.

Eu e minha colega Juliana numa pausa entre as terceira e quarta cachoeiras.
Foto: Vanderlei Balduzzi.

O engenheiro florestal Marmon Nadolny, funcionário da Mobasa que trabalha na reserva e que palestrou sobre o local, disse que a colocação das pedras na trilha evita que os decks ao longo do caminho fiquem sujos de terra e escorregadios, proporcionando mais segurança aos visitantes. Também foram colocados corrimãos ao longo do trajeto, quase até o final. As obras ainda estão em andamento, mas falta pouco para serem concluídas.


Chão com pedras e corrimão na maior parte da trilha.
Foto: Letícia Klein.

É permitido entrar com mochila, comida e bebida e há mesas e churrasqueiras na entrada. Ao longo da trilha tem os decks com bancos para descansar, que são muito bem-vindos! Os banhos nas cachoeiras costumavam ser permitidos, mas desde um acidente fatal em 2014, é proibido mergulhar. Porém, isso não afeta em nada o passeio. A natureza é tão magnífica e nos surpreende ao longo do caminho. Espécies endêmicas de fauna e flora, que só existem naquela região, uma biodiversidade riquíssima, paisagens deslumbrantes e cachoeiras lindas, cada uma diferente da outra.


Bálsamo-de-duas-cores (nome científico: Aphelandra liboniana).
Foto: Juliana Budag.

É importante ir com roupas leves, tênis ou botina de caminhada confortáveis, com solado de boa aderência. Lembrar também de levar água, suco e um lanche, além de uma muda de roupa extra, pois algumas cachoeiras respigam água e não tem como não suar. Tem chuveiros na área de alimentação para poder tomar um banho no retorno da trilha. Por ser um passeio de conexão com a natureza, nada mais coerente do que viver o momento de maneira holística, cuidando de você, do outro e do meio. Por isso, alimente-se de forma saudável, evite embalagens, guarde os resíduos que produzir para descartar corretamente depois; fale baixo para não perturbar os animais e deixe a natureza como a encontrar, sem retirar nada.

Numa próxima vez, quero ir de manhã, fazer a trilha e almoçar no topo, admirando a 14ª cachoeira, que tem 125m de queda e parece um véu de noiva. Espetacular! Como tivemos pouco tempo, acabamos fazendo o percurso num passo rápido, em duas horas de subida e uma de descida. Mas aconselho ir devagar, parando em cada cachoeira no trajeto de ida, ficar um tempo lá em cima para repor as energias e voltar direto (até porque você fica tão cansado que só quer ir embora mesmo).

14ª cachoeira. Foto: Juliana Budag.

Já tinha ouvido falar muito na rota das cachoeiras e fiquei encantada com o lugar. Estar na natureza traz uma paz, uma sensação gostosa de acolhimento e aconchego e nos ajuda a colocar a vida em perspectiva. Uma experiência sensorial holística de conexão não só com a natureza, mas com a gente mesmo. É um daqueles momentos que nos fazem refletir e nos incentivam a adotar hábitos melhores, mais saudáveis e sustentáveis. Vale a pena cada segundo, cada passo e cada gota de transpiração.

Serviço

Horário de funcionamento: todos os dias a partir das 7h30, com entrada para percorrer a trilha até as 14h (de abril a outubro) e até as 15h (de novembro a março). O percurso completo (subida e retorno) leva cerca de quatro horas para ser realizado com calma e segurança.
Ingresso: R$ 20,00 (a partir de 5 anos de idade), adquirido no trajeto para a Rota das Cachoeiras no Mercado Fossile e Camping e Restaurante Rio Novo. Há sinalização e não há venda de ingresso na portaria. A partir de 2018 também serão vendidos ingressos pela internet.
Infra-estrutura: de estacionamento, banheiros com chuveiro e churrasqueiras.
E-mail: rotadascachoeiras92@gmail.com
Site: rotadascachoeirascorupa.blogspot.com.br
Telefone: (47) 3375-2232
Endereço: Rua Rio Novo Alto, s/nº

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