Casa Aberta e PresentEco: dois projetos de educação para a sustentabilidade em Blumenau

Por Letícia Maria Klein •
20 novembro 2019
“Mudar o mundo uma pessoa de cada vez fazendo o que você gosta” é o lema de Mariane Gomes Sievert, que adotou a frase de um blog português. Há menos de dois meses, ela e a família colocaram em prática duas iniciativas de educação para a sustentabilidade em Blumenau: a Casa Aberta e o PresentEco. Mari trabalhou durante 15 anos como professora de educação infantil usando a metodologia Freinet e desde que sua terceira filha nasceu, dedica-se à família, aos estudos e a novos projetos como esses. Tivemos uma conversa muito bacana sobre as ideias, suas inspirações e as mudanças que ela quer provocar. As fotos foram cedidas pela Mariane.

O que é a Casa Aberta?
A Casa Aberta funciona na nossa própria casa: na sala, no quintal e na garagem. É um local que oferece eventos (nossos e de parceiros) e um espaço integrativo para acolher diversas pessoas e coletivos que estão buscando o mesmo olhar para infância, adolescência e família em que nós acreditamos. Queremos oferecer um espaço onde a criança e o jovem possam ser protagonistas, possam ser ouvidos e onde as coisas girem a seu favor. O objetivo da Casa Aberta é ser um espaço para conversarmos sobre educação positiva e cultura da paz e que oferece a reconexão com você mesmo, com o próximo e com a natureza.

Hoje em dia, as crianças estão superlotadas de eventos e ao mesmo tempo estão desorientadas em relação ao que fazer com isso tudo. O olhar que oferecemos não é o da religião, mas o da cultura da paz, que acolhe e integra as pessoas. Meditação, ioga e reiki são ferramentas que usamos que nos ajudam a manter o equilíbrio e nos mostram o que podemos aprender com a natureza. A natureza está sempre nos ensinando e nós não conseguimos perceber porque estamos desconectados.

Casa Aberta
Casa Aberta.
 
Como surgiu a ideia?
A ideia é fruto de um desejo antigo que foi se estruturando e agora conseguiu desabrochar. Existiam algumas crenças que eu precisava superar em relação a empoderamento, vencer as próprias limitações e ver quantas coisas boas eu tinha para compartilhar, não só como professora. Fiz o projeto, divulguei na rede social e comecei a arrumar o espaço.

Conte um pouco sobre algumas ações que vocês já realizaram.
Nosso primeiro evento foi no começo de outubro, com a venda de garagem protagonizada por crianças e jovens. Eles montaram suas próprias barracas e divulgaram nas redes sociais; tivemos cinco feirantes e bastante procura; além disso fizemos uma roda de conversa sobre consumo e produção de lixo naquele dia. Já participamos de feiras (especialmente com o PresentEco), do 2º Seminário Internacional de Ecoformação e da Semana Lixo Zero Blumenau, em que fizemos composteiras para os vizinhos. No seminário, fizemos oficina com professores sobre diminuição da produção de lixo no trabalho escolar com crianças e realizamos a dinâmica do ciclo de vida da borboleta, em que o foco é você e seus sonhos: seu sonho como um ovinho, como você o alimenta para que ele mude de fase e como você se abre para o mundo com seu sonho. 

Venda de garagem
Venda de garagem

Feira na Greenplace
Feira na Greenplace Park
Quais são os planos para o ano que vem? 
Nós queremos oferecer trabalhos contínuos, que funcionem periodicamente. Temos dois caminhos para explorar: foco em eventos ou abrir um espaço onde as crianças possam passar um tempo com acompanhamento educacional, livre brincar e espiritualidade (meditação, ioga, reiki, pintura de aquarela, entre outros) para desenvolver o empoderamento, a presença, segurança para se expressar e liberdade para modificar o lugar a partir de suas ideias. Um dos trabalhos que queremos fazer é sobre o feminino, voltado para meninas (como é para a menina ter a primeira menstruação, entrar na adolescência, como os indígenas veem isso, como a ayurveda vê isso etc). Queremos proporcionar o acesso desses conhecimentos a crianças e jovens, independente de religião, para que elas se conheçam melhor e busquem o que as torna inteiras. Além disso, queremos oferecer formação de professores nas escolas com ecoformação e cultura da paz (respeitar a si mesmo, o próximo e o ambiente). 

Dinâmica "um brinquedo chamado terra" no seminário de ecoformação
Dinâmica "um brinquedo chamado terra" no seminário de ecoformação
O PresentEco surgiu a partir da Casa Aberta?
Na semana da venda de garagem, fui tendo várias ideias sobre consumo e produção de resíduos, que acabaram levando ao PresentEco. “Existe o brechó, mas já pensou se existisse uma crença diferente em relação ao presente?” Marido e filhos adoraram.

O que é o PresentEco?
É um presente conceito que tenta mudar a crença de que o presente é algo que precisa ser novo, comprado na loja. O importante não é o presente em si. A ideia é que a pessoa tenha liberdade e consciência de usar algo da natureza que já foi manufaturado para dar de presente para alguém. Coisas que estão em estado ótimo, na sua casa, por exemplo, que possam ser dadas de presente. Em feiras das quais participamos com o projeto, algumas pessoas disseram que já deram de presente coisas que estavam em sua casa, mas não falaram para a pessoa que recebeu que aquilo não era novo, como se fosse motivo de vergonha. Se o objeto está como novo e não teve perda de valor, porque se pensa que ele vale menos? 

Produto à venda no PresentEco
Produto à venda no PresentEco
A ideia do PresentEco não é só proporcionar produtos usados em bom estado, mas também ser uma ferramenta de educação ambiental para que a pessoa reflita sobre o consumo e perceba que pode dar como presente coisas que tem em casa e que não usa. Queremos estimular as pessoas a pensarem sobre a necessidade de consumo e a fazerem esse caminho de perguntas e reflexões antes de comprarem algo. Uma das premissas do consumo consciente é o fornecimento local. A fonte mais local que existe é a sua própria casa. Não é porque algo não é novo que ele precisa ser somente doado. Como embalagem para o PresentEco, estamos reutilizando um material de serigrafia de empresas que estavam descartando. Junto com o presente, vai a explicação do projeto. Podemos migrar para outras ideias criativas de embalagem, porque também não queremos incentivar a produção desse lixo.

Como funciona o PresentEco? Qualquer pessoa pode participar?
Para participar comprando, a pessoa pode ir às feiras em que estamos presentes, que são divulgadas nas redes sociais. Para ser parceiro para vender, a pessoa deve ter um olhar crítico para as próprias coisas e ver o que está em ótimo estado que pode ser dado como presente (sem marcas, por isso não é exatamente como um brechó). A pessoa entra em contato conosco pela fanpage ou instagram e combinamos a retirada/entrega. A pessoa recebe o valor que estipulou para o produto e nós ficamos com uma pequena comissão que cobre custos de transporte e logística da feira.

Nossa intenção é educar sobre o consumo, produção de lixo e estilo de vida equilibrado, pois as pessoas trabalham muito para comprar tantas coisas. Será que você já não tem o presente que precisa dar? Precisamos repensar conceitos e ideias da sociedade em que vivemos. Queremos mexer com a pessoas, difundir a ideia e diminuir a resistência ao presente usado; provocar a pulga atrás da orelha, estimular desapego de coisas, estimular novas ideias; sermos um agente transformador do consumidor, que por sua vez transforma o mercado. Será que as coisas materiais, às quais você dispensa tempo em casa, não estão tomando seu tempo com famílias e amigos?

Como a família tem se envolvido nos projetos?
A questão da transformação é muito potente. Nossos filhos foram muito privilegiados, pois se envolveram muito. O objetivo é tornar os projetos sustentáveis financeiramente, mas se considerar tudo que já aconteceu, já foi muito válido por todo o conhecimento que eles adquiriram e a educação que estão tendo, que acabam passando para outras crianças na escola. A Lívia mostrou aos colegas as flores comestíveis, o Estevão deu muitas ideias de projetos na escola. Eles têm desenvolvido a criatividade e proposto ideias. 

Participação na Semana Lixo Zero Blumenau
Participação na Semana Lixo Zero Blumenau: produção de sistemas de compostagem para vizinhos. Eles armazenam os resíduos orgânicos nos baldinhos e a família da Mari coleta os resíduos para colocar no minhocário deles, dividindo a terra e o biofertilizante depois. O objetivo é que os vizinhos se interessem em fazer nas suas próprias casas.
Quais são as suas inspirações?
Educação positiva, escolas da floresta, quintais brincantes (uma inspiração é o Fava de Bolota em Tocantins), metodologia Freinet, cultura da paz, Paulo Freire, pedagogia Waldorf, jardins Waldorf e também a ideia de leveza (começar com o que você tem, fazer o melhor com o que tem disponível).

Que máximo, né! Muito sucesso à Mari, sua família e aos projetos.
Um ecobeijo e até breve.
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Golfinhos na baía e banho de rio em Governador Celso Ramos

Por Letícia Maria Klein •
06 novembro 2019
Foi a primeira vez que avistei golfinhos em alto mar! A experiência é emocionante. Estava num passeio de escuna pela costa do município de Governador Celso Ramos, em Santa Catarina. Foram mais de 20 golfinhos que apareceram na Baía de São Miguel, aos pares ou trios. Eles entram na baía para se alimentar, mas nem sempre as condições do tempo permitem vê-los, então tivemos sorte!

Que vento gostoso! Passeio de escuna
Que vento gostoso!

São dois golfinhos: na imagem da esquerda é possível ver um subindo, na imagem da direita vemos a barbatana dorsal dos dois
São dois golfinhos: na imagem da esquerda é possível ver um subindo, na imagem da direita vemos a barbatana dorsal dos dois.
Na primeira vez que estive na cidade, nos hospedamos num hotel à beira da praia de Henrique da Costa, que fica perto de onde sai o barco. Desta vez, ficamos no interior do município, num hotel entre montanhas. Naquela vez teve escalada em rochas na areia, desta teve trilha que leva a um mirante com vista do litoral.

Foi um fim de semana de relaxamento, tranquilidade e muita proximidade com a natureza, o que eu amo demais. Nosso quarto tinha vista para morros cheios de árvores e também para morros com áreas abertas, incluindo o mirante. Na sacada, uma rede que eu usei para ler um livro à noite. Como a região não tem tanta luz artificial, havia mais estrelas visíveis no céu, que é simplesmente a vista que mais me faz falta desde que voltei da Schumacher College. Não se compara, mas pelo menos é melhor do que a vista do céu noturno em Blumenau. A única vez que consegui rever um céu como aquele foi em Urubici, há dois anos, numa viagem fascinante pela serra catarinense

Morros à vista do quarto. Aquela árvore sozinha no canto direito marca o mirante.
Morros à vista do quarto. Aquela árvore sozinha no canto direito marca o mirante. A trilha até lá leva uns vinte minutos e te oferece uma vista lindíssima do litoral do município.
O hotel em que ficamos tinha piscina, mas o meu negócio é banho em águas naturais. Me joguei no mar na volta do passeio de escuna (quando podia fazer isso, claro; eu não dei a louca) e também no riacho que passa no terreno do hotel, vindo da cachoeira. Sou apaixonada por água e não perco a oportunidade de nadar no mar ou rio quando posso. A água estava geladinha, uma delícia! Não importa a temperatura, eu vou mesmo. 

Não é história de pescador, pulei no mar mesmo
Não é história de pescador, pulei no mar mesmo.
Outra parada do roteiro marítimo foi a Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, construída no século 18 na Ilha de Anhatomirim, próxima ao continente, e que hoje é de jurisdição do município de Governador Celso Ramos.
Ilha de Anhatomirim.
Ilha de Anhatomirim.


A construção do forte começou em 1739 e tem influência da arquitetura renascentista. São vários edifícios distribuídos na ilha, entre eles a primeira sede do governo do estado e o quartel da tropa (o maior entre as fortificações brasileiras). Apesar de ter sido construído para fazer parte de um sistema triangular de defesa de Santa Catarina, o sistema não funcionou e a ilha foi sendo aos poucos abandonada após a invasão espanhola em 1777. Depois de ter servido para usos diversos na Revolução Federalista de 1894, na Revolução Constitucionalista de 1932 e na Segunda Guerra Mundial, ela foi aberta à visitação pública em 1984. Vale a pena conhecer, é muito interessante e historicamente rica, além de ter belas paisagens naturais. 

Casa do comandante Brigadeiro Silva Paes na Ilha de Anhatomirim.
Casa do comandante Brigadeiro Silva Paes na Ilha de Anhatomirim.
Adoro tanto praia quanto montanha, então unir os dois numa só viagem foi fantástico! Poder andar no mato, nadar no rio, mergulhar no mar, avistar outras espécies de aves que não tem aqui são aqueles momentos simplesmente mágicos e magicamente simples que me acalmam, me energizam e me inspiram a ser melhor e agir em prol de um planeta sustentável.

Um ecobeijo e até breve.
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11 livros sobre meio ambiente que mudaram minha visão de mundo

Por Letícia Maria Klein •
29 outubro 2019
Os livros são parte de mim. Sinto até uma necessidade física quando fico alguns dias sem ler, nem que seja uma página. Para comemorar o Dia Nacional do Livro, celebrado em 29 de outubro, selecionei algumas obras com temática ambiental que li ao longo da vida e que mudaram minha forma de ver o mundo e viver nele (os que têm resenha aqui no blog tem o link no título).

Walden ou A Vida nos Bosques
Com toda a certeza um dos meus livros favoritos da vida! Henry David Thoreau faz um relato autobiográfico inspirador, profundo e verdadeiro da jornada de um ser humano em busca da essência da vida. Thoreau narra o período de pouco mais de dois anos em que viveu em um bosque, às margens do lago Walden (nos Estados Unidos), numa casa que ele mesmo construiu. Irônico, provocador, questionador e filósofo, Thoreau não fala meias verdades e toca em muitas feridas, escancarando hipocrisias da sociedade capitalista do século 19, com seu comercialismo e industrialismo crescentes (algo ainda mais verdadeiro hoje). Daquelas leituras para fazer refletir e encarar pré-conceitos.

Mundo sustentável – Abrindo espaço na mídia para um planeta em transformação
Foi um dos primeiros livros que eu li com temática ambiental, ainda na faculdade. O livro reúne entrevistas, artigos e comentários do jornalista ambiental André Trigueiro sobre assuntos relacionados a resíduos sólidos, energia, mudanças climáticas, água e padrões de produção e consumo, além de soluções para uma vida sustentável. No momento, estou no meio da leitura do segundo volume: Mundo Sustentável 2 - Novos rumos para um planeta em crise.

A teia da vida – Uma nova compreensão científica dos sistemas vivos
Fritjof Capra é um físico austríaco e ambientalista que consegue trazer temas científicos para o nosso dia a dia, com uma linguagem acessível. Neste livro, ele aborda a visão sistêmica da vida (a noção de que tudo está inter-relacionado), mostrando a riqueza e a fragilidade da teia de vida existente no planeta Terra e no universo. Ele explica ecologia profunda, pensamento sistêmico, teorias da complexidade e do caos, além de vários outros estudos e linhas de pesquisa que comprovaram a interligação e a interdependência entre os seres vivos, estruturas e elementos terrestres e universais.

O tao da física – Um paralelo entre a física moderna e o misticismo oriental
Esse foi o primeiro livro que Capra escreveu (e o segundo dele que eu li). Ele diz no livro que “a ciência não precisa do misticismo e o misticismo não precisa da ciência, mas o ser humano precisa de ambos”. Durante a narrativa, ele vai explicando sobre física quântica e as bases do pensamento filosófico indiano e chinês (budismo, hinduísmo e taoísmo), estabelecendo um paralelo entre os dois. É incrível o que ele consegue fazer, mostrando como, na realidade, ciência e espiritualidade se complementam.

A sexta extinção – uma história não natural
Um dos melhores livros ambientais que eu já li, escrito pela jornalista Elizabeth Kolbert. O livro tem 13 capítulos que contam a história das últimas cinco grandes extinções em massa ocorridas no planeta e mostram indícios do sexto episódio que pode estar em curso, provocado pela espécie humana nesta era de Antropoceno. A extinção é um fenômeno natural, mas a humanidade está intensificando-o em milhares de vezes, tornando-o massivo. Leitura recomendadíssima para quem quiser entender esse processo de uma maneira fácil, didática e envolvente. 

Livros com temática ambiental
Livros com temática ambiental 

O homem que salvou Nova York da falta de água e outros 11 mestres da sustentabilidade
Um livro muito interessante e inspirador. Com uma escrita fluida e envolvente, o autor Rafael Chiaravalloti descreve trajetórias de vida, desafios e conquistas de pessoas no Brasil e em outros países que fizeram ou fazem a diferença em termos de conservação, preservação e vida sustentável. As histórias são contadas em meio a contextos sociais, econômicos, políticos, culturais e ambientais, oferecendo ao leitor uma visão sistêmica sobre os problemas e as soluções que os 12 mestres encontraram. Um ótimo exemplo do que podemos fazer com o nosso poder.

Espiritismo e Desenvolvimento Sustentável
Carlos Orlando Villarraga questiona como será o futuro da espécie humana na Terra diante do modelo atual de desenvolvimento e do consumismo, trazendo indicadores sociais e ambientais, as bases do modelo de desenvolvimento sustentável, a diferença entre consumo e consumismo, a importância das religiões para o desenvolvimento sustentável, os princípios da sustentabilidade, exemplos de ações para um futuro sustentável e como o Espiritismo pode ajudar nesse processo.

Espiritismo e Ecologia
Esse é outro livro espírita que aborda a temática ambiental, escrito por André Trigueiro. Ele faz um paralelo entre as duas ciências que nasceram na mesma época, o Espiritismo e a Ecologia, e que compartilham princípios, como o uso sustentável dos bens naturais, o consumo consciente, a coletividade em detrimento do individualismo e a visão sistêmica da biodiversidade. Rápido de ler, com uma escrita objetiva, agradável e cativante.

Colapso – Como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso
Esse livro é uma viagem no tempo e um mergulho na história de civilizações que desapareceram ou triunfaram por causa da relação que tinham com o meio onde viviam. O autor Jared Diamond explica contextos sociais, econômicos, políticos e culturais de cada sociedade e como eles se inter-relacionam ao longo do tempo para levar essas comunidades à extinção ou à prosperidade. Tem uma linguagem clara e envolvente que revela a intrincada rede de relações entre os indivíduos de um povo e entre este e seu habitat.

Diário do clima – Efeitos do aquecimento global: um relato em cinco continentes
Foi escrito pela jornalista Sonia Bridi como resultado das reportagens para o quadro “Terra – que tempo é esse”, produzido em 2010 para o programa Fantástico, da Rede Globo. Ela e o cinegrafista Paulo Zero, seu marido, viajaram pelo mundo para mostrar os efeitos e explicar as causas das mudanças climáticas, geradas a partir da emissão acelerada e intensificada de gases de efeito estufa na atmosfera, decorrentes de atividades humanas. Apesar de já terem sido lançadas muitas outras obras (livros, programas de TV, documentários etc) sobre a crise climática na última década, vale a leitura por ter uma abordagem clara e didática do tema. Se você conseguir a edição do livro que vem com os episódios da série, melhor ainda.

O pequeno príncipe
O famoso livro do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, camuflado de infanto-juvenil, é uma das histórias mais lindas sobre humanidade e trajetória de vida de um ser humano. É um livro profundamente filosófico e poético que aborda qualidades e defeitos, desafios e aprendizados, ganhos e perdas, sentimentos e emoções, cuidado e destruição. A sustentabilidade se baseia nos atos simultâneos e interdependentes de cuidar de si, do outro e do ambiente, mensagens que esse livro tão belo nos mostra por meio de seus personagens, dos vários planetas, dos relacionamentos e da viagem do príncipe.

Já leu algum desses? Recomenda outros?

Um ecobeijo e até breve.
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Tela na caixa coletora do minhocário e um balde cheio de adubo – Meu santo composto #9

Por Letícia Maria Klein •
09 outubro 2019
Reservei duas horinhas nesta semana para fazer algo que estava há tempos precisando: limpar e melhorar meu minhocário. Na questão limpeza, tirei praticamente um balde inteiro de adubo, que estava há seis meses na caixa digestora debaixo. A de cima está lotada e eu precisava inverter as duas, para deixar a que está cheia em processo de decomposição dos orgânicos. A melhoria foi colocar uma redinha presa na tampa da caixa coletora, para evitar que minhocas caiam no biofertilizante e morram afogadas. Também retirei cinco litros de biofertilizante concentrado, que ainda precisam ser diluídos. 

Adubo e caixa digestora vazia
Adubo recolhido e caixa digestora vazia
O adubo estava com odor fraco de terra molhada, numa consistência pastosa, nem esfarelenta nem líquida. Ótimas condições! Para retirá-lo, deixei a caixa no sol e fui pegando aos poucos a camada de cima, conforme as minhocas iam descendo (elas fogem da claridade). Quase não tinha mais minhocas neste balde, estão quase todas na outra caixa digestora que está cheia, então foi fácil tirar o adubo sem encontrar as bichinhas. Usei uma pazinha e um garfinho de jardinagem, mas pode ser qualquer colher e garfo que você tiver em casa.

Adubo retirado do minhocário
Adubo retirado do minhocário. Só dá para reconhecer as cascas de ovo.
Agora eu tenho bastante adubo para usar nas minhas plantas, que estão precisando de nutrientes e de reposição de terra. Vou colocar também nas plantas do prédio. O biofertilizante, depois de diluído, pode ser aplicado semanalmente nas verdinhas.

Já comecei a colocar resíduos orgânicos na caixa digestora que tinha o adubo. Ainda ficaram alguns resíduos lá: deixei algumas cascas de pinhão, sementes de abacate e caroços de pêssego, que demoram muito tempo para se decompor. O que também não decompôs foram as cascas de ovos, mas tirei junto com o adubo, para ir decompondo nos vasos das plantas. 

Restou um fundo de resíduos orgânicos na caixa digestora, com algumas minhocas
Restou um fundo de resíduos orgânicos na caixa digestora, com algumas minhocas


Caixa digestora cheia
Caixa digestora cheia

Minhocário arrumado
Minhocário arrumado, com as caixas digestoras invertidas.
A cheia está embaixo, para os resíduos orgânicos se decomporem.
A redinha é uma solução prática e barata para o problema de morte de minhocas no biofertilizante. Ela é vendida em metro e custa menos de R$ 5,00. Usei só um quarto. Cobri a caixa coletora, afundei um pouco para permitir o encaixe do balde digestor que vai em cima e prendi com a tampa (que é recortada no meio para encaixar o balde superior). Assim, se alguma minhoca cair pelo buraco da caixa digestora, ela pode voltar facilmente e não afundará no líquido. 

Redinha no topo da caixa coletora
Redinha no topo da caixa coletora para as minhocas não caírem.
Agora me conte, como anda a sua compostagem doméstica? 

Um ecobeijo e até breve.
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Alternativas ao uso da sacola plástica para colocar o lixo

Por Letícia Maria Klein •
01 outubro 2019
“Mas daí eu vou ter que comprar aqueles sacos de lixo se eu não usar a sacolinha”. Essa é uma das frases que eu mais escuto quando digo que não pego sacola de plástico no mercado nem em lojas. Olhe a resposta linda: não, você não precisa comprar! “Mas o que tu usas na lixeira?” vem logo depois. Mais lindo ainda: alternativas sustentáveis, é claro. Quais são? Como fazer? Leia até o fim e abandone de vez essas pragas plásticas.

Faz alguns anos que eu sou adepta das sacolas reutilizáveis. Tenho uma de pano que fica bem pequenina na bolsa. Quando vou ao mercado ou à feira, levo outras, grandes, para trazer as compras. Com isso, deixei de usar sacolas plásticas para colocar o lixo do banheiro, os resíduos orgânicos (que vão direto para meu minhocário) e os materiais recicláveis. 

Como nós precisamos de alguma coisa para colocar os resíduos dentro, comecei a utilizar as próprias embalagens de alguns produtos como saco de lixo. Para os resíduos recicláveis, eu uso embalagens plásticas de pão, arroz, feijão, macarrão, batata frita congelada, entre outros, que são grandes o suficiente para acondicionar os resíduos, cuja maioria são outras embalagens. 



O que eu também uso, especialmente para colocar vidros, é caixa de papelão. Muitos mercados já disponibilizam caixas para os clientes colocarem suas compras. Elas também são boas para colocar papéis e embalagens de papelão para a reciclagem. Assim, tanto a embalagem quanto o conteúdo são do mesmo material, o que facilita na hora da triagem. Outra solução para embrulhar vidros é folheto de mercado ou jornal, especialmente se houver cacos. Eu também já usei embalagem metálica de entrega de comida, tipo marmita.

Para os resíduos orgânicos, a solução é a compostagem! Não manda para o aterro sanitário, não, pessoa linda. Tenho conhecidos que batem os restos de alimento no liquidificador com um pouco de água e dão como adubo para plantas. É uma alternativa se você ainda não tem um minhocário ou composteira. 

De qualquer forma, quando precisar de embrulho para os resíduos orgânicos, a melhor saída é o saco de papel, que decompõe muito mais rápido no aterro do que o plástico e tem uma origem renovável. Podem ser sacos de pão da padaria ou embalagens de papel de alguns alimentos. No site do Instituto Akatu, tem um passo a passo de como fazer um saquinho de lixo com jornal; encartes ou folhetos de mercado também servem. Tem lojas que dão sacolas de papel, outra alternativa.

Para o lixo do banheiro, que inevitavelmente vai para o aterro sanitário, eu geralmente uso saco de pão ou de entrega de comida, que tem um tamanho compatível com a minha lixeira. Além de ser mais sustentável, o uso do papel para acondicionar os resíduos sanitários diminui o odor, então é outra vantagem.

Gostou? Já faz algo assim? Faz diferente? Comente aqui embaixo.

Um ecobeijo e até breve.
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