10 hábitos sustentáveis para 2019

Por Letícia Maria Klein •
16 janeiro 2019
Primeiramente, feliz e próspero ano novo! Desejo a você tudo de bom e muita sustentabilidade neste ano que inicia! Para que assim aconteça, aqui vai uma lista de dez hábitos sustentáveis para adotar, cultivar e manter na sua vida a partir de agora.

Um canto verde para chamar de seu
As plantas alegram qualquer ambiente, concorda comigo? São milhares de espécies, com tamanhos, cores e formas diferentes, cada uma do seu jeitinho, características e gostos. Ué, achou que a plantinha não tem vontade própria? Tem, sim. Mas todas, sem exceção, vão deixar sua casa mais aconchegante, charmosa e cheia de vida. Cuidar de uma planta te aproxima da natureza, tanto a sua íntima quanto a que te rodeia e te mantém. É um momento tranquilo e de troca de energias com outro ser vivo que depende inteiramente da sua atenção para conseguir viver num vaso (se estiverem num jardim, elas são mais independentes, mas ainda precisam de cuidados). Então, você começa a perceber nitidamente como suas atitudes fazem diferença e geram consequências. Inclusive economizar dinheiro na feira se você cultivar a própria horta, que é o próximo hábito.

Meu canto verde hoje

Orgânico e integral, por favor
Sem veneno, fresquinha e plantada por você. Tem coisa melhor do que comer hortaliças que vieram do seu próprio jardim ou jardineira? Com uma horta em casa, você consegue acompanhar todo o crescimento da planta, da semente ao seu prato, o que já dá um bom entendimento sobre toda a logística dos alimentos no mundo e o grande problema do desperdício. Além disso, você pode aproveitar todas as partes de verduras e legumes. Cascas de cebola e folhas da cenoura, entre outras, podem virar caldo para um risoto e cascas de abóbora podem ser assadas e servidas como aperitivo. Não existe limite para a imaginação na cozinha. O que já foi reutilizado, como as cascas fervidas, ou que não tem um uso, pode, então, ser compostado!

Da terra à terra
A compostagem é o complemento perfeito da sua horta. Talos, folhas, cascas e sementes de frutas e hortaliças que não são consumidos viram adubo dentro do minhocário ou da composteira. Eles cabem mesmo no menor dos apartamentos e servem para transformar os resíduos orgânicos em terra boa e nutritiva para as plantas que você tem – ou vai passar a ter esse ano – além do biofertilizante, o líquido resultante da decomposição. A compostagem dos restos de alimentos evita que mais de metade dos resíduos gerados no dia a dia vá para o aterro sanitário, onde produzem gases de efeito estufa e chorume (que ao contrário do biofertilizante, é tóxico devido à mistura de resíduos diversos que são enterrados lá).

Meu minhocário com o primeiro balde digestor quase cheio

Não existe fora
Além de compostagem, outra forma de tratar adequadamente os resíduos que você produz no seu dia a dia é separando os recicláveis para a reciclagem. Se na sua rua não tem coleta seletiva, pesquisa por cooperativas ou empresas de reciclagem na sua cidade. É importante limpar e secar os resíduos, especialmente potes e outras embalagens – para isso, você pode aproveitar a água da lavagem de louça ou passar um pano. Vidros devem ser embalados separadamente para ninguém correr o risco de se machucar ao pegá-los. A melhor forma de enviar os papéis para serem reciclados é deixá-los inteiros, sem amassar ou rasgar, e encher uma sacola ou caixa com eles.

Menos é mais e muito bom
Falando em resíduo, outro hábito fundamental para deixar sua vida mais sustentável é praticar os Rs: recusar, reduzir e reutilizar, que são tão importantes quanto reciclar. A campanha pelo não uso do plástico descartável é um exemplo muito forte e super fácil de participar: recuse canudinho, sacola, copo, embalagens desnecessárias. Compre alimentos a granel e leve suas próprias embalagens. Tenha um kit lixo zero na bolsa, mochila ou veículo que utiliza. Cada coisa que vira lixo, ou seja, que deixa de ter valor para a sociedade, tem uma história e um alto custo para o ambiente.

O exemplo do Balu
Já cantava o urso Balu, no filme “Mogli, o menino lobo”, da Disney:
“Eu uso o necessário
Somente o necessário
O extraordinário é demais
Eu digo necessário
Somente o necessário
Por isso é que essa vida eu vivo em paz”
Comprar somente o necessário é essencial para a sustentabilidade planetária. Seja alimentos, roupas, calçados, eletroeletrônicos, livros, CDs e DVDs, jogos, objetos de decoração, enfim. Para qualquer coisa que queira comprar, pense bem antes. Nem tudo que é útil é de fato necessário naquele momento ou num futuro próximo. Você consegue economizar dinheiro e bens naturais quando deixa de comprar o que não precisa. Quando precisar, lembre-se do consumo colaborativo e pesquise se dá para adquirir usado ou pegar emprestado, assim você contribui para o aumento da vida útil daquela coisa e diminui a demanda por itens novos (que precisam de bens naturais para serem produzidos).

Saúde!
A prática de exercícios físicos faz bem para o corpo, a mente, as emoções e o espírito. É aquele momento na semana totalmente seu, que dá prazer, melhora sua saúde e te conecta consigo mesmo. Cuidar de si é uma base do tripé da sustentabilidade, completada pelo cuidado com o outro e com o meio. Dentre as várias formas de carinho que você deve ter consigo, a prática de uma atividade física é uma daquelas que gera benefícios para além de você. Afinal, uma pessoa feliz ilumina os ambientes por onde passa e produz uma onda de energia positiva.

Pratos coloridos e sem dor
É inegável o impacto negativo da produção de carne no planeta e o tratamento cruel com os animais nesse processo. Diversas pesquisas científicas e documentários comprovam os benefícios de uma dieta rica em alimentos originários da terra e os efeitos negativos do consumo de carne no organismo. Se você tem o hábito de consumir carne, mas quer fazer diferente esse ano, comece reduzindo o consumo. Fique um dia na semana sem comer e vá aumentando o número de refeições vegetarianas no seu ritmo e de acordo com sua consciência, com cuidado para manter uma dieta sempre variada e rica em vitaminas e minerais necessários ao corpo. Se você já é vegetariano, mas consome leite, queijos e derivados, procure por opções orgânicas, que tenham vindo de animais criados soltos. Em feiras é comum encontrar e é mais barato do que no mercado.

Contato com a natureza
Uma das melhores formas de despertar para uma vida sustentável é estar em contato direto com a natureza. Em qualquer lugar que estejamos, estamos em contato com ela, mesmo que seja dentro de quatro paredes. Afinal, tudo que é construído pelos seres humanos vêm da natureza. Mas estar em ambientes naturais, como floresta, praia, bosque, um parque cheio de árvores, cachoeira, e muitos outros, é um verdadeiro deleite. O silêncio, a calmaria, os sons dos animais, das ondas, do vento passando. Deixar-se surpreender e maravilhar pelas belezas e mecanismos da natureza te faz mais consciente da teia da vida que mantém tudo inter-relacionado e em equilíbrio e te deixa em paz.

Visita ao Morro Alto São Bernardo, em Rio dos Cedros/SC

Boa ação
Além de cuidar de si e do meio, é importante cuidar do outro. Começa em casa, com uma boa convivência com os familiares, passando por amigos e colegas de trabalho até chegar ao trabalho voluntário, que ajuda muito e faz um bem danado. Acho que faz mais bem para quem faz do que para quem recebe. Existem diversas formas de trabalho voluntário, mas todas têm algo em comum: melhorar a vida de alguém, seja ele humano ou outro ser vivo. Quando você se envolve com uma causa, você está melhorando a vida na Terra e isso está intimamente relacionado com a sustentabilidade que buscamos.

Gostou dos hábitos? Comente aqui embaixo se pratica algum e qual. Um ecobeijo e até breve!
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Quadro 1 minuto 5 dicas - Natal sustentável

Por Letícia Maria Klein •
09 dezembro 2018
Tem vídeo no canal no Youtube! Neste novo quadro "1 minuto 5 dicas", eu dou cinco ideias para um Natal sustentável com a sua família.

Comente e compartilhe para espalharmos a sustentabilidade nesta linda época do ano. =)


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Natal sustentável: árvore de plástico ou pinheiro natural?

Por Letícia Maria Klein •
28 novembro 2018
Os Natais da minha infância e adolescência foram marcados com árvore de plástico. Na casa da avó paterna do meu noivo, a celebração sempre foi em torno de um pinheiro natural, que ela cultiva no jardim. É assim até hoje. Neste ano eu me mudei e passei a querer uma árvore de verdade em casa para o Natal. Meu noivo mudou de ideia e queria uma grande árvore de plástico para poder enfeitar mais cedo, pois o pinheiro aguenta no máximo duas semanas depois de cortado. O que fizemos, então? Conversamos, pesquisamos e chegamos a uma solução sustentável.

A árvore de plástico tem origem no petróleo, um bem natural não renovável. Tem toda a questão de extração poluente e cadeia de produção cheia de impactos ambientais. Por outro lado, dura muito tempo se bem cuidada e pode ser reciclada quando enviada para coleta seletiva.

O pinheiro natural tem origem renovável e o processo para chegar até a sua casa é menor e menos impactante, considerando que tem somente o corte e o transporte. Se tu tens espaço para plantar em casa, então o impacto é quase nulo, especialmente se plantares outra árvore como compensação. Para quem gosta de decorações rústicas ou com aspecto natural, o pinheiro é a melhor opção.

Em relação a preço, depende do tipo de árvore de Natal que queres. Existem árvores de cinquenta até cinco mil reais (e até mais). Nós queríamos uma que fosse alta. A árvore de plástico que meu noivo queria custa cerca de R$ 800,00 e o pinheiro natural que eu queria custa por volta de R$ 100,00, então era mais vantajoso financeiramente. Como gostamos de curtir o Natal, precisávamos de uma árvore que durasse bastante tempo. Como buscamos sempre a opção mais sustentável, com menor impacto ambiental, o ideal seria um pinheiro natural. A solução? Um pinheiro plantado em vaso! O que escolhemos foi o pinheiro alemão, mais parecido com a típica árvore de Natal.

Tem várias vantagens em relação a uma árvore artificial. Ele vive por muitos anos em vaso, então não precisamos comprar um novo todo ano. O que precisamos fazer é replantá-lo num vaso maior com o passar do tempo e deixá-lo em local externo durante o ano, para pegar chuva e sol à vontade. No nosso caso, podemos deixá-lo na área externa do prédio, junto com o pinheiro natural do condomínio, ou levar para a casa de uma das avós do meu noivo.

Como toda planta dentro de casa, o pinheiro precisa de cuidados. Local arejado, com luminosidade e talvez mais água do que o necessário se ele estivesse na área externa. O nosso começou a secar, então estamos deixando a janela da sacada aberta durante o dia para ventilar. Esse processo de cuidar do pinheiro é muito gostoso e cria uma conexão maior com a árvore de Natal e com o próprio significado que essa época tem para mim. Eu prefiro o pinheiro natural não só pela origem mais sustentável, como também pela estética, que me agrada mais. Gosto do rústico e da beleza da natureza.

Por fim, o pinheiro natural tem um ciclo de retorno à natureza através da compostagem, caso tenhas uma árvore que foi cortada. Ela vai começar a secar e pode ser colocada no solo para decomposição total, servindo de nutriente para outras espécies. Quem mora em regiões frias, pode usar a madeira como lenha para fogueira ou lareira. Se moras numa cidade em que tem coleta de poda e materiais orgânicos para compostagem, a árvore pode ser destinada para lá.

Enfim, nossa árvore ficou assim:

Nosso pinheiro alemão de Natal
Como é a sua comemoração de Natal? Tem árvore? Natural ou artificial? Ou mesmo de outro material? Comente aqui, compartilhe com seus amigos e vamos fazer deste Natal uma data de renovação de paz, união, amor e práticas sustentáveis. ;)
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3 dicas para uma Oktoberfest sustentável e um bônus

Por Letícia Maria Klein •
02 outubro 2018
Nesta quarta-feira, 03 de outubro, começa a 35ª Oktoberfest em Blumenau, considerada a maior festa de origem alemã do Brasil e segunda maior do mundo, depois da Oktoberfest de Munique. Serão 19 dias de festa no Parque Vila Germânica com gastronomia típica alemã e também brasileira, músicas alemãs e próprias da festa, danças, apresentações folclóricas e desfiles. Se vier para a festa, anote aí três dicas para curtir a folia de forma sustentável e duas sugestões de passeio na natureza.



Leve sua própria caneca ou garrafa 

A bebida oficial da festa é o chope, especialmente o artesanal. Como não tem graça nenhuma tomar qualquer bebida em copo de plástico descartável, garanta sua caneca para encher sempre que quiser. É bem comum as pessoas levarem suas canecas a tiracolo com cordão tirante. Para quem consome água, sucos e refrigerantes, um copo retrátil ou garrafa podem ser mais interessantes.

Use seu kit de talheres

A maioria das comidas é servida em pratos descartáveis, com talheres descartáveis, o que gera toneladas de resíduos. Para contribuir com a não geração, leve seu próprio kit de talheres (existem modelos pequenos, vendidos em sites e lojas de acampamento, ou você pode levar os que tiver em casa mesmo) e guardanapo de pano. Para ficar melhor, leve também um pote retrátil, que cabe na bolsa ou mochila. Assim, você vai ter uma festa lixo zero!

Seja um consumidor consciente

O local onde a festa acontece, a Vila Germânica, tem muitas lojas de suvenires, camisetas, canecas, objetos de decoração e mais. Na hora de comprar alguma coisa, pense se precisa e se realmente vai usar aquilo, assim você evita adquirir algo desnecessário, o que contribui para a preservação dos bens naturais e a redução da produção de resíduos sólidos. Na dúvida, responda às seis perguntas do consumo consciente: por que comprar, o que, de quem, como comprar, como usar e como descartar. Aqui também cabe a velha e fundamental recomendação que envolve bebidas alcoólicas: se beber, fique longe do volante.

Turismo de natureza

Quando estiver em Blumenau, aproveite para conhecer duas áreas de proteção de Mata Atlântica: o Parque Natural Municipal São Francisco de Assis (no centro da cidade) e o Parque Nacional Serra do Itajaí (no sul da cidade, localidade Nova Rússia). Os dois são ótimas opções para quem ama estar em contato direto com a natureza, fazer trilhas, nadar no rio, observar animais e plantas e ter um momento tranquilo, seja consigo mesmo ou com família e amigos.

Parque Natural Municipal São Francisco de Assis. Fonte: Prefeitura Municipal de Blumenau

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Descartável e indestrutível: o poder e o impacto do plástico no mundo | Resenha do documentário Um oceano de plástico

Por Letícia Maria Klein •
20 agosto 2018
A baleia-azul é o maior animal do mundo, com até 30 metros de comprimento e 180 toneladas. Navegando no Oceano Índico, perto do Sri Lanka, a equipe liderada pela especialista em cetáceos Lindsay Porter espera ver a baleia-azul verdadeira e a pigmeu, que é um pouco menor. Na verdade, eles acreditam que é a primeira vez que alguém consegue filmar uma baleia-azul-pigmeu jovem embaixo d’água. E quando filmam, outra coisa chama a atenção: a quantidade de plásticos flutuando na superfície do oceano. A pesca comercial não existe na região há mais de 30 anos por causa da guerra civil e as praias estão fechadas, então teoricamente deveria ser um dos locais mais intocados pela ação humana.

Esses momentos abrem o documentário Um oceano de plástico (A plastic ocean), dirigido e roteirizado pelo jornalista e cineasta Craig Leeson e lançado pela Fundação Plastic Oceans em setembro de 2016. O filme mostra a poluição dos oceanos por plástico e o seu impacto para os animais, as pessoas e os ecossistemas. O jornalista e a mergulhadora Tanya Streeter entrevistam especialistas de diversas áreas, viajam para lugares impactados diretamente pelos plásticos e revelam os perigos da nossa relação conflituosa com esse material. O documentário tem cenas tristes e alarmantes que precisam ser vistas, mas também aponta caminhos para solucionar esse grande problema ambiental.

Um oceano de plástico - nós precisamos de uma onda de mudança

A dupla apresenta dados sobre a produção de plásticos no mundo e os efeitos do desperdício, inclusive em “tempo real”, considerando desde quando a pessoa começou a assistir ao documentário. Só nos Estados Unidos, 38 bilhões de garrafas de plástico são descartadas por ano. No mundo todo, cada pessoa usa e descarta cerca de 136 quilos de plástico considerado descartável anualmente. Só que os descartáveis são feitos de um material durável e indestrutível, como apontam Craig e Tanya.

Ao longo do documentário, eles conversam com oito cientistas e pesquisadores sobre as consequências do descarte incorreto de plásticos em diversos níveis, desde o microplástico (a última parte resultante da decomposição do material) até objetos inteiros boiando nas águas. Na costa da Itália, golfinhos e baleias estão aparecendo mortos nas praias e os pesquisadores querem entender por que. Quando avista um golfinho em alto mar, a ecologista e ecotoxicologista Maria Cristina Fossi lança um dardo para recolher uma amostra de gordura do animal. A biópsia do tecido revela o efeito de químicos e tóxicos no organismo e também algo inusitado: ftalato, um dos derivados do plástico.

Quanto menor a partícula, mais fácil de ser consumida por animais, que não sabem diferenciar o que é plástico do que é comida. O consumo dos objetos plásticos por esses animais impacta toda a cadeia alimentar marítima por dois motivos. Primeiro, os microplásticos atraem toxinas presentes no ambiente e vão se acumulando nos corpos dos animais, chegando até as pessoas que se alimentam de frutos do mar (não somente essas, mas consumidores de água engarrafada, água da torneira, sal, mel e cerveja também). Segundo, algumas espécies – especialmente aves litorâneas, tartarugas e baleias – estão morrendo de fome com os estômagos cheios de plástico, como acontece na Ilha Midway, um dos locais visitados pelo cineasta.

Intercalando informações, entrevistas e visitas em campo para acompanhar pesquisas, o documentário é dinâmico e interessante. Na última parte, Craig e Tanya focam o impacto do uso e da decomposição dos plásticos na vida das pessoas e sugerem ações que cada um pode fazer no seu dia a dia para evitar o consumo de produtos descartáveis. Relevante, o filme traz ao mesmo tempo um panorama e um alerta sobre os plásticos no mundo, além de fazer um convite à reflexão sobre nossa relação com esse material, que pode ser tão bom e tão maléfico – só depende do nosso comportamento.


O filme está disponível no Netflix
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