A importância dos 3 Rs

Por Letícia Maria Klein •
21 fevereiro 2014
Reduzir, reutilizar e reciclar. Os 3 Rs inimigos do desperdício e da geração de lixo, dois grandes males da atualidade. As coisas que jogamos fora de nossas casas ocupam espaços gigantescos nas cidades, crescendo toneladas a cada dia. Este cenário é agravado pela quantidade exorbitante de itens produzidos pela indústria, muitas vezes itens que são descartáveis ou que se tornam obsoletos (ou apenas parecem obsoletos) muito rapidamente. Ainda tem a impulsividade, o crédito facilitado, as propagandas massivas e os anúncios de promoções que incentivam as pessoas a comprarem o que elas não precisam. Por isso que reciclar não basta. É fundamental, mas como parte integrante de uma cadeia que tem outras etapas tanto ou até mais essenciais: reduzir nossa produção de lixo e reutilizar o máximo de coisas possível. Vem comigo conferir exemplos de como podemos aplicar os 3 Rs no dia a dia



Reduzir
Tudo que é produzido por mãos humanas precisou de bens naturais para ser feito e consumiu recursos para chegar até as lojas. Água foi utilizada, energia foi gasta, gases do efeito estufa foram emitidos na natureza, pneus foram gastos, veículos foram usados, e por aí vai. Quando você reduz sua pegada ecológica, repensa suas compras e seus hábitos de consumo, você reduz a quantidade de lixo que gera diariamente e poupa recursos que seriam utilizados na produção de mais objetos. Afinal, quem faz a demanda é o público: quanto menos as pessoas compram, menos é produzido. Existem várias formas de reduzir nosso lixo. Alguns exemplos:

- Quando for ao supermercado, utilize sacolas retornáveis. As de plástico que o mercado fornece são um veneno para a natureza, pois demoram centenas de anos para se decompor e, quando jogadas ao mar, são facilmente engolidas por animais, que acabam morrendo de fome por causa deste e outros objetos ingeridos (as coisas vão ocupando espaço no estômago dos bichos, deixando pouco espaço para a comida). “Ah, mas onde eu vou colocar o lixo se não tiver sacola plástica?”. Como grande parte dos produtos que compramos vem em embalagens plásticas ou de papelão, você pode usá-las como saco de lixo em casa.



- Falando nisso, você pode carregar sempre consigo uma sacola retornável. Eu tenho uma de pano que levo sempre na bolsa, assim, quando compro algo em qualquer loja, utilizo a minha sacola. 

- Economizar água e energia é uma ótima forma de ajudar o ambiente:
Tomar um banho mais rápido;
Desligar a torneira enquanto escova os dentes, ensaboa a louça, faz a barba, etc;
Apagar a luz ao sair de ambientes;
Desligar aparelhos eletrônicos que não estejam sendo utilizados;
Fechar a porta de ambientes refrigerados com condicionador de ar;
Tirar da tomada aparelhos que não são utilizados com frequência;
Não deixar a porta da geladeira aberta por muito tempo;
Aproveitar a iluminação natural o máximo possível. 

- Pensar dez vezes antes de comprar alguma coisa (roupas, calçados, acessórios, eletrônicos, objetos decorativos, etc.). Será que é mesmo necessário? Vou utilizar quantas vezes? Já não tenho algo parecido que supre minhas necessidades? Depois que eu não quiser mais, como vai ser o descarte do objeto? 

Reutilizar
Quantas vezes achamos que um objeto não tem mais valia quando na verdade ele ainda é útil? Talvez não pra quem tem, mas para outra pessoa. Reutilizar é dar outro destino para uma coisa que você não quer ou não precisa mais, evitando assim que ela vá para o lixo e ao mesmo tempo estendendo a vida útil do objeto. Vejamos alguns exemplos:

- Se você tem irmão mais velho ou mais novo, esta é de praxe. Você pode utilizar roupas que eram dele ou dela ou doar as suas para os caçulas. Uma atitude que dá destino para roupas que não servem mais e evita compras em lojas. E isso serve não apenas para roupas, mas qualquer peça do vestuário e acessórios.

- Consumo colaborativo é uma ótima forma de reutilizar objetos. Você pode vender ou doar objetos e roupas que não são mais úteis para você, como uma mochila, um secador de cabelo, skate ou bicicleta, enfim, qualquer coisa. Você pode também comprar ou trocar itens que perderam a utilidade para seus antigos donos e que podem ser exatamente o que você estava procurando. 



- No trabalho ou na aula, reutilize copinhos de plástico ditos descartáveis. Por que eles devem ser utilizados só uma vez? Mas como eu não gosto de copinhos plásticos, tenho uma ideia melhor ainda: abandone os ditos-cujos e leve consigo sempre uma garrafinha de água. Este é outro hábito meu, sempre levo uma comigo para o trabalho e a pós-graduação. Tem modelos de 250ml e 500ml, que cabem em qualquer bolsa, mochila ou pasta. 

- Se você costuma pegar almoço em restaurante para almoçar em outro lugar, leve seu próprio recipiente de marmita, evitando utilizar as embalagens de alumínio ou isopor que os restaurantes oferecem e que agridem tanto o meio ambiente. A indústria de reciclagem do alumínio é mais abrangente, mas a maioria das embalagens de isopor acaba indo para aterros sanitários, quando não para os lixões. Se você puder almoçar no restaurante mesmo, melhor ainda. 

Reciclar
Se não fosse a reciclagem, melhor não imaginar o tamanho do problema que o lixo causaria no planeta Terra. A tendência é que cada vez mais cidades contemplem o processo de reciclagem. O cenário brasileiro neste quesito é desastroso, com cerca de apenas 10% das cidades reciclando seu lixo. O panorama fica pior quando se descobre que tem cidades que reciclam uma porcentagem muito pequena do lixo. E não são 100% dos materiais que podem ser recicláveis. Por isso é tão importante reduzir e reutilizar. 

Reciclar permite a transformação de algo que seria descartado em algo totalmente novo, pronto para uso. As quatro principais categorias de reciclagem que temos são papel, vidro, plástico e metais, que abrangem uma extensa variedade de objetos que utilizamos. Se você já separa seu lixo, parabéns. Se ainda não, entre em contato com a prefeitura para saber se existem cooperativas de reciclagem na sua cidade e como fazer para começar a reciclar.

Tipos de lixo

Na hora de separar os recicláveis, fique atento a estas informações:
- Lave as embalagens, pois quando elas estão sujas não são recicladas.
- Amasse latas e garrafas pet, assim cabem mais na sacola ou caixa que você deposita o lixo reciclável.
- As caixas de papelão, como do sucrilhos, também podem ser amassadas ou servir de embalagem para outros itens recicláveis. 
- Abra, lave e achate as embalagens Tetra Pak. No site da empresa você encontra os locais que reciclam as caixinhas. 
- CDs, DVDs, brinquedos são recicláveis. Lâmpadas fluorescentes também. Mas quando o assunto for lâmpadas e pilhas, não coloque junto com o lixo reciclável. As lâmpadas podem ser devolvidas na loja onde foram compradas, pois é dever do estabelecimento dar um destino adequado a esses materiais. Se a loja se recusar a aceitar, você pode processá-la. Quanto às pilhas e baterias, existem locais, como escolas e faculdades, que as recolhem para dar destinação correta. Quando jogadas no lixo comum, elas são um veneno para a natureza. 
- Segundo o Manual da Sustentabilidade do Planeta Sustentável, algumas coisas que achamos ser recicláveis não são, pois ainda não inventaram formas de aproveitá-las. Por exemplo: foto, pote mole de iogurte, pacote de salgadinho, pirex, porcelana e cerâmica, saco de cimento, papel celofane, material em E.V.A., rolha de vinho e espelho. De qualquer forma, eu coloco a maioria das coisas no lixo reciclável. Se não for, lá na cooperativa eles separam. O pior é quando o produto pode ser reciclado e a gente coloca no lixo comum. 

Para ficar com os 3 Rs na ponta da língua, nada melhor do uma música para ajudar a nos lembrar da importância de reduzir, reutilizar e reciclar e passar a incorporar essas três palavrinhas na nossa rotina. Jack Johnson canta uma música muito bacana sobre o tema. Coloquei abaixo a letra e a tradução.

Você já é adepto dos 3 Rs? Quais são seus hábitos de redução, reutilização e reciclagem? Compartilhe sua experiência nos comentários! Confira também os posts em que falo sobre os 10 Rs da sustentabilidade e 29 dicas para não sobrecarregar o planeta Terra no nosso dia a dia, além de muitas outras dicas de atitudes e práticas sustentáveis.


The 3 R's                                                            Os 3 Rs 

Three, it's a magic number                                  Três é um número mágico
Yes it is, it's a magic number                               Sim ele é, é um número mágico
Because two times three is six                             Porque duas vezes três é seis
Three times six is eighteen                                  Três vezes seis é dezoito

And the eighteenth letter in the alphabet is R     E a décima oitava letra do alfabeto é R
We got three R's                                                 Nós temos três R's
We're gonna talk about today                             Sobre os quais vamos falar hoje
We gotta learn to                                                 Precisamos aprender a

Reduce, Reuse Recycle (4x)                               Reduzir, Reutilizar Reciclar (4x)
  
If you're going to the market to buy some juice    Se você vai ao mercado comprar suco
You gotta bring your own bags                            Você precisa levar suas próprias sacolas
And you learn to reduce your waste                    E você aprende a reduzir seu desperdício
We gotta learn to reduce                                     Nós precisamos aprender a reduzir

And if your brothers or your sisters                     E se seus irmãos ou irmãs
Got some cool clothes                                        Tem roupas legais
You can try them on                                            Você pode experimentá-las
Before you buy some over those                        Antes de comprar mais
Reuse                                                                 Reutilizar
We gotta learn to reuse                                      Nós precisamos aprender a reutilizar

And if the first two R's don't work out                  E se os primeiros dois R's não funcionarem
And if you gotta make some trash                      E você precisar gerar lixo
Well don't do it all                                               Não o faça
Recicle                                                               Recicle
We gotta learn to recicle                                    Nós precisamos aprender a reciclar

Reduce, Reuse Recycle (4x)                              Reduzir, Reutilizar Reciclar (4x)

Because three, it's a magic number                   Porque três é um número mágico
Yes it is, it's a magic number                             Sim ele é, é um número mágico

Three, three, three, three                                 Três, três, três, três
Three six, nine, twelve, fifteen                          Seis, nove, doze, quinze
Three                                                               Três
Eighteen, twenty-one, twenty-four,                   Dezoito, vinte e um, vinte e quatro,
twenty-seven                                                    vinte e sete
Three                                                               Três
Thirty, thirty-three, thirty-six                             Trinta, trinta e três, trinta e seis
Three                                                               Três
Thirty three, thirty, twenty-seven                      Trinta e três, trinta, vinte e sete
Three                                                               Três
Twenty-four, twenty-one, eighteen                   Vinte e quatro, vinte um, dezoito
Three                                                               Três
Fifteen, twelve, nine, six and                            Quinze, doze, nove, seis e 
Three                                                               Três
It's a magic number                                          É um número mágico
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O poder da natureza nas Cavernas de Botuverá

Por Letícia Maria Klein •
06 fevereiro 2014

O silêncio é absoluto e imponente, interrompido apenas pelas gotas de água que caem no chão em alto e bom som. Quando as luzes são apagadas, somos envolvidos pelo breu total, não dá para enxergar absolutamente nada. É quando se sente o poder de 65 milhões de anos de história. Estou nas Cavernas de Botuverá, localizadas no Parque Municipal das Grutas. A cidade fica a 63 quilômetros de Blumenau, coladinha no município de Brusque. É bem fácil chegar ao parque, mas tem que ir devagar. Do centro de Botuverá até lá são 14 quilômetros de estrada de terra bem sinuosa. Este passeio, assim como o da praia de Zimbros, fiz com meu namorado. Saímos de manhã, quase 9h e chegamos às 10h30 no parque, mais ou menos. Bem a tempo de tirar umas fotos das águas da cachoeira que chegam ao Rio Itajaí-Mirim e se preparar para o passeio que começava às 11h. O roteiro dura 45 minutos. Passa muito rápido, mas é o suficiente para se maravilhar com as formações rochosas esculpidas pela natureza ao longo de milhares de anos e que continuam a se transformar, gota após gota. 


As cavernas foram encontradas por caçadores em 1940, diz nosso guia. Ele leva o grupo de 15 pessoas (o máximo permitido em cada passeio) pelas três galerias abertas ao público. Subimos e descemos 400 degraus até o terceiro salão. Parece muito, mas nem dá pra sentir. Eu fiquei tão fascinada com as estalactites e estalagmites que não queria parar de admirar. É lindo demais, um trabalho primoroso da natureza. A água que forma os espeleotemas (nome das diversas formações rochosas de uma caverna) vem da chuva, que ao escorrer pela gruta, carrega sedimentos e minerais que vão formando as estruturas. A água também foi responsável por formar a caverna em primeiro lugar, na forma de um córrego que corria em seu interior. Ao todo, as grutas têm 1.200 metros de extensão e nove galerias. Seis são fechadas para preservação e pesquisa. 

Córrego dentro do parque que deságua no Rio Itajaí-Mirim 

Todo o cuidado é pouco nas grutas. Ao entrar e passear nas cavernas, nós estamos invadindo um ecossistema que estava preservado e intocado há milhares de anos, então não se pode fazer nada que venha a prejudicar ou estragar o ambiente. Não é possível, por exemplo, tirar fotos nem tocar nas formações, para não deteriorá-las. Existem muitas espécies de animais que moram nas cavernas, então não podemos perturbar o ambiente. São sete de morcegos e 35 de invertebrados, como grilos, minhocas, escorpiões, aranhas e animais endêmicos. Durante a visita, eu não vi nenhum. Apenas no final, já perto da saída, quando eu perguntei ao guia se ele já tinha visto um morcego. Foi quando ele disse “vários” e apontou a lanterna para o teto, onde um morceguinho estava dormindo. Não sei vocês, mas eu os acho tão fofinhos. O bichinho estava todo enrolado em suas asas, parecendo uma trouxinha, e era bem pequeno.


Escadas que levam à entrada das cavernas

É bem fresco dentro da caverna e liso também, devido à água. Por isso, todos devem usar tênis. Também para segurança, tem corrimãos ao longo do trajeto e precisamos usar capacete para não bater no teto, quando ele é baixo. Um item muito importante, diga-se de passagem (pois é, né, imagina se eu não bati a cabeça). Tem uma formação mais linda que a outra nas grutas. Estalactites afiadas e grandes pendem do teto, às vezes se encontrando com estalagmites e formando uma coluna fabulosa. Sabe quando você está na praia, pega um punhado de areia molhada na mão e vai deixando ela cair em montinhos até o chão, formando uma torre ou monte? Tem espeleotemas que têm um formato parecido, só para dar uma ideia da aparência de alguns. O mais fascinante é saber que aquelas formações levam milhares de anos pra se formar. Elas crescem um centímetro cúbico a cada 100 anos. Repetindo, um centímetro cúbico por século! Um trabalho lento e belo. Símbolo ao mesmo tempo do poder da natureza e da sua fragilidade. 


Foto oficial disponível no site da prefeitura de Botuverá

O guia contou que houve época em que as pessoas retiravam pedaços de estalactites para fazer órgãos, o instrumento musical. A natureza leva milhares de anos para esculpir ambientes magníficos e o homem vai lá e acaba com tudo em um minuto. Quando o respeito por outras formas de vida for uma coisa inerente a todo ser humano, todas as espécies do mundo viverão em paz, pois a preservação vai acontecer naturalmente. 


Era bem destas formações aqui que eram retirados pedaços para fazer órgãos
Foto oficial disponível no site da prefeitura de Botuverá

Saindo da caverna e voltando ao local de atendimento, percorremos uma pequena trilha que leva a uma cachoeira. Tinha algumas pessoas na água e nos deu uma vontade tamanha de nadar também. Mas já tínhamos planos de seguir para outra cachoeira. O caminho para ir até ela fica antes do Parque Municipal das Grutas, numa transversal da estrada principal. Ao chegar, me surpreendi com o número de pessoas. Estava lotado! Como era domingo e estava muito quente, dá pra entender o porquê. O lugar se chama Recanto Feliz e tem cabanas para alugar. Estacionamos o carro e fomos a pé até o laguinho que se forma embaixo da cachoeira. 


Borboleta no parque

A água estava bem gelada, uma delícia naquele calor. Foi a primeira vez que visitei uma cachoeira, estava mega feliz. Tinha vários peixinhos e vi também um caranguejo. Mas uma dica importante: já vá com a roupa de banho, pois só tem um banheiro perto do estacionamento. Como lá cima não tem, entrei com a roupa do passeio mesmo e voltei de biquíni pra casa. Sem problemas, por que valeu muito a pena. E eu não fui a única a fazer isso, tinha outras pessoas nadando com roupas não de banho.


Cachoeira no Recanto Feliz

Que passeio fantástico! O parque fica aberto de terça-feira a domingo e a entrada para as cavernas custam R$ 12,00 inteira e R$ 6, 00 meia. Muito barato, vamos combinar. Se você ficou interessado, super recomendo. Estar em meio à natureza é, pelo menos pra mim, uma das melhores coisas do mundo.
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