A Teia da Vida – Resenha

Por Letícia Maria Klein •
20 novembro 2014





“Isto sabemos, todas coisas estão ligadas como o sangue que une uma família... O que acontecer com a Terra acontecerá com os filhos e filhas da Terra. O homem não teceu a teia vida, ele é dela apenas um fio. O que ele fizer para a teia estará fazendo a si mesmo”. 
- Ted Perry, inspirado no Chefe Seatle. 





Esta frase abre o livro A Teia da Vida, escrito pelo físico e ambientalista Fritjof Capra após 10 anos de pesquisas sobre teorias e estudos científicos que levaram à visão sistêmica da vida. Ecologia profunda, movimento romântico, biologia organísmica, cibernética, pensamento sistêmico, tectologia, laços de realimentação, estruturas dissipativas, cognição, sistema de Gaia, teoria da complexidade, teoria do caos, teoria de Santiago e outros estudos comprovaram a existência da teia da vida, a interligação e a interdependência entre todos os seres vivos, estruturas e elementos presentes no Planeta Terra e no universo (afinal, o que seria de nós sem o sol?). 

Abordando os acontecimentos em ordem cronológica, Capra conseguiu conectar todas as teorias e estudos com maestria, refletindo, através de sua escrita e narrativa, o que os próprios cientistas comprovaram em suas pesquisas: a conectividade, inter-relação e interdependência entre todos os pontos da teia da vida. Além disso, o livro tem o mérito de falar de questões científicas com uma linguagem acessível, menos técnica. 

Ao longo do texto, Capra vai nos mostrando como o planeta Terra é uma rede, uma cadeia viva de eventos que vão se relacionando e se modificando mutuamente. É um sistema, a Terra e todos os seres e elementos que nela existem fazem parte de um sistema. Do grego, a palavra sistema significa “colocar junto”, portanto, a visão sistêmica das coisas diz respeito a colocá-las dentro de um contexto e estabelecer qual a natureza das suas relações. E quando o “eu”, cada um de nós, se vê pertencente ao meio ambiente, não são necessárias advertências morais para que eu preserve o meio, pois o meu comportamento seguirá naturalmente a ética ambientalista. 

No capítulo final do livro, Capra faz uma reflexão sobre o surgimento da visão fragmentada de mundo e expõe a necessidade de recuperarmos “nossa plena humanidade e nossa experiência de conexidade com a teia da vida”. É olhar para a natureza e para as relações naturais como um modelo a ser seguido pelas comunidades humanas.

“Reconectar-se com a teia da vida significa construir, nutrir e educar comunidades sustentáveis. [...] Ser ecologicamente alfabetizado, ou “eco-alfabetizado”, significa entender os princípios de organização das comunidades ecológicas (ecossistemas) e usar esses princípios para criar comunidades humanas sustentáveis” (p. 231). 

Os seres humanos são apenas uma dentre milhares de espécies e necessitam da natureza e seus bens tanto quanto qualquer outra para sobreviver. É isso que a maioria das pessoas esquece. Os humanos não existem sozinhos, nós precisamos da natureza, da teia da vida, para sobreviver. Não é lutando contra ela que conseguiremos “progredir”, é se aliando a ela. Como disseram Margulis e Sagan, estudiosos do microcosmo, (apud Capra, p. 185), “a vida não se apossa do globo pelo embate, mas sim, pela formação de redes”.

2 comentários:

  1. Gostei do blog. Como diz Aline: “O mal que está no mundo, está no homem e a natureza responde como um reflexo”. Vamos cuidar da natureza! https://www.youtube.com/watch?v=-SQ-HK4O4v8&feature=share&list=UUBvY_tI9xN0wVbBqJMxSr6g

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    1. Olá, Luz.
      Que bom que você gostou, fico feliz! As pessoas precisam entender que são meio ambiente e precisam parar de achar que estão fora do meio, como um elemento à parte. Interessante o vídeo.
      Obrigada pelo comentário. =)

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