A grande aventura vai começar!

Por Letícia Maria Klein •
28 dezembro 2014

No dia 31 de dezembro eu embarco para a maior aventura da minha vida até hoje. Durante quase dois meses, vou participar de um projeto de educação ambiental em Pitesti, na Romênia, voltado para adolescentes! Será um grande desafio e eu estou com muito frio na barriga, mas vou me jogar de cabeça e extrair o máximo de aprendizado e conhecimento desta viagem. Adquirir experiência no trabalho de educação ambiental, fazer novos amigos, conhecer muitos lugares e outras culturas (haverá outros intercambistas lá participando de outros projetos), crescer como pessoa, causar impactos positivos e me surpreender!

Eu consegui esta viagem através da AIESEC, uma ong gerida por jovens que oportuniza intercâmbios sociais voluntários (o que eu vou fazer) e profissionais para jovens em todo o mundo com o objetivo de desenvolver a liderança e causar impactos positivos na região de destino. Assim que eu conheci a organização, eu estabeleci a meta pessoal de fazer um intercâmbio e poucos meses depois, em outubro, eu já estava com tudo pronto.

Vou montar um diário de bordo aqui no blog para contar sobre o andamento do projeto e as atividades desenvolvidas com os adolescentes. Pretendo fazer posts com bastante frequência e postar muitas fotos e vídeos também! Serão sete semanas de imersão em uma cultura super diferente da nossa, convivendo com pessoas de países diferentes e superando desafios diariamente. Eu sempre quis fazer um intercâmbio e agora eu tenho a oportunidade de realizar um fazendo o que eu mais gosto na vida, que é trabalhar em prol do meio ambiente e de uma sociedade sustentável

Quer embarcar comigo nesta aventura? Então fique ligado no blog e nas redes sociais para muitas novidades e surpresas!


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6 maneiras de celebrar o Natal sem dar presentes

Por Letícia Maria Klein •
19 dezembro 2014

O que as datas comemorativas significam pra você? Já faz um tempo que eu mudei minha visão sobre dar presentes em datas como Natal e Páscoa. O que mais se vê nestas épocas são anúncios e propagandas de lojas incentivando as pessoas a comprar e comprar e comprar. A impressão é que o verdadeiro significado destas datas se perdeu em meio à “tradição” opressiva e fanática de ter que dar um presente físico, que na maioria das vezes as pessoas não precisam e que vai gerar lixo. Para mim, as datas comemorativas servem para celebrarmos sentimentos, momentos e pessoas que nos são caras. Eu gosto da ideia de acumular experiências e momentos, não objetos materiais. Por isto, listei algumas maneiras de comemorar o Natal, e outras datas, de forma sustentável, evitando a compra de coisas desnecessárias e a geração de lixo a partir das embalagens e outros materiais.

  • Fazer um piquenique com a família e/ou os amigos. Dê preferência a alimentos que não vêm em embalagens, como frutas e também bolachas caseiras ou bolos que você pode fazer ou comprar na feira. Com bebidas, a mesma coisa. Faça sucos, chás e café em casa e leve em suas próprias garrafas permanentes ou térmicas. Guardanapos de pano também tornam o piquenique sustentável. Um delicioso momento que pode render memórias maravilhosas. 
  • Juntar a galera para uma tarde de filmes, séries ou jogos, ir ao cinema ou teatro. Super divertido, com certeza vai render muitas risadas. Para os comes e bebes, fica a dica anterior. 
  • Conhecer novos lugares, mesmo que na sua própria cidade. Nosso tempo é curto, corrido e às vezes a gente não pára nem pra olhar para o lado. Aproveite esta época de descanso para prestar atenção ao seu redor e conhecer lugares novos. Todos podem dividir o mesmo veículo, ir de ônibus ou passear por aí de bike. Um passeio em família ou amigos que com certeza vai ficar marcado na memória. 
  • Fazer um almoço ou jantar em casa com a ajuda dos amigos. Você celebra a amizade e se alimenta de forma melhor. Claro, não vale congelados nem alimentos prontos! A diversão está em justamente preparar tudo, não é mesmo? Alimentos orgânicos e frescos são a melhor opção, tanto para a saúde quanto para o meio ambiente.
  • Fazer um trabalho voluntário. Não existe presente melhor, seja dar ou receber. Na verdade, é geralmente aquele que pratica quem mais recebe.
  • Doar roupas, acessórios, sapatos, decoração e tudo o que você não precisa. Desapegar faz bem e dá a sensação de liberdade, além de saber que você vai ajudar quem não tem. 
E você, como costuma comemorar o Natal? Compartilhe suas tradições e sua opinião sobre dar presentes.
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Como foi? – CNJLZ (parte 2)

Por Letícia Maria Klein •
16 dezembro 2014

Depois de compartilhar as mensagens dos palestrantes internacionais no primeiro post sobre o Congresso Nacional Juventude Lixo Zero, vou falar um pouco sobre as iniciativas brasileiras que estão fazendo a diferença em prol de uma sociedade socialmente justa, economicamente viável e ambientalmente sustentável (as fotos são dos organizadores). É possível, está acontecendo e só mostra como cada um pode contribuir muito no seu dia a dia através de boas atitudes e bons exemplos. 



Bruno Lopes falou sobre o projeto Bairro Educador, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro e executado pela organização CIEDS (Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável), da qual faz parte. O projeto foi realizado de junho de 2010 a agosto de 2013 e teve o objetivo de promover o desenvolvimento integral dos estudantes, ampliando as oportunidades de educação. Algumas das ações desenvolvidas foram: feira literária, em que resíduos recicláveis eram trocados por livros, ocupação dos bairros com atividades educativas, reaproveitamento de alimentos, estudo sobre o rio e métodos de preservação, trilhas educativas e lixo nos oceanos. 

Bruno Lopes

A mesa-redonda foi formada por Eduardo Jorge, candidato à presidência da república pelo Partido Verde, Francisco Luiz Biazini Filho, sócio da empresa Rederesíduo, Ana Aparecida Pereira, coordenadora da área de gestão e inclusão produtiva na Secretaria de Assistência Social e Anderson Ramalho da Silva, coordenador da cooperativa de catadores de recicláveis Cooperpar. Falou-se que 30% dos gases de efeito estufa gerados na cidade de São Paulo provêm do lixo. Como o lixo é problema de todos, a responsabilidade é compartilhada e os processos industriais precisam ser circulares (extração-produção-consumo-reaproveitamento). Em Joinville, há 10 grupos de trabalhadores em cooperativas, um total de 200 pessoas, que trabalham em condições bem melhores do que os catadores de resíduos. Porém, a cooperativa de reciclagem não recebe capital financeiro pelo acolhimento e triagem dos resíduos, apenas pela venda. 

Um dos principais problemas é a falta de informação que a população tem sobre o que são resíduos orgânicos, recicláveis, entre outros tipos de lixo. O mercado da compostagem (produção de adubo com restos de alimentos e podas de plantas para fins de fertilização do solo no lugar de produtos químicos) é um ótimo negócio, pois reaproveita matéria-prima que estaria sendo enterrada, gerando gases de efeito estufa que pioram o aquecimento global, e gera renda. O lixo só existe porque existe demanda e a demanda somos nós quem fazemos. Por isso, é preciso que cada uma faça a sua revolução pessoal para reduzir a quantidade de resíduos que produz. 


Da esquerda para direita: Ana, Francisco, Anderson e Eduardo

Luiz Ricardo Berezowski falou sobre o Nat-Genius, um modelo de negócio da empresa Embraco que oferece soluções de operação reversa e desenvolvimento de novos produtos originados a partir de eletrodomésticos de linha branca (como geladeiras e máquinas de lavar) e equipamentos de refrigeração comercial descartados ao final da vida útil. O reuso destes materiais em outros processos industriais reduz o consumo de recursos naturais e o envio de resíduos a aterros sanitários. Já são duas fábricas em Joinville, que têm capacidade de manufaturar reversamente um milhão de compressores e 100 mil peças de linha branca por ano. O ano de 2014 fechou com a manufatura reversa de 900 mil compressores. 

Luiz passou alguns dados bem alarmantes sobre o consumo de recursos minerais. Elementos como o ouro, a prata, o zinco e o urânio devem desaparecer em 50 anos. Para se produzir um grama de ouro são necessários de duas a cinco toneladas de outros minérios. O ouro está presente em diversos objetos que usamos no dia a dia, inclusive celulares. Além disso, uma das maiores preocupações relacionadas ao lixo é a quantidade de plásticos descartados que vão parar nos oceanos, matando um milhão de aves e 100 mil animais marinhos todos os anos, principalmente as tartarugas (86% delas já ingeriram plásticos). Existem bolsões de plásticos nos oceanos que contém 3,5 milhões de pedaços por km²!!! Isto é assustador!!! 

Em 2050, o estilo de vida capitalista e consumista de boa parte da população da Terra vai requerer três planetas para atender a demanda. Mas adivinha só? Só temos um! Os bens naturais são finitos e o espaço da Terra é limitado, por isso é urgente sairmos do sistema linear de produção e consumo e adotarmos o sistema circular, em que os resíduos são todos reaproveitados de alguma forma (entenda mais no vídeo abaixo). 


O segundo dia do congresso foi destinado ao movimento Lixo Zero, com transmissão dos valores, ações e projetos do movimento. Já o último dia teve um momento muito especial em que várias pessoas se comprometeram a levar o JLZ para suas cidades (vamos que vamos!). Também teve a palestra de um convidado especial, Tião Santos, conhecido mundialmente pela participação no documentário Lixo Extraordinário, que acompanhou o trabalho do artista plástico Vik Muniz no extinto lixão de Gramacho. Ex-catador de lixo, Tião ajudou o lixão de Gramacho a virar uma indústria de reciclagem e hoje tem uma empresa de consultoria. 

Tião Santos

Que palestra fantástica!! “Mirar pequeno é acertar grande”. Esta frase foi uma das primeiras de Tião e me marcou, pois não é difícil escutar pessoas, inclusive próximas, que acham que as pequenas atitudes que elas podem tomar na rotina não valem nada na luta pela preservação. Vamos a alguns dados bem interessantes que Tião passou: o Brasil produz hoje 240 mil toneladas de lixo por dia, cerca de 1,5 kg por pessoa. Dos resíduos recicláveis (cerca de 40% do lixo gerado), apenas 2% é reciclado. Em termos financeiros, isto representa um desperdício de 8 bilhões de reais por ano. Mas o Brasil se destaca na reciclagem de latas de alumínio (98% voltam à cadeia produtiva). 


Cartaz do filme

Uma grande alteração no lixão de Gramacho foi a mudança de visão que os trabalhadores tinham de si mesmos. Eles se viam como catadores de lixo e como o lixo é visto como sem valor pela maioria das pessoas, eles consequentemente achavam que não tinham valor para a sociedade. Passar a ter a consciência de que eles eram catadores de materiais recicláveis, ajudando a preservar o meio ambiente e gerando renda a partir daquele trabalho, fez toda a diferença. “Reciclagem não é coisa de gente pobre, é coisa de gente inteligente”, disse Tião, que deixou muito claro a necessidade de apostar na educação das crianças e na reeducação dos adultos.

Aqui termina o relato do Congresso Nacional Juventude Lixo, que trouxe novas perspectivas para minha vida, caminhos que estou super empolgada para seguir e que, com o trabalho do grupo Lixo Zero Blumenau, espero que rendam muitos frutos! =)
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Como foi? – CNJLZ (parte 1)

Por Letícia Maria Klein •
09 dezembro 2014

O 1º Congresso Nacional Juventude Lixo Zero foi fan-tás-ti-co!! Aconteceu na cidade de Joinville/SC, de 7 a 9 de novembro de 2013. Eu falei rapidamente sobre o movimento neste post, convidando quem quiser ajudar a trazer o movimento para Blumenau. Agora vou contar um pouquinho sobre o que rolou lá no evento. Teve até palestrante internacional e candidato à presidência do país. Como foram três dias de congresso, haverá mais de um post sobre ele (as fotos são dos organizadores do evento – fiquei tão absorta pelas palestras que esqueci de tirar foto!).


Quem abriu o primeiro dia de atividades foi o presidente do Instituto Lixo Zero Brasil, Rodrigo Sabatini, que apresentou dados e informações muito importantes sobre resíduos. Você sabia que a cada 10 mil toneladas que vão para um aterro sanitário, gera-se apenas um emprego? Em compensação, a cada 10 mil toneladas enviadas para a compostagem são gerados de quatro a sete empregos; para a reciclagem, de 20 a 25 empregos; e para o reuso de resíduos, mais de 200 empregos. 

Sabatini disse que a sociedade encara como lixo o que é considerado desorganizado, feio e sujo. Então porque um copo de plástico usado para beber água é considerado lixo? O problema está não apenas na concepção que se tem da palavra, mas também na mistura de resíduos. Por exemplo: um copo de plástico usado é reciclável e uma casca de banana pode virar adubo através da compostagem. Mas se você misturar os dois, o resultado será lixo, pois o reaproveitamento fica mais difícil. E é somente quando ocorre esta mistura que o problema do lixo e sua retirada das nossas vistas se tornam urgentes. Se os resíduos recicláveis estiverem limpos e separados dos resíduos orgânicos, não há pressa em tirar o “lixo” das casas e das ruas, pois não haverá cheiro. 

Rodrigo, com um copo de plástico,
demonstrando a questão da mistura do lixo

Logo em seguida, foi a vez da Beatrice Johnson falar. Ela é francesa e começou a ter uma vida lixo zero em 2011. Ela compartilha seu estilo de vida no blog Zero Waste Home, tem um livro lançado e é consultora nesta área. Toda a família (o marido e os dois filhos) é adepta do movimento lixo zero e também do minimalismo. Para conseguir ser zero waste na prática, ela segue os 4Rs da sustentabilidade: recusar, reduzir, reutilizar e reciclar (e apenas nesta ordem, como deixa bem claro). 

Esta é a Bea...

Recusar tudo que possa gerar resíduos, como cartões de visita, folhetos, sacolas plásticas, brindes, cancelar correspondências desnecessárias etc. Reutilizar sacolas ecológicas, potes para feiras e supermercados, roupas de brechó. Reciclar apenas o que não pode ser recusado ou reutilizado. O negócio é evitar o plástico a todo custo. Ela faz os próprios produtos de limpeza e higiene e compra tudo em lojas que vendem produtos a granel ou sem embalagens, utilizando ecobags e jarras ou potes para carregar as compras. Ela também criou um aplicativo que procura locais que vendem comida sem embalagens. 

... E esta é a quantidade de lixo (sem nenhuma utilidade mesmo) que ela e 
a família produziram durante o ano de 2013! (Esta foto é do blog dela). 

Também da França, mas morando nos Estados Unidos, Camille Duran fez uma apresentação muito motivadora. Ele é diretor executivo da Green White Space, uma organização sem fins lucrativos especializada em design social e inovação, uma organização guarda-chuva que desenha, desenvolve e opera empresas sociais. Sabe pra quem ele trabalha? Para o planeta Terra. Adorei quando ele disse isso, também quero! O reuso e a reciclagem criam muitos trabalhos e geram a economia solidária, uma forma de produzir e consumir que valoriza as pessoas e as experiências ao invés do dinheiro e da posse. Precisamos pensar o reuso e a reciclagem como economia

O sueco Pal Martensson também compareceu ao evento e falou sobre o Kretsloppsparken, o primeiro eco parque do mundo, do qual é diretor. Pal é especialista em gerenciamento de resíduos sólidos e diretor do departamento de água e gestão de lixo da cidade de Gotemburgo, na Suécia. No parque, as pessoas podem levar produtos para serem reciclados, doar e comprar itens usados, fazer refeições em um restaurante com alimentos orgânicos e participar de atividades de educação ambiental. Ele também falou sobre o problema da incineração, que desperdiça resíduos que poderiam ser reciclados ou decompostos, o que geraria muito mais renda e empregos. Nós precisamos parar de incinerar e enterrar os resíduos que podem ser reaproveitados.

Pal Martensson

No próximo post, vou mostrar projetos brasileiros, compartilhados no evento, que estão gerando muitos benefícios socioambientais. ;)
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Como foi lá? – EBEA 2014

Por Letícia Maria Klein •
02 dezembro 2014

Esta foi a primeira edição do Encontro Blumenauense de Educação Ambiental, resultado de muito esforço e dedicação por parte da Secretaria de Educação e da Fundação de Meio Ambiente. Foram dois dias (5 e 6 de novembro) com palestras, oficinas, exposições de projetos e apresentações de teatro. Vou falar um pouquinho sobre as sessões das quais pude participar, no segundo dia de evento. Tinha muita coisa boa!!


O dia já começou da melhor maneira. Ricardo Harduim inovou ao abrir a palestra recitando como poesia a música "Saga da Amazônia", de Vital Farias (esta aqui). Show de bola! Ricardo faz parte da organização Prima - Mata Atlântica e Sustentabilidade, que tem o Carbono Zero como um dos projetos. O aquecimento global é um dos piores problemas da atualidade devido a suas graves consequências e foi sobre a neutralização do carbono que ele foi falar no EBEA. 

Ricardo Harduim

A instituição faz a compensação do carbono através do plantio de árvores. Há a adesão por parte de várias empresas, escolas, museus e até artistas. Ney Matogrosso, por exemplo, fez a compensação de carbono de uma de suas turnês. A quantidade de emissão de gases de efeito estufa que foram geradas na turnê foram compensadas com o plantio da quantidade de árvores necessárias para absorver os gases emitidos. 

A pegada ecológica das pessoas - a marca que nós deixamos no planeta com nossas atitudes e estilos de vida - supera em 30% a capacidade de regeneração da Terra, o que significa que nós consumimos e utilizamos os bens naturais muito mais rápido do que o planeta consegue repor. Se continuarmos neste ritmo, bens como água limpa e petróleo não durarão muito tempo. 

Uma das partes que mais chamou a atenção foi quando ele mostrou esta imagem sobre Ego x Eco. A espécie humana não é soberana, ela é apenas mais uma na teia da vida. Muitas pessoas se veem como no topo de uma pirâmide hierarquizada, mas não existe hierarquia na natureza, existem redes. Como numa rede, quando um ponto é afetado, todos os outros também sentem. O ser humano não apenas faz parte do meio ambiente, nós somos meio ambiente. Preservar a natureza significa preservar nossa própria espécie.


A segunda palestra a que eu assisti foi sobre a Rede Internacional de Escolas Criativas, ministrada pela professora da Furb, Vera Lucia Simão. A RIEC surgiu em 2012 e hoje está presenta em nove países. As escolas criativas propõem a ecoformação, uma maneira integradora, racional e sustentável de entender a ação formativa em relação com o sujeito, a sociedade e a natureza. Elas trabalham questões de transdisciplinaridade, autoformação (formação do eu) e heteroformação (formação com o outro), vínculos interativos, desenvolvimento humano, caráter sistêmico e relacional, caráter flexível e integrador, princípios e valores de meio ambiente. Aqui em Blumenau, a Escola Visconde de Taunay é certificada como escola criativa.

Em seguida, o professor Karlan Rau falou sobre as trilhas interpretativas, as trilhas que existem em parques abertos à visitação. Ele apresentou os vários tipos de trilhas, seus componentes e o que deve ser analisado na hora de estruturar uma trilha na floresta. As trilhas podem ser guiadas (com monitor) ou autoguiadas (onde há placas, painéis e outros materiais que auxiliam os visitantes no trajeto). 

Professor Karlan

A última palestra que eu vi foi ministrada pelo educador ambiental da Faema, José Sommer, e a coordenadora curricular da Secretaria de Educação, Denise Maas Vieira. O tema foi educação ambiental e a escola como espaço educador sustentável. Eles falaram que a transversalidade deve ser parte da educação ambiental e que a dimensão social precisa estar incorporada, pois apenas assim as pessoas percebem as relações de interdependência e mutualidade entre os seres vivos e elementos que compõem o meio ambiente. 

Sociedades degradadas degradam o meio ambiente e vice-versa, visto que uma sociedade que não entende o valor intrínseco das coisas, dos seres vivos, dos elementos naturais, não respeita o meio onde vive, ao mesmo tempo em que um meio poluído e destruído só vai contribuir para a extinção da espécie. Não dá pra pensar ecologia sem interferência humana e a noção de que a tecnologia vai resolver os problemas é uma falsa premissa, pois é preciso primeiro evitar que o problema apareça. Como disse Léon Tolstói na obra Guerra e Paz, "todo mundo pensa em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo" e isto é impossível. Outro ponto citado na palestra foi que os educadores ambientais são parte fundamental do processo de mudanças em prol de sociedades sustentáveis, porém o sistema escolar carece de educadores ambientais atualmente.

Além das palestras e oficinas, nos corredores do campus 1 da Uniasselvi, onde foi realizado o encontro, alunos de várias escolas expuseram os trabalhos que fizeram durante o ano voltados à sustentabilidade e preservação ambiental. Também havia distribuição de mudas e duas esculturas feitas a partir de materiais recicláveis. 

Fonte: Grupo Uniasselvi.

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Fonte: Grupo Uniasselvi.

No próximo post sobre os últimos eventos, vou falar sobre o Juventude Lixo Zero, onde eu me tornei embaixadora do movimento em Blumenau.
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A Teia da Vida – Resenha

Por Letícia Maria Klein •
20 novembro 2014





“Isto sabemos, todas coisas estão ligadas como o sangue que une uma família... O que acontecer com a Terra acontecerá com os filhos e filhas da Terra. O homem não teceu a teia vida, ele é dela apenas um fio. O que ele fizer para a teia estará fazendo a si mesmo”. 
- Ted Perry, inspirado no Chefe Seatle. 





Esta frase abre o livro A Teia da Vida, escrito pelo físico e ambientalista Fritjof Capra após 10 anos de pesquisas sobre teorias e estudos científicos que levaram à visão sistêmica da vida. Ecologia profunda, movimento romântico, biologia organísmica, cibernética, pensamento sistêmico, tectologia, laços de realimentação, estruturas dissipativas, cognição, sistema de Gaia, teoria da complexidade, teoria do caos, teoria de Santiago e outros estudos comprovaram a existência da teia da vida, a interligação e a interdependência entre todos os seres vivos, estruturas e elementos presentes no Planeta Terra e no universo (afinal, o que seria de nós sem o sol?). 

Abordando os acontecimentos em ordem cronológica, Capra conseguiu conectar todas as teorias e estudos com maestria, refletindo, através de sua escrita e narrativa, o que os próprios cientistas comprovaram em suas pesquisas: a conectividade, inter-relação e interdependência entre todos os pontos da teia da vida. Além disso, o livro tem o mérito de falar de questões científicas com uma linguagem acessível, menos técnica. 

Ao longo do texto, Capra vai nos mostrando como o planeta Terra é uma rede, uma cadeia viva de eventos que vão se relacionando e se modificando mutuamente. É um sistema, a Terra e todos os seres e elementos que nela existem fazem parte de um sistema. Do grego, a palavra sistema significa “colocar junto”, portanto, a visão sistêmica das coisas diz respeito a colocá-las dentro de um contexto e estabelecer qual a natureza das suas relações. E quando o “eu”, cada um de nós, se vê pertencente ao meio ambiente, não são necessárias advertências morais para que eu preserve o meio, pois o meu comportamento seguirá naturalmente a ética ambientalista. 

No capítulo final do livro, Capra faz uma reflexão sobre o surgimento da visão fragmentada de mundo e expõe a necessidade de recuperarmos “nossa plena humanidade e nossa experiência de conexidade com a teia da vida”. É olhar para a natureza e para as relações naturais como um modelo a ser seguido pelas comunidades humanas.

“Reconectar-se com a teia da vida significa construir, nutrir e educar comunidades sustentáveis. [...] Ser ecologicamente alfabetizado, ou “eco-alfabetizado”, significa entender os princípios de organização das comunidades ecológicas (ecossistemas) e usar esses princípios para criar comunidades humanas sustentáveis” (p. 231). 

Os seres humanos são apenas uma dentre milhares de espécies e necessitam da natureza e seus bens tanto quanto qualquer outra para sobreviver. É isso que a maioria das pessoas esquece. Os humanos não existem sozinhos, nós precisamos da natureza, da teia da vida, para sobreviver. Não é lutando contra ela que conseguiremos “progredir”, é se aliando a ela. Como disseram Margulis e Sagan, estudiosos do microcosmo, (apud Capra, p. 185), “a vida não se apossa do globo pelo embate, mas sim, pela formação de redes”.
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Juventude Lixo Zero

Por Letícia Maria Klein •
11 novembro 2014

O que é lixo pra você? Se considerarmos que lixo é aquilo que “jogamos fora”, então temos uma grande parte de matéria orgânica (restos de comida, cascas de frutas, talos de verduras) e outra grande parte de plásticos, metais, vidro, papel e mais alguns. Como matéria orgânica pode ser composta e virar adubo e a maioria dos outros materiais pode ser reciclada, voltando para a cadeia produtiva, o tal lixo que a gente produz é, na verdade, muito útil! De lixo mesmo, só uma mísera parte que não tem como passar pela compostagem nem pela reciclagem. Sendo assim, uma sociedade sem resíduos sólidos (ou então com muito pouco) é possível, sim!


Por que devemos nos preocupar com o lixo, afinal de contas? Vários motivos super simples. Os bens naturais são finitos, acabam se a gente não souber preservar. O sistema de produção vigente é linear (extração – produção – descarte), em oposição ao sistema cíclico da Terra (ciclos da água, do oxigênio, do carbono, etc.). A onda doentia de consumismo aumenta diariamente a quantidade de “lixo” produzida no mundo e, como a Terra é finita, os espaços são limitados. O descarte aumenta, mas o planeta não. 

Além da questão ambiental, tem-se ainda a parte econômica e social. O índice baixíssimo de reciclagem faz com que o país perca oito bilhões de reais por ano. O trabalho de catadores nos lixões é insalubre e em total desacordo com os direitos humanos. As fábricas de reciclagem e de reuso de materiais geram muitos empregos dignos e de fundamental importância. Já pensou se ninguém passasse na sua casa, na sua rua, para recolher os resíduos? Como os materiais poderiam voltar para a cadeia produtiva se ninguém os separasse? 

Por tudo isto é imprescindível que cada um faça a sua parte no cuidado com a nossa grande casa que é o planeta Terra. Consumir conscientemente e com responsabilidade, fazer compostagem, separar os materiais recicláveis e garantir que eles tenham o destino correto (é importantíssimo não misturar material orgânico com recicláveis, pois os dois juntos viram um rejeito sem utilidade). 

Agora, de volta ao título do post. Juventude Lixo Zero é um movimento em prol de uma sociedade sem lixo, em que os materiais orgânicos viram adubo e os materiais recicláveis são reinseridos na cadeia produtiva, potencializando ao máximo o reaproveitamento de resíduos e a redução ou fim do encaminhamento do lixo para os aterros sanitários. É derivado do movimento Lixo Zero, que surgiu na década de 1970. A vertente jovem (Zero Waste Youth em inglês) nasceu no Brasil em 2011. 

A Aliança Internacional do Lixo Zero (Zero Waste International Alliance – ZWIA) diz que o conceito Lixo Zero representa um objetivo ético, econômico, pedagógico, eficiente e visionário com foco na orientação da sociedade para a mudança do estilo de vida e para práticas que incentivem a sustentabilidade. Ser Lixo Zero é evitar a geração de lixo e responsabilizar-se pelo encaminhamento correto dos resíduos e pela redução do consumo e tomar consciência sobre os resíduos sólidos com a finalidade de promover a logística reversa, redução da poluição, economia de água e energia, conservação da natureza e inclusão social.

Lembra que eu disse que iria participar do 1º Congresso Juventude Lixo Zero que aconteceu neste fim de semana passado em Joinville? Eu participei e tenho uma ótima notícia para compartilhar!! E um convite também...


Gostou, mora em Blumenau ou região e quer fazer parte da Juventude Lixo Zero na cidade? Entre em contato aqui pelo blog ou pelas redes sociais e bora fazer a diferença por um mundo melhor! 
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Dilma e as questões ambientais

Por Letícia Maria Klein •
04 novembro 2014

O primeiro governo de Dilma Rousseff foi um revés para o meio ambiente. Apenas três unidades de conservação criadas (desconsiderando aquelas criadas duas semanas antes do 2º turno e após a eleição), o desmatamento aumentou, a forte aliança com a bancada ruralista permitiu um novo Código Florestal que beneficia mais os latifundiários do que as florestas. Por essas e outras, a presidente reeleita já mostrou que não se preocupa com a preservação ambiental. Isto precisa mudar e cabe a nos cobrarmos medidas e respostas para que ela tenha outra postura no segundo mandato frente às questões ambientais. 

Desmatamento na Amazônia

O desmatamento na Floresta Amazônica aumentou 28% entre agosto de 2012 e julho de 2013 em relação ao mesmo período anterior. Em setembro o aumento foi de 290% comparado com setembro de 2013! De acordo com O Eco, especialistas atribuem o aumento à frouxidão dos mecanismos de controle. Mesmo que o índice caia todo ano, o simples fato dele existir evidencia o verdadeiro problema: a Amazônia está diminuindo de tamanho a cada dia. A solução? Zerar o desmatamento AGORA. É o que afirma e comprova o pesquisador Antonio Nobre (aqui a palestra dele, ó, im-per-dí-vel, vai por mim). 


Uma das principais causas do desmatamento é a extração ilegal de madeira, que, de acordo com o Greenpeace, cortou cinco milhões de árvores entre 2007 e 2012. Falando na ong, ela colocou no ar novamente a campanha (e petição!) “Chega de madeira ilegal”, que revelou esquemas ilegais de exploração, processamento e comércio de madeira no Pará. 

O desmatamento ameaça a biodiversidade, pois reduz o habitat das espécies animais e diminui a quantidade de espécies vegetais, aumenta o aquecimento global e influencia no ciclo da água, gerando um problema que não sai dos noticiários...

Crise da água em São Paulo

Para entender a crise de água em São Paulo, é preciso entender como funciona o ciclo da água. Na fase de evaporação e transpiração, a água dos rios, lagos, oceanos, solo e plantas evapora e se transforma em nuvens através da condensação. Das nuvens, a chuva cai e se infiltra no solo, irrigando as raízes de plantas e reabastecendo lençóis freáticos e aquíferos, que se unirão a rios, lagos e oceanos. A água deles, junto com a evapotranspiração do solo e das plantas, vai formar nuvens e assim o ciclo recomeça. 

Como deu pra perceber, as árvores têm uma grande participação neste processo. Uma árvore adulta evapora, em média, 500 litros de água por dia (o pesquisador Antonio Nobre fala em mil litros). Quando o solo é coberto por vegetação, a infiltração de água da chuva ocorre de forma lenta e controlada, o que diminui a erosão e a lixiviação do solo. Com o desmatamento, o solo não tem mais a vegetação para suavizar a infiltração de água, provocando erosão na terra. O reabastecimento de água dos lençóis freáticos e dos aquíferos também fica comprometido, pois, sem árvores, a água da chuva não penetra no solo e não reabastece as reservas de água subterrânea

A diminuição no abastecimento de água das reservas subterrâneas compromete as nascentes dos rios e acarreta diminuição do volume dos rios e lagos, o que por sua vez diminui a quantidade de evaporação de suas águas. Isto, aliado à ausência de árvores (que deixam de evaporar água), ocasiona a formação de menos nuvens, e consequentemente, menos chuvas, prejudicando assim todo o ciclo da água. Como a chuva é fundamental para a agricultura, quanto menores as áreas de vegetação nativa, maiores serão os danos à produção de alimentos, entre vários outros efeitos graves. 

Então, a próxima vez que você ouvir alguém dizer que não há problema em cortar árvore, não perca a chance de atualizar a criatura! Aproveitando, a Folha de São Paulo fez um especial caprichado sobre a crise de água no estado, olha só

Como a Grande São Paulo chegou à escassez de água LUIS MOURA/ESTADÃO CONTEÚDO

Luis Moura/Estadão Conteúdo


Unidades de conservação

Até outubro de 2014, quase finalizando seu primeiro mandato, a presidente Dilma havia criado apenas três unidades de conservação em todo o território nacional, somando meros 440 km². Em comparação, como mostra esta matéria, os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva foram os que mais criaram. FHC criou 81 UCs, totalizando 215 mil km² e Lula criou 77 UCs, com área total de 267 mil km²

Demonstrando uma (pretensa?) preocupação com a preservação ambiental, Dilma decidiu criar mais sete unidades de conservação a partir do primeiro turno das eleições. Foram estabelecidas três Reservas Extrativistas marinhas no Pará, dois parques nacionais (em Minas Gerais e no Paraná), uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (também em MG) e uma Estação Ecológica no Amazonas. Porém, um dos parques e uma reserva admitem mineração (COMO??? O.O). 

Além das UCs criadas, duas Reservas Extrativistas foram ampliadas. Teoricamente, o Brasil possui agora 320 unidades de conservação federal administradas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Na prática são outros 500... 

Bancada ruralista

A bancada ruralista é aquele grupo de políticos que são latifundiários, donos de terras destinadas à agricultura e à pecuária. São os menos interessados em proteger a natureza, afinal, precisam de espaço para plantar e criar animais. O que eles não percebem é que o desmatamento que eles promovem tem grande impacto no próprio negócio deles (acho que eles faltaram à aula sobre o ciclo da água), no meio ambiente e na sociedade.

De toda a produção do agronegócio, a maior parte vai para biodiesel, industrializados e exportação, enquanto a população brasileira fica com apenas 30% da comida. Além de ser um dos grandes responsáveis pelas mudanças climáticas, é o setor econômico que mais utiliza água doce no país: 72% da água consumida. O agronegócio desmata grandes florestas e emprega mão de obra escrava. Se quiser conhecer mais sobre o assunto, leia este post do blog. 


A pressão da bancada ruralista foi grande e o Novo Código Florestal, aprovado em 2012, trouxe mais benefícios aos latifundiários do que às florestas. Segundo esta matéria, o código reduz em 58% a área desmatada que deveria ser restaurada, anistia 29 milhões de hectares de florestas desmatadas ilegalmente até 2008 e mantém a possibilidade de desmate legalizado para outros 88 milhões de hectares. 


Só com estes quatro tópicos já deu pra ter ideia do quanto precisamos prestar muita atenção às ações da presidente e de todo o governo quanto às questões ambientais e também nos fazer ouvir quando ameaças à vida no planeta estiverem à espreita. 
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Dois super eventos sobre Lixo Zero e Educação Ambiental

Por Letícia Maria Klein •
30 outubro 2014

Na próxima semana serão realizados dois grandes eventos com temas fantásticos relacionados à sustentabilidade e ao meio ambiente. Eles já estavam anotados no calendário aqui ao lado e hoje eu vim trazer mais informações sobre eles. Em Blumenau acontece o Encontro Blumenauense de Educação Ambiental e em Joinville haverá o 1º Congresso Nacional Juventude Lixo Zero. Eu já me inscrevi para participar dos dois e depois compartilho aqui como foi. Participe também! Que tal? Veja mais informações sobre eles abaixo. 

Encontro Blumenauense de Educação Ambiental
Quando: 5 e 6 de novembro (quarta e quinta-feira).
Onde: Uniasselvi/Fameblu – Campus I (em frente ao terminal do Aterro), das 8h às 12h e das 13h30 às 17h. 
Atividades: palestras, oficinas, apresentações e visitas orientadas. 
Inscrição: gratuita.
Objetivos: compartilhar as boas práticas educativas na área ambiental feitas por escolas e centros de educação infantil da rede pública e particular, instituições de ensino técnico e superior, organizações não governamentais, órgãos públicos, empresas privadas e outros segmentos da sociedade. 

1º Congresso Nacional Juventude Lixo Zero
Quando: 7, 8 e 9 de novembro (de sexta-feira a domingo)
Onde: NEA – Núcleo de Educação Ambiental Fabio Perini – Perini Business Park, Zona Industrial Norte da cidade.
Atividades: trilha ecológica, apresentações, palestras e debates. 
Inscrição: R$ 60,00, que inclui acomodação e alimentação durante os dias do evento. Os participantes ficarão alojados em escolas e haverá transporte interno entre o alojamento e o local do congresso.
Objetivos: tornar-se membro do movimento Juventude Lixo Zero, representar sua respectiva cidade como Embaixador, adquirir conhecimentos e técnicas sobre o conceito Lixo Zero e contribuir com o desenvolvimento da organização e seus objetivos. 

Vamos lá, pessoal, chacoalhar a cidade em prol de uma sociedade sustentável!! =)
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Projeto Tamar em Florianópolis

Por Letícia Maria Klein •
21 outubro 2014

Quando era adolescente, eu queria ser bióloga para trabalhar no Projeto Tamar. Sempre achei o máximo poder cuidar de tartarugas e ajudar a preservar a espécie! Tive a oportunidade de visitar a unidade do Projeto Tamar em Florianópolis e comprovei que é mesmo o máximo. O pessoal faz um ótimo trabalho de educação ambiental e de preservação das tartarugas marinhas. Eles ajudam na hora da desova, cuidam das que não conseguiram sair do ninho e reabilitam aquelas que se machucam em redes para que possam voltar ao mar, entre outras atividades. E eu ainda quero trabalhar no Tamar!



Existem três tipos de tartarugas: as que vivem na terra (jabutis), as que vivem em aquários (cágados) e as que vivem no mar (marinhas). O Projeto Tamar se dedica às espécies marinhas, que são cinco no Brasil: tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-verde (Chelonia mydas) e tartaruga-gigante (Dermochelys coriacea). 


Todas as cinco espécies, em seu tamanho real

Adivinha por que a tartaruga-de-pente tem este nome? Porque o casco dela era utilizado para fazer pente, de cabelo mesmo. Imagina! Matar uma tartaruga pra fazer pente!? Usa um garfo, oras, estilo à la Ariel. 

Garfo pra pentear, genial!

Quando eu fui havia duas excursões de escola, uma de crianças e a outra de adolescentes. Foi bem interessante acompanhar a turma dos pequenos e ver como os instrutores do Tamar falam com eles, usando uma linguagem lúdica e falando a língua deles, por assim dizer. E as crianças estavam super empolgadas!

O que chama a atenção mesmo são as tartarugas nos tanques. Durante a desova, alguns filhotes que estão no fundo do ninho (as tartarugas marinhas fazem ninhos na areia da praia) não conseguem subir a pilha de ovos e acabam morrendo. Para evitar que isso aconteça, o Projeto Tamar recolhe estes indivíduos e cuida deles por toda a vida.  quatro tanques na unidade, sendo que um está com filhotes no momento. A maioria das espécies atinge a fase reprodutiva entre os 20 e 30 anos de idade. A diferença entre machos e fêmeas está no rabo (o deles é maior) e nas nadadeiras (os machos têm unhas para poder segurar as fêmeas na hora do acasalamento). 


Este é um filhote de tartaruga-de-pente

O espaço do Tamar em Floripa é muito bacana. Além dos aquários, tem sala de vídeo, onde você assiste a um vídeo de 15 minutos sobre o projeto. Segue o modelo de um telejornal, apresentado por duas tartarugas. Ao longo dos caminhos entre os aquários, há várias placas informativas, objetos e cascos de tartarugas. Tem até uma ossada de golfinho!



As placas dão várias informações sobre as tartarugas marinhas, incluindo os perigos que algumas atividades humanas representam para elas. A pesca e a poluição dos mares são os dois grandes vilões na vida destes animais. As tartarugas acabam se enroscando nas redes de pescas ou ficam presas em anzóis. Para contornar este problema, o Tamar, por meio de campanhas educativas, sensibilização e conscientização ambiental das comunidades locais, promove a busca de alternativas de subsistência não predatórias para os pescadores e suas famílias.

O problema do lixo é grande, principalmente o plástico. Como a tartaruga não tem dente, ela não identifica que está comendo um pedaço de plástico, por exemplo. Ela vai engolindo. Os plásticos no estômago da tartaruga vão ocupando espaço e criando bolsas de ar. A tartaruga, para se alimentar, sobe à superfície para respirar e depois retorna ao fundo do mar. Se o estômago dela está cheio de ar, ela não consegue descer para procurar comida e acaba morrendo de fome


Todos nós podemos ajudar neste quesito, evitando sacolas plásticas e não jogando lixo fora da lixeira. Outra forma de ajudar é fazer doações ao Tamar ou comprar os produtos, que são criados pelas comunidades envolvidas na preservação das tartarugas-marinhas. Pra terminar, um clipe bem legal que o grupo Dazaranha gravou para o projeto. 


Gostou? Já conhecia? Já visitou alguma unidade do Tamar pelo Brasil? São mais de 20 unidades ao longo do litoral brasileiro. Se tiver a oportunidade de visitar, visite, vale muito a pena!
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A família aumentou: Os 10 Rs da sustentabilidade

Por Letícia Maria Klein •
10 outubro 2014

Os 3 Rs da sustentabilidade já são bem famosos. Reduzir, reutilizar e reciclar viraram até música, como eu mostrei neste post sobre o trio. O tempo passou, as circunstâncias mudaram e a família dos erres amigos do meio ambiente cresceu. Algumas listas trazem quatro, outras seis, sete e até oito. Juntando daqui e dali, decidi deixar o grupo ainda maior. Conheça os 10 Rs da sustentabilidade


Recusar produtos que agridem a natureza em qualquer estágio de sua produção, desde a extração de matéria-prima ao descarte. Recusar produtos ou serviços de empresas que não respeitam a legislação ambiental, que usam mão de obra escrava ou que fazem testes em animais. Uma pesquisa rápida na internet revela muito sobre produtos e empresas. Também vale entrar em contato com a companhia para tirar suas dúvidas.

Repensar e refletir sobre atitudes diárias, especialmente de consumo, e como elas impactam o meio a nossa volta. Tudo que a gente faz a cada dia provoca impactos, sejam positivos ou negativos. O segredo está em agir de uma forma que gere o mínimo impacto negativo possível. O consumo consciente é um grande aliado nesse processo e existem várias cartilhas na internet cheias de dicas de como colocá-lo em prática no dia a dia. 

Reduzir nossa pegada ecológica, a marca que deixamos no planeta ao viver e consumir. O consumismo é prejudicial à vida na Terra e gera um dos principais problemas ambientais da atualidade: o lixo. Reduzir o impacto negativo sobre o planeta é agir com consciência, responsabilidade, pensamento coletivo, respeito aos seres vivos e respeito aos bens naturais dos quais tanto dependemos. 

Reutilizar aquilo que seria descartado, dando-lhe outro destino. O que para uns é lixo, para outros é solução. Quando reutilizamos objetos, estendemos sua vida útil e diminuímos a pilha de lixo. Uma calça jeans pode virar uma bolsa, garrafas pet podem virar brinquedos, CDs e DVDs podem ser usados como decoração em um quadro. O importante é abusar da imaginação! 

Reparar o que tem conserto. Assim como o reutilizar, o reparar também aumenta a utilidade dos objetos. Consertar um móvel, remendar um rasgo numa roupa ou bolsa. Se algo pode ser arrumado ou consertado, ainda é útil e não precisa ser substituído. 


Reciclar quando não tem mais reuso ou reparo. Retornar materiais como papel, plástico, metal e vidro à cadeia produtiva para que virem outros produtos reduz tanto o lixo quanto a extração de matéria-prima que seria empregada na produção de objetos novos. 

Reintegrar à natureza o que dela veio. O lixo orgânico não tem nada de lixo. Cascas de frutas, verduras, podas de árvores e restos de alimentos produzem um rico adubo através da compostagem. Existem vários vídeos na internet que ensinam a fazer tipos diversos de composteiras, tanto para quem mora em casa quanto apartamento. Fazer compostagem reduz a quantidade de lixo que enviamos para os aterros. 

Respeitar a vida, os seres vivos, as pessoas, seu trabalho ou escola, o ambiente, a natureza. O respeito está na base de qualquer relacionamento e é um dos pilares da vida em sociedade. 

Responsabilizar-se por seus atos e os impactos que eles causam, sejam bons ou ruins, pelas pessoas ao seu redor, pelo seu local de trabalho ou estudo, pela sua rua, bairro, cidade. Como morador do planeta, eu sou responsável por ele. E você também. Cada um faz sua parte e todos ganham. A espécie humana, outras espécies e o meio ambiente. 

Repassar os conhecimentos que podem ajudar a tornar o mundo melhor e sustentável. Estou fazendo isso neste post. Faça você também. 

Família bonita, hein?! Opa, está chegando outro membro... Um R de bônus, minha contribuição à causa: reagir às dificuldades com boas atitudes. Vamos todos ser parte da solução, não espectadores do problema. Afinal, acreditar é essencial, mas atitude é o que faz a diferença! ;)
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Bee or not to bee? Eis a (grande) questão.

Por Letícia Maria Klein •
02 outubro 2014

Sabia que as abelhas são responsáveis pela polinização de dois terços de toda a produção agrícola? A polinização, que é a transferência do pólen de uma planta para o óvulo de outra, faz com que as plantas fecundem e gerem frutos. O vento ajuda, mas os animais é que ficam com o trabalho pesado: mais de 80% da polinização é feita por eles, principalmente por insetos. As abelhas são parte fundamental deste processo. O problema? Elas estão sumindo! Desaparecendo mesmo, ninguém sabe pra onde elas vão! Bzzz...zzz...zz...z... Abelhas, polinização, alimento. Se as abelhas se extinguirem, adivinha o que também vai ficar escasso?

O caso é sério, sério mesmo. São as abelhas as responsáveis pela polinização em larga escala e não são poucas as culturas agrícolas que dependem delas. Conta só: maça, pêra, laranja, melão, melancia, café, castanha, abacate, morango, mirtilo, pepino, algodão, soja, pêssego, abóbora, cebola, castanhas, entre outras. Cerca de 70% das culturas dependem destes animais. Quanto menos abelhas nas plantações, menor será a quantidade de alimento necessário para suprir a demanda crescente das populações.


O sumiço das abelhas começou a chamar a atenção em 1995, nos Estados Unidos. Estudos foram feitos e indicam que o desaparecimento é causado por um distúrbio chamado CCD (Síndrome do Colapso das Abelhas, em inglês). Foi só em 2007 que o assunto foi discutido oficialmente, em um congresso na Austrália. Naquele país, 31% das abelhas desapareceram, segundo matéria da revista Veja. Os efeitos já são vistos também na Europa, Ásia e na América do Sul, inclusive em alguns Estados do Brasil, como SC, SP, RS e MG. 

O CCD acontece quando uma colônia de abelhas é reduzida a poucos indivíduos dentro de alguns dias ou semanas. Elas simplesmente desaparecem do mapa, deixando tudo para trás: filhotes, mel, pólen e até a rainha. Isto acontece porque a síndrome afeta o sistema nervoso das abelhas, o que impacta seu senso de direção e memória. Uma abelha com síndrome não consegue voltar pra colmeia depois de coletar néctar ou pólen nas flores. 

O que causa o CCD? São várias as possíveis origens, que precisam ser investigadas e combatidas para que as abelhas não sejam extintas. Doenças, pragas, fungos, ácaros, vírus, mudanças climáticas, formas de manejo, déficit nutricional, defensivos agrícolas. Dos agrotóxicos, os mais perigosos para as abelhas são os neonicotinoides. Tanto que, em abril de 2013, a União Europeia decidiu suspender seu uso por dois anos para analisar o impacto da ausência destas toxinas. 

Foto: Abelhas - Irina Tischenko/Getty Images/iStockphoto/VEJA

As abelhas existem há mais de 50 milhões de anos e são imprescindíveis para os ecossistemas. Einstein já dizia! “Se as abelhas desaparecerem da face da terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais não haverá raça humana.” 

Com essa preocupação em mente, um grupo de pesquisadores liderado pelo CETAPIS (Centro Tecnológico de Apicultura e Meliponicultura do Rio Grande do Norte) criou a campanha Bee or not to be e uma petição pela proteção às abelhas. Lançada em 2013, ela “quer alertar a população e buscar apoio para a proteção dos insetos no Brasil e no mundo”. A petição será entregue ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Meio Ambiente em novembro de 2014 (próximo mês, gente!) com o objetivo de exigir ações efetivas para combater o CCD. Vamos ajudar! Assine e compartilhe a petição. Se quiser ajudar mais ainda, você pode recolher assinaturas e enviar para a sede do projeto. 

O site da campanha também disponibiliza o aplicativo Bee Alert, onde apicultores, meliponicultores e a comunidade científica podem registrar e documentar as ocorrências de desaparecimento ou perda de abelhas, indicando o local, intensidade e possíveis causas. As informações geradas colaborativamente ajudam no estudo do desaparecimento das abelhas e contribuem para o esforço de proteção a estes insetos. 

Além de assinar a petição e espalhar a palavra, podemos fazer mais pelas abelhas, como por exemplo, plantar árvores, cultivar flores em casa, consumir produtos orgânicos, ter colmeia em casa (com abelhas sem ferrão, claro) e consumir conscientemente. 

A frase de Shakespeare que inspirou o lema da campanha (To be or not to be – ser ou não ser) não foi usada apenas pela sonoridade com a palavra abelha em inglês (bee), ela tem tudo a ver com a questão. A nossa existência pode estar ligada diretamente à existência destes pequenos insetos.
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Sete publicações educativas sobre consumo consciente

Por Letícia Maria Klein •
24 setembro 2014

Você coloca atitudes sustentáveis em prática no seu dia a dia? Ou você quer imprimir a sustentabilidade na sua vida, mas não sabe por onde começar? Seja o primeiro ou o segundo caso, existem várias publicações na internet cheias de dicas de como ser sustentável em várias áreas, segmentos, compartimentos e seções da sua vida. Para este post, eu separei algumas relacionadas a consumo consciente. Escolha os seus preferidos, boa leitura e mãos à obra! ;)

12 princípios do consumidor consciente

O Instituto Akatu elaborou uma cartilha muito simples e rápida de ler com 12 princípios para seguir na hora de comprar, como, por exemplo, avaliar os impactos do seu consumo e consumir apenas o necessário. 


Guia Consumo Consciente e Saúde

Também do Instituto Akatu, em parceria com uma empresa do ramo da saúde, este guia dá dicas de como cuidar da gente e do planeta através de um consumo melhor e diferente. As dicas estão divididas em três seções: consciência à mesa, saúde para todos e ações para um mundo melhor. 



Consumismo infantil: na contramão da sustentabilidade

O Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Alana criaram uma cartilha com foco no consumismo infantil, que explica os males de incentivar as crianças ao consumo desenfreado e mostra como os pais e educadores podem ajudar os pequenos a viver uma infância plena. 


Manual de educação para o consumo sustentável 

Foi desenvolvido em parceria entre o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério da Educação e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. Bem didática, a publicação está dividida em oito capítulos e ensina como ser um consumidor consciente quando o assunto é cidadania, alimentação, água, transportes, biodiversidade, lixo, energia e publicidade. 


Pequeno guia de consumo em um mundo pequeno

Super simpático e rápido de ler, o guia traz muitas dicas de consumo consciente que podemos aplicar na sala de casa, no quarto, no escritório, no banheiro, na cozinha, na área de serviço, no jardim e na rua. O guia é uma iniciativa do WWF, da Agência Nacional de Águas e do Programa Água Brasil. 


Estado do mundo teen – ter mais ou viver melhor?

Voltada para os jovens, esta publicação é uma versão teen do relatório “Estado do Mundo 2010 – Transformando Culturas, do Consumismo à Sustentabilidade” elaborado pelo Worldwatch Institute e publicado no Brasil em parceria com o Instituto Akatu. Ela explica o que é consumismo, como ele afeta o planeta e os seres vivos e dá dicas de como aplicar o consumo consciente no nosso cotidiano.


Projeto cidadão – o lixo agora é problema de todos

Lixo tem tudo a ver com consumismo: quanto mais se consome, mais lixo se gera. Nesta cartilha, você vai saber o que é lixo, como está a situação dos resíduos sólidos no Brasil, os 4 Rs, os materiais que podem e não podem ser reciclados e curiosidades. 

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Eleições 2014: em quem não votar

Por Letícia Maria Klein •
15 setembro 2014

Você já decidiu em quem votar nas próximas eleições? Elas estão logo aí e a gente precisa escolher candidatos que reflitam as nossas preocupações e tragam melhorias enquanto estiverem no governo. Na minha visão, e talvez na sua também, é importante escolher candidatos que mostrem preocupação com a natureza e apresentem propostas de proteção à biodiversidade e medidas de sustentabilidade. Para isso, uma ótima ação que a gente pode fazer é não votar em ruralista, os representantes do agronegócio. A questão é tão séria que a organização 350.org criou a campanha #NãoVoteEmRuralista. Entenda por que e conheça o verdadeiro negócio do agronegócio. 



O agronegócio engloba a pecuária e a agricultura em larga escala, produzindo no Brasil carne, grãos e outros produtos, como café, açúcar, etanol e suco de laranja, que são os mais exportados. Isso é bom, não é? Gera emprego, comida e faz a economia girar. Na teoria, tudo é uma beleza. Mas à luz da verdade, as “belezas” do agronegócio se transformam em horrores, tanto sociais quanto ambientais. Mas por que o setor do agronegócio é tão mal? Vamos entender!

Pra começar, a gente se ilude quando a questão é comida. Na verdade, 70% do que comemos vem da agricultura familiar. De toda a produção do agronegócio, a maior parte vai para biodiesel, industrializados e exportação, enquanto a população brasileira fica com apenas 30% da comida. 

O agronegócio é um dos grandes responsáveis pelas mudanças climáticas que causam enchentes e outras catástrofes como seca, furações, aumento do nível do mar, degelo das calotas polares e aumento da temperatura média do planeta. O aquecimento global é intensificado pela emissão de gases que provocam o efeito estufa. Das atividades humanas, a que mais libera esses gases é o agronegócio, responsável por 59% das emissões no Brasil, segundo a 350.org. Grande parte dos gases vem dos próprios animais criados, pois bois e vacas produzem gás metano, que é 21 vezes mais ativo em reter os raios solares na atmosfera do que o dióxido de carbono (ou gás carbônico). Ou seja, é 21 vezes pior que o CO2! E sabe quantos bovinos existem no Brasil? 209 milhões, mais que a própria população brasileira!



O agronegócio também é o setor econômico que mais utiliza água doce no país: 72% da água consumida no Brasil. Um contraste com as centenas de cidades brasileiras que sofrem com a seca. Além disso, a bancada ruralista luta contra o enfraquecimento dos direitos das populações indígenas. Não bastasse querer tirar os índios de suas terras, o agronegócio brasileiro é o que mais consome agrotóxicos no mundo, o que polui as terras e os lençóis freáticos e é prejudicial às pessoas. 

Outro grande problema causado pelo agronegócio é o desmatamento. Quanto mais florestas nativas são derrubadas, maior é a perda de biodiversidade e maior é a confusão no clima, pois são as árvores que regulam o sistema de chuvas. Cada árvore adulta exala por dia, em média, 500 litros de água em forma de vapor, que posteriormente caem em forma de chuva em diversas regiões do país e do continente. Quanto menos árvores, menos chuva. A chuva é fundamental para a agricultura. Já deu pra perceber a cadeia de eventos, né. Sem contar que as árvores, quando cortadas, liberam todo o gás carbônico que armazenaram durante a vida, contribuindo para o aquecimento global

Um dos aspectos mais vergonhosos do agronegócio é o emprego de mão de obra escrava. Sim, ainda existem escravos no mundo. Enquanto muitos trabalham de forma indigna, muitos outros passam fome. Ao passo que um terço dos alimentos produzidos no mundo é perdido ou desperdiçado nos processos de produção, transporte e venda, cerca de 925 milhões de pessoas passam fome no mundo. E um terço de comida mundial equivale a 1,3 bilhão de toneladas!



Você e eu podemos mudar esses cenários! Podemos combater este mercado do mal comprando direto do produtor, em feiras livres de produtos orgânicos. Ajudamos a natureza, melhoramos nossa saúde e contribuímos para a justiça social. A agricultura familiar emprega 77% dos trabalhadores do campo, o que significa mais de 15 pessoas a cada 100 hectares. No agronegócio, são apenas duas pessoas por 100 ha. 

Outra forma de mudar a realidade é votar conscientemente. Então, junte-se à campanha e não vote em candidatos ruralistas. Mas como eu vou saber quem é ruralista ou não? O site da campanha ajuda! São vários links de páginas que nos dizem tudo sobre os candidatos:

- O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar disponibiliza a lista de deputados federais e senadores eleitos que compõem a bancada ruralista no congresso.
- O Tribunal Superior Eleitoral, através da plataforma Divulgacand, mostra informações precisas sobre os políticos que se candidataram a um cargo eletivo. 
- Esta lista traz todos os deputados que votaram pela aprovação do Código Florestal, uma lei que acabou beneficiando mais os ruralistas do que a natureza. 
- O organismo Transparência Brasil reúne várias ferramentas para ajudar a gente a fiscalizar os candidatos em quem votamos. A campanha #NãoVoteEmRuralista recomenda estas duas: Às Claras, para saber se o candidato tem um doador ligado ao agronegócio, e Excelências, que faz um raio X dos ruralistas. 
- O site República dos ruralistas é obra do trabalho de organizações da sociedade civil e mostra informações sobre os políticos ruralistas. Para ver uma surpresa no site, basta digitar a palavra “ruralista” em qualquer parte. 
- Nesta lista da ong Repórter Brasil, dá para descobrir se o candidato está relacionado ao agronegócio. Também é possível pesquisar por parentes, que muitas vezes servem de laranja para políticos que querem se livrar de acusações. 

Pra terminar, fica aqui o vídeo da campanha.


Também deixo uma entrevista que a jornalista Francine Lima, do canal no Youtube Do campo à mesa, fez com May Boeve, diretora da 350.org e articuladora da ação global contra a emissão de gases estufa, e com Verena Glass, jornalista ambiental da Fundação Rosa Luxemburgo, sobre o poder político ruralista no Brasil e sua ligação com as mudanças climáticas globais.

 

Podemos fazer a diferença, então vamos usar bem o nosso voto! Leia, pesquise e, fica a dica, não vote em ruralista!
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