Vamos construir um mundo melhor... Literalmente!

Por Letícia Maria Klein •
29 fevereiro 2016

Todo o mundo, ou quase, sonha em ter a casa própria. Um canto só seu, conquistado com o próprio esforço e trabalho, em que possa se sentir confortável, ajeitar suas coisinhas, ser livre. Sabe a expressão “sentir-se em casa”? Bem isso. Melhor ainda, mil vezes melhor, quando podemos nos sentir assim tão bem sabendo que também estamos fazendo bem para o ambiente, para o planeta que nos abriga e sustenta. Isso é possível graças às técnicas de bioconstrução, bioarquitetura e permacultura. Antes de conhecer algumas delas, um pouquinho os conceitos.

A bioconstrução e a bioarquitetura são áreas afins e complementares. O manual de bioconstrução do Ministério do Meio Ambiente diz que bioconstruir é fazer ambientes sustentáveis por meio de materiais de baixo impacto ambiental negativo, da adequação da arquitetura da casa ao clima local e do tratamento os resíduos, adotando sistemas construtivos e tecnologias que respeitem o ambiente nas fases de projeto, execução e uso do imóvel. Existe a preocupação constante por aproveitar ao máximo os recursos disponíveis. Como pode ser feita pelo próprio dono da casa (por isso também é chamada de autoconstrução), sem orientação profissional, cabe aí muita criatividade, vontade pessoal e uso de soluções ecológicas adaptadas à realidade da residência e dos moradores. 

A bioarquitetura busca construir imóveis em harmonia com a natureza e custos operacionais menores, gerando assim um baixo impacto ambiental negativo. São levados em conta matérias-primas naturais e sustentáveis e mão de obra locais (o que reduz gastos com transporte e fabricação e consequentes gases de efeito estufa), além de tecnologias e sistemas verdes, que aproveitem ao máximo a luz do sol e o vento, que produzam energia a partir de fontes renováveis, tratem os resíduos e efluentes gerados na casa e reutilizem água da chuva. 

Como é possível ver, são conceitos muito próximos. Os dois estão incluídos na permacultura, termo que veio de “permanent agriculture” (agricultura permanente), mas evoluiu para o que se pode chamar de cultura permanente. Segundo Bill Mollison, que criou o termo e estuda o assunto junto com David Holmgren desde a década de 1970, “permacultura é um sistema de design para a criação de ambientes humanos sustentáveis e produtivos em equilíbrio e harmonia com a natureza”, que considera sistemas naturais, monetários, urbanos, sociais e de crenças e que está baseada na prática de “cuidar da Terra, cuidar dos homens e compartilhar os excedentes”. 

Flor da permacultura
Flor da permacultura

Para construir uma casa que respeite o meio e use sabiamente os recursos, as técnicas incluem: pau-a-pique, adobe, superadobe, COB, taipa de pilão, solocimento, ferrosolocimento, fardos de palha e bambu (para a estrutura); coberturas vegetais (jardim, horta, bosque); telhado verde; círculo de bananeiras para tratar a água cinza da casa; wetlands (ou zona de raízes) e bacia de evapotranspiração para tratar esgoto sanitário; banheiro seco; reutilização de materiais (vidro, azulejo, canos, janelas) para colocar nas paredes como estrutura e decoração; sistema de iluminação e ventilação naturais; captação e reuso de água da chuva e reuso de água de uma parte da casa para outra, energia solar para aquecer água e gerar eletricidade, entre outros.

Parede de COB com vidros
Vidros na parede

Estrutura natural ou sustentável
Terra, pedra, palha e madeira entram na roda para fazer a fundação, o chão, as paredes e o teto da casa. O superadobe, técnica criada pelo arquiteto iraniano Nader Khalili, usa sacos de ráfia, terra local e arame farpado para paredes e coberturas. O adobe é um tijolo de barro e palha, que é moldado e seco de forma natural, sem queima e que proporciona conforto térmico no ambiente devido à presença da palha. O COB, que significa maçaroca em inglês (massa), é uma mistura de argila, areia, palha e água, feita com os pés, que permite às pessoas moldar a casa inteira, abusando da criatividade. Fica lindo, olha só! 

Casa de COB

Banheiro de COB



A taipa de mão, pau-a-pique ou taipa de sebe é um quadro de galhos com uma trama de galhos ou bambus preenchida com terra. A taipa de pilão é terra socada com um pilão dentro de uma forma de madeira (a taipa). O solocimento é um tijolo prensado feito de areia, argila e cimento – a cura (secagem) é feita em local coberto, por sete dias, mantendo os tijolos úmidos. Os fardos de palha são usados em conjunto com terra (para o reboco), sisal e arame. O ferrocimento usa argamassa de cimento e areia armada em uma trama feita de vergalhões finos, coberta por tela de galinheiro de fios galvanizados. É bom para a construção de reservatórios de água, e apesar de levar cimento e ferro, que não são materiais ecológicos, estes são usados em quantidade bem menor do que as cisternas convencionais. 

Cobertura vegetal
As áreas verdes no terreno oferecem vários serviços ambientais, que são os benefícios que as pessoas recebem da natureza por meio dos ecossistemas, direta ou indiretamente, e que sustentam a biodiversidade. A vegetação controla e reduz a temperatura, filtra o ar, traz sombra (no caso de árvores altas), protege da poluição do som e do ar, abastece os corpos d’água e lençóis freáticos, evita a erosão do solo, reduz a contaminação e abriga milhares de espécies animais. Além disso, ter a própria horta e pomar significa frutas, verduras e legumes frescos e sem agrotóxico (mais saúde!) e grande economia de dinheiro.

Telhado verde
Como o nome sugere, são os telhados que têm cobertura vegetal, geralmente plantas baixas e flores em telhados planos e gramíneas em telhados inclinados. Segundo pesquisa da Universidade de São Paulo, os telhados verdes reduzem a temperatura em até 5º Celsius e aumentam a umidade relativa do ar em até 15% em relação aos edifícios com cobertura de concreto, o que aumenta a eficiência energética. Também diminuem a poluição e melhoram a qualidade do ar, ajudam a combater o efeito de ilha de calor (aumento da temperatura devido à concentração de asfalto e cimento) nos centros urbanos, melhoram o isolamento acústico da edificação e retém a água das chuvas, o que diminui os riscos de enchentes, podendo, inclusive, ser dotados de sistemas para tratamento de efluentes sanitários. Além disso, embelezam os centros cinzas das cidades e atraem animais, como aves e borboletas. 

Telhados verdes

Tratamento de água e efluentes
Para ser autossuficiente e independente em termos de abastecimento de água e tratamento de água e efluentes sanitários, uma casa precisa ter sistemas que façam essa captação e limpeza. Grande parte do processo é feito por plantas. Da quantidade de água usada nas residências, uma parte é água negra (esgoto sanitário) e a outra parte é água cinza (de lavação de roupas/louças e banho). Tudo começa com a captação, filtragem e armazenamento de água da chuva. As águas cinzas, depois de passarem pela caixa de gordura, vão para o filtro biológico, que tem plantas aquáticas filtrantes e camadas de terra, cascalho, carvão e brita. Da caixa, a água pode ser usada no jardim e vaso sanitário. As águas cinzas também podem ser filtradas por raízes de bananeiras, plantadas em círculo com um metro de diâmetro por um de profundidade. As águas negras podem ser tratadas em bacias de evapotranspiração ou por wetlands. Nestes sistemas, o esgoto passa por decomposição anaeróbica numa câmara, filtragem e depois purificação por meio das raízes de plantas que estão na superfície. A diferença entre os dois é que no tanque ou bacia de evapotranspiração, a água sai do sistema em forma de vapor pelas folhas das árvores e no sistema de wetland, o esgoto entra de um lado e a água limpa sai do outro. 

Wetlands
Wetlands

Banheiro seco
Para quem não quer usar água no vaso sanitário e ainda aproveitar os resíduos como adubo, existe a opção do banheiro seco ou compostável. O vaso continua lá, pelo menos a tampa dele, mas os efluentes descem até uma câmara onde são compostados e viram adubo para ser usado na agricultura ou no jardim. Tem vários modelos, de simples a complexos. O modelo desenvolvido pelo Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC), em Pirenópolis, Goiás, por exemplo, tem duas câmaras de compostagem que armazenam a urina e as fezes até que se transformem em composto, que é levado depois para um minhocário, onde vira adubo orgânico. São duas câmaras porque enquanto uma está em processo de compostagem, a outra está em funcionamento (o que significa que são dois vasos). Toda vez que alguém usa o banheiro, deve colocar serragem sobre os dejetos para facilitar a compostagem e evitar mau cheiro. O banheiro também tem duto de saída de ar das câmaras para evitar odores e o ideal é pintar as câmaras de preto e posicioná-las onde pegue sol, para que o processo seja mais eficiente (o calor faz o ar circular). 

Banheiro seco
Serragem para o banheiro seco

Iluminação e ventilação natural
Aproveitar ao máximo a luz do sol e os ventos é uma ótima forma de economizar energia, pois a dependência de lâmpadas e condicionares de ar diminui. A iluminação natural pode ser potencializada com o uso de garrafas de vidro nas paredes, como na casa da jornalista Giuliana Capello, brise de madeira reflorestada, calaraboia tubular (pode ser feita até com garrafa pet) ou com janelões abertos na estrutura, que podem ser de vidro ou ter apenas telas e redes de proteção (este é bom para quem mora em meio rural ou ecovilas). A ventilação natural contribui para o conforto térmico e a qualidade do ar no interior das residências, pois leva embora microrganismos prejudiciais à saúde, mau cheiro e gases tóxicos. Além de levar em conta no planejamento o pé-direito alto e a ventilação cruzada, é preciso saber que as condições dos ventos dominantes locais, a radiação solar e a umidade relativa do ar influenciam na ventilação natural. Como o ar quente sobe e o frio desce, instalar entradas de ventilação perto do chão faz com que o ar fresco entre e empurre o ar quente para cima, que vai passar por saídas instaladas no alto da parede ou no teto.

Captação e reuso de água da chuva e de água interna da casa
É fantástico para diminuir os custos com abastecimento de água da rede ou mesmo tornar-se independente dela. Falei sobre este tema na primeira parte da série Cuidando da água – como economizar. Além de apenas captar água da chuva, uma parte dela pode passar por filtros e tratamentos para estender seus usos na casa. 

Energia solar para aquecer água e gerar eletricidade
O aquecimento solar de água e as placas fotovoltaicas utilizam uma fonte inesgotável e limpa, o sol. O investimento retorna de dois a quatro anos para o primeiro sistema e em torno de 10 anos para o segundo. A durabilidade é de décadas, então vale sim a pena. O sistema solar de aquecimento de água é composto de um tanque reservatório e coletores solares. A água do tanque passa pelos coletores, onde é aquecida pela radiação do sol e retorna ao reservatório. A economia de energia pode chegar a 80% no fim do mês. O sistema fotovoltaico, que gera energia elétrica, pode ser off-grid (isolado) ou grid-tie (ligado à rede). Ambos têm vantagens e desvantagens dependendo das circunstâncias da residência, da região e das intenções dos moradores e são compostos por painéis solares, controladores de carga, inversores e baterias.

Energia solar
Coletores solares para aquecer água (esquerda) 
e placas fotovoltaicas (direita)

Com estas técnicas, o estilo de vida sustentável ganha um sentido mais amplo e autoral, possibilitando a fundação (figurativa e literalmente) de uma existência pautada no respeito à natureza e integração com o ambiente que nos sustenta.
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15 aplicativos que nos ajudam a ajudar o planeta e viver de forma sustentável

Por Letícia Maria Klein •
22 fevereiro 2016

A tecnologia avança um pouco mais a cada dia, possibilitando melhorias tanto nas ciências diversas quanto na maneira como vivemos nossa vida e nos relacionamos com os outros e o mundo. Associações, empresas e pesquisadores têm apostado no uso de aplicativos para internet e celular para estimular as pessoas a contribuírem com a preservação da biodiversidade e dos bens naturais e aplicarem a sustentabilidade no seu dia a dia. A lista abaixo tem 15 aplicativos relacionados a resíduos sólidos, fauna, flora, água, energia, consumo colaborativo, alimentação saudável, moda ecológica, mobilidade urbana e agroecologia. Conheça todos e baixe os seus! 


Beat the micro bead
Milhares de produtos de higiene pessoal vendidos no mundo contém micropartículas de plástico. Quase invisíveis a olho nu, estas partículas vão do ralo para os oceanos, passando por Estações de Tratamento de Água e Esgoto que não conseguem filtrá-las. Assim, as gigantescas sopas de plástico nos oceanos vão aumentando diariamente. Animais marinhos acabam ingerindo estes plásticos, tanto as micropartículas quanto pedaços maiores, o que leva geralmente a sua morte. Pessoas que consomem estes animais também acabam ingerindo as micropartículas. Este aplicativo ajuda a identificar, através do código de barras, quais produtos contém ou não microplásticos. O banco de dados não reconhece todos os produtos, por isso cada pessoa pode cadastrar novos itens na plataforma

The Bulk App
Como embaixadora da Juventude Lixo Zero, garanto que a satisfação de comprar produtos a granel, sem embalagens, não tem preço. Consumir sem gerar resíduos é fantástico e libertador. Mas muitas vezes a gente não sabe por onde começar nem aonde ir para conseguir produtos a granel. O aplicativo ZeroWasteHome Bulk, criado pela família da Bea Johnson, mapeia lugares no mundo todo onde você pode levar a sua própria bolsa ou pote para encher com centenas de alimentos diferentes. Grande sacada lixo zero! 


Bee Alert 
As abelhas estão desaparecendo! O sumiço delas começou a chamar a atenção em 1995, nos Estados Unidos. Estudos realizados indicam que o desaparecimento é causado por um distúrbio chamado CCD (Síndrome do Colapso das Abelhas, em inglês). Por que isso é tão preocupante? Simples assim: as abelhas são responsáveis por cerca de 70% das culturas agrícolas. Então, menos abelhas quer dizer menos alimentos. Com o aplicativo Bee Alert, apicultores, meliponicultores (criadores de abelhas sem ferrão) e a comunidade científica podem registrar e documentar as ocorrências de desaparecimento ou perda de abelhas, indicando o local, intensidade e possíveis causas. Estas informações, geradas colaborativamente, contribuem para estudo do desaparecimento das abelhas e o esforço de proteção a estes insetos. 

Urubu Mobile 
Muito provavelmente, você já viu um animal morto enquanto viajava nas estradas brasileiras. Com o Urubu Mobile, podemos fazer muito mais do que apenas lamentar e seguir em frente. Podemos ajudar a combater esse quadro horripilante de 450 milhões de animais silvestres mortos todos os anos nas estradas. O aplicativo foi desenvolvido pelo Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas e, para funcionar adequadamente, requer que seu aparelho celular tenha câmera fotográfica e GPS. Para colaborar com o Sistema Urubu, você deve tirar uma foto do animal atropelado que permita a identificação da espécie. A posição geográfica e a data serão registradas automaticamente. Se quiser, adicione um comentário e então salve a foto, que ficará no álbum do aplicativo e pode ser enviada usando a internet do celular ou rede sem fio. Assim, as informações sobre a mortalidade animais silvestres nas rodovias e ferrovias que são coletadas ajudam governos e concessionárias a tomarem medidas para reduzir estes impactos.

Extintômetro
Exclusivo para o Facebook, este aplicativo, desenvolvido pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária em parceria com 27 conselhos regionais, ajuda as pessoas a identificarem animais ameaçados de extinção ou já extintos e a denunciar práticas ilegais. O aplicativo dá uma amostra representativa das 627 espécies brasileiras extintas ou ameaçadas, informa sobre como denunciar o tráfico de animais silvestres em cada estado e permite que as fotos dos animais sejam usadas como avatar nos perfis pessoais dos usuários.

Viva Floresta
Como o site informa, esta ferramenta é para fazer de cada brasileiro um plantador de árvores, visto que as cidades estão cheias de espécies nativas com frutos e sementes que ninguém colhe. O aplicativo permite mapear árvores urbanas, facilitando a coleta de sementes e a produção de mudas, além de registrar a necessidade de cuidados como podas e combate a pragas. Ele é abastecido de forma colaborativa, então se você quer cadastrar uma árvore, mas não sabe o nome, pode deixar o campo em branco e aguardar até outro usuário preencher a informação. O aplicativo foi adaptado da plataforma Open Tree Map, que é utilizada nos Estados Unidos, Inglaterra e México. 

Nosso Consumo
Os aplicativos da iniciativa Nosso Consumo, uma parceria entre a Federação Brasileira dos Bancos e o Instituto Akatu, buscam conscientizar as pessoas sobre os impactos negativos do desperdício, do consumismo e da falta de controle sobre o indivíduo, seus gastos financeiros, a sociedade e o planeta Terra. O aplicativo Nossa Água traz dicas para economizar este recurso e uma calculadora de banho. O Nossa Energia também tem dicas, que podem ser compartilhadas nas redes sociais, e uma calculadora que contabiliza em Kw o gasto de equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos. Com o aplicativo Nossa Alimentação, você pode criar listas de alimentos que vai comprar no mês, suas quantidades e os preços, praticando o consumo consciente e sem desperdício. Por fim, o Nosso Transporte traz dicas sobre transporte, economia, saúde e meio ambiente e ajuda as pessoas a fazerem escolhas mais conscientes quando se locomovem na cidade por meio da Calculadora Transporte Consciente, que compara gastos financeiros, emissão de carbono e calorias gastas pelo usuário para um determinado percurso feito de carro, de transporte público, de bicicleta ou a pé. Todos os aplicativos vêm com jogos educativos.


Como fazer sua horta
Este manual prático está disponível dentro do aplicativo Guia Salad, que também disponibiliza publicações sobre alimentação saudável. O manual traz dicas para quem quer montar sua própria horta, seja em casa ou apartamento. Dá para cultivar hortaliças, legumes e temperos, além de árvores frutíferas. O manual sugere começar com cultivos como alecrim, orégano, manjericão, boldo, salsinha, cebolinha, pimenta, hortelã e coentro. 

Livrio 
“Compartilhe livros que você ama com quem ama livros”, diz o site. Assim, você pratica o consumo colaborativo, aliviando a pressão sobre os bens naturais do planeta, além de poder fazer novos amigos, conversar sobre seus livros favoritos com eles e economizar dinheiro. É uma ferramenta muito interessante para quem quer ser sustentável também na leitura. O aplicativo cadastra seus livros apenas escaneando o código de barras, encontra livros de amigos que você quer ler e te avisa quando está na hora de alguém te devolver o livro que foi emprestado.

Moda Livre 
Este aplicativo denuncia redes varejistas e marcas de roupas que utilizam mão de obra escrava. As companhias listadas responderam a um questionário com base em quatro indicadores: políticas para combater o trabalho escravo em sua cadeia de fornecimento, monitoramento dos fornecedores de roupas, transparência na comunicação de suas ações para os clientes e histórico do envolvimento da empresa em casos de trabalho escravo. As respostas ajudaram a classificar as empresas em três categorias de cores (verde, amarelo e vermelho) conforme as medidas que adotam para combater o trabalho escravo. Empresas que não responderam ao questionário ficaram automaticamente no vermelho.

Bora de Bike 
Ciclistas moradores de São Paulo vão gostar deste aplicativo, que reúne pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte na sua locomoção pela cidade. O aplicativo disponibiliza a infraestrutura das vias e rotas sugeridas pelo Google Maps, tem canal de conversa para os usuários que querem combinar de pedalar juntos e mostra os endereços de locais que concertam as bicis. Tem ainda endereços de estacionamentos, informações meteorológicas e sugestões de lojas de bicicleta e de esportes. 

Agrosmart 
Este é para os agricultores. Dados da ONU calculam que cerca de 70% da água do mundo é usada para irrigação na agricultura, num processo muitas vezes ineficiente e desperdiçador. Por meio de sensores, dados meteorológicos, processamento de imagens e outras tecnologias, o Agrosmart oferece, em tempo real, a agricultura de precisão. “A água era usada totalmente sem consciência porque os agricultores não costumam ter um custo por ela, geralmente usam água de alguma mina da região. O Agrosmart faz um monitoramento completo das plantações e conseguimos dizer para ele quando e quanto ele deve irrigar, qual é o melhor momento de plantio, melhor momento de colheita, conseguimos prever aparecimento de doenças e pragas baseado nos dados. Com isso, ele consegue não só reduzir o consumo de água entre 30 e 60% como também economizar energia”, explica Mariana Vasconcelos, criadora do aplicativo. 
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Uma verdade inconveniente para os cegos sociais

Por Letícia Maria Klein •
16 fevereiro 2016

O aquecimento global existe. Ponto. Fato incontestável. As causas são diversas e intensas, assim como as consequências, que só tendem (e vão) piorar se nada for feito pelos indivíduos, grupos, sociedades, governos, empresas. "Uma verdade inconveniente", documentário de 2006 sobre a campanha do ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, é, essencialmente, um alerta para o problema e um chamado para a ação. Munido de dados e pesquisas científicas, Al Gore aborda os métodos de medição e acompanhamento das mudanças climáticas, intercalando-os com cenas marcantes de situações em várias partes do planeta que fazem com que 150 mil pessoas se tornem refugiadas climáticas todos os anos e que vêm afetando a saúde e a alimentação da população mundial.

Poster de uma verdade inconveniente

Parece dramático? É para ser mesmo. O documentário tem esse tom em muitas passagens. Misturando cenas de sua
palestra sobre o tema, a qual vem realizando ao longo dos anos, com fatos da vida política e pessoal e narração em primeira pessoa, o filme, dirigido por Davis Guggenheim, tem dois objetivos principais: chamar a atenção e sensibilizar.

Durante sua fala, Al Gore atêm-se mais à explicação do processo de aumento da temperatura média do globo e aos efeitos das mudanças climáticas, como derretimento das geleiras, aumento do nível dos oceanos, mudança no padrão das correntes marítimas, eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos, crise social e extinção em massa de espécies. As causas das mudanças climáticas – atividades humanas como geração de energia, desmatamento, pecuária, veículos movidos a derivados do petróleo – são deixadas em segundo plano. Propositalmente, por dois motivos, talvez.

Al Gore em Uma verdade inconveniente

Por um lado, menos nobre, para evitar conflitos com as grandes indústrias estadunidenses, especialmente as termoelétricas, e o estilo de vida norte americano de ser. Por outro, mais nobre, o tom instigante do filme alerta as pessoas para o problema do aquecimento global, tema que Al Gore estuda desde a década de 1970, quando estava na faculdade. Lá, ele teve contato com o professor e físico Roger Revelle, o primeiro cientista a medir a taxa de dióxido de carbono na atmosfera. O filme mostra que desde então, Al Gore vêm estudando, divulgando e tratando do tema não só em palestras, mas também na sua atuação como político. Esta, porém, não tem trazido muitos resultados, visto que, como ele diz em certa altura, os políticos ignoram o que não está na agenda deles.

Por meio de cenas de colegas de profissão zombando dele, a intenção é evidenciar sua frustração em não conseguir comprometimento real da administração pública frente ao problema. Este sentimento vem provavelmente do fato de Al Gore ter a causa do aquecimento global como uma luta pessoal e não apenas pauta política. Apesar do tom pessoal intrínseco à narrativa, ela é menos sobre autovitimização e melhora da imagem de político e mais sobre o descaso da administração pública de um dos mais poderosos países do mundo frente a um dos maiores problemas da atualidade. Afinal, “é difícil fazer um homem entender alguma coisa se o salário dele depende da sua falta de entendimento disso”, frase de Upton Sinclair, escritor, romancista e reformador social dos EUA, citada no filme. 


Al Gore em Uma verdade inconveniente

Independentemente de qualquer possível segunda intenção, o documentário cumpre seu papel de informar, sensibilizar e despertar as pessoas para o problema gravíssimo das mudanças climáticas, exemplificando como cada um de nós pode contribuir na luta contra o aumento dos gases de efeito estufa na atmosfera. O filme ganhou estatuetas do Oscar de melhor documentário e melhor canção original com “I Need to Wake Up” de Melissa Etheridge, que pode ser visto abaixo.

Como é dito no fim do longa, as gerações futuras vão perguntar: “O que nossos pais estavam pensando? Por que não acordaram quando tinham chance”. Não vamos esperar o futuro chegar para ouvir estas perguntas, vamos ouvi-las agora.


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Sementes de sustentabilidade

Por Letícia Maria Klein •
12 fevereiro 2016

Muitas pessoas trabalharam na segunda-feira, véspera do feriado de Carnaval, e eu aproveitei este tempo para falar com alguns funcionários da empresa Haco Etiquetas sobre como podemos ser sustentáveis na nossa rotina. Fui convidada para dar uma palestra durante a SIPAT 2016 – Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho. O tema da conversa foi “Sustentabilidade no dia a dia – Como viver respeitando o meio que nos sustenta”, com dicas para reduzir os resíduos que geramos, economizar água e energia e praticar o consumo consciente.


Cerca de 30 pessoas estavam presentes. Foi quase uma hora de palestra, em que expliquei o significado da sustentabilidade e como podemos aplicá-la na nossa vida. Claro, coloquei vários vídeos durante a apresentação. Como comprovei no meu intercâmbio na Romênia, vídeos são ótimos no processo de aprendizagem e ensinamento, pois têm um poder próprio de entreter, chamam a atenção e quebram o ritmo mais linear da palestra. A maioria foi com um teor cômico, da série The Animals Save the Planet, e dois foram emocionantes. 


Pelos retornos que recebi e o que eu percebi, as pessoas gostaram da palestra e dos vídeos. Também interagiram durante a fala, respondendo às perguntas que eu fazia. O diálogo e a interações são ferramentas importantes para que a pessoa do outro lado seja ativa no processo, não passiva.

No fim de janeiro, também participei de outro evento. Foi o Piquenique dos Coletivos, aqui na minha cidade. Levei os baldes de compostagem e mostrei como fazer a própria composteira. As pessoas presentes fizeram várias perguntas e realmente gostaram da oficina. A compostagem é maravilhosa, pois assim seus resíduos orgânicos vão virar adubo, recurso valioso, e não ficar acumulando no aterro sanitário, soltando gases de efeito estufa. 





E assim, a semente da sustentabilidade vai sendo semeada em cada vez mais mentes e corações.
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Cuidando da água – Parte 2: Como não sujar

Por Letícia Maria Klein •
08 fevereiro 2016

Além de diminuir o consumo de água, como vimos neste post, outra forma de cuidar deste bem essencial à vida é deixar de sujá-la, usando para isso produtos menos agressivos, que são naturais e se degradam rapidamente na natureza. Conseguimos fazer isto substituindo os produtos de limpeza convencionais (que contém químicos nocivos, tóxicos, alérgicos e cancerígenos, agredindo tanto a nossa saúde quanto o ambiente) por itens como bicarbonato de sódio, sabão de coco, óleo de coco, vinagres, frutas e flores. Além de naturais, eles têm a mesma eficiência na limpeza e perfume de ambientes, saem bem mais barato e alguns podem ser comprados a granel, o que evita aquele monte de plásticos que sobram quando o produto convencional acaba. Antes das receitas, algumas curiosidades sobre as alternativas naturais. 

O bicarbonato de sódio ou carbonato de monossódio (NaHCO3) é um sal de sódio do ácido carbônico. Ele é encontrado na natureza em forma de incrustações ou efervescências e também pode ser produzido na indústria, num processo que mistura amoníaco, dióxido de carbono e cloreto de sódio (o que é ruim, porque eles são poluentes). Por isso, é melhor procurar por bicarbonatos que foram retirados de minas naturais e refinados, um processo menos impactante negativamente do que a produção industrial, que produz resíduos sólidos, poluição atmosférica e da água. Seus diversos usos, tanto na alimentação quanto na limpeza, vêm da sua natureza: ele é um composto anfotérico. Explicando: reage tanto como um ácido quanto como uma base.


Na comida, ele ajuda na fermentação de massas. É também um abrasivo leve e tem efeito clareador, por isso seu uso para escovar os dentes, clarear tecidos brancos e limpar manchas de roupas. Funciona ainda como absorvedor de odores de ambientes, de geladeiras, de sapatos, de sofás, etc. Como ele neutraliza a acidez e o cheiro ruim, pode ser usado como desodorante (funciona mesmo, já usei) e para combater bolores e fungos. Além disso, ele ajusta o pH do local onde é aplicado, sendo ótimo para limpar o que está enferrujado. Mais alguma coisa? Ah, sim. Quando usado em conjunto com o vinagre, cria uma reação química que remove manchas de eletrodomésticos, limpa superfícies (pia, box do banheiro, fogão, vaso sanitário), amolece incrustações e desobstrui ralos. 

Falando em vinagre (vinho azedo, em francês), vamos aos tipos mais produzidos: de álcool, vinho branco, vinho tinto, frutas (maçã e limão) e cereais (arroz). Também pode ser feito a partir da cana-de-açúcar, da beterraba e da cevada. Ele é resultado de duas fermentações: a primeira é alcóolica, em que o açúcar vira álcool, e a segunda é acética, que transforma o álcool em ácido acético, formando o vinagre. Pode ser usado como desinfetante, amaciante de roupas, condicionador para cabelo e removedor de mofo, odores e gordura de panelas.


O sabão de coco funciona super bem como sabonete e detergente. Mas fique atento! A lista de ingredientes deve ter no máximo água, gordura ou óleo de coco, hidróxido de sódio ou potássio, álcool e carbonato de sódio. O óleo de coco também é versátil, podendo ser usado para cozinhar e tirar maquiagem, como lubrificante e hidratante. É um óleo vegetal que combate fungos, bactérias e vírus, além de ser rico em vitamina E e triglicerídeos de cadeia média (mais saudáveis na ingestão do que os de cadeia longa). Combinado com bicarbonato de sódio dá um ótimo sabão em pó para lavar roupas e também pasta de dente.


Além do coco, tem outras frutas que ajudam na limpeza da casa. Cítricos como laranja e limão, especialmente suas cascas, são poderosos agentes desinfetantes e têm um solvente natural que amolece a gordura e a sujeira. Também podem ser combinados com vinagre e bicarbonato de sódio ou apenas com água para serem usados na faxina. Seus usos incluem: limpar vidros e espelhos, purificar e perfumar ambientes, tirar machas de sabão, espantar formigas, polir madeira, limpar rejuntes de azulejos e pisos, limpar pias, alvejar roupas e até lavar a louça.


Por fim, algumas espécies de flores que podem ser cultivadas em casa deixam o ar da casa mais limpo e perfumado. Elas combatem compostos orgânicos voláteis (COV), poluentes orgânicos persistentes (POP), formaldeído, xileno e benzeno. A Samambaia Boston e Areca Bambu, por exemplo, são umidificadoras. Algumas espécies, como a lavanda, são repelentes naturais, podendo ser esfregadas diretamente na pele ou solubilizadas em água. 


Estas receitas estão nos sites Ciclo Vivo eCycle, Green me e Um ano sem lixo. Algumas eu já fiz e uso todo dia, como a pasta de dente. É rápido de fazer, limpa igual e não agride o meio ambiente!

Para remover odores:

- Colocar extrato de baunilha nas lâmpadas apagadas faz com que elas exalem o cheirinho quando acesas.
- Ferver vinagre branco em uma panela por 30 a 45 minutos ajuda a dissipar cheiros fortes.
- Odores persistentes podem ser removidos com colheres de bicarbonato de sódio em água. É só aquecer a solução e colocar no ambiente.
- Para perfumar a casa, vale misturar óleo essencial à água e borrifar no ar.
- Uma solução com bicarbonato de sódio remove o mau cheiro de tecidos, esponjas, roupas, panos, toalhas e sofás, por exemplo. É só deixar de molho ou borrifar sobre a superfície (no caso de sofá e colchão).
- Para tirar odores de potes, dá para mergulhá-los em suco de limão diluído. Para tirar manchas, é só colocar bicarbonato de sódio, esfregar e lavar. 

Para limpar a casa:

- As cascas de limão e laranja removem odores. Uma forma é fervê-las em uma panela com água e deixar a solução no ambiente desejado. Outra é deixar as cascas de molho por duas semanas em um pote com vinagre de álcool, depois diluir em água, na proporção de uma parte de vinagre para uma ou duas de água, como preferir. Pode ser borrifado para limpar cerâmica, azulejos, rejuntes, pedra, porcelana, mármore, granito e pisos laminados. Para não esperar os 15 dias, uma solução é misturar vinagre, água e suco de limão. 
- Misturar as cascas com água quente é bom para limpar vidros e espelhos.
- A dupla bicarbonato de sódio e vinagre é ótima para limpar superfície, como pias, box de vidro, vaso sanitário, até partes bem sujas de roupas. É só borrifar o vinagre, colocar uma colher de chá de bicarbonato numa esponja (vegetal, de preferência) e esfregar.
- A mesma combinação serve para desentupir ralos. Coloque duas colheres de sopa de bicarbonato de sódio no ralo e derrame cerca de 100ml de vinagre. Tampe o ralo por uns cinco minutos para deixar a reação acontecer e depois jogue um litro de água bem quente. 
- O vinagre sozinho, por ser antifúngico e antibactericida, pode ser usado para limpar a pia da cozinha depois de lavar a louça, tirar mofo dos móveis, limpar e desinfetar o banheiro, tirar limo de utensílios. Diluído em água, pode limpar o chão e ser borrifado na cama para evitar ácaros. 
- A pia também pode ser limpa com uma mistura de suco de limão e sal. Aplique na parte metálica, esfregue com uma bucha vegetal e enxague. 
- Os mesmos ingredientes servem para limpar tábuas de corte. É só cortar meio limão, aplicar sal numa metade e esfregar a tábua. 
- Móveis e pisos de madeira podem ser lustrados com uma combinação de meia xícara de suco de limão e uma xícara de azeite de oliva. 
- Para lavar roupas na máquina com sabão em pó natural, misture quantidades iguais de bicarbonato de sódio e sabão de coco (primeiro rala e depois tritura até virar pó). É só colocar um copinho de medida na máquina e deixar lavando normalmente.
- O vinagre é um ótimo amaciante e ajuda as roupas a manterem sua cor original. Para isso, use uma quantidade de amaciante não-concentrado de vinagre no ciclo da máquina de lavar.
- Quem tem gato, vai gostar desta. Retire o conteúdo da caixa de areia e despeje vinagre o suficiente para entrar em contato com toda a superfície. Depois de alguns minutos, enxague e seque. 

Para retirar manchas:

- Nas axilas de roupas, é só esfregar com partes iguais de suco de limão e água.
- Suco de limão também tira manchas de tinta de caneta. Funciona melhor na hora em que acontece, depois é só lavar a peça em água fria.
- Manchas de bolor e ferrugem podem sair do mapa com uma pasta de suco de limão e sal. É só passar, colocar no sol para secar e repetir o procedimento até a mancha sumir.
- Roupas brancas ou delicadas podem ficar de molho em água com uma solução de partes iguais de bicarbonato de sódio e suco de limão, para alvejar.
- Outra receita de alvejante natural: meia xícara de suco de limão para quatro litros de água quente. As roupas brancas podem ficar de molho por até duas horas. Depois, podem passar pelo ciclo básico de lavagem da máquina de lavar. 

Para higiene pessoal:

- Dá para escovar os dentes com uma receita bem básica: uma colher de sopa de bicarbonato, duas de óleo de coco e cerca de 10 gotas de óleo essencial do aroma que você mais gosta (estou usando de hortelã). É ótimo, adoro!
- Bicarbonato serve como desodorante. É só pegar com o dedo e passar nas axilas. Funciona mesmo!
- O vinagre pode ser usado como condicionador. Pode borrifar e fazer uma touca ou diluir duas colheres em um copo de água. A editora da Revista Marie Claire usa vinagre de maça. 
- Espinhas incomodam muito. Para acabar com elas, secando-as, misture meia colher de chá de vinagre de maçã com meia colher de chá de argila verde e passe na espinha. Depois de 10 minutos, lave. Para limpar a pele, são duas colheres de chá de cada ingrediente; aplique no rosto por 10 minutos também e enxague. 
- Adeus, piolhos! Faça uma touca de água morna com vinagre, deixe agir por algumas horas e passe o pente fino. 
- Quem gosta de usar maquiagem pode usar óleo de coco como demaquilante no lugar das opções convencionais do mercado. Acima de 25ºC, o óleo fica líquido, então é só colocar num pedacinho de algodão (ou disco de algodão reutilizável, melhor ainda) e limpar normalmente. Não precisa enxaguar, pois é hidratante. 
- Quem diria, óleo de coco pode ser usado como lubrificante na relação sexual. Dizem que ele ajuda a manter a saúde da região íntima da mulher devido às suas propriedades antifúngicas.
- Está mais para conforto do que higiene pessoal, mas vai nesta lista: repelente natural feito de plantas. Citronela, lavanda, manjericão, crisântemo e alecrim são plantas que afugentam os insetos. Deixá-las plantadas já ajuda a afastar moscas, mosquitos, baratas, besouros e formigas, mas também dá para fazer uma solução com elas. Use as folhas como se fosse fazer chá e passe no corpo ou superfícies, como chão e janelas. No caso do crisântemo, é só esfregar as flores na pele.

Optando por estes produtos naturais e que podem ser encontrados a granel (no caso do bicarbonato de sódio e do sabão de coco), você deixa de comprar ao menos estes itens: desinfetante, branqueador, creme para limpeza de pele, soda cáustica, remédio para piolho, amaciante de roupas, água sanitária, pasta de dente, desodorante, água perfumada, demaquilante, óleo para o corpo, repelentes convencionais, entre outros. Além da economia em dinheiro, você deixa de poluir não só o ambiente e o ar que você respira em casa, como também seu próprio corpo.
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Cuidando da água – Parte 1: Como economizar

Por Letícia Maria Klein •
01 fevereiro 2016

“Tem que economizar água, senão ela vai acabar”. Err... Só que não. A quantidade de água no planeta sempre foi e sempre será a mesma. O que acontece é que a gente suja a água quando usa. Desde tomar banho, lavar louça e roupa, limpar a casa até processos industriais que utilizam água em grande volume. Quanto mais água a gente usa, mais água precisa ser limpa e isso demanda tecnologia, dinheiro e tempo. Dependendo da quantidade e tipo de sujeira (especialmente alguns remédios e produtos químicos), precisa-se dos melhores equipamentos e tratamentos existentes e ainda assim a água pode não ficar completamente limpa, para logo mais ser suja de novo. Para economizar e ajudar de todos os lados, este é o primeiro post de uma série sobre como podemos – e devemos! – cuidar da água nossa de cada dia – um dos pilares da nossa existência. Neste primeiro post, vamos ver como usar menos água nos processos diários, e assim manter mais dim dim no bolso.


Uma grande aliada da economia de água em casa é o reuso. Quem tem aquecimento de água solar ou a gás, sabe que a água quente pode demorar a chegar. No meu apartamento, por exemplo, a água do chuveiro leva até um minuto para esquentar. Enquanto isso, eu coleto a água fria que cai e depois utilizo para dar descarga no vaso sanitário.

Por ser a mesma água que sai da torneira da pia, o que foi coletado também pode ser usado para lavar louças ou roupas, regar as plantas, limpar superfícies como piso e paredes, lavar o carro ou a bicicleta. São vários os reusos possíveis. A água que sai da máquina de lavar também pode ser reutilizada, mas por ter produtos químicos (vamos ver alternativas para isto no próximo post), é melhor não regar as plantas nem lavar louças com ela.

O que ajuda na hora de economizar é identificar todas as ações que você faz em casa que utilizam água, ver quais processos geram excedente e listar as formas de reutilizar esta água.

Usar mangueira para lavar a calçada 
ou o carro está fora de cogitação

Outra forma de economizar água é diminuir o consumo propriamente dito. Um exemplo clássico é fechar a torneira enquanto estiver escovando os dentes e o chuveiro enquanto estiver se ensaboando. A quantidade de água que sai de uma torneira aberta durante três minutos, em pelo menos três escovações diárias, equivale ao que uma pessoa bebe em três meses

Na mesma linha, vale encher a pia de água ao invés de deixar a torneira aberta na hora de se barbear e lavar a louça. É só tampar o ralinho e encher a quantidade necessária, que pode ser bem pouca para o caso do barbear (afinal, é só para limpar a lâmina). Uma torneira aberta por 15 minutos leva embora até 117 litros de água, então o método de encher a pia ou uma bacia é muito bom na hora de lavar os pratos, principalmente quando a quantidade é grande. Falando em louça, o que também diminui o consumo de água é usar menos, servindo a comida na panela, por exemplo, ao invés de colocá-la em outro recipiente, além de deixar acumular louças para lavar tudo de uma vez só (esta vale também para roupas). 

Estas práticas podem dar um desconto bem legal na fatura de água, pois você vai puxar menos água da rede. Para reduzir bastante os custos, o canal é captar água da chuva. Para quem mora em prédio, é um pouco mais difícil, a não ser que o edifício tenha sistema de captação. Mas sempre dá para improvisar com uma calha presa à janela ou na sacada. Em Blumenau, a Lei Complementar Municipal 691/2008 estabelece que o sistema hidráulico-sanitário das novas edificações de uso não-residencial com área construída superior a 750,00m² devem ter bacias sanitárias de volume reduzido de descarga, chuveiros e lavatórios de volumes fixos de descarga, torneiras equipadas com arejadores e sistema de captação de águas das chuvas. Prédios residenciais devem ter, no mínimo, este último.

Este é o princípio, mas existem vários sistemas

Para quem mora em casa, é mais fácil. Para montar um sistema, o primeiro passo é adquirir reservatórios, como caixas d’água. Quanto maior o volume de água da chuva acumulado, menor será sua dependência de água da rede e maior o período de tempo em que a água da chuva vai estar disponível. O sistema pode ser calculado sobre a quantidade de água utilizada em média por dia na sua residência e para quanto tempo você quer captar, considerando a média de dias em que não chove na sua cidade (também deve ser levado em conta o peso da cisterna, caso ela vá no segundo andar da casa).

O sistema pode ser direcionado para encher os vasos sanitários, a máquina de lavar, o sistema hidráulico da cozinha. Tem gente que usa até para tomar banho, mas não é recomendável por causa dos poluentes químicos, micro-organismos e outras substâncias presentes na água, como, por exemplo, fezes de aves. Este estudo afirma que a água da chuva pode ser usada para banho, desde que as primeiras águas sejam descartadas e a cisterna passe por limpeza e desinfecção periódicas. Para beber e escovar os dentes, apenas água da rede.

Um P.S. bem importante aqui: as lavações a seco, que se dizem ecológicas, podem não utilizar água, porém geram muito lixo. Ou melhor, rejeitos, que não são recicláveis. O que isso tem de ecológico? Trocar seis por meia dúzia, ou um problema ambiental por outro, não vale. Você pode até economizar água, mas vai contribuir para o aumento dos aterros sanitários, ou pior, dos lixões. Utilizar o mínimo de água e reaproveitar ao máximo continua sendo a melhor opção. No próximo post, vamos ver como limpar a casa e cuidar da higiene de formas que não sujam, ou sujam o mínimo possível, a nossa preciosa água. 
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