Encheu a caixa digestora! Hora de trocar – Meu santo composto #5

Por Letícia Maria Klein •
29 março 2019
O meu minhocário tem três caixas, que é a estrutura mínima: duas digestoras, onde ficam as minhocas e outros bichinhos, e uma coletora, onde cai o biofertilizante derivado da decomposição dos alimentos. Há alguns dias, a caixa digestora de cima ficou cheia e eu precisei trocar de posição com a de baixo.

Caixa digestora cheia, sem a camada de folhas secas
Caixa digestora cheia, sem a camada de folhas secas

Composto retirado do minhocário pronto para uso, no pote à direita
Composto retirado do minhocário pronto para uso, no pote à direita

No período que a caixa de cima levou para encher, o conteúdo da de baixo já tinha ficado menor, mais decomposto. Para tirar parte desse composto, coloquei a caixa no sol para que as minhocas fossem para o fundo e eu conseguisse pegar a parte de cima do adubo sem levar minhocas junto. Não tinha problema levar algumas, já que eu usei o adubo nas minhas plantinhas, mas eu prefiro deixá-las no minhocário.

Coloquei um balde embaixo da caixa para o caso de minhocas quererem atravessar os buracos da caixa, mas nenhuma quis
Coloquei um balde embaixo da caixa para o caso de minhocas quererem atravessar os buracos da caixa, mas nenhuma quis

Quando você fizer esse procedimento com o seu sistema, sugiro deixar a caixa com o composto por uma ou duas horas no sol e tirar o conteúdo enquanto a caixa está no sol, pois as minhocas vão estar no fundo e conforme você vai tirando mais terra, elas vão descendo. Eu acabei saindo de casa no dia em que deixei a caixa digestora no sol e quando voltei já não tinha mais luz sobre ela, então as minhocas subiram de novo para a superfície e foi mais difícil tirar o composto sem elas. Outra vantagem de deixar no sol é que o composto seca um pouco e fica mais fácil de manusear.

Alguns resíduos orgânicos ainda estavam inteiros ou detectáveis, como casca de pinhão, de ovo e de pistache, ponta do cacho de banana e semente de manga. É normal, pois esses resíduos levam mais tempo para se decompor devido ao tamanho e composição. Eles podem ir junto com o adubo para as plantas ou jardim, pois vão terminar de se decompor lá. Se você quiser tirar quase todo o composto (é bom deixar uma base para cobrir os buracos da caixa), coloque a caixa cheia embaixo da que tem o adubo, assim as minhocas vão conseguir passar pelos buracos do fundo para a caixa debaixo conforme você vai tirando a terra.

Composto que ainda ficou na caixa, como semente de manga,  casca de ovo e ponta do cacho de banana
Composto que ainda ficou na caixa, como semente de manga,
casca de ovo e ponta do cacho de banana

Caixa digestora de volta ao minhocário com uma nova camada de resíduos orgânicos
Caixa digestora de volta ao minhocário com uma nova camada de resíduos orgânicos

Como está a sua compostagem doméstica? Já trocou as caixas de ordem? Conte aqui como está sendo sua experiência.

Um ecobeijo e até breve.
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Reciclagem e compostagem na Comcap – Tour lixo zero em Florianópolis #3

Por Letícia Maria Klein •
26 março 2019
A terceira visita do tour lixo zero em Florianópolis foi em um dos terminais da Comcap, a autarquia do governo municipal responsável pelo gerenciamento dos resíduos sólidos na cidade. A companhia foi criada na década de 1960 como parte do plano de desenvolvimento da capital catarinense.

Educação ambiental na Comcap
Casinha de educação ambiental na Comcap
No início, seu trabalho tinha relação com o calçamento, pois era uma companhia de melhoramento do município. Em 1986, foi criado o Projeto Beija-flor de coleta seletiva e posteriormente o projeto Minhoca na cabeça, que incentiva a compostagem doméstica. Atualmente a Comcap é responsável por toda a coleta de resíduos sólidos na cidade, incluindo rejeitos e orgânicos e também recicláveis, além dos pontos de entrega voluntária (PEV, que são móveis), ecopontos (fixos), raspagem de valas e podas urbanas. O ecoponto localizado na unidade recebe orgânicos, eletroeletrônicos, volumosos, madeira, papel, vidro, plástico e metal, além de livros, que ao invés de serem reciclados, são colocados numa pequena construção de madeira e deixados à disposição da população.

Ecopontos de vidro e outros materiais recicláveis
Ecopontos de vidro e outros materiais recicláveis

Ecoponto na Comcap para vários tipos de resíduos e a biblioteca ao fundo
Ecoponto na Comcap para vários tipos de resíduos e a biblioteca ao fundo

A vista da cidade e do topo das árvores revela a altura do terreno onde estávamos, que na verdade é o extinto lixão
A vista da cidade e do topo das árvores revela a altura do terreno onde estávamos, que na verdade é o extinto lixão

A visita foi realizada na unidade da Comcap localizada no bairro Itacorubi, onde existiu o lixão da cidade entre a década de 1950 e 1989, ano em que uma iniciativa popular impediu a continuação do depósito de lixo. O local ficou inativo por 10 anos e depois foi transformado no Centro de Transferência de Resíduos, hoje chamado de Centro de Valorização de Resíduos devido à diretriz de destinar os recicláveis para a reciclagem e os orgânicos recebidos lá para a compostagem, além da prática de educação ambiental realizada no local. Os resíduos recicláveis coletados pela companhia são entregues a associações e cooperativas vinculadas, sendo que uma delas, com mais de 60 colaboradores, fica no mesmo terreno.

Associação de catadores e uma montanha de vidro. Não tivemos permissão para entrar no local
Associação de catadores e uma montanha de vidro. Não tivemos permissão para entrar no local

Por dia, 30 caminhões fazem o trabalho de coleta de resíduos na cidade. As podas são picotadas e divididas para compostagem, jardim botânico, trabalho de educação ambiental e sociedade interessada. A compostagem é feita com os resíduos orgânicos que a população deposita no ecoponto localizado no terreno e com resíduos de restaurantes parceiros de uma iniciativa da Universidade Federal de Santa Catarina. O pátio da compostagem é enorme! Os resíduos orgânicos compostados equivalem a 1% dos produzidos na cidade diariamente. É o começo.

Pátio de compostagem com leiras
Pátio de compostagem com leiras

Pátio de compostagem com leiras
Pátio de compostagem com leiras

Visitamos ainda o Museu do Lixo, também localizado lá, que tem 15 anos de existência e foi criado a partir de resíduos descartados pelas pessoas. É espantosa a quantidade e diversidade de itens em perfeito estado! Brinquedos, jogos, pinturas, eletrodomésticos, artigos esportivos, discos, livros, enfeites, enfim, uma diversidade de objetos que provavelmente teriam ido parar no aterro sanitário. O museu dá até uma sensação de claustrofobia, de tantas coisas que tem lá dentro. É proposital, como disse nosso guia, para fazer as pessoas sentirem na pele o problema do lixo no mundo

Museu do Lixo
Museu do Lixo

Museu do Lixo
Museu do lixo

Visitar uma cooperativa de reciclagem, um aterro sanitário ou industrial ou um lixão é uma das melhores formas de perceber o tamanho e a profundidade do problema. Foi o que me fez acordar para o tema quando participei de um roteiro dos resíduos sólidos na minha cidade, em 2013. Cenários assim nos mostram a importância e a necessidade de adotarmos novas atitudes em prol de um mundo onde tudo se reaproveita.

Um ecobeijo e até breve.
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8 formas de conservar e economizar água

Por Letícia Maria Klein •
22 março 2019
O Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março, foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992 para conscientizar as pessoas e reforçar a necessidade de consumir água conscientemente. Temos várias maneiras de fazer isso no nosso dia a dia, tanto de forma direta quanto indireta. Fiz uma lista com oito atitudes que você pode adotar para cuidar da água:

- Não desperdice. Tomar banhos curtos (de até 10 minutos), fechar o chuveiro para se ensaboar e lavar o cabelo, fechar a torneira da pia enquanto escova os dentes, ensaboa a louça ou para se barbear e aproveitar a água da chuva são algumas formas de aproveitar toda a água que você paga.

- Não jogue nada no vaso sanitário. Papel higiênico, absorvente, fio dental, fralda e até comida figuram entre os itens que algumas pessoas jogam no vaso sanitário. Tudo isso contribui para o entupimento da tubulação ou a saturação dos filtros e grades nas estações de tratamento de esgoto. Por isso, deixe somente os números 1 e 2 irem por água abaixo.

- Remédios e óleo de cozinha usado também estão na lista de coisas que são descartadas na pia ou no vaso e que contaminam muito a água. Quando quiser descartar medicamentos, leve-os até uma farmácia. A maioria já tem coletores especiais para esses resíduos. No caso do óleo de cozinha, coloque numa garrafa pet e leve a um ponto de coleta. É bem comum supermercados terem pontos de entrega voluntária de óleo de cozinha.

- Prefira roupas de fibras naturais às sintéticas. Cada vez que lavamos roupas sintéticas, que têm fibras de plástico originadas do petróleo, as fibras se soltam e vão parar nos rios e oceanos, contribuindo para a massa de plástico que contamina e provoca a morte de milhares de animais marinhos. 

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- Não jogue nada de lixo na rua. Essa é velha, mas é pelo mesmo motivo descrito acima: a chuva leva tudo para o bueiro e o lixo segue até o oceano, aumentando o problema do plástico no mundo.

- Seja um consumidor consciente. Tudo que consumimos, de alimentos a roupas, móveis, eletrodomésticos, objetos de decoração e papelaria, precisou de água para ser fabricado, além de eletricidade e outras matérias-primas. Assim, quando consumimos somente o necessário, estamos poupando água e diminuindo a demanda por extração de bens naturais.

- Não desperdice alimentos. Cerca de 40% dos alimentos produzidos no mundo são perdidos ao longo da cadeia produtiva. Com eles, muita água se perde também. Consumir todos os alimentos que você compra ou coloca no prato é uma forma de poupar água.

- Faça compostagem. Transformar os resíduos orgânicos em adubo na sua casa diminui a pilha de resíduos que vai para o aterro sanitário. Lá, todo aquele lixo misturado produz chorume, que é um líquido tóxico derivado da decomposição de rejeitos, recicláveis e orgânicos que estão enterrados. O aterro tem uma manta de contenção, mas o chorume eventualmente pode vazar. Lixões e aterros controlados não têm métodos de impermeabilização do solo, então o chorume percola e contamina os lençóis freáticos. Compostar os orgânicos diminui a pilha de lixo nesses locais e, consequentemente, o potencial de contaminação do ambiente.

Feliz dia da água todos os dias!

Um ecobeijo e até breve.
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O que não pode ser compostado e o que fazer com esses resíduos – Meu santo composto #4

Por Letícia Maria Klein •
19 março 2019
A maioria dos resíduos orgânicos que sobram das refeições pode ir para o minhocário ou a composteira, mas tem alimentos que não entram nesta lista: carnes, doces, laticínios, óleos, gordura, alimentos cozidos em grande quantidade, limão, excesso de frutas cítricas, alho e cebola, fezes de animais de estimação, papel higiênico usado, carvão e suas cinzas. Esses resíduos desequilibram o processo de compostagem doméstica e atraem insetos e potenciais vetores de doenças.

Existem sistemas que compostam os alimentos citados acima, como a compostagem feita no Hotel Sesc e alguns equipamentos, mas não é possível em escala doméstica, onde a compostagem precisa ser bem controlada para não atrair vetores. Assim, a solução para carnes, doces, laticínios e cozidos é não desperdiçar. Se sobrou, consuma na refeição ou dia seguinte ou congele. Planeje seu cardápio semanal para não comprar além do necessário e conseguir aproveitar tudo.

Em relação às cascas de cebola e alho, você pode juntar com outras cascas e talos um pote, guardar no congelador e quando tiver uma quantidade suficiente, faça um caldo de legumes, que também pode ficar guardado no congelador. Cascas de frutas cítricas, especialmente de limão, podem ficar de molho em vinagre por duas semanas, resultando num desinfetante natural. Essas dicas são da Cristal, do blog Um ano sem lixo. Ela também indica uma receita de desengordurante da Neide Rigo, que bate as cascas no liquidificador com água e depois filtra.

Eu nunca fiz essas receitas. Quando eu montei minha primeira composteira, percebi que não ia ser suficiente para mim. Então, como meu noivo morava numa casa, eu congelava meus resíduos orgânicos e levava no fim de semana para a casa dele, onde enterrava no quintal. Ainda mantenho esse costume, congelando tudo que não cabe no meu minhocário, inclusive os cítricos e aromáticos (as cascas de cebola e alho).



Uma vez eu entrei em contato com o pessoal da Morada da Floresta para esclarecer essa dúvida sobre o que fazer com os aromáticos. Eles me responderam que as minhocas não se adaptam facilmente com esses itens se eles forem colocados em grande quantidade. Colocar até 10 cascas por caixa não tem problema. A Cristal diz que depois de fazer o desinfetante ou o caldo, os resíduos podem ir para o minhocário ou a composteira numa boa. Como ainda não fiz as receitas, não fiz esse teste. Quando testar, conto aqui o resultado.

Para óleos e gorduras, o ideal é colocá-los numa garrafa plástica e levar a um ponto de coleta deste tipo de resíduo, que contamina a água quando despejado na pia e também contamina o solo se você jogar no quintal. Em relação às fezes de animais de estimação, você pode ensinar o seu bichinho a fazer as necessidades no vaso sanitário (sim, é possível!) ou coletá-las e dar descarga. É um resíduo a menos que vai para o aterro sanitário.

As cinzas de carvão não podem ser compostadas, mas são adubo para suas plantas, desde que livres de sal e gordura. O casal do Jardim do Mundo dá mais dicas de como usar as cinzas. Cabelos e unhas, apesar de orgânicos, também não fazem bem para as minhocas, segundo a Morada da Floresta. Como não dá para colocar no vaso sanitário, pois entopem o sistema de tratamento de esgoto, um destino lixo zero para esses resíduos é a composteira seca ou o canteiro. Por fim, o melhor tratamento para o papel higiênico é não usar! Neste post eu explico como faço para evitar o papel higiênico em casa.

Agora você já sabe o que pode e o que não pode ser compostado em casa. Continue acompanhando a série para mais dicas e explorações do mundo da compostagem.

Um ecobeijo e até breve.
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Aeroporto de Florianópolis – Tour lixo zero em Florianópolis #2

Por Letícia Maria Klein •
15 março 2019
A segunda parada do tour lixo zero, parte da programação do Encontro dos Embaixadores do Instituto Lixo Zero, foi no aeroporto de Florianópolis (a primeira foi o sistema de compostagem do Hotel Sesc). Depois que a concessionária Floripa Airport assumiu o aeroporto, a gestão de resíduos foi terceirizada com a empresa catarinense Brooks, que consegue reaproveitar 60% dos resíduos sólidos gerados no local por meio de reciclagem e compostagem.

Última parte no processo dos resíduos recicláveis: o enfardamento

Os resíduos provêm do setor de manutenção, das aeronaves e da coleta seletiva geral do terminal, onde existem coletores para material reciclável, não reciclável, orgânico e vidro. São utilizados sacos de cores diferentes para acondicionar os resíduos: preto para rejeitos, marrom para orgânicos, azul para recicláveis e amarelo para rejeitos sanitários. Como ainda sobraram sacos vermelhos do sistema antigo, em voga antes da concessionária nova assumir, eles estão reaproveitando-os internamente para não descartá-los.

Caçambas para alguns resíduos recicláveis

Os resíduos recicláveis do terminal e dos voos nacionais são separados, triados, enfardados e destinados a empresas recicladoras. Entre os itens que são encaminhados para a reciclagem, é interessante ressaltar o papel toalha do banheiro, as embalagens plásticas metalizadas (BOPP) e as cápsulas de café, que não costumam ser reciclados. Como as embalagens de BOPP são enviadas para uma empresa no Rio Grande do Sul, o representante da empresa Brooks disse que eles só conseguem viabilizar o processo porque a empresa coleta o material da Pepsico em toda a cidade. Os vidros são enviados para a empresa Vidros Catarina. O isopor é coletado por uma cooperativa que envia o material para a empresa Santa Luzia, em Braço do Norte/SC. Os sacos de acondicionamento geralmente são reutilizados, pois não são necessários em todos os enfardamentos. A equipe de triagem do aeroporto separa os resíduos recicláveis em nove tipos.

Local da triagem dos resíduos recicláveis

Os resíduos orgânicos são compostados. O processo é feito por uma máquina, chamada FastCompost, que transforma os resíduos em um composto em até 18 horas, por meio de enzimas (ação biológica). O equipamento foi criado pelo proprietário da Brooks com base em sistemas diversos que ele conheceu em outros países. A máquina comporta até 650 quilos de orgânicos por ciclo e composta qualquer tipo de alimento ou restos orgânicos, como ossos pequenos. O consumo de energia do equipamento é de 7kw/hora e o processo de compostagem corresponde a não emissão de 280 toneladas de carbono equivalente por ano. O composto resultante é tão concentrado que deve ser misturado ao solo na proporção de um para 10.

De todos os resíduos gerados no aeroporto, os 40% considerados rejeitos que são encaminhados ao aterro sanitário são compostos por miúdos (pedaços muito pequenos de materiais), resíduos sanitários e resíduos de voos internacionais. Segundo a Resolução RDC nº 56/08 da Anvisa, devem ser tratados antes da disposição final em aterro e não podem ser “reciclados, reutilizados ou reaproveitados”. A norma diz que todos os resíduos de voos internacionais enquadram-se no Grupo A, que apresenta potencial risco à saúde pública e ao meio ambiente.

Acondicionamento dos resíduos de voos internacionais

Máquina de autoclave para os resíduos de voos internacionais que devem ser esterilizados

O analista ambiental André de Melo Corrêa, que trabalha no aeroporto e nos acompanhou na visita, disse que é feito um trabalho de educação ambiental com o público, porém, a característica flutuante deste torna a ação um desafio. Por isso o aeroporto mantém uma equipe que faz a triagem de todos os resíduos recicláveis coletados. A educação ambiental também é feita com a tripulação das aeronaves e é solicitado que o pessoal separe pelo menos os orgânicos dos recicláveis. André comentou que as companhias costumam aderir à campanha. Como a responsabilidade é de todos, os custos com o gerenciamento de resíduos sólidos são repassados às cessionárias comerciantes.

Resíduos prontos para o enfardamento
Resíduos enfardados

Um grande avanço! Que todos os aeroportos adotem políticas semelhantes e consigam se aproximar da meta lixo zero. Um ecobeijo e até breve.
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Compostagem no Hotel Sesc – Tour lixo zero em Florianópolis #1

Por Letícia Maria Klein •
12 março 2019
De 7 a 9 de março eu participei do II Encontro dos Embaixadores do Instituto Lixo Zero Brasil, em Florianópolis, SC. O primeiro dia foi dedicado a um tour para conhecer locais que estão gerenciando seus resíduos de forma a diminuir o que enviam para o aterro sanitário. Conhecemos o sistema de compostagem do Hotel Sesc, a gestão de resíduos do aeroporto de Florianópolis, o programa “Universidade lixo zero” da Udesc e o restaurante Origem, o primeiro lixo zero do Brasil. Neste primeiro post sobre o tour, venha comigo conhecer a compostagem do Hotel Sesc.

A rede de hotelaria do Sesc em Santa Catarina desenvolve uma iniciativa fantástica de compostagem dos resíduos orgânicos dos seus restaurantes. O adubo e o biofertilizante são depois usados nos jardins da própria rede e doados para projetos, parceiros e comunidade em ações de educação ambiental.

A compostagem é feita em leiras, que vão sendo erguidas com palha, serragem e resíduos orgânicos, num processo termofílico (o mesmo da composteira seca) em que a decomposição é feita por bactérias aeróbicas num ambiente em torno de 65°C. Para coletar o biofertilizante (produzido em grande quantidade nesse processo, ao contrário da compostagem seca feita em casa), é construída uma calha inclinada embaixo da leira, no solo, que leva o líquido até uma caixa coletora enterrada. Esse processo permite que resíduos orgânicos de vários tipos, incluindo carnes e cozidos, sejam compostados.

Leiras

Leiras

Os materiais secos utilizados na compostagem são doados por parceiros. A palha é conseguida na Ceasa (Central de Abastecimento do Estado de Santa Catarina) e a serragem vem da Sociedade Hípica Catarinense. A palha é utilizada na parte externa da leira, pois suas fibras longas ajudam na sustentação. A serragem é utilizada no interior como camada entre os resíduos orgânicos para conferir o carbono necessário ao processo de decomposição. Também podem ser usadas folhas secas junto com a serragem, a diferença é que elas tem menos carbono do que a madeira.

Leira aberta. A palha está ao lado e no centro vê-se a serragem cobrindo pilha. Dá para ver o vapor quente emanando do topo
Foco na serragem que cobre os resíduos orgânicos

Ao contrário da composteira seca doméstica, não é necessário mexer nesta leira para promover a ventilação. A aeração dela é passiva, ocorre naturalmente através da estrutura de palha por fora e serragem no lado de dentro. A leira fica sempre coberta com palha. Para colocar os resíduos orgânicos, a palha é retirada, os resíduos são espalhados e cobertos com serragem. Para finalizar, coloca-se a palha novamente no topo. São colocadas de 25 a 35 bombonas de alimento por dia, cerca de 350 quilos. Cada leira recebe alimento uma vez por semana. A temperatura mínima é de 65°C e a máxima já registrada foi de 79°C. A temperatura do ambiente não influencia a temperatura interna.

Durante a visita guiada, os participantes puderam participar do processo, colocando os resíduos das bombonas na leira. Uma próxima etapa no projeto é a instalação de um reservatório térmico para acondicionar água para lavar as bombonas, sendo que a água utilizada será aquecida por meio de serpentinas colocadas no interior das leiras.

O guia explica o processo de compostagem no Hotel Sesc
Participantes colocando resíduos orgânicos na leira

Em 2018, foram compostados 138,9 toneladas de resíduos orgânicos, que geraram 56,4 toneladas de composto orgânico e 9.500 litros de biofertilizante nos hotéis da rede no estado. O composto é utilizado nos jardins e distribuído em forma de amostra em ações de educação ambiental e doações de maior volume para projetos parceiros, particulares e instituições. A visita ao sistema de compostagem também faz parte das ações de educação ambiental do Sesc, que impactaram mais de 30 mil pessoas no ano de 2018 segundo o balanço social divulgado no início do mês.
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O que pode ser compostado – Meu santo composto #3

Por Letícia Maria Klein •
05 março 2019
Basicamente, tudo que veio da terra pode voltar para a terra. Verduras, frutas, legumes, folhas, galhos, flores, pó e filtro de papel de café, folhas e saquinhos de chá, casca de ovo (não é da terra, mas é natural), grãos, alimentos cozidos e assados em pequena quantidade, aparas de lápis, palitos de madeira e até papel e algodão. Como existem dois métodos de compostagem doméstica (a seca e a vermicompostagem), existem algumas diferenças entre o que pode ser colocado na composteira e no minhocário, incluindo o tipo de resíduo orgânico e a quantidade.

Resíduos do meu café da manhã e almoço de sábado: casca de banana, 
cascas de cenoura, talos de vagem, umas cascas perdidas de alho e cebola 
e uma batata palha

Na compostagem seca, a decomposição dos alimentos é realizada por bactérias aeróbias, que usam oxigênio. É um método mais lento (leva pelo menos o dobro do tempo do que a decomposição por minhocas) e quase não produz biofertilizante, mas permite que você coloque mais alimentos do que no minhocário e outros materiais, como caixa de pizza, retalhos de algodão, papel e madeira. Eles vão demorar mais para serem compostados, mais do que seis meses, mas não vão causar danos na composteira.

No minhocário, o cuidado com o que se coloca deve ser maior porque tem muitos animaizinhos morando ali e que vão sofrer se o sistema entrar em desequilíbrio. As minhocas aceitam e comem papel, por exemplo, mas não é bom colocar muito, afinal não é comida (e vai deixá-las brancas). O mesmo vale para a caixa de pizza, que além de ser um papel mais grosso, provavelmente contém gordura, o que não é bom para o minhocário. Guardanapo e papel toalha também podem ir no minhocário, em pequena quantidade – na composteira pode colocar mais.

De forma geral, qualquer casca, semente e talo de hortaliça ou fruta tem passagem livre na composteira e no minhocário. Algumas cascas mais grossas de frutas (como a do abacate), algumas sementes (abacate de novo, manga) e partes muito fibrosas (como a ponta do cacho de bananas) demoram muito para serem decompostas pelas minhocas, mas podem ficar lá. Cascas de frutas cítricas, alho e cebola podem ser colocados na composteira, mas devem ser evitados no minhocário, devido à acidez que pode bagunçar o ph e prejudicar os bichinhos.

Para agilizar o processo de compostagem nos dois sistemas, você pode cortar os resíduos em pedaços pequenos. É importante que eles estejam num tamanho que permita a passagem das minhocas, de insetos e de oxigênio, por isso é bom cortar ou despedaçar cascas, folhas e talhos grandes ou grossos. Também é bom quebrar cascas de ovo, rasgar papeis e quebrar palitos de madeira (como os hashis de comida japonesa, fósforos e palitos de dente).

Por cima de tudo, tanto na composteira quanto no minhocário, você deve colocar folha seca, palha ou serragem. Esses elementos secos fornecem o carbono necessário para completar o processo da compostagem e equilibrar o sistema, em conjunto com o nitrogênio dos resíduos orgânicos. Além disso, previnem o odor ruim e a presença de seres não desejados, como ratos e baratas.

Resíduos no minhocário com cobertura seca

No próximo post vou falar sobre o que não pode ir na compostagem doméstica e o que fazer com esses resíduos. Se ficou com alguma dúvida ou quiser compartilhar sua experiência, comente aqui embaixo.

Um ecobeijo e até breve!
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Um paredão de pedra no Parque Tanguá em Curitiba

Por Letícia Maria Klein •
01 março 2019
Outra área verde que visitei durante minha ida a Curitiba no último fim de semana foi o Parque Tanguá. Fiquei maravilhada com o lugar e a vista da floresta abaixo, a 65 metros de altura. O lugar é muito lindo, me encantei!

Vista da floresta no Parque Tanguá
Vista da floresta no Parque Tanguá

O parque localiza-se nas antigas pedreiras da família Gava no Rio Barigui, entre as cidades de Curitiba e Almirante Tamandaré, segundo o site da cidade. Foi inaugurado em 1996 (como o Bosque Alemão) no lugar de uma usina de reciclagem de caliça e lixo industrial que estava planejada para funcionar ali.

Dentro do parque, o Jardim Poty Lazzarotto tem canteiros de flores e espelhos d’água em estilo francês. Na ponta, foi construído um terraço de três andares com vista para a lagoa que se forma a partir do Rio Barigui. O terraço tem decks, bistrô, banheiros, loja e torres para observação (onde venta muito!). O nome do jardim é uma homenagem ao artista plástico Napoleon Potyguara Lazzarotto, curitibano falecido em maio de 1998, ano de criação desta parte do parque.

Fonte e terraço de três andares no Jardim Poty Lazzarotto
Fonte e terraço de três andares no Jardim Poty Lazzarotto

Jardim Poty Lazzarotto
Jardim Poty Lazzarotto

Jardim Poty Lazzarotto
Jardim Poty Lazzarotto

Flores no Jardim Poty Lazzarotto
Flores no Jardim Poty Lazzarotto

O jardim fica na parte de cima do Tanguá, com vista para o lago e a floresta. Pode-se descer a pé ou de carro até o deck, de onde tem-se a vista do paredão de pedra e da cascata que passa pelo terraço no topo. Tinha tanto vento naquele dia que a água caía em diagonal.

Paredão de pedra no Parque Tanguá, com túnel aberto na rocha e a passarela.
Paredão de pedra, com túnel aberto na rocha e a passarela.

Terraço no topo do paredão de pedra com cascata
Terraço no topo do paredão de pedra com cascata

Cerca viva no trajeto para o deck
Cerca viva no trajeto para o deck

Há ainda pista para corrida e caminhada, ciclovia e um túnel artificial aberto na rocha que permite a passagem para a lagoa. Tem uma passarela que segue a lateral da rocha para as pessoas fazerem a travessia a pé. Uma das placas informativas do parque diz que a travessia pode ser feita de barco e deve ser agendada. Quero fazer esse passeio numa próxima vez.

Quando você estiver em Curitiba, programa-se para visitar o Parque Tanguá, com certeza um dos lugares mais bonitos da cidade.

Serviço:
Localização: Rua Oswaldo Maciel
Bairro: Taboão/Pilarzinho
Ano de implantação: 1996
Acesso: gratuito
Fauna: pato silvestre, morcego, gambá, tatu, cisqueiro, pavó, quero-quero, frango-d’água, jaçanã, marreca ananaí, socó-dorminhoco, joão-de-barro, sabiá-laranjeira, bem-te-vi, parelheira, cobra-d’água, boipeva, jararaca, teiú, cágado-cabeça-de-cobra.
Flora: branquilho, veludo, maria-mole, cambuí-do-brejo, embira-branca, baga-de-pombo, tarumã, aroeira, congonha, corticeira-do-brejo, bromélia, cambuí-manchado, miguel-pintado, mamica-de-porca, araucária, canela, pessegueiro-bravo, bugreiro, carvalho, cafezeiro-bravo, erva-mate, imbuia, sassafrás, camboatá, pinheiro-bravo, caúna, guaçatunga, bracatinga.
Horário de funcionamento: parque, diariamente das 8h às 18h; bistrô, diariamente das 9h às 21h.

Mapa do Parque Tanguá
Mapa do Parque Tanguá
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