18 atitudes sustentáveis que economizam dinheiro

Por Letícia Maria Klein Lobe •
26 novembro 2020
Economia e ecologia tem tudo a ver uma com a outra! A ideia de que a sustentabilidade “atrapalha” o progresso não poderia ser mais falsa. Não é à toa que “O negócio é ser pequeno”, um dos principais livros sobre sustentabilidade já publicados, foi escrito por um economista, o britânico Ernst Friedrich Schumacher.

Para começar, os dois termos compartilham o radical “eco”, que significa casa em grego. Economia significa “gestão da casa”, enquanto que ecologia significa “estudo da casa”. Para cuidar do nosso planeta e seus bens naturais, precisamos conhecer e entender as relações interdependentes que existem entre todos os seres vivos e os ambientes e, consequentemente, conservar os habitats naturais e fazer um uso consciente e racional dos bens (água, energia, matéria-prima etc). 

Letícia segurando uma nota de 50 reais

Além de garantir a manutenção dos sistemas econômicos por mais tempo, a sustentabilidade prevê qualidade de vida para todos e redução de gastos. Então, vamos para a lista de 18 atitudes sustentáveis que economizam seu dinheiro no dia a dia.

  1. Compre em brechó: além de gastar menos dinheiro com roupas, calçados e acessórios, você aumenta a vida útil de peças que já estão no mercado, diminuindo a demanda de produção de produtos novos.

  2. Conserte roupas, calçados e acessórios: consertar costuma ser mais barato do que comprar algo novo e permite que você use por mais tempo aquilo que já tem em casa, sem precisar adquirir peças novas.

  3. Troque livros: você pode usar os sites Skoob e Livra Livro para trocar livros que você tem por outros que quer ler (neste caso, você envia e recebe os livros por correio, o que é bem mais barato do que comprar, mesmo que seja no sebo). Você também pode trocar seus livros no sebo da sua cidade, e neste caso você não gasta nada.

  4. Desligue aparelhos da tomada quando não estiver usando: essa atitude economiza até 30% na sua fatura de energia elétrica. Depois de usar o computador, aparelho de som ou televisão, tire o plugue da tomada.

  5. Solicite suspensão de serviços básicos quando viajar: sempre que estiver fora de casa por um período mais longo, você pode interromper os serviços de água, luz, telefone fixo e celular, televisão a cabo e internet da sua casa. Você pode suspender esses serviços uma vez por ano, sem custo.

  6. Tome banhos curtos e feche a torneira: você economiza água e de dinheiro ao mesmo tempo toda vez que fecha a torneira para escovar os dentes, fazer a barba e lavar a louça e sempre que toma banho de até 5 minutos (10 no máximo), fechando o chuveiro para se ensaboar e passar shampoo.

  7. Colete água do chuveiro: se você tem chuveiro a gás, em que a água quente demora para chegar, você pode coletar a água fria num balde e usar depois na descarga, para lavar roupa ou louça.

  8. Instale uma ducha higiênica no banheiro: assim você diminui (ou mesmo elimina) o consumo de papel higiênico e economiza dinheiro (além de não gerar embalagem).

  9. Utilize um coletor menstrual (se você é mulher, claro): é um produto reutilizável e muito mais econômico do que os absorventes descartáveis, além de não gerar lixo. Eu comprei o meu coletor por R$ 70 ou R$ 80 reais e uso há cinco anos. Sem mais gastos com menstruação!

  10. Lave roupa na máquina com água fria: algumas máquinas de lavar roupa têm entrada para água quente, mas usar água fria economiza energia, que por sua vez economiza dinheiro.

  11. Use lâmpadas LED: o diodo emissor de luz (tradução da sigla em inglês) é pelo menos três vezes mais econômico do que as lâmpadas incandescentes e não tem o mercúrio que existe nas lâmpadas fluorescentes, além de ser mais durável. Aproveitando, você sabe como descartar lâmpadas?

  12. Feche a porta quando o ar condicionado estiver ligado: isso reduz o consumo de energia elétrica porque a máquina atinge a temperatura programada mais rápido e opera numa faixa de estabilidade. Se você usa o ar condicionado enquanto dorme, mantenha a porta do quarto fechada durante o dia (com o ar desligado, por favor). O ambiente vai se manter fresco, e isso facilita a refrigeração do quarto na noite seguinte, o que economiza energia.

  13. Trabalhe e estude em ambientes onde entra luz natural: quanto mais luz solar você aproveita, menos energia elétrica você precisa para iluminar o ambiente onde está (trabalho, sala, cozinha, quarto etc).

  14. Tenha telhado verde ou com cor branca: se você mora em casa, você pode cobrir seu telhado com plantas baixas e flores ou com gramíneas, dependendo da inclinação. Telhados verdes reduzem a temperatura em até 5º C dentro da construção e aumentam a umidade relativa do ar em até 15% em relação às construções cobertas com concreto, o que aumenta a eficiência energética e reduz a necessidade de ar condicionado. A mesma lógica se aplica quando você pinta o telhado de branco, porque a luz reflete o calor de volta para a atmosfera. Em relação à instalação das plantas, tem empresas especializadas que fazem isso.

  15. Plante árvores no jardim e tenha plantas em casa: as árvores nos prestam muitos serviços ecológicos de graça que melhoram a nossa qualidade de vida. Em termos de economia de dinheiro, as plantas fazem sombra e evaporam água, o que aumenta a umidade relativa do ar. Isso deixa seu jardim, sua casa ou seu apartamento mais fresco, reduzindo a necessidade de ar condicionado.

  16. Compre alimentos que estão para vencer: existem mercados que dão desconto em produtos com vão vencer dentro de poucos dias e até mercados que só vendem produtos que estão com prazo de validade curto. Além de economizar dinheiro, você consome alimentos que ainda estão bons, mas que seriam descartados.

  17. Tenha horta em casa: você tem alimentos livres de agrotóxicos à sua disposição e ainda economiza na feira ou no mercado.

  18. Faça produtos de limpeza em casa: você pode fazer seu próprio vinagre de maçã, sabão líquido para lavar roupa, desinfetante e multiuso para limpar a casa. Com ingredientes básicos como álcool, vinagre e sabão de coco, entre outros, você consegue fazer quantidade muito maiores do que os produtos prontos do mercado, e economia dinheiro. Os blogues Uma vida sem lixo e Casa sem lixo tem várias receitas.   

Tem coisa, né? Ser sustentável não custa caro, não, na verdade diminui os seus gastos. Me conte aqui o que você já faz ou quer começar a fazer.

Um ecobeijo e até breve!
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Os 5 Rs dos resíduos sólidos

Por Letícia Maria Klein Lobe •
20 novembro 2020
Os 3 Rs dos resíduos sólidos são bem famosos, e também já falei dos 10 Rs da sustentabilidade por aqui, que valem pra vida. Hoje eu quero te apresentar os 5 Rs dos resíduos, que estão previstos na Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei 12.305/2019 (só que com um ou outro nome diferente). 

Letícia segurando um pote de vidro, uma maçã e uma sacola ecológica.
Aqui parece que só tem 3, mas na verdade tem 4 Rs

Recusar (não gerar)

O mais importante quando falamos em resíduos é a não geração. Afinal, o modo mais fácil de lidar com um problema é evitá-lo em primeiro lugar. Para isso, a gente deve usar o nosso poder de recusar para não produzir qualquer tipo de resíduo sempre que possível, mesmo que ele seja reciclável. Quando diminuímos a demanda, a pressão sobre a natureza também diminui.

Exemplos: recuse folhetos na rua, segunda via do cartão de crédito, fatura do cartão de crédito, embalagens (quando podemos comprar a granel), papel de presente (você pode embrulhar numa sacola ecológica), cartões de visita (dica da Bia Johnson: bata uma foto ou cadastre o contato no seu celular) e muito mais. Se você tem alguma sugestão, já deixe um comentário aqui embaixo.

Reduzir

Esse vem em segundo lugar na ordem de prioridade quando a gente fala em resíduos sólidos. Se não podemos evitar gerar, vamos reduzir a quantidade de lixo que geramos na nossa rotina. Essa ação também diminui a pressão sobre a natureza e a quantidade de resíduos que vai para o aterro sanitário.

Exemplos: use mais os meios digitais e menos papel; compre produtos do dia a dia em embalagens grandes em vez de várias pequenas; compre mais ingredientes e menos comida pronta (você consegue preparar mais refeições e ainda economiza). 

Reutilizar 

Com medalha de bronze, está o reutilizar. Antes de descartar qualquer produto ou embalagem, veja como você pode reaproveitar aquilo. Assim você aumenta a vida útil daquele objeto, diminui a quantidade de resíduos que encaminha para o aterro e evita comprar coisas novas que podem ser substituídas por aquilo que você já tem.

Exemplos: embalagem de vidro de requeijão vira copo, vidro de geleia vira pote para guardar comida, roupas velhas viram pano de chão, calça jeans vira bolsa, potes de plástico viram vasinhos de planta. Ai que festa da virada! A lista é longa aqui, é só usar a imaginação.

Reintegrar à natureza (tratamento)

Uso esse R para falar de compostagem, que é a transformação dos restos de comida (resíduos orgânicos) em adubo e biofertizante. Os orgânicos representam uma grande parte dos nossos resíduos diário e geram gás metano quando estão no aterro sanitário, o que contribui para o aquecimento global. Além de diminuir o que você envia para o aterro, fazer compostagem em casa te ajuda a prestar mais atenção na sua alimentação e gera nutrientes para suas plantas. 

Pegue tudo que for casca de fruta, sementes, talos e folhas de verduras, borra de café, folha de chá, casca de ovo, restinhos de cozidos e coloque no minhocário, composteira ou num buraco raso no jardim. Não pode colocar carne, doces nem gorduras. Quer saber mais sobre compostagem e como fazer? Tudo que você precisa está aqui na série “Meu santo composto”

Reciclar

É só nesse estágio que vem a reciclagem! E você achando que era a coisa mais importante, né? Já pensei isso também. Mas só depois de esgotadas todas as possibilidades de não geração, redução, reutilização e compostagem, é que chegou a hora de encaminhar o resíduo de volta para a indústria para ser reinserido na cadeia produtiva. Um dos maiores benefícios da reciclagem é diminuir a extração de matéria-prima e o uso de água e energia na confecção de produtos novos.

Entre em contato com a prefeitura, as cooperativas e as empresas de reciclagem da sua cidade para saber todos os itens que são coletados. De forma geral, a coleta seletiva aceita papel, plástico, vidro e metal, mas cada município tem as suas particularidades. Se você mora em condomínio, você pode organizar com os outros moradores um residuário, que é uma central de resíduos com o objetivo de facilitar a separação e a destinação de tudo que for reciclável. Já falei aqui no blog sobre o residuário do prédio onde eu moro e, a partir disso, eu escrevi um e-book sobre como montar um residuário no condomínio. Fica a dica para você conferir.

Já conhecia esses 5 Rs? Quais você já pratica? Comente aqui embaixo. 

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O que você usa para recolher as fezes do seu cachorro?

Por Letícia Maria Klein Lobe •
11 novembro 2020
Se você tem um cachorrinho de estimação, costuma passear com ele algumas vezes por dia para que ele faça as necessidades na rua? Agora me conta, você usa uma sacola plástica para recolher as fezes? É o que eu mais vejo por aí, sacolas ou saquinhos de plástico. Pode até ser prático, mas não é nada sustentável. Quer fazer diferente e ser exemplo de sustentabilidade canina na rua? Tenho umas dicas.

Você pode substituir a sacola plástica por um saco de papel, daqueles de padaria ou de entrega de comida. Depois é só levar para casa e colocar no lixeiro do banheiro (que também pode ter um saco de papel no lugar da sacola plástica). A cadeia produtiva do papel é bem menos impactante que a do plástico e o papel leva muito menos tempo para se decompor em comparação com a sacola. 

Não seria legal se os animais de estimação pudessem fazer suas necessidades direto no vaso sanitário?
Não seria legal se eles pudessem fazer direto no vaso sanitário?









Em condições propícias de degradação, com a presença de oxigênio e bactérias, a celulose se decompõe em meses ou poucos anos, enquanto que o plástico leva centenas de anos. Num aterro sanitário, onde não tem oxigênio naquela pilha de aterramento, os dois materiais levam muito mais tempo para se decompor. De qualquer forma, o papel é mais sustentável do que o plástico quando consideramos todo o ciclo de vida do produto, desde a extração até o descarte.

Outra dica é utilizar não um saco de papel, mas folhas de jornal ou revista ou mesmo papel higiênico, que depois você coloca no lixeiro do banheiro. Se o seu cãozinho faz coco no jornal dentro de casa, você pode colocar as fezes no vaso sanitário (aliás, você pode fazer isso também com as fezes que ele faz na rua, mas daí jogue somente elas no vaso, sem o papel que serviu de embrulho).

Gostou das dicas? Já tinha pensado nessa possibilidade? Comente aqui embaixo.

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O que significam minhocas amontoadas no minhocário? – Meu santo composto #11

Por Letícia Maria Klein Lobe •
03 novembro 2020
Você já abriu a tampa do seu minhocário e deu de cara com um montinho de minhocas, como se elas estivessem numa baita suruba? Bom, tá mais pra uma reunião de planejamento de fuga, porque o ambiente não tá legal. Minhocas amontoadas no topo do seu minhocário significam problema, mas é fácil resolver. Vem comigo, que eu te conto. 

Minhocas amontoadas na parte de cima da caixa digestora
Minhocas amontoadas na parte de cima da caixa digestora

Pra compostagem funcionar, ela precisa de um equilíbrio entre carbono e nitrogênio. A regulação entre esses dois elementos garante o tempo de decomposição adequado e a sobrevivência dos micro-organismos e minhocas. É pura química (e no ensino médio a gente pensava que química não servia pra nada, né...). O nitrogênio está presente nos resíduos orgânicos e o carbono está no material seco, que deve ser usado para cobrir os resíduos.

Um dos sinais de que a relação entre carbono e nitrogênio está desequilibrada é o excesso de umidade, que acontece quando tem pouco material seco no minhocário. Minhocas amontoadas na parte de cima da caixa digestora indicam excesso de umidade. Então, tudo o que você precisa fazer é cobrir com mais materiais ricos em carbono, que podem ser serragem não tratada, palha, folha seca, papel, casca de árvore ou feno.

A proporção de cada material varia em relação à quantidade de orgânicos. De forma geral, estudos indicam que a relação ideal é de 30 partes de carbono para 1 de nitrogênio. Isso significa que a parte seca deve ser sempre maior do que os restos de alimentos. No caso da serragem não tratada, isso não vale: como a serragem tem muito carbono, a proporção é de um para um, só o suficiente para cobrir o conteúdo orgânico (que não deve ser espalhado pelo minhocário).

Assim que vi minhas minhocas fazendo complô para fugirem, coloquei pedaços de papelão, que é o que eu tenho à disposição no momento para usar como material seco. Alguns minutos depois, elas já tinham se dispersado, como você pode ver nas fotos abaixo. Agora, você já sabe, quando vir minhocas amontoadas na caixa digestora, é porque o ambiente está muito úmido e precisa de mais material rico em carbono. Daí é só ajustar, e tá tudo certo. 

Depois que eu coloquei os pedacinhos de papelão, as minhocas, que estavam amontoadas, dispersaram

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Documentário: Nosso planeta e David Attenborough [Resenha]

Por Letícia Maria Klein Lobe •
27 outubro 2020
Já separa o lenço, porque este documentário vai te emocionar. “A life on our planet”, com título brasileiro de “Nosso planeta e David Attenborough”, é um documentário produzido pela Netflix com Sir David Attenborough, apresentador, locutor e naturalista britânico – que quebrou o recorde do Instagram ao alcançar um milhão de seguidores em apenas quatro horas.

Em uma hora e meia, David, com 94 anos, faz um testemunho do que presenciou no planeta desde durante a sua vida, especialmente a partir de suas viagens, apontando os principais problemas que estão levando à devastação e algumas soluções para salvar a própria humanidade. Apesar de incompleto e um tanto reducionista no que diz respeito às soluções, o documentário cumpre muito bem o seu papel de impressionar, sensibilizar e conscientizar sobre o impacto das nossas ações na nossa grande casa. 

Documentário: Nosso planeta e David Attenborough

O filme, que estreou no dia 4 de outubro de 2020 na Netflix, aborda alguns dos maiores desafios que a vida no planeta está enfrentando, com foco na crise climática e na sexta extinção em massa (ambos causados pela espécie humana) e refaz o caminho da destruição da natureza durante o período de uma vida – a própria existência de David, dando também uma previsão dos potenciais danos até 2100. Na verdade, está mais para catástrofe, se mudanças fundamentais não forem feitas nas sociedades humanas ao redor do planeta.

Por apresentar uma visão de mundo de David, o documentário mescla vídeos dos seus programas de televisão sobre a vida selvagem (que começaram em 1979 com a série Life on Earth, na BBC), com imagens belíssimas de ecossistemas e sua biodiversidade e também registros de atividades humanas impactantes, como pecuária intensiva, pesca predatória e desmatamento. São tomadas aéreas, terrestres e aquáticas que evidenciam a riqueza e a fragilidade da vida no planeta. O paralelo do começo do filme, e retomado ao final, com o acidente nuclear de Chernobil, é certeiro.

A construção da narrativa é bem estruturada, seguindo a linha do tempo da vida do naturalista, com divisões temporais que marcam a população mundial, a quantidade de partes por milhão de carbono na atmosfera e a porcentagem de vida selvagem restante no planeta em anos específicos. Essa narrativa traz um histórico conciso da evolução da vida no planeta até os dias de hoje, deixando claro como a espécie humana tem impactado e desestabilizado o equilíbrio natural da Terra nos últimos 200 anos, principalmente.

A fala de David é simples, direta e sensível. Combinada com as imagens, torna o documentário pungente e emocionante, de chorar mesmo. Mas não deixe de assistir por causa disso, a gente precisa conhecer as situações para poder mudá-las, pois ficar na ignorância não vai nos ajudar a resolver os problemas. Fica claro no documentário que a grande missão da vida do naturalista é expor o desconhecido selvagem, a imensa biodiversidade de fauna e flora, para que possamos cuidar e preservar o planeta que nos abriga.

A parte final do documentário é destinada a apresentar soluções que podem minimizar as mudanças climáticas e a extinção em massa de espécies. É aqui que o filme abre espaço para a esperança – depois de já ter provocado deslumbramento, alegria, tristeza, raiva e desespero –, nos mostrando soluções possíveis que são já utilizadas e que podem ser ampliadas.

O principal caminho apontado é a restauração da biodiversidade no mundo, que é responsável por manter o equilíbrio da teia de vida no planeta. Quanto mais biodiverso, mais resiliente um ecossistema é, ou seja, mais ferramentas ele tem para superar as dificuldades. A espécie humana está extinguindo outras espécies e diminuindo os habitats selvagens, o que desestabiliza o equilíbrio da Terra que foi desenvolvido e mantido ao longo de milhares de anos. David toca num ponto importante: nós devemos olhar para a natureza para buscar soluções. Porém, o filme falha em não utilizar, nas soluções que apresenta, o seu próprio argumento sobre importância da diversidade e da biomimética. Penso que poderia haver mais tempo para explorar uma gama maior de soluções, seus contextos de implantação e de viabilidade, não recorrendo somente à alta tecnologia, que é uma forte indicação do filme.


Como David diz, uma espécie só prospera quando seu ambiente prospera. Prosperidade não tem a ver com crescimento, mas com qualidade de vida, e é possível reconquistar a qualidade da vida no planeta para todas as suas espécies. Depende de cada um de nós, a cada dia, enquanto indivíduos e coletividade. “A inteligência que trouxe a humanidade até aqui já não é mais suficiente. Precisamos de sabedoria.”

Se você já viu, comente aqui o que achou. Se não, fica a recomendação, vale a pena.

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Passeio de trem até Morretes e Parque Vila Velha

Por Letícia Maria Klein Lobe •
21 outubro 2020
Viajar de trem é uma delícia! No último fim de semana eu realizei a vontade que tinha há anos de fazer o passeio de trem até Morretes, saindo de Curitiba. Fomos eu, meu marido e um casal de amigos muito querido. No dia seguinte, conhecemos os arenitos no Parque Estadual de Vila Velha, um sítio geológico localizado em Ponta Grossa. O tempo estava perfeito nesses dias, com temperatura agradável, o que deixou o passeio ainda melhor.

Passeio de trem

O trem da Serra do Mar Paranaense parte às 8h30 da manhã (no nosso caso, uma hora depois, devido a um problema técnico com algum trem de carga na linha), chegando em Morretes após quatro horas de viagem pela Ferrovia Paranaguá-Curitiba. A velocidade máxima é de 40 km/h, então dá para curtir muito a paisagem. A linha férrea começou a operar em 1885 e foi construída sem mão de obra de escrava, numa época em que a escravatura ainda existia no Brasil. Outra inovação foi o uso da pólvora negra para abrir alguns pontos no caminho. 

Represa Caiguava no trajeto de trem entre Curitiba e Morretes
Represa Caiguava
Passeio de trem de Curitiba até Morretes
Trecho de campo






















O trajeto é lindíssimo, passando por campos, vales e montanhas a partir da cidade de Pinhais. Alguns dos 34 pontos pelos quais passamos são o Túnel Roça Nova (em linha reta dentro da montanha, permitindo ver a entrada e a saída), o Rio Ipiranga, a Represa Caiguava e o Reservatório Marumbi (que registram a triste situação atual da falta de água no Paraná), o Canyon do Ipiranga, Garganta do Diabo, a Ponte São João e o Viaduto do Carvalho (a paisagem mais famosa, quando a linha férrea passa rente ao precipício). 

Vista depois do Viaduto do Carvalho
Vista depois do Viaduto do Carvalho
Garganta do Diabo no trajeto entre Curitiba e Morretes
Garganta do Diabo 






















Almoçamos em Morretes, com direito à sobremesa de sorvete artesanal de-li-ci-o-so (100% banana, marca registrada do município), continuamos a viagem com o ônibus de turismo até a cidade portuária de Antonina e retornamos para a capital, numa viagem de uma hora e meia. Existe a opção de voltar de trem também, e tem vagões diferentes, do básico ao luxuoso. Por causa da pandemia, os vagões estavam operando com metade da capacidade, o que nos permitiu passar de uma janela à outra para ver os pontos nos dois lados do trem. Em uma situação normal, com capacidade total, recomendo sentar no lado esquerdo do trem, se puder escolher, que é o que tem a vista do Viaduto do Carvalho. 

Parque Vila Velha

Visitamos o Parque Estadual de Vila Velha no dia seguinte. Levamos uma hora e quinze até lá, partindo de Curitiba, e o passeio dentro da unidade de conservação dura três horas e meia. Hoje o parque é administrado pela iniciativa privada e está com obras em andamento para novas atrações. Com mais de três mil hectares, é o primeiro Parque Estadual do Paraná, criado em 1953. Em 1966, foi tombado como Patrimônio Histórico e Artístico Estadual.

São três passeios que podemos fazer dentro do parque neste momento: Arenitos, Furnas e Lagoa Dourada. Tem ônibus que levam as pessoas até esses pontos, onde cada um faz o trajeto no seu ritmo. O caminho é autoguiado, com placas explicativas.

Visitamos primeiramente os arenitos, que têm 300 milhões de anos. Eles são formações de areia compactada esculpidas pela ação da chuva, do sol, das mudanças de temperatura e de atividades orgânicas. Alguns dos arenitos têm formas que nos parecem familiares, como leão, camelo, gato, proa de navio e taça (a mais famosa). Depois que passamos os muitos arenitos, que têm entre 20 e 30 metros de altura, caminhamos por um quilômetro dentro de um bosque

Arenito com formato de camelo no Parque Estadual Vila Velha
Arenito com formato de camelo
Arenito com formato de leão no Parque Estadual Vila Velha
Arenito com formato de leão 
























Arenito com formato de dragão
Arenito com formato de dragão
A famosa taça de arenito
A famosa taça de arenito

No fim do trajeto, esperamos o ônibus para voltar à estação central e pegar outro que nos leva até às furnas. Furnas são cavernas ou covas, também conhecidas como poços de desabamento. De origem marinha costeira, tem 400 milhões de anos. A região dos Campos Gerais do Paraná tem 14 furnas, das quais 12 estão no parque, mas somente três estão abertas à visitação: Furnas 1, 2 e a Lagoa Dourada. Os poços têm vegetação ao longo de toda a extensão vertical e água do lençol freático no fundo. É muito lindo! 

Para conhecer a Lagoa Dourada, esperamos novamente o ônibus. A volta pela lagoa é bem curta, tem apenas 400 metros, então é rapidinho (o que é ótimo, porque o passeio até ali já cansa). De lá, voltamos para o começo do parque, onde almoçamos no restaurante que tem no centro de visitantes. 

Furna 1 no Parque Estadual Vila Velha
Furna 1

Lagoa Dourada no Parque Estadual Vila Velha
Lagoa Dourada
Conhecer paisagens naturais é uma das minhas viagens favoritas. E você? Já visitou esses locais? Comente aqui que outras belezas naturais você já conhece. 

Um ecobeijo e até breve.
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Produtos que você pode comprar usados

Por Letícia Maria Klein Lobe •
13 outubro 2020
Cada coisa que a gente traz para casa tem um pedacinho da natureza. Energia, água, matéria-prima e outros recursos (inclusive mão de obra) são necessários para produzir todos os bens materiais que nós usamos no dia a dia, de roupas a móveis. Nesta cadeia de produção linear (que opera na base da extração, produção, distribuição, consumo e descarte), existe muito desperdício, poluição e geração de resíduos sólidos. Para aliviar essa pressão sobre o nosso planeta Terra, uma das soluções é aproveitar o que já está disponível no mercado, sem gerar demanda para produção de itens novos. Neste post eu vou te falar de alguns produtos que você pode comprar usados

A estante, metade dos livros e a luminária são usados
A estante, metade dos livros e a luminária são usados

Livros

São os itens usados que eu mais compro, tanto no sebo quanto on-line (alguns eu troco via Skoob, uma rede social voltada para leitores, e tem também o Livra Livro). Gosto muito da ideia de fazer os livros circularem, para que mais pessoas tenham acesso a conhecimento e histórias, e por um preço mais acessível. Não faz sentido que um livro seja lido somente uma vez e fique parado na estante, não é mesmo? Por isso, além de vender os seus livros e comprar usados, você pode emprestar e pegar emprestado. De todos os livros que eu tenho para ler aqui em casa, metade é usado.

CDs, DVDs, Blu-rays, discos

Também tenho alguns desses que comprei no sebo (especialmente filmes e discos). Costumam ser bem mais baratos do que na loja e estão geralmente em ótimo estado. Se estiver buscando títulos específicos, vale a pena passar um tempo no sebo procurando por eles.

Roupas e calçados

É bem difícil eu comprar roupa e calçado, só mesmo quando preciso. Neste ano eu comprei algumas peças que uma amiga estava vendendo e vendi outras em um brechó aqui da cidade, além de doar tantas outras. Com a internet, ficou ainda mais fácil vender suas roupas e comprar peças usadas e em bom estado. Vale muito a pena passar no brechó quando você estiver precisando de algo, tem brechó para todos os gostos e bolsos.

Eletrodomésticos

Eu tenho uma balança de cozinha, um processador e um liquidificador que comprei usados, e que uso até hoje. Grupos em redes sociais, Mercado Livre e OLX são ótimos lugares virtuais para encontrar eletrodomésticos que outras pessoas estão vendendo, em bom estado e com bom preço.

Objetos de decoração e acessórios

Também são mais fáceis de serem encontrados on-line. Eu já comprei um tapete para quebra-cabeça no OLX, que está em uso no momento (muito útil para quebra-cabeças grandes!). A luminária que está no meu escritório também é reaproveitada da empresa do meu marido, onde não tinha mais utilidade. Quando quiser qualquer tipo de objeto ou acessório, é bom vasculhar sites de compra e venda e redes sociais antes de ir numa loja.

Móveis

Você encontra de tudo para vender, tanto em lojas físicas na sua cidade quanto on-line, só precisa se atentar à qualidade do material, especialmente quando for madeira. Como móveis são peças mais caras e que geram um problema grande na hora do descarte, vale muito a pena comprar opções usadas. Este ano eu comprei duas estantes de uma conhecida que estava vendendo, porque ia viajar. Uma outra estante veio da empresa do meu marido, onde estava sobrando. A pia que usamos no lavabo aqui em casa também veio de um banheiro que foi reformado na empresa, que ficava numa casa antiga (hoje estão em outro endereço). A mesa do meu escritório em casa também é usada, doada por uma amiga. A economia foi grande, além do benefício ambiental.

E você, compra coisas usadas também? Quais? Comente aqui embaixo. Você não precisa comprar tudo usado, mas se quiser ter algumas coisas, opção não falta! E faz uma grande diferença para o nosso meio ambiente e o seu bolso.

Um ecobeijo e até breve.
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Alimentos que compro a granel

Por Letícia Maria Klein Lobe •
07 outubro 2020
Gosto muito de comprar produtos sem embalagens e estou sempre procurando mais opções que sejam vendidas a granel. Neste post, eu listo os alimentos que eu geralmente compro usando meus próprios potes e saquinhos de pano, na feira ou em lojas de produtos a granel. 

Alimentos que compro a granel
Alguns alimentos que compro a granel

Frutas, verduras e ovos

Costumo comprar esses três tipos de alimentos na feira de produtores locais, que oferecem alimentos orgânicos. Vou uma vez por semana, geralmente no sábado. No caso de morangos e ovos orgânicos, por exemplo, que já vêm embalados, eu devolvo a embalagem depois. As frutas e verduras eu coloco direto nas sacolas ecológicas e nos saquinhos de pano. Quando eu compro no mercado, o que é bem difícil, eu coloco as frutas e legumes direto na cestinha, sem aquele saquinho de plástico transparente (com exceção das verduras, que já vem embaladas).

Sucrilhos, castanhas e temperos

Esses eu geralmente compro em lojas de produtos a granel (tanto na feira quanto em outros locais). Eu costumo levar saquinhos de plástico que tem um sistema de fechamento por pressão, que são reutilizáveis, então eu lavo depois de guardar os produtos em potinhos. Para comprar temperos, eu levo os próprios potes de vidro, porque é mais fácil – depois que chego em casa, é só guardar.

Café

Tem uma cafeteria que eu costumo ir para comprar café a granel (eu levo a própria embalagem deles, que eu guardei da primeira vez, e depois coloco no vidro de café em casa). Com a pandemia, acabei não indo mais e passei a comprar de outra cafeteria que vende na feira, mas neste caso tem embalagem. Então, nem sempre é a granel, mas sempre que dá, eu prefiro.

Biscoitos e salgados

A loja de produtos a granel tem vários tipos de comidinhas doces e salgadas, como legumes desidratados, biscoitos salgados e bolachas. São boas opções para aperitivo e, o melhor de tudo, sem embalagem. Costumam ser mais baratos do que no mercado também. Às vezes levo uns saquinhos a mais para trazer algumas guloseimas dessas para casa.

E você, costuma comprar alguns produtos a granel? Comente aqui.

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Projeto Cortina de Fumaça – Fogo e desmatamento na Amazônia

Por Letícia Maria Klein Lobe •
30 setembro 2020
Depois de quase um ano, é com muito orgulho que publicamos o Cortina de Fumaça, um projeto desenvolvido pela Ambiental Media, com apoio do Rainforest Journalism Fund, em parceria com o Pulitzer Center. Desde 2018, eu colaboro como repórter com a Ambiental, uma startup de jornalismo que transforma conteúdo científico em jornalismo inovador, atraente e acessível. 

Fogo na Amazônia. Foto: Flavio Forner/Ambiental Media
Fogo na Amazônia. Foto: Flavio Forner/Ambiental Media

O Cortina de Fumaça traz uma abordagem inédita, com sobreposição de bases de dados, que comprova a relação direta entre focos de calor e desmatamento na Amazônia. Com reportagem especial, visualização de dados em mapas interativos, ilustrações e fotos, mostramos como o fogo é parte inerente do processo de desmatamento, porque ele é a ferramenta usada para eliminar as árvores, com o objetivo de abrir áreas de pastagem e monocultura. Apesar dos cientistas já alertaram para isso há muito tempo, nenhum projeto jornalístico tinha mostrado isso de maneira tão clara e irrefutável. Em tempos de narrativas oficiais que distorcem a realidade, os dados são fundamentais para dispersar as cortinas de fumaça que tentam negar o inegável. 

Mapa mostra sobreposição de dados de desmatamento (laranja) e fogo (vermelho). Fonte: Laura Kurtzberg/Ambiental Media
Mapa mostra sobreposição de dados de desmatamento (laranja) e fogo (vermelho). Fonte: Laura Kurtzberg/Ambiental Media.

   
Amostra do mapa interativo que mostra focos de calor em imóveis rurais na Amazônia. Os quatro municípios que mais desmataram em 2019 também encabeçam a lista dos que tiveram mais focos de calor.

O projeto nasceu em setembro de 2019, quando começamos a pensar e elaborar a proposta de inscrição para o edital do Pulitzer, mas a ideia já tinha surgido muito antes, em viagem do meu editor, Thiago Medaglia, para a Amazônia. “Em reportagens pontuais, é difícil derrubar narrativas falsas sobre assuntos densos e complexos, então eu acredito que um caminho para o jornalismo é fazer trabalhos elaborados, detalhados, que mostrem a verdade de uma maneira bonita, interessante e visual, assim conseguimos derrubar a mentira por meio de uma exposição meticulosa da verdade. Vamos fazer outros projetos nessa linha”, disse Thiago.  

O resultado do edital saiu em dezembro (um ótimo presente de Natal!) e começamos a trabalhar em janeiro deste ano. Nosso time multidisciplinar de oito pessoas funcionou muito bem! Que prazer trabalhar com esse pessoal e quanto aprendizado ao longo destes meses. Thiago, Laura, Maria, Flavio, Felipe, Meiguins e Marcos, obrigada e parabéns, nós conseguimos! 

Fogo usado em pastagens para renovar o capim para o gado. Foto: Flavio Forner/Ambiental Media
Fogo usado em pastagens para renovar o capim para o gado. Foto: Flavio Forner/Ambiental Media

Somando as atividades de toda a equipe, foram centenas de horas de reuniões semanais, pesquisas em artigos científicos, entrevistas com fontes (foram 16, mas nem todos são citados na reportagem), redação, edição, download de bases de dados, elaboração dos mapas interativos, criação das ilustrações, seleção e edição de fotos, desenvolvimento do site e divulgação. Foi um trabalho longo, detalhista, por vezes extenuantes, e totalmente gratificante. 

Área desmatada e queimada. Fogo usado em pastagens para renovar o capim para o gado. Foto: Flavio Forner/Ambiental Media
Área desmatada e queimada. Fogo usado em pastagens para renovar o capim para o gado. Foto: Flavio Forner/Ambiental Media

Lançamos a plataforma no dia 23 de setembro de 2020, e logo teve repercussão nos principais veículos nacionais: National Geographic Brasil, Folha de S. Paulo, Jornal Hoje, Globo News, G1 e Época, além de Mongabay Brasil e Mongabay (versão internacional). A National Geograpich republicou parte do nosso material (por contrato), e foi muito emocionante ver meu nome pela primeira vez na revista (agora digital) para a qual eu sempre quis escrever. 

Pedro Pantoja, morador da comunidade de Jamaraquá, no Floresta Nacional do Tapajós, personagem da nossa reportagem. Os pequenos agricultores, ribeirinhos e indígenas são acusados pelo governo de serem os principais responsáveis pelo aumento dos focos de calor na Amazônia. Apesar de usarem o fogo na agricultura de subsistência, mostramos que a acusação é infundada. Foto: Flavio Forner/Ambiental Media
Pedro Pantoja, morador da Floresta Nacional do Tapajós, personagem da nossa reportagem. Pequenos agricultores, ribeirinhos e indígenas são acusados pelo governo de serem os principais responsáveis pelo aumento dos focos de calor na Amazônia. Apesar de usarem o fogo na agricultura de subsistência, mostramos que a acusação é infundada. Foto: Flavio Forner/Ambiental Media

Sou imensamente grata por ter participado deste projeto, que não só me deu uma rica experiência jornalística e expandiu minha visão de mundo, como estampou em rede nacional uma verdade que não pode mais ser mascarada. 

Minhas segundas à tarde já parecem vazias sem reunião. Quem venham os próximos projetos!

Um ecobeijo e até breve.

* Atualização em 09/10/2020 para incluir os links da Mongabay.
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Cidades e soluções, de André Trigueiro [Resenha]

Por Letícia Maria Klein Lobe •
22 setembro 2020
Este livro tem um pouco de muitos assuntos relacionados à sustentabilidade, catalogados a partir do vasto acervo do programa Cidades e Soluções, exibido pela Globo News desde 2006, com reprises no canal Futura. “Cidades e soluções: como construir uma sociedade sustentável” (Editora LeYa, 2017) não é uma transcrição de alguns episódios, mas uma seleção dos melhores conteúdos, com dados e informações novas.

O jornalista André Trigueiro, editor-chefe e apresentador do programa, e sua esposa, Claudia Guimarães fizeram um trabalho cuidadoso de curadoria, pesquisa, redação e edição de textos durante nove meses de trabalho. Nasceu um projeto lindo. 

Livro Cidades e Soluções (Editora LeYa, 2017)
Livro Cidades e Soluções (Editora LeYa, 2017)

O livro é dividido em nove temas, que são compostos por textos curtos, objetivos e gostosos de ler, entremeados por histórias de bastidores e dicas de sustentabilidade que podemos adotar na nossa vida. Cada capítulo termina com uma entrevista com alguém internacionalmente reconhecido por seu trabalho em prol de um mundo sustentável, como Vandana Shiva, John Elkington e Al Gore.

Falando de energia, água, biodiversidade, mudanças climáticas, resíduos sólidos, planejamento urbano, construções sustentáveis, sociedade e consumo consciente, os autores mostram como os centros urbanos – que vão abrigar 75% da população mundial em 2030 – têm um papel fundamental em aplicar a sustentabilidade. O livro traz dezenas de exemplos de como cidadãos, empresas e governos têm agido para conservar e preservar a vida no planeta, tanto em nível individual quanto coletivo, de escala municipal a global.

A divisão do livro em sessões e textos curtos deixa a leitura dinâmica e fluida. Enquanto lia, lembrei de algumas edições que assisti e até me surpreendi ao encontrar a Schumacher College como um dos assuntos! Foi como voltar para casa.

O mérito do livro é mostrar como não só é possível, mas urgente e necessário, mudar os caminhos que a humanidade percorre durante sua existência na Terra. Os problemas são apontados juntos com soluções que podem ser implantadas em vários estágios e segmentos da sociedade. Dá tempo, sim, a gente só precisa agir, começando agora, de muitos jeitos diferentes – aliás, aqui no blog tem várias dicas para deixar sua vida mais sustentável.

Esteja você no começo da sua jornada de sustentabilidade ou mais adiante, este livro provavelmente vai expandir seus horizontes e te dar uma visão abrangente de muitas possibilidades que nós temos à disposição para mudar nossa vida e cuidar do planeta, uma ação por vez, dia após dia.

Serviço

Livro: Cidades e soluções: como construir uma sociedade sustentável.
Autor: André Trigueiro.
Editora: LeYa.
Ano: 2017.
Páginas: 336. 
Formas de comprar/ler: sebos físicos ou virtuais, biblioteca pública, grupos de troca ou venda em redes sociais, livrarias da sua cidade, lojas on-line.
* Parte dos direitos da obra é destinada ao Centro de Valorização da Vida (CVV), associação filantrópica que realiza um serviço gratuito, 24 por dia, de apoio emocional e prevenção ao suicídio. 
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10 produtos de plástico que deixei de usar no banheiro

Por Letícia Maria Klein Lobe •
15 setembro 2020
Desde que eu comecei a estudar sobre sustentabilidade e buscar formas de deixar minha vida mais sustentável, eu passei a consumir de forma mais consciente, deixando de usar alguns itens ou fazendo trocas inteligentes, ecológicas. Neste post eu vou te contar os dez produtos de plástico que eu deixei de usar no banheiro ao longo dos anos, com o objetivo de consumir melhor e gerar menos ou nenhum resíduo. Vamos lá? 

Produtos de plástico que deixei de usar no banheiro

Touca

De criança até o fim da adolescência, eu tive o costume de usar touca de plástico para evitar molhar o cabelo. Confesso que eu conhecia pouquíssimas outras pessoas que faziam isso, mas como tinha em casa, eu usava. Até que eu percebi que era uma coisa desnecessária – afinal, se o cabelo está preso num coque, é só desviar da água para ele não molhar. Se eu não me engano, foi durante a minha estada na Romênia que eu me toquei disso, porque lá eu não usava. Desde então, adeus, touca – e não sinto falta nenhuma.

Saco de plástico

Eu não uso sacolinha de plástico em casa e uma das alternativas para o lixeiro do banheiro foi usar saco de papel, aquele da padaria ou da embalagem de entrega. Além de bem mais sustentável, não dá aquele cheiro que costuma ter na lixeira.

Tapete de box

Este foi um item que eu abandonei recentemente. Eu usava aquele tapete de plástico ou borracha para não escorregar no box, enquanto tomava banho. O meu marido nunca usou e achava muito feio aquilo pendurado dentro do box, o que acabou sendo um incentivo para eu largar a coisa. Mas eu decidi parar de usar no dia em que tirei o tapete para limpar e vi o quão sujo e anti-higiênico aquilo pode ser (foi a primeira vez que limpei desde que nos mudamos), além de ter que gastar tempo e produtos (naturais, claro) limpando aquilo. Foi uma ótima decisão – não que eu não escorregue, mas é raro, então se o seu problema for esse, uma boa troca é o chinelo de borracha.

Escova de dente e pasta de dente

Falei do meu kit dental sustentável recentemente aqui no blog. Eu já tinha trocado a escova de plástico pela de bambu há alguns anos, e em 2020 eu decidi que trocaria de vez a pasta de dente de tubo por uma versão sem esta embalagem, que é difícil de ser reciclada no Brasil. Encontrei algumas opções na Com Sumo Consciente e estou muito feliz com minha troca até agora! Aliás, você que é leitor do Sustenta Ações agora tem frete grátis na loja! É só digitar “cupom letícia” no campo de observações na hora de fechar a compra pelo site.

Sabonete líquido e esponja

Esta foi outra troca que eu fiz depois de conhecer o movimento lixo zero, há alguns anos. Na verdade, uma troca e um abandono: não uso mais esponja para me lavar e troquei o sabonete líquido por barra, que eu uso diretamente no corpo, sem esponja. Acho bem mais prático, gero menos embalagem (comparando os dois tipos de sabonete), não gero o lixo da esponja (que não costuma ser reciclada) e economizo dinheiro. 

Absorventes

Deixar de usar absorventes descartáveis foi uma das melhores escolhas que eu fiz na vida. No lugar deles, eu uso o coletor menstrual, feito de silicone e totalmente reciclável. Além disso, ele é mais higiênico e muito mais barato em comparação aos modelos descartáveis, entre outras 12 vantagens. Para quem não se adapta ou não gosta, existem os absorventes de pano, que também são sustentáveis.

Maquiagem

Se tem uma coisa que eu nunca tive o costume de usar é maquiagem. Numa época da adolescência, eu tinha um kit básico de maquiagem e esmaltes, mas tudo venceu porque eu não usava, salvo em festas (ou seja, pouquíssimas vezes no ano). Eu me sentia, e me sinto até hoje, melhor sem maquiagem. Me sinto mais eu mesma assim, ao natural. O que também me motivou a não usar mais foi a decisão de diminuir a quantidade de resíduos que eu produzo. Hoje existem várias marcas que fazem produtos veganos, naturais, ecológicos e com embalagens melhores, mas para mim ainda não faz sentido investir dinheiro e tempo nisso. A única coisa que eu tenho em casa hoje é batom, dois ou três, que estão envelhecendo na gaveta por falta de uso, para variar (ainda mais agora com a pandemia e o isolamento social).

Aparelho de barbear

Faz muito tempo que eu não uso mais lâmina para me depilar, então não compro esses aparelhos de plástico. Para o meu marido, que usa para se barbear, dei um aparelho que é 100% de metal, que só precisa trocar as lâminas. Esse tipo é bem antigo, na verdade, e totalmente reciclável.

Consumo consciente e economia

Com essa lista, acabei de perceber que economizo bastante dinheiro com os itens que eu não compro: tapete, esponja, toca, maquiagem e aparelho de barbear, o que mais do que compensa os itens que eu troquei: escova de bambu, pasta de dente sem tubo e sabonete em barra (que podem ser um pouquinho mais caros, dependendo das marcas e modelos). De produto em produto, vou deixando meu banheiro mais com a minha cara. A próxima troca que eu quero fazer é o fio dental, que existe na opção ecológica, com embalagem de vidro e fibras naturais, mas não é tão fácil de achar.

Agora, me conta como está o seu banheiro. Você já fez alguma troca ou deixou de usar um produto pensando na sustentabilidade?

Um ecobeijo e até breve!
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O que fazer com lâmpada queimada? Veja como descartar corretamente

Por Letícia Maria Klein Lobe •
10 setembro 2020
Se tem um objeto que quase todo mundo usa e descarta em algum momento é a lâmpada. Pela nossa Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), lei 12.305/2010, as lâmpadas são resíduos perigosos e precisam de um destino especial, por isso você não pode colocar na coleta comum nem na coleta seletiva. . Neste post eu vou te contar o que eu, você e todos nós consumidores podemos fazer com lâmpadas queimadas e como nós participamos do processo de reciclagem quando descartamos corretamente (sim, elas são recicláveis!).

Os resíduos perigosos são aqueles que têm algum potencial de prejudicar o meio ambiente ou a nossa saúde. Para que eles sejam reciclados ou adequadamente dispostos em aterros, a política prevê a implantação do processo de logística reversa. Nesse processo, os resíduos são coletados nos pontos de entrega voluntária (PEV), transportados, triados, consolidados (reunidos em grupos) e depois encaminhados para as indústrias de reciclagem.

Para implantar e viabilizar a logística reversa, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes assinam um acordo setorial e bancam todos os custos previstos e não previstos. O acordo também prevê a criação de uma entidade gestora para implantar e gerir todo o processo, organizando e unindo os esforços. No caso das lâmpadas, é a Reciclus, uma associação sem fins lucrativos criada pelos principais produtores e importadores, que elaborou um programa de abrangência nacional. Enquanto consumidores, a gente não precisa pagar nada. O nosso papel é levar o resíduo para o lugar certo. 

Podemos contar com a logística reversa de lâmpadas para o descarte correto
Podemos contar com a logística reversa de lâmpadas para o descarte correto

Logística reversa de lâmpadas

No caso das lâmpadas, esse local são as próprias lojas onde compramos as lâmpadas, lojas de material de construção ou pontos de entrega específicos na cidade. De acordo com a política, você tem o dever de levar as lâmpadas até esses locais, e também o direito, então se alguma empresa quiser te cobrar ou exigir que você compre outra lâmpada em troca, não aceite. 

O programa começou a rodar em 2017 e prevê a implantação nacional até 2021. Ela começou nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais e nas maiores cidades dos outros estados. Os municípios com menos de 25 mil habitantes serão atendidos por meio de coleta móvel que será implantada após o cumprimento do cronograma. Blumenau, onde eu moro, estava prevista na fase 3, que foi em 2019.

Dados da Reciclus dizem que até 2019 foram recolhidas 644 toneladas de lâmpadas e foram instalados 1930 pontos de coleta em 429 municípios. No Painel do Descarte Legal tem mais informações.

Os geradores não domiciliares, como indústrias, empresas etc, precisam ter seus próprios planos de gerenciamento de resíduos, o que significa que eles são responsáveis pela destinação correta fora do programa. Eles até podem participar do sistema de logística reversa do acordo setorial, mas a partir de um contrato específico com a entidade gestora Reciclus.

Quais são as lâmpadas

Todos os tipos, até de LED! A diferença é que as lâmpadas fluorescentes, de luz mista e de vapor de sódio e mercúrio são consideradas perigosas, por causa do mercúrio, que é contaminante. As de LED não entram na lista das perigosas porque não têm nenhum metal pesado, elas emitem luz a partir de pequenos chips eletrônicos. Independente do modelo, todas elas são coletadas pela logística reversa. 

Como descartar as lâmpadas

Na hora de levar a lâmpada para a loja ou PEV, coloque dentro de uma embalagem de papelão ou envolva em papel ou jornal. Se tiver alguma lâmpada quebrada entre as que você vai descartar, coloque numa embalagem separada das outras, de preferência uma caixa ou pote. 

Já conhecia esse sistema? Fantástico, né?

Um ecobeijo e até breve.
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Kit dental sustentável: escova de dente de bambu e pasta de dente sem tubo

Por Letícia Maria Klein Lobe •
03 setembro 2020
Uma das minhas metas de sustentabilidade para 2020 era encontrar uma pasta de dente que não viesse naquele tubinho e que tivesse uma composição mais natural possível. Pois eu encontrei! Neste post quero te falar sobre meu kit dental sustentável: escova de dente de bambu e opções de pasta de dente sem o tubo de plástico. 

Letícia com escova de dente de bambu
Minha escova de dente de bambu



Escova de dente de bambu

Faz alguns anos que eu uso escova de dente de bambu. Por ser feita de madeira, ela é compostável, então você pode enterrar no jardim ou enviar para algum serviço de compostagem, se houver na sua cidade. A única parte que você não pode enterrar são as cerdas, que são feitas de nylon, um material reciclável, mas não compostável – para remover as cerdas, você pode usar um alicate de bico. Se você encaminhar as cerdas para a reciclagem, coloque numa embalagem fechada para que elas não se percam no caminho.

Comparada com a escova de dente de plástico, a escova de bambu tem uma origem renovável e mais sustentável e se decompõe em um tempo bem menor do que aquela: cerca de 30 anos, contra uns 400 da de plástico. A escova plástica é reciclável, sim, mas verifique se ela é reciclada na sua cidade. O tempo de uso é similar, de cerca de três meses (mas as minhas duram muito mais por aqui). Para manter a escova de bambu em boas condições de uso por mais tempo, aqui vão três dicas:

  1. Não escove com força, porque a pressão danifica as cerdas e não limpa mais os seus dentes (é a fricção das pontas das cerdas que faz a limpeza).
  2. Depois de escovar os dentes, seque bem sua escova e deixe num local arejado. Se o seu banheiro for muito úmido, é melhor deixar em outro local da casa, pelo menos até secar bem.
  3. Para evitar que sua escova de bambu fique com fungos, deixe ela de molho em água morna com um pouco de vinagre e bicarbonato de sódio, por uma hora.

Pastas de dente sustentáveis


Buscando uma pasta de dente que fosse mais natural, encontrei uma marca que usei por algum tempo (meu marido ainda usa esta). Apesar de ter uma composição bem melhor do que as tradicionais do mercado, essa pasta vem no tubinho de plástico, que é reciclável, mas nem sempre é reciclado – para saber se existe reciclagem desse material na sua cidade, entre em contato com cooperativas, com a prefeitura ou com a empresa responsável por fazer a coleta seletiva. 

Pasta de dente Contente Orgânico Natural, que vem no tubo de plástico
Pasta de dente Contente Orgânico Natural, que vem no tubo de plástico








Não tive uma experiência muito boa com receita caseira de pasta de dente, então pensei em buscar produtos que fossem naturais e que tivessem uma embalagem mais sustentável. Hoje no mercado já existem opções em creme em pote de vidro, em pastilha, em pó e versão sólida.

Testei no mês passado uma pasta de dente sólida, da marca Espanza, com carvão ativado. Ela parece um picolé: a parte sólida vem presa a um palito, embalada em celofane (feito a partir da celulose, é um material biodegradável, então se decompõe muito mais rápido que o plástico e pode ser destinado para compostagem), dentro de uma caixinha de papelão.

A recomendação é colocar a pasta sólida num potinho de vidro. Para usar, basta molhar a escova e esfregar na pasta até sair uns pedacinhos (bem pequeninhos mesmo). Estou usando há pouco mais de um mês e já está acabando, mas acho que é porque eu pegava demais no começo. Sério, é bem pouco mesmo que você precisa usar. Ela não faz espuma (que, na verdade, é só um enfeite) e limpa bem. No futuro quero testar a versão sem carbono ativado.

Como ela já está no fim, comprei uma outra pasta, desta vez em creme, que vem num pote de vidro, da marca Unevie. Ainda não usei, mas vi que a consistência é mais firme, diferente das pastas de tubo. Comprei as duas, que são naturais e veganas, numa loja aqui em Blumenau, a Com Sumo Consciente

Escova de dente de bambu, pasta sólida com carvão ativado (por isso é preta) e pasta em creme
Escova de dente de bambu, pasta sólida com carvão ativado (por isso é preta) e pasta em creme




Minha ideia é testar várias marcas e opções diferentes, para saber as diferenças, ver quais funcionam melhor para mim e quais tem um bom custo-benefício. De qualquer forma, uma coisa é certa: aposentei as pastas com tubo de plástico (que não são recicladas aqui na minha cidade). Mais um passinho no caminho da sustentabilidade. Agora quero saber de você, comente aqui qual pasta você usa, se você pensa em trocar e como está sua busca por opções mais sustentáveis.

Um ecobeijo e até breve.
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Dança dos pássaros, de Huw Cordey [Resenha]

Por Letícia Maria Klein Lobe •
26 agosto 2020

Fazia tempo que eu não me divertia tanto com um documentário. Assisti “Dança dos pássaros” (Dancing with the birds) com um sorriso no rosto e eventuais risadas. O documentário produzido e dirigido por Huw Cordey, disponível no Netflix, mostra o ritual de acasalamento de algumas espécies de aves em Nova Guiné e nas Américas Central e do Sul.

Amor por aves































Das técnicas de construção do pássaro jardineiro ao ballet da parotia da rainha Carola, conhecemos os artifícios e habilidades dos machos para impressionar as fêmeas e conseguir uma parceira para garantir a reprodução da espécie. 


O documentário de 50 minutos é um presente para quem gosta de aves. Fiquei literalmente de queixo caído com tudo o que esses indivíduos fazem na hora da conquista. É incrível – e em muitos aspectos, eles demonstram atitudes que são também humanas, como criatividade, engenhosidade, querer agradar o outro (e também sabotar). Tem uma espécie que consegue imitar qualquer som, até de crianças brincando! A natureza é genial. 




Aliada às imagens belíssimas, que realçam as cores das aves sobre o verde da floresta, a trilha sonora se soma aos sons naturais e traz um colorido a mais para a história, integrando-se à sinfonia dos cantos e servindo de fundo musical para a dança dos conquistadores. A montagem das cenas é muito bem-feita também, dando cadência e dinamismo à narrativa.

Super recomendado! Para ter um gostinho, assista o trailer abaixo.

Um ecobeijo e até breve. 

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Como reutilizar a água da máquina de lavar?

Por Letícia Maria Klein Lobe •
20 agosto 2020
Marcos Deringer criou seu próprio sistema para reutilizar a água da máquina de lavar roupa. Tudo surgiu a partir de uma necessidade da família, que mora em Blumenau/SC. Na época, a mãe de Zaira, esposa de Marcos, estava doente, e a casa vivia cheia de gente (as irmãs de Zaira ficavam lá para ajudar). Esse movimento gerava uma grande quantidade de roupas para lavar, incluindo roupa de cama e cortinas, que precisavam ser constantemente limpas para aliviar o problema pulmonar da senhora.

Como reutilizar água da máquina de lavar


Pensando numa forma de reduzir os gastos na fatura de água, o casal decidiu reutilizar a água da máquina de lavar. Meio engenheiro que é, Marcos construiu a “engenhoca”. Utilizando como coletor uma caixa d’água de amianto que tinha no forro da casa (que não pode mais receber água potável por causa da contaminação), ele fez uma ligação da máquina de lavar para levar a água do enxágue até à caixa d’água, que está conectada à caixa do vaso sanitário principal da casa, utilizado pelo casal e a filha. 

Ligação do cano da máquina de lavar, feito por Marco Deringer
Ligação do cano da máquina de lavar, feito por Marco Deringer

Para evitar que fiapos e penugens de tecido passem da máquina para a caixa e entupam o cano, o que acontecia no começo, Marco colocou uma rede na entrada da tubulação. Para manter a caixa d’água limpa, eles utilizam pastilhas de cloro, daquelas usadas em piscinas, e Marco faz a manutenção da caixa uma vez por ano, para retirar o excesso de gordura causado pelo sabão. A mesma caixa d’água também recebe água da chuva, por meio de um cano que sai da calha.

Funcionamento do sistema de reaproveitamento da 
água da máquina de lavar feito por Marco Deringer

O sistema funciona há pelo menos três anos e atende bem à necessidade da família. Hoje em dia, as roupas são lavadas no fim de semana, então entre quarta e quinta-feira acaba a água da caixa. Com o reaproveitamento, eles conseguem economizar seis mil litros de água por mês, passando de 25 mil litros como era anos atrás para 19 mil (o que dá uma média de 4,7 mil litros de água por pessoa na casa, onde mora também o pai de Zaira).

Como você pode reutilizar a água da máquina

Ficou empolgado? Você também pode fazer isso em casa, claro! Uma das formas é usar um kit de reuso de água para máquina de lavar, acoplando uma pequena cisterna ou galão para coletar a água cinza, como é chamada a água que sobra de atividades domésticas, como lavação de louça e roupa e água do banho. Se você quiser comprar pronto, tem algumas opções no mercado (é fácil de encontrar online), ou você mesmo pode fazer o seu kit de reuso.

Algumas máquinas de lavar roupa já vêm com uma função que permite que você retire a água com sabão. Para isso, você deve selecionar essa função específica, esperar até o fim da etapa (a máquina vai avisar, provavelmente com uma luz no painel) e colocar a mangueira da máquina em um recipiente para coletar a água. Consulte o manual do equipamento ou o site do fabricante para saber se a sua máquina tem esse modo de reutilização.

Se você já reaproveita a água da máquina de lavar roupa ou ficou super a fim de fazer isso a partir de agora, comente aqui embaixo.

Um ecobeijo e até breve.
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Mata Atlântica e um céu cheio de estrelas

Por Letícia Maria Klein Lobe •
11 agosto 2020
Neste fim de semana consegui suavizar a saudade de uma das coisas que eu mais sinto falta desde que voltei da Schumacher College: um céu noturno cheio de estrelas. Nas duas noites, passei um bom tempo admirando o cobertor escuro bordado de pontos brilhantes que cobre a Terra. Eu e meu marido alugamos uma casa pelo Airbnb em Belchior Alto, bairro de Gaspar, a 20 minutos do centro de Blumenau. Ela é parte da propriedade onde moram o casal Silvette e Charles e a família de um dos filhos. A terceira casa, eles alugam para quem quiser curtir um tempo junto à natureza

Uma mesa lateral no chalé
Uma mesa lateral no chalé

O terreno é cercado por vegetação secundária de Mata Atlântica e tem até macaquinhos (mas nós não tivemos a sorte de vê-los). A companhia abençoada das aves é constante, pontuada pelo balir de ovelhas que são mantidas na propriedade – o rebanho cresceu recentemente, com o nascimento de três filhotes – dois gêmeos malhados e um todo branquinho. 

Ovelhas ao fundo
Ovelhas ao fundo

O chalé em que ficamos é muito aconchegante e fica quentinho com a lareira acesa, perfeito para os dias de frio que pegamos. Silvette e o marido estão construindo um centro para cursos de autoconhecimento e terapias de autocura, junto de um dormitório para os participantes. Essas construções ficam numa parte mais alta do terreno, com vista para as montanhas ao redor e embrenhada em silêncio

E havia uma mala no primeiro andar do chalé
E havia uma mala no primeiro andar do chalé

Nessa parte também uma pequena trilha, que será mais explorada e melhor estruturada para os visitantes caminharem pelo bosque. Silvette disse que todo mundo que se hospeda lá está em busca de sossego, reflexão e reconexão consigo mesmo. De fato, o local é propício para isso, com tanta natureza em volta. Depois de muitas semanas de muito trabalho, conseguimos finalmente relaxar e aproveitar o tempo. 

Delícia de rede na varanda
Delícia de rede na varanda

E, claro, consegui, desde de nossa última viagem para Urubici, presenciar novamente um céu com bem mais estrelas visíveis do que no centro da cidade. Um momento em que consigo não pensar em nada, em que estou plenamente presente, sem preocupações, totalmente repleta de encantamento pela criação divina, ciente de toda magia, poder e conhecimento que existem no universo – e que estão, de alguma forma e em algum grau, presentes em cada ser vivo e elemento natural.

Um ecobeijo e até breve.
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