Cidades e soluções, de André Trigueiro [Resenha]

Por Letícia Maria Klein Lobe •
22 setembro 2020
Este livro tem um pouco de muitos assuntos relacionados à sustentabilidade, catalogados a partir do vasto acervo do programa Cidades e Soluções, exibido pela Globo News desde 2006, com reprises no canal Futura. “Cidades e soluções: como construir uma sociedade sustentável” (Editora LeYa, 2017) não é uma transcrição de alguns episódios, mas uma seleção dos melhores conteúdos, com dados e informações novas.

O jornalista André Trigueiro, editor-chefe e apresentador do programa, e sua esposa, Claudia Guimarães fizeram um trabalho cuidadoso de curadoria, pesquisa, redação e edição de textos durante nove meses de trabalho. Nasceu um projeto lindo. 

Livro Cidades e Soluções (Editora LeYa, 2017)
Livro Cidades e Soluções (Editora LeYa, 2017)

O livro é dividido em nove temas, que são compostos por textos curtos, objetivos e gostosos de ler, entremeados por histórias de bastidores e dicas de sustentabilidade que podemos adotar na nossa vida. Cada capítulo termina com uma entrevista com alguém internacionalmente reconhecido por seu trabalho em prol de um mundo sustentável, como Vandana Shiva, John Elkington e Al Gore.

Falando de energia, água, biodiversidade, mudanças climáticas, resíduos sólidos, planejamento urbano, construções sustentáveis, sociedade e consumo consciente, os autores mostram como os centros urbanos – que vão abrigar 75% da população mundial em 2030 – têm um papel fundamental em aplicar a sustentabilidade. O livro traz dezenas de exemplos de como cidadãos, empresas e governos têm agido para conservar e preservar a vida no planeta, tanto em nível individual quanto coletivo, de escala municipal a global.

A divisão do livro em sessões e textos curtos deixa a leitura dinâmica e fluida. Enquanto lia, lembrei de algumas edições que assisti e até me surpreendi ao encontrar a Schumacher College como um dos assuntos! Foi como voltar para casa.

O mérito do livro é mostrar como não só é possível, mas urgente e necessário, mudar os caminhos que a humanidade percorre durante sua existência na Terra. Os problemas são apontados juntos com soluções que podem ser implantadas em vários estágios e segmentos da sociedade. Dá tempo, sim, a gente só precisa agir, começando agora, de muitos jeitos diferentes – aliás, aqui no blog tem várias dicas para deixar sua vida mais sustentável.

Esteja você no começo da sua jornada de sustentabilidade ou mais adiante, este livro provavelmente vai expandir seus horizontes e te dar uma visão abrangente de muitas possibilidades que nós temos à disposição para mudar nossa vida e cuidar do planeta, uma ação por vez, dia após dia.

Serviço

Livro: Cidades e soluções: como construir uma sociedade sustentável.
Autor: André Trigueiro.
Editora: LeYa.
Ano: 2017.
Páginas: 336. 
Formas de comprar/ler: sebos físicos ou virtuais, biblioteca pública, grupos de troca ou venda em redes sociais, livrarias da sua cidade, lojas on-line.
* Parte dos direitos da obra é destinada ao Centro de Valorização da Vida (CVV), associação filantrópica que realiza um serviço gratuito, 24 por dia, de apoio emocional e prevenção ao suicídio. 
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10 produtos de plástico que deixei de usar no banheiro

Por Letícia Maria Klein Lobe •
15 setembro 2020
Desde que eu comecei a estudar sobre sustentabilidade e buscar formas de deixar minha vida mais sustentável, eu passei a consumir de forma mais consciente, deixando de usar alguns itens ou fazendo trocas inteligentes, ecológicas. Neste post eu vou te contar os dez produtos de plástico que eu deixei de usar no banheiro ao longo dos anos, com o objetivo de consumir melhor e gerar menos ou nenhum resíduo. Vamos lá? 

Produtos de plástico que deixei de usar no banheiro

Touca

De criança até o fim da adolescência, eu tive o costume de usar touca de plástico para evitar molhar o cabelo. Confesso que eu conhecia pouquíssimas outras pessoas que faziam isso, mas como tinha em casa, eu usava. Até que eu percebi que era uma coisa desnecessária – afinal, se o cabelo está preso num coque, é só desviar da água para ele não molhar. Se eu não me engano, foi durante a minha estada na Romênia que eu me toquei disso, porque lá eu não usava. Desde então, adeus, touca – e não sinto falta nenhuma.

Saco de plástico

Eu não uso sacolinha de plástico em casa e uma das alternativas para o lixeiro do banheiro foi usar saco de papel, aquele da padaria ou da embalagem de entrega. Além de bem mais sustentável, não dá aquele cheiro que costuma ter na lixeira.

Tapete de box

Este foi um item que eu abandonei recentemente. Eu usava aquele tapete de plástico ou borracha para não escorregar no box, enquanto tomava banho. O meu marido nunca usou e achava muito feio aquilo pendurado dentro do box, o que acabou sendo um incentivo para eu largar a coisa. Mas eu decidi parar de usar no dia em que tirei o tapete para limpar e vi o quão sujo e anti-higiênico aquilo pode ser (foi a primeira vez que limpei desde que nos mudamos), além de ter que gastar tempo e produtos (naturais, claro) limpando aquilo. Foi uma ótima decisão – não que eu não escorregue, mas é raro, então se o seu problema for esse, uma boa troca é o chinelo de borracha.

Escova de dente e pasta de dente

Falei do meu kit dental sustentável recentemente aqui no blog. Eu já tinha trocado a escova de plástico pela de bambu há alguns anos, e em 2020 eu decidi que trocaria de vez a pasta de dente de tubo por uma versão sem esta embalagem, que é difícil de ser reciclada no Brasil. Encontrei algumas opções na Com Sumo Consciente e estou muito feliz com minha troca até agora! Aliás, você que é leitor do Sustenta Ações agora tem frete grátis na loja! É só digitar “cupom letícia” no campo de observações na hora de fechar a compra pelo site.

Sabonete líquido e esponja

Esta foi outra troca que eu fiz depois de conhecer o movimento lixo zero, há alguns anos. Na verdade, uma troca e um abandono: não uso mais esponja para me lavar e troquei o sabonete líquido por barra, que eu uso diretamente no corpo, sem esponja. Acho bem mais prático, gero menos embalagem (comparando os dois tipos de sabonete), não gero o lixo da esponja (que não costuma ser reciclada) e economizo dinheiro. 

Absorventes

Deixar de usar absorventes descartáveis foi uma das melhores escolhas que eu fiz na vida. No lugar deles, eu uso o coletor menstrual, feito de silicone e totalmente reciclável. Além disso, ele é mais higiênico e muito mais barato em comparação aos modelos descartáveis, entre outras 12 vantagens. Para quem não se adapta ou não gosta, existem os absorventes de pano, que também são sustentáveis.

Maquiagem

Se tem uma coisa que eu nunca tive o costume de usar é maquiagem. Numa época da adolescência, eu tinha um kit básico de maquiagem e esmaltes, mas tudo venceu porque eu não usava, salvo em festas (ou seja, pouquíssimas vezes no ano). Eu me sentia, e me sinto até hoje, melhor sem maquiagem. Me sinto mais eu mesma assim, ao natural. O que também me motivou a não usar mais foi a decisão de diminuir a quantidade de resíduos que eu produzo. Hoje existem várias marcas que fazem produtos veganos, naturais, ecológicos e com embalagens melhores, mas para mim ainda não faz sentido investir dinheiro e tempo nisso. A única coisa que eu tenho em casa hoje é batom, dois ou três, que estão envelhecendo na gaveta por falta de uso, para variar (ainda mais agora com a pandemia e o isolamento social).

Aparelho de barbear

Faz muito tempo que eu não uso mais lâmina para me depilar, então não compro esses aparelhos de plástico. Para o meu marido, que usa para se barbear, dei um aparelho que é 100% de metal, que só precisa trocar as lâminas. Esse tipo é bem antigo, na verdade, e totalmente reciclável.

Consumo consciente e economia

Com essa lista, acabei de perceber que economizo bastante dinheiro com os itens que eu não compro: tapete, esponja, toca, maquiagem e aparelho de barbear, o que mais do que compensa os itens que eu troquei: escova de bambu, pasta de dente sem tubo e sabonete em barra (que podem ser um pouquinho mais caros, dependendo das marcas e modelos). De produto em produto, vou deixando meu banheiro mais com a minha cara. A próxima troca que eu quero fazer é o fio dental, que existe na opção ecológica, com embalagem de vidro e fibras naturais, mas não é tão fácil de achar.

Agora, me conta como está o seu banheiro. Você já fez alguma troca ou deixou de usar um produto pensando na sustentabilidade?

Um ecobeijo e até breve!
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O que fazer com lâmpada queimada? Veja como descartar corretamente

Por Letícia Maria Klein Lobe •
10 setembro 2020
Se tem um objeto que quase todo mundo usa e descarta em algum momento é a lâmpada. Pela nossa Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), lei 12.305/2010, as lâmpadas são resíduos perigosos e precisam de um destino especial, por isso você não pode colocar na coleta comum nem na coleta seletiva. . Neste post eu vou te contar o que eu, você e todos nós consumidores podemos fazer com lâmpadas queimadas e como nós participamos do processo de reciclagem quando descartamos corretamente (sim, elas são recicláveis!).

Os resíduos perigosos são aqueles que têm algum potencial de prejudicar o meio ambiente ou a nossa saúde. Para que eles sejam reciclados ou adequadamente dispostos em aterros, a política prevê a implantação do processo de logística reversa. Nesse processo, os resíduos são coletados nos pontos de entrega voluntária (PEV), transportados, triados, consolidados (reunidos em grupos) e depois encaminhados para as indústrias de reciclagem.

Para implantar e viabilizar a logística reversa, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes assinam um acordo setorial e bancam todos os custos previstos e não previstos. O acordo também prevê a criação de uma entidade gestora para implantar e gerir todo o processo, organizando e unindo os esforços. No caso das lâmpadas, é a Reciclus, uma associação sem fins lucrativos criada pelos principais produtores e importadores, que elaborou um programa de abrangência nacional. Enquanto consumidores, a gente não precisa pagar nada. O nosso papel é levar o resíduo para o lugar certo. 

Podemos contar com a logística reversa de lâmpadas para o descarte correto
Podemos contar com a logística reversa de lâmpadas para o descarte correto

Logística reversa de lâmpadas

No caso das lâmpadas, esse local são as próprias lojas onde compramos as lâmpadas, lojas de material de construção ou pontos de entrega específicos na cidade. De acordo com a política, você tem o dever de levar as lâmpadas até esses locais, e também o direito, então se alguma empresa quiser te cobrar ou exigir que você compre outra lâmpada em troca, não aceite. 

O programa começou a rodar em 2017 e prevê a implantação nacional até 2021. Ela começou nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais e nas maiores cidades dos outros estados. Os municípios com menos de 25 mil habitantes serão atendidos por meio de coleta móvel que será implantada após o cumprimento do cronograma. Blumenau, onde eu moro, estava prevista na fase 3, que foi em 2019.

Dados da Reciclus dizem que até 2019 foram recolhidas 644 toneladas de lâmpadas e foram instalados 1930 pontos de coleta em 429 municípios. No Painel do Descarte Legal tem mais informações.

Os geradores não domiciliares, como indústrias, empresas etc, precisam ter seus próprios planos de gerenciamento de resíduos, o que significa que eles são responsáveis pela destinação correta fora do programa. Eles até podem participar do sistema de logística reversa do acordo setorial, mas a partir de um contrato específico com a entidade gestora Reciclus.

Quais são as lâmpadas

Todos os tipos, até de LED! A diferença é que as lâmpadas fluorescentes, de luz mista e de vapor de sódio e mercúrio são consideradas perigosas, por causa do mercúrio, que é contaminante. As de LED não entram na lista das perigosas porque não têm nenhum metal pesado, elas emitem luz a partir de pequenos chips eletrônicos. Independente do modelo, todas elas são coletadas pela logística reversa. 

Como descartar as lâmpadas

Na hora de levar a lâmpada para a loja ou PEV, coloque dentro de uma embalagem de papelão ou envolva em papel ou jornal. Se tiver alguma lâmpada quebrada entre as que você vai descartar, coloque numa embalagem separada das outras, de preferência uma caixa ou pote. 

Já conhecia esse sistema? Fantástico, né?

Um ecobeijo e até breve.
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Kit dental sustentável: escova de dente de bambu e pasta de dente sem tubo

Por Letícia Maria Klein Lobe •
03 setembro 2020
Uma das minhas metas de sustentabilidade para 2020 era encontrar uma pasta de dente que não viesse naquele tubinho e que tivesse uma composição mais natural possível. Pois eu encontrei! Neste post quero te falar sobre meu kit dental sustentável: escova de dente de bambu e opções de pasta de dente sem o tubo de plástico. 

Letícia com escova de dente de bambu
Minha escova de dente de bambu



Escova de dente de bambu

Faz alguns anos que eu uso escova de dente de bambu. Por ser feita de madeira, ela é compostável, então você pode enterrar no jardim ou enviar para algum serviço de compostagem, se houver na sua cidade. A única parte que você não pode enterrar são as cerdas, que são feitas de nylon, um material reciclável, mas não compostável – para remover as cerdas, você pode usar um alicate de bico. Se você encaminhar as cerdas para a reciclagem, coloque numa embalagem fechada para que elas não se percam no caminho.

Comparada com a escova de dente de plástico, a escova de bambu tem uma origem renovável e mais sustentável e se decompõe em um tempo bem menor do que aquela: cerca de 30 anos, contra uns 400 da de plástico. A escova plástica é reciclável, sim, mas verifique se ela é reciclada na sua cidade. O tempo de uso é similar, de cerca de três meses (mas as minhas duram muito mais por aqui). Para manter a escova de bambu em boas condições de uso por mais tempo, aqui vão três dicas:

  1. Não escove com força, porque a pressão danifica as cerdas e não limpa mais os seus dentes (é a fricção das pontas das cerdas que faz a limpeza).
  2. Depois de escovar os dentes, seque bem sua escova e deixe num local arejado. Se o seu banheiro for muito úmido, é melhor deixar em outro local da casa, pelo menos até secar bem.
  3. Para evitar que sua escova de bambu fique com fungos, deixe ela de molho em água morna com um pouco de vinagre e bicarbonato de sódio, por uma hora.

Pastas de dente sustentáveis


Buscando uma pasta de dente que fosse mais natural, encontrei uma marca que usei por algum tempo (meu marido ainda usa esta). Apesar de ter uma composição bem melhor do que as tradicionais do mercado, essa pasta vem no tubinho de plástico, que é reciclável, mas nem sempre é reciclado – para saber se existe reciclagem desse material na sua cidade, entre em contato com cooperativas, com a prefeitura ou com a empresa responsável por fazer a coleta seletiva. 

Pasta de dente Contente Orgânico Natural, que vem no tubo de plástico
Pasta de dente Contente Orgânico Natural, que vem no tubo de plástico








Não tive uma experiência muito boa com receita caseira de pasta de dente, então pensei em buscar produtos que fossem naturais e que tivessem uma embalagem mais sustentável. Hoje no mercado já existem opções em creme em pote de vidro, em pastilha, em pó e versão sólida.

Testei no mês passado uma pasta de dente sólida, da marca Espanza, com carvão ativado. Ela parece um picolé: a parte sólida vem presa a um palito, embalada em celofane (feito a partir da celulose, é um material biodegradável, então se decompõe muito mais rápido que o plástico e pode ser destinado para compostagem), dentro de uma caixinha de papelão.

A recomendação é colocar a pasta sólida num potinho de vidro. Para usar, basta molhar a escova e esfregar na pasta até sair uns pedacinhos (bem pequeninhos mesmo). Estou usando há pouco mais de um mês e já está acabando, mas acho que é porque eu pegava demais no começo. Sério, é bem pouco mesmo que você precisa usar. Ela não faz espuma (que, na verdade, é só um enfeite) e limpa bem. No futuro quero testar a versão sem carbono ativado.

Como ela já está no fim, comprei uma outra pasta, desta vez em creme, que vem num pote de vidro, da marca Unevie. Ainda não usei, mas vi que a consistência é mais firme, diferente das pastas de tubo. Comprei as duas, que são naturais e veganas, numa loja aqui em Blumenau, a Com Sumo Consciente

Escova de dente de bambu, pasta sólida com carvão ativado (por isso é preta) e pasta em creme
Escova de dente de bambu, pasta sólida com carvão ativado (por isso é preta) e pasta em creme




Minha ideia é testar várias marcas e opções diferentes, para saber as diferenças, ver quais funcionam melhor para mim e quais tem um bom custo-benefício. De qualquer forma, uma coisa é certa: aposentei as pastas com tubo de plástico (que não são recicladas aqui na minha cidade). Mais um passinho no caminho da sustentabilidade. Agora quero saber de você, comente aqui qual pasta você usa, se você pensa em trocar e como está sua busca por opções mais sustentáveis.

Um ecobeijo e até breve.
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Dança dos pássaros, de Huw Cordey [Resenha]

Por Letícia Maria Klein Lobe •
26 agosto 2020

Fazia tempo que eu não me divertia tanto com um documentário. Assisti “Dança dos pássaros” (Dancing with the birds) com um sorriso no rosto e eventuais risadas. O documentário produzido e dirigido por Huw Cordey, disponível no Netflix, mostra o ritual de acasalamento de algumas espécies de aves em Nova Guiné e nas Américas Central e do Sul.

Amor por aves































Das técnicas de construção do pássaro jardineiro ao ballet da parotia da rainha Carola, conhecemos os artifícios e habilidades dos machos para impressionar as fêmeas e conseguir uma parceira para garantir a reprodução da espécie. 


O documentário de 50 minutos é um presente para quem gosta de aves. Fiquei literalmente de queixo caído com tudo o que esses indivíduos fazem na hora da conquista. É incrível – e em muitos aspectos, eles demonstram atitudes que são também humanas, como criatividade, engenhosidade, querer agradar o outro (e também sabotar). Tem uma espécie que consegue imitar qualquer som, até de crianças brincando! A natureza é genial. 




Aliada às imagens belíssimas, que realçam as cores das aves sobre o verde da floresta, a trilha sonora se soma aos sons naturais e traz um colorido a mais para a história, integrando-se à sinfonia dos cantos e servindo de fundo musical para a dança dos conquistadores. A montagem das cenas é muito bem-feita também, dando cadência e dinamismo à narrativa.

Super recomendado! Para ter um gostinho, assista o trailer abaixo.

Um ecobeijo e até breve. 

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Como reutilizar a água da máquina de lavar?

Por Letícia Maria Klein Lobe •
20 agosto 2020
Marcos Deringer criou seu próprio sistema para reutilizar a água da máquina de lavar roupa. Tudo surgiu a partir de uma necessidade da família, que mora em Blumenau/SC. Na época, a mãe de Zaira, esposa de Marcos, estava doente, e a casa vivia cheia de gente (as irmãs de Zaira ficavam lá para ajudar). Esse movimento gerava uma grande quantidade de roupas para lavar, incluindo roupa de cama e cortinas, que precisavam ser constantemente limpas para aliviar o problema pulmonar da senhora.

Como reutilizar água da máquina de lavar


Pensando numa forma de reduzir os gastos na fatura de água, o casal decidiu reutilizar a água da máquina de lavar. Meio engenheiro que é, Marcos construiu a “engenhoca”. Utilizando como coletor uma caixa d’água de amianto que tinha no forro da casa (que não pode mais receber água potável por causa da contaminação), ele fez uma ligação da máquina de lavar para levar a água do enxágue até à caixa d’água, que está conectada à caixa do vaso sanitário principal da casa, utilizado pelo casal e a filha. 

Ligação do cano da máquina de lavar, feito por Marco Deringer
Ligação do cano da máquina de lavar, feito por Marco Deringer

Para evitar que fiapos e penugens de tecido passem da máquina para a caixa e entupam o cano, o que acontecia no começo, Marco colocou uma rede na entrada da tubulação. Para manter a caixa d’água limpa, eles utilizam pastilhas de cloro, daquelas usadas em piscinas, e Marco faz a manutenção da caixa uma vez por ano, para retirar o excesso de gordura causado pelo sabão. A mesma caixa d’água também recebe água da chuva, por meio de um cano que sai da calha.

Funcionamento do sistema de reaproveitamento da 
água da máquina de lavar feito por Marco Deringer

O sistema funciona há pelo menos três anos e atende bem à necessidade da família. Hoje em dia, as roupas são lavadas no fim de semana, então entre quarta e quinta-feira acaba a água da caixa. Com o reaproveitamento, eles conseguem economizar seis mil litros de água por mês, passando de 25 mil litros como era anos atrás para 19 mil (o que dá uma média de 4,7 mil litros de água por pessoa na casa, onde mora também o pai de Zaira).

Como você pode reutilizar a água da máquina

Ficou empolgado? Você também pode fazer isso em casa, claro! Uma das formas é usar um kit de reuso de água para máquina de lavar, acoplando uma pequena cisterna ou galão para coletar a água cinza, como é chamada a água que sobra de atividades domésticas, como lavação de louça e roupa e água do banho. Se você quiser comprar pronto, tem algumas opções no mercado (é fácil de encontrar online), ou você mesmo pode fazer o seu kit de reuso.

Algumas máquinas de lavar roupa já vêm com uma função que permite que você retire a água com sabão. Para isso, você deve selecionar essa função específica, esperar até o fim da etapa (a máquina vai avisar, provavelmente com uma luz no painel) e colocar a mangueira da máquina em um recipiente para coletar a água. Consulte o manual do equipamento ou o site do fabricante para saber se a sua máquina tem esse modo de reutilização.

Se você já reaproveita a água da máquina de lavar roupa ou ficou super a fim de fazer isso a partir de agora, comente aqui embaixo.

Um ecobeijo e até breve.
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Mata Atlântica e um céu cheio de estrelas

Por Letícia Maria Klein Lobe •
11 agosto 2020
Neste fim de semana consegui suavizar a saudade de uma das coisas que eu mais sinto falta desde que voltei da Schumacher College: um céu noturno cheio de estrelas. Nas duas noites, passei um bom tempo admirando o cobertor escuro bordado de pontos brilhantes que cobre a Terra. Eu e meu marido alugamos uma casa pelo Airbnb em Belchior Alto, bairro de Gaspar, a 20 minutos do centro de Blumenau. Ela é parte da propriedade onde moram o casal Silvette e Charles e a família de um dos filhos. A terceira casa, eles alugam para quem quiser curtir um tempo junto à natureza

Uma mesa lateral no chalé
Uma mesa lateral no chalé

O terreno é cercado por vegetação secundária de Mata Atlântica e tem até macaquinhos (mas nós não tivemos a sorte de vê-los). A companhia abençoada das aves é constante, pontuada pelo balir de ovelhas que são mantidas na propriedade – o rebanho cresceu recentemente, com o nascimento de três filhotes – dois gêmeos malhados e um todo branquinho. 

Ovelhas ao fundo
Ovelhas ao fundo

O chalé em que ficamos é muito aconchegante e fica quentinho com a lareira acesa, perfeito para os dias de frio que pegamos. Silvette e o marido estão construindo um centro para cursos de autoconhecimento e terapias de autocura, junto de um dormitório para os participantes. Essas construções ficam numa parte mais alta do terreno, com vista para as montanhas ao redor e embrenhada em silêncio

E havia uma mala no primeiro andar do chalé
E havia uma mala no primeiro andar do chalé

Nessa parte também uma pequena trilha, que será mais explorada e melhor estruturada para os visitantes caminharem pelo bosque. Silvette disse que todo mundo que se hospeda lá está em busca de sossego, reflexão e reconexão consigo mesmo. De fato, o local é propício para isso, com tanta natureza em volta. Depois de muitas semanas de muito trabalho, conseguimos finalmente relaxar e aproveitar o tempo. 

Delícia de rede na varanda
Delícia de rede na varanda

E, claro, consegui, desde de nossa última viagem para Urubici, presenciar novamente um céu com bem mais estrelas visíveis do que no centro da cidade. Um momento em que consigo não pensar em nada, em que estou plenamente presente, sem preocupações, totalmente repleta de encantamento pela criação divina, ciente de toda magia, poder e conhecimento que existem no universo – e que estão, de alguma forma e em algum grau, presentes em cada ser vivo e elemento natural.

Um ecobeijo e até breve.
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O que fazer com cartão de crédito velho? Veja 11 soluções

Por Letícia Maria Klein Lobe •
06 agosto 2020
Com certeza você já descartou algum cartão de crédito que venceu, certo? Cortou em pedaços e jogou no saco de lixo. Sim, já fiz isso também, e é o que a maioria das pessoas faz quando o cartão perde a validade (não só cartão de crédito, mas de seguro, crachá, de loja, de chip de telefone etc). Se você ainda faz assim, vim de dar uma ótima notícia: é possível reaproveitar o cartão ou enviá-lo para a reciclagem! Os cartões são feitos de diferentes tipos de plástico, por isso são totalmente recicláveis. Pesquisando na internet, encontrei algumas soluções para o seu cartão de crédito velho.
O que fazer com cartão de crédito velho?
Meu estoque de cartões, esperando a próxima visita ao Papa Cartão.

1. Máquina Papa Cartão
Um programa de logística reversa da empresa R. S. de Paula coleta cartões, crachás e credenciais de plástico. Você coloca o cartão na abertura da máquina, gira a manivela (sem gasto de energia!) e o cartão é cortado em pedaços, por questão de segurança (a caixa é transparente, então você pode testemunhar o processo). O material depois é usado para fazer novos produtos, como capas de caderno, porta-copos, crachás, réguas e muitos outros.

O Papa Cartão está presente em alguns estados brasileiros, aqui a lista de pontos de coleta. Eu já levei vários quando viajei para São Paulo (hoje tem uma pequena pilha aqui em casa aguardando a próxima viagem até um papa cartão). As máquinas podem ser alugadas por empresa, associação, instituto ou órgão governamental.  

Máquina papa cartão em estação em São Paulo

Máquina papa cartão em estação em São Paulo. Fonte: site da empresa.

2. Moldura feita com mosaico de cartões: é só cortar os cartões em pedaços e colar na moldura que você tem. Pode ser um porta-espelho, portarretrato ou até um quadro.

3. Palhetas para tocar instrumentos: essa é uma ótima dica para quem é músico. Basta recortar o cartão no formato da palheta (parece que funciona melhor com cartões mais finos, como de crachá ou credencial).

4. Suporte para fones de ouvido: é uma ótima forma de deixar seu fone bem guardado, sem risco de danificar o cabo. Para isso, são necessários alguns furos e cortes no cartão, como mostra a foto.

5. Porta-bijuterias: segue a mesma lógica do suporte anterior, com buraquinhos e espaços para encaixar brincos, pulseiras e colares.

6. Organizador de cabos: igual aos outros dois, com cortes nas laterais do cartão para encaixar os fios.
Moldura feita com mosaico de cartões, palhetas para tocar instrumentos, suporte para fones de ouvido, porta-bijuterias, organizador de cabos
Em sentido horário: moldura, palheta, organizador de cabo, porta-bijuteria e suporte para fone de ouvido.

7. Marcador de páginas: fica muito legal se revestido de algum tecido ou papel adesivo.

8. Placa de identificação: para mala ou mochila; é só embrulhar com tecido ou adesivo, fazer um furo e passar uma cordinha.

9. Suporte para celular: ótima ideia e super fácil de fazer, basta dobrar em duas partes, uma mais estreita e outra mais larga, como na foto.

10. Presilhas de cabelo: precisa fazer um furo em cada lateral e passar um pedacinho de madeira (talvez seja mais fácil com cartões mais finos).

11. Minivaso (com ou sem ímã): adorei essa ideia do minivaso (tutorial aqui), que pode ficar na porta da geladeira, na mesa do escritório, na estante... 

cartão de identificação, suporte para celular, presilha de cabelo, minivaso.
Em sentido horário: placa de identificação, suporte para celular, presilha de cabelo, minivaso.

Gostou das dicas? Me conte nos comentários quais você pretende aplicar. 

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4 dicas de presentes sustentáveis para o Dia dos Pais

Por Letícia Maria Klein Lobe •
28 julho 2020
Por causa da pandemia de Covid-19, com o isolamento social, vamos ter um Dia dos Pais incomum (assim como foi o das Mães). A comemoração vai ser um pouco diferente, mas é uma ótima oportunidade para dar um presente sustentável para o seu pai (ou tio, avô...). Seguem as dicas: 

Cartão digital
A ideia do cartão é muito legal! Às vezes é a parte mais personalizada do presente e pode durar até mais do que ele, dependendo do que for. Pensando no distanciamento, você pode fazer o seu próprio cartão virtual e enviar por e-mail ou aplicativo de mensagem. Sites como o Canva e o Piktochart permitem criar cartões que são a cara do seu pai. Tudo on-line e de graça, sem gastar papel nem tinta de caneta.

Vídeo
O Canva também pode ser usado para fazer um vídeo especial, com fotos e texto. É uma forma divertida e bem personalizada de mostrar ao seu pai todo o seu amor e gratidão. Dependendo do sistema operacional do seu computador, o próprio aplicativo de fotos já tem uma ferramenta de criação de vídeo. Mais um presente sem custo, nem para o seu bolso, nem para o planeta.

Poema de presente
O Presente Poema é uma ideia linda e lixo zero para presentear seu pai nesta data querida (que não é aniversário, mas ele adora). É um poema personalizado, feito para você a partir das suas impressões e memórias, direcionado para alguém que você ama. A iniciativa é da minha amiga Mari, que elabora o poema a partir de uma conversa com você que quer presentear. Neste post tem mais informações sobre o Presente Poema. Você que é leitor do Sustenta Ações, aproveite o código LETICIA0720 para ganhar um desconto especial na loja

Presente Poema

Receita gostosa
Quem não ama (amo!!) bolo? E não precisa ser aniversário para comemorar com doce. Que tal fazer um bolo e mandar entregar na casa do seu pai (ou levar lá, se der)? Se o seu pai prefere um prato salgado, então faça a receita favorita dele. Dar comida de presente, especialmente quando é você quem faz, é um ato de muito carinho e generosidade.  É um presente que custa muito pouco, mas vale muito, além de não gerar quase nada de resíduos.

Dica bônus
Independente do presente, o melhor de tudo é dar muita atenção e amor ao seu pai nesse dia (e em todos os outros do ano, claro), então reserve um bom tempo para fazer uma videochamada ou ter uma conversa mais longa pelo telefone. Hoje em dia, manter distância é um ato de amor, respeito e segurança. Coloque em palavras tudo o que gostaria de dizer com um abraço. E, assim que der, dê todos os abraços que ficaram guardados nas suas palavras.

Um ecobeijo e até breve.
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Dica de consumo consciente: dê um poema de presente

Por Letícia Maria Klein Lobe •
21 julho 2020
“Presas as palavras não querem ficar,
transborde e deixe o amor te levar.
É tempo de tanta coisa dizer
Está fora de moda sofrer.”

Você já pensou em dar um poema de presente? Não um poema pronto, de algum poeta famoso, mas sim um criado especialmente a partir das tuas experiências e dos teus sentimentos por alguém especial. Essa é a proposta do Presente Poema, elaborado pela minha amiga Mari Gomes Sievert, da Casa Aberta. A ideia é unir seu sentimento com a forma de escrita poética, para reviver doces lembranças. 

Presente Poema

O Presente Poema é feito a partir do seu olhar, das suas impressões, das suas lembranças e da sua história, por isso ele é único, como você. É a expressão do melhor de ti para saudar o melhor da pessoa que vai recebê-lo. Com um poema como presente, você pode declarar seu amor, relembrar momentos queridos e aquecer o coração de alguém de uma forma sustentável.

As vantagens do presente poema são várias, especialmente nesta época de pandemia que estamos vivendo, com o isolamento social e a necessidade de ficar em casa o máximo possível. Nesse momento delicado, o presente poema reconecta as pessoas e te permite presentear alguém sem sair de casa, numa demonstração de cuidado com você e com os outros. O presente poema é comprado e elaborado a distância e não gera quase nada de resíduos no processo, pois é um presente virtual (os papéis de rascunho usados no processo de criação são compostados depois). 

Funciona assim: você encomenda o presente pelo site e agenda uma conversa com a Mari para que ela crie o poema a partir dos teus relatos. Por isso, o processo acaba sendo terapêutico para você, pois é uma forma de liberar teus sentimentos e memórias.

Iniciativa linda, né? Fica melhor ainda com uma vantagem que tem para você que acompanha o Sustenta Ações. Com o código LETICIA0720, você ganha um desconto especial! É só inserir na hora de fechar a compra. Na próxima vez que quiser presentear alguém, lembre-se do presente poema, uma opção sustentável, de consumo consciente e lixo zero.

Um ecobeijo e até breve.
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Roupa íntima: o que fazer com calcinha, cueca, sutiã e meias velhas?

Por Letícia Maria Klein Lobe •
15 julho 2020
Furada, rasgada, esgaçada, manchada, puída. Não importa o motivo, uma hora ou outra você vai precisar dar adeus a algumas das suas roupas íntimas. Você já deve ter descartado várias ao longo da vida, provavelmente no saco de lixo que a prefeitura recolhe.

Mesmo que você tenha separado para a reciclagem na coleta seletiva, a não ser que tenha sido diretamente em algum programa de reciclagem de roupas, é quase certo dizer que as peças foram parar no aterro sanitário (ou qualquer outro canto). Mas existe um destino melhor e sustentável para a calcinha, cueca, sutiã, biquíni, sunga e meias velhas

Calcinha, cueca, sutiã, meia, biquíni e sunga velhas têm solução sustentável

Lembra do meu pufe, batizado pelo meu gato? Lá dentro estão agora muitas peças íntimas sem uso que eu vinha guardando em casa até encontrar um destino correto. Agora, junto com bandejas de isopor reaproveitadas, elas servem de enchimento para o pufe, cortadas em pedacinhos.

Você também pode usar as roupas íntimas para estofar almofadas, bichinhos de pelúcia e outros objetos de artesanato feitos com tecido (como chaveiro); é só cortar em pedaços. Se você conhece alguma cooperativa, associação ou projeto que faz esse tipo de trabalho artesanal, você pode entrar em contato e ver se eles aceitam que você doe as peças para serem usadas como enchimento. Se você tiver vergonha de levar as peças inteiras, leve em pedaços.

Procure se informar se tem algum programa de reciclagem de roupas na sua cidade, como a Caixa Solidária, ou alguma cooperativa que recolha esses resíduos para vender à uma indústria recicladora. A reciclagem de roupas não é tão difundida no Brasil, mas existe em alguns estados. Se a empresa aceitar, você pode até enviar uma caixa pelo correio depois de acumular uma certa quantidade.

Caso as peças estejam em bom estado, e você não quiser mais, é possível doá-las para instituições que ajudam famílias carentes com roupas e alimentos. Afinal, como se diz, lavou, tá novo.

Se você gostou das dicas ou tem outra ideia, compartilhe e deixe um comentário. Chegou a hora de reaproveitar até aquele resíduo que você achava que não tinha solução!

Um ecobeijo e até breve.
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Julho sem plástico: lives no Instagram e Youtube

Por Letícia Maria Klein Lobe •
06 julho 2020
Para comemorar a campanha #julhosemplastico, vou conversar com pessoas que fazem a diferença em prol de um mundo mais sustentável, com consumo consciente e maior aproveitamentos dos resíduos sólidos. As lives serão nas quintas-feiras, às 19h30, pelo Instagram. Confira a agenda abaixo.

Dia 09/07 – Rodrigo Sabatini, Instituto Lixo Zero Brasil.
Rodrigo é engenheiro civil, presidente do Instituto Lixo Zero Brasil, diretor da Zero Waste International Alliance, fundador e mentor da Juventude Lixo Zero. Será que um mundo sem lixo é possível? Vamos conversar sobre isso na live, explorando os problemas e as soluções dos resíduos sólidos. 

Dia 16/07 – Giovani Rafael Seibel, Mais Bicicletas. 
Giovani é biólogo, pós-graduado em Gestão e Educação Ambiental. É professor de Ciências e Biologia das Rede de Ensino Municipal e Estadual e professor do Programa Mais Educação – Agroecologia. Atualmente ele é empreendedor do Mais Bicicletas, uma empresa de aluguel de bikes. Giovani usa a bicicleta como principal meio de transporte e faz compostagem há muitos anos (foi ele que fez o meu minhocário), por isso eu o convidei para falarmos sobre os mitos e verdades da compostagem. 

 

Dia 23/07 – Alessandra Bernardi, loja Com Sumo Consciente. 
Alessandra é arquiteta e empreendedora. Ela possui uma loja de artigos sustentáveis em Blumenau, chamada Com Sumo Consciente. Ela tem cosméticos, produtos de higiene e limpeza naturais, veganos e não testados em animais, além de decoração, roupas e acessórios feitos à mão. Vamos conversar sobre por que e como ser um consumidor consciente. 

Dia 30/07 – Mariane Gomes Sievert, Casa Aberta
Mariane é mãe, filha, poetisa, brincante da natureza, admiradora de processos livres, aprendiz de permacultura, inspiradora da Casa Aberta e do PresentEco. Devido aos seus vários anos como professora e estudiosa da educação, vamos conversar sobre os caminhos da educação para um mundo sustentável. 

 

Encontro marcado, hein? Um ecobeijo e até breve!
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Julho sem plástico: 31 formas de reduzir o plástico na sua vida

Por Letícia Maria Klein Lobe •
02 julho 2020
Chegou o mês de julho para te incentivar a diminuir a quantidade de plásticos na sua rotina! A campanha #julhosemplastico, ou #plasticfreejuly, nasceu em 2011 na Austrália e se espalhou pelo mundo. Você pode até se inscrever para participar da campanha oficial no site da fundação Plastic Free July

A ideia é que, durante o mês de julho (e para sempre, de preferência), você evite usar materiais descartáveis ou consumir plásticos novos – se você tem itens de plástico resistente (não descartável) em casa, é claro que pode usá-los para algumas das dicas abaixo, afinal, descartar algo que está em bom estado não é sustentável, mesmo que seja para comprar outra coisa melhor. Para te ajudar a consumir menos plastiquinhos, este post tem uma dica para cada dia do mês. Vamos juntos? 

Algumas das soluções que eu uso para reduzir o plástico na minha vida
Algumas das soluções que eu uso para reduzir o plástico na minha vida



1. Tenha sua própria caneca, garrafa ou copo retrátil para evitar o uso do copo descartável.

2. Carregue seu próprio canudo de metal, bambu ou vidro para evitar os canudos no restaurante. Importante! Lembre-se sempre de pedir para não colocar o canudo, porque às vezes já vem dentro da bebida.

3. Use sacos de pano para comprar pão na padaria e outros alimentos a granel, como frutas e verduras no mercado, na feira ou em lojas do ramo.

4. Potes de vidro também podem ser usados para comprar alimentos a granel, geralmente em lojas ou feira (precisa tarar o pote antes).

5. Troque as sacolas plásticas do mercado por opções retornáveis. Como substituir? Continue lendo.

6. No lugar da sacola na lixeira do banheiro, use um saco de papel (que pode ser o do pão ou uma dobradura).

7. Coloque os resíduos recicláveis dentro de embalagens de produtos que você comprou, assim não precisa usar sacola de plástico.

8. Outra opção é usar caixas de papelão para colocar os resíduos. Use uma caixa para os vidros também.

9. Carregue um kit de talheres para onde for para evitar os descartáveis, ou para usar quando os talheres do restaurante estiverem dentro de um saquinho plástico (que não costuma ser enviado para a reciclagem).

10. Troque a escova de dente de plástico por uma opção de bambu, com cerdas naturais. Existem várias no mercado hoje, e é fácil encontrar na farmácia. A vantagem é que pode ser compostada.

11. Escovão de plástico de limpeza também tem opção em madeira e cerdas naturais, e pode ser compostado.

12. Vassoura de madeira e palha substitui muito bem a de plástico, e – adivinha – pode ser compostada.

13. O tubo da pasta de dente dificilmente é reciclado, então uma boa opção são as pastilhas dentais ou a pasta em barra. Também existem receitas que você pode fazer em casa, mas é bom pesquisar bastante e falar com seu dentista.

14. Se você usa creme corporal, pode procurar opções em vidro ou mesmo fazer a sua própria receita de creme em casa (tem algumas na internet).

15. Substitua o plástico filme e o papel alumínio no fechamento de potes por embalagens multifuncionais de cera de abelha: são pedaços de pano encerados usados para embalar alimentos ou fechar potes. Você pode fazer ou comprar pronto.

16. Se for comprar alguma peça de roupa, prefira as de fibras naturais, como algodão e linho, por exemplo, pois as sintéticas são feitas a partir de plástico. 

prefira roupas de algodão ou outras fibras naturais
Uma das minhas roupas feita 100% com algodão



17. Substitua o aparelho de barbear de plástico pelo de metal, que dura sua vida toda e você só precisa trocar a lâmina. Daí é só encaminhar as pecinhas para a reciclagem. 

18. Para evitar gerar tantas canetas, existem algumas opções de caneta-tinteiro, com tinta que vem em potinho, como antigamente. É mais comum no exterior, mas pela internet dá para encontrar opções. Algumas papelarias também têm.

19. Na cozinha, você pode trocar utensílios de plástico por opções de metal, como talheres, concha, espátula, ou de madeira, como pás e colheres grandes para usar na panela.

20. Tábuas de plástico para cortar alimentos podem ser trocadas por tábuas de vidro ou de madeira.

21. Quando precisar de potes, reutilize embalagens de vidro (ou até de plástico) de alimentos ou compre potes de vidro.

22. Ao comprar material escolar, também prefira opções que não sejam de plástico, como régua e tesoura de metal, borracha natural (não sintética) ou feita a partir de reaproveitamento de materiais (os dois modelos são produzidos pela Mercur).

23. Troque a esponja de lavar louça de plástico por bucha vegetal. Dá até para plantar em casa, o que evita a embalagem.

24. Reduza o consumo de isopor, preferindo produtos que venham embalados em materiais mais facilmente recicláveis. Neste post tem várias dicas para evitar, reutilizar e reciclar o isopor.

25. Bora pra cozinha? Para evitar embalagens plásticas e produtos industrializados, você pode fazer suas próprias comidas em casa, como pão, macarrão, bolo, hambúrguer vegetariano, pizza e muito mais.

26. Mulheres, troquem os absorventes descartáveis de plástico por um coletor menstrual ou absorventes de pano. Além de sustentáveis, vão te dar uma economia enorme de dinheiro. Sério, dê uma chance, você não vai se arrepender!

27. Como o papel higiênico vem numa embalagem de plástico, uma boa forma de evitar esses dois resíduos é usar uma ducha higiênica (ou um bidê) e um paninho para se limpar.

28. Seguindo a lógica do papel embalado em plástico, use guardanapos de pano em casa (e tenha sempre um na bolsa ou no bolso). Você pode fazer os guardanapos a partir de peças de roupa antigas ou retalhos de tecido.

29. Mais uma coisa que vem embalada em plástico: algodão. Prefira rodelas de tecido de algodão ou mesmo um pano, dependendo do uso.

30. Ao comprar sabonetes, escolha aqueles embalados em papel, e sempre que possível, escolha aqueles feitos com ingredientes naturais e benéficos. Você consegue encontrar pela internet, em empórios ou lojas de produtos naturais.

31. Na mesma linha, existem shampoos e condicionares em barra, que não vem embalados num pote de plástico. Tem de várias marcas e modelos no mercado, e é bem fácil encontrar on-line.

Você achou que nem tinha 31 formas de tirar o plástico da sua vida, né? Pois tem muito mais! Me conta nos comentários quais dessas você já faz e quais vai colocar em prática já já.

Um ecobeijo e até breve!
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Gaia: alerta final, de James Lovelock [Resenha]

Por Letícia Maria Klein Lobe •
25 junho 2020
A terra, nosso planeta casa, está viva. É um organismo que se autorregula por meio dos seres vivos, rochas, oceano e atmosfera, todos conectados em um sistema em evolução. Todos inter-relacionados e interdependentes de alguma forma.

É isso que diz James Lovelock na teoria de Gaia, que ele formulou nos anos de 1980 a partir da hipótese de Gaia, criada na década anterior. Em "Gaia: alerta final", o autor faz um retrato sombrio das ações e consequências da humanidade no planeta, que tem nos colocado rumo a uma catástrofe climática que pode ser irreversível. 

Gaia: alerta final, de James Loveck


Para ele, a redução da queima de combustíveis fósseis, do uso de energia e da destruição das florestas não é uma resposta suficiente ao aquecimento global, que pode acontecer mais rápido do que nossa capacidade de reação. Aqui ele dá um panorama geral e analítico da previsão climática, explicando os modelos e o consenso (equivocado!) do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU.
“Civilizações destroem a si próprias com ideologias que, como vírus de computador, incapacitam seus sistemas operacionais. [...] A crise é o resultado de colocarmos os direitos humanos antes dos deveres humanos com a Terra e as demais formas de vida com as quais compartilhamos a Terra.” (p. 230, 232)
James Lovelock é amigo de Stephan Harding, professor com quem tive aula na Schumacher College. Ele eventualmente falava sobre o cientista – nós estudamos a teoria de Gaia, inclusive. Além de criador da teoria, Lovelock inventou o instrumento que mede a quantidade de CFCs na atmosfera.

Neste livro, o autor coloca em xeque o que se considera sustentável hoje, como energia eólica, por exemplo - ele aposta todas as fichas em energia nuclear, a partir da explicação dos prós e contras de diversas fontes de energia e alimento. Ele também explora as técnicas de geogenharia e a discussão sobre o que é ser ou não ser verde.

Lovelock sempre foi considerado polêmico, e apesar de oito previsões da sua teoria já terem sido confirmadas, ele não é majoritariamente aceito na comunidade científica.
“A aceitação lança dúvida sobre o modo como a ciência é dividida em um conjunto cômodo de disciplinas, e torna indesculpável continuar a prever e planejar nosso futuro com base na ciência reducionista dos séculos passados. [...] A teoria de Gaia é holística, um sistema teórico completo e, como tal, não pode ser modelada utilizando os conceitos das ciências da Terra ou da vida separadamente” (p. 179, 190)

A ideia da teoria é que o planeta sempre vai buscar, por meio do seu sistema integrado, regular as condições de superfície para favorecer a vida e a habitabilidade. Faz todo o sentido, e se quisermos mudar o futuro da espécie humana no planeta, precisamos todos ter consciência da interdependência dos elementos desse sistema. 
“Um entendimento correto da Terra como um planeta vivo é uma questão de vida ou morte para bilhões de pessoas e de extinção para toda uma gama de espécies. [...] Não há um conjunto de regras ou prescrição para viver com Gaia, só existem consequências.” (p. 188 – 190)
A leitura do livro foi um pouco arrastada para mim, especialmente na primeira metade, e penso que só consegui aproveitar bem a obra porque já tinha conhecimento sobre o assunto, inclusive do meu curso de Ciência Holística na Schumacher (este livro é o último de uma série sobre Gaia, então talvez seja bom começar pelo primeiro).

Lovelock usa uma linguagem mais técnica e tem pensamentos que podem ser considerados polêmicos, talvez até contraditórios. Em nove capítulos, o cientista nos leva por uma jornada sobre história humana, nossas ações e impactos no planeta, as consequências dos modos de vida antropocêntricos, alternativas e soluções (que ajudam, mas não resolvem tudo), a evolução da teoria de Gaia, percepções sobre o planeta vivo, ideias sobre o que é verde e sustentável e um cenário futuro.

Concorde com ele ou não, James Lovelock contribuiu para revolucionar o modo como se pensa e faz ciência hoje - e como as pessoas enxergam a si mesmas no planeta.
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Um residuário para os resíduos recicláveis especiais no condomínio

Por Letícia Maria Klein Lobe •
16 junho 2020
Agora o condomínio onde eu moro tem um residuário montado e estruturado, com caixas para tipos específicos de resíduos recicláveis. A cooperativa que recebe a coleta seletiva da cidade não aceita todos os tipos (por falta de comprador e capacidade) e alguns dos resíduos são especiais, pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, então precisamos dar outro destino para eles por meio da logística reversa.

São eles:
Brinquedos Hasbro;
Cápsulas de café;
Equipamentos eletroeletrônicos e acessórios;
Esponjas de cozinha;
Instrumentos de escrita;
Isopor (bandejas e peças de proteção);
Pilhas e baterias.

Para montar a estante e prateleiras do residuário, compramos trilhos, suportes e tábuas de madeira. Para armazenar os resíduos, estamos usando, por enquanto, caixas de papelão e potes redondos de plástico que eram de alimentos. A ideia foi começar com o que já tivéssemos à mão, sem precisar comprar caixas novas. Eu estava esperando a oportunidade de conseguir materiais usados, até que a solução apareceu em uma conversa com minha amiga arquiteta Grazi (tivemos um papo muito legal sobre espaços sustentáveis no Instagram, aliás). 

Residuário para resíduos recicláveis especiais

Nós falávamos sobre composteiras, que podem ser feitas com aqueles baldes redondos ou quadrados que padarias e mercados descartam muito, então me veio a ideia de utilizar esses mesmos baldes para armazenar os resíduos no residuário. Além de dar outro uso para as caixas que seriam descartadas, economizamos um bom dinheiro, já que o valor cobrado costuma ser bem baixo – quando não de graça, se o local quiser dar. Depois que eu trocar as caixas de papelão, atualizo o post com uma foto do residuário repaginado.

Em relação aos resíduos, daremos os seguintes destinos:
  • Brinquedos Hasbro: programa da TerraCycle.
  • Cápsulas de café: aqui daremos destino a grupos que fazem artesanato, mas também tem dois programas da TerraCycle para três marcas específicas.
  • Equipamentos eletroeletrônicos e acessórios: empresa em Blumenau que recicla esses resíduos.
  • Esponjas de cozinha: programa da TerraCycle.
  • Instrumentos de escrita: programa da TerraCycle.
  • Isopor (bandejas e peças de proteção): Reciclagem Saturno, que encaminha o material para a empresa de reciclagem Termotécnica, em Joinville.
  • Pilhas e baterias: mercados e empresas que trabalham com reciclagem de baterias de carro.

Se as ações de uma família para reduzir, reutilizar e reciclar seus resíduos faz diferença, imagina o impacto de várias famílias juntas! Se você mora em casa, pode fazer com os vizinhos da sua rua, e também dá para organizar um residuário na empresa onde você trabalha. A resposta aqui no prédio foi 100% positiva e já tem resíduos nas caixinhas!

Vou manter uma planilha da quantidade de resíduos arrecadada e seus devidos destinos, assim fica mais fácil de contabilizar e ver o impacto positivos das nossas ações. 

(Atualização em agosto) Assim está o nosso residuário agora:

Residuário
Novo residuário

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Vídeos sobre sustentabilidade durante o Junho Verde

Por Letícia Maria Klein Lobe •
09 junho 2020
No dia 05 de junho comemora-se o Dia Mundial do Meio Ambiente, quando teve início, lá em 1972, a primeira Conferência da ONU sobre Meio Ambiente Humano. Aqui em Blumenau a celebração é no mês inteiro. O Junho Verde é realizado desde 2016 e está previsto na lei 8.288/16 (nos anos anteriores havia a Semana do Meio Ambiente).

Neste Junho Verde, participei com duas ações: um vídeo com dicas para ser lixo zero no dia a dia (a segunda semana de junho é a Semana Lixo Zero na cidade, por lei) e uma live com a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Blumenau sobre sustentabilidade na nossa vida. Os dois vídeos estão aqui embaixo. Vale a pena seguir o instagram da Semmas para acompanhar todas as ações do Junho Verde na cidade.

Live sobre sustentabilidade no dia a dia
Live sobre sustentabilidade no dia a dia

Dicas para ser lixo zero
Sustentabilidade no dia a dia



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Lixo Extraordinário, de Lucy Walker [Resenha]

Por Letícia Maria Klein Lobe •
02 junho 2020
Tião, Zumbi, Magna, Irmã, Isis, Suelen e Valter. Pessoas invisíveis para a maior parte da população, confundidas com o material do qual tiravam seu sustento: lixo. Em 2010, elas viraram personagens no documentário Lixo Extraordinário (Waste Land), dirigido por Lucy Walker.

Imagens aéreas do então lixão de Jardim Gramacho mostram montanhas de descarte em meio à Floresta Atlântica, uma cicatriz de danos humanos à casa Terra. Forte o suficiente, mas que não capturam a outra face do problema da produção de lixo: as vidas humanas que trabalhavam e dependiam daquele lugar para sua sobrevivência. 

Cartaz do documentário Lixo Extraordinário (Waste Land)

Para mostrá-las ao mundo, o artista plástico Vik Muniz fez da sua arte um projeto social. Um dos maiores artistas brasileiros reconhecidos internacionalmente, ele utiliza os mais diversos materiais para fazer suas obras, como sujeira, diamantes, açúcar, cabos, cordas, calda de chocolate, pasta de amendoim e pigmento. E também resíduos sólidos. O que importa para ele é “mudar a vida de um grupo de pessoas usando o material que elas usam”. Por isso a diversidade de matéria-prima.

O dinheiro arrecadado com a venda das obras (que tiveram a contribuição dos próprios catadores) foi revertido para a Associação dos Catadores do Aterro Metropolitano do Jardim Gramacho, liderada por Tião Santos, hoje empreendedor social.

O filme, produzido e realizado a longo de três anos, foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2011 e levou Tião para o tapete vermelho. Um ano depois, o lixão, considerado o maior da América Latina, foi extinto e no lugar foi implantado um Polo de Reciclagem no fim de 2013 (mas a situação não melhorou; poucas pessoas continuaram empregadas e ainda há o descarte ilegal de lixo por lá).
 
Tião Santos vendo a representação da sua própria foto

O documentário começa com foco em Vik e vai aos poucos apresentando a vida e a realidade dos catadores de materiais recicláveis do lixão, mostrando todo o desenvolvimento do projeto, desde a ideia até a exibição das obras de arte e o “depois” dos protagonistas. 

Com o retorno financeiro, algumas daquelas pessoas conseguiram mudar sua vida e saíram do lixão. O projeto não mudou só a realidade delas, mas a forma como elas se percebiam enquanto pessoas e trabalhadores.

Além da questão humana fortemente presente na narrativa, que aproxima o espectador da história, envolve e emociona, o documentário traz à tona a problemática da produção de lixo em suas dimensões sociais, ambientais e econômicas. Consumismo, desperdício, poluição, classes sociais, condições de trabalho e preconceito são alguns dos temas sobre os quais podemos refletir. 

Trailer do documentário

As artes plásticas e o cinema têm o poder de conscientizar e abrir os nossos olhos para questões que precisam ser discutidas e modificadas na sociedade. Só existe lixo no mundo porque nós, seres humanos, produzimos lixo – materiais que desperdiçamos e não reaproveitamos. É nossa responsabilidade e nosso dever mudar isso. Com consciência e ações diárias. 

Documentário recomendadíssimo! 

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O que fazer com a caixa de pizza engordurada?

Por Letícia Maria Klein Lobe •
26 maio 2020
Você já deve ter se perguntado se a caixa de pizza é reciclável ou não, por causa da gordura. A dúvida vale para qualquer outro papel engordurado. Eles são, sim, recicláveis, mas não são todos os lugares que aceitam. O que acontece é que a gordura reduz a permeabilidade do papel e faz com que a versão reciclada final fique mais fraca.

As ligações químicas entre as fibras de celulose, chamadas de pontes de hidrogênio, são uma das forças que mantém a resistência do papel. Qualquer processo de impermeabilização (como parafina ou gordura) afeta essas pontes.

A explicação é do professor Jackson Roberto Eleotério, do Laboratório de Processos de Industrialização da Madeira, do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Regional de Blumenau (Furb). 

Caixa de pizza engordurada pode ser reciclada. Fonte: Pixabay.

Conclusão: a gordura influencia o resultado, mas não inviabiliza o processo de reciclagem. A única restrição que a lei prevê é que embalagens de papel pós-consumo já recicladas não devem ser usadas para armazenar alimentos. Então, caixas de pizza engorduradas podem virar caixa de papelão de uso genérico, que não sirvam para acondicionar comida.

Em Blumenau, a cooperativa de catadores de material reciclado da coleta seletiva aceita caixas de pizza com gordura. Mas como nem todas recebem, se você mora em outra cidade, entre em contato com a prefeitura e cooperativas para tirar a dúvida.

Solução além da reciclagem

O que você pode fazer para dar um destino mais sustentável à sua caixa de pizza, quando ela não for aceita na coleta seletiva, é retirar a parte com gordura e separar o restante do papelão limpo para a reciclagem. Os pedaços com gordura podem ser compostados na sua composteira ou minhocário, ou enterrados no jardim – na verdade, a caixa de pizza inteira pode ser compostada, é só cortar em pedacinhos. 

Sacos de papel da padaria que estão engordurados também podem ir para a compostagem (ou servir para armazenar resíduos em casa como alternativa à sacola plástica), além de guardanapos e papel toalha.

Outra solução é evitar a caixa de pizza, especialmente quando você for ao restaurante e pedir pizza à lá carte. Leve um pote na bolsa para trazer os pedaços que sobram. O lanche sem lixo do dia seguinte já está garantido.

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