Semana mundial da água: 5 dicas para economizar água virtual

Por Letícia Maria Klein •
25 março 2020
O nosso consumo de água não se limita ao líquido que sai da torneira e do chuveiro. Existe muita água virtual circulando por aí em quase todos os produtos que compramos, de alimentos a calça jeans. Segundo o criador do conceito de pegada hídrica, o pesquisador holandês Arjen Hoekstra, o Brasil é o quinto país que mais exporta água incorporada ao processo produtivo. Só na exportação de produtos agropecuários já se vão 112 trilhões de litros

Assim, quando falamos em economia de água, não é somente fechar a torneira e tomar banhos curtos, mas ter um consumo consciente de outros produtos que precisam de água para serem fabricados. Alguma vez na vida você já pensou que desperdiçar comida é sinônimo de desperdício de água? Um quilo de carne bovina, por exemplo, precisa de mais de 15 mil litros desse líquido precioso para ser feito. 

Água virtual nos alimentos: a água que não vemos
Água virtual nos alimentos: a água que não vemos.

Como, então, você pode economizar a água que não vê? Vamos às dicas: 

  • Não deixe comida no prato e aproveite todas as partes dos alimentos. Se sobrar, use a imaginação para criar uma receita nova. Para qualquer eventual sobra ou parte que tenha estragado, coloque tudo no minhocário (como assim ainda não tem um? Aqui tem todos os posts sobre compostagem doméstica para você começar).

  • Ainda sobre alimentos, alguns precisam de mais água do que outros, como mostra a imagem abaixo. O site da Water Foortprint Network traz uma galeria de diversos produtos e a quantidade de água necessária a cada um deles em sua cadeia produtiva, além de dizer quais são as fontes de água (verde, azul e cinza, em termos técnicos, que significam, respectivamente, da chuva, doce e derivada de atividades domésticas ou da agricultura).

    Quantidade de água usada no processo produtivo de alimentos. Fonte: Exame.
    Quantidade de água usada no processo produtivo de alimentos. Fonte: Exame.

    A diferença na quantidade de água por alimento reflete o impacto ambiental da sua alimentação diária. Consumir mais vegetais e menos carne é uma forma de desperdiçar menos água e ser mais sustentável. Pensando nisso, como está sua dieta hoje?

  • Compre somente o necessário, mesmo! Como muitos produtos precisam de água para serem feitos (roupas, sapatos, brinquedos, maquiagem etc), é importante consumir somente o que precisa e fazer o melhor uso, para que o produto dure o máximo possível. Comprar de fornecedores locais e nacionais e dar o destino correto também são fatores importantes nessa hora.

  • Falando em compras, o que ajuda muito é adquirir itens usados, de roupas a eletrodomésticos. Comprar um produto usado significa dar mais tempo de uso a ele e, com isso, contribuir para a diminuição da produção de itens novos, que precisam de bens naturais e energia para serem produzidos. Além de economizar a água que seria usada na fabricação de um produto novo, você também economiza dinheiro e incentiva o consumo colaborativo.

  • Utilize seu kit lixo zero, faça compras a granel com seus próprios potes, substitua a sacola plástica, entre outros, para diminuir a quantidade de resíduos sólidos que você produz no seu dia a dia. A maior parte do que produzimos em termos de embalagem é plástico, que além de vir do petróleo, usa muita água no seu processo produtivo. Assim, cada embalagem que deixamos de gerar como resíduo e cada item descartável que recusamos são litros de água que economizamos. 

Quer saber exatamente qual é a quantidade de água necessária para manter o seu estilo de vida? Calcule a sua pegada hídrica aqui (em inglês, nas versões simplificada e estendida). 

Um ecobeijo e até breve!
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Medidas de sustentabilidade na quarentena

Por Letícia Maria Klein •
19 março 2020
Chegou a hora de um movimento mundial em massa. As crises, e dentre elas estão as pandemias, servem para gerar reflexão e mudar padrões, levando a novos pensamentos, atitudes e estilos de vida. O novo coronavírus fez o mundo inteiro, sem hipérbole, ter os mesmos objetivos e estabelecer metas em comum para conter a propagação da doença. 

Como toda crise gera oportunidades, desde janeiro tem aparecido consequências positivas geradas pela Covid-19, como a diminuição da poluição na China e na Itália (devido à desaceleração das indústrias) e a retomada do sentimento de pertencimento à comunidade, com conversas a distância entre vizinhos e cantoria nas janelas. Esses são dois exemplos de cuidados do tripé da sustentabilidade de Satish Kumar. Para completar o trio “cuidar de si, do outro e do meio”, seguem abaixo algumas medidas sustentáveis para adotar durante a quarentena (e claro, depois dela também). 


 

  • Com tanto tempo em casa, fica mais fácil separar uma parte dele para você mesmo. Para se perceber, refletir sobre seus sentimentos e emoções, seus dias, sonhos e como transformá-los em realidade por meio de objetivos e metas. Separe um momento diário para se cuidar, meditar, se exercitar, dançar, ler, ver filmes, cozinhar, enfim, qualquer coisa que te faça sentir bem consigo mesmo e traga aquela sensação de aconchego.

  • Esta também é uma grande oportunidade para exercitar a caridade, a generosidade e a humildade. O mercado é um bom lugar para fazer isso: compre e consuma somente o suficiente para os próximos dias. Não precisa estocar comida para o ano. Vivemos em sociedade e estamos num momento em que o pensamento sobre o coletivo é essencial.

  • Quando fizer compras, já tenha em mente as receitas que você pode fazer naquela semana para que consiga utilizar todos os alimentos frescos e eles não estraguem, assim não tem desperdício de comida nem de dinheiro.

  • Outra dica importante em relação aos alimentos é utilizá-los integralmente, incluindo casca, sementes, folhas e talos. Além de diminuir o desperdício, você produz mais comidas a partir de uma. Alguns exemplos:
    - Casca e sementes de abóbora assadas com sal e azeite servem como aperitivo.
    - Folhas de cenoura podem ser usadas para fazer caldo de legumes ou cortadas e usadas como tempero.
    - Folhas de beterraba também são um ótimo aperitivo quando assadas com sal e azeite.
    - Sementes de melão deixadas de molho em água mora e depois batidas com água fresca viram leite vegetal.
    Neste post tem um passo a passo para você nunca mais desperdiçar comida na sua vida.

  • Como você passará mais tempo em casa, adote medidas de economia de eletricidade: feche ambientes em que o ar condicionado está ligado, apague luzes de ambientes vazios, tome banhos rápidos de até cinco minutos, aproveite o sol e o vento para secar roupas. Tem mais dicas para reduzir o consumo de energia elétrica aqui.

  • O mesmo vale para água: feche a torneira para ensaboar as mãos, escovar os dentes, fazer a barba etc, feche o chuveiro enquanto se ensaboa, reaproveite água fria do chuveiro para descarga e várias outras dicas de economia de água em casa que estão neste post.

  • Com mais tempo em casa, aproveite para dar muita atenção a suas plantas: ver se elas precisam de adubo (que você pode pegar do seu minhocário ou composteira), de um replantio, de um novo lugar na casa, de mais nutrientes (pode usar o biofertilizante do minhocário também). Conversar com elas também é importante, afinal, são seres vivos que moram na sua casa.

  • Brinque mais com seu bichinho de estimação. Nada como carinhos e brincadeiras com seu animalzinho para deixar todos em casa mais alegres e calmos.

  • Se você tem crianças em casa, é uma ótima oportunidade para apresentar brincadeiras analógicas e jogos de tabuleiro, que faziam a nossa festa quando nós éramos pequenos. É uma forma de unir a família e ficar off-line, longe de tv, computador e celular.

Assim, vamos cuidando de nós, dos outros e do planeta, tanto com ações diretas quanto indiretas. Ah, claro, lembre-se de lavar muito bem as mãos várias vezes por dia, passar álcool ao entrar e sair de qualquer lugar (se não tiver em gel, pode usar um borrifador para aplicar o líquido nas mãos), espirrar e tossir no cotovelo, evitar aglomerações e contato físico. 

Essa fase que estamos vivendo é mais um excelente exemplo de como cada pessoa tem um grande poder e uma grande responsabilidade na teia da vida. Fique bem!

Um ecobeijo e até breve.
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Cinema lixo zero: dicas para não gerar lixo na sessão

Por Letícia Maria Klein •
10 março 2020
Filme com pipoca é uma combinação perfeita. Aliás, filme com comida é uma combinação perfeita. E depois de duas horas com risos, lágrimas e emoções diversas, fica não só aquela sensação gostosa de assistir a um filme (se ele for bom, claro), mas também algumas embalagens do seu combo de guloseimas. Aproveitando o meu ensaio de fotos de pré-casamento, que foi no cinema aqui na minha cidade, vim falar sobre como fazer seu lanchinho na sala escura sem gerar lixo. Anote aí as dicas para uma sessão sustentável. 

Cinema lixo zero com seu próprio copo e pote de pipoca
Ensaio no GNC Cinemas em Blumenau, com nossos próprios copão de bebida e de pipoca.

  • Leve sua própria embalagem para a pipoca, que pode ser um pote retrátil (existem algumas opções no mercado) ou um saco de pano. É só pedir para colocarem a pipoca direto nele – provavelmente eles vão usar a embalagem de papel da pipoca para medir a quantidade, mas é só você garantir que eles vão reutilizá-la depois no próximo pedido (já fiz e funciona). Se você gosta de colecionar, existem os potes de plástico duráveis feitos pelo cinema especialmente para alguns filmes, que você não descarta e pode reutilizar tanto em casa quanto na sua próxima sessão.

  • Na mesma onda, você pode levar seu próprio copão ou garrafa e pedir para colocarem a bebida direto ali. Para facilitar, leve um que tenha a mesma capacidade dos copos oferecidos no cinema que você frequenta (geralmente 350ml, 500ml, 1l).

  • Tem cinemas que fornecem alguns doces e salgados sem embalagem também (como pão de queijo), e você pode usar seu próprio potinho retrátil ou saquinho de pano.

  • Para substituir o canudo de plástico descartável da bebida, leve o seu próprio canudo. É bem fácil de encontrar hoje em dia, tanto em lojas na sua cidade quanto na internet. As opções mais comuns são de metal, vidro e bambu, em diferentes tamanhos e diâmetros.

  • Para fechar o kit cinema lixo zero, leve seu próprio guardanapo de pano, assim você não precisa utilizar o de papel. Também são facilmente encontrados em sites que vendem produtos sustentáveis, mas você pode cortar roupas velhas ou restos de tecido e costurar guardanapos de tamanhos variados.

Porém, contudo, entretanto, todavia... Se você consumir produtos como salgadinho, chocolate e outros que vêm naquelas embalagens plásticas metalizadas, seguem aqui algumas ações que vocês pode fazer para que esses resíduos sejam aproveitados de alguma forma (o que também é uma atitude lixo zero): 

  • Entre em contato com a prefeitura da sua cidade ou cooperativas de catadores de material reciclável para saber se há coleta seletiva desse material para reciclagem. Se houver, apenas coloque as embalagens no coletor adequado. Se não tiver...

  • Você pode reutilizar essas embalagens, assim como o isopor, para encher almofadas ou bonequinhos de pano; outra ideia é preencher saquinhos para utilizar como proteção de objetos frágeis dentro de caixas de papelão, quando precisar transportá-los. 

Agora é só preparar seu kit cinema e fazer a festa da sustentabilidade na sessão. Para ficar perfeito, só faltava levar uma mantinha... 

Um ecobeijo e até breve! 
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Nove dicas para reduzir o consumo de papel

Por Letícia Maria Klein •
04 março 2020
Mesmo na era digital, nós ainda usamos muito o papel, especialmente quem nasceu até a década de 1990. Nada como escrever para clarear as ideias, não é mesmo? Ou para fazer listas! Nossa, essa é clássica. Mas de pedacinho em pedacinho, de folheto em folheto, vamos gerando uma grande quantidade de papel em casa. Ele pode ser facilmente reciclado, mas como bem sabemos, melhor do que reciclar e reutilizar é evitar a geração. Para isso, vamos às dicas de como você pode evitar e reduzir o consumo de papel no seu dia a dia.

Recuse a segunda via do cartão de crédito 
Aquele papel amarelinho usado nas máquinas de cartão (chamado de termo-sensível ou térmico, porque a impressão é feita por aquecimento), contém bisfenol-A (BPA), uma substância que faz mal à saúde. O papel é reciclável e algumas cidades reciclam, mas a substância é liberada durante o processo, o que contamina outros materiais ou o papel final reciclado. A boa notícia é que ele pode ser compostado, mas precisa ser na composteira ou no solo – não no minhocário. Ou você pode enterrá-lo num vaso com terra, sem planta.

Suspenda correspondências
Hoje é possível pagar todos os boletos e faturas via aplicativo ou on-line, o que elimina a necessidade de recebê-los por correio na sua casa. Além de gastar papel, o transporte da correspondência gasta combustível, gasta pneus etc. Até a fatura de energia elétrica pode ser paga on-line, sabia?

Recuse folhetos na rua
Se você anda de carro, é muito comum ter pessoas no semáforo entregando folhetos e panfletos, certo? Com toda aquela educação, gentilmente recuse. Um “não, obrigada” acompanhado de um sorriso é, além de simpático, sustentável, porque você não estará contribuindo com a demanda para produção de tais papéis.

Como reduzir o consumo de papel no dia a dia

Faça listas digitais
Fazer listas é uma ótima ferramenta de organização. No meu computador, eu mantenho uma lista no aplicativo de notas adesivas com as tarefas do dia (a versão computadorizada do post-it). Quando vou ao mercado, escrevo a lista de compras no celular. São maneiras de evitar o uso de bloquinhos de papel. Além dessas, o que mais você escreve no papel que pode migrar para o digital?

Mande por e-mail
Sabe aquela mensagem que costuma aparecer no fim de e-mails do tipo “imprima somente o necessário”? Tem muitas coisas que podem ser enviadas por e-mail em vez de serem impressas, especialmente no ambiente de trabalho. A pauta de uma reunião pode ser enviada por e-mail, por exemplo, em vez de ser impressa para cada pessoa participante.

Use pano na cozinha
Guardanapo de pano e toalhinhas de tecido são alternativas duráveis e sustentáveis ao guardanapo de papel e o papel toalha. Você já usa pano de louça, certo? É só agregar mais uns tecidos para deixar sua cozinha livre de descartáveis quando precisar limpar respingos e sujeiras na mesa, bancada ou chão. “Ah, mas vai gastar água para lavar depois”. Não mais do que a água que foi usada para produzir os papéis descartáveis, pode ter certeza, fora os outros bens naturais usados na cadeia produtiva deles. E você nem precisa comprar os paninhos: é só cortar uma camiseta velha.

Assine revistas e jornais on-line
Com os meios digitais, as edições impressas têm diminuído cada vez mais, levando muitas empresas de mídia a fecharem ou, no mínimo, se adaptarem. As assinaturas digitais garantem acesso a todo o conteúdo do site e costumam ser mais baratas do que comprar o impresso, além de evitar a produção (e futuro resíduo) de muito papel na forma de jornais e revistas.

Compre a granel
Alguns produtos que compramos no mercado vêm embalados em papelão ou papel cartonado. Uma boa forma de eliminar esse resíduo é comprar os mesmos produtos a granel. Cereais são um exemplo. Alguns são facilmente encontrados em feiras ou casas de produtos naturais.

Use ducha higiênica

Já contei aqui no blog como eu faço para não usar papel higiênico no banheiro e, consequentemente, não gerar o rejeito nem o rolinho de papel. Basicamente, a solução é usar uma ducha higiênica ou um bidê (que fica cada vez mais difícil de encontrar por aí, mas que é ótimo).

Por fim, não custa relembrar a boa e velha dica da reutilização: use sempre os dois lados da folha. Agora me conte, já aplica alguma dessas dicas? Não vá embora sem me dizer qual delas você vai começar a fazer hoje mesmo.

Um ecobeijo e até breve!
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O que fazer com o isopor? Dicas para evitar, reutilizar e reciclar

Por Letícia Maria Klein •
25 fevereiro 2020
Se tem uma questão que gera confusão é essa. SIM, o isopor é reciclável. NÃO, não é fácil reciclar. Está aí o problema. O processo em si é fácil e rápido, sem uso de água, mas existem pouquíssimas indústrias no Brasil que reciclam isopor.

Por isso, os principais desafios incluem a logística desse material, que é leve e volumoso, e o descarte correto pelas pessoas, como explica Luciana de Aguiar Fernandes em entrevista ao blog. Ela é analista de marketing da Termotécnica, empresa pioneira em reciclagem de isopor no Brasil, localizada em Santa Catarina.

Mas se você não mora nas cidades atendidas, o que você pode fazer com o isopor para não enviá-lo ao aterro sanitário, nem o lixão, nem qualquer ambiente natural? Afinal, isopor é um tipo de plástico, com origem no petróleo, que leva centenas de anos para se decompor na natureza. Sem mais demora, vamos às dicas de como evitar, reutilizar e reciclar o isopor.



Como evitar
A forma mais fácil para lidar com qualquer tipo de resíduo é não gerar o dito cujo. Considerando que o isopor que levamos para casa é geralmente uma embalagem, a solução é substituí-la por uma opção não descartável.

Para isso, tenha sempre com você, ou leve quando tiver a intenção de trazer algo para casa, um pote (existem opções retráteis) ou saquinho de pano para usar como embalagem de alimentos. Serve para quando você vai pegar comida no restaurante (daí você evita tanto a embalagem de marmita de isopor quanto a de alumínio) ou na padaria.

Quando estiver no mercado e quiser comprar algo que está embalado no isopor, veja se não tem o mesmo produto ou semelhante em uma embalagem que seja reciclada na sua cidade (como papel ou outro tipo de plástico) ou que você possa reutilizar em casa, como lata ou vidro.

Como reutilizar
Mesmo tentando evitar, às vezes acabamos gerando resíduo de isopor. Além de embalagem de alimento, ele é muito usado como proteção para equipamentos eletrodomésticos, como conservação e isolante térmico (caixas para gelar bebidas, por exemplo), entre outros usos.

Se você tiver bandejas ou blocos de isopor em casa, eles podem ser úteis para:
  • Colocar em pedacinhos no fundo de vasos de plantas, no lugar de pedrinhas.
  • Usar como estofamento de almofadas (triturado).
  • Usar como enchimento de bonecos de pano, para quem trabalha com artesanato (triturado).
  • Reutilizar como embalagem de alimento se você for buscar comida.
  • Reutilizar como recipiente para outros objetos, depois de bem lavado.
  • Usar como proteção em caixa de papelão quando você enviar algo frágil por correio ou fizer mudança (triturado ou em pedacinhos). No caso de enviar uma encomenda, é bom pedir para a pessoa guardar o isopor para usar da mesma forma no futuro, e não “jogar fora”.

Como reciclar
Neste mapa você pode procurar se tem algum PEV (ponto de entrega voluntária) de isopor na sua cidade ou região. A Termotécnica tem mais de mil pontos de coleta no Sul e Sudeste do país*. Se não encontrar, você pode entrar em contato com a prefeitura ou com o órgão responsável pela gestão de resíduos da sua cidade para saber se há coleta de isopor aí e qual cooperativa recebe o material.

Se você trabalha numa empresa em que há muita geração de isopor (especialmente de entrega de almoço), você pode organizar um ponto de coleta interno e levar periodicamente para a cooperativa (dependendo da quantidade, eles podem até buscar no local).

IMPORTANTE: antes de enviar o isopor para a reciclagem, lembre-se de tirar todos os restos de alimento. Quanto mais sujo o material, pior é a qualidade de produto final, por isso é importante que ele esteja limpo e seco.

Processo de reciclagem do isopor
Processo de reciclagem do isopor. Fonte: Termotécnica.
A vantagem do isopor, ao contrário de outros tipos de plástico, é que ele pode ser reciclado infinitas vezes, assim como o vidro, sem perder as propriedades mecânicas. Esta reportagem sobre a geração de resíduos no Carnaval 2020 mostra as etapas da reciclagem de isopor. Neste ano, a liga das escolas de samba vai encaminhar para a reciclagem todos os resíduos de isopor usados na construção de enfeites e itens de fantasias e carros alegóricos. Finalmente!

Se essas dicas te ajudaram, comente aqui embaixo. Caso tenhas outras ideias para reutilizar isopor, compartilhe também.

Um ecobeijo e até breve!

*Em Blumenau, o ponto de coleta fica na Reciclagem Saturno.
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Dicas para um carnaval sustentável

Por Letícia Maria Klein •
18 fevereiro 2020
Pronto para pular Carnaval? A festa está chegando, com muita alegria e diversão. Porém, infelizmente, vem com alguns problemas ambientais também. Claro que dá para evitar isso e curtir a folia de consciência limpa, por isso eu trouxe algumas dicas para você ter um Carnaval sustentável

Brilho biodegradável
O glitter é feito a partir de uma película de poliéster metalizada, sendo, portanto, um material plástico, originado do petróleo. Além de ter uma fonte não renovável, o glitter  é considerado um microplástico pela Administração da Atmosfera e Oceano dos Estados Unidos (NOAA, em inglês). 

Microplásticos são um grande problema ambiental hoje. Ele é tanto uma matéria-prima quanto o resultado da decomposição do plástico ao longo do tempo, que vai se desfazendo em pedaços cada vez menores. Já foi encontrado na água da torneira, na água de garrafa, em cerveja, mel, sal. Nos oceanos, eles são consumidos por peixes, que depois são consumidos por pessoas, entrando assim na cadeia alimentar. Provavelmente temos partículas de plástico no nosso organismo; não precisamos de mais disso por fora, não é mesmo? 

Então, para continuar brilhando no Carnaval sem prejudicar o ambiente, é só usar um glitter natural, biodegradável, produzido a partir de minerais naturais, algas marinhas e corante alimentício. Um desses minerais é a mica, encontrado em alguns solos do país. Minha amiga Ana Flávia, engenheira florestal, encontrou esse da foto em Minas Gerais; depois lavou com água sanitária, secou e triturou com os dedos.  

Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni
Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni.

Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni
Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni.

Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni.
Mica lava e quebrada em pedacinhos. Foto: Ana Flávia Boeni.

Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni
Mica triturada até virar pó. Foto: Ana Flávia Boeni.
Ela explicou que as micas se parecem com pequenas folhas de plástico, que brilham quando expostas ao sol. Já existem algumas empresas no Brasil que produzem bioglitter ou ecoglitter, é fácil encontrar pela internet. Para aplicar, a Ana sugere passar primeiro um creme hidratante e depois esfregar o glitter ou usar cola bastão para aumentar a fixação.

Penas artificiais 
As penas que são abundantemente usadas em fantasias de Carnaval vêm de animais como faisão, pavão, ganso ou avestruz e são extraídas de forma cruel, causando sofrimento aos bichos. Existe até um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados que prevê a proibição, em todo o país, do uso de penas e plumas de origem animal em fantasias e alegorias. Então, se quiser esses adereços na sua roupa, e aqui temos um lado bom do plástico, procure por penas ou plumas sintéticas.

Folha de árvore 
Papel picado é outra coisa que faz a festa do pessoal. O problema disso é o desperdício e a poluição que gera, sujando ruas, córregos e entupindo bueiros. Uma alternativa bem bacana é utilizar folhas de árvore picadas, que, por serem naturais, não poluem e se degradam rapidamente. Mas não vai sair por aí arrancando folhas das árvores, coitadas; aproveite as que já estão no chão.

Lixo zero 
excesso de lixo nas ruas é um grande problema da festa. São copos plásticos, papéis picados, embalagens e tantos outros. Para evitar isso, tenha o seu próprio copo, que pode ficar junto ao corpo com uso de um tirante. Existem opções de plástico resistente, de metal e de silicone, inclusive retráteis. Para comer, use guardanapos de pano. Se puder e quiser, também vale levar uma bolsinha a tiracolo com um par de talheres pequenos. 

Copo retrátil e guardanapo de pano
Copo retrátil e guardanapo de pano.
Reutilize e guarde 
Por fim, se você já tem acessórios e fantasias de outros carnavais, reutilize-os! Você pode customizar a roupa, fazendo algo novo a partir de algo usado. Além de economizar dinheiro, você não vai gerar uma demanda por produtos novos no mercado, o que diminui a pressão por extração de bens naturais. Se você tem um grupo de amigos que curte a festa todos os anos, vocês podem trocar fantasias ou até se reunir para customizá-las. Depois da folia, tudo que puder ser reaproveitado, guarde para o próximo ano.

Agora, é só colocar essas dicas em prática e aproveitar seu Carnaval de forma consciente e sustentável! 

Um ecobeijo e até breve!
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Amizade salva animais de abandono e maus-tratos em Kitbull, curta da Pixar [Resenha]

Por Letícia Maria Klein •
11 fevereiro 2020
Que. Coisa. Mais. LINDA!

Gatinho e pitbull brincando em Kitbull
Gatinho e pitbull brincando em Kitbull
"Kitbull" concorreu ao Oscar deste ano na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação (que premiou "Hair Love", muito bom também). Foi dirigido por Rosana Sullivan e produzido por Kathryn Hendrickson, nos estúdios da Pixar. Antes, porém, de conversarmos sobre esse curta de somente oito minutos, assista à história aqui embaixo.


Além da amizade como tema central (o nome do curta é uma união de kitten, filhote de gato em inglês, com pitbull), o filme traz ganchos para várias questões importantes na sociedade em relação aos animais, especialmente domésticos: abandono, maus-tratos, brigas entre indivíduos (em clubes de apostas/rinhas) e adoção.

O abandono de animais é um problema sério de falta de respeito e cuidado pelo bichinho, além de ser questão de saúde pública, pois gatos e cachorros se reproduzem rapidamente, acabam de alimentando do que encontram no lixo e podem ser transmissores de doenças. É um caso que precisa ser solucionado a partir de duas frentes: educação formal (na escola) e informal (para toda a população) e penalidades para infratores. O mesmo vale para pessoas que levam seus animais para “competições”, como a rinha de galo, valendo dinheiro.

O pitubll da animação provavelmente é um desses animais forçados a brigar com outro para que o ser humano lucre. Além de ser um ato brutal em si, o cachorro é deixado sofrendo ao relento e fica preso por uma corrente que mal o permite correr, o que configura maus-tratos. Já o gatinho é vítima do abandono, se não direto, indireto, por meio da mãe abandonada (ou outras e outros antes dela).

É bem comum que curtas de animação tenham animais como representação de seres humanos. É como uma versão em filme das famosas fábulas, que apresentam uma lição de moral por meio de personagens animais. Sendo assim, o cão e o gatinho simbolizam uma questão social e moral que nasceu com a humanidade: a tolerância e o respeito pelo diferente, que podem levar a laços afetivos mais fortes.

Apesar das suas diferenças aparentes, os dois bichinhos do filme conseguem desenvolver a amizade a partir de uma situação em que precisam se ajudar para escapar do perigo. O gatinho, a princípio, teve medo e agrediu o cachorro para se defender, mas depois que percebeu a boa intenção e a dor do outro, viu que podia ajudar e se aproximou.

Gatinho com medo do pitbull em Kitbull
Gatinho com medo do pitbull em Kitbull
O instinto da legítima defesa diante de uma ameaça é tanto animal quanto humano. Mas será que, enquanto seres racionais que somos, não podemos começar a desenvolver um instinto primário de atenção e aproximação? Podemos encarar “Kitbull” como um convite a respeitar, admirar e cultivar a beleza da diversidade (expressa também no casal de etnias diferentes). Mas, antes disso, é um convite para prestar atenção no outro e ajudá-lo quando ele precisa.

A amizade que surge entre eles é um motivo para os dois seres adotados juntos. A adoção é um ato lindo de amor e abnegação, além de, no caso de adoção de animais, ser uma forma de enfraquecer as fábricas de filhotes, que abusam das fêmeas.

Por meio da amizade e do amor, os personagens conseguiram resolver seus problemas: os animais saíram das situações de miséria, abandono e maus tratos e foram adotados por um casal amoroso, como fica evidente na última cena, a do passeio. Indiretamente, eles contribuíram para diminuir o problema ambiental e de saúde pública de animais abandonados nas ruas, promovendo, assim, o tripé da sustentabilidade. Em ciclos simultâneos e diários de cuidado consigo, com o outro e com o meio é que se constrói um mundo melhor.

Exemplos de cuidado consigo, com o outro e com o meio em Kitbull
Exemplos de cuidado consigo, com o outro e com o meio em Kitbull
Um amor de curta, né? Para ver e rever muitas vezes. Fiquei emocionada quando assisti. Você também? Comente aqui o que achou da animação.

Um ecobeijo e até breve!
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Oscar 2020: indicados que são engajados em causas ambientais

Por Letícia Maria Klein •
04 fevereiro 2020
No próximo domingo, prepare a pipoca para a maior cerimônia da indústria do cinema: a 92ª edição do Oscar. Eu amo ver filmes e acompanho desde pequena, tanto as produções quanto a premiação. O que eu gosto muito de ver nessas cerimônias é quando os ganhadores mencionam nos seus discursos as causas em que são ativistas, especialmente ambientais. Desta vez, as chances de isso acontecer são grandes, pois tem alguns atores e atrizes indicados que são engajados em sustentabilidade e preservação ambiental. E o Oscar nessa categoria vai para...

Leonardo DiCaprio
DiCpario, que está concorrendo como Melhor Ator por “Era uma vez em... Hollywood”, é um dos atores mais engajados em causas ambientais, especialmente relacionadas às mudanças climáticas. O perfil do ator no Instagram, em que ele se descreve como ator e ativista (lindo!), é todo voltado para questões socioambientais. Ele é investidor de empresas e empreendimentos sustentáveis, falou como Mensageiro da Paz para o Clima na Cúpula do Clima de 2014 e já participou de marchas pelo clima em Nova York.

Leonardo DiCaprio e Greta Thunberg
Leonardo DiCaprio e Greta Thunberg. Fonte: Instagram do ator
Em 1998, ele fundou a Leonardo DiCaprio Foundation, que busca proteger lugares selvagens e espécies ameaçadas de extinção. A fundação tem seis programas: Conservação de Áreas Indígenas, Conservação de Oceanos, Mudanças Climáticas, Direitos Indígenas, Califórnia Transformadora e Soluções Inovadoras. Além da fundação, DiCaprio também se envolve em produções temáticas, como “A Última Hora”, um documentário produzido e narrado por ele sobre a crise ambiental, com entrevistas de 50 cientistas, ativistas ambientais e líderes mundiais; e “Seremos História?”, sobre mudanças climáticas, produzido em parceria com a National Geographic.

Em 2016, quando ganhou o Oscar de Melhor Ator por “O Regresso”, DiCaprio usou seu discurso na premiação para falar sobre o aquecimento global: “O filme foi sobre a relação do homem com a natureza, um mundo que teve em 2015 o ano mais quente já registrado. Nossa produção teve que se mudar para a parte mais ao sul do planeta só para achar neve. Precisamos apoiar os líderes do mundo todo que não falam pelos grandes poluidores e grandes corporações, mas que falam por toda a humanidade, pelos povos indígenas do mundo, pelas bilhões e bilhões de pessoas desamparadas que serão as mais afetadas por isso, pelos nossos netos e pelas pessoas que tiveram suas vozes afogadas pela ganância política”.

Joaquin Phoenix
O ator, indicado na categoria de Melhor Ator por “Coringa”, é vegano desde criança. Ele é ativista da causa e sempre que pode se manifesta publicamente em favor dos direitos dos animais. Em seu discurso no Globo de Ouro 2020, em que recebeu o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama, ele elogiou o cardápio da cerimônia, que foi totalmente vegano pela primeira vez em 77 edições. “Eu queria agradecer à Hollywood Foreign Press por reconhecer a ligação entre agropecuária e o aquecimento global, é muito corajoso da parte de vocês fazer [o jantar] desta noite a base de plantas”, disse o ator. 

No começo do ano, Joaquin foi preso ao lado da atriz Jane Fonda durante um protesto sobre mudanças climáticas, organizado por ela para o movimento Fire Drill Friday (algo como “sextas-feiras de simulação de incêndio”). 

Joaquin Phoenix participa de protesto organizado por Jane Fonda - Foto Joshua Roberts-Reuters
Joaquin Phoenix no protesto. Foto: Joshua Roberts-Reuters
Na quinta-feira, 06 de fevereiro de 2020, foi publicado o curta-metragem Guardians of Life, em que Joaquin interpreta um médico na luta para salvar um planeta Terra agonizante. O filme a é o primeiro de uma série de produções de Hollywood que busca inspirar ações de combate às mudanças climáticas. “As pessoas não percebem que ainda há tempo, mas somente se reagirmos agora e fizermos mudanças abrangentes em nosso consumo. Não podemos esperar que os governo resolvam estes problemas por nós", disse Joaquin. Veja o curta aqui embaixo ou no site da Mobilize Earth.



Margot Robbie
A atriz, que concorre ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “ Escândalo”, usou seu perfil no Instagram para chamar a atenção para os incêndios na Austrália que ocorreram no começo do ano, o maior desastre ambiental do país. No vídeo, em que mostra um álbum de família de quando era criança, ela diz: "Normalmente não faço isso, mas queria muito compartilhar uma coisa com vocês. Tenho certeza que todos vocês estão cientes do que está acontecendo na Austrália agora com os incêndios. Não queria mostrar mais fotos tristes e sim compartilhar com vocês o quão lindo nosso país é. Eles precisam de vocês. Doe qualquer coisa que você puder. Por favor". 

Margo Robbie
Margo Robbie em vídeo sobre os incêndios na Austrália. Fonte: Instagram na atriz.

Brad Pitt
Indicado na categoria de Melhor Ator Coadjuvante por “Era uma vez em... Hollywood”, o ator sempre aparece na lista de famosos que são vegetarianos. Ele até já declarou que não gosta de ver os filhos comendo carne. A dieta vegetariana é considerada uma alimentação sustentável (além de deliciosa, criativa, leve, colorida), pois a pecuária tem grandes impactos ambientais, de desmatamento a mudanças climáticas. 

Brad Pitt
Brad Pitt no Golden Globe 2020. Fonte: Vista-se.

Tom Hanks
Concorrendo na categoria de Melhor Ator Coadjuvante por “Um lindo dia na vizinhança”, o ator é um entusiasta de carros elétricos. E de causas sociais. Em dezembro do ano passado, ele comprou e mandou reformar um Syrena 105, que colocou à disposição de um leilão para arrecadar fundos a um hospital infantil na Polônia. 

Tom Hanks
Tom Hanks. Fonte: Observatório do Cinema.

Honeyland
Queeem???
Na verdade, não é uma pessoa, mas um longa indicado a Melhor Documentário e Melhor Filme em Língua Estrangeira. É uma produção da Macedônia, dirigida por Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov, que filmaram ao longo de três anos. A história acompanha Hatidze Muratova, uma apicultora que vive com sua mãe idosa numa comunidade isolada nas montanhas da Macedônia e que vê sua vida mudar quando uma família de nômades chega e começa a influenciar o seu cotidiano. 

Não vi o filme, mas pelos comentários parece ser muito bom, abordando a relação entre seres humanos e a natureza (uma dualidade completamente falsa, pois não existe divisão – ou decerto caímos de paraquedas no planeta? O.o). Como ensina Hatidze, metade do mel fica na colmeia para as abelhas. 

Documentário Honeyland
Documentário Honeyland
Se existisse um Oscar ambiental, já era deles. Agora me conta, tem alguma outra celebridade que você admira por causa do posicionamento dela em relação a alguma causa socioambiental?

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Como fazer suas roupas durarem mais?

Por Letícia Maria Klein •
28 janeiro 2020
Tá sabendo, né? Tendência de moda hoje é ser sustentável. A indústria do vestuário é a segunda mais poluente do mundo, além de ter como prática em alguns países o emprego de mão de obra em regime análogo à escravidão e outros problemas de igualdade de gênero, como diferença salarial entre homens e mulheres no mesmo cargo.

A boa notícia é que esse cenário está mudando aos poucos, com organizações como a Global Fashion Agenda mostrando o que está sendo feito em relação aos problemas e quais as metas para solucioná-los. A notícia melhor ainda é que você tem uma parte poderosíssima nessa cadeia de produção e consumo. Um dos pilares da moda sustentável é a maior durabilidade das peças. Quer saber como fazer as suas roupas durarem mais tempo? As dicas a seguir vão cair muito bem (adoro um trocadilho!).

Os símbolos falam
Quem aí corta etiqueta de roupa, levanta a mão! Pois é, já fiz muito isso também. Hoje, se faço, pelo menos tenho o cuidado de ver o que está escrito. Os símbolos de lavagem e manutenção da peça não estão lá para enfeite. Se diz que ela deve ser lavada à mão, colocá-la na máquina vai acabar danificando a roupa, e isso vai diminuir sua vida útil.

Então, meu bem, todas essas instruções da etiqueta para não misturar roupas brancas com coloridas, passar ou não passar, lavar no balde ou na máquina estão ali para te ajudar a ser mais sustentável e cuidar bem da peça para que ela dure mais. Dicas de mãe também são super úteis. Aqui vai uma da minha: para peças que soltam tinta, coloque sal na bacia em que ela está de molho para reter a cor.

Dê um pontinho
Quem não tem linha e agulha em casa, não é mesmo? (se não tem, faça o favor!). Um furinho ou rasguinho podem ser facilmente remendados aí no conforto do seu lar. Já costurei meia, mochila e até roupa íntima. Mas se você foi pego de surpresa por um baita buraco na barra do vestido (juro que não sei como fiz isso), o negócio é mandar arrumar.

Já perdi as contas de quantas vezes eu levei na costureira para trocar elástico de shorts de pijama, arrumar alças, apertar ou alargar roupas que eu compro usadas ou ganho usadas, trocar solado de sapato e fazer barra. A última leva teve o vestido, um pijama e calças de trabalho do meu noivo, que rasgam no interior da coxa por causa do uso constante.

Roupas que foram para a costureira
Roupas que voltaram da costureira como novas
Dê um up
O upcycle (ou em bom português, a customização), surge quando você transforma uma peça velha em nova, adicionando ou tirando elementos ou mesmo misturando duas ou mais roupas. Se você é daquelas que rasgava o colarinho da camiseta da gincana da escola para dar uma estilizada, sabe o que estou falando. Às vezes é algo simples, como aplicar um botão sobre uma mancha que não sai.

Existem muitas oficinas em eventos por aí e tutorais na internet que te ensinam a customizar peças que já não te servem mais como estão, mas podem ser legais e usáveis de novo se modificadas. Você pode inclusive colorir as próprias peças em casa usando chás! Um dos primeiros posts que eu publiquei aqui no blog foi sobre um grupo de amigas em Blumenau que transformava calças jeans em bolsas. Além de sustentável e uma forma criativa de ter peças novas sem gastar (quase) nada, pode ser a ideia de um negócio.

Melhor prevenir
A manutenção preventiva é a melhor aliada para aumentar a vida útil de alguma coisa, inclusive a nossa (é um dos papéis dos exercícios físicos e da alimentação saudável, certo?). O mesmo vale para roupas. Algumas práticas são importantes para fazer as peças ficarem bonitas e inteiras por mais tempo. Por exemplo:

  • Em dias muito quentes, abra as portas do guarda-roupa para arejar e retire peças de couro. O calor dentro do armário aumenta a umidade, que por sua vez aumenta a chance de aparecer mofo na peça. Dependendo do estado de mofo, não adianta passar só vinagre; você vai precisar mandar o casaquitcho para a lavanderia. Melhor cuidar do que gastar seu dinheirinho, né?
  • Pendure peças suadas para que elas sequem antes de colocar no cesto de roupa suja. Isso evita que as manchas de suor impregnem na roupa. Se possível, lave a região das axilas assim que chegar em casa, deixe a peça secar e depois lave normalmente com as outras roupas. Se alguma peça muita querida sua tem manchas persistentes, existe esperança! Aqui no blog tem esta receita de sabão líquido feito em casa e este outro sabão caseiro que são ótimos para remover marcas indesejadas.
  • Blusas e vestidos de alça feitos com determinados tecidos (geralmente elastano ou outro componente que estica) devem ser colocados pelo meio no cabide, e não pendurados pela parte cima. Isso evita que a peça esgace com o tempo.

Viu, nada de ir se desfazendo da roupinha por causa de um rasguinho à toa. Coitada dela, não teve culpa. Sabe o “lavou, tá novo”? Remendou, tá novo.

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Sabão líquido feito em casa para lavar roupa

Por Letícia Maria Klein •
21 janeiro 2020
Um dos produtos mais fáceis e baratos de fazer em casa é sabão para lavar roupa. Já postei aqui no blog uma receita de sabão líquido para roupas, que também pode ser usado para louças e bancadas (bem multiuso, mesmo). Este aqui é ainda mais fácil de fazer e tão bom quanto. É ótimo para manchas, dependendo do tipo. Manchas de suor ou que surgem com o tempo pelo contato com o corpo, como de travesseiro, por exemplo, costumam sair depois de deixar umas horinhas de molho e esfregar. Anote aí a receita caseira:

Ingredientes:
1 xícara de vinagre
½ xícara de álcool (de preferência acima de 70%)
1 colher de sopa de bicarbonato de sódio
1 ou 2 colheres de sopa de sabão em pó ou líquido

Modo de fazer:
Basta misturar todos os ingredientes até diluir bem o sabão. Eu uso sabão de coco por ser a opção mais natural do mercado, sem aqueles químicos nocivos presentes em outros modelos. Tem sabão de coco em pó e líquido no mercado, mas também dá para fazer com a versão em barra, basta ralar com um ralador comum. Só tome cuidado ao misturar o bicarbonato com o vinagre, pois eles reagem e a mistura efervesce. Ela sobe bem rápido, então é bom fazer devagar.



Para tirar manchas, eu deixo a peça em um balde com um pouco de água morna ou quente (o suficiente encobrir a roupa) e coloco de uma a duas colheres de sopa, dependendo de quantas peças são. Para manchas piores, sugiro colocar o sabão diretamente sobre a marca e deixar agir por algumas horas. Depois é só esfregar e lavar normalmente. Esse sabão deixa as tolhas bem macias, se deixá-las de molho por algumas horas no balde.

Fácil, né? Funciona certinho na máquina de lavar, como o outro sabão líquido caseiro, e fica pronto em menos de cinco minutos. Bora testar? Depois volte aqui para contar se deu certo.

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Resenha: Mundo Sustentável 2, de André Trigueiro

Por Letícia Maria Klein •
14 janeiro 2020
"Mundo sustentável 2 - Novos rumos para um planeta em crise" é um livro que te pega pela mão e te leva pelos caminhos da sustentabilidade. Foi escrito pelo jornalista André Trigueiro e reúne artigos, entrevistas e comentários dele veiculados em rádio, televisão e mídia impressa, além de textos escritos por especialistas convidados pelo autor para comentar os assuntos. Alguns dos textos que mais gostei são as transcrições do programa Cidades e Soluções, apresentado pelo jornalista e exibido na Globo News. 

O livro segue a linha do primeiro, "Mundo sustentável – abrindo espaço na mídia para um planeta em transformação" (que usei no meu trabalho de conclusão de curso sobre jornalismo ambiental). São oito capítulos, divididos por temática: consumo consciente, resíduos sólidos, urbanização, água, biodiversidade, energia, questões globais e mundo sustentável enquanto notícia.



O livro foi lançado em 2012 pela Editora Globo, e apesar de um ou outro tema precisar de uma busca na internet por parte do leitor para uma atualização, ele se mantém atual por conta dos diversos conceitos e panoramas que apresenta em relação à sustentabilidade e perspectivas futuras. Os textos mostram problemas socioambientais em nível regional, nacional e internacional e soluções que estão sendo aplicadas conforme cada contexto geográfico, político e econômico, no Brasil e em outros países. 

Como excelente jornalista ambiental que é, Trigueiro usa uma linguagem clara e didática para explicar conceitos, contextualizar problemáticas e apontar soluções para resolver a crise ambiental planetária que estamos vivendo e causando. Os especialistas convidados seguem a mesma linha, o que resulta em um livro de fácil compreensão e acessível para qualquer pessoa interessada em saber mais sobre causas, consequências e resoluções de problemas ambientais. Legal registrar que a obra foi impressa em papel reciclado, aplicando a sustentabilidade que prega – afinal, a parte mais forte de qualquer discurso é a sua prática.

O livro é cheio de números, como dados e estatísticas, mostrando a gravidade das mudanças climáticas, do aumento dos resíduos sólidos, do agronegócio, da falta de água potável, da poluição, do consumismo, da extinção de espécies e tantos outros. Apesar de alguns números estarem desatualizados, os problemas e soluções continuam não só atuais como mais urgentes. 


A ideia básica e central para compreender a necessidade de mudanças em prol de um mundo sustentável é a visão sistêmica e holística de mundo, a noção de que tudo no planeta (estendendo para o universo) está interligado e é interdependente. O livro explica e exemplifica esse conceito com maestria, relacionando ciência, política, economia, educação, tecnologia e saúde, entre outras correlações. Tem inclusive um texto sobre a complexa e multifacetada resposta para uma das grandes questões do século: afinal, o que é sustentabilidade? 

Entre muitas frases do autor, convidados e citações de terceiros dignas de registro e nota, uma coisa é certa: "Ou a economia se ajusta aos limites do planeta, ou não haverá planeta para suportar a economia", como escreve o jornalista. É fatídico, inevitável e requer um esforço grande e contínuo de todas as pessoas e todos os segmentos da sociedade. Aqui não cabe desespero. O que precisamos é de ação e vontade de mudar. Apenas comece. “Pois”, como disse Henry David Thoreau, “não importa que os primeiros passos pareçam pequenos: o que se faz benfeito, se faz para sempre”. 

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Minhas metas sustentáveis para 2020

Por Letícia Maria Klein •
07 janeiro 2020
Olá! Tudo bem? Um excelente ano novo para você! Pronto para tornar 2020 o ano mais sustentável da sua vida até o momento? Para eu conseguir fazer isso, decidi me propor algumas metas de  sustentabilidade neste ano. 



1. Pasta de dente caseira ou ecológica 
Durante um tempo eu usei uma pasta de dente que eu fazia em casa, com óleo de coco e bicarbonato de sódio. Acabei tendo um problema e voltei a usar uma opção tradicional do mercado, com aquela embalagem que é difícil de ser reciclada. Aqui na minha cidade a cooperativa de catadores não coleta, tanto que eu guardo os tubos em casa até encontrar um local ou empresa que aceite. Para evitar isso, vou testar outras receitas que encontrei na internet ou buscar opções a granel (já ouviu falar em pastas que vêm em formato de pastilha?). 

2. Ler seis livros com temática ambiental 
No dia 1º de janeiro eu comecei um projeto pessoal de leitura (quem me acompanha no Instagram já viu): quero ler 1 livro por semana em 2020. Entre eles, estão alguns com temática socioambiental, pelo menos um a cada dois meses (já que em 2019 eu não li nenhum! “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, foi o único com um contexto ambiental, mas não é sobre isso). Conforme for lendo, vou postando as resenhas aqui e atualizando o projeto lá. 

3. Manter uma horta em casa 
Eu já plantei verduras e ervas em vasos algumas vezes, mas devo estar fazendo algumas coisas erradas, porque as verdinhas não perduram. Costumo deixar as plantas na sacada, mas durante metade do ano não bate sol, então elas sofrem. Agora o sol voltou a aparecer lá e quero tentar plantar hortaliças diversas, como alface, couve e tomatinho. Assim, tenho alimentos orgânicos à disposição e economizo dinheiro na feira. 

4. Cultivar minha própria esponja 
O que também quero plantar é bucha vegetal, uma planta que pode ser usada como esponja de banho e cozinha. Aqui em casa eu uso para lavar louça. Não risca os utensílios, tem origem vegetal (ao contrário das tradicionais do mercado, que são feitas de plástico) e é compostável. Consegui sementes numa feira uma vez, mas algumas buchas à venda no mercado vêm com sementes no seu interior. Está na lista de tarefas para este mês de janeiro, pois leva um ano para o fruto chegar ao ponto de esponja. 

5. Comprar 75% usado 
Para cada quatro coisas compradas, só uma nova. Eu nunca fui consumista de forma geral, bem pelo contrário (afinal, tenho um lado nerd e leitora que eu preciso compensar). Roupas, celulares, livros e dvds são os que eu mais compro usados, há anos. Também costumo vender itens que não uso mais, contribuindo com os dois lados da economia circular. Mas como tem coisas que são difíceis ou muito difíceis de encontrar usadas, tentarei reduzi-las ao mínimo. E eu vou contar para saber se atingi ou não a meta ao fim do ano! 

6. Ver seis filmes com temática ambiental 
No ano passado, eu vi somente um documentário e isso definitivamente precisa mudar neste ano. Para acompanhar a meta dos livros, quero assistir pelo menos um filme ou documentário sobre ambiente ou sustentabilidade a cada dois meses. Se você é novo no blog, aqui eu escrevo resenhas de filmes e livros que consumo sobre esses assuntos. 

7. Diminuir em 30% a quantidade de embalagens 
Para calcular isso, eu vou pesar e quantificar meus resíduos em cada mês do ano, contando por semana. Eu prefiro fazer compras em feiras ou lojas e supermercados que têm alimentos a granel. Em 2020, quero aumentar essa frequência, para pelo menos duas vezes por mês. Assim, conseguirei reduzir a quantidade de embalagens que trago para casa. O objetivo é diminuir ao longo dos meses, identificando quais itens podem ser adquiridos com menos ou nenhuma embalagem. 

Será que eu consigo? Ao longo do ano, farei posts com atualização das metas. Você já listou suas metas para este ano? Tem alguma relacionada à sustentabilidade? 

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