Inspiração para a vida

Por Letícia Maria Klein •
25 abril 2016
Blumenau recebeu sua segunda edição do TEDx, no dia 03 de abril, e eu tive a felicidade de participar. Foram 12 palestrantes, um mais inspirador que o outro. Sinceramente, não tem como descrever o evento, ou melhor, a experiência. Só mesmo estando lá para entender como o TEDx mexe com a gente. São as palestras, são as conversas nos intervalos, são a aura e a vibração do local e das pessoas. A grande mensagem, muito resumida, que ficou pra mim deste encontro maravilhoso foi esta: seja protagonista da própria vida.

Então, faça um favor a si mesmo a reserve um tempinho dos seus dias nesta semana para assistir a estas mensagens e relatos de vida que vão te dar aquela sacudida.

Gustavo Brito – sócio proprietário da Extramuros.Educação baseada em projetos integradores. “Educação para que as cidades vivam.”



Marcos Oap – desenvolver de tecnologias para deficientes.As tecnologias são sobre pessoas e para pessoas. “Temos necessidade de ouvir o outro para poder ajudar.”


Cristal Muniz – autora do projeto e do blog Um ano sem lixo.Designer com vida lixo zero. “Reciclar é muito pouco quando apenas 17% das cidades reciclam. Precisamos parar de produzir lixo.”



Eduardo Boorhem – cofundador do Clube Orgânico.“Comida de verdade para pessoas de verdade. Quem nos alimenta é a natureza, não a indústria.”



Talita Ribeiro – jornalista e autora do livro “Turismo de empatia: refugiados no Oriente Médio”.“Empatia é se tratar e ser tratado. Sentir a dor do outro e ter coragem de seguir em frente.”



Maynara Fanucci – autora do projeto EmpodereConverse com duas mulheres sobre o feminismo e ajude a espalhar a igualdade.
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Noemi Kellermann – Professora e diretora artístico-pedagógica da Escola de Música do Teatro Carlos GomesSobre uma história de amor e preconceitos.



Marcello Gugu – Mc do hip hop.Sobre como o hip hop o ajudou e como ele ajuda outros através da música.
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Susan Liesenberg – jornalista e especialista em convergência de mídias.“Energização é a energia da ação. A mobilização que se dá pelas redes sociais deve refletir na pele, no cotidiano. Não adianta se comover sem se mover.”



Roberto Pascoal – empreendedor social junto à Omunga Grife Social e Presidente do Instituto Omunga.“Não existem crianças carentes, existem crianças com potencial aprisionadas pelas vulnerabilidades em que se encontram.” Esta a gente precisa se perguntar: “Você está disposto a ser o que o mundo precisa?”
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Iara Xavier – Caçadora de bons exemplos junto com seu marido.“Coragem é fazer o que o coração manda. O que eu estou fazendo para mudar o mundo? O que você está fazendo para mudar o mundo? Qual a riqueza que vale a pena na vida? Quais tesouros estamos distribuindo?”
Clique aqui para assistir.

Tiago Senden – fundador da ONG Grande Roda de Tambores.Para vibrar no peito e sacudir a gente em prol da caridade e do bem aos outros.


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As belezas e os horrores do mundo pelos olhos de um menino em busca do pai

Por Letícia Maria Klein •
18 abril 2016
A animação brasileira “O menino e o mundo”, dirigida por Alê Abreu, concorreu ao Oscar 2016 e, posso dizer?, merecia ter ganhado. É classificada como infantil, mas quem prestou atenção mesmo à sessão de cinema ao ar livre, durante o lançamento do movimento 100em1DiaBlumenau, foram os jovens e adultos. Em uma hora e vinte minutos e sem nenhuma fala compreensível, o filme faz um retrato do sistema econômico e político e seus impactos negativos sobre as pessoas e o ambiente.

O filme venceu na categoria de melhor animação independente do Annie Awards,
uma das premiações mais importantes do gênero de animação

Sociedade de consumo, malefícios da indústria de massa, prejuízos socioambientais das lavouras convencionais de algodão, impacto social da maquinização de processos, desemprego, poluição do ambiente, aumento do lixo, apagão de individualidades, opressão do sistema capitalista, trabalho em regime de escravidão, desestrutura familiar, militarização. Tudo isso é exposto com traços minimalistas, sonsjogo de cores para sentimentos e sensações. A riqueza do filme está na sua singeleza, na sua simplicidade. Os diálogos eventuais, em português de trás para frente, são meros enfeites à história que se faz entender totalmente através das imagens, da trilha musical e dos efeitos sonoros.

A história mostra a trajetória de Oninem (menino, ao contrário), que parte em busca do pai depois de vê-lo deixar o campo para trabalhar na cidade. Do seu recanto de áreas verdes, água cristalina e diversidade de vidas em abundância de cores, o menino segue a linha do trem em direção à cidade pálida, de aspecto doentio, opaca e sufocante, passando pelas lavouras convencionais de algodão onde milhares de trabalhadores estão sujeitos a doenças e até à morte causadas por agrotóxicos (mais sobre isto neste post sobre guarda-roupa sustentável). Nelas, e também na cidade, os indivíduos não têm individualidade, são apenas números em planilhas econômicas. E quando estes números significam menos lucro ao patrão, são facilmente substituídos por máquinas.


Na luta contra este modelo industrializado e superficial de existência, está um jovem que busca na música e nas cores a liberdade de uma vida plena de significado, de paz, em harmonia com a natureza, com o meio, com os outros e consigo mesmo. Ele não está sozinho. Há centenas, milhares de pessoas que pensam e agem como ele e se unem contra o sistema opressor da violência, das armas, do capitalismo cego e do poder desvirtuado.

No fim, “O menino e o mundo” é um filme sobre esperança. Sobre acreditar no sonho e colocá-lo em prática, crer na nossa capacidade de mudar a realidade, não se acomodar e lutar pelo que consideramos certo e justo. É sobre manter a inocência, a curiosidade e a espontaneidade da criança interior sempre vivas nas nossas vidas. O menino é um reflexo de quem fomos e do potencial que temos para fazer a diferença. O mundo é tanto uma representação real das circunstâncias atuais do planeta Terra quanto dos conflitos internos que devemos resolver para nos tornarmos seres humanos melhores.

A partir do olhar de quem está de fora, o menino do mundo nos convida a uma viagem para dentro, para reavaliar hábitos e pré-conceitos em busca da essência da vida.


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O passo a passo do guarda-roupa sustentável: na moda com o consumoconsciente (parte 2)

Por Letícia Maria Klein •
04 abril 2016
Depois de fazer um tour pelos setores da produção de roupas com tecidos de fibras naturais e orgânicas, agora é hora de andar na passarela do consumo consciente e se tornar um modelo de sustentabilidade quando o assunto é moda.

Atitudes do slow fashionista

O movimento slow fashion segue a tendência de outros, como o slow food, que querem nos tirar do ritmo alucinado das cidades e do movimento de manada da sociedade capitalista. Menos consumismo e mais qualidade. Peças duráveis, feitas artesanalmente e em baixa escala, com tecidos de fibras naturais, trocas de roupas entre amigos e familiares e compras em brechós são os objetivos do movimento.pensar antes de comprar. Controle o impulso antes que ele controle você. Uma técnica que ajuda muito é contar quantas peças você tem. Isso pode te fazer ver que já tem roupa demais no seu guarda-roupa e você não precisa de mais uma. Tem gente até que afirma que 100 é o número máximo de peças que você precisa. A qualidade importa mais que a quantidade: quanto melhor a matéria-prima e a composição da peça, mais tempo ela dura, então a frequência de compra diminui.


Como praticar o slow fashion? É muito importante

Falando nela, a compra deve ser um ato consciente, em que a gente deve considerar não apenas o preço e a composição da peça, mas a cadeia de produção, o perfil da empresa e suas práticas socioambientais. Tem muitas marcas que empregam mão de obra em regime de escravidão, com locais de trabalho insalubres, jornadas extensas de trabalho e baixa remuneração. Outro fator importante a considerar é o local em que as peças são fabricadas. A roupa produzida no outro lado do mundo tem uma pegada de carbono bem maior do que aquela que foi feita no Brasil. Quanto mais perto, menos combustível será usado para que o produto chegue até aqui, então menos gases de efeito estufa serão emitidos na atmosfera, sem contar as avarias de veículos e suas partes.

Outra forma de exercer o slow fashion é trocar roupas com amigos ou parentes, praticando o consumo colaborativo. Você dá aquela peça que já não agrada ou não cabe mais e tem uma nova sem gastar nada. Também dá para ganhar muito, em termos abstratos, quando a doação entra em cena. A gente tem muitas roupas no armário que tendem a ficar lá por muito tempo sem serem usadas. Eu uso a regra dos dois anos: se não usei a peça nem uma vez nos últimos 24 meses, é porque ela não chamou mais a minha atenção, então não vou mais usar. O melhor a fazer é doar para quem precisa.



E quando a peça é nova, você usa de vez em quando, mas ela rasga? AHHH! Xô, desespero! Pegue já seu kit de socorros têxteis e mãos ao conserto. Um furinho, um rasgo, um enfeite faltando não devem ser motivo para abandonar a roupa ou o calçado. Uma costura, um corte ou um enfeite sobre a parte danificada já restaura a peça e ela fica como nova. Só não faça que nem uns e outros que doam a roupa danificada achando que é caridade. Ninguém gosta de ganhar coisa estragada. Se a peça furou e também não te agrada mais, pegue a caixa de costura ou passe na costureira antes de doar, assim a pessoa no outro lado vai receber uma peça inteira.

O slow fashion também está no uso e abuso da criatividade. Uma peça pode ser usada de várias maneiras e em várias combinações. Às vezes é só dobrar de um jeito diferente e a peça se transforma ou usar em conjunto com outra roupa ou acessório para ter um look diferente. A Bea Johnson, do Zero Waste Home, conseguiu fazer 50 looks com uma camisa masculina! Verdade, mesmo. Vale a pena dar uma lida nos posts dela sobre como usar uma peça de várias formas e em combinações diversas.

Por fim, mas não menos importante, está o brechó. Os brechós são muito valorizados no exterior e meio depreciados por aqui. Não vejo por que. Comprar o que é usado e que ainda está em boas condições diminui a pressão sobre os bens naturais utilizados para fazer roupas (água, matéria-prima, energia) e diminui os impactos negativos da confecção sobre o meio ambiente. Além disso, é uma forma de aumentar a vida útil das roupas. Tem peças em brechós que vem até com etiqueta, pois nunca chegaram a ser usadas!

A gente encontra muitas peças boas no brechó, inclusive vintage e de estilos bem variados, só precisa garimpar. Outro lado ótimo: ao comprar roupas usadas, você diz não à montanha de resíduos gerados pela indústria da moda, que descarta de 10% a 15% dos tecidos usados para fazer peças. Cada peça usada que entra na sua vida é um peso a mais que sai da sua pegada ecológica. Juntando as peças do quebra-cabeça, a composição da roupa continua parte importante do guarda-roupa, mesmo comprando em brechó. Fibras naturais, sempre. Se você é fã de jeans, atenção. As peças podem ser feitas tanto com algodão quanto com fibras sintéticas, então fique atento às informações da etiqueta.



Agora, se me dá licença, vou ali fazer uma limpa no meu guarda-roupa.
Com informações de: Lab Fashion BlogMulher UOL, The Greenest Post, Trash is for Tossers, Zero Waste Home.
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