Como foi? – CNJLZ (parte 1)

Por Letícia Maria Klein •
09 dezembro 2014

O 1º Congresso Nacional Juventude Lixo Zero foi fan-tás-ti-co!! Aconteceu na cidade de Joinville/SC, de 7 a 9 de novembro de 2013. Eu falei rapidamente sobre o movimento neste post, convidando quem quiser ajudar a trazer o movimento para Blumenau. Agora vou contar um pouquinho sobre o que rolou lá no evento. Teve até palestrante internacional e candidato à presidência do país. Como foram três dias de congresso, haverá mais de um post sobre ele (as fotos são dos organizadores do evento – fiquei tão absorta pelas palestras que esqueci de tirar foto!).


Quem abriu o primeiro dia de atividades foi o presidente do Instituto Lixo Zero Brasil, Rodrigo Sabatini, que apresentou dados e informações muito importantes sobre resíduos. Você sabia que a cada 10 mil toneladas que vão para um aterro sanitário, gera-se apenas um emprego? Em compensação, a cada 10 mil toneladas enviadas para a compostagem são gerados de quatro a sete empregos; para a reciclagem, de 20 a 25 empregos; e para o reuso de resíduos, mais de 200 empregos. 

Sabatini disse que a sociedade encara como lixo o que é considerado desorganizado, feio e sujo. Então porque um copo de plástico usado para beber água é considerado lixo? O problema está não apenas na concepção que se tem da palavra, mas também na mistura de resíduos. Por exemplo: um copo de plástico usado é reciclável e uma casca de banana pode virar adubo através da compostagem. Mas se você misturar os dois, o resultado será lixo, pois o reaproveitamento fica mais difícil. E é somente quando ocorre esta mistura que o problema do lixo e sua retirada das nossas vistas se tornam urgentes. Se os resíduos recicláveis estiverem limpos e separados dos resíduos orgânicos, não há pressa em tirar o “lixo” das casas e das ruas, pois não haverá cheiro. 

Rodrigo, com um copo de plástico,
demonstrando a questão da mistura do lixo

Logo em seguida, foi a vez da Beatrice Johnson falar. Ela é francesa e começou a ter uma vida lixo zero em 2011. Ela compartilha seu estilo de vida no blog Zero Waste Home, tem um livro lançado e é consultora nesta área. Toda a família (o marido e os dois filhos) é adepta do movimento lixo zero e também do minimalismo. Para conseguir ser zero waste na prática, ela segue os 4Rs da sustentabilidade: recusar, reduzir, reutilizar e reciclar (e apenas nesta ordem, como deixa bem claro). 

Esta é a Bea...

Recusar tudo que possa gerar resíduos, como cartões de visita, folhetos, sacolas plásticas, brindes, cancelar correspondências desnecessárias etc. Reutilizar sacolas ecológicas, potes para feiras e supermercados, roupas de brechó. Reciclar apenas o que não pode ser recusado ou reutilizado. O negócio é evitar o plástico a todo custo. Ela faz os próprios produtos de limpeza e higiene e compra tudo em lojas que vendem produtos a granel ou sem embalagens, utilizando ecobags e jarras ou potes para carregar as compras. Ela também criou um aplicativo que procura locais que vendem comida sem embalagens. 

... E esta é a quantidade de lixo (sem nenhuma utilidade mesmo) que ela e 
a família produziram durante o ano de 2013! (Esta foto é do blog dela). 

Também da França, mas morando nos Estados Unidos, Camille Duran fez uma apresentação muito motivadora. Ele é diretor executivo da Green White Space, uma organização sem fins lucrativos especializada em design social e inovação, uma organização guarda-chuva que desenha, desenvolve e opera empresas sociais. Sabe pra quem ele trabalha? Para o planeta Terra. Adorei quando ele disse isso, também quero! O reuso e a reciclagem criam muitos trabalhos e geram a economia solidária, uma forma de produzir e consumir que valoriza as pessoas e as experiências ao invés do dinheiro e da posse. Precisamos pensar o reuso e a reciclagem como economia

O sueco Pal Martensson também compareceu ao evento e falou sobre o Kretsloppsparken, o primeiro eco parque do mundo, do qual é diretor. Pal é especialista em gerenciamento de resíduos sólidos e diretor do departamento de água e gestão de lixo da cidade de Gotemburgo, na Suécia. No parque, as pessoas podem levar produtos para serem reciclados, doar e comprar itens usados, fazer refeições em um restaurante com alimentos orgânicos e participar de atividades de educação ambiental. Ele também falou sobre o problema da incineração, que desperdiça resíduos que poderiam ser reciclados ou decompostos, o que geraria muito mais renda e empregos. Nós precisamos parar de incinerar e enterrar os resíduos que podem ser reaproveitados.

Pal Martensson

No próximo post, vou mostrar projetos brasileiros, compartilhados no evento, que estão gerando muitos benefícios socioambientais. ;)

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