Como foi lá? – EBEA 2014

Por Letícia Maria Klein •
02 dezembro 2014

Esta foi a primeira edição do Encontro Blumenauense de Educação Ambiental, resultado de muito esforço e dedicação por parte da Secretaria de Educação e da Fundação de Meio Ambiente. Foram dois dias (5 e 6 de novembro) com palestras, oficinas, exposições de projetos e apresentações de teatro. Vou falar um pouquinho sobre as sessões das quais pude participar, no segundo dia de evento. Tinha muita coisa boa!!


O dia já começou da melhor maneira. Ricardo Harduim inovou ao abrir a palestra recitando como poesia a música "Saga da Amazônia", de Vital Farias (esta aqui). Show de bola! Ricardo faz parte da organização Prima - Mata Atlântica e Sustentabilidade, que tem o Carbono Zero como um dos projetos. O aquecimento global é um dos piores problemas da atualidade devido a suas graves consequências e foi sobre a neutralização do carbono que ele foi falar no EBEA. 

Ricardo Harduim

A instituição faz a compensação do carbono através do plantio de árvores. Há a adesão por parte de várias empresas, escolas, museus e até artistas. Ney Matogrosso, por exemplo, fez a compensação de carbono de uma de suas turnês. A quantidade de emissão de gases de efeito estufa que foram geradas na turnê foram compensadas com o plantio da quantidade de árvores necessárias para absorver os gases emitidos. 

A pegada ecológica das pessoas - a marca que nós deixamos no planeta com nossas atitudes e estilos de vida - supera em 30% a capacidade de regeneração da Terra, o que significa que nós consumimos e utilizamos os bens naturais muito mais rápido do que o planeta consegue repor. Se continuarmos neste ritmo, bens como água limpa e petróleo não durarão muito tempo. 

Uma das partes que mais chamou a atenção foi quando ele mostrou esta imagem sobre Ego x Eco. A espécie humana não é soberana, ela é apenas mais uma na teia da vida. Muitas pessoas se veem como no topo de uma pirâmide hierarquizada, mas não existe hierarquia na natureza, existem redes. Como numa rede, quando um ponto é afetado, todos os outros também sentem. O ser humano não apenas faz parte do meio ambiente, nós somos meio ambiente. Preservar a natureza significa preservar nossa própria espécie.


A segunda palestra a que eu assisti foi sobre a Rede Internacional de Escolas Criativas, ministrada pela professora da Furb, Vera Lucia Simão. A RIEC surgiu em 2012 e hoje está presenta em nove países. As escolas criativas propõem a ecoformação, uma maneira integradora, racional e sustentável de entender a ação formativa em relação com o sujeito, a sociedade e a natureza. Elas trabalham questões de transdisciplinaridade, autoformação (formação do eu) e heteroformação (formação com o outro), vínculos interativos, desenvolvimento humano, caráter sistêmico e relacional, caráter flexível e integrador, princípios e valores de meio ambiente. Aqui em Blumenau, a Escola Visconde de Taunay é certificada como escola criativa.

Em seguida, o professor Karlan Rau falou sobre as trilhas interpretativas, as trilhas que existem em parques abertos à visitação. Ele apresentou os vários tipos de trilhas, seus componentes e o que deve ser analisado na hora de estruturar uma trilha na floresta. As trilhas podem ser guiadas (com monitor) ou autoguiadas (onde há placas, painéis e outros materiais que auxiliam os visitantes no trajeto). 

Professor Karlan

A última palestra que eu vi foi ministrada pelo educador ambiental da Faema, José Sommer, e a coordenadora curricular da Secretaria de Educação, Denise Maas Vieira. O tema foi educação ambiental e a escola como espaço educador sustentável. Eles falaram que a transversalidade deve ser parte da educação ambiental e que a dimensão social precisa estar incorporada, pois apenas assim as pessoas percebem as relações de interdependência e mutualidade entre os seres vivos e elementos que compõem o meio ambiente. 

Sociedades degradadas degradam o meio ambiente e vice-versa, visto que uma sociedade que não entende o valor intrínseco das coisas, dos seres vivos, dos elementos naturais, não respeita o meio onde vive, ao mesmo tempo em que um meio poluído e destruído só vai contribuir para a extinção da espécie. Não dá pra pensar ecologia sem interferência humana e a noção de que a tecnologia vai resolver os problemas é uma falsa premissa, pois é preciso primeiro evitar que o problema apareça. Como disse Léon Tolstói na obra Guerra e Paz, "todo mundo pensa em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo" e isto é impossível. Outro ponto citado na palestra foi que os educadores ambientais são parte fundamental do processo de mudanças em prol de sociedades sustentáveis, porém o sistema escolar carece de educadores ambientais atualmente.

Além das palestras e oficinas, nos corredores do campus 1 da Uniasselvi, onde foi realizado o encontro, alunos de várias escolas expuseram os trabalhos que fizeram durante o ano voltados à sustentabilidade e preservação ambiental. Também havia distribuição de mudas e duas esculturas feitas a partir de materiais recicláveis. 

Fonte: Grupo Uniasselvi.

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Fonte: Grupo Uniasselvi.

No próximo post sobre os últimos eventos, vou falar sobre o Juventude Lixo Zero, onde eu me tornei embaixadora do movimento em Blumenau.

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