Como o consumo colaborativo pode mudar o mundo

Por Letícia Maria Klein •
13 dezembro 2013

Você está precisando de uma furadeira? Bem, digamos que sim. Mas você não tem uma. O que faz? Se pensou em comprar, repense. Será que vale a pena comprar uma furadeira que você vai utilizar por tão pouco tempo, de vez em quase nunca? Afinal, como diz Rachel Botsman, você precisa do furo, não da furadeira. Genericamente falando, o que queremos é o benefício que o produto nos dá, não necessariamente possuir o produto. O que abre portas para que possamos emprestar, compartilhar, trocar ou vender coisas que já utilizamos e que não são mais úteis para nós, e também alugar ou pegar emprestado aquilo que precisamos no momento. Esse é o conceito de consumo colaborativo, tema abordado pela australiana Rachel no livro “O que é meu é seu: como o consumo colaborativo vai mudar nosso mundo" (What’s mine is yours: the rise of collaborative consumption). E vai mesmo! Como ela mesma diz, será uma revolução!

Surgido em 1980 nos Estados Unidos, o consumo colaborativo deve sua expansão e fortalecimento em grande parte à internet, que permite a conexão entre pessoas de qualquer canto do planeta, com apenas alguns cliques e em tempo real. Outros fatores que impulsionam o consumo colaborativo, segundo Rachel, são: a crença renovada na importância da comunidade e redefinição do significado de amigo e vizinho, preocupações ambientais não resolvidas e uma recessão global que chocou radicalmente os comportamentos de consumo. Isso ela fala durante a palestra que fez no TEDxSidney em maio de 2010 (veja o vídeo no fim do post). 


Rachel diz que o consumo colaborativo é uma força cultural e econômica poderosa que está reinventando o que consumimos e a maneira como consumimos. São várias as vantagens! É uma prática sustentável, pois você compra menos coisas e objetos novos de lojas, podendo pegar emprestado ou comprar de alguém que já tem o produto. Da mesma forma, você pode emprestar ou vender para alguém que está querendo ou precisando de determinado objeto que você tem, fazendo com que essa pessoa não precise comprar um novo na loja. Evitar comprar produtos novos em lojas e trocar objetos com outras pessoas é uma prática anticonsumista, que alivia a pressão que todos nós fazemos sobre os bens naturais, pois os produtos precisaram de água, matéria-prima e energia para serem feitos. Dessa forma também diminuímos a quantidade de lixo que produzimos.

Outra parte boa é a economia de dinheiro, pois você vai comprar menos coisas para ter em casa. Na real, você pode até ganhar dinheiro, caso decida vender alguns produtos que não utiliza mais. De qualquer forma, você oferece para alguém a chance de usar aquilo que estava parado na sua casa, sem utilidade para você. O que também é uma ótima forma de desapegar e se desfazer de coisas que vão acumulando em vários cantos da casa. 

Durante seus anos de estudo, Rachel e o coautor do livro, Roo Rogers, perceberam que existem três sistemas de consumo colaborativo: mercados de distribuição, estilos de vida colaborativos e serviços de produtos. O primeiro é quando um produto vai de um lugar onde não está sendo usado para outro lugar onde ele é necessário, aumentando sua vida útil e reduzindo a produção de lixo. Estilos de vida têm a ver com compartilhamento de recursos como dinheiro, tempo e habilidades. Dois exemplos muito legais de mídias sociais que operam dessa forma são o Couch Surfing, onde pessoas de todo o mundo oferecem seus sofás para estrangeiros e procuram sofás para dormir durante suas viagens (quero muito usar um dia!) e o Bliive, um banco do tempo onde você oferece uma experiência, uma aula de pintura durante uma hora, por exemplo, e pelo tempo oferecido você recebe a moeda de troca da rede, chamada TimeMoney, que você pode trocar pela experiência que outra pessoa está oferecendo (adorei a ideia, já fiz meu cadastro!). Serviços de produtos é quando você paga pelo benefício do produto, sem precisar comprá-lo. O exemplo da furadeira no começo do post cabe aqui. Todas essas formas de consumo colaborativo “permitem às pessoas compartilhar recursos sem sacrificar seus estilos de vida ou sua estimada liberdade pessoal”, nas palavras de Rachel. O que é muito verdadeiro. 


Abaixo está uma série de sites que oferecem as três formas de consumo colaborativo. Fiz a seleção a partir desta e desta matéria do EcoDesenvolvimento e também do blog Consumo Colaborativo. Tem cada um melhor que o outro. Tem também milhares de site de consumo colaborativo no site de Rachel Botsman, o Collaborative Consumption. Na aba Directory dá pra procurar a rede de compartilhamento que mais te interessa por segmento, região e estilo de negócio. São mais de 1050 redes cadastradas! Veja abaixo algumas opções brasileiras e internacionais para compartilhar produtos e habilidades na rede.


Só para alugar

Não é preciso ter carro para se locomover de carro. Você pode alugar um nas locadoras da cidade, mas ainda sai caro. Uma boa opção é compartilhar carros. O ZipCar é um serviço que cobra uma pequena mensalidade dos usuários e disponibiliza os carros pela cidade. A pessoa usa pelo tempo necessário e depois devolve. O mesmo serviço é oferecido pelo Zazcar, uma empresa brasileira que opera em São Paulo. Mas não é só carro que você pode alugar. Vale de tudo, até baterias portáteis, que dá pra alugar no EGG Energy

Só troca

Não tem dinheiro pra alugar ou comprar? Sem problema! O Freecycle permite que seus usuários troquem produtos entre si, de graça mesmo. O LivraLivro opera no mesmo sistema, mas é só para troca de livros. Outro que é segmentado é o Troca Delas, uma página no Facebook para troca de produtos só entre mulheres. O projeto é fruto do trabalho de conclusão de curso da criadora do blog Consumo Colaborativo, que pretende um dia criar o site. O Doabox é outro site muito bacana, que tem o objetivo de estimular a solidariedade. Como o nome diz, nele você cadastra produtos que quer doar e só pode escolher um produto para receber se cadastrar um para doação.

Compra e venda

Quer uma coisa que perde a utilidade em curto prazo? Roupa de bebê e criança. No Retroca, as pessoas podem vender as roupas que os filhos não usam mais e comprar outras que as crianças estão precisando. O Retroca só aceita produtos com boa qualidade, assim como o Enjoei, um site para venda e compra de produtos em geral. Tem de tudo mesmo, de roupas e acessórios femininos e masculinos a móveis e instrumentos musicais. Muito show!

Mix de tudo

O DescolaAí é um mix de possibilidades, onde você pode vender ou trocar produtos e serviços. 

Ahh! Não deixe de assistir à palestra da Rachel, é muito interessante! (Dá para selecionar legenda em português na barra inferior).


Você já tinha ouvido falar em consumo colaborativo? Se sim, já comprou, vendeu ou trocou algo em algum dos sites acima ou em outros? Não deixe de comentar! 

2 comentários:

  1. O Doabox tbm é muito bom!

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    1. Acredita que eu pensei nele pra colocar no post e na hora de escrever eu esqueci?! Obrigada por lembrar! Já atualizei no texto.
      =)

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