Cuidando da água – Parte 1: Como economizar

Por Letícia Maria Klein •
01 fevereiro 2016

“Tem que economizar água, senão ela vai acabar”. Err... Só que não. A quantidade de água no planeta sempre foi e sempre será a mesma. O que acontece é que a gente suja a água quando usa. Desde tomar banho, lavar louça e roupa, limpar a casa até processos industriais que utilizam água em grande volume. Quanto mais água a gente usa, mais água precisa ser limpa e isso demanda tecnologia, dinheiro e tempo. Dependendo da quantidade e tipo de sujeira (especialmente alguns remédios e produtos químicos), precisa-se dos melhores equipamentos e tratamentos existentes e ainda assim a água pode não ficar completamente limpa, para logo mais ser suja de novo. Para economizar e ajudar de todos os lados, este é o primeiro post de uma série sobre como podemos – e devemos! – cuidar da água nossa de cada dia – um dos pilares da nossa existência. Neste primeiro post, vamos ver como usar menos água nos processos diários, e assim manter mais dim dim no bolso.


Uma grande aliada da economia de água em casa é o reuso. Quem tem aquecimento de água solar ou a gás, sabe que a água quente pode demorar a chegar. No meu apartamento, por exemplo, a água do chuveiro leva até um minuto para esquentar. Enquanto isso, eu coleto a água fria que cai e depois utilizo para dar descarga no vaso sanitário.

Por ser a mesma água que sai da torneira da pia, o que foi coletado também pode ser usado para lavar louças ou roupas, regar as plantas, limpar superfícies como piso e paredes, lavar o carro ou a bicicleta. São vários os reusos possíveis. A água que sai da máquina de lavar também pode ser reutilizada, mas por ter produtos químicos (vamos ver alternativas para isto no próximo post), é melhor não regar as plantas nem lavar louças com ela.

O que ajuda na hora de economizar é identificar todas as ações que você faz em casa que utilizam água, ver quais processos geram excedente e listar as formas de reutilizar esta água.

Usar mangueira para lavar a calçada 
ou o carro está fora de cogitação

Outra forma de economizar água é diminuir o consumo propriamente dito. Um exemplo clássico é fechar a torneira enquanto estiver escovando os dentes e o chuveiro enquanto estiver se ensaboando. A quantidade de água que sai de uma torneira aberta durante três minutos, em pelo menos três escovações diárias, equivale ao que uma pessoa bebe em três meses

Na mesma linha, vale encher a pia de água ao invés de deixar a torneira aberta na hora de se barbear e lavar a louça. É só tampar o ralinho e encher a quantidade necessária, que pode ser bem pouca para o caso do barbear (afinal, é só para limpar a lâmina). Uma torneira aberta por 15 minutos leva embora até 117 litros de água, então o método de encher a pia ou uma bacia é muito bom na hora de lavar os pratos, principalmente quando a quantidade é grande. Falando em louça, o que também diminui o consumo de água é usar menos, servindo a comida na panela, por exemplo, ao invés de colocá-la em outro recipiente, além de deixar acumular louças para lavar tudo de uma vez só (esta vale também para roupas). 

Estas práticas podem dar um desconto bem legal na fatura de água, pois você vai puxar menos água da rede. Para reduzir bastante os custos, o canal é captar água da chuva. Para quem mora em prédio, é um pouco mais difícil, a não ser que o edifício tenha sistema de captação. Mas sempre dá para improvisar com uma calha presa à janela ou na sacada. Em Blumenau, a Lei Complementar Municipal 691/2008 estabelece que o sistema hidráulico-sanitário das novas edificações de uso não-residencial com área construída superior a 750,00m² devem ter bacias sanitárias de volume reduzido de descarga, chuveiros e lavatórios de volumes fixos de descarga, torneiras equipadas com arejadores e sistema de captação de águas das chuvas. Prédios residenciais devem ter, no mínimo, este último.

Este é o princípio, mas existem vários sistemas

Para quem mora em casa, é mais fácil. Para montar um sistema, o primeiro passo é adquirir reservatórios, como caixas d’água. Quanto maior o volume de água da chuva acumulado, menor será sua dependência de água da rede e maior o período de tempo em que a água da chuva vai estar disponível. O sistema pode ser calculado sobre a quantidade de água utilizada em média por dia na sua residência e para quanto tempo você quer captar, considerando a média de dias em que não chove na sua cidade (também deve ser levado em conta o peso da cisterna, caso ela vá no segundo andar da casa).

O sistema pode ser direcionado para encher os vasos sanitários, a máquina de lavar, o sistema hidráulico da cozinha. Tem gente que usa até para tomar banho, mas não é recomendável por causa dos poluentes químicos, micro-organismos e outras substâncias presentes na água, como, por exemplo, fezes de aves. Este estudo afirma que a água da chuva pode ser usada para banho, desde que as primeiras águas sejam descartadas e a cisterna passe por limpeza e desinfecção periódicas. Para beber e escovar os dentes, apenas água da rede.

Um P.S. bem importante aqui: as lavações a seco, que se dizem ecológicas, podem não utilizar água, porém geram muito lixo. Ou melhor, rejeitos, que não são recicláveis. O que isso tem de ecológico? Trocar seis por meia dúzia, ou um problema ambiental por outro, não vale. Você pode até economizar água, mas vai contribuir para o aumento dos aterros sanitários, ou pior, dos lixões. Utilizar o mínimo de água e reaproveitar ao máximo continua sendo a melhor opção. No próximo post, vamos ver como limpar a casa e cuidar da higiene de formas que não sujam, ou sujam o mínimo possível, a nossa preciosa água. 

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