Recuperação de áreas degradas e trabalho com educação ambiental

Por Letícia Maria Klein •
31 janeiro 2014

A ideia surgiu como uma forma de “cuidar do jardim” para integrar os colaboradores à natureza. A ideia tomou corpo e se transformou num programa com grandes repercussões. Recuperação de mais de 800 mil m² de área degradada, mais de 265 mil mudas produzidas, mais de 66 mil pessoas, entre estudantes, professores, colaboradores e comunidade externa, atingidas em todas as atividades realizadas pelo programa. Tem também a RPPN Figueira Branca, em Gaspar, uma reserva de 300 hectares aberta à visitação e que fornece sementes para as mudas produzidas. Esses projetos fazem parte do programa Bunge Natureza, criado em 2005 pela empresa catarinense Bunge, que trabalha nos setores de agronegócio, alimentos e bioenergia. Eu penso que todas as empresas, devido aos impactos que causam à população em torno dela e ao meio ambiente, deveriam promover ações para minimizar os efeitos de seus processos sobre a natureza. Como não é lei, é admirável quando uma empresa toma esta iniciativa de preservar a natureza e seus bens. Iniciativa que a Bunge leva muito a sério e que está causando mudanças positivas até onde alcança.


Borboleta vivendo em área recuperada nos fundos do CDAL,
na unidade da Bunge em Gaspar

“Procuramos preservar e valorizar o que existe. Ter uma análise integrada de externalidade, mitigar impactos negativos e entender o ambiente onde estamos inseridos. Trazer isso para o dia a dia.” Palavras do Gerente de Comunicação e Sustentabilidade da Bunge, Michel Santos. Ele me recebeu para uma entrevista no CDAL – Centro de Divulgação Ambiental e Lazer, que fica na unidade da Bunge em Gaspar, cidade vizinha de Blumenau. Na verdade, tinha uma comitiva me esperando: 
Rodrigo Spuri, analista de Sustentabilidade, Katiyuscia Rebelo, coordenadora do programa e com quem eu agendei a entrevista e os biólogos Sarah LadewigAlex Volkmann. Eles me contaram como funciona o programa, quais as atividades desenvolvidas, me mostraram as instalações onde são produzidas as mudas e a área nos fundos do Centro que foi recuperada com as mudas nativas da região.

Área recuperada nos fundos do CDAL 

É no CDAL que acontece a maior parte das atividades promovidas pelo programa, que em Gaspar tem as linhas de atuação em pesquisa, recuperação, conservação e educação ambiental – existe outro Centro na cidade de Jaguaré, SP, onde tem cultivo de hortas comunitárias e hidroponia e o projeto Fazendo Educação Ambiental Através das Artes. No de Gaspar – onde ficava a sede da empresa até 2011, quando ela se mudou para São Paulo – são cultivas as mudas para recuperação de áreas degradadas e para doação a prefeituras, ONGs, instituições, escolas, colaboradores e pessoas da comunidade. As mudas são de árvores nativas da Mata Atlântica da região. As sementes são coletadas na reserva Figueira Branca, em parques nacionais e áreas de revegetação. Katiyuscia falou que também acontece de agricultores cederem para o programa sementes das plantas que eles receberam de doação. 

Visita de estudantes ao viveiro de mudas no CDAL
Fonte: Bunge Natureza

Os interessados devem ligar para a Bunge e solicitar a quantidade de mudas que querem. Se os profissionais do programa não conhecem o destino, eles vão até o local para uma vistoria. A doação tem que ser responsável. Como bem disse Michel, produzir mudas consome recursos. A única coisa que eles pedem em troca é que os tubetes onde as mudas são criadas sejam devolvidos, para que o programa possa reutilizá-los. Uma ótima condição, aliás, pois poupa dinheiro e os recursos que seriam utilizados para produzir novos tubetes. E esse negócio do pessoal devolver os tubetes dá super certo. Segundo Katiyuscia, desde primeira compra realizada no início do programa, 2013 foi o primeiro ano em que eles tiveram que comprar mais tubetes.


Área recuperada com a produção de mudas nos fundos do CDAL,
às margens do Rio Itajaí-Açu

O que também é realizado no CDAL são as atividades de educação ambiental com funcionários, escolas e outras empresas. Para os colaboradores, por exemplo, elas envolvem dinâmicas em datas comemorativas, dicas no dia a dia e durante a ginástica laboral, atividades impactantes – como colocar resíduos onde eles transitam –, ações de conscientização para preservação, tratamento de resíduos sólidos, entre outros temas. 

Em 2013, resíduos sólidos foi o tema, que é abordado em todas as unidades da Bunge pelo país. Porém, cada unidade trabalha um ponto de melhoria específico. Elas informam quais são os problemas enfrentados e os membros do CDAL de Gaspar desenvolvem estudos específicos para cada unidade. Katiyuscia disse que a mudança no comportamento dos colaboradores é evidente. Desde que o projeto começou, mais de 17.300 funcionários participaram das atividades.

Visitas de escolas ao Centro são bem freqüentes, de duas a três vezes por semana. Para os estudantes, os biólogos fazem palestras, separação de resíduos, mostram fotografias e vídeos (institucionais e outros), explicam sobre os 3 Rs (reduzir, reutilizar, reciclar) e também fazem trilhas com os estudantes – que são feitas tanto na área recuperada atrás da empresa, na beira do Rio Itajaí-Açu quanto na Reserva Figueira Branca. 

Um tipo de trilha é vendada, em que os colegas andam em pares, um vendado na ida e o outra na volta. O objetivo é aguçar os outros sentidos dos alunos no meio da natureza. Bem legal! Desde o início do programa, já passaram pelo CDAL mais de 31 mil alunos e professores. Visitantes da comunidade somam mais de quatro mil. Pessoas atendidas em palestras e atividades externas são quase 14 mil. Visitas à RPPN Figueira Branca foram mais de 1.250. Falando em reserva, a Bunge mantém outras duas que totalizam 30 mil hectares no estado de Tocantins.


Palestras para estudantes na biblioteca do CDAL
Fonte: Bunge Natureza

Uma curiosidade sobre as visitas escolares: as crianças são mais participativas durante a visita, enquanto que os adolescentes se interessam mais depois da visita. Teve um aluno de que eles tiveram notícia que se formou em Engenharia Ambiental depois que participou do extinto projeto Protetor Ambiental, que fazia parte do Programa Bunge Natureza. Depois da visita ao CDAL, os alunos respondem questionários com sugestões e observações, que já foram responsáveis por algumas alterações nos padrões do programa. Agora, por exemplo, antes que a escola visite o Centro, os colaboradores do programa entram em contato com os professores para preparar atividades que fiquem de acordo com o que a escola queira passar aos seus alunos.
 Trilha com estudantes no CDAL 
Fonte: Bunge Natureza

Todo ano, o programa desenvolve atividades em três datas: Dia Mundial da Água (22 de março), Semana do Meio Ambiente (o Dia Mundial do Meio Ambiente é em 5 de junho) e o Dia da Árvore (21 de setembro). Nestas ocasiões, todas as unidades preparam atividades para seus colaboradores e comunidade externa, como palestras, vídeos, cinema, palestra diferenciada para crianças e adultos e plantio remoto (plantio na unidade da Bunge em Gaspar quando não tem espaço nas outras unidades).

Trilha com estudantes na RPPN Figueira Branca
Fonte: Bunge Natureza

Outra ação bem bacana do programa é o recolhimento de óleo usado e de resíduos eletrônicos (computadores, TVs, celular, reatores, etc – pilhas e baterias não). Tem pontos de entrega voluntária (PEV) de óleo em Gaspar e outras 20 unidades, para os públicos interno e externo. São 1.626 pontos e desde o início do programa, já foram recolhidos e reciclados mais de 1,8 milhão de litros de óleo vegetal usado! Os pontos de entrega de eletrônicos ficam em Gaspar e em mais quatro unidades, mas é apenas para os funcionários. A empresa parceira aqui no estado que recolhe óleo usado é a Preserve Ambiental, de Blumenau. A que recolhe equipamentos eletrônicos é a Reciclavale – Cooperativa de reciclagem do Vale do Itajaí, localizada em Itajaí. 

O programa Bunge Natureza tornou “o ambiente muito mais harmonioso e melhorou a imagem da empresa”, afirma o gerente Michel. Os projetos também são referência em Gaspar para a prefeitura, escolas e a comunidade. Um exemplo muito bom de como a educação ambiental promovida pelo programa faz diferença é o caso de um projeto desenvolvido com escolas em 2008 relacionado à venda de passarinhos para criação doméstica. Dois anos depois, os membros do CDAL fizeram uma pesquisa com os petshops e comprovaram a diminuição da venda de gaiola e alpiste. Não souberam me informar os dados corretos, mas a coordenadora do programa disse que a redução foi bem significativa. Durante a pesquisa, o trabalho de educação ambiental também foi feito com os donos de petshops, para que eles entendessem a importância de deixar as aves livres na natureza e não tê-las como animais domésticos.

Muito bacana, né. O que você achou? Conhece alguma empresa na região onde mora que desenvolva projetos de sustentabilidade? Até mais!

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