Dá para viver sem dinheiro? Conheça cinco pessoas que deram adeus a ele

Por Letícia Maria Klein •
17 agosto 2016
Respondendo à pergunta: que dá, dá. O dinheiro é uma invenção humana e se vivia normalmente antes dele, na base do escambo, da troca de serviços por produtos e vice-versa. Os sistemas econômicos foram mudando, a população da terra foi se multiplicando e a troca passou a ser intermediada por moedas. O dinheiro se tornou a moeda de troca oficial do mundo, literalmente. Vantagens e desvantagens à parte, é bom lembrar que, como toda ferramenta, o dinheiro é neutro; se seu uso é para o bem ou mal, depende da intenção de quem o tem. Tem gente que prefere não ter, como é o caso destes cinco aqui:

Jo NemethEsta australiana se demitiu da empresa onde trabalhava e escolheu depender só de si para viver, depois de se questionar sobre os impactos que causava no planeta a partir de suas escolhas e hábitos. Ela mora num abrigo na propriedade de um amigo, se alimenta principalmente do que planta e emprega suas horas do dia no cultivo da horta, cozimento das refeições, leitura, conversa com amigos, passeios pela cidade e seu blog. Para conseguir objetos de higiene e limpeza, ela presta serviços ou aproveita restos de produtos que seriam descartados por amigos, conhecidos, simpatizantes e empresas. Em entrevista, Jo disse que sua regra pessoal é não usar produtos novos: “eu não quero usar os recursos materiais se eles forem produzidos apenas para o meu próprio benefício”. Jo diz estar mais feliz e saudável desde então: “eu trabalho muito no plantio e a minha dieta mudou. Além disso, eu não produzo todo o lixo que produzia antes. Estou me sentindo muito melhor”.



Daniel ShellabargerDesde criança, este estadunidense católico praticante tinha curiosidade de viver como Jesus, sem dinheiro. Em 2000, ele deixou seus últimos 30 dólares numa cabine telefônica, queimou sua carteira de motorista e passaporte, ficou com algumas roupas e vive até hoje como nômade. Conhecido como Daniel Suelo (solo, em espanhol), já viveu em comunidades alternativas, acampou no deserto e dormiu na casa de pessoas desconhecidas que o convidaram. Ele mantém uma “casinha base” numa pequena caverna no deserto de Moab, em Utah. Daniel se alimenta de plantas selvagens, do que encontra no lixo e até de carne de animais atropelados nas estradas, além do que consegue em troca do seu trabalho, que também lhe rende roupas e produtos de higiene. Em seu blog, que mantém a partir de computadores em bibliotecas públicas, ele explica que “a natureza selvagem, fora da sociedade de consumo, funciona através da economia da dádiva (de graça recebestes, de graça dai)”. Descreveu sua experiência e motivações no livro “The man who quit money” (O homem que desistiu do dinheiro, em tradução livre), que teve suas cópias distribuídas gratuitamente. “Quando eu vivia com dinheiro, eu estava sempre sentindo falta de algo. O dinheiro representa essa falta. O dinheiro representa coisas do passado (dúvidas) e coisas do futuro (créditos), mas o dinheiro nunca representa o presente. Nós precisamos de muito pouco para viver e não nos damos conta disso”, diz.



Heidemarie SchwernerFaz mais ou menos duas décadas que a alemã Heidemarie Schwerner vive sem dinheiro. Tudo começou quando ela se mudou com os filhos para uma cidade na área rural da Alemanha e percebeu uma grande quantidade de moradores de rua. Buscando uma maneira de ajudá-los, ela criou o Tauschring, um espaço onde pessoas poderiam trocar serviços ou objetos por outros de que necessitavam. O projeto foi ganhando forma e mais adeptos e Heidemarie decidiu trocar sua até então profissão de professora por outro ideal de vida: vendeu seu apartamento, guardou o essencial numa mochila e numa mala e passou a viver de troca de serviços e favores. Para conseguir cama e comida, ela lavava pratos, limpava a casa, servia de companhia e por aí vai. Ela ficou tão famosa que tem pessoas que enviam passagens a ela para que se hospede com eles, o que a faz viajar bastante. Já escreveu três livros sobre sua experiência e doa toda a verba arrecadada para instituições de caridade, conservando apenas uma poupança com 200 euros para alguma emergência. Para ela, foi uma “libertação”. Seu estilo de vida inspirou o documentário “Vivendo sem dinheiro”, onde afirma que não é preciso ter uma renda para viver bem e que “o dinheiro nos distrai do que é realmente importante”.



Christopher Johnson McCandlessChris ficou famoso a partir da publicação do livro “Na natureza selvagem”, em 1996, e depois com o filme homônimo, lançado em 2007, que contam a história de como este jovem de família rica deixou tudo para trás para viver livre na natureza gelada do Alasca e o que aconteceu nos dois anos em que conseguiu viver sua aventura, antes de ser encontrado morto (não é spoiler, tá, está na sinopse das obras!). Conhecido como Alexander (ou Alex) Supertramp, codinome que adotou, se fundamentou em trabalhos de Leon Tolstoi, Jack London e Henry David Thoreau, escritores que falavam sobre a proximidade com a natureza e a vida simples. Ainda não li o livro, mas o filme é fantástico e suscita ótimas reflexões.



Mark BoyleO irlandês formado em administração abandonou o dinheiro para morar no campo, onde planta a própria comida, toma banho de rio e usa fogueiras para cozinhar o alimento. Boyle tomou a decisão depois de ver como estamos degradando o planeta. “Não vemos o efeito de nossas compras no ambiente. Não sabemos por quais processos os produtos passaram, quais os danos que eles causaram. Não sabemos mais como o que consumimos é produzido”, disse Mark nesta entrevista. Para ele, é a economia que está destruindo a natureza e prejudicando sua biodiversidade, pois o dinheiro cria uma distância entre nós e o que consumimos. Ele tem um computador movido a energia solar, que usa para manter seu blog e já lançou dois livros: “O homem sem grana” e “Drinking Molotov Cocktails with Gandhi”, ainda sem tradução no Brasil.



Estas pessoas estão trazendo de volta o modo de vida que só se encontra em livros de história, à margem da sociedade ou em grupos sociais isolados. Junto com outros movimentos como slow food, slow fashion, no e low poo, no showering, lixo zero, não à depilação e outros tantos, estas pessoas estão, no mínimo, nos fazendo repensar nossa relação com o próprio corpo, com nossos ciclos sociais, com o planeta e refletir sobre nossos hábitos de consumo e estilo de vida. Independente de qual ou quais deles adotar e qual o seu ritmo, o importante é que você encontre o seu ponto de equilíbrio e que faça sentido pra você. ;)
Com informações de: Hypeness, Mochila Brasil, Pragmatismo Político.

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