Quando a questão é água, é uma questão de todos

Por Letícia Maria Klein •
10 junho 2015

A palestra “Água, recurso para a manutenção da vida”, ministrada pelo professor Hector Raúl Muñoz Espinosa, abriu a Semana Municipal do Meio Ambiente de Blumenau 2015, no dia 1º de junho. Hector é docente na Univali, onde coordena projetos na área de Hidrologia e Gestão de Bacias Hidrográficas, e é consultor autônomo em gestão de recursos hídricos. A fala do professor deixou claro que a água é um bem de todos os seres vivos, necessária à vida no planeta, e que abundância de água não significa muita coisa quando ela não tem qualidade. O ditado “é melhor prevenir do que remediar” pode ser aplicado neste caso, pois devemos, antes de querer tratar a água, mudar nossos hábitos para mantê-la limpa desde o princípio.

A palestra foi interessante, mas eu senti falta de uma abordagem ecossistêmica da água, uma conversa sobre a interdependência deste bem natural com todos os seres vivos e a maneira como a água é utilizada em nosso dia a dia, nos processos industriais e em qualquer atividade econômica. Ao contrário, a palestra conteve muitas informações técnicas. Algumas delas foram relacionadas à quantidade de água doce superficial nos continentes: a América, por exemplo, tem 46,5% enquanto que a Europa tem 6,8%. A questão, entretanto, não é a quantidade, mas sim a demanda e a qualidade da água. 

Professor Hector

De 1900 a 1990, a população cresceu quatro vezes, porém, a demanda por água cresceu sete vezes, sendo que, em médias mundiais, cerca de 70% dela é utilizada na agricultura, 20% na indústria e 10% para consumo humano. O ponto chave é que a demanda sempre aumenta, mas a quantidade de água no mundo não, ela é sempre a mesma. Ela pode não acabar, mas os processos das indústrias e mesmo das nossas casas sujam a água e este é o problema, pois limpar depois sai caro. Muito mais do que custaria para manter a água limpa desde o início de seu uso. Caro tanto em termos econômicos quanto ambientais, como quando há contaminação de corpos hídricos, fauna, flora e pessoas. 

As sociedades têm uma noção de que a água é um recurso gratuito, infinito e que pode servir como repositório de resíduos. Nada mais longe da verdade. Estas ideias, este traço cultural como o professor Hector chamou, induzem ao esbanjamento, ao desperdício e a não preocupação com um bem que é essencial à vida no Planeta Terra. Podemos não perceber, mas todos os produtos que consumimos, direta ou indiretamente, precisaram de água para serem feitos. Nós precisamos de água para nos manter vivos; por mais que não se tome água pura, ela está nos alimentos e nas bebidas. É da água do mar que vem o oxigênio que respiramos, produzidos pelas algas. Estes são apenas alguns exemplos da nossa dependência deste bem natural, que vai além. 

Os cenários podem não ser otimistas, mas podem ser mudados. Há muitas maneiras de cuidar da água, nos mais diversos estabelecimentos e nas indústrias. O sistema de abastecimento de água é responsável por um grande volume do desperdício, então apostar em alta tecnologia e na manutenção constante dos encanamentos e tubulações é uma solução. Aproveitar a água da chuva e a água de reuso (usar a água da máquina de lavar para a descarga do vaso sanitário, por exemplo) e comprar equipamentos que tenham mais eficiência hídrica também são técnicas das quais dispomos para preservar este bem. Além disso, é preciso limpar os corpos d’água e investir em educação ambiental, pois enquanto que a primeira é uma solução mais a curto prazo, a segunda é a verdadeira responsável por mudanças nos padrões de produção e consumo vigentes hoje no mundo.

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