Semana mundial da água: 5 dicas para economizar água virtual

Por Letícia Maria Klein •
25 março 2020
O nosso consumo de água não se limita ao líquido que sai da torneira e do chuveiro. Existe muita água virtual circulando por aí em quase todos os produtos que compramos, de alimentos a calça jeans. Segundo o criador do conceito de pegada hídrica, o pesquisador holandês Arjen Hoekstra, o Brasil é o quinto país que mais exporta água incorporada ao processo produtivo. Só na exportação de produtos agropecuários já se vão 112 trilhões de litros. 

Assim, quando falamos em economia de água, não é somente fechar a torneira e tomar banhos curtos, mas ter um consumo consciente de outros produtos que precisam de água para serem fabricados. Alguma vez na vida você já pensou que desperdiçar comida é sinônimo de desperdício de água? Um quilo de carne bovina, por exemplo, precisa de mais de 15 mil litros desse líquido precioso para ser feito. 

Água virtual nos alimentos: a água que não vemos
Água virtual nos alimentos: a água que não vemos.

Como, então, você pode economizar a água que não vê? Vamos às dicas: 

  • Não deixe comida no prato e aproveite todas as partes dos alimentos. Se sobrar, use a imaginação para criar uma receita nova. Para qualquer eventual sobra ou parte que tenha estragado, coloque tudo no minhocário (como assim ainda não tem um? Aqui tem todos os posts sobre compostagem doméstica para você começar).

  • Ainda sobre alimentos, alguns precisam de mais água do que outros, como mostra a imagem abaixo. O site da Water Foortprint Network traz uma galeria de diversos produtos e a quantidade de água necessária a cada um deles em sua cadeia produtiva, além de dizer quais são as fontes de água (verde, azul e cinza, em termos técnicos, que significam, respectivamente, da chuva, doce e derivada de atividades domésticas ou da agricultura).

    Quantidade de água usada no processo produtivo de alimentos. Fonte: Exame.
    Quantidade de água usada no processo produtivo de alimentos. Fonte: Exame.

    A diferença na quantidade de água por alimento reflete o impacto ambiental da sua alimentação diária. Consumir mais vegetais e menos carne é uma forma de desperdiçar menos água e ser mais sustentável. Pensando nisso, como está sua dieta hoje?

  • Compre somente o necessário, mesmo! Como muitos produtos precisam de água para serem feitos (roupas, sapatos, brinquedos, maquiagem etc), é importante consumir somente o que precisa e fazer o melhor uso, para que o produto dure o máximo possível. Comprar de fornecedores locais e nacionais e dar o destino correto também são fatores importantes nessa hora.

  • Falando em compras, o que ajuda muito é adquirir itens usados, de roupas a eletrodomésticos. Comprar um produto usado significa dar mais tempo de uso a ele e, com isso, contribuir para a diminuição da produção de itens novos, que precisam de bens naturais e energia para serem produzidos. Além de economizar a água que seria usada na fabricação de um produto novo, você também economiza dinheiro e incentiva o consumo colaborativo.

  • Utilize seu kit lixo zero, faça compras a granel com seus próprios potes, substitua a sacola plástica, entre outros, para diminuir a quantidade de resíduos sólidos que você produz no seu dia a dia. A maior parte do que produzimos em termos de embalagem é plástico, que além de vir do petróleo, usa muita água no seu processo produtivo. Assim, cada embalagem que deixamos de gerar como resíduo e cada item descartável que recusamos são litros de água que economizamos. 

Quer saber exatamente qual é a quantidade de água necessária para manter o seu estilo de vida? Calcule a sua pegada hídrica aqui (em inglês, nas versões simplificada e estendida). 

Um ecobeijo e até breve!
+

Medidas de sustentabilidade na quarentena

Por Letícia Maria Klein •
19 março 2020
Chegou a hora de um movimento mundial em massa. As crises, e dentre elas estão as pandemias, servem para gerar reflexão e mudar padrões, levando a novos pensamentos, atitudes e estilos de vida. O novo coronavírus fez o mundo inteiro, sem hipérbole, ter os mesmos objetivos e estabelecer metas em comum para conter a propagação da doença. 

Como toda crise gera oportunidades, desde janeiro tem aparecido consequências positivas geradas pela Covid-19, como a diminuição da poluição na China e na Itália (devido à desaceleração das indústrias) e a retomada do sentimento de pertencimento à comunidade, com conversas a distância entre vizinhos e cantoria nas janelas. Esses são dois exemplos de cuidados do tripé da sustentabilidade de Satish Kumar. Para completar o trio “cuidar de si, do outro e do meio”, seguem abaixo algumas medidas sustentáveis para adotar durante a quarentena (e claro, depois dela também). 


 

  • Com tanto tempo em casa, fica mais fácil separar uma parte dele para você mesmo. Para se perceber, refletir sobre seus sentimentos e emoções, seus dias, sonhos e como transformá-los em realidade por meio de objetivos e metas. Separe um momento diário para se cuidar, meditar, se exercitar, dançar, ler, ver filmes, cozinhar, enfim, qualquer coisa que te faça sentir bem consigo mesmo e traga aquela sensação de aconchego.
  • Esta também é uma grande oportunidade para exercitar a caridade, a generosidade e a humildade. O mercado é um bom lugar para fazer isso: compre e consuma somente o suficiente para os próximos dias. Não precisa estocar comida para o ano. Vivemos em sociedade e estamos num momento em que o pensamento sobre o coletivo é essencial.
  • Quando fizer compras, já tenha em mente as receitas que você pode fazer naquela semana para que consiga utilizar todos os alimentos frescos e eles não estraguem, assim não tem desperdício de comida nem de dinheiro.
  • Outra dica importante em relação aos alimentos é utilizá-los integralmente, incluindo casca, sementes, folhas e talos. Além de diminuir o desperdício, você produz mais comidas a partir de uma. Alguns exemplos:
    - Casca e sementes de abóbora assadas com sal e azeite servem como aperitivo.
    - Folhas de cenoura podem ser usadas para fazer caldo de legumes ou cortadas e usadas como tempero.
    - Folhas de beterraba também são um ótimo aperitivo quando assadas com sal e azeite.
    - Sementes de melão deixadas de molho em água mora e depois batidas com água fresca viram leite vegetal.
    Neste post tem um passo a passo para você nunca mais desperdiçar comida na sua vida.
  • Como você passará mais tempo em casa, adote medidas de economia de eletricidade: feche ambientes em que o ar condicionado está ligado, apague luzes de ambientes vazios, tome banhos rápidos de até cinco minutos, aproveite o sol e o vento para secar roupas. Tem mais dicas para reduzir o consumo de energia elétrica aqui.
  • O mesmo vale para água: feche a torneira para ensaboar as mãos, escovar os dentes, fazer a barba etc, feche o chuveiro enquanto se ensaboa, reaproveite água fria do chuveiro para descarga e várias outras dicas de economia de água em casa que estão neste post.
  • Com mais tempo em casa, aproveite para dar muita atenção a suas plantas: ver se elas precisam de adubo (que você pode pegar do seu minhocário ou composteira), de um replantio, de um novo lugar na casa, de mais nutrientes (pode usar o biofertilizante do minhocário também). Conversar com elas também é importante, afinal, são seres vivos que moram na sua casa.
  • Brinque mais com seu bichinho de estimação. Nada como carinhos e brincadeiras com seu animalzinho para deixar todos em casa mais alegres e calmos.
  • Se você tem crianças em casa, é uma ótima oportunidade para apresentar brincadeiras analógicas e jogos de tabuleiro, que faziam a nossa festa quando nós éramos pequenos. É uma forma de unir a família e ficar off-line, longe de tv, computador e celular.

Assim, vamos cuidando de nós, dos outros e do planeta, tanto com ações diretas quanto indiretas. Ah, claro, lembre-se de lavar muito bem as mãos várias vezes por dia, passar álcool ao entrar e sair de qualquer lugar (se não tiver em gel, pode usar um borrifador para aplicar o líquido nas mãos), espirrar e tossir no cotovelo, evitar aglomerações e contato físico. 

Essa fase que estamos vivendo é mais um excelente exemplo de como cada pessoa tem um grande poder e uma grande responsabilidade na teia da vida. Fique bem!

Um ecobeijo e até breve.
+

Cinema lixo zero: dicas para não gerar lixo na sessão

Por Letícia Maria Klein •
10 março 2020
Filme com pipoca é uma combinação perfeita. Aliás, filme com comida é uma combinação perfeita. E depois de duas horas com risos, lágrimas e emoções diversas, fica não só aquela sensação gostosa de assistir a um filme (se ele for bom, claro), mas também algumas embalagens do seu combo de guloseimas. Aproveitando o meu ensaio de fotos de pré-casamento, que foi no cinema aqui na minha cidade, vim falar sobre como fazer seu lanchinho na sala escura sem gerar lixo. Anote aí as dicas para uma sessão sustentável. 

Cinema lixo zero com seu próprio copo e pote de pipoca
Ensaio no GNC Cinemas em Blumenau, com nossos próprios copão de bebida e de pipoca.

  • Leve sua própria embalagem para a pipoca, que pode ser um pote retrátil (existem algumas opções no mercado) ou um saco de pano. É só pedir para colocarem a pipoca direto nele – provavelmente eles vão usar a embalagem de papel da pipoca para medir a quantidade, mas é só você garantir que eles vão reutilizá-la depois no próximo pedido (já fiz e funciona). Se você gosta de colecionar, existem os potes de plástico duráveis feitos pelo cinema especialmente para alguns filmes, que você não descarta e pode reutilizar tanto em casa quanto na sua próxima sessão.
  • Na mesma onda, você pode levar seu próprio copão ou garrafa e pedir para colocarem a bebida direto ali. Para facilitar, leve um que tenha a mesma capacidade dos copos oferecidos no cinema que você frequenta (geralmente 350ml, 500ml, 1l).
  • Tem cinemas que fornecem alguns doces e salgados sem embalagem também (como pão de queijo), e você pode usar seu próprio potinho retrátil ou saquinho de pano.
  • Para substituir o canudo de plástico descartável da bebida, leve o seu próprio canudo. É bem fácil de encontrar hoje em dia, tanto em lojas na sua cidade quanto na internet. As opções mais comuns são de metal, vidro e bambu, em diferentes tamanhos e diâmetros.
  • Para fechar o kit cinema lixo zero, leve seu próprio guardanapo de pano, assim você não precisa utilizar o de papel. Também são facilmente encontrados em sites que vendem produtos sustentáveis, mas você pode cortar roupas velhas ou restos de tecido e costurar guardanapos de tamanhos variados.

Porém, contudo, entretanto, todavia... Se você consumir produtos como salgadinho, chocolate e outros que vêm naquelas embalagens plásticas metalizadas, seguem aqui algumas ações que vocês pode fazer para que esses resíduos sejam aproveitados de alguma forma (o que também é uma atitude lixo zero): 

  • Entre em contato com a prefeitura da sua cidade ou cooperativas de catadores de material reciclável para saber se há coleta seletiva desse material para reciclagem. Se houver, apenas coloque as embalagens no coletor adequado. Se não tiver...
  • Você pode reutilizar essas embalagens, assim como o isopor, para encher almofadas ou bonequinhos de pano; outra ideia é preencher saquinhos para utilizar como proteção de objetos frágeis dentro de caixas de papelão, quando precisar transportá-los. 

Agora é só preparar seu kit cinema e fazer a festa da sustentabilidade na sessão. Para ficar perfeito, só faltava levar uma mantinha... 

Um ecobeijo e até breve! 
+

Nove dicas para reduzir o consumo de papel

Por Letícia Maria Klein •
04 março 2020
Mesmo na era digital, nós ainda usamos muito o papel, especialmente quem nasceu até a década de 1990. Nada como escrever para clarear as ideias, não é mesmo? Ou para fazer listas! Nossa, essa é clássica. Mas de pedacinho em pedacinho, de folheto em folheto, vamos gerando uma grande quantidade de papel em casa. Ele pode ser facilmente reciclado, mas como bem sabemos, melhor do que reciclar e reutilizar é evitar a geração. Para isso, vamos às dicas de como você pode evitar e reduzir o consumo de papel no seu dia a dia.

Recuse a segunda via do cartão de crédito 
Aquele papel amarelinho usado nas máquinas de cartão (chamado de termo-sensível ou térmico, porque a impressão é feita por aquecimento), contém bisfenol-A (BPA), uma substância que faz mal à saúde. O papel é reciclável e algumas cidades reciclam, mas a substância é liberada durante o processo, o que contamina outros materiais ou o papel final reciclado. A boa notícia é que ele pode ser compostado, mas precisa ser na composteira ou no solo – não no minhocário. Ou você pode enterrá-lo num vaso com terra, sem planta.

Suspenda correspondências
Hoje é possível pagar todos os boletos e faturas via aplicativo ou on-line, o que elimina a necessidade de recebê-los por correio na sua casa. Além de gastar papel, o transporte da correspondência gasta combustível, gasta pneus etc. Até a fatura de energia elétrica pode ser paga on-line, sabia?

Recuse folhetos na rua
Se você anda de carro, é muito comum ter pessoas no semáforo entregando folhetos e panfletos, certo? Com toda aquela educação, gentilmente recuse. Um “não, obrigada” acompanhado de um sorriso é, além de simpático, sustentável, porque você não estará contribuindo com a demanda para produção de tais papéis.

Como reduzir o consumo de papel no dia a dia

Faça listas digitais
Fazer listas é uma ótima ferramenta de organização. No meu computador, eu mantenho uma lista no aplicativo de notas adesivas com as tarefas do dia (a versão computadorizada do post-it). Quando vou ao mercado, escrevo a lista de compras no celular. São maneiras de evitar o uso de bloquinhos de papel. Além dessas, o que mais você escreve no papel que pode migrar para o digital?

Mande por e-mail
Sabe aquela mensagem que costuma aparecer no fim de e-mails do tipo “imprima somente o necessário”? Tem muitas coisas que podem ser enviadas por e-mail em vez de serem impressas, especialmente no ambiente de trabalho. A pauta de uma reunião pode ser enviada por e-mail, por exemplo, em vez de ser impressa para cada pessoa participante.

Use pano na cozinha
Guardanapo de pano e toalhinhas de tecido são alternativas duráveis e sustentáveis ao guardanapo de papel e o papel toalha. Você já usa pano de louça, certo? É só agregar mais uns tecidos para deixar sua cozinha livre de descartáveis quando precisar limpar respingos e sujeiras na mesa, bancada ou chão. “Ah, mas vai gastar água para lavar depois”. Não mais do que a água que foi usada para produzir os papéis descartáveis, pode ter certeza, fora os outros bens naturais usados na cadeia produtiva deles. E você nem precisa comprar os paninhos: é só cortar uma camiseta velha.

Assine revistas e jornais on-line
Com os meios digitais, as edições impressas têm diminuído cada vez mais, levando muitas empresas de mídia a fecharem ou, no mínimo, se adaptarem. As assinaturas digitais garantem acesso a todo o conteúdo do site e costumam ser mais baratas do que comprar o impresso, além de evitar a produção (e futuro resíduo) de muito papel na forma de jornais e revistas.

Compre a granel
Alguns produtos que compramos no mercado vêm embalados em papelão ou papel cartonado. Uma boa forma de eliminar esse resíduo é comprar os mesmos produtos a granel. Cereais são um exemplo. Alguns são facilmente encontrados em feiras ou casas de produtos naturais.

Use ducha higiênica

Já contei aqui no blog como eu faço para não usar papel higiênico no banheiro e, consequentemente, não gerar o rejeito nem o rolinho de papel. Basicamente, a solução é usar uma ducha higiênica ou um bidê (que fica cada vez mais difícil de encontrar por aí, mas que é ótimo).

Por fim, não custa relembrar a boa e velha dica da reutilização: use sempre os dois lados da folha. Agora me conte, já aplica alguma dessas dicas? Não vá embora sem me dizer qual delas você vai começar a fazer hoje mesmo.

Um ecobeijo e até breve!
+

O que fazer com o isopor? Dicas para evitar, reutilizar e reciclar

Por Letícia Maria Klein •
25 fevereiro 2020
Se tem uma questão que gera confusão é essa. SIM, o isopor é reciclável. NÃO, não é fácil reciclar. Está aí o problema. O processo em si é fácil e rápido, sem uso de água, mas existem pouquíssimas indústrias no Brasil que reciclam isopor.

Por isso, os principais desafios incluem a logística desse material, que é leve e volumoso, e o descarte correto pelas pessoas, como explica Luciana de Aguiar Fernandes em entrevista ao blog. Ela é analista de marketing da Termotécnica, empresa pioneira em reciclagem de isopor no Brasil, localizada em Santa Catarina.

Mas se você não mora nas cidades atendidas, o que você pode fazer com o isopor para não enviá-lo ao aterro sanitário, nem o lixão, nem qualquer ambiente natural? Afinal, isopor é um tipo de plástico, com origem no petróleo, que leva centenas de anos para se decompor na natureza. Sem mais demora, vamos às dicas de como evitar, reutilizar e reciclar o isopor.



Como evitar
A forma mais fácil para lidar com qualquer tipo de resíduo é não gerar o dito cujo. Considerando que o isopor que levamos para casa é geralmente uma embalagem, a solução é substituí-la por uma opção não descartável.

Para isso, tenha sempre com você, ou leve quando tiver a intenção de trazer algo para casa, um pote (existem opções retráteis) ou saquinho de pano para usar como embalagem de alimentos. Serve para quando você vai pegar comida no restaurante (daí você evita tanto a embalagem de marmita de isopor quanto a de alumínio) ou na padaria.

Quando estiver no mercado e quiser comprar algo que está embalado no isopor, veja se não tem o mesmo produto ou semelhante em uma embalagem que seja reciclada na sua cidade (como papel ou outro tipo de plástico) ou que você possa reutilizar em casa, como lata ou vidro.

Como reutilizar
Mesmo tentando evitar, às vezes acabamos gerando resíduo de isopor. Além de embalagem de alimento, ele é muito usado como proteção para equipamentos eletrodomésticos, como conservação e isolante térmico (caixas para gelar bebidas, por exemplo), entre outros usos.

Se você tiver bandejas ou blocos de isopor em casa, eles podem ser úteis para:
  • Colocar em pedacinhos no fundo de vasos de plantas, no lugar de pedrinhas.
  • Usar como estofamento de almofadas (triturado).
  • Usar como enchimento de bonecos de pano, para quem trabalha com artesanato (triturado).
  • Reutilizar como embalagem de alimento se você for buscar comida.
  • Reutilizar como recipiente para outros objetos, depois de bem lavado.
  • Usar como proteção em caixa de papelão quando você enviar algo frágil por correio ou fizer mudança (triturado ou em pedacinhos). No caso de enviar uma encomenda, é bom pedir para a pessoa guardar o isopor para usar da mesma forma no futuro, e não “jogar fora”.

Como reciclar
Neste mapa você pode procurar se tem algum PEV (ponto de entrega voluntária) de isopor na sua cidade ou região. A Termotécnica tem mais de mil pontos de coleta no Sul e Sudeste do país*. Se não encontrar, você pode entrar em contato com a prefeitura ou com o órgão responsável pela gestão de resíduos da sua cidade para saber se há coleta de isopor aí e qual cooperativa recebe o material.

Se você trabalha numa empresa em que há muita geração de isopor (especialmente de entrega de almoço), você pode organizar um ponto de coleta interno e levar periodicamente para a cooperativa (dependendo da quantidade, eles podem até buscar no local).

IMPORTANTE: antes de enviar o isopor para a reciclagem, lembre-se de tirar todos os restos de alimento. Quanto mais sujo o material, pior é a qualidade de produto final, por isso é importante que ele esteja limpo e seco.

Processo de reciclagem do isopor
Processo de reciclagem do isopor. Fonte: Termotécnica.
A vantagem do isopor, ao contrário de outros tipos de plástico, é que ele pode ser reciclado infinitas vezes, assim como o vidro, sem perder as propriedades mecânicas. Esta reportagem sobre a geração de resíduos no Carnaval 2020 mostra as etapas da reciclagem de isopor. Neste ano, a liga das escolas de samba vai encaminhar para a reciclagem todos os resíduos de isopor usados na construção de enfeites e itens de fantasias e carros alegóricos. Finalmente!

Se essas dicas te ajudaram, comente aqui embaixo. Caso tenhas outras ideias para reutilizar isopor, compartilhe também.

Um ecobeijo e até breve!

*Em Blumenau, o ponto de coleta fica na Reciclagem Saturno.
+

Dicas para um carnaval sustentável

Por Letícia Maria Klein •
18 fevereiro 2020
Pronto para pular Carnaval? A festa está chegando, com muita alegria e diversão. Porém, infelizmente, vem com alguns problemas ambientais também. Claro que dá para evitar isso e curtir a folia de consciência limpa, por isso eu trouxe algumas dicas para você ter um Carnaval sustentável. 

Brilho biodegradável
O glitter é feito a partir de uma película de poliéster metalizada, sendo, portanto, um material plástico, originado do petróleo. Além de ter uma fonte não renovável, o glitter  é considerado um microplástico pela Administração da Atmosfera e Oceano dos Estados Unidos (NOAA, em inglês). 

Microplásticos são um grande problema ambiental hoje. Ele é tanto uma matéria-prima quanto o resultado da decomposição do plástico ao longo do tempo, que vai se desfazendo em pedaços cada vez menores. Já foi encontrado na água da torneira, na água de garrafa, em cerveja, mel, sal. Nos oceanos, eles são consumidos por peixes, que depois são consumidos por pessoas, entrando assim na cadeia alimentar. Provavelmente temos partículas de plástico no nosso organismo; não precisamos de mais disso por fora, não é mesmo? 

Então, para continuar brilhando no Carnaval sem prejudicar o ambiente, é só usar um glitter natural, biodegradável, produzido a partir de minerais naturais, algas marinhas e corante alimentício. Um desses minerais é a mica, encontrado em alguns solos do país. Minha amiga Ana Flávia, engenheira florestal, encontrou esse da foto em Minas Gerais; depois lavou com água sanitária, secou e triturou com os dedos.  

Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni
Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni.

Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni
Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni.

Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni.
Mica lava e quebrada em pedacinhos. Foto: Ana Flávia Boeni.

Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni
Mica triturada até virar pó. Foto: Ana Flávia Boeni.
Ela explicou que as micas se parecem com pequenas folhas de plástico, que brilham quando expostas ao sol. Já existem algumas empresas no Brasil que produzem bioglitter ou ecoglitter, é fácil encontrar pela internet. Para aplicar, a Ana sugere passar primeiro um creme hidratante e depois esfregar o glitter ou usar cola bastão para aumentar a fixação.

Penas artificiais 
As penas que são abundantemente usadas em fantasias de Carnaval vêm de animais como faisão, pavão, ganso ou avestruz e são extraídas de forma cruel, causando sofrimento aos bichos. Existe até um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados que prevê a proibição, em todo o país, do uso de penas e plumas de origem animal em fantasias e alegorias. Então, se quiser esses adereços na sua roupa, e aqui temos um lado bom do plástico, procure por penas ou plumas sintéticas.

Folha de árvore 
Papel picado é outra coisa que faz a festa do pessoal. O problema disso é o desperdício e a poluição que gera, sujando ruas, córregos e entupindo bueiros. Uma alternativa bem bacana é utilizar folhas de árvore picadas, que, por serem naturais, não poluem e se degradam rapidamente. Mas não vai sair por aí arrancando folhas das árvores, coitadas; aproveite as que já estão no chão.

Lixo zero 
O excesso de lixo nas ruas é um grande problema da festa. São copos plásticos, papéis picados, embalagens e tantos outros. Para evitar isso, tenha o seu próprio copo, que pode ficar junto ao corpo com uso de um tirante. Existem opções de plástico resistente, de metal e de silicone, inclusive retráteis. Para comer, use guardanapos de pano. Se puder e quiser, também vale levar uma bolsinha a tiracolo com um par de talheres pequenos. 

Copo retrátil e guardanapo de pano
Copo retrátil e guardanapo de pano.
Reutilize e guarde 
Por fim, se você já tem acessórios e fantasias de outros carnavais, reutilize-os! Você pode customizar a roupa, fazendo algo novo a partir de algo usado. Além de economizar dinheiro, você não vai gerar uma demanda por produtos novos no mercado, o que diminui a pressão por extração de bens naturais. Se você tem um grupo de amigos que curte a festa todos os anos, vocês podem trocar fantasias ou até se reunir para customizá-las. Depois da folia, tudo que puder ser reaproveitado, guarde para o próximo ano.

Agora, é só colocar essas dicas em prática e aproveitar seu Carnaval de forma consciente e sustentável! 

Um ecobeijo e até breve!
+

© 2013 Sustenta Ações – Programação por Iunique Studio