Meditação e seus reflexos no ambiente

Por Letícia Maria Klein •
27 março 2017
As relações de alguém com os outros e o ambiente onde vive é um reflexo da sua relação consigo mesmo. Venho pensando sobre isso faz um tempo e percebi que se a pessoa está mal consigo mesmo, a chance dela não se preocupar com outras pessoas, outros seres e o local que habita aumenta consideravelmente. Quanto melhor eu estou comigo mesma, com mais saúde e bem-estar, melhor minha relação com as pessoas do meu convívio e melhor minha relação com o planeta. Se eu estou mal, em estado depressivo, doente, sem respeito e amor próprio, que diferença faz se eu jogar alguma coisa no chão ou brigar com alguém? Faz sentido, né?

Satish Kumar, cofundador da Schumacher College, fala em cuidar de si, cuidar do outro, cuidar do meio (soil, soul, society - solo, alma e sociedade). Mahatma Gandhi disse que a mudança deve começar em cada um. Ensinamentos como esses mostram a importância, ou melhor, a necessidade, de cuidarmos de nós mesmos mental, espiritual e fisicamente para que também possamos cuidar bem da família, dos amigos, dos outros seres, dos bens naturais e do meio onde vivemos. E quando o meio em que vivemos está bem cuidado e mantemos relações harmônicas e amorosas com nossos entes queridos, acabamos querendo cuidar ainda mais de nós mesmos. São relações de feedback positivo, que se reforçam mutuamente. Uma bola de neve do bem!



Ter uma alimentação saudável, fazer exercícios físicos e intelectuais, realizar leituras edificantes e ouvir música boa são exemplos de cuidados consigo mesmo. Neste post quero falar de uma prática que comecei a fazer quando estava na Schumacher College e que incorporei à minha rotina quando voltei: meditação. Sempre tive curiosidade em relação ao que é meditação, como fazer, quais os resultados, mas estava naquele grupo de pessoas que achava que meditação é não pensar em nada. Não é bem assim. Na verdade, é muito mais do que isso e pode levar bastante tempo para que se chegue ao estado meditativo a la monges.

A Robin, acadêmica egressa da Schumacher e que estava trabalhando como auxiliar dos professores no curso, é psicóloga e terapeuta e me deu uma aulinha sobre meditação. Minha primeira dúvida foi: como não pensar em nada? Daí veio toda a explicação. Um dos objetivos da meditação é o foco no agora, no presente. Ter consciência plena de si mesmo naquele momento, prestar atenção no próprio corpo, na respiração e se acalmar. Devido à ansiedade generalizada, à nossa agenda corrida e a vários outros fatores, os pensamentos vão surgindo, claro, o que acaba nos deixando mais ansiosos e faz com que muitos desistam da prática logo no começo.

O segredo está, segundo a Robin, em agradecer o pensamento quando ele vem e deixá-lo ir embora, dizendo, por exemplo, “obrigada, pensamento, mas agora não é momento” e então voltar o foco para o presente e si mesmo. Assim devemos proceder com todos os pensamentos que chegam, sempre os deixando ir e nunca nos apegando a eles. Quanto mais se faz, mais fácil vai ficando. O que também se indica é, quando um pensamento chegar, “dizer” na mente a palavra “pensando”, como um mantra. Isso porque, se você está focado no mantra, não pensa em outra coisa.



Além da conversa esclarecedora que tive com ela, encontrei uma revista temática sobre meditação durante uma das faxinas de ano novo depois da volta pra casa. Foi o que faltava para eu começar a meditar na minha rotina. Tenho feito três vezes por semana (nos dois dias em que tenho natação de manhã eu não faço, pois acordo bem cedo), por nove minutos (o tempo da soneca do celular). Sento geralmente numa almofada no chão, com as pernas cruzadas (existem várias posições de meditação, na verdade, até caminhando) e me concentro bastante na respiração e na postura. Pensamentos vêm, mas deixo-os ir e por vezes consigo focar inteiramente naquele momento, sem pensar em nada em particular, apenas respirando, sentido e ouvindo, com foco total.

Tenho gostado bastante da experiência e sinto falta nos dias em que não pratico. É uma forma de me conectar comigo mesma e me acalmar, pois o silêncio que eu tinha na escola tem me feito muita falta nesta cidade, grande para mim. São alguns minutos que me ajudam a despertar e me preparar para o dia que inicia. Com o tempo, vou aumentando o tempo de meditação. Na Schumacher, a prática era de 30 minutos e tem pessoas que ficam até uma hora meditando, talvez mais. Pode levar anos até que se consiga chegar no estado meditativo descrito pelos orientais como aquele em que a pessoa se conecta com o todo e tudo. É o nirvana, “um estado de paz e tranqüilidade alcançado através da sabedoria”, segundo a monja Coen Murayama, da Comunidade Zen-Budista de São Paulo.

Por possibilitar uma forte conexão consigo mesmo, a meditação é uma terapia, pois nos ajuda a identificar problemas que temos (e que às vezes queremos esconder) e dificuldades pessoais que precisamos superar. Além disso, por ajudar a aumentar a concentração, manter o foco e ficar mais atento, tanto no momento da prática quando ao longo do dia, a meditação é fantástica para atingir e manter o bem-estar pessoal e nos orientar para relações mais harmônicas e amorosas com os outros e o ambiente. Estou amando e recomendo de olhos fechados, sem nem pensar (o trocadilho foi inevitável). Dê uma chance! Ou várias! Quem sabe era o que você estava procurando para começar a mudar?

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