Cinema lixo zero: dicas para não gerar lixo na sessão

Por Letícia Maria Klein •
10 março 2020
Filme com pipoca é uma combinação perfeita. Aliás, filme com comida é uma combinação perfeita. E depois de duas horas com risos, lágrimas e emoções diversas, fica não só aquela sensação gostosa de assistir a um filme (se ele for bom, claro), mas também algumas embalagens do seu combo de guloseimas. Aproveitando o meu ensaio de fotos de pré-casamento, que foi no cinema aqui na minha cidade, vim falar sobre como fazer seu lanchinho na sala escura sem gerar lixo. Anote aí as dicas para uma sessão sustentável. 

Cinema lixo zero com seu próprio copo e pote de pipoca
Ensaio no GNC Cinemas em Blumenau, com nossos próprios copão de bebida e de pipoca.

  • Leve sua própria embalagem para a pipoca, que pode ser um pote retrátil (existem algumas opções no mercado) ou um saco de pano. É só pedir para colocarem a pipoca direto nele – provavelmente eles vão usar a embalagem de papel da pipoca para medir a quantidade, mas é só você garantir que eles vão reutilizá-la depois no próximo pedido (já fiz e funciona). Se você gosta de colecionar, existem os potes de plástico duráveis feitos pelo cinema especialmente para alguns filmes, que você não descarta e pode reutilizar tanto em casa quanto na sua próxima sessão.
  • Na mesma onda, você pode levar seu próprio copão ou garrafa e pedir para colocarem a bebida direto ali. Para facilitar, leve um que tenha a mesma capacidade dos copos oferecidos no cinema que você frequenta (geralmente 350ml, 500ml, 1l).
  • Tem cinemas que fornecem alguns doces e salgados sem embalagem também (como pão de queijo), e você pode usar seu próprio potinho retrátil ou saquinho de pano.
  • Para substituir o canudo de plástico descartável da bebida, leve o seu próprio canudo. É bem fácil de encontrar hoje em dia, tanto em lojas na sua cidade quanto na internet. As opções mais comuns são de metal, vidro e bambu, em diferentes tamanhos e diâmetros.
  • Para fechar o kit cinema lixo zero, leve seu próprio guardanapo de pano, assim você não precisa utilizar o de papel. Também são facilmente encontrados em sites que vendem produtos sustentáveis, mas você pode cortar roupas velhas ou restos de tecido e costurar guardanapos de tamanhos variados.

Porém, contudo, entretanto, todavia... Se você consumir produtos como salgadinho, chocolate e outros que vêm naquelas embalagens plásticas metalizadas, seguem aqui algumas ações que vocês pode fazer para que esses resíduos sejam aproveitados de alguma forma (o que também é uma atitude lixo zero): 

  • Entre em contato com a prefeitura da sua cidade ou cooperativas de catadores de material reciclável para saber se há coleta seletiva desse material para reciclagem. Se houver, apenas coloque as embalagens no coletor adequado. Se não tiver...
  • Você pode reutilizar essas embalagens, assim como o isopor, para encher almofadas ou bonequinhos de pano; outra ideia é preencher saquinhos para utilizar como proteção de objetos frágeis dentro de caixas de papelão, quando precisar transportá-los. 

Agora é só preparar seu kit cinema e fazer a festa da sustentabilidade na sessão. Para ficar perfeito, só faltava levar uma mantinha... 

Um ecobeijo e até breve! 
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Nove dicas para reduzir o consumo de papel

Por Letícia Maria Klein •
04 março 2020
Mesmo na era digital, nós ainda usamos muito o papel, especialmente quem nasceu até a década de 1990. Nada como escrever para clarear as ideias, não é mesmo? Ou para fazer listas! Nossa, essa é clássica. Mas de pedacinho em pedacinho, de folheto em folheto, vamos gerando uma grande quantidade de papel em casa. Ele pode ser facilmente reciclado, mas como bem sabemos, melhor do que reciclar e reutilizar é evitar a geração. Para isso, vamos às dicas de como você pode evitar e reduzir o consumo de papel no seu dia a dia.

Recuse a segunda via do cartão de crédito 
Aquele papel amarelinho usado nas máquinas de cartão (chamado de termo-sensível ou térmico, porque a impressão é feita por aquecimento), contém bisfenol-A (BPA), uma substância que faz mal à saúde. O papel é reciclável e algumas cidades reciclam, mas a substância é liberada durante o processo, o que contamina outros materiais ou o papel final reciclado. A boa notícia é que ele pode ser compostado, mas precisa ser na composteira ou no solo – não no minhocário. Ou você pode enterrá-lo num vaso com terra, sem planta.

Suspenda correspondências
Hoje é possível pagar todos os boletos e faturas via aplicativo ou on-line, o que elimina a necessidade de recebê-los por correio na sua casa. Além de gastar papel, o transporte da correspondência gasta combustível, gasta pneus etc. Até a fatura de energia elétrica pode ser paga on-line, sabia?

Recuse folhetos na rua
Se você anda de carro, é muito comum ter pessoas no semáforo entregando folhetos e panfletos, certo? Com toda aquela educação, gentilmente recuse. Um “não, obrigada” acompanhado de um sorriso é, além de simpático, sustentável, porque você não estará contribuindo com a demanda para produção de tais papéis.

Como reduzir o consumo de papel no dia a dia

Faça listas digitais
Fazer listas é uma ótima ferramenta de organização. No meu computador, eu mantenho uma lista no aplicativo de notas adesivas com as tarefas do dia (a versão computadorizada do post-it). Quando vou ao mercado, escrevo a lista de compras no celular. São maneiras de evitar o uso de bloquinhos de papel. Além dessas, o que mais você escreve no papel que pode migrar para o digital?

Mande por e-mail
Sabe aquela mensagem que costuma aparecer no fim de e-mails do tipo “imprima somente o necessário”? Tem muitas coisas que podem ser enviadas por e-mail em vez de serem impressas, especialmente no ambiente de trabalho. A pauta de uma reunião pode ser enviada por e-mail, por exemplo, em vez de ser impressa para cada pessoa participante.

Use pano na cozinha
Guardanapo de pano e toalhinhas de tecido são alternativas duráveis e sustentáveis ao guardanapo de papel e o papel toalha. Você já usa pano de louça, certo? É só agregar mais uns tecidos para deixar sua cozinha livre de descartáveis quando precisar limpar respingos e sujeiras na mesa, bancada ou chão. “Ah, mas vai gastar água para lavar depois”. Não mais do que a água que foi usada para produzir os papéis descartáveis, pode ter certeza, fora os outros bens naturais usados na cadeia produtiva deles. E você nem precisa comprar os paninhos: é só cortar uma camiseta velha.

Assine revistas e jornais on-line
Com os meios digitais, as edições impressas têm diminuído cada vez mais, levando muitas empresas de mídia a fecharem ou, no mínimo, se adaptarem. As assinaturas digitais garantem acesso a todo o conteúdo do site e costumam ser mais baratas do que comprar o impresso, além de evitar a produção (e futuro resíduo) de muito papel na forma de jornais e revistas.

Compre a granel
Alguns produtos que compramos no mercado vêm embalados em papelão ou papel cartonado. Uma boa forma de eliminar esse resíduo é comprar os mesmos produtos a granel. Cereais são um exemplo. Alguns são facilmente encontrados em feiras ou casas de produtos naturais.

Use ducha higiênica

Já contei aqui no blog como eu faço para não usar papel higiênico no banheiro e, consequentemente, não gerar o rejeito nem o rolinho de papel. Basicamente, a solução é usar uma ducha higiênica ou um bidê (que fica cada vez mais difícil de encontrar por aí, mas que é ótimo).

Por fim, não custa relembrar a boa e velha dica da reutilização: use sempre os dois lados da folha. Agora me conte, já aplica alguma dessas dicas? Não vá embora sem me dizer qual delas você vai começar a fazer hoje mesmo.

Um ecobeijo e até breve!
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O que fazer com o isopor? Dicas para evitar, reutilizar e reciclar

Por Letícia Maria Klein •
25 fevereiro 2020
Se tem uma questão que gera confusão é essa. SIM, o isopor é reciclável. NÃO, não é fácil reciclar. Está aí o problema. O processo em si é fácil e rápido, sem uso de água, mas existem pouquíssimas indústrias no Brasil que reciclam isopor.

Por isso, os principais desafios incluem a logística desse material, que é leve e volumoso, e o descarte correto pelas pessoas, como explica Luciana de Aguiar Fernandes em entrevista ao blog. Ela é analista de marketing da Termotécnica, empresa pioneira em reciclagem de isopor no Brasil, localizada em Santa Catarina.

Mas se você não mora nas cidades atendidas, o que você pode fazer com o isopor para não enviá-lo ao aterro sanitário, nem o lixão, nem qualquer ambiente natural? Afinal, isopor é um tipo de plástico, com origem no petróleo, que leva centenas de anos para se decompor na natureza. Sem mais demora, vamos às dicas de como evitar, reutilizar e reciclar o isopor.



Como evitar
A forma mais fácil para lidar com qualquer tipo de resíduo é não gerar o dito cujo. Considerando que o isopor que levamos para casa é geralmente uma embalagem, a solução é substituí-la por uma opção não descartável.

Para isso, tenha sempre com você, ou leve quando tiver a intenção de trazer algo para casa, um pote (existem opções retráteis) ou saquinho de pano para usar como embalagem de alimentos. Serve para quando você vai pegar comida no restaurante (daí você evita tanto a embalagem de marmita de isopor quanto a de alumínio) ou na padaria.

Quando estiver no mercado e quiser comprar algo que está embalado no isopor, veja se não tem o mesmo produto ou semelhante em uma embalagem que seja reciclada na sua cidade (como papel ou outro tipo de plástico) ou que você possa reutilizar em casa, como lata ou vidro.

Como reutilizar
Mesmo tentando evitar, às vezes acabamos gerando resíduo de isopor. Além de embalagem de alimento, ele é muito usado como proteção para equipamentos eletrodomésticos, como conservação e isolante térmico (caixas para gelar bebidas, por exemplo), entre outros usos.

Se você tiver bandejas ou blocos de isopor em casa, eles podem ser úteis para:
  • Colocar em pedacinhos no fundo de vasos de plantas, no lugar de pedrinhas.
  • Usar como estofamento de almofadas (triturado).
  • Usar como enchimento de bonecos de pano, para quem trabalha com artesanato (triturado).
  • Reutilizar como embalagem de alimento se você for buscar comida.
  • Reutilizar como recipiente para outros objetos, depois de bem lavado.
  • Usar como proteção em caixa de papelão quando você enviar algo frágil por correio ou fizer mudança (triturado ou em pedacinhos). No caso de enviar uma encomenda, é bom pedir para a pessoa guardar o isopor para usar da mesma forma no futuro, e não “jogar fora”.

Como reciclar
Neste mapa você pode procurar se tem algum PEV (ponto de entrega voluntária) de isopor na sua cidade ou região. A Termotécnica tem mais de mil pontos de coleta no Sul e Sudeste do país*. Se não encontrar, você pode entrar em contato com a prefeitura ou com o órgão responsável pela gestão de resíduos da sua cidade para saber se há coleta de isopor aí e qual cooperativa recebe o material.

Se você trabalha numa empresa em que há muita geração de isopor (especialmente de entrega de almoço), você pode organizar um ponto de coleta interno e levar periodicamente para a cooperativa (dependendo da quantidade, eles podem até buscar no local).

IMPORTANTE: antes de enviar o isopor para a reciclagem, lembre-se de tirar todos os restos de alimento. Quanto mais sujo o material, pior é a qualidade de produto final, por isso é importante que ele esteja limpo e seco.

Processo de reciclagem do isopor
Processo de reciclagem do isopor. Fonte: Termotécnica.
A vantagem do isopor, ao contrário de outros tipos de plástico, é que ele pode ser reciclado infinitas vezes, assim como o vidro, sem perder as propriedades mecânicas. Esta reportagem sobre a geração de resíduos no Carnaval 2020 mostra as etapas da reciclagem de isopor. Neste ano, a liga das escolas de samba vai encaminhar para a reciclagem todos os resíduos de isopor usados na construção de enfeites e itens de fantasias e carros alegóricos. Finalmente!

Se essas dicas te ajudaram, comente aqui embaixo. Caso tenhas outras ideias para reutilizar isopor, compartilhe também.

Um ecobeijo e até breve!

*Em Blumenau, o ponto de coleta fica na Reciclagem Saturno.
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Dicas para um carnaval sustentável

Por Letícia Maria Klein •
18 fevereiro 2020
Pronto para pular Carnaval? A festa está chegando, com muita alegria e diversão. Porém, infelizmente, vem com alguns problemas ambientais também. Claro que dá para evitar isso e curtir a folia de consciência limpa, por isso eu trouxe algumas dicas para você ter um Carnaval sustentável

Brilho biodegradável
O glitter é feito a partir de uma película de poliéster metalizada, sendo, portanto, um material plástico, originado do petróleo. Além de ter uma fonte não renovável, o glitter  é considerado um microplástico pela Administração da Atmosfera e Oceano dos Estados Unidos (NOAA, em inglês). 

Microplásticos são um grande problema ambiental hoje. Ele é tanto uma matéria-prima quanto o resultado da decomposição do plástico ao longo do tempo, que vai se desfazendo em pedaços cada vez menores. Já foi encontrado na água da torneira, na água de garrafa, em cerveja, mel, sal. Nos oceanos, eles são consumidos por peixes, que depois são consumidos por pessoas, entrando assim na cadeia alimentar. Provavelmente temos partículas de plástico no nosso organismo; não precisamos de mais disso por fora, não é mesmo? 

Então, para continuar brilhando no Carnaval sem prejudicar o ambiente, é só usar um glitter natural, biodegradável, produzido a partir de minerais naturais, algas marinhas e corante alimentício. Um desses minerais é a mica, encontrado em alguns solos do país. Minha amiga Ana Flávia, engenheira florestal, encontrou esse da foto em Minas Gerais; depois lavou com água sanitária, secou e triturou com os dedos.  

Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni
Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni.

Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni
Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni.

Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni.
Mica lava e quebrada em pedacinhos. Foto: Ana Flávia Boeni.

Mica encontrada em Minas Gerais. Foto: Ana Flávia Boeni
Mica triturada até virar pó. Foto: Ana Flávia Boeni.
Ela explicou que as micas se parecem com pequenas folhas de plástico, que brilham quando expostas ao sol. Já existem algumas empresas no Brasil que produzem bioglitter ou ecoglitter, é fácil encontrar pela internet. Para aplicar, a Ana sugere passar primeiro um creme hidratante e depois esfregar o glitter ou usar cola bastão para aumentar a fixação.

Penas artificiais 
As penas que são abundantemente usadas em fantasias de Carnaval vêm de animais como faisão, pavão, ganso ou avestruz e são extraídas de forma cruel, causando sofrimento aos bichos. Existe até um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados que prevê a proibição, em todo o país, do uso de penas e plumas de origem animal em fantasias e alegorias. Então, se quiser esses adereços na sua roupa, e aqui temos um lado bom do plástico, procure por penas ou plumas sintéticas.

Folha de árvore 
Papel picado é outra coisa que faz a festa do pessoal. O problema disso é o desperdício e a poluição que gera, sujando ruas, córregos e entupindo bueiros. Uma alternativa bem bacana é utilizar folhas de árvore picadas, que, por serem naturais, não poluem e se degradam rapidamente. Mas não vai sair por aí arrancando folhas das árvores, coitadas; aproveite as que já estão no chão.

Lixo zero 
excesso de lixo nas ruas é um grande problema da festa. São copos plásticos, papéis picados, embalagens e tantos outros. Para evitar isso, tenha o seu próprio copo, que pode ficar junto ao corpo com uso de um tirante. Existem opções de plástico resistente, de metal e de silicone, inclusive retráteis. Para comer, use guardanapos de pano. Se puder e quiser, também vale levar uma bolsinha a tiracolo com um par de talheres pequenos. 

Copo retrátil e guardanapo de pano
Copo retrátil e guardanapo de pano.
Reutilize e guarde 
Por fim, se você já tem acessórios e fantasias de outros carnavais, reutilize-os! Você pode customizar a roupa, fazendo algo novo a partir de algo usado. Além de economizar dinheiro, você não vai gerar uma demanda por produtos novos no mercado, o que diminui a pressão por extração de bens naturais. Se você tem um grupo de amigos que curte a festa todos os anos, vocês podem trocar fantasias ou até se reunir para customizá-las. Depois da folia, tudo que puder ser reaproveitado, guarde para o próximo ano.

Agora, é só colocar essas dicas em prática e aproveitar seu Carnaval de forma consciente e sustentável! 

Um ecobeijo e até breve!
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Amizade salva animais de abandono e maus-tratos em Kitbull, curta da Pixar [Resenha]

Por Letícia Maria Klein •
11 fevereiro 2020
Que. Coisa. Mais. LINDA!

Gatinho e pitbull brincando em Kitbull
Gatinho e pitbull brincando em Kitbull
"Kitbull" concorreu ao Oscar deste ano na categoria de Melhor Curta-Metragem de Animação (que premiou "Hair Love", muito bom também). Foi dirigido por Rosana Sullivan e produzido por Kathryn Hendrickson, nos estúdios da Pixar. Antes, porém, de conversarmos sobre esse curta de somente oito minutos, assista à história aqui embaixo.


Além da amizade como tema central (o nome do curta é uma união de kitten, filhote de gato em inglês, com pitbull), o filme traz ganchos para várias questões importantes na sociedade em relação aos animais, especialmente domésticos: abandono, maus-tratos, brigas entre indivíduos (em clubes de apostas/rinhas) e adoção.

O abandono de animais é um problema sério de falta de respeito e cuidado pelo bichinho, além de ser questão de saúde pública, pois gatos e cachorros se reproduzem rapidamente, acabam de alimentando do que encontram no lixo e podem ser transmissores de doenças. É um caso que precisa ser solucionado a partir de duas frentes: educação formal (na escola) e informal (para toda a população) e penalidades para infratores. O mesmo vale para pessoas que levam seus animais para “competições”, como a rinha de galo, valendo dinheiro.

O pitubll da animação provavelmente é um desses animais forçados a brigar com outro para que o ser humano lucre. Além de ser um ato brutal em si, o cachorro é deixado sofrendo ao relento e fica preso por uma corrente que mal o permite correr, o que configura maus-tratos. Já o gatinho é vítima do abandono, se não direto, indireto, por meio da mãe abandonada (ou outras e outros antes dela).

É bem comum que curtas de animação tenham animais como representação de seres humanos. É como uma versão em filme das famosas fábulas, que apresentam uma lição de moral por meio de personagens animais. Sendo assim, o cão e o gatinho simbolizam uma questão social e moral que nasceu com a humanidade: a tolerância e o respeito pelo diferente, que podem levar a laços afetivos mais fortes.

Apesar das suas diferenças aparentes, os dois bichinhos do filme conseguem desenvolver a amizade a partir de uma situação em que precisam se ajudar para escapar do perigo. O gatinho, a princípio, teve medo e agrediu o cachorro para se defender, mas depois que percebeu a boa intenção e a dor do outro, viu que podia ajudar e se aproximou.

Gatinho com medo do pitbull em Kitbull
Gatinho com medo do pitbull em Kitbull
O instinto da legítima defesa diante de uma ameaça é tanto animal quanto humano. Mas será que, enquanto seres racionais que somos, não podemos começar a desenvolver um instinto primário de atenção e aproximação? Podemos encarar “Kitbull” como um convite a respeitar, admirar e cultivar a beleza da diversidade (expressa também no casal de etnias diferentes). Mas, antes disso, é um convite para prestar atenção no outro e ajudá-lo quando ele precisa.

A amizade que surge entre eles é um motivo para os dois seres adotados juntos. A adoção é um ato lindo de amor e abnegação, além de, no caso de adoção de animais, ser uma forma de enfraquecer as fábricas de filhotes, que abusam das fêmeas.

Por meio da amizade e do amor, os personagens conseguiram resolver seus problemas: os animais saíram das situações de miséria, abandono e maus tratos e foram adotados por um casal amoroso, como fica evidente na última cena, a do passeio. Indiretamente, eles contribuíram para diminuir o problema ambiental e de saúde pública de animais abandonados nas ruas, promovendo, assim, o tripé da sustentabilidade. Em ciclos simultâneos e diários de cuidado consigo, com o outro e com o meio é que se constrói um mundo melhor.

Exemplos de cuidado consigo, com o outro e com o meio em Kitbull
Exemplos de cuidado consigo, com o outro e com o meio em Kitbull
Um amor de curta, né? Para ver e rever muitas vezes. Fiquei emocionada quando assisti. Você também? Comente aqui o que achou da animação.

Um ecobeijo e até breve!
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Oscar 2020: indicados que são engajados em causas ambientais

Por Letícia Maria Klein •
04 fevereiro 2020
No próximo domingo, prepare a pipoca para a maior cerimônia da indústria do cinema: a 92ª edição do Oscar. Eu amo ver filmes e acompanho desde pequena, tanto as produções quanto a premiação. O que eu gosto muito de ver nessas cerimônias é quando os ganhadores mencionam nos seus discursos as causas em que são ativistas, especialmente ambientais. Desta vez, as chances de isso acontecer são grandes, pois tem alguns atores e atrizes indicados que são engajados em sustentabilidade e preservação ambiental. E o Oscar nessa categoria vai para...

Leonardo DiCaprio
DiCpario, que está concorrendo como Melhor Ator por “Era uma vez em... Hollywood”, é um dos atores mais engajados em causas ambientais, especialmente relacionadas às mudanças climáticas. O perfil do ator no Instagram, em que ele se descreve como ator e ativista (lindo!), é todo voltado para questões socioambientais. Ele é investidor de empresas e empreendimentos sustentáveis, falou como Mensageiro da Paz para o Clima na Cúpula do Clima de 2014 e já participou de marchas pelo clima em Nova York.

Leonardo DiCaprio e Greta Thunberg
Leonardo DiCaprio e Greta Thunberg. Fonte: Instagram do ator
Em 1998, ele fundou a Leonardo DiCaprio Foundation, que busca proteger lugares selvagens e espécies ameaçadas de extinção. A fundação tem seis programas: Conservação de Áreas Indígenas, Conservação de Oceanos, Mudanças Climáticas, Direitos Indígenas, Califórnia Transformadora e Soluções Inovadoras. Além da fundação, DiCaprio também se envolve em produções temáticas, como “A Última Hora”, um documentário produzido e narrado por ele sobre a crise ambiental, com entrevistas de 50 cientistas, ativistas ambientais e líderes mundiais; e “Seremos História?”, sobre mudanças climáticas, produzido em parceria com a National Geographic.

Em 2016, quando ganhou o Oscar de Melhor Ator por “O Regresso”, DiCaprio usou seu discurso na premiação para falar sobre o aquecimento global: “O filme foi sobre a relação do homem com a natureza, um mundo que teve em 2015 o ano mais quente já registrado. Nossa produção teve que se mudar para a parte mais ao sul do planeta só para achar neve. Precisamos apoiar os líderes do mundo todo que não falam pelos grandes poluidores e grandes corporações, mas que falam por toda a humanidade, pelos povos indígenas do mundo, pelas bilhões e bilhões de pessoas desamparadas que serão as mais afetadas por isso, pelos nossos netos e pelas pessoas que tiveram suas vozes afogadas pela ganância política”.

Joaquin Phoenix
O ator, indicado na categoria de Melhor Ator por “Coringa”, é vegano desde criança. Ele é ativista da causa e sempre que pode se manifesta publicamente em favor dos direitos dos animais. Em seu discurso no Globo de Ouro 2020, em que recebeu o prêmio de Melhor Ator em Filme de Drama, ele elogiou o cardápio da cerimônia, que foi totalmente vegano pela primeira vez em 77 edições. “Eu queria agradecer à Hollywood Foreign Press por reconhecer a ligação entre agropecuária e o aquecimento global, é muito corajoso da parte de vocês fazer [o jantar] desta noite a base de plantas”, disse o ator. 

No começo do ano, Joaquin foi preso ao lado da atriz Jane Fonda durante um protesto sobre mudanças climáticas, organizado por ela para o movimento Fire Drill Friday (algo como “sextas-feiras de simulação de incêndio”). 

Joaquin Phoenix participa de protesto organizado por Jane Fonda - Foto Joshua Roberts-Reuters
Joaquin Phoenix no protesto. Foto: Joshua Roberts-Reuters
Na quinta-feira, 06 de fevereiro de 2020, foi publicado o curta-metragem Guardians of Life, em que Joaquin interpreta um médico na luta para salvar um planeta Terra agonizante. O filme a é o primeiro de uma série de produções de Hollywood que busca inspirar ações de combate às mudanças climáticas. “As pessoas não percebem que ainda há tempo, mas somente se reagirmos agora e fizermos mudanças abrangentes em nosso consumo. Não podemos esperar que os governo resolvam estes problemas por nós", disse Joaquin. Veja o curta aqui embaixo ou no site da Mobilize Earth.



Margot Robbie
A atriz, que concorre ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “ Escândalo”, usou seu perfil no Instagram para chamar a atenção para os incêndios na Austrália que ocorreram no começo do ano, o maior desastre ambiental do país. No vídeo, em que mostra um álbum de família de quando era criança, ela diz: "Normalmente não faço isso, mas queria muito compartilhar uma coisa com vocês. Tenho certeza que todos vocês estão cientes do que está acontecendo na Austrália agora com os incêndios. Não queria mostrar mais fotos tristes e sim compartilhar com vocês o quão lindo nosso país é. Eles precisam de vocês. Doe qualquer coisa que você puder. Por favor". 

Margo Robbie
Margo Robbie em vídeo sobre os incêndios na Austrália. Fonte: Instagram na atriz.

Brad Pitt
Indicado na categoria de Melhor Ator Coadjuvante por “Era uma vez em... Hollywood”, o ator sempre aparece na lista de famosos que são vegetarianos. Ele até já declarou que não gosta de ver os filhos comendo carne. A dieta vegetariana é considerada uma alimentação sustentável (além de deliciosa, criativa, leve, colorida), pois a pecuária tem grandes impactos ambientais, de desmatamento a mudanças climáticas. 

Brad Pitt
Brad Pitt no Golden Globe 2020. Fonte: Vista-se.

Tom Hanks
Concorrendo na categoria de Melhor Ator Coadjuvante por “Um lindo dia na vizinhança”, o ator é um entusiasta de carros elétricos. E de causas sociais. Em dezembro do ano passado, ele comprou e mandou reformar um Syrena 105, que colocou à disposição de um leilão para arrecadar fundos a um hospital infantil na Polônia. 

Tom Hanks
Tom Hanks. Fonte: Observatório do Cinema.

Honeyland
Queeem???
Na verdade, não é uma pessoa, mas um longa indicado a Melhor Documentário e Melhor Filme em Língua Estrangeira. É uma produção da Macedônia, dirigida por Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov, que filmaram ao longo de três anos. A história acompanha Hatidze Muratova, uma apicultora que vive com sua mãe idosa numa comunidade isolada nas montanhas da Macedônia e que vê sua vida mudar quando uma família de nômades chega e começa a influenciar o seu cotidiano. 

Não vi o filme, mas pelos comentários parece ser muito bom, abordando a relação entre seres humanos e a natureza (uma dualidade completamente falsa, pois não existe divisão – ou decerto caímos de paraquedas no planeta? O.o). Como ensina Hatidze, metade do mel fica na colmeia para as abelhas. 

Documentário Honeyland
Documentário Honeyland
Se existisse um Oscar ambiental, já era deles. Agora me conta, tem alguma outra celebridade que você admira por causa do posicionamento dela em relação a alguma causa socioambiental?

Um ecobeijo e até breve!
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