O que você pode fazer com o seu poder?

Por Letícia Maria Klein •
17 setembro 2019
Ontem na aula de tango, apareceu um novo casal. Ela com 20 anos, ele, 22. Quando eu perguntei o que os tinha levado até ali, ele me respondeu que foi a apresentação que eu fiz com meu professor no festival da escola, no último fim de semana. Em dois minutos, nós conseguimos transmitir emoção e contagiar um jovem casal de namorados com a magia da dança. Só posso dizer que eu ganhei a noite com aquele depoimento.

Me peguei refletindo novamente sobre a grande responsabilidade que eu tenho, enquanto pessoa e cidadã, de, no mínimo, me tornar uma pessoa melhor. Meu jeito de ser; meu estilo de vida; meus pensamentos, palavras e ações extrapolam o limite físico do meu corpo e impactam outras pessoas, outros seres vivos e o ambiente que eu ocupo neste planeta (ou até onde eu alcanço de alguma forma). Eu tenho uma grande responsabilidade. Tenho consciência disso. Isso é poderoso, potente. Assustador. O que eu faço com isso? O que eu posso fazer com isso?

O que você pode fazer? O poder do exemplo é transformador. Quem você é e o que você faz reverbera no mundo como uma onda, transformando tudo no caminho. Depois ela volta para você. Que tipo de onda você quer sentir? Por quais ondas você quer ser atravessado, coberto, arrebatado? Não precisa ser nada grande nem longo. “Em um momento se vive uma vida”, como diz Al Pacino no filme “ Perfume de mulher”. Em dois minutos, eu fiz diferença na vida de duas pessoas por pelo menos uma noite em que eles dispuseram de seu tempo para fazer aula. 


Quando se diz para aproveitarmos cada momento, não é mera frase de efeito. É porque um instante tem poder. Esse poder é seu. É verdadeiro dizer que o que importa é a qualidade, não a quantidade, porque é a intensidade que faz diferença. Pense em você mesmo, na sua vida. Como as mudanças aconteceram? O que te levou a ser diferente hoje do que ontem? O que te inspirou a mudar um pensamento, uma ação, uma forma de falar? A mudança mais importante é a íntima, acontece dentro de cada um. A partir daí, a onda emana e você não tem mais controle. A única coisa que você controla é o tipo e a qualidade da onda. O que ela faz no caminho é consequência do seu poder.

Acredite no seu potencial, aceite a sua responsabilidade e use o seu poder da melhor forma. Seja um exemplo vivo e intenso de tudo que você acredita. Nas pequenas coisas, nas coisas do dia a dia. Nas suas tarefas em casa, no trabalho, na sua relação com as pessoas, consigo mesmo e com o meio. Um ano é uma sucessão de dias, com muitas horas, muito mais minutos e ainda mais segundos. Instantes com potencial de transformação. A sua própria, a do outro, a do planeta. Bilhões de transformações pequenas, íntimas, pessoais, ao alcance da mão, a todo instante. Viemos ao mundo com nossas próprias missões, tarefas, planejamentos... Independentemente do que sejam, que possamos simplesmente fazer o nosso melhor e ser melhor em cada dia, prestando atenção nas ondas.

Um ecobeijo e até breve.
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O que fazer com roupas velhas ou que não servem? Use a Caixa Solidária!

Por Letícia Maria Klein •
03 setembro 2019
Mateus Rossi decidiu resolver um problema social e ambiental ao mesmo tempo. Em viagem à Itália há mais de seis anos, ele se deparou com um equipamento, numa esquina, onde as pessoas podiam depositar roupas para doação e reciclagem. Ele ficou interessado e foi pesquisar mais sobre o assunto. Aquela caixa era uma iniciativa da Caritas Itália, onde ele acabou indo trabalhar como voluntário para entender o processo de coleta, triagem e destinação das doações. Depois de viajar para outros países e conhecer outros projetos parecidos, em 2015 ele trouxe a ideia para o Brasil, começando na cidade dele, Criciúma.

Hoje, a Caixa Solidária está em 22 cidades catarinenses com 72 equipamentos. Dois deles estão em Blumenau até a metade de setembro. É um teste para avaliar a futura construção de uma central aqui na cidade (Joinville, Itajaí, São José e Florianópolis também receberam caixas para teste). Conversei com o Mateus sobre o projeto e ele disse que o teste está sendo positivo aqui em Blumenau; as pessoas aderiram mesmo e o volume de doações é grande. 

Além de roupas e calçados, também podem ser doados cobertores, brinquedos, fraldas, produtos de higiene pessoal e alimentos não perecíveis. Agora... sabe aquelas roupas velhas, rasgadas, que nem para pano de chão dá mais? Pode colocar também! Cerca de 50% dos itens doados não têm condições de reutilização, então são encaminhados para indústrias de reciclagem de fibras têxteis naturais e sintéticas em São Paulo. 

Caixa Solidária no Giassi
Caixa Solidária no Giassi
Depois de passar pela triagem, as roupas em bom estado são enviadas a instituições assistenciais, à defesa civil e a famílias cadastradas no sistema social do município, conforme a necessidade. Uma parte das roupas é revendida no bazar solidário, e o valor adquirido é enviado às instituições beneficiadas para que possam comprar o que precisam, sejam materiais escolares, de manutenção e construção, alimentos etc. 

Para a região sul do estado, onde o projeto nasceu, a meta é colocar mais 70 caixas até outubro e outras 70 até dezembro. Para 2020, estão previstas 280 caixas na região de Florianópolis. A última etapa é chegar ao norte do estado em 2021, totalizando mil caixas em Santa Catarina. A não ser que haja investimentos e parcerias da indústria privada antes disso. (Alguém da indústria têxtil lendo isso aqui? Olha a oportunidade!)

Hoje, o negócio social coleta 20 toneladas de roupas por mês no sul de SC, mas tem capacidade para atender todos os 45 municípios daquela região, que geram muito mais resíduos têxteis do que isso. Só em Criciúma, são 280 toneladas de roupas descartadas todos os meses, o que responde por 6,7% do lixo gerado na cidade. Em Florianópolis, são 700 toneladas por mês, pouco menos de 5%. Aliás, essa é a média brasileira: 5% dos resíduos sólidos produzidos por uma pessoa são peças de vestuário.

Os resíduos têxteis viajam pela cidade, como diz Mateus, e o descarte acaba sendo maior nas periferias. Devido a campanhas de agasalho, algumas cidades recebem um excedente de donativos, o que aumenta o descarte. Na serra catarinense, tem cidades em que as roupas representam 17% do lixo!

Campanha da Caixa Solidária
Campanha da Caixa Solidária. É só depositar a sacola de roupas no
espaço indicado e levantar a alavanca, que é o quadrado vermelho.
Para conseguir atender toda a população, Mateus prevê que haja uma Caixa Solidária para cada cinco mil pessoas no estado. Esse é um número bom. Em Roma, há 1.800 equipamentos, sendo um para cada 1.200 pessoas! Os projetos Planet Aid e USAgain tem 19 mil e 14 mil caixas espalhadas pelos Estados Unidos, respectivamente (lá, a indústria da reciclagem têxtil é bem desenvolvida, pois as fibras são reutilizadas como isolamento térmico em paredes). Para que todos tenham acesso ao projeto, os equipamentos ficam em supermercados ou locais públicos (mediante autorização da prefeitura). 

De dezembro de 2015, quando a ideia foi implantada, até o fim de 2018, mais de 50 mil pessoas foram beneficiadas diretamente com mais de 100 toneladas de donativos. O bazar vendeu mais de 40 mil itens, e cerca de 35 toneladas de tecidos foram encaminhadas para reciclagem têxtil. Além disso, a reutilização e a reciclagem significaram uma redução na emissão de 360 toneladas de gás carbônico, economia de 600 milhões de litros de água e a não utilização de 30 toneladas de fertilizantes e 20 toneladas de pesticidas. 

Mateus quer que todos os estados brasileiros tenham Caixas Solidárias. Cidades no RS, PR, SP, além de Salvador e Brasília já entraram em contato. “A demanda existe. Agora estamos montando uma forma de investimento para financiar a implantação do projeto”. Para buscar mais conhecimento e tecnologia, Mateus viajará para Portugal ainda neste ano para conhecer uma empresa que opera no país inteiro, com mais de três mil caixas, em um processo industrial. Só de triagem, são 35 toneladas por dia. 

Além de expandir gradativamente o alcance da Caixa Solidária, a Eco Group, que é a empresa do Mateus responsável pela gestão dos equipamentos, já tem um segundo projeto engatilhado: a Eco Box, uma caixa específica para resíduos sólidos, que deve ser disponibilizada para condomínios. Os estudos já começaram. 

Campanha da Caixa Solidária
Campanha da Caixa Solidária. Mateus disse que as doações aumentaram 50% depois da campanha
Se você não tem acesso a esse projeto, pode tentar contatar empresas de reciclagem têxtil, iniciativas de reutilização de roupas para confecção de peças novas ou mesmo reutilizar as suas peças em casa. Algumas ideias são usar camisetas velhas como panos de chão ou transformá-las em sacolas; estofar almofadas com roupas de baixo e meias rasgadas ou customizar peças. 

Eventualmente, porém, você precisará descartar tecidos. Vá guardando numa caixinha na sua casa até conseguir contato com alguma empresa de reciclagem para enviar a remessa ou esperar que a Caixa Solidária ou outro projeto semelhante chegue até a sua região. Ou você pode abrir o seu próprio negócio de upcycle ou reciclagem de roupas. De qualquer forma, o ideal é garantir que as peças sejam reutilizadas, doadas e recicladas, assim a gente fecha o ciclo da indústria têxtil e nenhum item vai parar no aterro sanitário nem no lixão nem no rio nem em qualquer outro lugar onde não deveria. 

Aiai, fiquei até emocionada... Tem um lencinho? De pano, né, o negócio aqui é lixo zero. 

Um ecobeijo e até breve. 

ATUALIZADO EM 05/07/2023: a caixa solidária voltou a Blumenau neste ano, no mercado Giassi, e vai ficar permanentemente, conforme informação do Mateus para o blog.
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Como seus hábitos de consumo impactam a Amazônia

Por Letícia Maria Klein •
27 agosto 2019
Tem se falado muito da Amazônia ultimamente por causa dos incêndios, que estão mais frequentes e intensos. Teve até o “dia do fogo” neste mês de agosto, organizado por produtores para “mostrar trabalho” ao presidente da república. A principal causa dos incêndios é o desmatamento da floresta para fazer pastagens para gado. As árvores são queimadas para criar fazendas e o fogo foge do controle, invadindo a floresta em pé.

Como as árvores mantêm a umidade do ar, a falta delas deixa o ambiente mais seco. Aliado à atual estação de seca na Amazônia, é muito calor junto, criando as condições perfeitas para que os incêndios se alastrem. Como não dá para ir lá apagar o fogo diretamente, podemos agir de outras formas para combater o desmatamento ilegal. Tem tudo a ver com seus hábitos de consumo, especialmente alimentares.

Bateu a fome? Melhor que seja de salada. Não, estou brincando, não é só de salada que vive o vegetariano. Aliás, se tem uma coisa chata é quando eu pergunto o que vai ter para comer e a pessoa responde salada. ­­¬¬

“Mas o que você come?”, perguntam. Então, vamos lá. A dieta vegetariana tem vegetais, legumes, frutas, grãos, cereais, farinhas, massas, leites vegetais, chocolate sem leite e muito mais em centenas de receitas doces e salgadas que resultam da combinação de todos esses ingredientes que não vêm de animais. Na verdade, só não tem carne e derivados.

Almoço vegano no restaurante Permita Ser
Almoço vegano no restaurante Permita Ser, em Blumenau:
pizza vegana com espinafre da horta e queijo vegetal,
salada da horta (orgânica) e polenta com cogumelos e molho de tomate
Mas o que o seu consumo de carne tem a ver com a Amazônia? 

A pecuária é a principal responsável pelo desmatamento lá, respondendo por até 80%. Se você diminuir a quantidade de carne que come, já ajuda muito. Vá no seu ritmo. Comece com uma refeição por semana, depois um dia sem carne e assim por diante. Neste processo, aproveite para tentar deixar seu prato mais sustentável mesmo com a carne, procurando por fontes locais e orgânicas, de produtores da região. Com o tempo, você vai incluindo outros alimentos para fazer uma dieta balanceada e garantir o estoque de proteína. “Ah, para isso tem a soja, né?”. A-há, pegadinha!

Muito cuidado nessa hora. Além de não fazer bem na forma não fermentada, segundo algumas pesquisas, a soja é a principal cultura agrícola do Brasil, sendo utilizada para alimentar o gado e também pessoas, tanto aqui quanto em outros países. Junto com a pecuária, está na lista de fatores para o desmatamento na Amazônia. Então, temos que cuidar com o consumo de soja: não exagerar e procurar versões orgânicas no mercado, além de tentar saber de onde ela veio.

Além da alimentação, o que também afeta a floresta é o consumo de artigos eletroeletrônicos, joias e semijoias, produtos cosméticos e outros objetos que levam minérios na sua estrutura ou composição. Nós, enquanto sociedade, usamos muito os metais. Só que a mineração é responsável por 9% do desmatamento na região Norte do país.

O que você pode fazer em relação a isso?

Como todos nós somos consumidores de fato e em potencial, a melhor atitude nesse sentido é ser um consumidor consciente. Em vez de comprar novo na loja, você pode adquirir itens usados, pegar emprestado ou alugar. Dessa forma, você aumenta a vida útil do que já está no mercado, o que diminui a pressão por extração de mais minérios para fabricar produtos. Neste post sobre como reduzir o consumo de coisas novas, eu falei mais do assunto.

O foco aqui foi a Amazônia, mas as nossas atividades diárias e hábitos de consumo têm relação com todas as florestas. Quando falamos de consumo de papel e móveis, por exemplo, estamos ligados diretamente à Mata Atlântica, bioma onde mora 70% da população brasileira.

Já não te disse que está tudo conectado? É muito lindo isso. E poderoso.

Um ecobeijo e até breve.
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Dicas para reutilizar água em casa

Por Letícia Maria Klein •
20 agosto 2019
Esta aqui é para começar hoje mesmo. Ou melhor, estas aqui: dicas super práticas de como reutilizar água na sua casa antes de jogá-la pelo ralo. É para economizar dinheiro na fatura, poupar esse bem natural que é SIM-PLES-MEN-TE-FUN-DA-MEN-TAL à vida e dar mais uns passos na sua jornada sustentável.

Dicas para reutilizar água em casa


1. Quando for tomar banho, coloque um balde embaixo do chuveiro para captar o primeiro jato de água fria (existem até caixas coletoras específicas no mercado); quando a água esquentar, deixe o balde no canto e reutilize depois para:


  • Dar descarga no vaso sanitário;
  • Regar suas plantas;
  • Lavar roupas que precisam ser lavadas à mão no balde;
  • Limpar a casa, superfícies, janelas.
  • Lavar carro, moto, bicicleta, patinete.
  • Dar em si mesmo uma ducha de água fria, porque dizem que faz bem. (brincadeirinhaaa... ou não).

2. Enquanto estiver enxaguando a louça, deixe na cuba as embalagens plásticas e metálicas que você vai separar para a reciclagem, assim elas já vão sendo limpas com a água do enxágue. Depois, é só tirar a água, talvez passar uma esponja, se necessário, e deixar secar. Essa prática é importante se você deixa os resíduos durante alguns dias em casa antes de descartar, para não dar cheiro nem atrair insetos.

3. Sabe aqueles cubos de gelo no congelador que estão velhos demais para gelar sua bebida? Deixe-os derretendo dentro de um copo ou pote e reutilize essa água para alguma das finalidades acima.

4. A água que sobra no vasinho de planta pode ser recolocada na própria planta.

5. Se você mora em casa ou tem como “fazer um arranjo” na sacada, deixe baldes para coletar água da chuva e também reutilizar de alguma das formas acima.

Já acabou. Viu que prático? Rápido, fácil e indolor. Se você tem alguma outra dica para reutilizar água em casa, deixe aqui nos comentários.

Um ecobeijo e até breve.
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O que levar em consideração quando comprar roupas

Por Letícia Maria Klein •
06 agosto 2019
Não dá para sair pelado por aí (a não ser que você esteja numa praia de nudismo, claro). Entre a necessidade de usar roupas e os impactos negativos da indústria da moda, que é a segunda mais poluente do mundo, existe sustentabilidade, sim! Quando comprar roupas, calçados, acessórios ou peças de cama, mesa e banho, sejam usados ou novos, tem seis questões para você levar em consideração e, assim, ter um consumo de moda de consciência limpa. Porque quando o assunto é ser sustentável, a gente veste a camisa!

Não podia perder o trocadilho...

Natural aqui, por favor
Os tecidos são feitos com três tipos de fibras: naturais, artificiais ou sintéticas. As naturais vêm de plantas ou animais, como algodão, linho, cânhamo, lã, seda. As artificiais, como viscose, modal, liocel e acetato, são produzidas a partir da celulose com processos químicos e físicos. As sintéticas, como poliéster, polipropileno, náilon, acrílico e elastano, têm origem no petróleo, um bem não renovável, sendo, na verdade, plástico. Vá, lá, te dou um tempinho para responder qual é pior...

Apesar de todas terem vantagens e desvantagens, de forma geral, desde a origem até o fim do ciclo, as peças de fibras sintéticas pesam mais para o lado negro da força. Um dos problemas são os microplásticos que elas soltam todas as vezes em que são lavadas. Um relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) diz que de 15% a 31% dos plásticos nos oceanos são microplásticos primários, sendo que 35% (a maior fatia) vêm da lavagem de roupas. Por isso que couro sintético não é ecológico! Ele dura pouco e solta pedacinhos plásticos com o tempo. Por essa você não esperava, não é?

Etiquetas de roupas que tenho: uma 100% algodão, feita no Brasil;  a outra, 95% poliéster, feita na China (que eu comprei num brechó)
Etiquetas de roupas que tenho: uma 100% algodão, feita no Brasil;
a outra, 95% poliéster, feita na China (que eu comprei num brechó)
Escravidão é coisa do passado

Mas tem empresas que pararam no tempo. Segundo o relatório Global Slavery Index, da Walk Free Foundation, mais de 40 milhões de pessoas, sendo 71% mulheres, trabalham em regime de escravidão no mundo, de forma forçada, em ambientes insalubres, com carga horária excessiva e salários ridículos. A indústria da moda é a segunda com mais trabalhadores nessas condições. Os documentários China Blue e True Cost mostram um pouco isso. Para te ajudar a comprar de empresas sem mão de obra escrava, existe o aplicativo Moda Livre, que avalia ações de empresas nacionais para evitar o trabalho escravo na produção de roupas.

Olha a responsa!
Para se manter no mercado, não basta mais só ter um produto ou serviço que vende. Quanto melhor estiverem seus colaboradores e menos impactos negativos a empresa gerar, mais responsável ela é, e isso atrai mais clientes, consumidores conscientes como você. Os conceitos de Responsabilidade Social Corporativa (RSC), Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e Responsabilidade Social Ambiental (RSA) dizem respeito a práticas, adotadas de forma voluntária pela empresa, que trazem benefícios para os públicos interno e externo, incluindo o meio ambiente. Para saber se a empresa da qual você compra é responsável, acompanhe os relatórios de responsabilidade divulgados anualmente e entre em contato para exigir respostas.

Daqui mesmo
Quanto mais local, melhor. Mão-de-obra local, geração de renda local, matérias-primas locais, distribuição mais rápida, tudo isso gerando menos gases de efeito estufa para o produto chegar até você. “Indústria nacional” ou “Feito no Brasil” é sempre melhor de encontrar na etiqueta do que “Feito na China” ou sabe-se lá onde. Economias de baixo carbono, que são a tendência do século, devem garantir o maior suprimento possível de bens e serviços em curtas distâncias.

Dura uma vida
Qualidade, qualidade, qualidade. Já falei qualidade? Quanto melhor for a qualidade do material e da mão de obra, mais tempo a sua peça vai durar. São só benefícios: mais dinheirinho na sua conta bancária, porque você vai comprar com menos frequência; economia de água, energia, tintas e matérias-primas pelas empresas, porque a eficiência é maior; menos lixo no nosso planeta, porque o descarte é menor; uso consciente dos bens naturais do nosso planeta, porque dura mais. Mais amor pelo nosso planeta, porque sim!

Oi, de novo!
A Terra é redonda e gira, então as coisas precisam circular. Não dá para manter uma economia linear, que descarta seus produtos, num planeta que não cresce de tamanho e tem bens naturais finitos. Duas soluções da economia circular são reutilizar e reciclar materiais (outras soluções para suas roupas velhas estão nesta matéria que fiz para o Conexão Planeta). Empresas como Re-roupa, Insecta shoes e Caíques reaproveitam retalhos e resíduos de outras indústrias para produzir roupas e sapatos de qualidade, aumentando a vida útil de materiais que já foram produzidos e ainda podem ser usados por muito tempo. Comprar de empresas que tem esse perfil contribui para a sustentabilidade da indústria da moda.

Um ecobeijo e até breve.
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29 dicas para não sobrecarregar a Terra

Por Letícia Maria Klein •
30 julho 2019
A segunda-feira de 29 de julho marcou o Dia da Sobrecarga da Terra em 2019. É uma data simbólica, que vem chegando mais cedo a cada ano, para marcar o esgotamento dos bens naturais do planeta. É como se já tivéssemos acabado com todo o estoque de água limpa, terra, ar puro e matérias-primas para este ano. A conta entrou no vermelho a partir de agora, meu bem! A informação é calculada pela ONG Global Footprint Network desde 1986. O que a gente faz com isso? Se mexe para aliviar o peso, oras! Combinando com a data, tem 29 dicas abaixo para você ser parte da solução, e não do problema:

1. Faça compostagem em casa. Já reduz pela metade a sua produção de lixo por dia. Ops, lixo não, resíduos sólidos!

2. “Compre batom, compre batom”. Lembra a propaganda? Pois saia da hipnose e faça o contrário. Pense antes de comprar qualquer coisa. Lembre-se desta também: útil nem sempre é necessário.

3. Saia com um kit lixo zero. Garfo, faca, colher, canudo reutilizável (inox, vidro, bambu), guardanapo de pano e garrafinha ou copo retrátil. Descartável, não, né, faça-me o favor!

Kit lixo zero com talheres, canudo de vidro e xícara
Kit lixo zero com talheres, canudo de vidro e xícara
4. Usado, em bom estado, passa já pro meu lado! Comprar coisas usadas em brechós, sebos, grupos em redes sociais diminui bastante a demanda para produzir coisas novas que vão esgotando os bens da nossa Terrinha.

5. Também ajuda se pegar emprestado ou alugar.

6. Apague a luz de ambientes vazios; feche a torneira para escovar os dentes, se barbear, se ensaboar, passar shampoo, enxaguar (opa, esse não); separe os resíduos recicláveis para a reciclagem. Tudo numa dica só porque é de praxe, né?

7. Plante uma árvore. Duas, três... Muitas! As árvores são maravilhosas, embelezam, dão sombra, alimento e casa para várias espécies, regulam a temperatura, purificam o ar e são maravilhosas, porque repetir nunca é demais.

8. Aproveite todos os alimentos que você compra, não jogue nada fora. Ah, é verdade, não existe fora! Então, só para gravar, não desperdice comida.

9. Faça seus próprios produtos de limpeza. Dá para fazer pasta de dente, sabão líquido para lavar roupa e louça, multiuso. Natural, sem químicos nocivos e mais barato. Ó, que amor! 

10. Prefira roupas de algodão. Na hora de lavar, elas não soltam micropartículas de plástico como as roupas sintéticas, de poliéster, poliamida ou outros plásticos derivados do petróleo.

11. Faça um diagnóstico dos seus resíduos. Por uma semana, separe o que você produz e acumule num cantinho da sua casa. Uhh, isso vai causar uma revolução!

12. Adeus, sacola plástica! Leve sempre consigo uma sacola reutilizável, de pano ou outro material para guardar as compras. “Ah, mas o que eu vou usar como saquinho de lixo?”
Sacos de papel para o banheiro.
As próprias embalagens plásticos de outros produtos para a coleta seletiva.

13. Mulher, outro descartável para abandonar é o absorvente. Se ainda não conhece, deixe-se encantar e apaixonar pelo coletor menstrual! 

Coletor menstrual de silicone
Coletor menstrual de silicone
14. Peça sem canudo. Peça sem embalagem. Mande um e-mail ou faça uma ligação para aquela empresa que poderia melhorar. Peça sem sacola. Quando a gente se manifesta, mudanças acontecem.

15. Eficiência energética é tudo hoje. Escolha sempre lâmpadas de LED e aparelhos com selo de eficiência A. O investimento inicial maior compensa na conta de energia menor e na redução de gases de efeito estufa.

16. Falando nisso, leve as lâmpadas de volta ao vendedor (tem supermercado que coleta também) ou contate uma empresa que recolha esses resíduos para destiná-los corretamente. O mesmo vale para eletroeletrônicos, óleo de cozinha usado, pilhas, baterias e medicamentos.

17. Já tomou sua dose de veneno hoje? Tem centenas, pode escolher. Só que não. Vamos todos nos fazer um grande favor? Seja na feira de produtores certificados, na seção especial do mercado ou horta em casa: orgânico, sem agrotóxico.

18. Vamos falar de horta? É fácil, não precisa de muito espaço e é muito legal fazer comida com o que você mesmo planta.

19. É hora de morfar! Pegue suas coisas velhas e transforme em novas. Sabe aquelas meias e roupas de baixo que estão furadas, não dá para doar e você não acha ninguém que recicla? Podem virar recheio de almofada.

20. Vai uma saladinha feliz? Quem nunca comeu uma carinha sorridente de cenoura, tomate e alface? A produção intensiva de animais para consumo humano causa um baita impacto negativo no planeta e maltrata os bichinhos. Então, deixa eles serem felizes lá enquanto você fica feliz com todos os vegetais, grãos, frutas, farinhas e milhares de outros ingredientes vegetarianos.

21. O verde relaxa e dá sensação de bem-estar. Passear no parque, cultivar plantas em casa e visitar unidades de conservação são atividades que nos aproximam da natureza e ajudam a despertar nossa consciência. 

Bambu da sorte
Bambu da sorte
22. Deixa eu te contar o babado: caixão não tem cofre. Ah, sério? Sim, pois é! Ou seja, deixe o acúmulo compulsivo para o programa de TV e doe o que você não precisa ou que não serve mais. Você também pode vender, contribuindo para a economia colaborativa.

23. Prepare-se, pode ser um choque. Couro sintético não é ecológico! É feito de petróleo e com o tempo (bem curto, na verdade), vai soltando os pedacinhos de plástico por aí. Prefira outros materiais duráveis, com origem sustentável e ou passíveis de reaproveitamento.

24. A mobilidade urbana na sua cidade é boa? Ou está mais para imobilidade? Andar a pé, de ônibus, metrô, trem, patinete, skate, bicicleta é mais barato, não polui ou polui menos do que o carro e muito provavelmente vai te levar mais rápido ao seu destino.

25. Quem gosta de filme aí, levanta a mão! Documentários (e livros também) são uma ótima fonte de informação para quem busca se melhorar e melhorar o planeta. Aqui no blog tem várias sugestões.

26. Não importa o tamanho da ação, e sim a qualidade e a frequência. A prática constante se torna hábito e o hábito faz de você um exemplo. Comece, continue, amplie e fique firme. Deixe as pessoas olharem torto mesmo. Quem vai ficar com problema de torcicolo são elas.

27. Seja cliente de marcas que têm responsabilidade socioambiental e que estão engajadas na busca por tecnologias, processos e produtos melhores e mais sustentáveis. Para saber, entre em contato com a empresa e peça respostas.

28. Cuide de si mesmo. Como se diz, não é egoísmo, é necessidade. A gente só cuida bem do próximo e do ambiente quando cuida bem de si mesmo também. Ou você tem vontade de fazer alguma coisa quando a gripe domina?

29. Voluntarie-se! Se você já faz trabalho voluntário, me entende bem. Se não faz, hora de agilizar aí. Ajudar o próximo, seja pessoa, animal ou ambiente, nos torna melhores, melhora a sociedade e, por consequência, o planeta!

Um ecobeijo e até breve.
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