De 8 para 17: conheça os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 2030

Por Letícia Maria Klein •
03 outubro 2015

No ano 2000, 189 países membros da Organização das Nações Unidas estabeleceram 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para serem cumpridos até 2015, este ano. Grande parte das metas dos objetivos foi alcançada e algumas não. Pensando nisso, a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável no Rio de Janeiro em 2012, já tinha o fim dos ODM em pauta e a implantação dos ODS, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que abriam espaço para um novo acordo de cooperação mundial em busca da sustentabilidade. Os 8 ODM viraram 17 ODS, com 169 metas para garantir qualidade social, ambiental e econômica até 2030



O anúncio oficial dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável foi feito durante a Cúpula sobre o Desenvolvimento Sustentável, na sede das Nações Unidas, em Nova York, nos dias 25, 26 e 27 de setembro deste ano. Antes, os oito ODM contemplavam a erradicação da fome e da miséria, educação básica de qualidade para todos, igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres, redução da mortalidade infantil, melhora da saúde das gestantes, combate à Aids, à malária e outras doenças; garantia da qualidade de vida e respeito ao meio ambiente e estabelecimento de parcerias para o desenvolvimento.

Diferentemente dos ODM, que era destinado apenas a países em desenvolvimento, os novos objetivos englobam os países desenvolvidos. Outro avanço da Agenda 2030, como está sendo chamado o documento que reúne todos os ODS, é o espaço de destaque dado às questões ambientais e a transversalidade de temas, que englobam vários objetivos e suas metas. Como bem disse Kitty van der Heijden, do World Resources Institute (WRI), nesta entrevista

“A lição que aprendemos dos ODM é que não podemos fazer mudanças sustentadas se trabalharmos em setores separados. É a interconexão entre os três pilares que expressa a grande transformação dos ODS”. 

Nós vivemos num sistema e é só através da visão sistêmica que entendemos o significado e a importância de cada ponto da teia da vida. A sustentabilidade é baseada em três pilares não à toa. Apenas o equilíbrio entre as dimensões ambiental, social e econômica é que vai garantir o mundo que queremos para nós e nossos descendentes. 


Tripé da sustentabilidade e os problemas de 
considerar apenas duas das três dimensões

Parece que os países estão finalmente entendendo isto e todos os 193 Estados membros da ONU adotaram a nova Agenda de Desenvolvimento Sustentável. Agora, cada país terá que elaborar seu próprio plano nacional de ODS com o objetivo de cumprir as metas previstas na agenda.

Abaixo estão cada um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e algumas metas de cada um. Para conhecer todos os objetivos na íntegra, é só clicar na palavra "objetivo". O texto integral da Agenda 2030 em português pode ser lido aqui. Também vale uma visita ao canal da ONU Brasil no Youtube, que está cheio de vídeos sobre a Cúpula e os ODS.

Objetivo 1: Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.

A pobreza extrema é medida hoje como pessoas que vivem com menos de US$ 1,25 por dia. Este objetivo tem metas de acabar com esta condição; reduzir a quantidade de pessoas vivendo na pobreza; implementar medidas e sistemas de proteção social; garantir direitos iguais das pessoas aos recursos econômicos, serviços básicos, recursos naturais, etc; aumentar a resiliência dos pobres e vulneráveis e reduzir sua exposição a eventos extremos; entre outras.

Objetivo 2: Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.

As metas deste objetivo incluem acabar com a fome e garantir o acesso de todos a alimentos seguros, nutritivos e em quantidade suficiente; acabar com a desnutrição; dobrar a produtividade agrícola e a renda dos pequenos produtores de alimentos; garantir sistemas sustentáveis de produção de alimentos e implantar práticas agrícolas sustentáveis; manter a diversidade genética de sementes, plantas cultivadas, animais de criação e domesticados e suas respectivas espécies; aumentar o investimento em infraestrutura rural, pesquisa e extensão de serviços agrícolas, desenvolvimento de tecnologia e bancos de genes de plantas e animais; entre outras.

Objetivo 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.

Dentre as várias metas deste objetivo, estão: reduzir a taxa de mortalidade materna global; acabar com as mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças menores de 5 anos; acabar com as epidemias de AIDS, tuberculose, malária e doenças tropicais negligenciadas; reduzir em um terço a mortalidade prematura por doenças não transmissíveis via prevenção e tratamento; reforçar a prevenção e o tratamento do abuso de substâncias; reduzir pela metade as mortes e os ferimentos globais por acidentes em estradas; assegurar o acesso de todos aos serviços de saúde sexual e reprodutiva; atingir a cobertura total de saúde; reduzir o número de mortes e doenças por produtos químicos perigosos, contaminação e poluição do ar e água do solo; fortalecer a implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco em todos os países; apoiar a pesquisa e o desenvolvimento de vacinas e medicamentos para as doenças transmissíveis e não transmissíveis; entre outras.

Objetivo 4: Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.

Algumas das metas deste objetivo são: garantir que todas as meninas e meninos completem o ensino primário e secundário livre, equitativo e de qualidade; garantir que eles tenham acesso a um desenvolvimento de qualidade na primeira infância, cuidados e educação pré-escolar; assegurar a igualdade de acesso de homens e mulheres à educação técnica, profissional e superior de qualidade, a preços acessíveis, incluindo universidade; aumentar o número de jovens e adultos com habilidades relevantes para emprego, trabalho decente e empreendedorismo; eliminar as disparidades de gênero na educação e garantir a igualdade de acesso a todos os níveis de educação e formação profissional para os mais vulneráveis; garantir a alfabetização de todos os jovens e uma substancial proporção dos adultos, homens e mulheres; garantir que todos os estudantes adquiram conhecimentos e habilidades necessárias para promover o desenvolvimento sustentável; construir e melhorar instalações físicas para educação; entre outras.

Objetivo 5: Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.

As metas incluem: acabar com a discriminação contra mulheres e meninas em toda parte; eliminar a violência contra mulheres e meninas nas esferas públicas e privadas; eliminar as práticas nocivas; reconhecer e valorizar o trabalho de assistência e doméstico não remunerado; garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, econômica e pública; assegurar o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva e os direitos reprodutivos; entre outras.

Objetivo 6: Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos.

Algumas metas são: alcançar o acesso de todos e equitativo a água potável e segura; alcançar o acesso a saneamento e higiene adequados e equitativos para todos e acabar com a defecação a céu aberto; melhorar a qualidade da água; aumentar a eficiência do uso da água em todos os setores e assegurar retiradas sustentáveis e o abastecimento de água doce; implementar a gestão integrada dos recursos hídricos em todos os níveis, inclusive via cooperação transfronteiriça; proteger e restaurar ecossistemas relacionados com a água; apoiar e fortalecer a participação das comunidades locais para melhorar a gestão da água e do saneamento.

Objetivo 7: Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos.

Este objetivo tem as seguintes metas: assegurar o acesso universal, confiável, moderno e a preços acessíveis a serviços de energia; aumentar a participação de energias renováveis na matriz energética global; dobrar a taxa global de melhoria da eficiência energética; reforçar a cooperação internacional para facilitar o acesso à pesquisa e a tecnologias de energia limpa; expandir a infraestrutura e modernizar a tecnologia para o fornecimento de serviços de energia modernos e sustentáveis para todos nos países em desenvolvimento.

Objetivo 8: Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos.


Este é um dos objetivos com mais metas, que incluem: sustentar o crescimento econômico per capita de acordo com as circunstâncias nacionais; atingir níveis mais elevados de produtividade das economias por meio da diversificação, modernização tecnológica e inovação; promover políticas orientadas para o desenvolvimento que apoiem as atividades produtivas, geração de emprego decente, empreendedorismo, criatividade e inovação; melhorar progressivamente a eficiência dos recursos globais no consumo e na produção e empenhar-se para dissociar o crescimento econômico da degradação ambiental; reduzir substancialmente a proporção de jovens sem emprego, educação ou formação; tomar medidas imediatas e eficazes para erradicar o trabalho forçado, a escravidão moderna, o tráfico de pessoas e o trabalho infantil; elaborar e implementar políticas para promover o turismo sustentável, entre outras.


Objetivo 9: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.

Dentre as metas, estão: desenvolver infraestrutura de qualidade, confiável, sustentável e resiliente; promover a industrialização inclusiva e sustentável; modernizar a infraestrutura e reabilitar as indústrias para torná-las sustentáveis, com eficiência no uso de recursos e adoção de tecnologias e processos industriais limpos e ambientalmente corretos; fortalecer a pesquisa científica; facilitar o desenvolvimento de infraestrutura sustentável e resiliente em países em desenvolvimento; aumentar o acesso às tecnologias de informação e comunicação e se empenhar para oferecer acesso universal e a preços acessíveis à internet nos países menos desenvolvidos, até 2020; entre outras.

Objetivo 10: Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.

As metas incluem: alcançar e sustentar o crescimento da renda dos 40% da população mais pobre a uma taxa maior que a média nacional; empoderar e promover a inclusão social, econômica e política de todos; garantir a igualdade de oportunidades e reduzir as desigualdades de resultados; adotar políticas, especialmente fiscal, salarial e de proteção social; melhorar a regulamentação e monitoramento dos mercados e instituições financeiras globais; assegurar uma representação e voz mais forte dos países em desenvolvimento em tomadas de decisão nas instituições econômicas e financeiras internacionais globais; facilitar a migração e a mobilidade ordenada, segura, regular e responsável das pessoas; entre outras.

Objetivo 11: Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.

Algumas metas são: garantir o acesso de todos à habitação segura, adequada e a preço acessível e aos serviços básicos; proporcionar o acesso a sistemas de transporte seguros, acessíveis, sustentáveis e a preço acessível para todos; aumentar a urbanização inclusiva e sustentável; fortalecer esforços para proteger e salvaguardar o patrimônio cultural e natural do mundo; reduzir o número de mortes e o número de pessoas afetadas por catástrofes; reduzir o impacto ambiental negativo per capita das cidades; proporcionar o acesso de todos a espaços públicos seguros; aumentar substancialmente o número de cidades e assentamentos humanos adotando e implementando políticas e planos integrados para a inclusão, a eficiência dos recursos, mitigação e adaptação às mudanças climáticas, a resiliência a desastres; entre outras.

Objetivo 12: Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis.

Dentre as metas, incluem-se: Implementar o Plano Decenal de Programas sobre Produção e Consumo Sustentáveis; alcançar a gestão sustentável e o uso eficiente dos recursos naturais; reduzir pela metade o desperdício de alimentos per capita mundial; alcançar o manejo ambientalmente saudável dos produtos químicos e todos os resíduos; reduzir a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso; incentivar as empresas a adotar práticas sustentáveis; promover práticas de compras públicas sustentáveis; garantir que as pessoas, em todos os lugares, tenham informação relevante e conscientização para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida em harmonia com a natureza; racionalizar subsídios ineficientes aos combustíveis fósseis, que encorajam o consumo exagerado; entre outras.

Objetivo 13: Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos.

As metas são: reforçar a resiliência e a capacidade de adaptação a riscos relacionados ao clima e às catástrofes naturais em todos os países; integrar medidas da mudança do clima nas políticas, estratégias e planejamentos nacionais; melhorar a educação, aumentar a conscientização e a capacidade humana e institucional sobre mitigação, adaptação, redução de impacto e alerta precoce da mudança do clima; implementar o compromisso assumido pelos países desenvolvidos partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima; promover mecanismos para a criação de capacidades para o planejamento relacionado à mudança do clima e à gestão eficaz, nos países menos desenvolvidos.

Objetivo 14: Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.

Algumas metas: prevenir e reduzir significativamente a poluição marinha de todos os tipos; gerir de forma sustentável e proteger os ecossistemas marinhos e costeiros para evitar impactos adversos significativos; minimizar e enfrentar os impactos da acidificação dos oceanos; regular a coleta e acabar com a sobrepesca, ilegal; conservar pelo menos 10% das zonas costeiras e marinhas; proibir certas formas de subsídios à pesca, que contribuem para a sobrecapacidade e a sobrepesca, e eliminar os subsídios que contribuam para a pesca ilegal; aumentar o conhecimento científico, desenvolver capacidades de pesquisa e transferir tecnologia marinha; assegurar a conservação e o uso sustentável dos oceanos e seus recursos pela implementação do direito internacional; entre outras.

Objetivo 15: Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.

Um dos objetivos com mais metas, que incluem: assegurar a conservação, recuperação e uso sustentável de ecossistemas terrestres e de água doce interiores e seus serviços; promover a implementação da gestão sustentável de todos os tipos de florestas, deter o desmatamento, restaurar florestas degradadas e aumentar o florestamento e o reflorestamento globalmente; combater a desertificação, restaurar a terra e o solo degradado; assegurar a conservação dos ecossistemas de montanha; tomar medidas urgentes e significativas para reduzir a degradação de habitat naturais, deter a perda de biodiversidade, proteger e evitar a extinção de espécies ameaçadas, acabar com a caça ilegal e o tráfico de espécies da flora e fauna protegidas; integrar os valores dos ecossistemas e da biodiversidade ao planejamento nacional e local; entre outras.

Objetivo 16: Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.

Algumas metas: reduzir a violência e as taxas de mortalidade relacionada em todos os lugares; acabar com abuso, exploração, tráfico e violência e tortura contra crianças; promover o Estado de Direito e garantir a igualdade de acesso à justiça para todos; reduzir os fluxos financeiros e de armas ilegais; reduzir a corrupção e o suborno; desenvolver instituições eficazes, responsáveis e transparentes; garantir a tomada de decisão responsiva, inclusiva, participativa e representativa; ampliar e fortalecer a participação dos países em desenvolvimento nas instituições de governança global; fornecer identidade legal para todos; assegurar o acesso público à informação e proteger as liberdades fundamentais; entre outras.

Objetivo 17: Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.

Este é o objetivo com mais metas e divide-se em finanças, tecnologia, capacitação, comércio e questões sistêmicas. Algumas metas: fortalecer a mobilização de recursos internos, inclusive por meio do apoio internacional aos países em desenvolvimento, para melhorar a capacidade nacional para arrecadação de impostos e outras receitas; promover o desenvolvimento, a transferência, a disseminação e a difusão de tecnologias ambientalmente corretas para os países em desenvolvimento; reforçar o apoio internacional para a implementação eficaz e orientada da capacitação em países em desenvolvimento; promover um sistema multilateral de comércio mundial; aumentar a coerência das políticas para o desenvolvimento sustentável; reforçar a parceria global para o desenvolvimento sustentável; entre outras.

Para terminar, um videozinho muito interessante feito pela ONU sobre a Agenda 30 e os 17 ODS.

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Senac abre espaço para falar de lixo zero

Por Letícia Maria Klein •
16 setembro 2015

Como embaixadora da Juventude Lixo Zero Blumenau, fui convidada a dar uma palestra sobre o conceito lixo zero na Faculdade Senac Blumenau para a Semana de Responsabilidade Social da unidade. A exposição aconteceu nesta última terça-feira para as turmas dos cursos de tecnologia em Logística, Processos Gerenciais e Gestão da Tecnologia da Informação e do curso técnico em Administração. Cerca de 50 estudantes estavam presentes e, pelo que eu vi e senti, eles gostaram e aproveitaram! Gosto de palestras interativas, então fiz algumas perguntas para eles e levei vários objetos para mostrar como ser lixo zero no dia a dia, além de ensinar rapidamente como se faz compostagem em casa. Adorei, quando é o próximo??


Num tempo de mais ou menos 40 minutos, falei sobre o conceito lixo zero e por que aplicar o conceito na nossa rotina e seguir os 5 Rs do consumo consciente (recusar, reduzir, reutilizar, reciclar e reintegrar à natureza pela compostagem), os quais espelham um dos objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos). 

Para deixar a exposição mais visual e atrativa, levei alguns objetos que uso no meu dia a dia para diminuir a quantidade de resíduos que eu produzo. Também levei os baldes de compostagem para mostrar como fazer a composteira seca e o minhocário. Uma menina disse que faz compostagem na cada dela (fiquei feliz!) e um rapaz veio, no fim da palestra, me perguntar mais sobre a composteira seca. 


O número de pessoas que disse fazer a separação dos resíduos recicláveis foi bem pequeno, nem 10%. Quem sabe depois da palestra este número aumente? Estou torcendo!! É para isso que a Juventude Lixo Zero luta, exercendo a educação ambiental e conscientizando as pessoas para uma sociedade em que os resíduos sólidos tenham seu destino correto e sejam reconhecidos como matéria-prima valiosa.


Aproveitando o tema, vale divulgar uma ação muito bacana que o Senac Blumenau está apoiando. É um torneio de bocha com celulares danificados, realizado pela terceira vez pelo Rotaract Blumenau Munique com o objetivo de chamar a atenção para os resíduos eletrônicos. Por isso, também haverá coleta de e-lixo e qualquer pessoa pode levar aparelhos que não funcionam mais, como celular, televisão, computador, rádio, entre outros. Será no dia 22 de setembro, na Faculdade Senac, a partir das 18h. De uma olhadinha nos cartazes para mais informações.



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É de pequenino que se começa a educação ambiental

Por Letícia Maria Klein •
13 agosto 2015

Nesta semana eu fui convidada por uma amiga da minha mãe que é diretora de um Centro de Educação Infantil aqui em Blumenau para falar com as crianças sobre reciclagem. No CEI Frieda Zadrozny as professoras já ensinam desde cedo que precisamos cuidar do planeta e dos bens naturais. Economizar água, preservar as matas, respeitar os animais, reciclar os resíduos são temas tratados no dia a dia da creche, que tem seus corredores, portas e salas enfeitados de forma a incentivar nas crianças a preocupação com o meio ambiente. A sala de leitura, por exemplo, foi decorada para parecer uma floresta e só tem livros infantis sobre animais. Na última terça-feira, eu conversei com duas turmas de 4 anos sobre a importância da reciclagem e como separar os materiais. O interesse e a espontaneidade delas são contagiantes e inspiradores!

Para a exposição, eu peguei os coletores seletivos que têm na escolinha, quatro caixas nas cores azul, amarela, vermelha e verde para papel, metal, plástico e vidro respectivamente. Uma das salas do CEI é destinada para os materiais recicláveis, que as professoras pedem para as crianças trazerem de casa. Está tudo separado em caixas, cada peça ou material tem seu lugar certinho, muito organizado. 


Selecionei alguns materiais para demonstrar às crianças o que colocar em cada caixa. Caixa de ovo, garrafa pet, pote de margarina, lata, tampa de garrafa de vidro, caixa de leite, potinho de iogurte e rolinho de papel higiênico foram alguns dos materiais que escolhi. Eu perguntei para os pequenos se eles comiam em casa aqueles alimentos e fui mostrando o que fazer com cada embalagem. Às vezes eu vazia perguntas ou indicava um material para a caixa errada para ver se eles estavam atentos e entendendo. 

É muito divertido trabalhar com crianças. Elas surpreendem. Podem ser pequenos ainda, aquelas têm apenas 4 anos, mas já entendem o que é reciclagem, por que é importante separar os materiais e o que dá para fazer com eles. As turmas eram grandes, com cerca de 20 crianças cada, e quase todos estavam animados e atentos à aulinha, sempre interagindo e respondendo as perguntas que eu fazia. Para terminar, fiz uma atividade em que eles tinham que pintar um rolinho de papel higiênico de azul (para facilitar a associação com a cor da caixa coletora respectiva) e colocar na caixa certa. 


O melhor de tudo foi ver que eles gostaram e que aprenderam pelo menos alguma coisinha a mais. Quanto mais frequente for o contato das crianças, e dos adultos também, com temas socioambientais, maior o impacto e mais efetivo o resultado. Um rapaz que está ajudando no CEI, principalmente na parte dos resíduos, disse que a filha dele, que estuda ali, já pede para ele fechar a torneira quando escova os dentes para salvar a água. Prova de que a educação ambiental é uma ferramenta poderosa de transformação da sociedade. Os abraços e sorrisos de despedida das crianças também mostram que a educação ambiental é um trabalho de formiguinha, porém delicioso, eficaz e que vale muito a pena.
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"Plante uma Árvore" na Serra do Gandarela e ajude a proteger esse santuário ecológico

Por Letícia Maria Klein •
28 julho 2015

"Plante uma Árvore" é uma campanha do Coletivo Cirandar e da Floricultura Ikebana Flores para reflorestar a Serra da Gandarela, segunda maior área contínua de Mata Atlântica no estado de Minas Gerais, que está em perigo devido ao monopólio da mineração. O Sustenta Ações abraça esta campanha e incentiva todos aqueles que quiserem ajudar este projeto de reflorestamento! Toda publicação sobre a campanha resulta em uma muda nativa plantada pela própria floricultura em um local devastado pela mineração na região. 




A Serra do Gandarela está localizada entre a Serra do Caraça e a Serra da Piedade, nos municípios de Barão de Cocais, Caeté, Santa Bárbara, Rio Acima, Raposos e Itabirito. A atividade de mineração degrada os ecossistemas naturais de Mata Atlântica, incluindo seu amplo manancial, que abrange as Bacias Hidrográficas Rios Doce/Piracicaba e São Francisco/Rio das Velhas. O projeto existe desde novembro de 2012 já teve a adesão de 300 parceiros. A campanha entrou na 4ª fase de plantio, totalizando 307 mudas nativas plantadas ao todo na região. É possível acompanhar o mapeamento das áreas de plantio neste link.




Este é um guest post, com informações e fotos cedidas por Thais Alessandra, do Coletivo Cirandar. 
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Embalagem sustentável da Lush

Por Letícia Maria Klein •
21 julho 2015

No último post do blog eu falei sobre os produtos sustentáveis e lixo zero que estou usando e comentei sobre a embalagem em que vieram os produtos da Lush, pois foi uma compra on-line (só tem loja em São Paulo, por enquanto). Eu enviei uma mensagem para eles com algumas sugestões de melhoria e no dia seguinte já recebi uma resposta. Que me deixou bem feliz, a propósito! Gostei tanto que enviei outro e-mail para eles sugerindo que estas informações sejam disponibilizadas no site para sanar as dúvidas de outros consumidores que, assim como eu, tem preocupações ambientais em relação aos produtos. 

Quando encomendei meus produtos (shampoo sólido e sabonete em barra), que vieram em uma caixa de papelão, cada um veio embalado num plástico com adesivos e protegidos por "cheetos" de isopor. Na mensagem para a empresa, eu disse que os adesivos colados no plástico inviabilizam a reciclagem deste, pois adesivos não são recicláveis e sugeri a produção de etiquetas de informação em papel simples, sem ser adesivo, que poderiam ser reutilizadas ou recicladas. Até sugeri abolir as etiquetas de informação físicas, enviando-as apenas por e-mail. 


Quanto à embalagem de plástico, minha sugestão foi trocar para um material de pano ou um saquinho de ráfia, que poderiam ser reutilizados. Quanto ao amortecimento de isopor, os tais "cheetos", disse que eles poderiam ser substituídos por plástico-bolha, que são mais facilmente reutilizáveis, até porque o isopor, apesar de ser reciclável, apresenta baixa taxa de reciclabilidade no Brasil devido ao processo caro e complexo, por isso são poucas as empresas que fazem.

Olha que linda a resposta da empresa!
Agradecemos a sua preocupação com o meio ambiente e nas sugestões para melhorar nossos processos. Os saquinhos plásticos são na realidade feitos de celulose, sendo então compostáveis, o mesmo que os nossos "cheetos" colocados junto aos produtos, que são feitos com material de milho ou batata e são compostáveis também. Quanto aos adesivos, por uma regulamentação da Anvisa é obrigatório que as informações do produto sejam coladas na embalagem do produto, garantindo que elas não se percam no caminho e não haja nenhuma confusão de entendimento do consumidor, por isso elas não podem ir soltas na caixa em um papel, como é feito em tantos outros mercados da Lush, que inclusive enviam os produtos pelados nas caixas do e-commerce. (grifo nosso).
Muito legal, né! Que bom que eu guardei os verdinhos! Pensei que poderia reutilizar de alguma forma e agora posso compostar. A compostagem aqui descrita é a seca, pois os "cheetos" e o plástico não são restos de alimentos e podem prejudicar as minhocas. Quanto à regulamentação da Anvisa, não há nada o que fazer, por enquanto. Um dia ainda farei um post sobre estas regulamentações do órgão que têm um impacto negativo gigante sobre o ambiente. Precisamos prezar pela higiene e saneamento, claro, mas é preciso bom senso para não minimizar um problema criando outro problemaEnquanto isso, empresas que buscam alternativas sustentáveis vão ganhando mais espaço e público, incentivando outras com seu exemplo. 
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Higiene pessoal sustentável e lixo zero

Por Letícia Maria Klein •
08 julho 2015

Em minha jornada rumo a uma vida sustentável e lixo zero, deparei com a necessidade de mudar hábitos e produtos que eu consumo. Nada radical, como os meios de comunicação adoram proclamar, mas pequenas atitudes que, no fim, fazem muita diferença ao meio ambiente, ao meu bolso e à minha consciência, afinal estou seguindo meus princípios. Uma das mudanças foi em relação à higiene pessoal. É tanto plástico, tanta embalagem e tanta química que eu resolvi partir para alternativas mais naturais e menos impactantes. Agora a pasta de dente sou eu mesma que faço! 



Dicas e vídeos na internet ensinando a fazer os próprios produtos de higiene ou indicando marcas socioambientalmente responsáveis é o que não falta. A nova-iorquina Lauren Singer compartilha no seu blog e canal do youtube Trash Is For Tossers seu estilo de vida lixo zero e mostra receitas de vários produtos de higiene, beleza e limpeza caseiros. A florianopolitana Cristal Muniz também dá várias dicas e receitas em seu blog Um Ano Sem Lixo

É nelas que eu me inspiro e já adaptei isto aqui na minha rotina: passei a usar desodorante em barra e shampoo sólido (sem embalagem, uhul!), pasta de dente caseira (super fácil de fazer) e coletor menstrual (adeus absorventes descartáveis!). Como fazer, onde encontrar, quais as vantagens? Vamos à salvação!

Shampoo sólido e desodorante em barra

Eu comprei estes dois na Lush, empresa britânica presente em muitos países, que faz cosméticos artesanais à mão, não testados em animais, vegetarianos e com o mínimo de embalagem (apenas um papel envoltório quando se compra na loja física. Como comprei online, pois há lojas apenas em São Paulo, os produtos vieram embalados em plásticos e protegidos por “minhoquinhas” de isopor dentro da caixa de papelão, mas já enviei algumas sugestões alternativas mais sustentáveis – quando responderem, posto aqui). 


Os produtos são feitos principalmente com óleos essenciais e alguns produtos sintéticos seguros, todos fornecidos por empresas que também não fazem testes em animais. Os cosméticos duram muito tempo. Ainda estou no começo do shampoo e do desodorante, então não sei na prática, mas eu li que a média de tempo é de seis meses! O preço unitário do shampoo sólido é um pouco acima da média das opções líquidas no mercado (paguei R$ 42), mas dura pelo menos três vezes mais, então compensa muito no fim do ano. 

A mesma coisa com o desodorante, que funciona super bem (paguei R$ 36)! Como é barra, é só esfregar na pele. Descobri que o bicarbonato de sódio também funciona como desodorante (nunca vi produto com tantas utilidades!), então estou intercalando com o de barra. É só pegar o pó e passar na axila. Prático e barato. 

Pasta de dente



Vi esta receita no canal da Lauren e fui rapidinho fazer. Precisa de óleo de coco, bicarbonato de sódio (olha ele aí de novo) e óleo essencial orgânico (daqueles usados para aromaterapia). É só colocar duas colheres de sopa de óleo de coco, uma colher de sopa de bicarbonato e de 10 a 15 gotas de óleo essencial. É só mexer e está pronto, em menos de cinco minutos. 

Como a consistência do óleo de coco varia conforme a temperatura ambiente, às vezes você pode precisar colocar na geladeira ou deixar num potinho com água morna. Eu uso todo dia há mais de quatro meses e funciona igual a qualquer outra pasta de dente que vem numa embalagem de plástico e com trocentos químicos dentro, que acabam sujando a água e não fazendo bem para o corpo. O óleo de coco é biodegradável e para limpar a pia basta usar sabão de coco. 

Coletor menstrual

É um copinho de silicone que coleta, como diz o nome, o sangue da menstruação. Melhor de tudo? Não é descartável! Quando bem cuidado, seguindo as instruções do manual (que são muito simples, a propósito), dura de cinco a dez anos! Uma mulher utiliza em média 17 mil absorventes durante a vida, como mostra esta matéria com entrevista da Cristal, os quais demoram 100 anos para se degradar. Olha só o impacto positivo que nós mulheres podemos promover ao trocar os absorventes descartáveis por um coletor!



Eu pesquisei bastante antes de comprar e estou totalmente convencida de que o coletor é muito melhor do que qualquer absorvente descartável. Até porque já usei e aprovei. Olha só as vantagens:
- Durável, não gera resíduos.
- Fácil e rápido de colocar e remover (o coletor é usado internamente), depois que você pega o jeito e acha a melhor posição.
- Não dá cheiro nenhum, como acontece com os absorventes externos descartáveis, pois o sangue não entra em contato com o ar.
- É higiênico pelo mesmo motivo de cima.
- Pode ficar até 12 horas no corpo, sendo retirado de duas a três vezes por dia.
- Fácil de cuidar: é só lavar com sabão neutro glicerinado cada vez que retirar/inserir e ferver por cinco minutos ao fim de cada ciclo. O conteúdo coletado você despeja no vaso.
- Liberdade, amada liberdade, nem parece que você está naqueles dias.
- Não dá para senti-lo lá dentro, quando bem encaixado.
- Não vasa.
- Só o fato de não ter aquele volume do absorvente no meio das pernas já vale!


Ainda não te convenci? Vou dar mais um empurrãozinho com este vídeo da JoutJout:


Procurei em várias farmácias aqui em Blumenau e não encontrei. O negócio é comprar on-line mesmo. Estão são as marcas no mercado:
- Holy Cup, R$77
- Inciclo, R$79 
- Meluna, R$75 
- Mooncup, R$150 

Importante ressaltar

Eu ainda tenho alguns produtos de higiene aqui em casa dos outros modelos tradicionais do mercado e vou usá-los até acabar. Mas vou trocando aos poucos até estar cercada apenas por produtos sustentáveis e lixo zero. Quando acabar meu condicionar líquido, por exemplo, vou adquirir o sólido. Estas opções mais naturais e sustentáveis ainda assim produzem resíduos, porém isto é muito diferente de produzir lixo.

Por lixo entende-se a mistura de resíduos recicláveis e orgânicos que, quando juntos, inviabilizam o reaproveitamento ou reuso devido à contaminação de um pelo outro. O conceito lixo zero prevê sim a redução da produção de resíduos, claro, mas também diz que os resíduos produzidos em nossas atividades, no dia a dia, sejam encaminhados para seus destinos corretos. Que os materiais recicláveis sejam encaminhados para a reciclagem ou reutilização e os restos de alimentos sejam transformados em adubo nas composteiras, o que gera renda para famílias, gira a economia e preserva o nosso planeta. 

Fazendo minha própria pasta de dente, por exemplo, sobram os potinhos de vidro dos óleos e o saquinho ou tubinho do bicarbonato. Porém, todos estes possuem alto potencial de reciclagem ou reuso, enquanto que o tubo da pasta de dente nem sempre vai para as empresas recicladoras. Sem falar nos químicos, que vem aos montes nos produtos de higiene, limpeza e beleza que encontramos nos mercados, os quais contaminam corpos d’água e são prejudiciais à saúde. 

Agora é a sua vez! Compartilhe aqui embaixo nos comentários as suas práticas sustentáveis, se gostou das dicas deste post, que hábitos pretende rever na sua rotina e o tudo o mais que quiser partilhar. ;)
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