O evangelho da sustentabilidade - Conferência Estadual Espírita do Paraná 2016

Por Letícia Maria Klein •
14 março 2016
Este foi o tema de uma das palestras do jornalista e ambientalista André Trigueiro na Conferência Estadual Espírita do Paraná deste ano, que eu tive a oportunidade e felicidade de participar. Foi no Expocenter em Pinhais, de 04 a 06 de março, e além de André, teve a participação dos palestrantes Alberto Almeida, Divaldo Pereira Franco e Haroldo Dutra Dias. O tema desta 18ª edição foi “Construindo a consciência da imortalidade” e as palestras foram FAN-TÁS-TI-CAS!

Na sua exposição sobre “O evangelho da sustentabilidade”, André usou como base seu livro “Ecologia e Espiritismo” (tem resenha aqui no blog), falando das relações entre paz e preservação ambiental, mundo de regeneração e atitudes sustentáveis no agora, frases de efeito espíritas e suas interpretações, entendimento e aplicação da sustentabilidade no dia a dia e a consciência plena da imortalidade. 

André começou a palestra falando sobre como a preservação do ambiente é imprescindível para um mundo sem guerras e harmônico, citando como retratos da situação oposta os casos da Revolução Francesa e da guerra civil na Síria. No segundo, uma forte estiagem ocorrida entre 2007 e 2010, causada pelas mudanças climáticas, foi determinante para o estado bélico, pois, aliada às políticas frágeis de distribuição de água, estimulou o êxodo rural de 1,5 milhão de pessoas devido à falta do que plantar, agravando a crise socioeconômica do país. A falta de comida para a população também foi um dos motivos da revolução na França. Além destes, André citou o caso da Ilha de Páscoa, que está explicado no livro “Colapso – Como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso”, de Jared Diamond, recomendado durante a palestra e que apareceu neste post.

André Trigueiro na Conferência Estadual Espírita do Paraná
André Trigueiro durante a Conferência Espírita

Estes fatos mostram claramente como o cuidado com a natureza e os bens naturais é fundamental para a manutenção de uma sociedade pacífica. André também deu nova luz à interpretação de frases muito utilizadas pelos espíritas e que podem levar a um relaxamento, uma despreocupação, em relação à preservação ambiental, como “estou neste mundo de passagem”, “a verdadeira vida é a vida espiritual” e “o mundo de regeneração está chegando”. As duas primeiras podem dar a impressão de que não há necessidade de cuidar do meio terrestre. Porém, o modo como vivemos, tanto na forma quanto tratamos os outros como na forma como tratamos o meio, é que determina o passo da nossa evolução e as condições das múltiplas existências na Terra. 

No primeiro dia do curso de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – ESDE, que faço aqui em Blumenau, perguntei sobre a conciliação entre o estado de mundo de regeneração, para o qual a Terra se encaminha, e a crise ambiental da atualidade. André falou exatamente sobre isso. Ele disse que não encontrou, na literatura espírita, referências ao fator ambiental nas definições de mundo de regeneração (atualmente o planeta está no estado de provas e expiações, onde o sofrimento e o mal prevalecem; em um estado de regeneração, o bem predomina). Isto se dá, segundo André, porque o mundo de regeneração, no seu sentido ambiental, está em construção. Depende de nossas atitudes hoje, no nosso dia a dia. Ele pode ser moral e eticamente melhor, e será, mas ainda assim com cenários críticos e graves problemas socioambientais, como eventos climáticos extremos e fome.

Portanto, como cada pessoa evolui por si mesma, com base na sua transformação íntima, significa que cada um deve fazer a sua parte pelo seu desenvolvimento moral e pelo cuidado com o meio que habita e que lhe serve de casa. Para corroborar tudo isso, está a divina Lei de Conservação. Isso nos leva ao consumo consciente, por exemplo, como falou André. Não há planeta suficiente para os padrões de produção e consumo em voga hoje em dia, que levam à poluição da água e do ar, à produção cada vez maior de lixo, à extinção de espécies de fauna e flora, à criação e abate desumano de animais, à superexploração de combustíveis fósseis, às mudanças climáticas, à fome, entre outros. Incorporamos o Black Friday dos EUA e achamos normal ir às compras sempre que tem promoção. Mas precisamos nos fazer as perguntas do consumidor consciente (por que comprar, o que comprar, como comprar, de quem comprar, como usar, como descartar) e analisar a necessidade de adquirir algo (não comprar por que é bonito ou útil, mas porque é de fato preciso).

Não é à toa que o Espiritismo fincou raízes e se expande mais e mais no Brasil e a partir dele, um país com nome de árvore, que está assentado sobre dois aquíferos e possui 25% da biodiversidade do mundo. Seguindo o evangelho e fazendo, cada um de nós, a nossa parte, caminhamos para um mundo com água potável, terra fértil e ar puro para todos.
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Olha o coelho! Origens, significados, presentes e comemorações sustentáveis de Páscoa

Por Letícia Maria Klein •
07 março 2016

A Páscoa sempre teve um significado religioso, desde os povos pagãos, passando pelos judeus e depois integrando o calendário cristão. No paganismo (religião que não batiza ou é politeísta), a celebração ocorria no Equinócio da Primavera (entre março e abril) com homenagens à Ostara, deusa da fertilidade. A festa judaica significa libertação da opressão egípcia e a volta à terra natal, Canaã, onde os laços com Deus seriam fortalecidos. A celebração cristã refere-se aos dias que marcaram a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, exemplo de humildade, amor e renovação na fé. Essencialmente, todas estas celebrações buscam uma conexão espiritual, o fortalecimento da fé e a renovação na crença. Que tal, nesta Páscoa, voltar às origens e sair da onda consumista imposta pelo capitalismo, fortalecendo seu eu interior, suas crenças e seus laços familiares?

O ato de dar presentes pode ser um meio, ao invés de um fim. A celebração da data deve ir além do dar alguma coisa, desde fazer algo em conjunto ou passar um tempo especial que proporcione reflexões sobre os significados da data e de como vivemos nossas vidas. Estes momentos aproveitados com família ou amigos viram recordações fortes, perenes e que estreitam os laços de amor e amizade. O mercado capitalista e a onda consumista frisam o presente e o ovo de chocolate, deixando de lado a origem religiosa. Então, vamos conhecer um pouco mais estas raízes e algumas formas sustentáveis e divertidas de celebrar a Páscoa? Comecemos pelos ovos. 

Pintar e decorar ovos orgânicos
A deusa Ostara, também chamada de Eostre, Ēostre, Jair ou Ostera, é representada no paganismo por uma mulher olhando para um coelho e segurando um ovo, tríade que reforçava o ideal de fertilidade que os pagãos celebravam. Os ovos eram pintados mostrando alguma planta ou elemento natural ou eram cozidos com ervas para que ficassem coloridos. Para atrair mais fiéis ao cristianismo, o Concílio de Nicéia, em 325 d.C., optou por incluir a simbologia do ovo na Páscoa cristã, que passou a ser pintado com imagens de Jesus Cristo e Ave Maria. Os ovos eram presentes que representavam a renovação e o renascimento. 


Ovos decorados

Para uma Páscoa sustentável e convidativa à reflexão sobre seu significado (cada religião com a sua crença), uma forma legal de festejar e ter uma conversa em família sobre a data é fazer uma sessão de pintura e decoração de cascas de ovos (orgânicos, sim?) e depois dá-los de presente a entes queridos. Os ovos vão ter mais graça se recheados, então vale receitas de carapinha de amendoim ou castanhas carameladas. Quem sabe até gotas de chocolate? 

Fazer ovos de chocolate ou comprá-los sem embalagem
A versão de cacau do ovo surgiu na França e na Alemanha no início do século 19, mas era diferente dos ovos de chocolate conhecidos hoje, com gosto amargo e aparência granulada. O chocolate, especialmente os mais amargos e puros (quanto maior a porcentagem de cacau, melhor), oferecem alguns benefícios à saúde quando consumidos moderadamente, como melhora da circulação sanguínea, prevenção de câncer, estímulo do sistema nervoso central e dos músculos cardíacos e sensação de bem-estar. 

Para fazer os ovos em casa, pode ser tanto na forminha específica ou em algum pote redondo ou oval (tem algumas técnicas e é uma forma de economizar). É só derreter o chocolate, forrar a forma e deixar gelar. O recheio, se for ovo de colher, fica por conta dos gostos e da imaginação. Leva uma hora para fazer, mais ou menos, como disse minha colega de trabalho que vai fazer ovos de chocolate de colher este ano. Então, se assim como eu, você não quiser se aventurar na cozinha, vale encomendar estes ovo gourmet com confeiteiros ou amigos chefs e ainda levar seu próprio pote ou embalagem não descartável para pegar. Já falei para minha colega que vou trazer meus potinhos para ela guardar os ovos. Isso evita a montanha de resíduos de embalagens de ovos de plástico, que incluem o plástico metalizado, de difícil reciclagem devido ao processo caro e complexo, o papel alumínio envolvendo o ovo e a base plástica de apoio. 


Ovos de chocolate sem embalagem

Uma observação muito importante aqui: parte da indústria do chocolate financia o trabalho escravo infantil. A Páscoa é uma data para celebrar o amor, a renovação, a fé, a humildade, a liberdade. Nada mais contraditório do que consumir chocolate que teve a mancha do trabalho forçado de crianças em sua cadeia de produção. O documentário “O lado negro do chocolate”, fruto de uma investigação jornalística, revela como funciona esta indústria e quais as empresas que usam mão de obra infantil. Além de ficar atento à marca, é melhor procurar por chocolates orgânicos, que são cultivados em sistemas de produção sustentáveis. 

Assistir a filmes sobre a Páscoa
Munidos de chocolate, carapinha, castanhas carameladas ou biscoitos confeitados, chame a família para o sofá e promova uma sessão pipoca com doçura de um filme pascoalino. Seja desenho animado ou live action, o importante é refletir sobre as mensagens religiosas e o verdadeiro significado da data. 

Visitar lugares temáticos ou religiosos
O turismo religioso leva cerca de 18 milhões de brasileiros a viajar todos os anos, segundo dados do Ministério do Turismo. As datas religiosas, como Páscoa e Natal são um dos motivos das viagens e acabam concentrando maior número de turistas. Aparecida do Norte/SP, Bragança/PA, Bom Jesus da Lapa/BA, Juazeiro do Norte/CE, Nova Trento/SC, Ouro Preto/MG, Santa Cruz/RN e Trindade/GO estão na lista das 344 cidades com atrações e festas religiosas mapeadas pelo ministério. Além destes municípios, existem outros que criam atrações e programação especial para algumas datas comemorativas, como a Osterdorf – Vila de Páscoa aqui em Blumenau, a Osterfest em Pomerode/SC, Páscoa em Canela e Gramado/RS. A visita a atrações ou cidades religiosas é uma maneira de festejar a data em família e refletir sobre seus significados, além de, claro, conhecer novos lugares.


Osterdorf em Blumenau
Osterdorf, em Blumenau

Suas tradições ou comemorações de Páscoa já tiveram ou têm algumas destas sugestões? Conhece outras formas de comemorar a Páscoa voltando às origens e de forma sustentável? Deixe um comentário e Feliz Páscoa! 
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Vamos construir um mundo melhor... Literalmente!

Por Letícia Maria Klein •
29 fevereiro 2016

Todo o mundo, ou quase, sonha em ter a casa própria. Um canto só seu, conquistado com o próprio esforço e trabalho, em que possa se sentir confortável, ajeitar suas coisinhas, ser livre. Sabe a expressão “sentir-se em casa”? Bem isso. Melhor ainda, mil vezes melhor, quando podemos nos sentir assim tão bem sabendo que também estamos fazendo bem para o ambiente, para o planeta que nos abriga e sustenta. Isso é possível graças às técnicas de bioconstrução, bioarquitetura e permacultura. Antes de conhecer algumas delas, um pouquinho os conceitos.

A bioconstrução e a bioarquitetura são áreas afins e complementares. O manual de bioconstrução do Ministério do Meio Ambiente diz que bioconstruir é fazer ambientes sustentáveis por meio de materiais de baixo impacto ambiental negativo, da adequação da arquitetura da casa ao clima local e do tratamento os resíduos, adotando sistemas construtivos e tecnologias que respeitem o ambiente nas fases de projeto, execução e uso do imóvel. Existe a preocupação constante por aproveitar ao máximo os recursos disponíveis. Como pode ser feita pelo próprio dono da casa (por isso também é chamada de autoconstrução), sem orientação profissional, cabe aí muita criatividade, vontade pessoal e uso de soluções ecológicas adaptadas à realidade da residência e dos moradores. 

A bioarquitetura busca construir imóveis em harmonia com a natureza e custos operacionais menores, gerando assim um baixo impacto ambiental negativo. São levados em conta matérias-primas naturais e sustentáveis e mão de obra locais (o que reduz gastos com transporte e fabricação e consequentes gases de efeito estufa), além de tecnologias e sistemas verdes, que aproveitem ao máximo a luz do sol e o vento, que produzam energia a partir de fontes renováveis, tratem os resíduos e efluentes gerados na casa e reutilizem água da chuva. 

Como é possível ver, são conceitos muito próximos. Os dois estão incluídos na permacultura, termo que veio de “permanent agriculture” (agricultura permanente), mas evoluiu para o que se pode chamar de cultura permanente. Segundo Bill Mollison, que criou o termo e estuda o assunto junto com David Holmgren desde a década de 1970, “permacultura é um sistema de design para a criação de ambientes humanos sustentáveis e produtivos em equilíbrio e harmonia com a natureza”, que considera sistemas naturais, monetários, urbanos, sociais e de crenças e que está baseada na prática de “cuidar da Terra, cuidar dos homens e compartilhar os excedentes”. 

Flor da permacultura
Flor da permacultura

Para construir uma casa que respeite o meio e use sabiamente os recursos, as técnicas incluem: pau-a-pique, adobe, superadobe, COB, taipa de pilão, solocimento, ferrosolocimento, fardos de palha e bambu (para a estrutura); coberturas vegetais (jardim, horta, bosque); telhado verde; círculo de bananeiras para tratar a água cinza da casa; wetlands (ou zona de raízes) e bacia de evapotranspiração para tratar esgoto sanitário; banheiro seco; reutilização de materiais (vidro, azulejo, canos, janelas) para colocar nas paredes como estrutura e decoração; sistema de iluminação e ventilação naturais; captação e reuso de água da chuva e reuso de água de uma parte da casa para outra, energia solar para aquecer água e gerar eletricidade, entre outros.

Parede de COB com vidros
Vidros na parede

Estrutura natural ou sustentável
Terra, pedra, palha e madeira entram na roda para fazer a fundação, o chão, as paredes e o teto da casa. O superadobe, técnica criada pelo arquiteto iraniano Nader Khalili, usa sacos de ráfia, terra local e arame farpado para paredes e coberturas. O adobe é um tijolo de barro e palha, que é moldado e seco de forma natural, sem queima e que proporciona conforto térmico no ambiente devido à presença da palha. O COB, que significa maçaroca em inglês (massa), é uma mistura de argila, areia, palha e água, feita com os pés, que permite às pessoas moldar a casa inteira, abusando da criatividade. Fica lindo, olha só! 

Casa de COB

Banheiro de COB



A taipa de mão, pau-a-pique ou taipa de sebe é um quadro de galhos com uma trama de galhos ou bambus preenchida com terra. A taipa de pilão é terra socada com um pilão dentro de uma forma de madeira (a taipa). O solocimento é um tijolo prensado feito de areia, argila e cimento – a cura (secagem) é feita em local coberto, por sete dias, mantendo os tijolos úmidos. Os fardos de palha são usados em conjunto com terra (para o reboco), sisal e arame. O ferrocimento usa argamassa de cimento e areia armada em uma trama feita de vergalhões finos, coberta por tela de galinheiro de fios galvanizados. É bom para a construção de reservatórios de água, e apesar de levar cimento e ferro, que não são materiais ecológicos, estes são usados em quantidade bem menor do que as cisternas convencionais. 

Cobertura vegetal
As áreas verdes no terreno oferecem vários serviços ambientais, que são os benefícios que as pessoas recebem da natureza por meio dos ecossistemas, direta ou indiretamente, e que sustentam a biodiversidade. A vegetação controla e reduz a temperatura, filtra o ar, traz sombra (no caso de árvores altas), protege da poluição do som e do ar, abastece os corpos d’água e lençóis freáticos, evita a erosão do solo, reduz a contaminação e abriga milhares de espécies animais. Além disso, ter a própria horta e pomar significa frutas, verduras e legumes frescos e sem agrotóxico (mais saúde!) e grande economia de dinheiro.

Telhado verde
Como o nome sugere, são os telhados que têm cobertura vegetal, geralmente plantas baixas e flores em telhados planos e gramíneas em telhados inclinados. Segundo pesquisa da Universidade de São Paulo, os telhados verdes reduzem a temperatura em até 5º Celsius e aumentam a umidade relativa do ar em até 15% em relação aos edifícios com cobertura de concreto, o que aumenta a eficiência energética. Também diminuem a poluição e melhoram a qualidade do ar, ajudam a combater o efeito de ilha de calor (aumento da temperatura devido à concentração de asfalto e cimento) nos centros urbanos, melhoram o isolamento acústico da edificação e retém a água das chuvas, o que diminui os riscos de enchentes, podendo, inclusive, ser dotados de sistemas para tratamento de efluentes sanitários. Além disso, embelezam os centros cinzas das cidades e atraem animais, como aves e borboletas. 

Telhados verdes

Tratamento de água e efluentes
Para ser autossuficiente e independente em termos de abastecimento de água e tratamento de água e efluentes sanitários, uma casa precisa ter sistemas que façam essa captação e limpeza. Grande parte do processo é feito por plantas. Da quantidade de água usada nas residências, uma parte é água negra (esgoto sanitário) e a outra parte é água cinza (de lavação de roupas/louças e banho). Tudo começa com a captação, filtragem e armazenamento de água da chuva. As águas cinzas, depois de passarem pela caixa de gordura, vão para o filtro biológico, que tem plantas aquáticas filtrantes e camadas de terra, cascalho, carvão e brita. Da caixa, a água pode ser usada no jardim e vaso sanitário. As águas cinzas também podem ser filtradas por raízes de bananeiras, plantadas em círculo com um metro de diâmetro por um de profundidade. As águas negras podem ser tratadas em bacias de evapotranspiração ou por wetlands. Nestes sistemas, o esgoto passa por decomposição anaeróbica numa câmara, filtragem e depois purificação por meio das raízes de plantas que estão na superfície. A diferença entre os dois é que no tanque ou bacia de evapotranspiração, a água sai do sistema em forma de vapor pelas folhas das árvores e no sistema de wetland, o esgoto entra de um lado e a água limpa sai do outro. 

Wetlands
Wetlands

Banheiro seco
Para quem não quer usar água no vaso sanitário e ainda aproveitar os resíduos como adubo, existe a opção do banheiro seco ou compostável. O vaso continua lá, pelo menos a tampa dele, mas os efluentes descem até uma câmara onde são compostados e viram adubo para ser usado na agricultura ou no jardim. Tem vários modelos, de simples a complexos. O modelo desenvolvido pelo Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC), em Pirenópolis, Goiás, por exemplo, tem duas câmaras de compostagem que armazenam a urina e as fezes até que se transformem em composto, que é levado depois para um minhocário, onde vira adubo orgânico. São duas câmaras porque enquanto uma está em processo de compostagem, a outra está em funcionamento (o que significa que são dois vasos). Toda vez que alguém usa o banheiro, deve colocar serragem sobre os dejetos para facilitar a compostagem e evitar mau cheiro. O banheiro também tem duto de saída de ar das câmaras para evitar odores e o ideal é pintar as câmaras de preto e posicioná-las onde pegue sol, para que o processo seja mais eficiente (o calor faz o ar circular). 

Banheiro seco
Serragem para o banheiro seco

Iluminação e ventilação natural
Aproveitar ao máximo a luz do sol e os ventos é uma ótima forma de economizar energia, pois a dependência de lâmpadas e condicionares de ar diminui. A iluminação natural pode ser potencializada com o uso de garrafas de vidro nas paredes, como na casa da jornalista Giuliana Capello, brise de madeira reflorestada, calaraboia tubular (pode ser feita até com garrafa pet) ou com janelões abertos na estrutura, que podem ser de vidro ou ter apenas telas e redes de proteção (este é bom para quem mora em meio rural ou ecovilas). A ventilação natural contribui para o conforto térmico e a qualidade do ar no interior das residências, pois leva embora microrganismos prejudiciais à saúde, mau cheiro e gases tóxicos. Além de levar em conta no planejamento o pé-direito alto e a ventilação cruzada, é preciso saber que as condições dos ventos dominantes locais, a radiação solar e a umidade relativa do ar influenciam na ventilação natural. Como o ar quente sobe e o frio desce, instalar entradas de ventilação perto do chão faz com que o ar fresco entre e empurre o ar quente para cima, que vai passar por saídas instaladas no alto da parede ou no teto.

Captação e reuso de água da chuva e de água interna da casa
É fantástico para diminuir os custos com abastecimento de água da rede ou mesmo tornar-se independente dela. Falei sobre este tema na primeira parte da série Cuidando da água – como economizar. Além de apenas captar água da chuva, uma parte dela pode passar por filtros e tratamentos para estender seus usos na casa. 

Energia solar para aquecer água e gerar eletricidade
O aquecimento solar de água e as placas fotovoltaicas utilizam uma fonte inesgotável e limpa, o sol. O investimento retorna de dois a quatro anos para o primeiro sistema e em torno de 10 anos para o segundo. A durabilidade é de décadas, então vale sim a pena. O sistema solar de aquecimento de água é composto de um tanque reservatório e coletores solares. A água do tanque passa pelos coletores, onde é aquecida pela radiação do sol e retorna ao reservatório. A economia de energia pode chegar a 80% no fim do mês. O sistema fotovoltaico, que gera energia elétrica, pode ser off-grid (isolado) ou grid-tie (ligado à rede). Ambos têm vantagens e desvantagens dependendo das circunstâncias da residência, da região e das intenções dos moradores e são compostos por painéis solares, controladores de carga, inversores e baterias.

Energia solar
Coletores solares para aquecer água (esquerda) 
e placas fotovoltaicas (direita)

Com estas técnicas, o estilo de vida sustentável ganha um sentido mais amplo e autoral, possibilitando a fundação (figurativa e literalmente) de uma existência pautada no respeito à natureza e integração com o ambiente que nos sustenta.
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15 aplicativos que nos ajudam a ajudar o planeta e viver de forma sustentável

Por Letícia Maria Klein •
22 fevereiro 2016

A tecnologia avança um pouco mais a cada dia, possibilitando melhorias tanto nas ciências diversas quanto na maneira como vivemos nossa vida e nos relacionamos com os outros e o mundo. Associações, empresas e pesquisadores têm apostado no uso de aplicativos para internet e celular para estimular as pessoas a contribuírem com a preservação da biodiversidade e dos bens naturais e aplicarem a sustentabilidade no seu dia a dia. A lista abaixo tem 15 aplicativos relacionados a resíduos sólidos, fauna, flora, água, energia, consumo colaborativo, alimentação saudável, moda ecológica, mobilidade urbana e agroecologia. Conheça todos e baixe os seus! 


Beat the micro bead
Milhares de produtos de higiene pessoal vendidos no mundo contém micropartículas de plástico. Quase invisíveis a olho nu, estas partículas vão do ralo para os oceanos, passando por Estações de Tratamento de Água e Esgoto que não conseguem filtrá-las. Assim, as gigantescas sopas de plástico nos oceanos vão aumentando diariamente. Animais marinhos acabam ingerindo estes plásticos, tanto as micropartículas quanto pedaços maiores, o que leva geralmente a sua morte. Pessoas que consomem estes animais também acabam ingerindo as micropartículas. Este aplicativo ajuda a identificar, através do código de barras, quais produtos contém ou não microplásticos. O banco de dados não reconhece todos os produtos, por isso cada pessoa pode cadastrar novos itens na plataforma. 

The Bulk App
Como embaixadora da Juventude Lixo Zero, garanto que a satisfação de comprar produtos a granel, sem embalagens, não tem preço. Consumir sem gerar resíduos é fantástico e libertador. Mas muitas vezes a gente não sabe por onde começar nem aonde ir para conseguir produtos a granel. O aplicativo ZeroWasteHome Bulk, criado pela família da Bea Johnson, mapeia lugares no mundo todo onde você pode levar a sua própria bolsa ou pote para encher com centenas de alimentos diferentes. Grande sacada lixo zero! 


Bee Alert 
As abelhas estão desaparecendo! O sumiço delas começou a chamar a atenção em 1995, nos Estados Unidos. Estudos realizados indicam que o desaparecimento é causado por um distúrbio chamado CCD (Síndrome do Colapso das Abelhas, em inglês). Por que isso é tão preocupante? Simples assim: as abelhas são responsáveis por cerca de 70% das culturas agrícolas. Então, menos abelhas quer dizer menos alimentos. Com o aplicativo Bee Alert, apicultores, meliponicultores (criadores de abelhas sem ferrão) e a comunidade científica podem registrar e documentar as ocorrências de desaparecimento ou perda de abelhas, indicando o local, intensidade e possíveis causas. Estas informações, geradas colaborativamente, contribuem para estudo do desaparecimento das abelhas e o esforço de proteção a estes insetos. 

Urubu Mobile 
Muito provavelmente, você já viu um animal morto enquanto viajava nas estradas brasileiras. Com o Urubu Mobile, podemos fazer muito mais do que apenas lamentar e seguir em frente. Podemos ajudar a combater esse quadro horripilante de 450 milhões de animais silvestres mortos todos os anos nas estradas. O aplicativo foi desenvolvido pelo Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas e, para funcionar adequadamente, requer que seu aparelho celular tenha câmera fotográfica e GPS. Para colaborar com o Sistema Urubu, você deve tirar uma foto do animal atropelado que permita a identificação da espécie. A posição geográfica e a data serão registradas automaticamente. Se quiser, adicione um comentário e então salve a foto, que ficará no álbum do aplicativo e pode ser enviada usando a internet do celular ou rede sem fio. Assim, as informações sobre a mortalidade animais silvestres nas rodovias e ferrovias que são coletadas ajudam governos e concessionárias a tomarem medidas para reduzir estes impactos.

Extintômetro
Exclusivo para o Facebook, este aplicativo, desenvolvido pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária em parceria com 27 conselhos regionais, ajuda as pessoas a identificarem animais ameaçados de extinção ou já extintos e a denunciar práticas ilegais. O aplicativo dá uma amostra representativa das 627 espécies brasileiras extintas ou ameaçadas, informa sobre como denunciar o tráfico de animais silvestres em cada estado e permite que as fotos dos animais sejam usadas como avatar nos perfis pessoais dos usuários.

Viva Floresta
Como o site informa, esta ferramenta é para fazer de cada brasileiro um plantador de árvores, visto que as cidades estão cheias de espécies nativas com frutos e sementes que ninguém colhe. O aplicativo permite mapear árvores urbanas, facilitando a coleta de sementes e a produção de mudas, além de registrar a necessidade de cuidados como podas e combate a pragas. Ele é abastecido de forma colaborativa, então se você quer cadastrar uma árvore, mas não sabe o nome, pode deixar o campo em branco e aguardar até outro usuário preencher a informação. O aplicativo foi adaptado da plataforma Open Tree Map, que é utilizada nos Estados Unidos, Inglaterra e México. 

Nosso Consumo
Os aplicativos da iniciativa Nosso Consumo, uma parceria entre a Federação Brasileira dos Bancos e o Instituto Akatu, buscam conscientizar as pessoas sobre os impactos negativos do desperdício, do consumismo e da falta de controle sobre o indivíduo, seus gastos financeiros, a sociedade e o planeta Terra. O aplicativo Nossa Água traz dicas para economizar este recurso e uma calculadora de banho. O Nossa Energia também tem dicas, que podem ser compartilhadas nas redes sociais, e uma calculadora que contabiliza em Kw o gasto de equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos. Com o aplicativo Nossa Alimentação, você pode criar listas de alimentos que vai comprar no mês, suas quantidades e os preços, praticando o consumo consciente e sem desperdício. Por fim, o Nosso Transporte traz dicas sobre transporte, economia, saúde e meio ambiente e ajuda as pessoas a fazerem escolhas mais conscientes quando se locomovem na cidade por meio da Calculadora Transporte Consciente, que compara gastos financeiros, emissão de carbono e calorias gastas pelo usuário para um determinado percurso feito de carro, de transporte público, de bicicleta ou a pé. Todos os aplicativos vêm com jogos educativos.


Como fazer sua horta
Este manual prático está disponível dentro do aplicativo Guia Salad, que também disponibiliza publicações sobre alimentação saudável. O manual traz dicas para quem quer montar sua própria horta, seja em casa ou apartamento. Dá para cultivar hortaliças, legumes e temperos, além de árvores frutíferas. O manual sugere começar com cultivos como alecrim, orégano, manjericão, boldo, salsinha, cebolinha, pimenta, hortelã e coentro. 

Livrio 
“Compartilhe livros que você ama com quem ama livros”, diz o site. Assim, você pratica o consumo colaborativo, aliviando a pressão sobre os bens naturais do planeta, além de poder fazer novos amigos, conversar sobre seus livros favoritos com eles e economizar dinheiro. É uma ferramenta muito interessante para quem quer ser sustentável também na leitura. O aplicativo cadastra seus livros apenas escaneando o código de barras, encontra livros de amigos que você quer ler e te avisa quando está na hora de alguém te devolver o livro que foi emprestado.

Moda Livre 
Este aplicativo denuncia redes varejistas e marcas de roupas que utilizam mão de obra escrava. As companhias listadas responderam a um questionário com base em quatro indicadores: políticas para combater o trabalho escravo em sua cadeia de fornecimento, monitoramento dos fornecedores de roupas, transparência na comunicação de suas ações para os clientes e histórico do envolvimento da empresa em casos de trabalho escravo. As respostas ajudaram a classificar as empresas em três categorias de cores (verde, amarelo e vermelho) conforme as medidas que adotam para combater o trabalho escravo. Empresas que não responderam ao questionário ficaram automaticamente no vermelho.

Bora de Bike 
Ciclistas moradores de São Paulo vão gostar deste aplicativo, que reúne pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte na sua locomoção pela cidade. O aplicativo disponibiliza a infraestrutura das vias e rotas sugeridas pelo Google Maps, tem canal de conversa para os usuários que querem combinar de pedalar juntos e mostra os endereços de locais que concertam as bicis. Tem ainda endereços de estacionamentos, informações meteorológicas e sugestões de lojas de bicicleta e de esportes. 

Agrosmart 
Este é para os agricultores. Dados da ONU calculam que cerca de 70% da água do mundo é usada para irrigação na agricultura, num processo muitas vezes ineficiente e desperdiçador. Por meio de sensores, dados meteorológicos, processamento de imagens e outras tecnologias, o Agrosmart oferece, em tempo real, a agricultura de precisão. “A água era usada totalmente sem consciência porque os agricultores não costumam ter um custo por ela, geralmente usam água de alguma mina da região. O Agrosmart faz um monitoramento completo das plantações e conseguimos dizer para ele quando e quanto ele deve irrigar, qual é o melhor momento de plantio, melhor momento de colheita, conseguimos prever aparecimento de doenças e pragas baseado nos dados. Com isso, ele consegue não só reduzir o consumo de água entre 30 e 60% como também economizar energia”, explica Mariana Vasconcelos, criadora do aplicativo. 
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Uma verdade inconveniente, de Al Gore [Resenha]

Por Letícia Maria Klein •
16 fevereiro 2016
O aquecimento global existe. Ponto. Fato incontestável. As causas são diversas e intensas, assim como as consequências, que só tendem (e vão) piorar se nada for feito pelos indivíduos, grupos, sociedades, governos, empresas. "Uma verdade inconveniente", documentário de 2006 sobre a campanha do ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, é, essencialmente, um alerta para o problema e um chamado para a ação. Munido de dados e pesquisas científicas, Al Gore aborda os métodos de medição e acompanhamento das mudanças climáticas, intercalando-os com cenas marcantes de situações em várias partes do planeta que fazem com que 150 mil pessoas se tornem refugiadas climáticas todos os anos e que vêm afetando a saúde e a alimentação da população mundial.
Poster de uma verdade inconveniente

Parece dramático? É para ser mesmo. O documentário tem esse tom em muitas passagens. Misturando cenas de sua
palestra sobre o tema, a qual vem realizando ao longo dos anos, com fatos da vida política e pessoal e narração em primeira pessoa, o filme, dirigido por Davis Guggenheim, tem dois objetivos principais: chamar a atenção e sensibilizar.

Durante sua fala, Al Gore atêm-se mais à explicação do processo de aumento da temperatura média do globo e aos efeitos das mudanças climáticas, como derretimento das geleiras, aumento do nível dos oceanos, mudança no padrão das correntes marítimas, eventos climáticos cada vez mais frequentes e intensos, crise social e extinção em massa de espécies. As causas das mudanças climáticas – atividades humanas como geração de energia, desmatamento, pecuária, veículos movidos a derivados do petróleo – são deixadas em segundo plano. Propositalmente, por dois motivos, talvez.

Al Gore em Uma verdade inconveniente

Por um lado, menos nobre, para evitar conflitos com as grandes indústrias estadunidenses, especialmente as termoelétricas, e o estilo de vida norte americano de ser. Por outro, mais nobre, o tom instigante do filme alerta as pessoas para o problema do aquecimento global, tema que Al Gore estuda desde a década de 1970, quando estava na faculdade. Lá, ele teve contato com o professor e físico Roger Revelle, o primeiro cientista a medir a taxa de dióxido de carbono na atmosfera. O filme mostra que desde então, Al Gore vêm estudando, divulgando e tratando do tema não só em palestras, mas também na sua atuação como político. Esta, porém, não tem trazido muitos resultados, visto que, como ele diz em certa altura, os políticos ignoram o que não está na agenda deles.

Por meio de cenas de colegas de profissão zombando dele, a intenção é evidenciar sua frustração em não conseguir comprometimento real da administração pública frente ao problema. Este sentimento vem provavelmente do fato de Al Gore ter a causa do aquecimento global como uma luta pessoal e não apenas pauta política. Apesar do tom pessoal intrínseco à narrativa, ela é menos sobre autovitimização e melhora da imagem de político e mais sobre o descaso da administração pública de um dos mais poderosos países do mundo frente a um dos maiores problemas da atualidade. Afinal, “é difícil fazer um homem entender alguma coisa se o salário dele depende da sua falta de entendimento disso”, frase de Upton Sinclair, escritor, romancista e reformador social dos EUA, citada no filme. 


Al Gore em Uma verdade inconveniente

Independentemente de qualquer possível segunda intenção, o documentário cumpre seu papel de informar, sensibilizar e despertar as pessoas para o problema gravíssimo das mudanças climáticas, exemplificando como cada um de nós pode contribuir na luta contra o aumento dos gases de efeito estufa na atmosfera. O filme ganhou estatuetas do Oscar de melhor documentário e melhor canção original com “I Need to Wake Up” de Melissa Etheridge, que pode ser visto abaixo.

Como é dito no fim do longa, as gerações futuras vão perguntar: “O que nossos pais estavam pensando? Por que não acordaram quando tinham chance”. Não vamos esperar o futuro chegar para ouvir estas perguntas, vamos ouvi-las agora.


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Sementes de sustentabilidade - Palestra e oficina

Por Letícia Maria Klein •
12 fevereiro 2016
Muitas pessoas trabalharam na segunda-feira, véspera do feriado de Carnaval, e eu aproveitei este tempo para falar com alguns funcionários da empresa Haco Etiquetas sobre como podemos ser sustentáveis na nossa rotina. Fui convidada para dar uma palestra durante a SIPAT 2016 – Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho. O tema da conversa foi “Sustentabilidade no dia a dia – Como viver respeitando o meio que nos sustenta”, com dicas para reduzir os resíduos que geramos, economizar água e energia e praticar o consumo consciente.


Cerca de 30 pessoas estavam presentes. Foi quase uma hora de palestra, em que expliquei o significado da sustentabilidade e como podemos aplicá-la na nossa vida. Claro, coloquei vários vídeos durante a apresentação. Como comprovei no meu intercâmbio na Romênia, vídeos são ótimos no processo de aprendizagem e ensinamento, pois têm um poder próprio de entreter, chamam a atenção e quebram o ritmo mais linear da palestra. A maioria foi com um teor cômico, da série The Animals Save the Planet, e dois foram emocionantes. 


Pelos retornos que recebi e o que eu percebi, as pessoas gostaram da palestra e dos vídeos. Também interagiram durante a fala, respondendo às perguntas que eu fazia. O diálogo e a interações são ferramentas importantes para que a pessoa do outro lado seja ativa no processo, não passiva.

No fim de janeiro, também participei de outro evento. Foi o Piquenique dos Coletivos, aqui na minha cidade. Levei os baldes de compostagem e mostrei como fazer a própria composteira. As pessoas presentes fizeram várias perguntas e realmente gostaram da oficina. A compostagem é maravilhosa, pois assim seus resíduos orgânicos vão virar adubo, recurso valioso, e não ficar acumulando no aterro sanitário, soltando gases de efeito estufa. 





E assim, a semente da sustentabilidade vai sendo semeada em cada vez mais mentes e corações.
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