A palavra de ordem no II EBEA foi amor. Logo na palestra de abertura, o professor Daniel Silva falou sobre “Os fundamentos emocionais da educação ambiental”. Foi fantástica! O professor tem muito conhecimento e sabe transmitir a informação de maneira apaixonante. Ele convidou algumas pessoas da plateia para contribuir com depoimentos ao longo da explicação, o que enriqueceu muito o momento. Além da palestra, o professor também ministrou uma oficina no dia seguinte, sobre o significado da sustentabilidade, que foi igualmente enriquecedora. Como auxiliar, participei de três oficinas com temas e públicos bem diferentes, mas muito interessantes. No post anterior eu falei sobre como foi participar do II EBEA como organizadora e neste comento sobre a palestra e oficinas de que participei.
Palestra de abertura
A palestra de abertura foi muito bem construída. O professor Daniel falou sobre a inexistência de gratuidade na natureza, o que significa que nada é por acaso e tudo tem relação, interdependência ou complementaridade com outro elemento ou parte do sistema da Terra. Esta visão sistêmica pode ser adquirida através da educação ambiental, que constrói consciências a partir de emoções. São três: emoções fundadoras, pedagógicas e estratégicas. As fundadoras são o amor e o bem comum. O ser humano não se encerra em si mesmo, ele precisa do meio e de outros seres para viver, preservando o que ama e o que é comum a todos.
As emoções pedagógicas são as do dia a dia da educação ambiental, que têm o objetivo de religar o humano consigo mesmo e com a natureza, estabelecendo a pertinência (noção de pertencimento ao meio) e afinidade (valorização, respeito e reconhecimento do meio e dos outros seres vivos). Por fim, as emoções estratégicas tem relação com nosso futuro. Os educadores são comprometidos com o futuro e com a futuridade. Agir em compromisso com a futuridade é realizar ações no presente para construir o futuro e ter responsabilidade, que significa responder às situações com habilidade.
Para cada emoção, o professor chamou duas pessoas da plateia, que ele já conhecia de outras ocasiões, para darem um depoimento sobre o tópico. Foi muito interessante! Uma delas, integrante do GTEA RH7, que realizou evento paralelo ao II EBEA, disse que não gosta de falar educação ambiental, pois não se separa o que é inseparável. Não é possível educar sem relacionar o ambiente em que vivemos, desde nossa residência até a grande casa Terra. Os aspectos ambientais, sociais, econômicos, políticos são parte intrínseca da educação, pois se educa para a vida como um todo. Concordo com esta visão, e você?
Oficina com professor Daniel
Além da palestra, participei de quatro oficinas, sendo três como auxiliar. A oficina do professor Daniel foi bem prática e propôs uma metodologia de trabalho a partir da leitura de um texto sobre sustentabilidade, do qual cada um extraia o que considerava mais importante. Em seguida, cada grupo de quatro ou cinco pessoas deveria formular um conceito de sustentabilidade a partir da opinião de todos os membros, culminando na elaboração de um cartaz que simbolizasse a definição estabelecida pela equipe. A dinâmica foi ótima e o aprendizado, valioso.
A oficina sobre ferramentas de mobilização, ministrada pela fundadora da Minha Blumenau, Amanda Tiedt, começou com uma dinâmica muito interessante sobre democracia participativa, que mostrou que as mesmas pessoas podem ter opiniões similares sobre determinado assunto e opiniões diferentes sobre outro, e nem por isso elas vão deixar de conversar ou manter um relacionamento. Também foi falado sobre a cidadania ativa e o conceito de rede, colaboração e canalização da ação. Para entender na prática, Amanda mostrou quais as ferramentas que a Minha Blumenau disponibiliza aos cidadãos para reivindicar posturas do governo, sugerir propostas ou mobilizar ações e depois, em grupos, nós tivemos que escolher uma causa e a melhor ferramenta para potencializá-la.
A oficina do professor Amarildo Otavio Martins foi para suscitar nos estudantes o amor, ou ao menos a curiosidade, pela química. Crítico do sistema atual de ensino, que afasta os estudantes das ciências, Amarildo atua de forma a despertar, por meio de equipamentos e instrumentos em aulas práticas, o interesse das pessoas pelas ciências, em especial a química. A oficina foi sobre determinação de metais em matrizes ambientais utilizando a espectrometria atômica. Na prática, como identificar metais potencialmente tóxicos em água, solo, plantas, entre outras matrizes, utilizando o aparelho de espectrometria, que emite chamas coloridas, sendo que cada cor está relacionada a um metal. O conhecimento desta técnica, aliado ao monitoramento desses metais, como chumbo, cádmio e mercúrio, permite o desenvolvimento de metodologias mais eficientes e com alta sensibilidade analítica.
Oficina do professor Amarildo
A MPB Engenharia, responsável pela duplicação da BR-470, ofereceu uma oficina de como fazer um abajur decorativo com imagens da Mata Atlântica. A bióloga Daiane Kafer e a engenheira ambiental Marília Machado ensinaram mais de 30 estudantes a confeccionar abajures a partir de garrafa pet. Um lado não tão bom foi que apenas a garrafa foi um material reaproveitado, todos os outros materiais utilizados para fazer o abajur foram comprados novos, o que fugiu um pouco da proposta do EBEA que era a de reutilizar o máximo de resíduos possível. De qualquer forma, a criançada gostou bastante e ficou bem entretida durante toda a oficina.
A programação deste ano do EBEA foi bem diversificada e interessante. Se você teve a oportunidade de participar, comente aqui embaixo o que achou do evento. =)
No ano passado, estive presente no Encontro Blumenauense de Educação Ambiental como participante e neste ano como organizadora. São duas experiências diferentes e igualmente ricas. Desta vez, acompanhei todo o planejamento e organização do evento, que começou em junho no GTEA L (Grupo de Trabalho de Educação Ambiental de Blumenau), depois de finalizada a Semana Municipal do Meio Ambiente. É energizante poder participar de toda a montagem das exposições no local, da arrumação das salas para as oficinas e de todos os preparativos para que tudo ocorra conforme o planejado. No fim, é gratificante ver que expositores, oficineiros, palestrantes e participantes gostaram e aproveitaram e também receber agradecimentos de professores pela oportunidade de apresentar os belos trabalhos que realizam com seus estudantes.
Parte do grupo do GTEA L com o professor Daniel Silva,
após a cerimônia de abertura.
Foram 34 escolas que expuseram trabalhos fantásticos de educação, englobando horta comunitária, reutilização de materiais recicláveis, estudos de solo e fontes alternativas de energia, entre outros. As 12 oficinas tiveram públicos diferentes e abordaram temas como compostagem, atividades e ações educativas, gestão de resíduos, ferramentas de mobilização social e música com sucata, dentre outras.
Exposição da Escola Básica Municipal Professora
Norma Dignarti Huber sobre os tipos de solo.
Fonte: Prefeitura Municipal de Blumenau.
Exposição sobre o processo de taxidermia (empalhamento).
Fonte: Prefeitura Municipal de Blumenau.
Exposição da Escola Básica Municipal Francisco Lanser
sobre o trabalho de horta e plantações.
Fonte: Prefeitura Municipal de Blumenau.
Aconteceram também apresentações artísticas e culturais e atividades interativas nos corredores e salas de aula, como peças teatrais, músicas e a Rede de Protetores das Águas, em que pessoas podiam confeccionar peixes e escrever neles mensagens de preservação. Também houve visitas de escolas à Estação de Tratamento de Esgoto da Odebrecht Ambiental, na Fortaleza. Cerca de 500 pessoas participaram das oficinas e por volta de 1000 de todo o evento, que aconteceu de 30 de setembro a 2 de outubro de 2015.
No dia 30, à noite, foi a cerimônia de abertura, que contou com uma palestra belíssima do professor Daniel Silva, da Universidade Federal de Santa Catarina, sobre “Os fundamentos emocionais da Educação Ambiental”. Merece um post à parte, que sairá em breve.
Oficina de compostagem.
Fonte: Prefeitura Municipal de Blumenau.
Crianças interagindo com as minhocas
durante oficina de compostagem.
Fonte: Prefeitura Municipal de Blumenau.
Na tarde do dia 30 e na manhã do 1°, paralelamente ao II EBEA, foi realizado o 1º Encontro dos Grupos de Trabalho de Educação Ambiental das Bacias Hidrográficas de Santa Catarina. Consegui participar de algumas palestras e conhecer o trabalho de GTEA de outras regiões, além de ouvir opiniões interessantes e esclarecedores sobre a educação ambiental e políticas públicas relacionadas.
Cada membro do comitê organizador do EBEA recebeu tarefas para desempenhar durante o evento e dentre elas estava a de acompanhar oficinas e auxiliar no que fosse preciso. Nesta função, participei das oficinas de Ferramentas de Mobilização, realizada por Amanda Tiedt, fundadora da Minha Blumenau; Abajur Decorativo com Imagens da Mata Atlântica, da MPB Engenharia, responsável pela duplicação da BR-470; e Determinação de Metais em Matrizes Ambientais utilizando a Espectrometria Atômica, ministrada pelo professor do campus da UFSC em Blumenau, Amarildo Otavio Martins. Também falarei sobre elas em outro post, junto com a palestra de abertura, pois foram muito interessantes.
Além disso, pude participar de uma oficina ministrada pelo professor Daniel sobre o conceito de sustentabilidade, que foi bem prática, com dinâmicas em grupo. Show de bola! Falo mais dela no outro post. Por fim, terminamos o II EBEA com o Encontro de Coletivos de Blumenau, do qual participou a Amanda da Minha Blumenau, a Fabíola Cordeiro da Sinergia Urbana, o Giovani Seibel da ABCiclovias e eu com a Juventude Lixo Zero Blumenau. Cada um falou sobre os objetivos e ações do seu movimento e a plateia interagiu com contribuições bem legais. Nossas cabeças saíram fervilhando de ideias, aguardem!
Na oficina do professor Daniel.
Foto de Cássia Koehler.
No Encontro de Coletivos de Blumenau.
Foto de Cássia Koehler.
Além de auxiliar nas oficinas, nós do GTEA também ajudamos os expositores e oficineiros a organizar seus locais, providenciando os materiais necessários e dando instruções. Carregamos muitas mesas e cadeiras e juntamos uma quantidade considerável de quilômetros ao fim dos três dias, andando e até correndo de um lado para o outro para garantir que tudo estivesse em ordem. Contamos com a ajuda de pessoas ótimas (da Uniasselvi Fameblu, da segurança e limpeza, entre outros), que contribuíram para o sucesso do II EBEA. Foi uma experiência maravilhosa e recompensadora, que evidencia a necessidade de investir na educação e aimportância de valorizar esta que é a principal ferramenta de construção de uma sociedade justa, ética e sustentável.
No ano 2000, 189 países membros da Organização das Nações Unidas estabeleceram 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para serem cumpridos até 2015, este ano. Grande parte das metas dos objetivos foi alcançada e algumas não. Pensando nisso, a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável no Rio de Janeiro em 2012, já tinha o fim dos ODM em pauta e a implantação dos ODS, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que abriam espaço para um novo acordo de cooperação mundial em busca da sustentabilidade. Os 8 ODM viraram 17 ODS, com 169 metas para garantir qualidade social, ambiental e econômica até 2030.
O anúncio oficial dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável foi feito durante a Cúpula sobre o Desenvolvimento Sustentável, na sede das Nações Unidas, em Nova York, nos dias 25, 26 e 27 de setembro deste ano. Antes, os oito ODM contemplavam a erradicação da fome e da miséria, educação básica de qualidade para todos, igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres, redução da mortalidade infantil, melhora da saúde das gestantes, combate à Aids, à malária e outras doenças; garantia da qualidade de vida e respeito ao meio ambiente e estabelecimento de parcerias para o desenvolvimento.
Diferentemente dos ODM, que era destinado apenas a países em desenvolvimento, os novos objetivos englobam os países desenvolvidos. Outro avanço da Agenda 2030, como está sendo chamado o documento que reúne todos os ODS, é o espaço de destaque dado às questões ambientais e a transversalidade de temas, que englobam vários objetivos e suas metas. Como bem disse Kitty van der Heijden, do World Resources Institute (WRI), nesta entrevista:
“A lição que aprendemos dos ODM é que não podemos fazer mudanças sustentadas se trabalharmos em setores separados. É a interconexão entre os três pilares que expressa a grande transformação dos ODS”.
Nós vivemos num sistema e é só através da visão sistêmica que entendemos o significado e a importância de cada ponto da teia da vida. A sustentabilidade é baseada em três pilares não à toa. Apenas o equilíbrio entre as dimensões ambiental, social e econômica é que vai garantir o mundo que queremos para nós e nossos descendentes.
Tripé da sustentabilidade e os problemas de
considerar apenas duas das três dimensões
Parece que os países estão finalmente entendendo isto e todos os 193 Estados membros da ONU adotaram a nova Agenda de Desenvolvimento Sustentável. Agora, cada país terá que elaborar seu próprio plano nacional de ODS com o objetivo de cumprir as metas previstas na agenda.
Abaixo estão cada um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e algumas metas de cada um. Para conhecer todos os objetivos na íntegra, é só clicar na palavra "objetivo". O texto integral da Agenda 2030 em português pode ser lido aqui. Também vale uma visita ao canal da ONU Brasil no Youtube, que está cheio de vídeos sobre a Cúpula e os ODS.
Objetivo 1: Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.
A pobreza extrema é medida hoje como pessoas que vivem com menos de US$ 1,25 por dia. Este objetivo tem metas de acabar com esta condição; reduzir a quantidade de pessoas vivendo na pobreza; implementar medidas e sistemas de proteção social; garantir direitos iguais das pessoas aos recursos econômicos, serviços básicos, recursos naturais, etc; aumentar a resiliência dos pobres e vulneráveis e reduzir sua exposição a eventos extremos; entre outras.
Objetivo 2: Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.
As metas deste objetivo incluem acabar com a fome e garantir o acesso de todos a alimentos seguros, nutritivos e em quantidade suficiente; acabar com a desnutrição; dobrar a produtividade agrícola e a renda dos pequenos produtores de alimentos; garantir sistemas sustentáveis de produção de alimentos e implantar práticas agrícolas sustentáveis; manter a diversidade genética de sementes, plantas cultivadas, animais de criação e domesticados e suas respectivas espécies; aumentar o investimento em infraestrutura rural, pesquisa e extensão de serviços agrícolas, desenvolvimento de tecnologia e bancos de genes de plantas e animais; entre outras.
Objetivo 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.
Dentre as várias metas deste objetivo, estão: reduzir a taxa de mortalidade materna global; acabar com as mortes evitáveis de recém-nascidos e crianças menores de 5 anos; acabar com as epidemias de AIDS, tuberculose, malária e doenças tropicais negligenciadas; reduzir em um terço a mortalidade prematura por doenças não transmissíveis via prevenção e tratamento; reforçar a prevenção e o tratamento do abuso de substâncias; reduzir pela metade as mortes e os ferimentos globais por acidentes em estradas; assegurar o acesso de todos aos serviços de saúde sexual e reprodutiva; atingir a cobertura total de saúde; reduzir o número de mortes e doenças por produtos químicos perigosos, contaminação e poluição do ar e água do solo; fortalecer a implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco em todos os países; apoiar a pesquisa e o desenvolvimento de vacinas e medicamentos para as doenças transmissíveis e não transmissíveis; entre outras.
Objetivo 4: Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
Algumas das metas deste objetivo são: garantir que todas as meninas e meninos completem o ensino primário e secundário livre, equitativo e de qualidade; garantir que eles tenham acesso a um desenvolvimento de qualidade na primeira infância, cuidados e educação pré-escolar; assegurar a igualdade de acesso de homens e mulheres à educação técnica, profissional e superior de qualidade, a preços acessíveis, incluindo universidade; aumentar o número de jovens e adultos com habilidades relevantes para emprego, trabalho decente e empreendedorismo; eliminar as disparidades de gênero na educação e garantir a igualdade de acesso a todos os níveis de educação e formação profissional para os mais vulneráveis; garantir a alfabetização de todos os jovens e uma substancial proporção dos adultos, homens e mulheres; garantir que todos os estudantes adquiram conhecimentos e habilidades necessárias para promover o desenvolvimento sustentável; construir e melhorar instalações físicas para educação; entre outras.
Objetivo 5: Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
As metas incluem: acabar com a discriminação contra mulheres e meninas em toda parte; eliminar a violência contra mulheres e meninas nas esferas públicas e privadas; eliminar as práticas nocivas; reconhecer e valorizar o trabalho de assistência e doméstico não remunerado; garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, econômica e pública; assegurar o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva e os direitos reprodutivos; entre outras.
Objetivo 6: Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos.
Algumas metas são: alcançar o acesso de todos e equitativo a água potável e segura; alcançar o acesso a saneamento e higiene adequados e equitativos para todos e acabar com a defecação a céu aberto; melhorar a qualidade da água; aumentar a eficiência do uso da água em todos os setores e assegurar retiradas sustentáveis e o abastecimento de água doce; implementar a gestão integrada dos recursos hídricos em todos os níveis, inclusive via cooperação transfronteiriça; proteger e restaurar ecossistemas relacionados com a água; apoiar e fortalecer a participação das comunidades locais para melhorar a gestão da água e do saneamento.
Objetivo 7: Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos.
Este objetivo tem as seguintes metas: assegurar o acesso universal, confiável, moderno e a preços acessíveis a serviços de energia; aumentar a participação de energias renováveis na matriz energética global; dobrar a taxa global de melhoria da eficiência energética; reforçar a cooperação internacional para facilitar o acesso à pesquisa e a tecnologias de energia limpa; expandir a infraestrutura e modernizar a tecnologia para o fornecimento de serviços de energia modernos e sustentáveis para todos nos países em desenvolvimento.
Objetivo 8: Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos.
Este é um dos objetivos com mais metas, que incluem: sustentar o crescimento econômico per capita de acordo com as circunstâncias nacionais; atingir níveis mais elevados de produtividade das economias por meio da diversificação, modernização tecnológica e inovação; promover políticas orientadas para o desenvolvimento que apoiem as atividades produtivas, geração de emprego decente, empreendedorismo, criatividade e inovação; melhorar progressivamente a eficiência dos recursos globais no consumo e na produção e empenhar-se para dissociar o crescimento econômico da degradação ambiental; reduzir substancialmente a proporção de jovens sem emprego, educação ou formação; tomar medidas imediatas e eficazes para erradicar o trabalho forçado, a escravidão moderna, o tráfico de pessoas e o trabalho infantil; elaborar e implementar políticas para promover o turismo sustentável, entre outras.
Objetivo 9: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.
Dentre as metas, estão: desenvolver infraestrutura de qualidade, confiável, sustentável e resiliente; promover a industrialização inclusiva e sustentável; modernizar a infraestrutura e reabilitar as indústrias para torná-las sustentáveis, com eficiência no uso de recursos e adoção de tecnologias e processos industriais limpos e ambientalmente corretos; fortalecer a pesquisa científica; facilitar o desenvolvimento de infraestrutura sustentável e resiliente em países em desenvolvimento; aumentar o acesso às tecnologias de informação e comunicação e se empenhar para oferecer acesso universal e a preços acessíveis à internet nos países menos desenvolvidos, até 2020; entre outras.
Objetivo 10: Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.
As metas incluem: alcançar e sustentar o crescimento da renda dos 40% da população mais pobre a uma taxa maior que a média nacional; empoderar e promover a inclusão social, econômica e política de todos; garantir a igualdade de oportunidades e reduzir as desigualdades de resultados; adotar políticas, especialmente fiscal, salarial e de proteção social; melhorar a regulamentação e monitoramento dos mercados e instituições financeiras globais; assegurar uma representação e voz mais forte dos países em desenvolvimento em tomadas de decisão nas instituições econômicas e financeiras internacionais globais; facilitar a migração e a mobilidade ordenada, segura, regular e responsável das pessoas; entre outras.
Objetivo 11: Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.
Algumas metas são: garantir o acesso de todos à habitação segura, adequada e a preço acessível e aos serviços básicos; proporcionar o acesso a sistemas de transporte seguros, acessíveis, sustentáveis e a preço acessível para todos; aumentar a urbanização inclusiva e sustentável; fortalecer esforços para proteger e salvaguardar o patrimônio cultural e natural do mundo; reduzir o número de mortes e o número de pessoas afetadas por catástrofes; reduzir o impacto ambiental negativo per capita das cidades; proporcionar o acesso de todos a espaços públicos seguros; aumentar substancialmente o número de cidades e assentamentos humanos adotando e implementando políticas e planos integrados para a inclusão, a eficiência dos recursos, mitigação e adaptação às mudanças climáticas, a resiliência a desastres; entre outras.
Objetivo 12: Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis.
Dentre as metas, incluem-se: Implementar o Plano Decenal de Programas sobre Produção e Consumo Sustentáveis; alcançar a gestão sustentável e o uso eficiente dos recursos naturais; reduzir pela metade o desperdício de alimentos per capita mundial; alcançar o manejo ambientalmente saudável dos produtos químicos e todos os resíduos; reduzir a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso; incentivar as empresas a adotar práticas sustentáveis; promover práticas de compras públicas sustentáveis; garantir que as pessoas, em todos os lugares, tenham informação relevante e conscientização para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida em harmonia com a natureza; racionalizar subsídios ineficientes aos combustíveis fósseis, que encorajam o consumo exagerado; entre outras.
Objetivo 13: Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos.
As metas são: reforçar a resiliência e a capacidade de adaptação a riscos relacionados ao clima e às catástrofes naturais em todos os países; integrar medidas da mudança do clima nas políticas, estratégias e planejamentos nacionais; melhorar a educação, aumentar a conscientizaçãoe a capacidade humana e institucional sobre mitigação, adaptação, redução de impacto e alerta precoce da mudança do clima; implementar o compromisso assumido pelos países desenvolvidos partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima; promover mecanismos para a criação de capacidades para o planejamento relacionado à mudança do clima e à gestão eficaz, nos países menos desenvolvidos.
Objetivo 14: Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
Algumas metas: prevenir e reduzir significativamente a poluição marinha de todos os tipos; gerir de forma sustentável e proteger os ecossistemas marinhos e costeiros para evitar impactos adversos significativos; minimizar e enfrentar os impactos da acidificação dos oceanos; regular a coleta e acabar com a sobrepesca, ilegal; conservar pelo menos 10% das zonas costeiras e marinhas; proibir certas formas de subsídios à pesca, que contribuem para a sobrecapacidade e a sobrepesca, e eliminar os subsídios que contribuam para a pesca ilegal; aumentar o conhecimento científico, desenvolver capacidades de pesquisa e transferir tecnologia marinha; assegurar a conservação e o uso sustentável dos oceanos e seus recursos pela implementação do direito internacional; entre outras.
Objetivo 15: Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
Um dos objetivos com mais metas, que incluem: assegurar a conservação, recuperação e uso sustentável de ecossistemas terrestres e de água doce interiores e seus serviços; promover a implementação da gestão sustentável de todos os tipos de florestas, deter o desmatamento, restaurar florestas degradadas e aumentar o florestamento e o reflorestamento globalmente; combater a desertificação, restaurar a terra e o solo degradado; assegurar a conservação dos ecossistemas de montanha; tomar medidas urgentes e significativas para reduzir a degradação de habitat naturais, deter a perda de biodiversidade, proteger e evitar a extinção de espécies ameaçadas, acabar com a caça ilegal e o tráfico de espécies da flora e fauna protegidas; integrar os valores dos ecossistemas e da biodiversidade ao planejamento nacional e local; entre outras.
Objetivo 16: Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
Algumas metas: reduzir a violência e as taxas de mortalidade relacionada em todos os lugares; acabar com abuso, exploração, tráfico e violência e tortura contra crianças; promover o Estado de Direito e garantir a igualdade de acesso à justiça para todos; reduzir os fluxos financeiros e de armas ilegais; reduzir a corrupção e o suborno; desenvolver instituições eficazes, responsáveis e transparentes; garantir a tomada de decisão responsiva, inclusiva, participativa e representativa; ampliar e fortalecer a participação dos países em desenvolvimento nas instituições de governança global; fornecer identidade legal para todos; assegurar o acesso público à informação e proteger as liberdades fundamentais; entre outras.
Objetivo 17: Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.
Este é o objetivo com mais metas e divide-se em finanças, tecnologia, capacitação, comércio e questões sistêmicas. Algumas metas: fortalecer a mobilização de recursos internos, inclusive por meio do apoio internacional aos países em desenvolvimento, para melhorar a capacidade nacional para arrecadação de impostos e outras receitas; promover o desenvolvimento, a transferência, a disseminação e a difusão de tecnologias ambientalmente corretas para os países em desenvolvimento; reforçar o apoio internacional para a implementação eficaz e orientada da capacitação em países em desenvolvimento; promover um sistema multilateral de comércio mundial; aumentar a coerência das políticas para o desenvolvimento sustentável; reforçar a parceria global para o desenvolvimento sustentável; entre outras.
Para terminar, um videozinho muito interessante feito pela ONU sobre a Agenda 30 e os 17 ODS.
Como embaixadora da Juventude Lixo Zero Blumenau, fui convidada a dar uma palestra sobre o conceito lixo zero na Faculdade Senac Blumenau para a Semana de Responsabilidade Social da unidade. A exposição aconteceu nesta última terça-feira para as turmas dos cursos de tecnologia em Logística, Processos Gerenciais e Gestão da Tecnologia da Informação e do curso técnico em Administração. Cerca de 50 estudantes estavam presentes e, pelo que eu vi e senti, eles gostaram e aproveitaram! Gosto de palestras interativas, então fiz algumas perguntas para eles e levei vários objetos para mostrar como ser lixo zero no dia a dia, além de ensinar rapidamente como se faz compostagem em casa. Adorei, quando é o próximo??
Num tempo de mais ou menos 40 minutos, falei sobre o conceito lixo zero e por que aplicar o conceito na nossa rotina e seguir os 5 Rs do consumo consciente (recusar, reduzir, reutilizar, reciclar e reintegrar à natureza pela compostagem), os quais espelham um dos objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos).
Para deixar a exposição mais visual e atrativa, levei alguns objetos que uso no meu dia a dia para diminuir a quantidade de resíduos que eu produzo. Também levei os baldes de compostagem para mostrar como fazer a composteira seca e o minhocário. Uma menina disse que faz compostagem na cada dela (fiquei feliz!) e um rapaz veio, no fim da palestra, me perguntar mais sobre a composteira seca.
O número de pessoas que disse fazer a separação dos resíduos recicláveis foi bem pequeno, nem 10%. Quem sabe depois da palestra este número aumente? Estou torcendo!! É para isso que a Juventude Lixo Zero luta, exercendo a educação ambiental e conscientizando as pessoas para uma sociedade em que os resíduos sólidos tenham seu destino correto e sejam reconhecidos como matéria-prima valiosa.
Aproveitando o tema, vale divulgar uma ação muito bacana que o Senac Blumenau está apoiando. É um torneio de bocha com celulares danificados, realizado pela terceira vez pelo Rotaract Blumenau Munique com o objetivo de chamar a atenção para os resíduos eletrônicos. Por isso, também haverá coleta de e-lixo e qualquer pessoa pode levar aparelhos que não funcionam mais, como celular, televisão, computador, rádio, entre outros. Será no dia 22 de setembro, na Faculdade Senac, a partir das 18h. De uma olhadinha nos cartazes para mais informações.
Nesta semana eu fui convidada por uma amiga da minha mãe que é diretora de um Centro de Educação Infantil aqui em Blumenau para falar com as crianças sobre reciclagem. No CEI Frieda Zadrozny as professoras já ensinam desde cedo que precisamos cuidar do planeta e dos bens naturais. Economizar água, preservar as matas, respeitar os animais, reciclar os resíduos são temas tratados no dia a dia da creche, que tem seus corredores, portas e salas enfeitados de forma a incentivar nas crianças a preocupação com o meio ambiente. A sala de leitura, por exemplo, foi decorada para parecer uma floresta e só tem livros infantis sobre animais. Na última terça-feira, eu conversei com duas turmas de 4 anos sobre a importância da reciclagem e como separar os materiais. O interesse e a espontaneidade delas são contagiantes e inspiradores!
Para a exposição, eu peguei os coletores seletivos que têm na escolinha, quatro caixas nas cores azul, amarela, vermelha e verde para papel, metal, plástico e vidro respectivamente. Uma das salas do CEI é destinada para os materiais recicláveis, que as professoras pedem para as crianças trazerem de casa. Está tudo separado em caixas, cada peça ou material tem seu lugar certinho, muito organizado.
Selecionei alguns materiais para demonstrar às crianças o que colocar em cada caixa. Caixa de ovo, garrafa pet, pote de margarina, lata, tampa de garrafa de vidro, caixa de leite, potinho de iogurte e rolinho de papel higiênico foram alguns dos materiais que escolhi. Eu perguntei para os pequenos se eles comiam em casa aqueles alimentos e fui mostrando o que fazer com cada embalagem. Às vezes eu vazia perguntas ou indicava um material para a caixa errada para ver se eles estavam atentos e entendendo.
É muito divertido trabalhar com crianças. Elas surpreendem. Podem ser pequenos ainda, aquelas têm apenas 4 anos, mas já entendem o que é reciclagem, por que é importante separar os materiais e o que dá para fazer com eles. As turmas eram grandes, com cerca de 20 crianças cada, e quase todos estavam animados e atentos à aulinha, sempre interagindo e respondendo as perguntas que eu fazia. Para terminar, fiz uma atividade em que eles tinham que pintar um rolinho de papel higiênico de azul (para facilitar a associação com a cor da caixa coletora respectiva) e colocar na caixa certa.
O melhor de tudo foi ver que eles gostaram e que aprenderam pelo menos alguma coisinha a mais. Quanto mais frequente for o contato das crianças, e dos adultos também, com temas socioambientais, maior o impacto e mais efetivo o resultado. Um rapaz que está ajudando no CEI, principalmente na parte dos resíduos, disse que a filha dele, que estuda ali, já pede para ele fechar a torneira quando escova os dentes para salvar a água. Prova de que a educação ambiental é uma ferramenta poderosa de transformação da sociedade. Os abraços e sorrisos de despedida das crianças também mostram que a educação ambiental é um trabalho de formiguinha, porém delicioso, eficaz e que vale muito a pena.
"Plante uma Árvore" é uma campanha do Coletivo Cirandar e da Floricultura Ikebana Flores para reflorestar a Serra da Gandarela, segunda maior área contínua de Mata Atlântica no estado de Minas Gerais, que está em perigo devido ao monopólio da mineração. O Sustenta Ações abraça esta campanha e incentiva todos aqueles que quiserem ajudar este projeto de reflorestamento! Toda publicação sobre a campanha resulta em uma muda nativa plantada pela própria floricultura em um local devastado pela mineração na região.
A Serra do Gandarela está localizada entre a Serra do Caraça e a Serra da Piedade, nos municípios de Barão de Cocais, Caeté, Santa Bárbara, Rio Acima, Raposos e Itabirito. A atividade de mineração degrada os ecossistemas naturais de Mata Atlântica, incluindo seu amplo manancial, que abrange as Bacias Hidrográficas Rios Doce/Piracicaba e São Francisco/Rio das Velhas. O projeto existe desde novembro de 2012 já teve a adesão de 300 parceiros. A campanha entrou na 4ª fase de plantio, totalizando 307 mudas nativas plantadas ao todo na região. É possível acompanhar o mapeamento das áreas de plantio neste link.
Este é um guest post, com informações e fotos cedidas por Thais Alessandra, do Coletivo Cirandar.
Meu nome é Letícia e moro em Santa Catarina. Trabalho como jornalista ambiental desde 2013, e aqui você encontra dicas de como viver de formas mais sustentáveis.
Seja um afiliado
Venda o e-book "Como montar um residuário" e ganhe 20% do valor do livro.
Redes sociais