A Teia da Vida, de Fritjof Capra [Resenha]

Por Letícia Maria Klein •
20 novembro 2014

“Isto sabemos, todas coisas estão ligadas como o sangue que une uma família... O que acontecer com a Terra acontecerá com os filhos e filhas da Terra. O homem não teceu a teia vida, ele é dela apenas um fio. O que ele fizer para a teia estará fazendo a si mesmo”. 
- Ted Perry, inspirado no Chefe Seatle. 

Esta frase abre o livro A Teia da Vida, escrito pelo físico e ambientalista Fritjof Capra após 10 anos de pesquisas sobre teorias e estudos científicos que levaram à visão sistêmica da vida. Ecologia profunda, movimento romântico, biologia organísmica, cibernética, pensamento sistêmico, tectologia, laços de realimentação, estruturas dissipativas, cognição, sistema de Gaia, teoria da complexidade, teoria do caos, teoria de Santiago e outros estudos comprovaram a existência da teia da vida, a interligação e a interdependência entre todos os seres vivos, estruturas e elementos presentes no Planeta Terra e no universo (afinal, o que seria de nós sem o sol?). 

Abordando os acontecimentos em ordem cronológica, Capra conseguiu conectar todas as teorias e estudos com maestria, refletindo, através de sua escrita e narrativa, o que os próprios cientistas comprovaram em suas pesquisas: a conectividade, inter-relação e interdependência entre todos os pontos da teia da vida. Além disso, o livro tem o mérito de falar de questões científicas com uma linguagem acessível, menos técnica. 

Ao longo do texto, Capra vai nos mostrando como o planeta Terra é uma rede, uma cadeia viva de eventos que vão se relacionando e se modificando mutuamente. É um sistema, a Terra e todos os seres e elementos que nela existem fazem parte de um sistema. Do grego, a palavra sistema significa “colocar junto”, portanto, a visão sistêmica das coisas diz respeito a colocá-las dentro de um contexto e estabelecer qual a natureza das suas relações. E quando o “eu”, cada um de nós, se vê pertencente ao meio ambiente, não são necessárias advertências morais para que eu preserve o meio, pois o meu comportamento seguirá naturalmente a ética ambientalista. 

No capítulo final do livro, Capra faz uma reflexão sobre o surgimento da visão fragmentada de mundo e expõe a necessidade de recuperarmos “nossa plena humanidade e nossa experiência de conexidade com a teia da vida”. É olhar para a natureza e para as relações naturais como um modelo a ser seguido pelas comunidades humanas.

“Reconectar-se com a teia da vida significa construir, nutrir e educar comunidades sustentáveis. [...] Ser ecologicamente alfabetizado, ou “eco-alfabetizado”, significa entender os princípios de organização das comunidades ecológicas (ecossistemas) e usar esses princípios para criar comunidades humanas sustentáveis” (p. 231). 

Os seres humanos são apenas uma dentre milhares de espécies e necessitam da natureza e seus bens tanto quanto qualquer outra para sobreviver. É isso que a maioria das pessoas esquece. Os humanos não existem sozinhos, nós precisamos da natureza, da teia da vida, para sobreviver. Não é lutando contra ela que conseguiremos “progredir”, é se aliando a ela. Como disseram Margulis e Sagan, estudiosos do microcosmo, (apud Capra, p. 185), “a vida não se apossa do globo pelo embate, mas sim, pela formação de redes”.
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Juventude Lixo Zero

Por Letícia Maria Klein •
11 novembro 2014
O que é lixo pra você? Se considerarmos que lixo é aquilo que “jogamos fora”, então temos uma grande parte de matéria orgânica (restos de comida, cascas de frutas, talos de verduras) e outra grande parte de plásticos, metais, vidro, papel e mais alguns. Como matéria orgânica pode ser composta e virar adubo e a maioria dos outros materiais pode ser reciclada, voltando para a cadeia produtiva, o tal lixo que a gente produz é, na verdade, muito útil! De lixo mesmo, só uma mísera parte que não tem como passar pela compostagem nem pela reciclagem. Sendo assim, uma sociedade sem resíduos sólidos (ou então com muito pouco) é possível, sim!



Por que devemos nos preocupar com o lixo, afinal de contas? Vários motivos super simples. Os bens naturais são finitos, acabam se a gente não souber preservar. O sistema de produção vigente é linear (extração – produção – descarte), em oposição ao sistema cíclico da Terra (ciclos da água, do oxigênio, do carbono, etc.). A onda doentia de consumismo aumenta diariamente a quantidade de “lixo” produzida no mundo e, como a Terra é finita, os espaços são limitados. O descarte aumenta, mas o planeta não. 

Além da questão ambiental, tem-se ainda a parte econômica e social. O índice baixíssimo de reciclagem faz com que o país perca oito bilhões de reais por ano. O trabalho de catadores nos lixões é insalubre e em total desacordo com os direitos humanos. As fábricas de reciclagem e de reuso de materiais geram muitos empregos dignos e de fundamental importância. Já pensou se ninguém passasse na sua casa, na sua rua, para recolher os resíduos? Como os materiais poderiam voltar para a cadeia produtiva se ninguém os separasse? 

Por tudo isto é imprescindível que cada um faça a sua parte no cuidado com a nossa grande casa que é o planeta Terra. Consumir conscientemente e com responsabilidade, fazer compostagem, separar os materiais recicláveis e garantir que eles tenham o destino correto (é importantíssimo não misturar material orgânico com recicláveis, pois os dois juntos viram um rejeito sem utilidade). 

Agora, de volta ao título do post. Juventude Lixo Zero é um movimento em prol de uma sociedade sem lixo, em que os materiais orgânicos viram adubo e os materiais recicláveis são reinseridos na cadeia produtiva, potencializando ao máximo o reaproveitamento de resíduos e a redução ou fim do encaminhamento do lixo para os aterros sanitários. É derivado do movimento Lixo Zero, que surgiu na década de 1970. A vertente jovem (Zero Waste Youth em inglês) nasceu no Brasil em 2011. 

A Aliança Internacional do Lixo Zero (Zero Waste International Alliance – ZWIA) diz que o conceito Lixo Zero representa um objetivo ético, econômico, pedagógico, eficiente e visionário com foco na orientação da sociedade para a mudança do estilo de vida e para práticas que incentivem a sustentabilidade. Ser Lixo Zero é evitar a geração de lixo e responsabilizar-se pelo encaminhamento correto dos resíduos e pela redução do consumo e tomar consciência sobre os resíduos sólidos com a finalidade de promover a logística reversa, redução da poluição, economia de água e energia, conservação da natureza e inclusão social.

Lembra que eu disse que iria participar do 1º Congresso Juventude Lixo Zero que aconteceu neste fim de semana passado em Joinville? Eu participei e tenho uma ótima notícia para compartilhar!! E um convite também...


Gostou, mora em Blumenau ou região e quer fazer parte da Juventude Lixo Zero na cidade? Entre em contato aqui pelo blog ou pelas redes sociais e bora fazer a diferença por um mundo melhor! 
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Dilma e as questões ambientais

Por Letícia Maria Klein •
04 novembro 2014

O primeiro governo de Dilma Rousseff foi um revés para o meio ambiente. Apenas três unidades de conservação criadas (desconsiderando aquelas criadas duas semanas antes do 2º turno e após a eleição), o desmatamento aumentou, a forte aliança com a bancada ruralista permitiu um novo Código Florestal que beneficia mais os latifundiários do que as florestas. Por essas e outras, a presidente reeleita já mostrou que não se preocupa com a preservação ambiental. Isto precisa mudar e cabe a nos cobrarmos medidas e respostas para que ela tenha outra postura no segundo mandato frente às questões ambientais. 

Desmatamento na Amazônia

O desmatamento na Floresta Amazônica aumentou 28% entre agosto de 2012 e julho de 2013 em relação ao mesmo período anterior. Em setembro o aumento foi de 290% comparado com setembro de 2013! De acordo com O Eco, especialistas atribuem o aumento à frouxidão dos mecanismos de controle. Mesmo que o índice caia todo ano, o simples fato dele existir evidencia o verdadeiro problema: a Amazônia está diminuindo de tamanho a cada dia. A solução? Zerar o desmatamento AGORA. É o que afirma e comprova o pesquisador Antonio Nobre (aqui a palestra dele, ó, im-per-dí-vel, vai por mim). 


Uma das principais causas do desmatamento é a extração ilegal de madeira, que, de acordo com o Greenpeace, cortou cinco milhões de árvores entre 2007 e 2012. Falando na ong, ela colocou no ar novamente a campanha (e petição!) “Chega de madeira ilegal”, que revelou esquemas ilegais de exploração, processamento e comércio de madeira no Pará. 

O desmatamento ameaça a biodiversidade, pois reduz o habitat das espécies animais e diminui a quantidade de espécies vegetais, aumenta o aquecimento global e influencia no ciclo da água, gerando um problema que não sai dos noticiários...

Crise da água em São Paulo

Para entender a crise de água em São Paulo, é preciso entender como funciona o ciclo da água. Na fase de evaporação e transpiração, a água dos rios, lagos, oceanos, solo e plantas evapora e se transforma em nuvens através da condensação. Das nuvens, a chuva cai e se infiltra no solo, irrigando as raízes de plantas e reabastecendo lençóis freáticos e aquíferos, que se unirão a rios, lagos e oceanos. A água deles, junto com a evapotranspiração do solo e das plantas, vai formar nuvens e assim o ciclo recomeça. 

Como deu pra perceber, as árvores têm uma grande participação neste processo. Uma árvore adulta evapora, em média, 500 litros de água por dia (o pesquisador Antonio Nobre fala em mil litros). Quando o solo é coberto por vegetação, a infiltração de água da chuva ocorre de forma lenta e controlada, o que diminui a erosão e a lixiviação do solo. Com o desmatamento, o solo não tem mais a vegetação para suavizar a infiltração de água, provocando erosão na terra. O reabastecimento de água dos lençóis freáticos e dos aquíferos também fica comprometido, pois, sem árvores, a água da chuva não penetra no solo e não reabastece as reservas de água subterrânea

A diminuição no abastecimento de água das reservas subterrâneas compromete as nascentes dos rios e acarreta diminuição do volume dos rios e lagos, o que por sua vez diminui a quantidade de evaporação de suas águas. Isto, aliado à ausência de árvores (que deixam de evaporar água), ocasiona a formação de menos nuvens, e consequentemente, menos chuvas, prejudicando assim todo o ciclo da água. Como a chuva é fundamental para a agricultura, quanto menores as áreas de vegetação nativa, maiores serão os danos à produção de alimentos, entre vários outros efeitos graves. 

Então, a próxima vez que você ouvir alguém dizer que não há problema em cortar árvore, não perca a chance de atualizar a criatura! Aproveitando, a Folha de São Paulo fez um especial caprichado sobre a crise de água no estado, olha só

Como a Grande São Paulo chegou à escassez de água LUIS MOURA/ESTADÃO CONTEÚDO

Luis Moura/Estadão Conteúdo


Unidades de conservação

Até outubro de 2014, quase finalizando seu primeiro mandato, a presidente Dilma havia criado apenas três unidades de conservação em todo o território nacional, somando meros 440 km². Em comparação, como mostra esta matéria, os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva foram os que mais criaram. FHC criou 81 UCs, totalizando 215 mil km² e Lula criou 77 UCs, com área total de 267 mil km²

Demonstrando uma (pretensa?) preocupação com a preservação ambiental, Dilma decidiu criar mais sete unidades de conservação a partir do primeiro turno das eleições. Foram estabelecidas três Reservas Extrativistas marinhas no Pará, dois parques nacionais (em Minas Gerais e no Paraná), uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (também em MG) e uma Estação Ecológica no Amazonas. Porém, um dos parques e uma reserva admitem mineração (COMO??? O.O). 

Além das UCs criadas, duas Reservas Extrativistas foram ampliadas. Teoricamente, o Brasil possui agora 320 unidades de conservação federal administradas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Na prática são outros 500... 

Bancada ruralista

A bancada ruralista é aquele grupo de políticos que são latifundiários, donos de terras destinadas à agricultura e à pecuária. São os menos interessados em proteger a natureza, afinal, precisam de espaço para plantar e criar animais. O que eles não percebem é que o desmatamento que eles promovem tem grande impacto no próprio negócio deles (acho que eles faltaram à aula sobre o ciclo da água), no meio ambiente e na sociedade.

De toda a produção do agronegócio, a maior parte vai para biodiesel, industrializados e exportação, enquanto a população brasileira fica com apenas 30% da comida. Além de ser um dos grandes responsáveis pelas mudanças climáticas, é o setor econômico que mais utiliza água doce no país: 72% da água consumida. O agronegócio desmata grandes florestas e emprega mão de obra escrava. Se quiser conhecer mais sobre o assunto, leia este post do blog. 


A pressão da bancada ruralista foi grande e o Novo Código Florestal, aprovado em 2012, trouxe mais benefícios aos latifundiários do que às florestas. Segundo esta matéria, o código reduz em 58% a área desmatada que deveria ser restaurada, anistia 29 milhões de hectares de florestas desmatadas ilegalmente até 2008 e mantém a possibilidade de desmate legalizado para outros 88 milhões de hectares. 


Só com estes quatro tópicos já deu pra ter ideia do quanto precisamos prestar muita atenção às ações da presidente e de todo o governo quanto às questões ambientais e também nos fazer ouvir quando ameaças à vida no planeta estiverem à espreita. 
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Projeto Tamar em Florianópolis

Por Letícia Maria Klein •
21 outubro 2014
Quando era adolescente, eu queria ser bióloga para trabalhar no Projeto Tamar. Sempre achei o máximo poder cuidar de tartarugas e ajudar a preservar a espécie! Tive a oportunidade de visitar a unidade do Projeto Tamar em Florianópolis e comprovei que é mesmo o máximo. O pessoal faz um ótimo trabalho de educação ambiental e de preservação das tartarugas marinhas. Eles ajudam na hora da desova, cuidam das que não conseguiram sair do ninho e reabilitam aquelas que se machucam em redes para que possam voltar ao mar, entre outras atividades. E eu ainda quero trabalhar no Tamar!



Existem três tipos de tartarugas: as que vivem na terra (jabutis), as que vivem em aquários (cágados) e as que vivem no mar (marinhas). O Projeto Tamar se dedica às espécies marinhas, que são cinco no Brasil: tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-verde (Chelonia mydas) e tartaruga-gigante (Dermochelys coriacea). 


Todas as cinco espécies, em seu tamanho real

Adivinha por que a tartaruga-de-pente tem este nome? Porque o casco dela era utilizado para fazer pente, de cabelo mesmo. Imagina! Matar uma tartaruga pra fazer pente!? Usa um garfo, oras, estilo à la Ariel. 

Garfo pra pentear, genial!

Quando eu fui havia duas excursões de escola, uma de crianças e a outra de adolescentes. Foi bem interessante acompanhar a turma dos pequenos e ver como os instrutores do Tamar falam com eles, usando uma linguagem lúdica e falando a língua deles, por assim dizer. E as crianças estavam super empolgadas!

O que chama a atenção mesmo são as tartarugas nos tanques. Durante a desova, alguns filhotes que estão no fundo do ninho (as tartarugas marinhas fazem ninhos na areia da praia) não conseguem subir a pilha de ovos e acabam morrendo. Para evitar que isso aconteça, o Projeto Tamar recolhe estes indivíduos e cuida deles por toda a vida.  quatro tanques na unidade, sendo que um está com filhotes no momento. A maioria das espécies atinge a fase reprodutiva entre os 20 e 30 anos de idade. A diferença entre machos e fêmeas está no rabo (o deles é maior) e nas nadadeiras (os machos têm unhas para poder segurar as fêmeas na hora do acasalamento). 


Este é um filhote de tartaruga-de-pente

O espaço do Tamar em Floripa é muito bacana. Além dos aquários, tem sala de vídeo, onde você assiste a um vídeo de 15 minutos sobre o projeto. Segue o modelo de um telejornal, apresentado por duas tartarugas. Ao longo dos caminhos entre os aquários, há várias placas informativas, objetos e cascos de tartarugas. Tem até uma ossada de golfinho!



As placas dão várias informações sobre as tartarugas marinhas, incluindo os perigos que algumas atividades humanas representam para elas. A pesca e a poluição dos mares são os dois grandes vilões na vida destes animais. As tartarugas acabam se enroscando nas redes de pescas ou ficam presas em anzóis. Para contornar este problema, o Tamar, por meio de campanhas educativas, sensibilização e conscientização ambiental das comunidades locais, promove a busca de alternativas de subsistência não predatórias para os pescadores e suas famílias.

O problema do lixo é grande, principalmente o plástico. Como a tartaruga não tem dente, ela não identifica que está comendo um pedaço de plástico, por exemplo. Ela vai engolindo. Os plásticos no estômago da tartaruga vão ocupando espaço e criando bolsas de ar. A tartaruga, para se alimentar, sobe à superfície para respirar e depois retorna ao fundo do mar. Se o estômago dela está cheio de ar, ela não consegue descer para procurar comida e acaba morrendo de fome


Todos nós podemos ajudar neste quesito, evitando sacolas plásticas e não jogando lixo fora da lixeira. Outra forma de ajudar é fazer doações ao Tamar ou comprar os produtos, que são criados pelas comunidades envolvidas na preservação das tartarugas-marinhas. Pra terminar, um clipe bem legal que o grupo Dazaranha gravou para o projeto. 


Gostou? Já conhecia? Já visitou alguma unidade do Tamar pelo Brasil? São mais de 20 unidades ao longo do litoral brasileiro. Se tiver a oportunidade de visitar, visite, vale muito a pena! Veja também outras opções maravilhosas de passeios na natureza ou relacionados às questões ambientais que você pode fazer no Brasil.
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A família aumentou: Os 10 Rs da sustentabilidade

Por Letícia Maria Klein •
10 outubro 2014
Os 3 Rs da sustentabilidade já são bem famosos. Reduzir, reutilizar e reciclar viraram até música, como eu mostrei neste post sobre o trio. O tempo passou, as circunstâncias mudaram e a família dos erres amigos do meio ambiente cresceu. Algumas listas trazem quatro, outras seis, sete e até oito. Juntando daqui e dali, decidi deixar o grupo ainda maior. Conheça os 10 Rs da sustentabilidade



Recusar produtos que agridem a natureza em qualquer estágio de sua produção, desde a extração de matéria-prima ao descarte. Recusar produtos ou serviços de empresas que não respeitam a legislação ambiental, que usam mão de obra escrava ou que fazem testes em animais. Uma pesquisa rápida na internet revela muito sobre produtos e empresas. Também vale entrar em contato com a companhia para tirar suas dúvidas.

Repensar e refletir sobre atitudes diárias, especialmente de consumo, e como elas impactam o meio a nossa volta. Tudo que a gente faz a cada dia provoca impactos, sejam positivos ou negativos. O segredo está em agir de uma forma que gere o mínimo impacto negativo possível. O consumo consciente é um grande aliado nesse processo e existem várias cartilhas na internet cheias de dicas de como colocá-lo em prática no dia a dia. 

Reduzir nossa pegada ecológica, a marca que deixamos no planeta ao viver e consumir. O consumismo é prejudicial à vida na Terra e gera um dos principais problemas ambientais da atualidade: o lixo. Reduzir o impacto negativo sobre o planeta é agir com consciência, responsabilidade, pensamento coletivo, respeito aos seres vivos e respeito aos bens naturais dos quais tanto dependemos. 

Reutilizar aquilo que seria descartado, dando-lhe outro destino. O que para uns é lixo, para outros é solução. Quando reutilizamos objetos, estendemos sua vida útil e diminuímos a pilha de lixo. Uma calça jeans pode virar uma bolsa, garrafas pet podem virar brinquedos, CDs e DVDs podem ser usados como decoração em um quadro. O importante é abusar da imaginação! 



Reparar o que tem conserto. Assim como o reutilizar, o reparar também aumenta a utilidade dos objetos. Consertar um móvel, remendar um rasgo numa roupa ou bolsa. Se algo pode ser arrumado ou consertado, ainda é útil e não precisa ser substituído. 

Reciclar quando não tem mais reuso ou reparo. Retornar materiais como papel, plástico, metal e vidro à cadeia produtiva para que virem outros produtos reduz tanto o lixo quanto a extração de matéria-prima que seria empregada na produção de objetos novos. 

Reintegrar à natureza o que dela veio. O lixo orgânico não tem nada de lixo. Cascas de frutas, verduras, podas de árvores e restos de alimentos produzem um rico adubo através da compostagem. Existem vários vídeos na internet que ensinam a fazer tipos diversos de composteiras, tanto para quem mora em casa quanto apartamento. Fazer compostagem reduz a quantidade de lixo que enviamos para os aterros. 

Respeitar a vida, os seres vivos, as pessoas, seu trabalho ou escola, o ambiente, a natureza. O respeito está na base de qualquer relacionamento e é um dos pilares da vida em sociedade. 

Responsabilizar-se por seus atos e os impactos que eles causam, sejam bons ou ruins, pelas pessoas ao seu redor, pelo seu local de trabalho ou estudo, pela sua rua, bairro, cidade. Como morador do planeta, eu sou responsável por ele. E você também. Cada um faz sua parte e todos ganham. A espécie humana, outras espécies e o meio ambiente. 

Repassar os conhecimentos que podem ajudar a tornar o mundo melhor e sustentável. Estou fazendo isso neste post. Faça você também. 

Família bonita, hein?! Opa, está chegando outro membro... Um R de bônus, minha contribuição à causa: reagir às dificuldades com boas atitudes. Vamos todos ser parte da solução, não espectadores do problema. Afinal, acreditar é essencial, mas atitude é o que faz a diferença! Entre tantas coisas que podemos fazer, confira 29 dicas para não sobrecarregar o planeta Terra no nosso dia a dia, além de muitas outras dicas de atitudes e práticas sustentáveis.
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Bee or not to bee? Eis a (grande) questão.

Por Letícia Maria Klein •
02 outubro 2014
Sabia que as abelhas são responsáveis pela polinização de dois terços de toda a produção agrícola? A polinização, que é a transferência do pólen de uma planta para o óvulo de outra, faz com que as plantas fecundem e gerem frutos. O vento ajuda, mas os animais é que ficam com o trabalho pesado: mais de 80% da polinização é feita por eles, principalmente por insetos. As abelhas são parte fundamental deste processo. O problema? Elas estão sumindo! Desaparecendo mesmo, ninguém sabe pra onde elas vão! Bzzz...zzz...zz...z... Abelhas, polinização, alimento. Se as abelhas se extinguirem, adivinha o que também vai ficar escasso?

O caso é sério, sério mesmo. São as abelhas as responsáveis pela polinização em larga escala e não são poucas as culturas agrícolas que dependem delas. Conta só: maça, pêra, laranja, melão, melancia, café, castanha, abacate, morango, mirtilo, pepino, algodão, soja, pêssego, abóbora, cebola, castanhas, entre outras. Cerca de 70% das culturas dependem destes animais. Quanto menos abelhas nas plantações, menor será a quantidade de alimento necessário para suprir a demanda crescente das populações.



O sumiço das abelhas começou a chamar a atenção em 1995, nos Estados Unidos. Estudos foram feitos e indicam que o desaparecimento é causado por um distúrbio chamado CCD (Síndrome do Colapso das Abelhas, em inglês). Foi só em 2007 que o assunto foi discutido oficialmente, em um congresso na Austrália. Naquele país, 31% das abelhas desapareceram, segundo matéria da revista Veja. Os efeitos já são vistos também na Europa, Ásia e na América do Sul, inclusive em alguns Estados do Brasil, como SC, SP, RS e MG. 

O CCD acontece quando uma colônia de abelhas é reduzida a poucos indivíduos dentro de alguns dias ou semanas. Elas simplesmente desaparecem do mapa, deixando tudo para trás: filhotes, mel, pólen e até a rainha. Isto acontece porque a síndrome afeta o sistema nervoso das abelhas, o que impacta seu senso de direção e memória. Uma abelha com síndrome não consegue voltar pra colmeia depois de coletar néctar ou pólen nas flores. 

O que causa o CCD? São várias as possíveis origens, que precisam ser investigadas e combatidas para que as abelhas não sejam extintas. Doenças, pragas, fungos, ácaros, vírus, mudanças climáticas, formas de manejo, déficit nutricional, defensivos agrícolas. Dos agrotóxicos, os mais perigosos para as abelhas são os neonicotinoides. Tanto que, em abril de 2013, a União Europeia decidiu suspender seu uso por dois anos para analisar o impacto da ausência destas toxinas. 


Foto: Abelhas - Irina Tischenko/Getty Images/iStockphoto/VEJA

As abelhas existem há mais de 50 milhões de anos e são imprescindíveis para os ecossistemas. Einstein já dizia! “Se as abelhas desaparecerem da face da terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais não haverá raça humana.” 

Com essa preocupação em mente, um grupo de pesquisadores liderado pelo CETAPIS (Centro Tecnológico de Apicultura e Meliponicultura do Rio Grande do Norte) criou a campanha Bee or not to be e uma petição pela proteção às abelhas. Lançada em 2013, ela “quer alertar a população e buscar apoio para a proteção dos insetos no Brasil e no mundo”. A petição será entregue ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Meio Ambiente em novembro de 2014 (próximo mês, gente!) com o objetivo de exigir ações efetivas para combater o CCD. Vamos ajudar! Assine e compartilhe a petição. Se quiser ajudar mais ainda, você pode recolher assinaturas e enviar para a sede do projeto. 

O site da campanha também disponibiliza o aplicativo Bee Alert, onde apicultores, meliponicultores e a comunidade científica podem registrar e documentar as ocorrências de desaparecimento ou perda de abelhas, indicando o local, intensidade e possíveis causas. As informações geradas colaborativamente ajudam no estudo do desaparecimento das abelhas e contribuem para o esforço de proteção a estes insetos. 

Além de assinar a petição e espalhar a palavra, podemos fazer mais pelas abelhas, como por exemplo, plantar árvores, cultivar flores em casa, consumir produtos orgânicos, ter colmeia em casa (com abelhas sem ferrão, claro) e consumir conscientemente, além de muitas outras atitudes e práticas sustentáveis que você pode adotar no dia a dia.

A frase de Shakespeare que inspirou o lema da campanha (To be or not to be – ser ou não ser) não foi usada apenas pela sonoridade com a palavra abelha em inglês (bee), ela tem tudo a ver com a questão. A nossa existência pode estar ligada diretamente à existência desses pequenos insetos.
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