Tá frio, tá morno... agora tá quente, muito quente!

Por Letícia Maria Klein •
12 setembro 2013


É assim que o planeta Terra está ficando: muito quente! O aquecimento global existe sim e tem o poder de mudar o mundo como o conhecemos hoje. Mudar para pior. O fenômeno, na verdade, é natural: os gases do efeito estufa presentes na atmosfera impedem que uma parte da radiação infravermelha refletida pela superfície terrestre escape para o espaço, o que mantém o planeta aquecido. Por isso se chama efeito estufa, é como uma estufa de plantas. Se não fossem por eles, gelo e neve dominariam a Terra. O grande problema é que o aquecimento global deixou de ser um processo natural a partir da Revolução Industrial, que começou na Inglaterra por volta de 1750. Desde então, a humanidade vem jogando toneladas e mais toneladas de gases na atmosfera, o que faz com que o efeito estufa fique mais intenso, o que por sua vez faz com que a Terra esquente mais, numa velocidade alarmante. Essas mudanças climáticas intensificadas, se não causadas, pelas ações humanas já afetam a vida de milhares de pessoas, plantas e animais em todo o mundo e estão alterando a configuração terrestre. Existe solução? Sim, basta vontade política e muita ação da parte de todos os setores da sociedade. Na verdade, de todos mesmo, inclusive você e eu. 



Para entender certinho o que é o aquecimento global e quais as consequências dele para a vida no planeta, vamos a um pouco de história e geografia. São seis os gases considerados causadores do efeito estufa, como mostra o Instituto Carbono Brasil*: dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), clorofluorcarbonetos (CFCs), hidrofluorcarbonetos (HFCs), e hexafluoreto de enxofre (SF6). Existem outros na atmosfera, mas esses é que deixam a Terra aquecida. O CO2, também conhecido como gás carbônico, de acordo com o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, é o maior responsável pelo aquecimento global, pois é o mais emitido pelas atividades humanas (cerca de 77%). Antes da era industrial, a concentração CO2 na atmosfera era de 285 partes por milhão (ppm). O que era natural. Hoje, neste ano de 2013, o índice passou a marca dos 400 ppm, o que é extremamente perigoso para nosso planeta. 

Como conta o Blog do Clima, as previsões do IPCC dizem que, para termos 50% de chance de que o aumento da temperatura média da Terra não ultrapasse os 2ºC até 2050 - o que foi estabelecido na COP15 (Conferência da ONU sobre mudanças climáticas) e que é tido pelos cientistas como seguro - a concentração de gás carbônico na atmosfera deve ficar abaixo de 450 ppm. Agora veja bem porque o cenário é problemático e dramático: a concentração de dióxido de carbono cresce atualmente 3 ppm por ano. Neste ritmo, a marca de 450 ppm será atingida daqui a menos de duas décadas, antes de 2030! SOCORRO!!! 


Mas afinal, o que o aquecimento geral do planeta causa aos seus habitantes? Desde que a temperatura começou a ser medida no planeta, em 1850, o termômetro global registrou um aumento na temperatura média de 0,79ºC, estando hoje com cerca de 14,5ºC, como mostra o gráfico acima, da Organização Meteorológica Mundial (WMO). Temperatura média, lembrando bem. O aumento parece pouco, mas já causou muitos danos. E com certeza você já presenciou pelo menos um efeito. Não esteve calor demais no último verão ou deu uma onda atípica de frio intenso no inverno? Secas, enchentes, inundações, ciclones, tempestades, ondas de calor estão mais frequentes. Pode reparar no noticiário. 

Outro efeito: com a temperatura mais quente, o gelo dos polos começa a derreter, o que põe em risco a vida dos animais que dependem dele e também as cidades costeiras, que verão a água do mar subir e invadir ruas e casas. Na primeira década deste século, o nível médio do mar aumentou 3 milímetros por ano, o que dá quase quatro centímetros em 13 anos. Parece nada, mas quem mora em cidade onde acontece enchente, como a minha, sabe como cada centímetro faz diferença. E isso em 100, 200 anos, vai fazer uma grande diferença. Também teve muita gente morrendo por causa das mudanças do clima: mais de 370 mil entre 2001 e 2010, devido a eventos climáticos como furações e ondas de calor, segundo informações do Centro de Investigação sobre a Epidemiologia dos Desastres, relatadas no Blog do Clima. Só para citar alguns, pois há muitos outros efeitos do aquecimento global. 

Ah, reparou outra coisa no gráfico? A primeira década do século XXI, em que estamos, foi a mais quente da história!! Dá só uma olhada neste vídeo da Nasa sobre o aumento da temperatura média no planeta desde 1880. Já dá pra ver como a situação é grave, imagina então se a temperatura ultrapassar o limite estabelecido de 2ºC? E quem vai sentir na pele as consequências serão nossos netos, bisnetos. O que estamos sentindo agora é apenas o começo. Como é explicado no livro Diário do Clima, que tem resenha aqui no blog, nós hoje ainda sentimos os efeitos da Revolução Industrial de duas décadas atrás. O que nós estamos provocando hoje será sentido daqui a muito tempo. E não é só das indústrias que saem os gases do efeito estufa (GEE). Agricultura, pecuária, transporte, desmatamento (campeão de emissões no Brasil), geração de energia, expansão urbana, manejo de resíduos e uso de combustíveis fósseis em processos industriais são exemplos de atividades que geram GEE. 


Para ajudar a manter o planeta na temperatura média em ele que está agora, temos muito o que fazer. Nós, todos nós, cada membro da sociedade, temos muito mais a ver com o aquecimento global do que imaginamos. Cada pessoa pode ajudar a evitar o contínuo aquecimento global. Você aí, eu aqui. Claro que resoluções e ações em nível estadual, nacional e mundial por parte de governos e grandes economias são extremamente importantes. Mas o que seria da abelha rainha sem as operárias? O que seria do formigueiro no inverno se as formigas não se reunissem pra buscar comida? Pode até ser uma alusão tosca, mas o que eu quero dizer é que o topo da pirâmide é sustentado pela base. É na base da sociedade que nós estamos. Nós sustentamos o que vem acima, com ações, comportamentos, atitudes e somos todos sustentados pelo planeta, pelo meio ambiente. Por isso a importância de ser sustentável, agir sem prejudicar o próximo e a natureza. 

Com atitudes simples e conscientes, podemos contribuir para que as próximas gerações consigam viver bem e conheçam a Terra de hoje olhando pela janela, e não apenas em fotos. Andar menos de carro, consumir apenas o suficiente, não desperdiçar água e energia, reciclar o lixo são alguns exemplos de ações que podemos fazer para ajudar a combater o aquecimento global. Afinal, o produto que você comprou jogou muitos gases na atmosfera enquanto estava sendo feito e depois transportado até a loja mais próxima de sua casa. Essa ligação entre cada ser humano e o aquecimento global fica bem clara no vídeo abaixo, feito pelo Instituto Akatu, que também criou uma lista com 10 atitudes que ajudam a combater o aquecimento do planeta. Lembra o post da semana passada, sobre a história das coisas, não lembra?  



O tema é longo e as discussões são muitas. O que importa é que é possível solucionar o problema e cada pessoa, na sua rotina, no seu dia a dia, pode ajudar a combater o aquecimento global. Se você se interessou e quer saber mais, uma boa fonte são os vídeos do canal Climatempo Meteorologia no youtube sobre mudanças climáticas. A série apresenta entrevistas com pesquisadores brasileiros sobre o tema e foi feita para aproveitar o lançamento do quinto relatório do IPCC, que sai ainda neste semestre. O novo relatório é uma atualização dos aspectos científicos, técnicos e socioeconômicos das mudanças climáticas. Neste link do site Mundo Sustentável, do autor do livro de mesmo nome (tem resenha no blog também), tem várias matérias sobre aquecimento global. Boa "imersão" no assunto e fique à vontade para comentar! 

*O Instituto Carbono Brasil encerrou suas atividades jornalísticas em agosto de 2014 por falta de patrocinadores e anunciantes para o portal. Triste notícia para o jornalismo ambiental brasileiro!

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