Pocahontas – Resenha

Por Letícia Maria Klein •
17 julho 2013

Qual a primeira lembrança que vem à mente quando você pensa em Disney? Princesas, castelo, parque de diversões, orelhinhas de um ratinho famoso? Geralmente, o pensamento vai nessa direção, né. Mas, para a nossa alegria (presumo que você vai gostar), os estúdios Disney não deixaram a sustentabilidade de lado. Em alguns filmes ela aparece. Um dos mais conhecidos, e também um dos meus favoritos, é Pocahontas.

Na animação, lançada em 1995, uma índia chamada Pocahontas desenvolve uma amizade com John Smith, um inglês que chegara às terras do novo mundo a bordo de um navio da Virginia Companhia, no ano de 1607. Pocahontas é a filha do chefe da tribo Powhatan e faz de tudo para evitar um combate entre os dois lados, principalmente porque ela e John acabam se tornando mais que amigos. O que é comum nos filmes da Disney, aquele romance no ar, além da presença de animais que só faltam falar. No caso, o guaxinim Meeko e o beija-flor Flit, o alívio cômico do filme. Tem também o cãozinho de Ratcliffe, chamado Percy (ai, que chique – e esnobe). Ratcliffe é o governador inglês que quer explorar as terras indígenas em busca de ouro.


O mais interessante de Pocahontas é que ela realmente existiu. A animação foi baseada numa história real. Porém, baseada significa que das telas para a realidade há um grande salto. O que o filme mais teria conseguido captar seria a personalidade forte e otimista de Pocahontas. Mas nunca houve nenhum romance entre a índia e o inglês, de acordo com relatos. Em 1607, quando o navio inglês atracou na região hoje conhecida como Jamestown Virgínia, Pocahontas teria cerca de 11 ou 12 anos. Na verdade, esse nem era o nome dela. Ela se chamava Matowaca. Pocahontas era apelido, algo como “pequena traquinagem”, o que já demonstrava seu espírito livre. 

John, na época, teria por volta de 27 anos. Como um dos líderes colonos, teria sido capturado pela tribo e mantido prisioneiro por um ano. Matowaca, que atuou como diplomata entre os dois grupos tão distintos, evitou a morte de John e de outros colonos, o que fez com que índios e ingleses levantassem as bandeiras brancas. John teria sido um tutor de Pocahontas, ensinando a língua e os costumes ingleses. Um acidente teria feito o jovem adulto voltar para a Inglaterra em 1609.

Três anos depois, com 17 anos, Pocahontas estava em visita social para promover a paz entre os povos e foi aprisionada pelos ingleses. Um deles, John Rolfe (só tem John na história), interessou-se por ela e eles acabaram casando como condição para a liberdade dela. Um filho nasceu, mas Pocahontas não teve a chance de acompanhar seu crescimento. Em 1616, com 21 anos, ela morreu durante uma viagem de navio devido a uma doença, talvez varíola. Até 1609 é aonde vai o filme Pocahontas. A segunda parte da história aparece na continuação Pocahontas 2 – Uma jornada para o novo mundo.



Questões históricas e culturais à parte – há divergências sobre o que realmente teria acontecido e os descendentes da tribo Powhatan não gostam nadinha das adaptações – vamos falar do filme, mais especificamente da parte que nos interessa. O que eu mais gosto na animação é que ela traz à tona temas como sustentabilidade e preservação ambiental, especialmente nas músicas (sabe né, os filmes da Disney são recheados de canções, o que eu acho o máximo). De toda a trilha sonora, a música “Cores do vento” é a que melhor aborda essas questões, explorando a igualdade entre todas as espécies e como tudo e todos estão interligados. Eu me arrepio toda vez que ouço. É tão linda que ganhou o Oscar de melhor canção original. Mas como todas as músicas foram muito bem escritas e produzidas, o filme saiu com mais um Oscar, o de melhor trilha sonora.


Tirando alguns exageros do estilo Disney de ser – afinal, seria muito difícil chegar perto de um urso sem receber ao menos um rugido em resposta – o clipe deixa muito claro a interdependência que existe entre as espécies. Uma coisa que eu achei bem interessante e curiosa até apareceu bem no comecinho, quando Pocahontas contesta o significado da palavra selvagem. Quem é mais selvagem: o índio não civilizado ou civil que anda armado? Bem bacana esse jogo de significados e contextos.

Outro aspecto relevante é a cultura indígena mostrada no filme, que vive em plena harmonia com o meio ambiente, retirando da natureza apenas o necessário para viver. É uma grande lição que podemos aprender com os índios. Não vou entrar na questão de tribos que usam tecnologia, que misturaram sua cultura com a das cidades. Falo aqui do conceito primário de índio. É o que a animação mostra, uma relação harmoniosa entre a tribo e a natureza, contrapondo com o cinza dos ingleses. As cores do filme, inclusive, dizem muito sobre a relação do homem com a natureza. Pelo trailer, dá pra ter uma noção. Tons de verde e marrom para os índios, preto, cinza e roxo para os ingleses. (Pra quem curte semiótica das cores, os filmes da Disney são um prato cheio).



Você já viu o filme? Gostou? Eu tinha cinco anos quando ele foi lançado e lembro que assisti no cinema! Você viu no cinema também? Qual sua opinião sobre a animação? Seu comentário é mega bem-vindo e ajuda bastante o blog a crescer!

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