Conservação e preservação da natureza – Semana do Meio Ambiente 2014

Por Letícia Maria Klein •
04 julho 2014

A mensagem dos participantes da mesa-redonda sobre conservação e preservação da natureza foi clara: precisamos conviver em harmonia com a natureza e os animais. Os palestrantes da noite foram Lucia Sevegnani, presidente da Associação Catarinense de Preservação da Natureza (Acaprena) e professora da Furb, Lauro Bacca, ambientalista e professor da Furb, e Jean Naumann, presidente da Fundação Municipal de Meio Ambiente (Faema). 

A primeira a falar foi a professora Lucia, que começou sua fala mostrando esta imagem abaixo, obra do pintor e matemático Escher. Ele conseguiu encaixar perfeitamente formas humanas e animais umas nas outras, representando assim a importância de respeitar as outras espécies e viver em paz, pois há espaço para todos. Lindo o quadro!

 Plane Filling II, litografia, 1957. Fonte: M. C. Escher

Ao longo da exposição, ela mostrou imagens de satélite das áreas verdes em Santa Catarina e fotografias do Parque São Francisco, que abriga de 500 a 600 espécies por hectare. A vegetação e as espécies animais do parque, assim como em todo o estado, fazem parte da Mata Atlântica. Hoje, os remanescentes de Mata Atlântica em SC estão entre 23% e 27%. Precisamos sim preservar a cobertura vegetal, afinal, além de purificar o ar, a vegetação ajuda a conter a erosão do solo de encostas, prevenindo tragédias ambientais, como a que aconteceu na região em 2008. 

Blumenau tem hoje 53% de cobertura vegetal, o que é bom, disse Lucia. Porém, no começo de 2000 a cobertura era de 57%, o que significa que a redução das áreas verdes na cidade está acontecendo rapidamente. A degradação da natureza acontece por causa de caça, roubo de palmito, abertura de estradas, pastoreio, e por aí vai. Com as populações urbanas crescendo, a pressão sobre os órgãos ambientais será cada vez maior, alertou a professora. 

O recado de Lauro Bacca foi o seguinte: “ou se preserva as áreas ambientais ou haverá extinção em massa de animais e vegetais”. O professor e sua esposa são donos da RPPN Bugerkopf, que fica no sul de Blumenau, e fazem parte da Associação dos Proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural de Santa Catarina. Durante a palestra, ele falou sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação e mostrou fotos de algumas RPPNs pelo Brasil. Uma mais linda que a outra!

Vista da RPPN Bugerkopf. Fonte: RPPN Catarinense

Para fechar a mesa-redonda, o presidente da Faema, Jean Naumann, citou uma frase que exemplifica por que a natureza sofre tanto nas mãos de pessoas: “O pobre faz por ignorância, o rico faz por ganância”. Claro que não são todos; sem generalizações, por favor. Enquanto alguns não sabem como agir e acabam fazendo errado, outros só querem ganhar, ganhar, ganhar e se dar bem à custa dos outros e da natureza. Existe solução pra essas pessoas? Tem! Conscientização, educação ambiental, bons exemplos.

Este foi o último post sobre as palestras da Semana do Meio Ambiente 2014 de Blumenau, mas tem mais! No dia 20 vai ter aquela caminhada no Parque das Nascentes, que tinha sido adiada por causa da chuva. Ainda dá pra se inscrever! Se você for, quem sabe não nos vemos lá? =)
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Logística reversa da Dudalina – Semana do Meio Ambiente 2014

Por Letícia Maria Klein •
27 junho 2014

O projeto de logística reserva da Dudalina rendeu uma economia de mais de R$ 55 mil para a empresa em 2013, ano em que foi criado. Blumenauense de fundação, a Dudalina produz camisaria feminina e masculina de alto padrão e conta hoje com 100 lojas em todo o país. No fim do ano passado, ela foi vendida para fundos de investimento estadunidenses. Na palestra sobre a logística reversa da Dudalina, Bruno Luz Martins, engenheiro ambiental e analista de meio ambiente da empresa, explicou como surgiu o projeto, como ele funciona e quais os benefícios. Teve até sorteio de sacolas ecológicas para os participantes (feitas com restos da produção!).


Logística reversa é quando uma empresa recolhe os materiais que produziu ou vendeu para que eles sejam reaproveitados ou reciclados. Está na Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305, de 2010. Empresas que vendem lâmpadas, por exemplo, são obrigadas a aceitá-las de volta após o descarte por parte do cliente (então, quando você for descartar uma lâmpada, leve-a de volta ao estabelecimento onde comprou). 

O projeto de logística reversa da Dudalina começou com uma preocupação ambiental. Era tamanha a vontade de um dos donos da empresa, Rui Dudalina, que nem estudo de viabilidade financeira foi feito. No começou foram muitos os problemas, mas aos poucos o projeto foi sendo aperfeiçoado. 

Os objetos visados pela logística reversa da empresa são os acessórios que acompanham a camisa que chega às lojas. O cliente que compra uma camisa Dudalina sai da loja apenas com ela, mas da fábrica à loja a camisa leva vários acessórios. Clipes de metal e plástico, suporte de PVC, borboleta de PVC, suporte de papelão, papel de seda, saco plástico, peitilho, tag da marca, cartão de instruções e caixa de papelão. 

Bolsa coletora fechada

Antes, as vendedoras tiravam todos esses acessórios e jogavam no lixo (que era destinado à reciclagem local). Com a logística reversa, os acessórios são separados e guardados numa bolsa coletora, que têm bolsos específicos para cada objeto. Estes materiais voltam para a fábrica e são reaproveitados em outras camisas. 

Os únicos acessórios que não têm potencial de reutilização direta pela empresa são o suporte e a caixa de papelão e o papel de seda, que são enviados diretamente para a reciclagem (o papel de seda volta para Blumenau para ser reciclado aqui). 

Em 2013, foi evitada a compra de 699.775 desses itens que acompanham a camisa, gerando uma economia para a empresa de R$ 55.462,35. O conjunto de acessórios por camisa tem um custo de um real para a Dudalina. 

Bolsa coletora aberta, com bolsos para cada acessório

A bolsa coletora onde os objetos são guardados teve várias versões até chegar à atual, que ainda está sendo aprimorada. Elas são confeccionadas a partir de sobras da produção. A maioria das lojas tem duas bolsas, mas as lojas maiores ou que têm mais demanda ficam com três ou quatro. Cada bolsa leva de 10 a 15 dias para encher.

A fase piloto do projeto envolveu três lojas Dudalina, que ficam na região de Blumenau. A fase 1 incluiu mais 10 lojas de São Paulo e atualmente 30 lojas participam do projeto. De acordo com Bruno, todas as lojas serão atendidas até o fim de 2014, mas vão começar separando apenas parte dos materiais. 

Ainda há alguns ajustes para serem feitos no projeto, como agilizar o envio dos coletores de volta às lojas, encontrar uma forma de lacrar as bolsas para que elas não sejam mexidas no trajeto e arrumar os bolsos para que os acessórios não caiam. 


A Dudalina já tem um trabalho bem bacana na área social, com incentivo à formação de grupos de geração de renda através do Instituto Adelina, nomeado em homenagem à fundadora da empresa. Agora a empresa caminha para incluir a sustentabilidade e a preocupação com o meio ambiente em suas rotinas. O próximo projeto da Dudalina em relação à sustentabilidade é calcular a pegada ecológica de cada camisa e incluir as informações nos produtos. 

Uma curiosidade: a perda de tecido na indústria têxtil é de 30 a 40%. Na Dudalina, a média é 15%. Essas sobras vão para o Instituto Adelina, que repassa a instituições e grupos de geração de renda para serem transformados em produtos com patchwork, como as sacolas ecológicas que foram sorteadas na palestra. Com isso, os 15% viram 8%. Este material restante também tem seu uso: ele é destinado à reciclagem, onde vira barbante e assoalho de carro. Sem perda de tecido! Segundo o site da Dudalina, quase 53 toneladas de retalho deixaram de ir para o lixo com os projetos do Instituto Adelina. 

Bolsa de patchwork produzida 
pelos grupos de geração de renda

Muito bacana, né, gente. Até o próximo, e último, post da Semana do Meio Ambiente!
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Saneamento em Blumenau – Semana do Meio Ambiente 2014

Por Letícia Maria Klein •
20 junho 2014

Palestra perfeita para entender o projeto de saneamento básico em Blumenau, compreender a importância do tratamento de esgoto e saber sobre o cronograma de obras na cidade. Quem falou foi o gerente operacional da Foz do Brasil, Cleber Renato Virginio da Silva. A Foz, que muda seu nome para Odebrecht Ambiental em julho, é a empresa concessionária que faz as obras e a manutenção do tratamento de esgoto em Blumenau. Para ficar por dentro do projeto de saneamento da cidade, dê uma olhada abaixo nas informações da palestra. 

Primeira coisa, separar alhos de bugalhos. A Foz do Brasil é responsável pelo esgoto. Água e lixo são departamento do Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto de Blumenau). Os três vêm descritas na fatura de água, sendo que o valor da taxa de lixo é baseado no volume de água consumido e o valor do tratamento de esgoto fica em torno de 100% do custo do consumo de água. Ou seja, o dobro.



Abro breves parênteses aqui. Não foram poucas as pessoas que reclamaram do aumento da fatura de água quando o tratamento de esgoto começou a ser implantado em Blumenau. Sinceramente, por que é tão fácil ver preço e tão difícil ver o valor da coisa em si? O bem que o tratamento de esgoto traz ao meio ambiente e à sociedade compensa qualquer investimento. 

Eu gostei do comentário que o presidente da Faema (Fundação Municipal do Meio Ambiente), Jean Naumann, fez após a fala de um participante de que sua conta de água tinha dobrado de 30 e poucos para 70 e poucos reais. Como ele disse, qualquer almoço ou jantar em família ou amigos sai mais caro que isso e vale só por aquele momento, enquanto que a taxa do tratamento de esgoto é paga uma vez por mês e dura por semanas. 

Na hora de dizer que precisamos ser sustentáveis e cuidar do meio ambiente, muita gente se dispõe a falar; agora na hora de agir, a postura é outra. Cadê a coerência? Cadê a coletividade? Cadê a preocupação com os outros e o meio em que vivemos? Mandemos a hipocrisia às favas, minha gente. Muito mais que preço, as coisas têm valor. Que apreciemos o valor do tratamento do esgoto e paguemos a devida conta com orgulho e consciência de sua importância. Fim dos (talvez não tão breves) parênteses.

Quando a Foz assumiu a concessão, em 2010, a cidade tinha apena 4,8% do seu esgoto tratado, que contemplava a rua XV de Novembro, a Beira-rio e o bairro Garcia. Hoje, 30% das residências de Blumenau têm tratamento de esgoto. 

Estação de Tratamento de Esgoto do bairro Fortaleza, 
em foto tirada por mim no roteiro dos resíduos em 2013.

O cenário anterior, de menos de 5%, contribuía para que Santa Catarina figurasse entre os piores estados brasileiros em relação ao tratamento de esgoto. O estado ocupa a 19º posição entre os 26. De todas as cidades pelas quais o Rio Itajaí-Açu passa, Blumenau é a que mais o polui, sendo responsável por sujar 40% do rio

Um dado muito importante: a vazão dos canos de esgoto está prevista para a demanda que a cidade terá em 2050. Até lá, todos os 1.100 km de tubulações da rede de esgoto, equivalentes aos 1.100 km de rios e córregos da cidade, estarão implantados. De acordo com o cronograma da Foz, as obras para implantação do sistema de tratamento de esgoto devem terminar em 2026. Depois disso, quando estiver concluída a universalização do sistema de tratamento de esgoto (como é chamado o processo), a Foz continua operando o sistema. Como Cleber explicou, o trabalho da Foz não é fazer obra, é tratar o esgoto. 

No ano passado, durante a Semana do Meio Ambiente 2013, eu participei do roteiro de resíduos em Blumenau, que incluiu uma visita à Estação de Tratamento de Esgoto do bairro Fortaleza. Se você ainda não leu e quiser saber como funciona o tratamento de esgoto da cidade, dê uma olhadinha no post sobre o roteiro. Para saber mais sobre o assunto, vale uma visita ao site da Foz do Brasil. Está bem legal e traz muitas informações sobre o sistema de tratamento de esgoto.
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Mudanças Climáticas: causas e impactos na sociedade – Semana do Meio Ambiente 2014

Por Letícia Maria Klein •
10 junho 2014

“Impõe-se uma nova revolução civilizacional e uma evolução do conhecimento e da tecnologia”. A frase é do professor e geólogo Juarês José Aumond, que abriu a Semana Municipal do Meio Ambiente de Blumenau com uma palestra sobre “Mudanças climáticas – causa e impactos na sociedade”. O salão estava lotado e a palestra foi muito interessante! Ele mostrou dados e imagens que mostram as transformações que os humanos estão causando no clima, compartilhou informações das pesquisas dele e falou sobre o que devemos fazer para reverter a situação. Vamos a uma pincelada sobre os principais pontos da palestra.

Juarês José Aumond. Fonte: SindsegSC.

O professor deu um grande puxão de orelha na humanidade. “Os dinossauros viveram 100 milhões de anos na Terra. A humanidade existe há 200 mil anos e já mostra sinais de que não vai durar tanto”. Isso porque, entre outros motivos, “o homem sempre viu a natureza como estoque de matéria-prima”. Pois, é. Isso é um enoooooooorme problema.

Um pouquinho de informação técnica. Existem duas típicas eras no planeta: glaciais e interglaciais (“de efeito estufa”, como chamou o professor), que são fenômenos naturais do planeta. O problema é quando o efeito estufa é intensificado e acelerado pelos humanos, o que vem acontecendo desde o século XVII – Para saber mais sobre as causas da mudança climática, confira este post do blog. 

As eras glaciais sempre duram muito mais tempo que as épocas de efeito estufa. A última era do gelo durou entre 100 mil e 13 mil a.C.. Nestas épocas, as florestas diminuem e há secas. No período interglacial, que estamos vivendo agora, deveria ser o contrário: aumento das florestas e chuvas. Mas as florestas vêm diminuindo graças à ação humana e os eventos climáticos (secas, tornados, enchentes, etc.), vem aumentando. 

Procurando imagens sobre era glacial, achei esta charge. Não resisti. 

Bem, quem é responsável por essa bagunça no clima? Nós, pessoas. As evidências de flutuações entre efeito estufa e era do gelo estão mais frequentes, segundo o professor. Não importa quais países mais causam o aquecimento global, todo o globo sofre. “Não só a economia está globalizada, as mudanças climáticas também. A crise ultrapassa fronteiras”, disse Juarês. “A natureza está dando sinais!” 

No começo da palestra, ele mostrou vários desses sinais: fotos de catástrofes climáticas ao redor do mundo, como a nevasca em Nova York em 2010 (a pior dos últimos 40 anos); chuvas concentradas na China e no Paquistão; o maior deslizamento do Brasil, no Rio de Janeiro, em 2010. Juarês também mostrou fotos que tirou durante suas pesquisas no Alasca e na Antártida, onde também há sinais das mudanças climáticas.

Deslizamento de terra nos morros em Teresópolis (RJ) após as fortes chuvas - 12/01/2011
Deslizamentos no Rio de Janeiro. Fonte: Veja.

“O que precisamos fazer é saber interpretar estes sinais da natureza e tomar as medidas certas. As mudanças climáticas vão transformar os padrões de produção e consumo como conhecemos hoje e vão incentivar a inovação tecnológica.” A lição do professor é que os problemas existem e estão aumentando, mas eles são uma oportunidade de aprendizado. 

Quais as ações que devemos tomar? De acordo com Juarês, precisamos de mais informação e mais consciência para mantermos a Terra no seu ponto de equilíbrio. Temos os desafios de identificar as áreas críticas, prever e praticar ações estratégicas que reduzam a frequência e a intensidade dos desastres, cooperar com todas as esferas da sociedade e aprender cidadania socioambiental. Em suma, precisamos de soluções que sejam economicamente viáveis, socialmente justas e ambientalmente corretas. 

Tá acabando! No fim da palestra, na parte das perguntas, eu perguntei a ele qual a importância que ele dava para as ações que cada um pode fazer no seu dia a dia. Ele contou um caso muito interessante que aconteceu com ele e que valeu mais do que qualquer outra coisa. 


Enquanto estudante na escola de geologia, ele saiu para fotografar a erosão do rio junto com professores e o corpo de bombeiros. Sabe o que ele fez com o plástico da câmera? Jogou no chão. Foi quando uma colega chegou perto e disse: “Viu o que tu fez, Juarês?”. Ele disse que esta chamada de atenção foi a maior lição que recebeu e que valeu mais que qualquer palestra de um grande orador. Moral da história: o poder dos bons exemplos. Vamos ser sustentáveis no nosso dia a dia e servir de exemplo para os outros. 

Agora acabou. Ah, tem algumas curiosidades abaixo, também da palestra. 

- Hoje ocorrem 300 mil mortes por anos em decorrência das mudanças climáticas. Nos próximos anos, serão 500 mil mortes anuais. 
- Os pólos do planeta são termoestabilizadores, ou seja, controlam a temperatura da Terra. O grande problema é que eles estão derretendo. O Ártico já perdeu 40% do seu gelo permanente desde 1985. Há 244 geleiras na Antártida, das quais 212 (87%) estão reduzindo. 
- Contabilizando toda a água que se gasta na cadeia de produção de bens de consumo, cada ser humano consome, por dia, 800 litros de água!!
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Afinal, por que preservamos?

Por Letícia Maria Klein •
13 maio 2014
Porque nos sentimos responsáveis. Quando temos algo ao qual damos valor, nos sentimos responsáveis por este algo e, portanto, queremos preservá-lo. Parece óbvio, mas traz uma grande reflexão. A questão surgiu na aula de Direito Digital da minha pós-graduação. A noção de responsabilidade pode ser muitas vezes inconsciente. Nossa vida é um exemplo: damos valor a ela, instintivamente, por isso a preservamos. O tema é perfeitamente aplicável à preservação da natureza. E a natureza está intimamente ligada à vida, humana e de qualquer ser vivo, mais do que às vezes nos damos conta. 

Para provar, é só se perguntar algumas questões básicas. Qual o valor que você dá para o ar puro? Qual o valor que você dá para a água potável? Para água, em geral. Qual o valor da alimentação natural e abundante que a natureza nos oferece? Frutas, verduras, legumes, grãos. Qual o valor do vento, da chuva, do sol? Qual o valor do frio e do calor? Qual o valor das florestas? Elas, que regulam a temperatura e fazem a manutenção das chuvas, entre outras grandes funções. Qual o valor da terra, que nos dá alimentos e minerais? Qual o valor dos rios e mares?

Foto minha, tirada em Rio dos Cedros

As perguntas não param, e todas têm relação com a natureza, seja direta ou indiretamente. Afinal, tudo o que produzimos, consumimos e compramos precisou de bens naturais, matéria-prima e energia para ser feito. A sociedade humana se desenvolveu a partir da natureza, muitas vezes à custa dela. O mínimo que podemos fazer é retribuir tudo que recebemos. 

Eu acredito em preservação como um fim, não como um meio, mas perceber como nós somos tão dependentes da natureza dá aquele choque de realidade. É quando você percebe que sem natureza, sem água, sem árvores, sem alimento, sem animais, a vida humana deixa de existir. Por que tudo está interligado e se influencia mutuamente. Então, por associação, se damos valor à nossa vida, também damos valor à natureza. Ou deveríamos dar. Só que muitos ainda não se tocaram disso. 

Quando se percebe o poder e a influência da natureza na nossa vida, surge o senso de responsabilidade e a vontade de preservar. Vontade é pouco, eu diria. Surge a necessidade de preservar. Pelo menos, é assim comigo. Estou sempre pensando em como minhas maneiras e modos de agir impactam o meio ambiente. A partir das reflexões sobre os impactos que eu gero, vou me adaptando e mudando minhas atitudes para alcançar um estilo de vida cada vez mais sustentável. 

Foto minha, tirada em Santo Amaro da Imperatriz

Quando algo me incomoda, não consigo ficar inerte. Destruição da natureza, a irracionalidade do comportamento consumista, o desrespeito ao meio ambiente e aos seres vivos, a ganância dos homens me incomodam. Muito. Eu amo a natureza, amo a água, o ar, a chuva, o sol, o mar, o vento, os animais, amo a vida. Dou extremo valor a tudo isso e por isso quero preservá-los. Por isso preservo. 

Ainda estou longe do que considero uma vida sustentável ideal, mas já comecei a mudar. E, segundo Ghandi, é assim que se muda o mundo, começando por nós mesmos. Não tenho a pretensão de mudar o mundo, mas de braços cruzados sei que não posso ficar. Seja nas minhas ações diárias ou aqui no blog, estou pondo em prática o que acredito que é importante e necessário. 

E você, o que te incomoda e te faz querer agir? Meio ambiente, educação, política? Se você dá valor, preserve.
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Parque São Francisco, recanto silvestre no centro da cidade

Por Letícia Maria Klein •
04 maio 2014

Foi com muito entusiasmo que fui perambular com minha dinda pelas trilhas do Parque Natural Municipal São Francisco de Assis no feriado de Páscoa. Entusiasmo porque o parque foi reaberto em março, depois de ter ficado fechado desde a enchente de 2008. O parque fica no Centro da cidade e tem uma área de 23 hectares de Mata Atlântica, rica em fauna e flora. Vi e ouvi muitas aves (tem um videozinho lá embaixo com os sons da floresta) e também ouvi um bugio ruivo, cuja espécie foi reintroduzida no parque. Vou te contar, até que dá um medinho, mas eu bem que gostaria de ter visto o animal. Bom, minha dinda fez tamanha cara de pavor que eu tenho certeza que ela discorda. 


Trilha na entrada no parque

As trilhas são muito rápidas e fáceis de percorrer, com exceção de um ou outro ponto. Passamos por todas as quatro em uma hora, sendo elas: Caminho das Águas, Caminho do Tucano, Caminho da Cutia e Caminho do Tatu. A floresta é linda e a temperatura é muito agradável. 


Vimos vários animais, principalmente aves e insetos. E, quem diria, as moscas incomodaram mais que os mosquitos. Ao longo dos caminhos, tem placas com informações sobre a floresta e seus habitantes. 


O parque é uma unidade de conservação de proteção integral. Além das caminhadas, também são permitidas visitas escolares e atividades de educação ambiental, que são uma ótima ferramenta para conscientizar as pessoas sobre a importância de preservar a natureza. 

Olha só o galho retorcido!

É maravilhoso caminhar no parque, principalmente para quem gosta de ficar em contato com a natureza, como eu. É muito gostoso e dá uma paz imensa. Com certeza voltarei mais vezes. 

Vídeo que gravei para capturar os muitos sons da floresta

O parque fica aberto de segunda a sábado, das 8h às 17h e o telefone é (47) 3381-6200. A entrada, por enquanto, é gratuita. Mas, como disse o presidente da Faema (Fundação Municipal do Meio Ambiente), eles precisam de recursos para manter o parque. Eu concordo com a ideia de cobrar entrada, por menor que seja o valor. Afinal, todos usufruem dos bens naturais, então nada mais justo que todos contribuem para a manutenção e preservação deles.
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