Mudanças Climáticas: causas e impactos na sociedade – Semana do Meio Ambiente 2014

Por Letícia Maria Klein •
10 junho 2014

“Impõe-se uma nova revolução civilizacional e uma evolução do conhecimento e da tecnologia”. A frase é do professor e geólogo Juarês José Aumond, que abriu a Semana Municipal do Meio Ambiente de Blumenau com uma palestra sobre “Mudanças climáticas – causa e impactos na sociedade”. O salão estava lotado e a palestra foi muito interessante! Ele mostrou dados e imagens que mostram as transformações que os humanos estão causando no clima, compartilhou informações das pesquisas dele e falou sobre o que devemos fazer para reverter a situação. Vamos a uma pincelada sobre os principais pontos da palestra.

Juarês José Aumond. Fonte: SindsegSC.

O professor deu um grande puxão de orelha na humanidade. “Os dinossauros viveram 100 milhões de anos na Terra. A humanidade existe há 200 mil anos e já mostra sinais de que não vai durar tanto”. Isso porque, entre outros motivos, “o homem sempre viu a natureza como estoque de matéria-prima”. Pois, é. Isso é um enoooooooorme problema.

Um pouquinho de informação técnica. Existem duas típicas eras no planeta: glaciais e interglaciais (“de efeito estufa”, como chamou o professor), que são fenômenos naturais do planeta. O problema é quando o efeito estufa é intensificado e acelerado pelos humanos, o que vem acontecendo desde o século XVII – Para saber mais sobre as causas da mudança climática, confira este post do blog. 

As eras glaciais sempre duram muito mais tempo que as épocas de efeito estufa. A última era do gelo durou entre 100 mil e 13 mil a.C.. Nestas épocas, as florestas diminuem e há secas. No período interglacial, que estamos vivendo agora, deveria ser o contrário: aumento das florestas e chuvas. Mas as florestas vêm diminuindo graças à ação humana e os eventos climáticos (secas, tornados, enchentes, etc.), vem aumentando. 

Procurando imagens sobre era glacial, achei esta charge. Não resisti. 

Bem, quem é responsável por essa bagunça no clima? Nós, pessoas. As evidências de flutuações entre efeito estufa e era do gelo estão mais frequentes, segundo o professor. Não importa quais países mais causam o aquecimento global, todo o globo sofre. “Não só a economia está globalizada, as mudanças climáticas também. A crise ultrapassa fronteiras”, disse Juarês. “A natureza está dando sinais!” 

No começo da palestra, ele mostrou vários desses sinais: fotos de catástrofes climáticas ao redor do mundo, como a nevasca em Nova York em 2010 (a pior dos últimos 40 anos); chuvas concentradas na China e no Paquistão; o maior deslizamento do Brasil, no Rio de Janeiro, em 2010. Juarês também mostrou fotos que tirou durante suas pesquisas no Alasca e na Antártida, onde também há sinais das mudanças climáticas.

Deslizamento de terra nos morros em Teresópolis (RJ) após as fortes chuvas - 12/01/2011
Deslizamentos no Rio de Janeiro. Fonte: Veja.

“O que precisamos fazer é saber interpretar estes sinais da natureza e tomar as medidas certas. As mudanças climáticas vão transformar os padrões de produção e consumo como conhecemos hoje e vão incentivar a inovação tecnológica.” A lição do professor é que os problemas existem e estão aumentando, mas eles são uma oportunidade de aprendizado. 

Quais as ações que devemos tomar? De acordo com Juarês, precisamos de mais informação e mais consciência para mantermos a Terra no seu ponto de equilíbrio. Temos os desafios de identificar as áreas críticas, prever e praticar ações estratégicas que reduzam a frequência e a intensidade dos desastres, cooperar com todas as esferas da sociedade e aprender cidadania socioambiental. Em suma, precisamos de soluções que sejam economicamente viáveis, socialmente justas e ambientalmente corretas. 

Tá acabando! No fim da palestra, na parte das perguntas, eu perguntei a ele qual a importância que ele dava para as ações que cada um pode fazer no seu dia a dia. Ele contou um caso muito interessante que aconteceu com ele e que valeu mais do que qualquer outra coisa. 


Enquanto estudante na escola de geologia, ele saiu para fotografar a erosão do rio junto com professores e o corpo de bombeiros. Sabe o que ele fez com o plástico da câmera? Jogou no chão. Foi quando uma colega chegou perto e disse: “Viu o que tu fez, Juarês?”. Ele disse que esta chamada de atenção foi a maior lição que recebeu e que valeu mais que qualquer palestra de um grande orador. Moral da história: o poder dos bons exemplos. Vamos ser sustentáveis no nosso dia a dia e servir de exemplo para os outros. 

Agora acabou. Ah, tem algumas curiosidades abaixo, também da palestra. 

- Hoje ocorrem 300 mil mortes por anos em decorrência das mudanças climáticas. Nos próximos anos, serão 500 mil mortes anuais. 
- Os pólos do planeta são termoestabilizadores, ou seja, controlam a temperatura da Terra. O grande problema é que eles estão derretendo. O Ártico já perdeu 40% do seu gelo permanente desde 1985. Há 244 geleiras na Antártida, das quais 212 (87%) estão reduzindo. 
- Contabilizando toda a água que se gasta na cadeia de produção de bens de consumo, cada ser humano consome, por dia, 800 litros de água!!
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Afinal, por que preservamos?

Por Letícia Maria Klein •
13 maio 2014
Porque nos sentimos responsáveis. Quando temos algo ao qual damos valor, nos sentimos responsáveis por este algo e, portanto, queremos preservá-lo. Parece óbvio, mas traz uma grande reflexão. A questão surgiu na aula de Direito Digital da minha pós-graduação. A noção de responsabilidade pode ser muitas vezes inconsciente. Nossa vida é um exemplo: damos valor a ela, instintivamente, por isso a preservamos. O tema é perfeitamente aplicável à preservação da natureza. E a natureza está intimamente ligada à vida, humana e de qualquer ser vivo, mais do que às vezes nos damos conta. 

Para provar, é só se perguntar algumas questões básicas. Qual o valor que você dá para o ar puro? Qual o valor que você dá para a água potável? Para água, em geral. Qual o valor da alimentação natural e abundante que a natureza nos oferece? Frutas, verduras, legumes, grãos. Qual o valor do vento, da chuva, do sol? Qual o valor do frio e do calor? Qual o valor das florestas? Elas, que regulam a temperatura e fazem a manutenção das chuvas, entre outras grandes funções. Qual o valor da terra, que nos dá alimentos e minerais? Qual o valor dos rios e mares?

Foto minha, tirada em Rio dos Cedros

As perguntas não param, e todas têm relação com a natureza, seja direta ou indiretamente. Afinal, tudo o que produzimos, consumimos e compramos precisou de bens naturais, matéria-prima e energia para ser feito. A sociedade humana se desenvolveu a partir da natureza, muitas vezes à custa dela. O mínimo que podemos fazer é retribuir tudo que recebemos. 

Eu acredito em preservação como um fim, não como um meio, mas perceber como nós somos tão dependentes da natureza dá aquele choque de realidade. É quando você percebe que sem natureza, sem água, sem árvores, sem alimento, sem animais, a vida humana deixa de existir. Por que tudo está interligado e se influencia mutuamente. Então, por associação, se damos valor à nossa vida, também damos valor à natureza. Ou deveríamos dar. Só que muitos ainda não se tocaram disso. 

Quando se percebe o poder e a influência da natureza na nossa vida, surge o senso de responsabilidade e a vontade de preservar. Vontade é pouco, eu diria. Surge a necessidade de preservar. Pelo menos, é assim comigo. Estou sempre pensando em como minhas maneiras e modos de agir impactam o meio ambiente. A partir das reflexões sobre os impactos que eu gero, vou me adaptando e mudando minhas atitudes para alcançar um estilo de vida cada vez mais sustentável. 

Foto minha, tirada em Santo Amaro da Imperatriz

Quando algo me incomoda, não consigo ficar inerte. Destruição da natureza, a irracionalidade do comportamento consumista, o desrespeito ao meio ambiente e aos seres vivos, a ganância dos homens me incomodam. Muito. Eu amo a natureza, amo a água, o ar, a chuva, o sol, o mar, o vento, os animais, amo a vida. Dou extremo valor a tudo isso e por isso quero preservá-los. Por isso preservo. 

Ainda estou longe do que considero uma vida sustentável ideal, mas já comecei a mudar. E, segundo Ghandi, é assim que se muda o mundo, começando por nós mesmos. Não tenho a pretensão de mudar o mundo, mas de braços cruzados sei que não posso ficar. Seja nas minhas ações diárias ou aqui no blog, estou pondo em prática o que acredito que é importante e necessário. 

E você, o que te incomoda e te faz querer agir? Meio ambiente, educação, política? Se você dá valor, preserve.
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Parque São Francisco, recanto silvestre no centro da cidade

Por Letícia Maria Klein •
04 maio 2014

Foi com muito entusiasmo que fui perambular com minha dinda pelas trilhas do Parque Natural Municipal São Francisco de Assis no feriado de Páscoa. Entusiasmo porque o parque foi reaberto em março, depois de ter ficado fechado desde a enchente de 2008. O parque fica no Centro da cidade e tem uma área de 23 hectares de Mata Atlântica, rica em fauna e flora. Vi e ouvi muitas aves (tem um videozinho lá embaixo com os sons da floresta) e também ouvi um bugio ruivo, cuja espécie foi reintroduzida no parque. Vou te contar, até que dá um medinho, mas eu bem que gostaria de ter visto o animal. Bom, minha dinda fez tamanha cara de pavor que eu tenho certeza que ela discorda. 


Trilha na entrada no parque

As trilhas são muito rápidas e fáceis de percorrer, com exceção de um ou outro ponto. Passamos por todas as quatro em uma hora, sendo elas: Caminho das Águas, Caminho do Tucano, Caminho da Cutia e Caminho do Tatu. A floresta é linda e a temperatura é muito agradável. 


Vimos vários animais, principalmente aves e insetos. E, quem diria, as moscas incomodaram mais que os mosquitos. Ao longo dos caminhos, tem placas com informações sobre a floresta e seus habitantes. 


O parque é uma unidade de conservação de proteção integral. Além das caminhadas, também são permitidas visitas escolares e atividades de educação ambiental, que são uma ótima ferramenta para conscientizar as pessoas sobre a importância de preservar a natureza. 

Olha só o galho retorcido!

É maravilhoso caminhar no parque, principalmente para quem gosta de ficar em contato com a natureza, como eu. É muito gostoso e dá uma paz imensa. Com certeza voltarei mais vezes. 

Vídeo que gravei para capturar os muitos sons da floresta

O parque fica aberto de segunda a sábado, das 8h às 17h e o telefone é (47) 3381-6200. A entrada, por enquanto, é gratuita. Mas, como disse o presidente da Faema (Fundação Municipal do Meio Ambiente), eles precisam de recursos para manter o parque. Eu concordo com a ideia de cobrar entrada, por menor que seja o valor. Afinal, todos usufruem dos bens naturais, então nada mais justo que todos contribuem para a manutenção e preservação deles.
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Rio 2, de Carlos Saldanha [Resenha]

Por Letícia Maria Klein •
24 abril 2014
Nesta sequência de Rio, Jade e Blue levam seus filhotes – Bia, Clara e Tiago – à Amazônia para uma viagem de “retorno às origens”. Eles querem que as crias deixem de lado seus dispositivos eletrônicos e as comidas prontas e tenham a experiência de ser araras-azuis por excelência. Essa viagem, na qual pegam carona o tucano Rafael e os periquitos Pedro e Nigel, reserva muitas aventuras e descobertas para o grupo. Ah, alguém se lembra da cacatua do mal Nigel? Ela está de volta, e com companhia. 

O filme é visualmente maravilhoso, com muitas cores e riqueza de detalhes. Durante a viagem do Rio de Janeiro à Amazônia, passamos por outras cidades brasileiras, o que mostra aos estrangeiros um pouco mais da cultura brasileira, além da festa de réveillon de Copacabana que abre o longa. Ritmos nacionais também estão presentes nas várias músicas que foram compostas primeiramente em português, para depois serem traduzidas ao inglês. 


Enquanto o primeiro filme fala sobre o tráfico ilegal de animais silvestres, este traz à tona o problema do desmatamento. Apesar da abordagem ser superficial, sem discutir a gravidade do problema, fica claro que o desmatamento é um dos grandes responsáveis pela extinção de animais silvestres, no caso, as araras-azuis. Percebemos isso numa cena que mostra um ninho com ovos de passarinho sob a ameaça iminente de ser derrubado junto com sua árvore. A espécie está ameaçada de extinção, mas, graças ao projeto Arara Azul, sua população tem aumentado no Pantanal. 

Embora o filme ainda carregue os mesmos clichês do primeiro Rio e não trate dos temas ambientais com a seriedade devida, vale por despertar a consciência ambiental para a necessidade de preservarmos a biodiversidade, principalmente se conseguir chamar a atenção das crianças. Depois, fica por conta dos pais, familiares ou amigos explorarem o tema e mostrarem aos pequenos a importância de viver a vida de forma sustentável.

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Feliz Páscoa sustentável!

Por Letícia Maria Klein •
16 abril 2014

Páscoa não é só chocolate. Apesar de ter virado mais uma vítima do consumismo, assim como outras datas comemorativas, a Páscoa é uma época de renascimento e celebração da vida (não é à toa que o animal símbolo é o coelho, que gera grandes ninhadas). A mídia e o comércio buzinam em nossos ouvidos para comprarmos ovos e mais ovos de chocolate, e se não cuidarmos, nos deixamos levar pela pressão do “tem que comprar”. Se você quer fugir desse discurso interminável e da pesada, dê uma olhada nas dicas abaixo para ter uma Páscoa doce e sustentável

- Na hora de comprar chocolate, pense na qualidade, não na quantidade. Dar muitos ovos ou formatos derivados de chocolate para uma mesma pessoa, penso eu, é exagero, gasto desnecessário de dinheiro e gera mais lixo no final. Ah, vale lembrar, chocolate demais faz mal. 

- Se ganhar ovos de chocolate, fique atento à destinação correta das embalagens para a reciclagem ou exercite a criatividade em maneiras de reaproveitar o material.

- A criatividade também vale para a hora de embalar o presente. Os embrulhos costumam ir direto para a lata do lixo, então tente reutilizar o que você tem em casa para não gerar mais lixo. Vale embalagens que estavam guardadas, caixas de papelão embrulhadas em jornal ou papel de revista ou apenas um laço em volta do presente. Solte a imaginação e preserve o meio ambiente!


- Quer dar um presente, mas nada de chocolate ou docinhos? Pense em algo que a pessoa vai utilizar bastante, que ela esteja mesmo precisando, que não vai ser apenas mais uma peça de roupa no armário ou um enfeite acumulando pó na estante. E na hora do embrulho, tenha em mente a dica anterior.

- O presente não precisa ser físico. Que tal um vale SPA ou salão de beleza, ingresso de cinema, tickets para teatro ou show, um passeio bem legal? É mais interessante e mais marcante para quem recebe.

- Compartilhe a sustentabilidade. Fale com amigos, familiares e crianças sobre como tornar a Páscoa uma data sustentável. Ensine às crianças a importância de preservar o meio ambiente e as armadilhas dos ovos de chocolate com brinquedos, que estimulam o consumismo e geram milhares de produtos desnecessários.

- E, preciso reforçar, não é porque é data comemorativa que tem que dar presente. Um abraço gostoso, uma conversa amiga, uma ligação inesperada podem ser muito mais valiosos pra quem recebe do que um chocolate. Data comemorativa não é só folga do trabalho ou escola, é tempo de reforçar laços de amizade e amor, perdoar, refletir e pôr em prática atitudes melhores.

Gostou das dicas? Se tiver outras, por favor, compartilhe nos comentários. Feliz e sustentável Páscoa pra ti!
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Garrafa d’água de plástico, tchau pra ti!

Por Letícia Maria Klein •
11 abril 2014

Fui ao cinema esta semana e, como em todas as outras vezes, vi várias pessoas comprando garrafas plásticas de água. Eu costumava ser uma dessas pessoas até o ano passado, mas desde que comecei o blog, tenho cada vez mais contato com estilos de vida sustentáveis e venho mudando meus hábitos. Não comprar mais garrafa de água é um deles. O que me fez mudar foi o episódio “A história da água engarrafada”, do projeto The Story of Stuff, que mostra o lado oculto e sinistro da garrafinha de água. Sério, não tem como ficar indiferente ao vídeo. Nem preciso falar muito pra te convencer, depois de assistir você já vai ter outra visão sobre essa malvada. 




Além de comprar água engarrafada quando ia ao cinema, eu costumava pedir água quando almoçava ou jantava fora. Como me despedi dos refrigerantes há bastante tempo, uma outra opção pra mim é o suco. Então, quando vou a algum restaurante hoje em dia, ou não peço nada pra beber ou peço um suco

No trabalho e na aula, minha garrafinha de água permanente é minha fiel companheira, que abasteço no bebedouro ou no filtro de água. A minha é de 500 ml, mas existem opções de 250 ml, boas para quem carrega bolsa pequena. 


Substituir a garrafinha chata de plástico que é vendida em tudo que é lugar ajuda muito o meio ambiente, evitando principalmente a produção de mais lixo. Ao comer fora, experimente dar uma chance às outras opções de bebida no cardápio. É mais uma dica de como podemos ser sustentáveis no dia a dia. ;)
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