Diário de bordo #4 – 11 delícias da Schumacher College

Por Letícia Maria Klein •
18 setembro 2016
Aqui na Schumacher College, cada dia pode ser uma caixinha de surpresas, pode te revelar uma coisa especial ou te fazer apreciar e valorizar as coisas boas e simples da vida. Fiz uma seleção que mostra alguns motivos porque estar aqui é uma experiência maravilhosa!

Estar a poucos passos da floresta e respirar ar puro e fresco.



Comida vegetariana deliciosa e super variada, feita a vários pares de mãos de voluntários e estudantes nos seus grupos de trabalho (olha eu ali). Antes de jantar, todos reunidos para benção e agradecimentos.



Compostagem de todas as sobras de alimentos e reciclagem do resto. No Estado de Devon existe o programa Zero do Landfill (Zero para aterro), que parece funcionar bem direitinho. Claro que vai ter post sobre este assunto mais para frente. ;)



Encontros inesperados, com direito a pausa para foto antes do voo.

Foto de Risa Tanaka

Poder nadar no rio Dart (ainda não fui, mas pretendo!). Tem vários acessos, tanto pela floresta quanto pelo caminho que vai à cidade de Totnes (vizinha daqui).



Mensagens inspiradoras em vários cantos.

"Se você construiu castelos no ar, seu trabalho não será perdido; lá é onde eles devem estar.
Agora coloque as fundações sob eles", Henry David Thoreau

Jardins por todos os lados, uma perspectiva diferente a cada janela.



Um refúgio muito aconchegante entre árvores, suspenso por cordas.



Passeios com os amigos. Neste sábado, fomos para a Bantham, ótimo para surfistas e quem mais quiser curtir uma praia linda.

Foto de Luiz Victor Santos

Banheiro seco! Nada de água, aqui os rejeitos são compostados, junto com o papel higiênico. Lixo zero mesmo!



Lindo nascer do sol!

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Diário de bordo #3 – Uma experiência sensorial

Por Letícia Maria Klein •
11 setembro 2016
Respire profundamente. Inspire, sentido o ar enchendo seus pulmões enquanto expande a barriga. Agora expire, soltando o ar lentamente pela boca e sentindo seu tronco esvaziar. Faça novamente, de olhos fechados. Agora imagine-se de pés descalços, no meio de um jardim ou de uma floresta, sentindo o solo, a grama, as folhas, os pequenos gravetos sob seus pés. Agarre-os com seus dedos, sinta o frescor que vem da terra.

O ar, com seus diversos gases, é uma reunião das respirações de humanos, outros animais e plantas. Respire fundo de novo e tente sentir esta conexão aérea com os outros seres. Dentro da sua imagem mental, no jardim ou na floresta, de pés livres, respire fundo novamente, sentindo esta troca de ares com as árvores ao seu redor. Aqui o ar é puro, fresco.

Ainda neste cenário, caminhe. Sinta o chão da floresta ou a grama sob seus pés afundando a cada passo, recebendo seu corpo. Se quiser, deite sobre a terra para ter a sensação em todo seu ser. Não se esqueça de respirar conscientemente, trocando inspirações e expirações com a natureza da qual faz parte. Agora continue sua caminhada, olhando ao redor e indo em direção a algum ser vivo ou elemento que lhe prenda o olhar. Chegue perto. É vegetal? Animal? Mineral?

Perceba as nuances, os contornos, as cores, o formato, a textura. Preste atenção. Converse com ele. Não necessariamente com palavras pronunciadas, mas com o pensamento, o olhar, as mãos, o corpo. O ambiente sente a sua presença, assim como você está sentindo este ser ou elemento e o ambiente em volta. Agora escolha outro (ou deixe outro escolher você) e sinta as diferenças.

Desperte seus sentidos para a experiência. Escute o farfalhar das folhas sob o vento, observe os detalhes da asa de uma borboleta, prove a fruta que a árvore oferece, inspire o perfume das flores da estação, sinta a aspereza de uma pedra. Sinta a si mesmo. Com todos os seus sentidos, perceba o ambiente a sua volta e compreenda que o ambiente também te sente e percebe sua presença.

Independentemente do lugar onde você está, as conexões existem. Cada um é um nó na teia da vida. Respire fundo, aguce os sentidos e sinta o pertencimento.



Um pouco sobre a experiência sensorial na floresta atrás da Schumacher College, guiada por David Abram, mágico, performático, autor dos livros The Spell of the Sensuous e Becoming Animal.
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Diário de bordo #2 – Reconexões e redescobertas

Por Letícia Maria Klein •
07 setembro 2016
A primeira semana de rotina começou com uma grata e belíssima surpresa! Uma experiência que me fez resgatar a importância da celebração. Importância de celebrar a vida, a família, os amigos, o lugar em que moramos, nosso país, nossa cultura e de agradecer por todas as bênçãos e dádivas que recebemos todos os dias. Foi lindo, emocionante e estava delicioso, afinal foi um jantar às cegas! E com as mãos ao invés de talheres. Só para variar, as batatas estavam divinas...

Já depois do jantar

A ideia do jantar foi do Francisco, costa-riquenho que se formou no mestrado em Economia para transição. A dissertação dele foi sobre o poder da celebração para o estabelecimento de um novo paradigma na economia. Depois de frequentar festas, reuniões familiares, festivais, feiras e outros tantos, uma das conclusões a que ele chegou é de que precisamos ver e reconhecer a beleza em nós mesmos (interna e externa), a beleza nos outros (interna e externa) e a beleza do local em que vivemos para que possamos fazer o melhor das oportunidades e das experiências.

O ambiente foi decorado especialmente para a ocasião

O jantar que ele nos proporcionou, com a ajuda dos outros que se formaram e de alguns voluntários, exultou a beleza desta comunidade da Schumacher College e me ajudou a reconhecer a necessidade e a relevância das celebrações, sejam pequenas ou grandes. Como o colega ao meu lado, Chris, comentou, é uma coisa que facilmente não faríamos, por quaisquer motivos, e que acaba se tornando surpreendente. Não um jantar às cegas, especificamente, mas qualquer tipo de encontro.

Na hora do bolo, com o varal de fotos passando

Depois de vendados, fomos levados um a um aos nossos lugares nas mesas. Não nos foi permitido ver nada antes, então quando eu entrei, achei que estava em um dos cômodos de alimentação e depois vi que estava em outro. Eles colocaram todas as mesas em um dos cômodos, para que todos ficassem juntos. Vendados, recebemos os pratos e comemos com as mãos. Eu achei muito divertido e adorei sentir a expectativa de saborear o que viesse. Estava soberbo, como sempre. Beterrabas assadas, cenouras raladas, omelete, crisps de sálvia e batatas fritas lentamente em manteiga (importante relembrar que todos os derivados de leite são orgânicos, assim como ovos e verduras adquiridos de produtores locais).

Após o prato principal, cada um recebeu uma colher. O que havia sobre ela era gelado e em micropedacinhos, como gelo batido. Adivinha o que era? Pepino! De sobremesa (coisa rara aqui, só em ocasiões especiais, mesmo), de olhos desvendados, um bolo de chocolate para comemorar o aniversário de uma das mestrandas. Durante o jantar, um rapaz chamado Michail cantou e tocou violão, duas canções muito bonitas (uma de sua autoria, inclusive). Por fim, enquanto era servido bolo, Francisco passou uma série de fotos presas por um barbante (um varal de fotos) que mostram as atividades na Schumacher College desde o começo, há 25 anos. Foi também neste momento que ele falou sobe suas descobertas para a dissertação. Para resumir a noite em uma palavra: especial.
As fotos são de autoria de Francisco.
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Diário de bordo #1 - Primeira semana e primeiras impressões na Schumacher College

Por Letícia Maria Klein •
04 setembro 2016
Para ser sincera, nem sei por onde começar! Estou sentada na biblioteca, olhando a chuva cair sobre o gramado e as árvores e ouvindo a música do piano que James, outro estudante da escola, está tocando no cômodo ao lado. Há outros colegas aqui, concentrados nas suas leituras ou explorando as prateleiras. A biblioteca é linda, uma graça, super aconchegante, com uma cama-sofá ao lado do janelão. Bem como a gente vê em filmes, sabe?

Biblioteca

Cheguei aqui na terça-feira, dia 29, mas parece que estou aqui há bem mais tempo. Outros com quem falei sobre isso têm a mesma sensação. Engraçado, talvez seja a familiaridade com o lugar, como tudo funciona tão direitinho com os grupos de trabalho, o aconchego, a recepção calorosa ou mesmo uma espécie de magia que existe neste lugar. Como o título de uma das dissertações de mestrado, “the magic of Schumacher is real” (a mágica da Schumacher é real).

Cada estudante (estamos em 37 nos três cursos) tem seu próprio quarto e já estou bem instalada. São quatro prédios de acomodação aqui do ladinho da escola e um outro a alguns minutos de caminhada colina acima, chamado Higher Close. A escola fica em Dartington Hall Estate (como se fosse um feudo de antigamente) administrado pelo Dartington Hall Trust, que foi fundado em 1925 por Dorothy e Leonard Elmhirst, inspirado na obra do poeta, educador, reformador social indiano e ganhador do Prêmio Nobel Rabindranath Tagore. O casal comprou e reabilitou os 1.300 hectares de Dartington Estate para desenvolver modelos de regeneração rural por meio da economia, da educação e de atividades artísticas diversificadas.

Vista da biblioteca

Na sexta, Jon Rae, o diretor da escola, levou todos os estudantes para um passeio por Dartington Hall Estate, contando sobre a história do local e as mudanças ao longo do tempo. Hoje, por exemplo, 80% da eletricidade vêm de fontes renováveis (solar e biomassa). Também fomos apresentados a esta linda biblioteca e tivemos uma manhã muito divertida com brincadeiras e jogos para entrosamento do grupo. Um deles foi a trilha de sensibilização em que uma pessoa fica de olhos fechados e outra vai guiando. Além da exploração dos sentidos, é muito bom saber que podemos confiar numa pessoa que mal conhecemos e perceber como queremos que os outros confiem em nós.

No dia anterior, quinta-feira, também foi dia de induction, como eles chamam. Recebemos as boas-vindas de Stephan Harding, professor e co-fundador da escola, e do diretor Jon Rae e conhecemos o trabalho na cozinha, na horta e como a escola funciona. Aqui é assim: tem os funcionários, os voluntários e os estudantes. Nós, estudantes, somos divididos em grupos de trabalho e em cada dia da semana fazemos uma tarefa diferente, que ao todo incluem cuidar da limpeza de louças, cozinhar, jardinar e limpar a casa. As pessoas dos grupos mudam toda semana, assim todos se conhecem e trabalham em todas as tarefas. Este sistema é ótimo para estimular o senso de coletividade e companheirismo.

Um dos lados do prédio principal da Schumacher College

Os fins de semana geralmente são livres, a não ser quando estamos escalados para trabalhar. E tem sempre tanta coisa para fazer! Tem cursos de arte e “faça você mesmo” do movimento The Craft Revolution, cujo galpão está instalado no terreno da escola, tem passeios que podemos fazer, tem muita leitura do curso. Além disso, tem muito para absorver e explorar. Conversas com pessoas do mundo todo, caminhos pelos bosques e florestas, inspiração, introspeção, redescobrimento de si mesmo, mudanças de pré-conceitos e visões de mundo. Nesta segunda tudo começa para valer! Estou ansiosa e empolgada!



Ontem à tarde, sábado, tivemos um cream tea com os mestrandos que entregaram suas dissertações nesta semana. Foi o hand over, tipo cerimônia de passar o bastão, mesmo. Foi lindo! Tão emocionante! O cream tea estava uma delícia (é um bolinho que se recheia com creme, tipo uma manteiga doce, e geleia, acompanhado de chá, obviamente, porque chá é o que não falta). Aliás, a gente só faz comer aqui, de tão gostosa que é a comida! Incrível como a alimentação vegetariana é tão rica e diversificada. Não posso deixar de comprar os dois livros de culinária vegetariana editados pela escola, o Gaia’s Kitchen e o Gaia’s Feasts.

Falando em comida, daqui a pouco é hora do jantar (18h30 é servido) e estou curiosa para saber as delícias que teremos esta noite. Aos poucos, vou fazendo posts, vídeos e fotos sobre a escola, as aulas, modos de vida em comunidade e outras coisas interessantes que surgirem por aqui. A internet aqui nem sempre é boa, mas não se preocupe que vou atualizar sempre que der! Também quero ouvir de você, então fique à vontade para comentar. Até breve! =)
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Zarpando em 3,2,1...

Por Letícia Maria Klein •
26 agosto 2016


“Aprendizagem transformacional através de uma vida sustentável” é o lema da Schumacher College. E é pra lá que eu vou! Depois de um ano e meio, o sonho que se formou na minha mente vai finalmente virar realidade! Neste domingo embarco para a Inglaterra para estudar e conviver na Schumacher College, uma referência em sustentabilidade, onde a gente aprende por transformação, através da vivência.



Estudantes, professores e colaboradores da faculdade vivem em comunidade, divididos em grupos de tarefas responsáveis pela agricultura, alimentação, limpeza, organização e assim por diante, estudando e trabalhando em prol de soluções para um planeta em crise. Perfeito para compreender e exercitar a coletividade, potencializando individualidades em detrimento do individualismo. Cada um fazendo o seu melhor para que todos prosperem.



Na parte de alimentação, por exemplo, a escola tem a própria horta, criação de galinhas para ovos orgânicos, alimentação vegetariana. Para suprir a demanda, o restante dos alimentos é obtido de produtores locais. Pães orgânicos feitos todos os dias e queijos orgânicos de vaquinhas felizes, criadas soltas e com dignidade, também estão no cardápio. A escola também atende dietas especiais, como sem glúten, sem lactose, sem derivados de leite e vegana.



A riqueza cultural é outra beleza da Schumacher, pois há pessoas de todas as partes do mundo estudando lá. No meu curso, por exemplo, tem gente do Brasil, da Inglaterra, da Suíça, da França, dos EUA, do Japão e outros. Falando no curso, o que eu vou fazer é o PG Certificate em Ciência Holística (certificado de pós-graduação), que convida seus estudantes a “olhar para além dos limites da ciência tradicional para resolver os problemas ecológicos e sociais de hoje”, mergulhando em sistemas, teorias da complexidade e do caos, ecopsicologia e ciência de qualidades.



A faculdade oferece cinco cursos de mestrado, aprovados pela Universidade de Plymouth, e também cursos de curta duração. Cada turma tem no máximo 17 acadêmicos, para garantir a qualidade do aprendizado. Os professores usam diversos métodos de ensino e avaliação e as aulas expandem os limites da sala, incluindo passeios a campo por bosques, montanhas e parques. Além disso, alguns profissionais renomados em seus campos são convidados a lecionar, como o físico Fritjof Capra, autor de A Teia da Vida (ele vai estar lá neste ano, ahhhhh!!!).

Para resumir: PA-RA-Í-SO. Todos com quem eu falei ou soube de suas histórias dizem que o lugar não tem igual, é uma experiência fantástica, transformadora. Estou imensamente empolgada, ansiosa, com frio na barriga, de poder viver essa realidade e absorver o máximo possível. Venham, experiências, novas amizades, conhecimentos e aprendizados, venham! Venham, novos horizontes, novas perspectivas, novos caminhos, venham!

Vou procurar trazer o máximo que conseguir de lá para você, aqui no blog, em textos, imagens e vídeos no canal, então acompanhe as redes sociais para saber de todas as novidades! Até breve, diretamente de Totnes. ;)
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Dá para viver sem dinheiro? Conheça cinco pessoas que deram adeus a ele

Por Letícia Maria Klein •
17 agosto 2016
Respondendo à pergunta: que dá, dá. O dinheiro é uma invenção humana e se vivia normalmente antes dele, na base do escambo, da troca de serviços por produtos e vice-versa. Os sistemas econômicos foram mudando, a população da terra foi se multiplicando e a troca passou a ser intermediada por moedas. O dinheiro se tornou a moeda de troca oficial do mundo, literalmente. Vantagens e desvantagens à parte, é bom lembrar que, como toda ferramenta, o dinheiro é neutro; se seu uso é para o bem ou mal, depende da intenção de quem o tem. Tem gente que prefere não ter, como é o caso destes cinco aqui:

Jo NemethEsta australiana se demitiu da empresa onde trabalhava e escolheu depender só de si para viver, depois de se questionar sobre os impactos que causava no planeta a partir de suas escolhas e hábitos. Ela mora num abrigo na propriedade de um amigo, se alimenta principalmente do que planta e emprega suas horas do dia no cultivo da horta, cozimento das refeições, leitura, conversa com amigos, passeios pela cidade e seu blog. Para conseguir objetos de higiene e limpeza, ela presta serviços ou aproveita restos de produtos que seriam descartados por amigos, conhecidos, simpatizantes e empresas. Em entrevista, Jo disse que sua regra pessoal é não usar produtos novos: “eu não quero usar os recursos materiais se eles forem produzidos apenas para o meu próprio benefício”. Jo diz estar mais feliz e saudável desde então: “eu trabalho muito no plantio e a minha dieta mudou. Além disso, eu não produzo todo o lixo que produzia antes. Estou me sentindo muito melhor”.



Daniel ShellabargerDesde criança, este estadunidense católico praticante tinha curiosidade de viver como Jesus, sem dinheiro. Em 2000, ele deixou seus últimos 30 dólares numa cabine telefônica, queimou sua carteira de motorista e passaporte, ficou com algumas roupas e vive até hoje como nômade. Conhecido como Daniel Suelo (solo, em espanhol), já viveu em comunidades alternativas, acampou no deserto e dormiu na casa de pessoas desconhecidas que o convidaram. Ele mantém uma “casinha base” numa pequena caverna no deserto de Moab, em Utah. Daniel se alimenta de plantas selvagens, do que encontra no lixo e até de carne de animais atropelados nas estradas, além do que consegue em troca do seu trabalho, que também lhe rende roupas e produtos de higiene. Em seu blog, que mantém a partir de computadores em bibliotecas públicas, ele explica que “a natureza selvagem, fora da sociedade de consumo, funciona através da economia da dádiva (de graça recebestes, de graça dai)”. Descreveu sua experiência e motivações no livro “The man who quit money” (O homem que desistiu do dinheiro, em tradução livre), que teve suas cópias distribuídas gratuitamente. “Quando eu vivia com dinheiro, eu estava sempre sentindo falta de algo. O dinheiro representa essa falta. O dinheiro representa coisas do passado (dúvidas) e coisas do futuro (créditos), mas o dinheiro nunca representa o presente. Nós precisamos de muito pouco para viver e não nos damos conta disso”, diz.



Heidemarie SchwernerFaz mais ou menos duas décadas que a alemã Heidemarie Schwerner vive sem dinheiro. Tudo começou quando ela se mudou com os filhos para uma cidade na área rural da Alemanha e percebeu uma grande quantidade de moradores de rua. Buscando uma maneira de ajudá-los, ela criou o Tauschring, um espaço onde pessoas poderiam trocar serviços ou objetos por outros de que necessitavam. O projeto foi ganhando forma e mais adeptos e Heidemarie decidiu trocar sua até então profissão de professora por outro ideal de vida: vendeu seu apartamento, guardou o essencial numa mochila e numa mala e passou a viver de troca de serviços e favores. Para conseguir cama e comida, ela lavava pratos, limpava a casa, servia de companhia e por aí vai. Ela ficou tão famosa que tem pessoas que enviam passagens a ela para que se hospede com eles, o que a faz viajar bastante. Já escreveu três livros sobre sua experiência e doa toda a verba arrecadada para instituições de caridade, conservando apenas uma poupança com 200 euros para alguma emergência. Para ela, foi uma “libertação”. Seu estilo de vida inspirou o documentário “Vivendo sem dinheiro”, onde afirma que não é preciso ter uma renda para viver bem e que “o dinheiro nos distrai do que é realmente importante”.



Christopher Johnson McCandlessChris ficou famoso a partir da publicação do livro “Na natureza selvagem”, em 1996, e depois com o filme homônimo, lançado em 2007, que contam a história de como este jovem de família rica deixou tudo para trás para viver livre na natureza gelada do Alasca e o que aconteceu nos dois anos em que conseguiu viver sua aventura, antes de ser encontrado morto (não é spoiler, tá, está na sinopse das obras!). Conhecido como Alexander (ou Alex) Supertramp, codinome que adotou, se fundamentou em trabalhos de Leon Tolstoi, Jack London e Henry David Thoreau, escritores que falavam sobre a proximidade com a natureza e a vida simples. Ainda não li o livro, mas o filme é fantástico e suscita ótimas reflexões.



Mark BoyleO irlandês formado em administração abandonou o dinheiro para morar no campo, onde planta a própria comida, toma banho de rio e usa fogueiras para cozinhar o alimento. Boyle tomou a decisão depois de ver como estamos degradando o planeta. “Não vemos o efeito de nossas compras no ambiente. Não sabemos por quais processos os produtos passaram, quais os danos que eles causaram. Não sabemos mais como o que consumimos é produzido”, disse Mark nesta entrevista. Para ele, é a economia que está destruindo a natureza e prejudicando sua biodiversidade, pois o dinheiro cria uma distância entre nós e o que consumimos. Ele tem um computador movido a energia solar, que usa para manter seu blog e já lançou dois livros: “O homem sem grana” e “Drinking Molotov Cocktails with Gandhi”, ainda sem tradução no Brasil.



Estas pessoas estão trazendo de volta o modo de vida que só se encontra em livros de história, à margem da sociedade ou em grupos sociais isolados. Junto com outros movimentos como slow food, slow fashion, no e low poo, no showering, lixo zero, não à depilação e outros tantos, estas pessoas estão, no mínimo, nos fazendo repensar nossa relação com o próprio corpo, com nossos ciclos sociais, com o planeta e refletir sobre nossos hábitos de consumo e estilo de vida. Independente de qual ou quais deles adotar e qual o seu ritmo, o importante é que você encontre o seu ponto de equilíbrio e que faça sentido pra você. ;)
Com informações de: Hypeness, Mochila Brasil, Pragmatismo Político.
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