A importância dos 3 Rs

Por Letícia Maria Klein •
21 fevereiro 2014
Reduzir, reutilizar e reciclar. Os 3 Rs inimigos do desperdício e da geração de lixo, dois grandes males da atualidade. As coisas que jogamos fora de nossas casas ocupam espaços gigantescos nas cidades, crescendo toneladas a cada dia. Este cenário é agravado pela quantidade exorbitante de itens produzidos pela indústria, muitas vezes itens que são descartáveis ou que se tornam obsoletos (ou apenas parecem obsoletos) muito rapidamente. Ainda tem a impulsividade, o crédito facilitado, as propagandas massivas e os anúncios de promoções que incentivam as pessoas a comprarem o que elas não precisam. Por isso que reciclar não basta. É fundamental, mas como parte integrante de uma cadeia que tem outras etapas tanto ou até mais essenciais: reduzir nossa produção de lixo e reutilizar o máximo de coisas possível. Vem comigo conferir exemplos de como podemos aplicar os 3 Rs no dia a dia



Reduzir
Tudo que é produzido por mãos humanas precisou de bens naturais para ser feito e consumiu recursos para chegar até as lojas. Água foi utilizada, energia foi gasta, gases do efeito estufa foram emitidos na natureza, pneus foram gastos, veículos foram usados, e por aí vai. Quando você reduz sua pegada ecológica, repensa suas compras e seus hábitos de consumo, você reduz a quantidade de lixo que gera diariamente e poupa recursos que seriam utilizados na produção de mais objetos. Afinal, quem faz a demanda é o público: quanto menos as pessoas compram, menos é produzido. Existem várias formas de reduzir nosso lixo. Alguns exemplos:

- Quando for ao supermercado, utilize sacolas retornáveis. As de plástico que o mercado fornece são um veneno para a natureza, pois demoram centenas de anos para se decompor e, quando jogadas ao mar, são facilmente engolidas por animais, que acabam morrendo de fome por causa deste e outros objetos ingeridos (as coisas vão ocupando espaço no estômago dos bichos, deixando pouco espaço para a comida). “Ah, mas onde eu vou colocar o lixo se não tiver sacola plástica?”. Como grande parte dos produtos que compramos vem em embalagens plásticas ou de papelão, você pode usá-las como saco de lixo em casa.



- Falando nisso, você pode carregar sempre consigo uma sacola retornável. Eu tenho uma de pano que levo sempre na bolsa, assim, quando compro algo em qualquer loja, utilizo a minha sacola. 

- Economizar água e energia é uma ótima forma de ajudar o ambiente:
Tomar um banho mais rápido;
Desligar a torneira enquanto escova os dentes, ensaboa a louça, faz a barba, etc;
Apagar a luz ao sair de ambientes;
Desligar aparelhos eletrônicos que não estejam sendo utilizados;
Fechar a porta de ambientes refrigerados com condicionador de ar;
Tirar da tomada aparelhos que não são utilizados com frequência;
Não deixar a porta da geladeira aberta por muito tempo;
Aproveitar a iluminação natural o máximo possível. 

- Pensar dez vezes antes de comprar alguma coisa (roupas, calçados, acessórios, eletrônicos, objetos decorativos, etc.). Será que é mesmo necessário? Vou utilizar quantas vezes? Já não tenho algo parecido que supre minhas necessidades? Depois que eu não quiser mais, como vai ser o descarte do objeto? 

Reutilizar
Quantas vezes achamos que um objeto não tem mais valia quando na verdade ele ainda é útil? Talvez não pra quem tem, mas para outra pessoa. Reutilizar é dar outro destino para uma coisa que você não quer ou não precisa mais, evitando assim que ela vá para o lixo e ao mesmo tempo estendendo a vida útil do objeto. Vejamos alguns exemplos:

- Se você tem irmão mais velho ou mais novo, esta é de praxe. Você pode utilizar roupas que eram dele ou dela ou doar as suas para os caçulas. Uma atitude que dá destino para roupas que não servem mais e evita compras em lojas. E isso serve não apenas para roupas, mas qualquer peça do vestuário e acessórios.

- Consumo colaborativo é uma ótima forma de reutilizar objetos. Você pode vender ou doar objetos e roupas que não são mais úteis para você, como uma mochila, um secador de cabelo, skate ou bicicleta, enfim, qualquer coisa. Você pode também comprar ou trocar itens que perderam a utilidade para seus antigos donos e que podem ser exatamente o que você estava procurando. 



- No trabalho ou na aula, reutilize copinhos de plástico ditos descartáveis. Por que eles devem ser utilizados só uma vez? Mas como eu não gosto de copinhos plásticos, tenho uma ideia melhor ainda: abandone os ditos-cujos e leve consigo sempre uma garrafinha de água. Este é outro hábito meu, sempre levo uma comigo para o trabalho e a pós-graduação. Tem modelos de 250ml e 500ml, que cabem em qualquer bolsa, mochila ou pasta. 

- Se você costuma pegar almoço em restaurante para almoçar em outro lugar, leve seu próprio recipiente de marmita, evitando utilizar as embalagens de alumínio ou isopor que os restaurantes oferecem e que agridem tanto o meio ambiente. A indústria de reciclagem do alumínio é mais abrangente, mas a maioria das embalagens de isopor acaba indo para aterros sanitários, quando não para os lixões. Se você puder almoçar no restaurante mesmo, melhor ainda. 

Reciclar
Se não fosse a reciclagem, melhor não imaginar o tamanho do problema que o lixo causaria no planeta Terra. A tendência é que cada vez mais cidades contemplem o processo de reciclagem. O cenário brasileiro neste quesito é desastroso, com cerca de apenas 10% das cidades reciclando seu lixo. O panorama fica pior quando se descobre que tem cidades que reciclam uma porcentagem muito pequena do lixo. E não são 100% dos materiais que podem ser recicláveis. Por isso é tão importante reduzir e reutilizar. 

Reciclar permite a transformação de algo que seria descartado em algo totalmente novo, pronto para uso. As quatro principais categorias de reciclagem que temos são papel, vidro, plástico e metais, que abrangem uma extensa variedade de objetos que utilizamos. Se você já separa seu lixo, parabéns. Se ainda não, entre em contato com a prefeitura para saber se existem cooperativas de reciclagem na sua cidade e como fazer para começar a reciclar.

Tipos de lixo

Na hora de separar os recicláveis, fique atento a estas informações:
- Lave as embalagens, pois quando elas estão sujas não são recicladas.
- Amasse latas e garrafas pet, assim cabem mais na sacola ou caixa que você deposita o lixo reciclável.
- As caixas de papelão, como do sucrilhos, também podem ser amassadas ou servir de embalagem para outros itens recicláveis. 
- Abra, lave e achate as embalagens Tetra Pak. No site da empresa você encontra os locais que reciclam as caixinhas. 
- CDs, DVDs, brinquedos são recicláveis. Lâmpadas fluorescentes também. Mas quando o assunto for lâmpadas e pilhas, não coloque junto com o lixo reciclável. As lâmpadas podem ser devolvidas na loja onde foram compradas, pois é dever do estabelecimento dar um destino adequado a esses materiais. Se a loja se recusar a aceitar, você pode processá-la. Quanto às pilhas e baterias, existem locais, como escolas e faculdades, que as recolhem para dar destinação correta. Quando jogadas no lixo comum, elas são um veneno para a natureza. 
- Segundo o Manual da Sustentabilidade do Planeta Sustentável, algumas coisas que achamos ser recicláveis não são, pois ainda não inventaram formas de aproveitá-las. Por exemplo: foto, pote mole de iogurte, pacote de salgadinho, pirex, porcelana e cerâmica, saco de cimento, papel celofane, material em E.V.A., rolha de vinho e espelho. De qualquer forma, eu coloco a maioria das coisas no lixo reciclável. Se não for, lá na cooperativa eles separam. O pior é quando o produto pode ser reciclado e a gente coloca no lixo comum. 

Para ficar com os 3 Rs na ponta da língua, nada melhor do uma música para ajudar a nos lembrar da importância de reduzir, reutilizar e reciclar e passar a incorporar essas três palavrinhas na nossa rotina. Jack Johnson canta uma música muito bacana sobre o tema. Coloquei abaixo a letra e a tradução.

Você já é adepto dos 3 Rs? Quais são seus hábitos de redução, reutilização e reciclagem? Compartilhe sua experiência nos comentários! Confira também os posts em que falo sobre os 10 Rs da sustentabilidade e 29 dicas para não sobrecarregar o planeta Terra no nosso dia a dia, além de muitas outras dicas de atitudes e práticas sustentáveis.


The 3 R's                                                            Os 3 Rs 

Three, it's a magic number                                  Três é um número mágico
Yes it is, it's a magic number                               Sim ele é, é um número mágico
Because two times three is six                             Porque duas vezes três é seis
Three times six is eighteen                                  Três vezes seis é dezoito

And the eighteenth letter in the alphabet is R     E a décima oitava letra do alfabeto é R
We got three R's                                                 Nós temos três R's
We're gonna talk about today                             Sobre os quais vamos falar hoje
We gotta learn to                                                 Precisamos aprender a

Reduce, Reuse Recycle (4x)                               Reduzir, Reutilizar Reciclar (4x)
  
If you're going to the market to buy some juice    Se você vai ao mercado comprar suco
You gotta bring your own bags                            Você precisa levar suas próprias sacolas
And you learn to reduce your waste                    E você aprende a reduzir seu desperdício
We gotta learn to reduce                                     Nós precisamos aprender a reduzir

And if your brothers or your sisters                     E se seus irmãos ou irmãs
Got some cool clothes                                        Tem roupas legais
You can try them on                                            Você pode experimentá-las
Before you buy some over those                        Antes de comprar mais
Reuse                                                                 Reutilizar
We gotta learn to reuse                                      Nós precisamos aprender a reutilizar

And if the first two R's don't work out                  E se os primeiros dois R's não funcionarem
And if you gotta make some trash                      E você precisar gerar lixo
Well don't do it all                                               Não o faça
Recicle                                                               Recicle
We gotta learn to recicle                                    Nós precisamos aprender a reciclar

Reduce, Reuse Recycle (4x)                              Reduzir, Reutilizar Reciclar (4x)

Because three, it's a magic number                   Porque três é um número mágico
Yes it is, it's a magic number                             Sim ele é, é um número mágico

Three, three, three, three                                 Três, três, três, três
Three six, nine, twelve, fifteen                          Seis, nove, doze, quinze
Three                                                               Três
Eighteen, twenty-one, twenty-four,                   Dezoito, vinte e um, vinte e quatro,
twenty-seven                                                    vinte e sete
Three                                                               Três
Thirty, thirty-three, thirty-six                             Trinta, trinta e três, trinta e seis
Three                                                               Três
Thirty three, thirty, twenty-seven                      Trinta e três, trinta, vinte e sete
Three                                                               Três
Twenty-four, twenty-one, eighteen                   Vinte e quatro, vinte um, dezoito
Three                                                               Três
Fifteen, twelve, nine, six and                            Quinze, doze, nove, seis e 
Three                                                               Três
It's a magic number                                          É um número mágico
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O poder da natureza nas Cavernas de Botuverá

Por Letícia Maria Klein •
06 fevereiro 2014

O silêncio é absoluto e imponente, interrompido apenas pelas gotas de água que caem no chão em alto e bom som. Quando as luzes são apagadas, somos envolvidos pelo breu total, não dá para enxergar absolutamente nada. É quando se sente o poder de 65 milhões de anos de história. Estou nas Cavernas de Botuverá, localizadas no Parque Municipal das Grutas. A cidade fica a 63 quilômetros de Blumenau, coladinha no município de Brusque. É bem fácil chegar ao parque, mas tem que ir devagar. Do centro de Botuverá até lá são 14 quilômetros de estrada de terra bem sinuosa. Este passeio, assim como o da praia de Zimbros, fiz com meu namorado. Saímos de manhã, quase 9h e chegamos às 10h30 no parque, mais ou menos. Bem a tempo de tirar umas fotos das águas da cachoeira que chegam ao Rio Itajaí-Mirim e se preparar para o passeio que começava às 11h. O roteiro dura 45 minutos. Passa muito rápido, mas é o suficiente para se maravilhar com as formações rochosas esculpidas pela natureza ao longo de milhares de anos e que continuam a se transformar, gota após gota. 


As cavernas foram encontradas por caçadores em 1940, diz nosso guia. Ele leva o grupo de 15 pessoas (o máximo permitido em cada passeio) pelas três galerias abertas ao público. Subimos e descemos 400 degraus até o terceiro salão. Parece muito, mas nem dá pra sentir. Eu fiquei tão fascinada com as estalactites e estalagmites que não queria parar de admirar. É lindo demais, um trabalho primoroso da natureza. A água que forma os espeleotemas (nome das diversas formações rochosas de uma caverna) vem da chuva, que ao escorrer pela gruta, carrega sedimentos e minerais que vão formando as estruturas. A água também foi responsável por formar a caverna em primeiro lugar, na forma de um córrego que corria em seu interior. Ao todo, as grutas têm 1.200 metros de extensão e nove galerias. Seis são fechadas para preservação e pesquisa. 

Córrego dentro do parque que deságua no Rio Itajaí-Mirim 

Todo o cuidado é pouco nas grutas. Ao entrar e passear nas cavernas, nós estamos invadindo um ecossistema que estava preservado e intocado há milhares de anos, então não se pode fazer nada que venha a prejudicar ou estragar o ambiente. Não é possível, por exemplo, tirar fotos nem tocar nas formações, para não deteriorá-las. Existem muitas espécies de animais que moram nas cavernas, então não podemos perturbar o ambiente. São sete de morcegos e 35 de invertebrados, como grilos, minhocas, escorpiões, aranhas e animais endêmicos. Durante a visita, eu não vi nenhum. Apenas no final, já perto da saída, quando eu perguntei ao guia se ele já tinha visto um morcego. Foi quando ele disse “vários” e apontou a lanterna para o teto, onde um morceguinho estava dormindo. Não sei vocês, mas eu os acho tão fofinhos. O bichinho estava todo enrolado em suas asas, parecendo uma trouxinha, e era bem pequeno.


Escadas que levam à entrada das cavernas

É bem fresco dentro da caverna e liso também, devido à água. Por isso, todos devem usar tênis. Também para segurança, tem corrimãos ao longo do trajeto e precisamos usar capacete para não bater no teto, quando ele é baixo. Um item muito importante, diga-se de passagem (pois é, né, imagina se eu não bati a cabeça). Tem uma formação mais linda que a outra nas grutas. Estalactites afiadas e grandes pendem do teto, às vezes se encontrando com estalagmites e formando uma coluna fabulosa. Sabe quando você está na praia, pega um punhado de areia molhada na mão e vai deixando ela cair em montinhos até o chão, formando uma torre ou monte? Tem espeleotemas que têm um formato parecido, só para dar uma ideia da aparência de alguns. O mais fascinante é saber que aquelas formações levam milhares de anos pra se formar. Elas crescem um centímetro cúbico a cada 100 anos. Repetindo, um centímetro cúbico por século! Um trabalho lento e belo. Símbolo ao mesmo tempo do poder da natureza e da sua fragilidade. 


Foto oficial disponível no site da prefeitura de Botuverá

O guia contou que houve época em que as pessoas retiravam pedaços de estalactites para fazer órgãos, o instrumento musical. A natureza leva milhares de anos para esculpir ambientes magníficos e o homem vai lá e acaba com tudo em um minuto. Quando o respeito por outras formas de vida for uma coisa inerente a todo ser humano, todas as espécies do mundo viverão em paz, pois a preservação vai acontecer naturalmente. 


Era bem destas formações aqui que eram retirados pedaços para fazer órgãos
Foto oficial disponível no site da prefeitura de Botuverá

Saindo da caverna e voltando ao local de atendimento, percorremos uma pequena trilha que leva a uma cachoeira. Tinha algumas pessoas na água e nos deu uma vontade tamanha de nadar também. Mas já tínhamos planos de seguir para outra cachoeira. O caminho para ir até ela fica antes do Parque Municipal das Grutas, numa transversal da estrada principal. Ao chegar, me surpreendi com o número de pessoas. Estava lotado! Como era domingo e estava muito quente, dá pra entender o porquê. O lugar se chama Recanto Feliz e tem cabanas para alugar. Estacionamos o carro e fomos a pé até o laguinho que se forma embaixo da cachoeira. 


Borboleta no parque

A água estava bem gelada, uma delícia naquele calor. Foi a primeira vez que visitei uma cachoeira, estava mega feliz. Tinha vários peixinhos e vi também um caranguejo. Mas uma dica importante: já vá com a roupa de banho, pois só tem um banheiro perto do estacionamento. Como lá cima não tem, entrei com a roupa do passeio mesmo e voltei de biquíni pra casa. Sem problemas, por que valeu muito a pena. E eu não fui a única a fazer isso, tinha outras pessoas nadando com roupas não de banho.


Cachoeira no Recanto Feliz

Que passeio fantástico! O parque fica aberto de terça-feira a domingo e a entrada para as cavernas custam R$ 12,00 inteira e R$ 6, 00 meia. Muito barato, vamos combinar. Se você ficou interessado, super recomendo. Estar em meio à natureza é, pelo menos pra mim, uma das melhores coisas do mundo.
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Recuperação de áreas degradas e trabalho com educação ambiental

Por Letícia Maria Klein •
31 janeiro 2014

A ideia surgiu como uma forma de “cuidar do jardim” para integrar os colaboradores à natureza. A ideia tomou corpo e se transformou num programa com grandes repercussões. Recuperação de mais de 800 mil m² de área degradada, mais de 265 mil mudas produzidas, mais de 66 mil pessoas, entre estudantes, professores, colaboradores e comunidade externa, atingidas em todas as atividades realizadas pelo programa. Tem também a RPPN Figueira Branca, em Gaspar, uma reserva de 300 hectares aberta à visitação e que fornece sementes para as mudas produzidas. Esses projetos fazem parte do programa Bunge Natureza, criado em 2005 pela empresa catarinense Bunge, que trabalha nos setores de agronegócio, alimentos e bioenergia. Eu penso que todas as empresas, devido aos impactos que causam à população em torno dela e ao meio ambiente, deveriam promover ações para minimizar os efeitos de seus processos sobre a natureza. Como não é lei, é admirável quando uma empresa toma esta iniciativa de preservar a natureza e seus bens. Iniciativa que a Bunge leva muito a sério e que está causando mudanças positivas até onde alcança.


Borboleta vivendo em área recuperada nos fundos do CDAL,
na unidade da Bunge em Gaspar

“Procuramos preservar e valorizar o que existe. Ter uma análise integrada de externalidade, mitigar impactos negativos e entender o ambiente onde estamos inseridos. Trazer isso para o dia a dia.” Palavras do Gerente de Comunicação e Sustentabilidade da Bunge, Michel Santos. Ele me recebeu para uma entrevista no CDAL – Centro de Divulgação Ambiental e Lazer, que fica na unidade da Bunge em Gaspar, cidade vizinha de Blumenau. Na verdade, tinha uma comitiva me esperando: 
Rodrigo Spuri, analista de Sustentabilidade, Katiyuscia Rebelo, coordenadora do programa e com quem eu agendei a entrevista e os biólogos Sarah LadewigAlex Volkmann. Eles me contaram como funciona o programa, quais as atividades desenvolvidas, me mostraram as instalações onde são produzidas as mudas e a área nos fundos do Centro que foi recuperada com as mudas nativas da região.

Área recuperada nos fundos do CDAL 

É no CDAL que acontece a maior parte das atividades promovidas pelo programa, que em Gaspar tem as linhas de atuação em pesquisa, recuperação, conservação e educação ambiental – existe outro Centro na cidade de Jaguaré, SP, onde tem cultivo de hortas comunitárias e hidroponia e o projeto Fazendo Educação Ambiental Através das Artes. No de Gaspar – onde ficava a sede da empresa até 2011, quando ela se mudou para São Paulo – são cultivas as mudas para recuperação de áreas degradadas e para doação a prefeituras, ONGs, instituições, escolas, colaboradores e pessoas da comunidade. As mudas são de árvores nativas da Mata Atlântica da região. As sementes são coletadas na reserva Figueira Branca, em parques nacionais e áreas de revegetação. Katiyuscia falou que também acontece de agricultores cederem para o programa sementes das plantas que eles receberam de doação. 

Visita de estudantes ao viveiro de mudas no CDAL
Fonte: Bunge Natureza

Os interessados devem ligar para a Bunge e solicitar a quantidade de mudas que querem. Se os profissionais do programa não conhecem o destino, eles vão até o local para uma vistoria. A doação tem que ser responsável. Como bem disse Michel, produzir mudas consome recursos. A única coisa que eles pedem em troca é que os tubetes onde as mudas são criadas sejam devolvidos, para que o programa possa reutilizá-los. Uma ótima condição, aliás, pois poupa dinheiro e os recursos que seriam utilizados para produzir novos tubetes. E esse negócio do pessoal devolver os tubetes dá super certo. Segundo Katiyuscia, desde primeira compra realizada no início do programa, 2013 foi o primeiro ano em que eles tiveram que comprar mais tubetes.


Área recuperada com a produção de mudas nos fundos do CDAL,
às margens do Rio Itajaí-Açu

O que também é realizado no CDAL são as atividades de educação ambiental com funcionários, escolas e outras empresas. Para os colaboradores, por exemplo, elas envolvem dinâmicas em datas comemorativas, dicas no dia a dia e durante a ginástica laboral, atividades impactantes – como colocar resíduos onde eles transitam –, ações de conscientização para preservação, tratamento de resíduos sólidos, entre outros temas. 

Em 2013, resíduos sólidos foi o tema, que é abordado em todas as unidades da Bunge pelo país. Porém, cada unidade trabalha um ponto de melhoria específico. Elas informam quais são os problemas enfrentados e os membros do CDAL de Gaspar desenvolvem estudos específicos para cada unidade. Katiyuscia disse que a mudança no comportamento dos colaboradores é evidente. Desde que o projeto começou, mais de 17.300 funcionários participaram das atividades.

Visitas de escolas ao Centro são bem freqüentes, de duas a três vezes por semana. Para os estudantes, os biólogos fazem palestras, separação de resíduos, mostram fotografias e vídeos (institucionais e outros), explicam sobre os 3 Rs (reduzir, reutilizar, reciclar) e também fazem trilhas com os estudantes – que são feitas tanto na área recuperada atrás da empresa, na beira do Rio Itajaí-Açu quanto na Reserva Figueira Branca. 

Um tipo de trilha é vendada, em que os colegas andam em pares, um vendado na ida e o outra na volta. O objetivo é aguçar os outros sentidos dos alunos no meio da natureza. Bem legal! Desde o início do programa, já passaram pelo CDAL mais de 31 mil alunos e professores. Visitantes da comunidade somam mais de quatro mil. Pessoas atendidas em palestras e atividades externas são quase 14 mil. Visitas à RPPN Figueira Branca foram mais de 1.250. Falando em reserva, a Bunge mantém outras duas que totalizam 30 mil hectares no estado de Tocantins.


Palestras para estudantes na biblioteca do CDAL
Fonte: Bunge Natureza

Uma curiosidade sobre as visitas escolares: as crianças são mais participativas durante a visita, enquanto que os adolescentes se interessam mais depois da visita. Teve um aluno de que eles tiveram notícia que se formou em Engenharia Ambiental depois que participou do extinto projeto Protetor Ambiental, que fazia parte do Programa Bunge Natureza. Depois da visita ao CDAL, os alunos respondem questionários com sugestões e observações, que já foram responsáveis por algumas alterações nos padrões do programa. Agora, por exemplo, antes que a escola visite o Centro, os colaboradores do programa entram em contato com os professores para preparar atividades que fiquem de acordo com o que a escola queira passar aos seus alunos.
 Trilha com estudantes no CDAL 
Fonte: Bunge Natureza

Todo ano, o programa desenvolve atividades em três datas: Dia Mundial da Água (22 de março), Semana do Meio Ambiente (o Dia Mundial do Meio Ambiente é em 5 de junho) e o Dia da Árvore (21 de setembro). Nestas ocasiões, todas as unidades preparam atividades para seus colaboradores e comunidade externa, como palestras, vídeos, cinema, palestra diferenciada para crianças e adultos e plantio remoto (plantio na unidade da Bunge em Gaspar quando não tem espaço nas outras unidades).

Trilha com estudantes na RPPN Figueira Branca
Fonte: Bunge Natureza

Outra ação bem bacana do programa é o recolhimento de óleo usado e de resíduos eletrônicos (computadores, TVs, celular, reatores, etc – pilhas e baterias não). Tem pontos de entrega voluntária (PEV) de óleo em Gaspar e outras 20 unidades, para os públicos interno e externo. São 1.626 pontos e desde o início do programa, já foram recolhidos e reciclados mais de 1,8 milhão de litros de óleo vegetal usado! Os pontos de entrega de eletrônicos ficam em Gaspar e em mais quatro unidades, mas é apenas para os funcionários. A empresa parceira aqui no estado que recolhe óleo usado é a Preserve Ambiental, de Blumenau. A que recolhe equipamentos eletrônicos é a Reciclavale – Cooperativa de reciclagem do Vale do Itajaí, localizada em Itajaí. 

O programa Bunge Natureza tornou “o ambiente muito mais harmonioso e melhorou a imagem da empresa”, afirma o gerente Michel. Os projetos também são referência em Gaspar para a prefeitura, escolas e a comunidade. Um exemplo muito bom de como a educação ambiental promovida pelo programa faz diferença é o caso de um projeto desenvolvido com escolas em 2008 relacionado à venda de passarinhos para criação doméstica. Dois anos depois, os membros do CDAL fizeram uma pesquisa com os petshops e comprovaram a diminuição da venda de gaiola e alpiste. Não souberam me informar os dados corretos, mas a coordenadora do programa disse que a redução foi bem significativa. Durante a pesquisa, o trabalho de educação ambiental também foi feito com os donos de petshops, para que eles entendessem a importância de deixar as aves livres na natureza e não tê-las como animais domésticos.

Muito bacana, né. O que você achou? Conhece alguma empresa na região onde mora que desenvolva projetos de sustentabilidade? Até mais!
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Livres de novo: roxinhos de volta à natureza

Por Letícia Maria Klein •
23 janeiro 2014

Pioneiro no Brasil, um projeto catarinense reintegra à natureza quem dela nunca deveria ter saído. Graças ao programa desenvolvido pelo Espaço Silvestre-Instituto Carijós desde 2010, 43 papagaios-de-peito-roxo (Amazona vinacea) voltaram a viver livremente no Parque Nacional das Araucárias, unidade de conservação criada em 2005 que fica entre os municípios de Ponte Serrada e Passos Maia, no oeste de Santa Catarina. É o primeiro projeto de reintrodução de aves em uma unidade de conservação federal no Brasil. E está dando super certo! Em janeiro, o instituto comemorou o aniversário de três anos da soltura do primeiro grupo da espécie, que estava extinta na região há 20 anos. O sucesso da causa também se deve à participação das comunidades locais, que ganharam em 2013 um projeto de geração de trabalho e renda a partir da produção de produtos artesanais com referência ao papagaio-de-peito-roxo e à árvore araucária. Um grande exemplo de como preservar a natureza e suas espécies gera benefícios e ganhos para todos!


Já nasceram até filhotes, de acordo com relatos de moradores. A bióloga doutora Vanessa Kanaan, diretora técnica do Espaço Silvestre-Instituto Carijós e coordenadora do projeto (e autora das fotos deste post), conta que mais quatro papagaios estão à espera da próxima soltura. Assim como todos os que já foram reintroduzidos no parque, esses são vítimas do tráfico ilegal de animais silvestres e foram apreendidos no fim de 2013. Foi a partir das apreensões que o projeto surgiu. 

Vanessa conta que os pesquisadores que hoje fazem parte do projeto eram voluntários em um Centro de Triagem de Animais Silvestres, que abriga animais vítimas de ações humanas, como tráfico e desmatamento. Por falta de destinação adequada, os animais ficam no Centro por tempo indeterminado. Assim surgiu a idéia de reintroduzir os papagaios à natureza. “Por se tratar de uma espécie ameaçada de extinção, muitos requerimentos além dos necessários para outras espécies precisam ser atingidos para que a soltura ocorra. Durante uma reunião do Plano de Ação Nacional para Conservação dos Papagaios da Mata Atlântica, eu conheci o Adrian Rupp, que havia feito o levantamento de avifauna do Parque Nacional das Araucárias e sugeriu que a soltura fosse feita no local, pois a espécie já era considerada extinta lá. Assim o projeto de soltura se tornou um projeto de reintrodução”, explica Vanessa. 


Para colocar o projeto em prática, vários requerimentos precisaram ser atendidos, como a Instrução Normativa 179 do Ibama e a licença SISBIO do ICMBio, que incluem fazer uma análise sanitária e comportamental das aves. Durante o processo de reabilitação, necessário para que os papagaios possam voltar a viver normalmente na natureza, eles são avaliados e passam por um treinamento comportamental para terem a chance de aprender a evitar humanos e predadores, a procurar e se alimentar de itens de sua dieta natural, a melhorar suas condições de voo e a demonstrar comportamentos típicos da espécie (principalmente em relação a outros indivíduos da mesma espécie).

A terceira soltura, prevista para este ano de 2014, já tem autorização dos órgãos governamentais responsáveis. A primeira foi realizada em 6 de janeiro de 2010 e teve 13 indivíduos. O segundo grupo, com 30 papagaios, foi solto no dia 5 de setembro de 2012. Para a terceira, o instituto está em busca de parceiros e patrocinadores. Por ser uma ONG (organização não governamental), os pesquisadores que trabalham no projeto são voluntários e o projeto depende de parceiros, patrocinadores e doadores. Parte da segunda soltura, por exemplo, teve patrocínio da Fundação O Boticário e uma campanha, liderada pelo ornitólogo Adrian Rupp, conseguiu um GPS, que é fundamental para o projeto.

Papagaios com rádio-colar

Todos os papagaios que foram soltos receberam anilhas metálicas com dados para identificação e 34 deles foram equipados com rádio-colar, que permite a localização das aves na floresta. Com o equipamento de GPS, os pesquisadores conseguem monitorar os indivíduos reintroduzidos à natureza, acompanhando a readaptação, a localização e o comportamento deles. “Eles vivem livremente em casais ou em pequenos bandos, mostrando que é possível reabilitar animais vitimas do tráfico, melhorando o bem-estar de indivíduos que passariam o resto da vida em cativeiro”, conta Vanessa, que espera que os animais se reproduzam e formem uma população viável em longo prazo. 

O monitoramento é feito mensalmente pela equipe e diariamente pela comunidade local, que relata ao instituto o dia a dia das aves. A rotina delas pode, inclusive, ser acompanhada na página do projeto no Facebook, atualizada constantemente com informações sobre os roxinhos, como são carinhosamente chamados os papagaios-de-peito-roxo. Com o monitoramento, os pesquisadores esperam encontrar os filhotes que foram avistados por membros da comunidade, prova de que a população de pouco mais de 40 indivíduos está aumentando. 

“Apesar de parecer um número pequeno, as duas solturas são de extrema importância para essa espécie ameaçada de extinção cuja população atual está estimada entre 1.000 e 2.500 aves em vida livre do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul, Paraguai e Argentina, revelando a existência de poucos indivíduos para uma grande extensão”, afirma a coordenadora do projeto. Infelizmente, em 2011 um papagaio foi capturado por uma pessoa que não morava no local, uma evidência de que o ser humano ainda é uma ameaça às aves. O roxinho foi resgatado pelas autoridades responsáveis, mas não pôde ser solto no momento porque as penas de suas asas tinham sido cortadas. “Outros viraram presas, possibilitando que fizessem parte do ciclo da natureza, da cadeia alimentar”, conta Vanessa. 

O fato de que um papagaio foi capturado por uma pessoa de fora da região mostra que a educação ambiental realizada nas comunidades locais é uma grande aliada da conservação da natureza e da sustentabilidade. “Mensalmente são realizadas visitas às propriedades, onde conversamos com os moradores, realizamos atividades educativas em escolas e palestras em empresas locais. As pessoas não só se tornaram protetoras dos papagaios, como passaram a observar outras espécies de animais, e muitas nos auxiliam no monitoramento dos papagaios-de-peito-roxo”, diz a bióloga. O instituto também desenvolveu vários materiais educativos, como história em quadrinhos, calendário e panfletos informativos.

Palestra em escola

O programa de reintrodução dos papagaios virou até fonte de renda para quem mora na região. “Mais de 15 comunidades locais vem sendo atendidas pelo projeto e nossa área de trabalho e número de pessoas atendidas aumenta a cada mês. Em 2013 iniciamos o projeto de geração de trabalho e renda para as comunidades locais, onde mulheres produzem itens artesanais com os temas papagaio-de-peito-roxo e araucária”. Vanessa afirma que as pessoas estão mais conscientes. “Prova disso é que ainda monitoramos animais da primeira soltura em 2010 e muitas das informações que nos ajudam a localizá-los são repassadas pela comunidade. Acredita-se que a retirada de animais silvestres da natureza foi o principal motivo da extinção local, então ter animais soltos há três anos é uma das evidências dessa mudança de mentalidade”, explica. 

Que baita projeto, né! Está ajudando uma espécie a voltar a viver num local onde já estava extinta desde a década de 1980, ajudando famílias que moram na região a ter uma renda extra e propagando, através da educação ambiental, a importância de preservar a natureza. Você já conhecia o projeto? Conhece algum outro parecido na sua cidade ou região? Não deixe de comentar!
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Home, de Yann Arthus-Bertrand [Resenha]

Por Letícia Maria Klein •
16 janeiro 2014
Que história incrível! Fantástica, perturbadora, chocante. É a história de Home, documentário sobre o planeta Terra, sua história, seus habitantes e as mudanças provocadas pelos seres humanos. Filmado inteiramente de dentro de um helicóptero, o documentário mostra apenas imagens aéreas dos mais diferentes cantos do mundo, embaladas por música e texto. O diretor francês Yann Arthus-Bertrand, que é jornalista, fotógrafo e ambientalista, nos maravilha, emociona, perturba e assombra. Um relato franco que nos faz refletir e incentiva à ação em prol da sustentabilidade. A Terra existe há cerca de 4,5 bilhões de anos e os humanos há apenas 200 mil anos. Neste tempo, já conseguimos abalar o equilíbrio que é fundamental à vida no planeta, principalmente nos últimos 50 anos, diz o filme. O ecossistema não tem fronteiras e a solução para a crise ambiental e climática que enfrentamos é trabalharmos juntos, tendo sempre em mente que o ambiente é um sistema único que interliga tudo e todos e que as espécies dependem umas das outras para existir. 


O filme foi lançado mundialmente no dia 5 de junho (Dia do Meio Ambiente) de 2009, simultaneamente nos cinemas, DVD e na internet – este é o canal do documentário no Youtube, que conta com entrevistas e making of em alguns países. Em uma hora e meia (corte do cinema, a versão estendida tem quase duas horas), que por sinal passa muito rápido, o filme nos mostra paisagens ora lindas ora tristes, passando por temas como indústria, desmatamento, aquecimento global, transporte, agricultura, pecuária, água e fontes de energia. A trilha sonora é forte e tocante, algumas vezes despertando angústia, tristeza ou revolta, outras vezes consolando, inspirando e esperançando. 

As mensagens também são fortes. A fusão entre imagens e dezenas de dados alerta para todo o mal que a humanidade causa ao planeta, utilizando seus bens naturais sem pensar no amanhã, sem pensar na coletividade, sem dar tempo da natureza repor. O filme também chama atenção para tudo que podemos perder se não mudarmos nossos hábitos, a maneira como vivemos e nos relacionamos com outras pessoas, outras espécies e o ambiente. Este é, na verdade, o principal objetivo do filme, como disse o diretor Yann numa entrevista, fazer com que as pessoas queiram fazer alguma coisa, ajudar de alguma forma. “Precisamos aprender a compartilhar e compartilhar requer muito amor”, disse Yann,  que fundou a organização GoodPlanet para encorajar pessoas a agir. E é muito fácil ajudar, gente, para todo aspecto da sua vida e da sua rotina que você olhe, há maneiras de fazer diferente, de ser sustentável e solidário. 



O documentário mal toca em temas igualmente importantes, como consumismo e a quantidade exorbitante de lixo que geramos diariamente. Talvez seja porque ele foi patrocinado pelo grupo Kering, conhecido como grupo PPR até 2013, que reúne marcas famosas de luxo. Porém, o fato do grupo investir em um documentário sobre sustentabilidade é uma amostra de que as empresas precisam se reinventar para manter-se no mercado, afinal, se elas não agirem, não haverá esperança para elas. Palavras do próprio CEO do grupo Kering, François-Henri Pinault, em entrevista.

Esse documentário deveria ser exibido em todas as escolas, universidades, na TV aberta, para pessoas de todas as idades, classes sociais e etnias. Convido você a reservar um tempo do seu dia e se surpreender com esse filme especial. Você pode assisti-lo inteiro e legendado (versão de uma hora e meia), inteiro e dublado em português de Portugal (versão estendida) ou em partes. Confira o trailer abaixo e bom filme!

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Corujas-buraqueiras na Praia de Zimbros

Por Letícia Maria Klein •
09 janeiro 2014

Passei minha última semana de 2013 na praia de Zimbros, que fica no município de Bombinhas, aqui no estado de Santa Catarina. Vi tanta beleza natural que não pude deixar de trazer aqui para o blog, na série Passeios na Natureza. Então vamos sair temporariamente do Vale do Itajaí, região estabelecida originalmente para a série, em direção ao litoral catarinense. Em poucos dias fui surpreendida muito mais do que esperava. Vi três espécies de aves que ainda não tinha visto ao vivo, nadei com pequenos peixes, fui tocada por uma água-viva pela primeira vez e vi outra rodeada de pequenos camarões. Uma festa para amantes da natureza! Mesmo com o toque da água-viva, que a deixa a pele um pouco dolorida, mas é só aplicar gelo que logo passa. 


Nos dias em que estive lá a água estava bem clara, dava para ver uns peixes pequeninos nadando ao redor dos pés. Quem também apareceu na praia, nos últimos dias do passeio, foram as águas-vivas. A espécie que pintou por lá é do tipo transparente, pequena, em torno de dois a cinco centímetros. Muitas acabam encalhando na areia, então é bom olhar pra baixo enquanto caminha. Dá para sentir a maciez gelatinosa quando ela toca e o envenenamento (sabia que água-viva não queima?) é instantâneo. Na hora eu saí do mar e coloquei gelo por alguns minutos. A ardência passou rápido e a vermelhidão causada também.

Um pouco antes, eu havia visto uma água-viva com uns cinco camarõezinhos em volta, cena muito inusitada. Só deu pra ver por causa do laranja dos camarões, porque a água-viva é transparente e praticamente invisível no mar. Outra surpresa pra mim foi ver a coruja-buraqueira (Athene cunicularia). A primeira vez que vi, ela estava sobre uma placa que dizia “Preserve a coruja-buraqueira”, o que foi engraçado, como quem diz "a placa é minha”.

Papai (ou a mamãe?)


"Tô te vendo"

A iniciativa é de uma pousada em Zimbros, que também colocou um cercado em volta do ninho, que é no chão (afinal, ela cava buracos). Ou seja, havia uma família. Fiquei muito feliz porque eu consegui ver todos os quatro: os pais e os dois filhotes. Os pais sempre ficam perto, seja na árvore, no poste, na rede de vôlei que fica em frente à pousada. Os filhotes eu só vi à noite, cavando buracos e comendo. As corujas são uma graça, coisa mais linda!

Mamãe (ou papai?)

Os filhotes em liberdade


Outras aves que eu vi pela primeira vez foram a garça-branca-pequena (Egretta thula) e dois indivíduos da espécie anu-branco (Guira guira). Não deu tempo de tirar foto do anu-branco. Falando em foto, peço desculpas se as fotos não estão em muito boa qualidade. Elas foram tiradas com celular porque a esperta aqui se esqueceu de verificar antes de viajar se a câmera digital tinha bateria.


Garça-branca-pequena

Alguns dias terminaram belíssimos, rendendo um show de luzes e cores!






Você já esteve em Zimbros ou conhece outras praias da região? Fique à vontade para compartilhar suas experiências de viagens também!
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