Como foi o Coletivo Lixo Zero Blumenau 2018

Por Letícia Maria Klein •
14 junho 2018
Mais de 200 pessoas passaram pelo Coletivo Lixo Zero Blumenau, a quarta edição do evento realizado em nome do movimento Juventude Lixo Zero Blumenau. O evento foi realizado no dia 24 de junho, último domingo, das 9h às 14h30, em frente à praça do Teatro Carlos Gomes, e teve como objetivo a conscientização e sensibilização para a problemática dos resíduos sólidos, motivando as pessoas a refletirem sobre seus estilos de vida e a adotarem hábitos lixo zero.

Coletivo Lixo Zero Blumenau 2018
Coletivo Lixo Zero 2018. Fotógrafa: Eduarda Prawucki.

Tivemos oficina de compostagem e conversas sobre como ser lixo zero no dia a dia, com exposição de kits lixo zero: canudo reutilizável, guardanapo e saquinhos de pano, sacolas ecológicas, talheres e copo retrátil e coletor menstrual.

 Exposição de artigos para ser lixo zero no dia a dia. Fotógrafa: Eduarda Loregian.
Exposição de artigos para ser lixo zero no dia a dia. Fotógrafa: Eduarda Loregian.

Oficina de compostagem. Fotógrafa: Eduarda Prawucki.
Oficina de compostagem. Fotógrafa: Eduarda Prawucki.

Houve também recolhimento de resíduos perigosos, pela Reciclean: foram cerca de 110 lâmpadas, cerca de 20 eletroeletrônicos e componentes (aparelho de som, de dvd, tablet, celulares, fiações e telefones fixos) e 10 pilhas e baterias. Somente um galão de óleo de cozinha usado foi depositado no coletor da H2Óleo (tomara que seja um sinal de que as pessoas estão usando menos óleo de cozinha para fritar em casa).

Momento em que o funcionário da Reciclean está inserido uma lâmpada na máquina para separação dos elementos. Fotógrafa: Eduarda Loregian.
Momento em que o funcionário da Reciclean está inserido uma lâmpada na máquina para separação dos elementos. Fotógrafa: Eduarda Loregian.

A feira de trocas teve somente uma troca, infelizmente. Mas a lojinha lixo zero foi um sucesso! Todos os parceiros conseguiram divulgar seus serviços e vender seus produtos. Tivemos fraldas de pano (por Paula Reck); absorventes e fraldas geriátricas de pano, entre outros (por Útero de pano); produtos de higiene e limpeza naturais (por Espaço Pedra Flor); mudas de plantas, produtos de higiene e limpeza e roupas usadas (por Ipevi); brechó de roupas usadas (por Babilônia Brechó), sacolas e bolsas de algodão (por Passion Fruit).

Plantas, roupas, produtos de higiene naturais e muito mais pelo Ipevi (Instituto de Permacultura do Vale do Itajaí). Fotógrafa: Eduarda Loregian.
Plantas, roupas, produtos de higiene naturais e muito mais pelo Ipevi (Instituto de Permacultura do Vale do Itajaí). Fotógrafa: Eduarda Loregian.

Babilônia Brechó. Fotógrafa: Eduarda Loregian.
Babilônia Brechó. Fotógrafa: Eduarda Loregian.
Bolsas e sacolas 100% algodão. Fotógrafa: Eduarda Prawucki.
Bolsas e sacolas 100% algodão. Fotógrafa: Eduarda Prawucki.

Fraldas de pano, fraldas geriátricas de pano, bandanas e outros. Fotógrafa: Eduarda Loregian.
Fraldas de pano, fraldas geriátricas de pano, bandanas e outros. Fotógrafa: Eduarda Loregian.
Produtos de higiene e limpeza naturais. Fotógrafa: Eduarda Loregian.
Produtos de higiene e limpeza naturais. Fotógrafa: Eduarda Loregian.
O Ipevi também levou o banco de sementes crioulas para troca (recebi mudas de bertália coração e ora-pro-nóbis e provei uma banana de São Tomé, que é roxa). Fizemos ainda distribuição de mudas, adubo e fertilizante (cedidas pela Faema e pelo Hotel Sesc). As crianças se divertiram muito com os brinquedos e jogos feitos com materiais reutilizados feitos pela Ekocrie - Educação Ambiental, o espaço estava sempre cheio!

Banco de sementes do Ipevi. Fotógrafa: Eduarda Prawucki.
Banco de sementes do Ipevi. Fotógrafa: Eduarda Prawucki.

Jogos e brinquedos de materiais recicláveis. Fotógrafa: Eduarda Prawucki.
Jogos e brinquedos de materiais recicláveis. Fotógrafa: Eduarda Prawucki.
Jogos e brinquedos de materiais recicláveis. Fotógrafa: Eduarda Loregian.
Jogos e brinquedos de materiais recicláveis. Fotógrafa: Eduarda Loregian.

Jogos e brinquedos de materiais recicláveis. Fotógrafa: Eduarda Loregian.
Jogos e brinquedos de materiais recicláveis. Fotógrafa: Eduarda Loregian.

Além disso, foram distribuídos quase cem kits de mudas de árvores, adubo e biofertilizante (doados pela Faema e Hotel Sesc). O Rotary Club de Blumenau Fritz Müller esteve presente também com o projeto Carbono Zero e o cálculo da pegada de carbono realizado na hora para quem tivesse interesse em medir (e compensar por meio do plantio de mudas).

Doação de mudas, adubo e fertilizante. Fotógrafa: Eduarda Loregian.
Doação de mudas, adubo e fertilizante. Fotógrafa: Eduarda Loregian.
Cálculo da pegada de carbono. Fotógrafa: Eduarda Prawucki.
Cálculo da pegada de carbono. Fotógrafa: Eduarda Prawucki.
As artes e a cobertura do evento no dia foram feitas pela UniSociesc.

Arte Coletivo Lixo Zero Blumenau 2018

A realização deste evento foi possível graças a parceria das seguintes empresas ou instituições:

Parceiros do Coletivo Lixo Zero Blumenau 2018
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Agradecimentos aos parceiros do Coletivo Lixo Zero Blumenau 2018
Mais informações e fotos na página do evento Coletivo Lixo Zero Blumenau 2018 no Facebook.
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Impactos e perspectivas ambientais da greve dos caminhoneiros

Por Letícia Maria Klein •
28 maio 2018
Mais de 64 milhões de aves sacrificadas, morte de pelo menos 1 bilhão de aves e 20 milhões de suínos nos próximos cinco dias por falta de alimentação adequada, prejuízo de bilhões de reais nos mais diversos setores da economia, descarte de mais de 300 milhões de litros de leite, diminuição da frota do transporte coletivo, falta de combustíveis nos postos, escolas e universidades fechadas, aumento do preço de diversos alimentos frescos, voos cancelados, hospitais defasados de medicamentos, comida e dos seus próprios profissionais, que têm dificuldade de acesso. Tudo isso e ainda mais que pode vir a acontecer é resultado da greve dos caminhoneiros, que começou no dia 21 de maio.

Protestos na BR-470, em SC
Foto: PMSC/Divulgação
Os impactos socioambientais são grandes e muitos. Um deles é a morte de uma quantidade tão grande de animais. Muitos estão sendo enterrados porque não tem caminhão para retirá-los, mas a decomposição de tantos seres no mesmo espaço pode poluir o lençol freático, e por consequência rios e lagos, sendo potencialmente prejudicial à saúde pública. Por falar em saúde, os hospitais também estão sofrendo com a falta de recolhimento de resíduos sólidos. Se continuar, a coleta de resíduos nas cidades também ficará prejudicada e as montanhas de lixo se transformarão em focos de vetores transmissores de doenças.

O comércio e a indústria estão sendo diretamente afetados, eventos estão sendo cancelados ou tem pouco público, pessoas estão correndo o risco de ficarem sem tratamento nos hospitais, toneladas de alimento e outros recursos estão sendo desperdiçados, causando um grande problema socioambiental em termos de geração de lixo, perda de matéria-prima, poluição e gastos de dinheiro. Até o abastecimento de água fica comprometido, pois podem faltar os produtos químicos necessários ao processo de limpeza nas estações de tratamento de água.

Os caminhoneiros têm seus motivos para protestar e todos têm direito de se manifestar contra o que lhes prejudicam. Porém, quando essa manifestação sobrepõem o direito de outras pessoas de atender a suas necessidades ou quando fere os diretos básicos de cada cidadão, o ato continua legítimo? É ético submeter milhões de pessoas e outros seres vivos ao sofrimento, causando caos? Tem um ditado que diz que o escândalo é necessário, mas ai daquele que o provocar. Esse escândalo está muito grave, mas como tudo na vida tem seu lado positivo e negativo, a greve dos caminhoneiros tem nos mostrado que precisamos de reformas urgentes e grandes no país.

Sofremos com a alta carga tributária e seu mau uso pelo poder público em vários momentos. O problema não é só o diesel. Porém, reduzir custos de um lado e compensar do outro, como prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal através do aumento de outros tributos, não vai à raiz da questão. Sempre tem alguém que paga a conta, nada sai de graça para ninguém. Isso se chama externalização de custos. Existe uma ideia de que o governo pode arcar com as contas, pode bancar os mais variados gastos, assim nós não precisamos pagar. Só que isso é uma falácia. Quem alimenta a máquina pública, afinal, somos nós, cada um dos cidadãos do país. 

Quanto mais tempo a greve dura, mais evidente é a necessidade de repensar e reestruturar o sistema de transporte de cargas no país, privilegiando ferrovias, hidrovias e combustíveis renováveis, que não tenham origem no petróleo. É fundamental diminuir a dependência da sociedade em combustíveis fósseis, que não se renovam e cujo processo de extração deve ficar cada vez mais caro. Dar subsídios ao diesel só prolonga um problema que precisa ser solucionado logo, com tecnologias limpas e inovação em sustentabilidade. Além disso, a situação da maioria das estradas no país, pelas quais passam os caminhoneiros dia após dia, são deploráveis. Como mostrou essa reportagem, o uso de caminhões para transporte de cargas no Brasil é caro, ineficiente e perigoso.

Com a falta de combustíveis para carros de passeio, o número de bicicletas aumentou nas ruas aqui de Blumenau. A quantidade de pessoas no transporte coletivo também. O investimento em mobilidade urbana sustentável é uma das ferramentas da cidade carbono zero e traz vários benefícios, como economia de dinheiro (em comparação a ter o carro próprio), redução da emissão de poluentes, rapidez no trânsito e exercício físico (no caso da bicicleta). Cidades do futuro também serão mais eficientes em termos de geração de energia limpa e estrutura completa de saúde, educação, produção e entretenimento num raio de curtas distâncias.

Que esse cenário de crise que se vive hoje no Brasil, típico de filme futurista, seja muito mais um convite às mudanças rumo ao planeta sustentável que precisamos do que um prenúncio de uma realidade distópica.
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Como economizar água em casa com dicas simples

Por Letícia Maria Klein •
20 maio 2018
A água para consumo humano está dividida em três grandes usos: agropecuária, indústria e abastecimento. O primeiro usa cerca de 70% da água doce captada, o segundo 20% e só 10% são utilizados nas casas e comércios, segundo relatório de 2018 da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). O Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil mostrou que o consumo de água para irrigação e abastecimento animal somou 78,3% em 2017, ficando a indústria com uso de 9,5% e abastecimentos urbano e rural com 10,2%.

A ONU diz que uma pessoa precisa de cerca de 110 litros de água por dia para suprir as necessidades de consumo e higiene, mas no Brasil esse número pode até dobrar. Dentro da parcela que nos cabe como cidadãos, tem várias dicas que podemos seguir para usar menos água em casa. Dessa forma, economizamos dinheiro e contribuímos para a conservação de um dos bens mais preciosos do planeta.



Chuveiros

O ideal é levar até, no máximo, 10 minutos para tomar banho. Uma ducha de 15 minutos, com o registro meio aberto, consome 135 litros de água, segundo a Sabesp, empresa concessionária dos serviços públicos de saneamento básico no estado de São Paulo (no site da empresa, é possível calcular o consumo de água de uma casa ou apartamento). Uma ducha de 5 minutos economiza 90 litros, se você fechar o registro ao se ensaboar. É o equivalente a 360 copos de água com 250 ml. Um banho de chuveiro elétrico (que, aliás, é um grande consumidor de eletricidade) por 15 minutos representa 45 litros de água. Se o tempo cai para um terço, o uso é de somente 15 litros.

Outra forma de economizar água do chuveiro é acumulá-la em um balde para usar depois. Quando se tem sistema de aquecimento a gás ou energia solar, a água quente pode demorar até um minuto para chegar. Enquanto isso, a água fria pode ser armazenada num balde para ser usada na descarga, por exemplo.

Torneiras

Uma torneira gotejando pode enviar até 46 litros de água pelo ralo em um dia, diz a Sabesp. Escovar os dentes por 5 minutos com a torneira meio aberta manda embora 12 litros. Abrir a torneira para molhar a escova e enxaguar a boca no fim consome somente 500ml, uma economia de 96%. Para lavar o rosto, a dica é ser rápido mesmo. Ou então, fechar o ralo da pia e encher um pouco, o que também vale para a hora de se barbear. Assim, o consumo fica entre dois e três litros.

Descarga

O vaso sanitário pode consumir até 12 litros de água quando a válvula é acionada por seis segundos, conforme a Sabesp. Quando está com defeito, o gasto pode chegar a 30 litros! A melhor forma de economizar nesse caso é instalar um vaso sanitário que consome seis litros por descarga ou vasos sanitários com caixas acopladas que usam entre três e seis litros por descarga. Melhor ainda é poder escolher não usar água nenhuma. Isso é possível com o banheiro seco, que pode ser construído em casas e permite a compostagem dos dejetos. Neste vídeo eu mostrei como funciona o banheiro seco da Schumacher College.

Lavação de louça

Numa casa, se a torneira fica meio aberta por 15 minutos, lá se vão 117 litros de água, segundo a Sabesp. Se for em apartamento, o gasto aumenta para 243 litros, devido à alta pressão. Por isso, o ideal é molhar a louça rapidamente, fechar a torneira, ensaboar tudo e depois enxaguar; dessa forma o consumo chega a 20 litros. Outra dica bacana para economizar água na hora de lavar a louça é encher uma bacia com água, ou a própria pia, então molhar e ensaboar a louça e por fim enxaguá-la numa outra bacia.

O que também economiza água é usar a máquina de lavar louça. As máquinas atuais são mais eficientes no uso da água e da energia, consumindo cerca de oito litros por ciclo, podendo chegar a 18 dependendo da marca e modelo, para lavar até 60 utensílios. O uso de água quente e sabão mais concentrado faz com que a máquina acabe precisando de menos água do que a lavagem manual.

Lavação de superfícies e veículos

Pisos e paredes podem ser lavados com aquela água frita do chuveiro que foi acumulada num balde. Aliás, balde e pano são as melhores ferramentas na hora de lavar superfícies ou veículos, como carro e bicicleta. Conforme a Sabesp, uma mangueira solta 279 litros de água em 15 minutos. Quem tem sistema de captação de água da chuva, pode usá-la para esta finalidade.

Alimentação

A água que consumimos indiretamente é muito maior do que o volume que usamos para limpeza, higiene e hidratação. Não a vemos, mas ela está incorporada no processo produtivo de produtos e alimentos que consumimos. Por isso é chamada de água virtual. O pesquisador holandês Arjen Hoekstra diz que o Brasil é o quinto maior exportador de água virtual do mundo. A agropecuária no país é responsável pela exportação indireta de 112 trilhões de litros de água doce por ano, cerca de 45 milhões de piscinas olímpicas, segundo a Unesco.

A água virtual também entra na conta da pegada hídrica, uma medida que representa o volume total de água doce utilizado para produzir os bens e serviços que se consome, direta e indiretamente (você pode calcular a sua pegada hídrica no site da Water Footprint Network). Assim, uma ótima forma de economizar água é consumir de forma consciente, diminuindo a compra de alimentos e objetos que precisam de grandes quantidades de água. Para se fazer um quilo de carne bovina, por exemplo, são necessários mais de 17 mil litros de água!

Fonte: infográfico do Planeta Sustentável com dados da Sabesp
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5 passos para fazer compostagem em casa

Por Letícia Maria Klein •
29 abril 2018
Seja em baldes, caixas de plástico, caixotes de madeira ou em camadas no chão, a mágica da compostagem só precisa de três elementos para acontecer: húmus ou terra (com ou sem minhocas), resíduos orgânicos e palha, serragem ou folha seca. Essa é a receita básica. Mas mesmo as receitas mais tradicionais têm seus segredos. Para garantir um composto rico e um fertilizante nutritivo, confira algumas dicas para acertar na compostagem em casa.

Compostagem em casa


1 – O que pode e o que não pode compostar

Uma definição de compostagem que eu gosto e uso muito é retornar à terra o que é da terra, devolver à natureza o que veio dela. De tudo o que geramos no dia a dia, essa parcela equivale a 51% na média nacional. Assim, compostar os restos orgânicos é uma ótima forma de reaproveitá-los e acabar com o desperdício, usar o adubo e o fertilizante nas suas plantas ou mesmo conseguir uma renda extra com a venda desses subprodutos.

Mas nem tudo que é comida pode ir na composteira ou no minhocário (quando o processo acontece em leiras no chão, a situação é um pouco mais liberal). Certos alimentos podem afetar o pH do sistema e matar os seres vivos que fazem o processo. Por isso, o primeiro passo para começar a fazer compostagem é saber o que vai e não vai na composteira.

  • O que pode: frutas, verduras e legumes de forma geral, chá (folhas e de saquinho), borra e filtro de café, casca de ovo, flores, podas de árvores (as folhas podem ser secas ao sol e usados como cobertura sobre os orgânicos), guardanapos usados, cabelos e unhas (não pode no minhocário, pois não são consumidos pelas minhocas). 
  • O que não pode: carnes, gorduras, bolos, doces, laticínios, plantas doentes, couro, borracha, resíduos têxteis, óleos, cigarro, madeira tratada, carvão, cinzas (incluindo do churrasco), conteúdo do aspirador de pó, fezes humanas ou de animal de estimação, papel higiênico e fraldas. 
  • O que pode, com ressalvas: frutas cítricas, restos de alimentos muito aromáticos (como alho e cebola) e alimentos cozidos ou assados (no máximo 20% do total dos resíduos orgânicos). Mas tem uma forma de aproveitá-los integralmente, o que nos leva à dica seguinte. 

2 – Ajude quem te ajuda


Minhocas californianas e insetos no minhocário
As minhocas californianas (primeiro quadrinho) devem estar em maior número

Para facilitar e agilizar o processo de compostagem, tem algumas coisas que você pode fazer para ajudar as bactérias, minhocas e insetos que decompõem os seus resíduos:

  • Reduzir o tamanho dos orgânicos que vão para a composteira ou o minhocário. Quanto menor os pedaços de frutas, legumes e folhas, mais rápida será a decomposição. 
  • Para conseguir aproveitar todas as cascas de laranja, tangerina e limão, coloque-as de molho em um pote com água (pode acrescentar um pouco de vinagre e álcool também, se quiser) e depois de uma semana você pode usar o produto como desinfetante natural. Depois desse processo, as cascas podem ser enxaguadas e adicionadas à composteira ou ao minhocário sem problema, pois perdem sua acidez. Você também pode transformar as cascas das frutas cítricas em doces
  • As cascas de cebola e alho não podem ir cruas para o sistema, a não ser em quantidade bem pequena. Essas cascas e outros restos, como talos de couve-flor, são ótimos para fazer um caldo de legumes. Depois de cozidas, podem ir para o minhocário ou a composteira numa boa. 

3 – Equilíbrio no ecossistema

A decomposição da matéria orgânica é feita tanto por micro-organismos, como fungos e bactérias, quanto por minhocas e insetos. Neste último, a vermicompostagem, eles são bioindicadores. Como as minhocas fogem do calor, a presença de muitas delas na tampa ou na borda superior da caixa é sinal de que o ambiente está quente para elas. Para evitar essa situação, coloque o minhocário em local sombreado e coberto.

Quando feita de maneira correta, a compostagem não produz mau cheiro. O segredo está no equilíbrio entre nitrogênio (resíduos orgânicos) e carbono (elemento seco como palha, serragem ou folhas secas). O sistema não pode ficar nem úmido demais nem seco demais. A medida é você pegar um pouco do composto na mão e espremer: se não pingar nem esfarelar na palma, está no ponto certo.

Se o sistema estiver em desequilíbrio, você vai sentir um cheiro forte ou ruim, tanto no chorume quanto no composto. O chorume da compostagem é um líquido escuro resultante da decomposição dos alimentos, composto em 70% por água, e não é o mesmo do aterro sanitário, que é tóxico. Como resultado da decomposição de resíduos orgânicos pela compostagem, o chorume é um fertilizante rico e nutritivo que pode ser borrifado nas plantas. A solução é uma parte de chorume para dez de água.

4 – Escolha seu sistema ideal

Minhocário, composteira, caixas de madeira, leiras, baldes de compostagem


Na composteira, onde só tem micro-organismos para decompor os orgânicos, o processo é mais lento e gera menos chorume, então é bom para quem produz poucos resíduos ou que prefere manter distância das minhocas (mas garanto que você se afeiçoa a elas depois). Além disso, só se recomenda mexer na composteira de uma a duas vezes por semana, para que a temperatura alta seja mantida (podendo chegar a 65°C) e a decomposição seja feita pelas bactérias. Assim, você precisa estocar seus resíduos na geladeira ou no congelador por alguns dias.

Como as minhocas processam mais rapidamente os alimentos do que os micro-organismos, o minhocário é ideal para famílias a partir de duas pessoas (existem opções de tamanhos diferentes na internet) e pode receber resíduos todos os dias. A vermicompostagem gera muito mais chorume do que a compostagem termofílica, então você terá mais fertilizante para suas plantinhas. Porém, a variedade do que pode ir no minhocário é um pouco menor.

A compostagem em baldes ou caixas de plástico é prática e ocupa pouco espaço, então dá para fazer em apartamento. Você mesmo pode montar sua composteira ou minhocário. São dois ou mais recipientes chamados de digestores, onde é feita a decomposição dos orgânicos, e um recipiente para coletar o chorume.

Se tiver um quintal, pode enterrar os resíduos orgânicos. Abra um buraco raso e cubra com terra. A desvantagem é que você não consegue aproveitar o chorume, pois ele escorre pelo solo. Além disso, minhocas devem começar a surgir no local onde você faz a compostagem, então é preciso cuidado na hora de remover a terra para não as machucar.

5 – Siga sua intuição

Com o tempo, você vai pegando o jeito e entendendo como funciona o processo na sua composteira ou minhocário: se precisa de mais elemento seco, o que as minhocas gostam de comer, se tem umidade suficiente, se a variedade e quantidade de insetos está de acordo (lembrando que as minhocas devem ser a espécie dominante). A compostagem não é uma ciência exata, por isso a experiência e a intuição são grandes aliadas na hora de transformar os resíduos orgânicos da sua cozinha em adubo nutritivo para as plantas.
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Cuidado com receitas caseiras

Por Letícia Maria Klein •
18 abril 2018
Digo por experiência própria. Quando eu conheci o lixo zero e suas tantas possibilidades, me apaixonei pelas receitas de produtos de higiene, limpeza e cosméticos que podemos fazer em casa. As vantagens incluem um produto mais natural, sem químicos prejudiciais e menos embalagens, além de te permitir saber tudo que vai na composição.


Mas existem algumas ressalvas na hora de fazer e usar produtos caseiros. É muito importante atentar para os ingredientes utilizados, a função de cada um na receita e como seu corpo responde ao produto feito em casa.

A Cristal Muniz já falou sobre os principais erros na hora de fazer seu cosmético em casa, como, por exemplo, não entender o papel de cada ingrediente. Além da produção, acrescento que é fundamental acompanhar como seu corpo reage aos produtos de higiene e beleza que você faz, pois existem várias receitas na internet, mas você é único. Cada corpo é um corpo e é preciso prestar atenção às particularidades do seu. 

No meu caso, percebi os efeitos há algum tempo, mas acabei demorando mais do que devia para mudar de atitude. Fiz e usei por mais de dois anos uma pasta de dente caseira feita com bicarbonato de sódio, óleo de coco e óleo essencial. É uma receita muito divulgada nos blogs sobre lixo zero e muitas pessoas usam e adoram. Funciona, mas não deu certo para mim. Eu tenho problema de retração e a pasta acabou intensificando o caso. Variei na quantidade de bicarbonato e óleo essencial e fui intercalando com outras pastas, mas o efeito continuou.

Conversa com o dentista

Esta semana fui ao dentista e conversei com ele sobre minhas tentativas. Ele me explicou algumas coisas e me alertou que o problema de retração piorou e que só tem um creme dental que contém o ativo necessário para a minha situação. Assim, vou precisar aposentar a pasta caseira e as outras que tentei nesse tempo para que eu possa recuperar e manter minha saúde bucal.

Falei para o meu dentista que uma das minhas motivações ao começar a usar a pasta de dente caseira tinha sido a questão ambiental, visto que a embalagem da pasta não tem muito mercado para reciclagem (pelo menos aqui onde eu moro o material não é coletado).

Ele se mostrou preocupado e ficou de entrar em contato com o fabricante da marca recomendada, além de procurar se informar e participar do programa de reciclagem da TerraCycle para escovas de dente e embalagens de produtos de higiene bucal. Se der certo, será um grande passo e terei aonde levar os tubos das pastas que usar.

Às vezes, perde-se um pouco num lado para ganhar mais de outro. A luta pela conservação do nosso planeta precisa ser feita com respeito, amor, equilíbrio, cuidado e responsabilidade, a começar por nós mesmos. Se o nosso meio e nossas relações são reflexos do estado interior, é preciso estar bem consigo mesmo em primeiro lugar. Bem de corpo, mente e espírito.

Além disso, vale lembrar que cada passo dado é uma conquista e que a natureza não dá passos largos. Mais vale mudanças pequenas solidificadas ao longo do tempo do que uma grande modificação que se desfaz no primeiro obstáculo. 

Vou continuar fazendo produtos caseiros e incentivo você a fazer os seus. É importante e libertador. Só que eu vou precisar abdicar da pasta de dente porque não me fez bem. Tentei, motivada pela causa e pelo que eu acredito, mas precisei reconhecer quando não deu certo e passou a me fazer mal.

Se for o caso de você tentar e também lhe prejudicar de alguma forma, pesquise mais, converse com outras pessoas, procure especialistas (afinal, eles entendem mais do assunto), tente outras alternativas, suspenda o uso. Dê tempo ao tempo e a você mesmo. Não se culpe se algo não sair conforme o planejado ou esperado. Acredite, a culpa é um peso desnecessário e só retarda nosso aprendizado. 

Nessa trajetória de aperfeiçoamento, faça tudo que fizer com responsabilidade. Afinal, é você quem responde por sua própria vida. Por experiência própria, aprendi que anular a si mesmo não leva ninguém a lugar algum, muito menos a melhorar o mundo.
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Os tons de azul do Morro Azul

Por Letícia Maria Klein •
10 abril 2018
Um lugar perfeito para um passeio rápido no fim de semana. Foi minha primeira vez no Morro Azul e quando cheguei lá em cima, entendi por que o chamam assim.

As hortênsias lindamente floridas fazem jus ao apelido carinhoso do Parque Natural Municipal Freymund Germer, localizado a cerca de 20 minutos do centro de Timbó. No topo do morro, com seus 758 metros de altitude, é possível ver as cidades de Indaial, Pomerode e Blumenau, da esquerda para direita. Com luneta, dá para ver até o litoral! Além da vista, o local também atrai apaixonados por voos livres de parapente e de asa delta.

Vista do Morro Azul
Indaial, Pomerode e Blumenau (da esquerda para direita)

É possível subir até o topo a pé ou de carro (que foi nossa escolha). A subida é bem íngreme, então fica a dica para quem não pode fazer muito esforço físico (ou tiver preguiça mesmo). Àqueles que topam o desafio da caminhada sinuosa e um pouco pesada (assim parecia pelas expressões dos caminhantes), a vista compensa depois do exercício. Pode até levar um lanchinho para fazer um piquenique lá em cima, a área de descanso é bem extensa.

O parque foi criado no dia 11 de março de 1993 pela Lei Municipal n° 1.463. Por estar enquadrado na categoria de Unidade de Conservação de Proteção Integral, de acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC, é permitida a realização de pesquisas científicas, atividades de educação e interpretação ambiental, recreação em contato com a natureza e turismo ecológico.

Hortênsias ao longo do caminho e no topo do Morro Azul

É um passeio muito gostoso para fazer em companhia da família ou dos amigos, desfrutando do ar puro, da tranquilidade e do contato renovador com a natureza.

Serviço

Endereço: Parque Ecológico Freymund Germer, Rua Geral do bairro Mulde Alta, a 18 km do centro de Timbó, CEP 88717-000. O acesso ao parque se dá pela BR 470 e pela SC 416, através da Rua Pomeranos.
Horário de funcionamento: portões abertos das 8h às 18h.
Ingresso: entrada gratuita. Para acampar, o ingresso custa R$ 5,00 por final de semana.
Infraestrutura: camping para barracas e motorhomes, área de convivência, banheiros, chuveiros, churrasqueiras, rampa para a modalidade de voo livre (parapente e asa delta), trilhas ecológicas sinalizadas, sala de educação ambiental e parque de recreação para crianças.
E-mail: institutoaracua@yahoo.com.br.
Site: https://www.facebook.com/parquemunicipalfreymundgermer/.
Telefone: (47) 9603-4948.



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