A família aumentou: Os 10 Rs da sustentabilidade

Por Letícia Maria Klein •
10 outubro 2014
Os 3 Rs da sustentabilidade já são bem famosos. Reduzir, reutilizar e reciclar viraram até música, como eu mostrei neste post sobre o trio. O tempo passou, as circunstâncias mudaram e a família dos erres amigos do meio ambiente cresceu. Algumas listas trazem quatro, outras seis, sete e até oito. Juntando daqui e dali, decidi deixar o grupo ainda maior. Conheça os 10 Rs da sustentabilidade



Recusar produtos que agridem a natureza em qualquer estágio de sua produção, desde a extração de matéria-prima ao descarte. Recusar produtos ou serviços de empresas que não respeitam a legislação ambiental, que usam mão de obra escrava ou que fazem testes em animais. Uma pesquisa rápida na internet revela muito sobre produtos e empresas. Também vale entrar em contato com a companhia para tirar suas dúvidas.

Repensar e refletir sobre atitudes diárias, especialmente de consumo, e como elas impactam o meio a nossa volta. Tudo que a gente faz a cada dia provoca impactos, sejam positivos ou negativos. O segredo está em agir de uma forma que gere o mínimo impacto negativo possível. O consumo consciente é um grande aliado nesse processo e existem várias cartilhas na internet cheias de dicas de como colocá-lo em prática no dia a dia. 

Reduzir nossa pegada ecológica, a marca que deixamos no planeta ao viver e consumir. O consumismo é prejudicial à vida na Terra e gera um dos principais problemas ambientais da atualidade: o lixo. Reduzir o impacto negativo sobre o planeta é agir com consciência, responsabilidade, pensamento coletivo, respeito aos seres vivos e respeito aos bens naturais dos quais tanto dependemos. 

Reutilizar aquilo que seria descartado, dando-lhe outro destino. O que para uns é lixo, para outros é solução. Quando reutilizamos objetos, estendemos sua vida útil e diminuímos a pilha de lixo. Uma calça jeans pode virar uma bolsa, garrafas pet podem virar brinquedos, CDs e DVDs podem ser usados como decoração em um quadro. O importante é abusar da imaginação! 



Reparar o que tem conserto. Assim como o reutilizar, o reparar também aumenta a utilidade dos objetos. Consertar um móvel, remendar um rasgo numa roupa ou bolsa. Se algo pode ser arrumado ou consertado, ainda é útil e não precisa ser substituído. 

Reciclar quando não tem mais reuso ou reparo. Retornar materiais como papel, plástico, metal e vidro à cadeia produtiva para que virem outros produtos reduz tanto o lixo quanto a extração de matéria-prima que seria empregada na produção de objetos novos. 

Reintegrar à natureza o que dela veio. O lixo orgânico não tem nada de lixo. Cascas de frutas, verduras, podas de árvores e restos de alimentos produzem um rico adubo através da compostagem. Existem vários vídeos na internet que ensinam a fazer tipos diversos de composteiras, tanto para quem mora em casa quanto apartamento. Fazer compostagem reduz a quantidade de lixo que enviamos para os aterros. 

Respeitar a vida, os seres vivos, as pessoas, seu trabalho ou escola, o ambiente, a natureza. O respeito está na base de qualquer relacionamento e é um dos pilares da vida em sociedade. 

Responsabilizar-se por seus atos e os impactos que eles causam, sejam bons ou ruins, pelas pessoas ao seu redor, pelo seu local de trabalho ou estudo, pela sua rua, bairro, cidade. Como morador do planeta, eu sou responsável por ele. E você também. Cada um faz sua parte e todos ganham. A espécie humana, outras espécies e o meio ambiente. 

Repassar os conhecimentos que podem ajudar a tornar o mundo melhor e sustentável. Estou fazendo isso neste post. Faça você também. 

Família bonita, hein?! Opa, está chegando outro membro... Um R de bônus, minha contribuição à causa: reagir às dificuldades com boas atitudes. Vamos todos ser parte da solução, não espectadores do problema. Afinal, acreditar é essencial, mas atitude é o que faz a diferença! Entre tantas coisas que podemos fazer, confira 29 dicas para não sobrecarregar o planeta Terra no nosso dia a dia, além de muitas outras dicas de atitudes e práticas sustentáveis.
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Bee or not to bee? Eis a (grande) questão.

Por Letícia Maria Klein •
02 outubro 2014
Sabia que as abelhas são responsáveis pela polinização de dois terços de toda a produção agrícola? A polinização, que é a transferência do pólen de uma planta para o óvulo de outra, faz com que as plantas fecundem e gerem frutos. O vento ajuda, mas os animais é que ficam com o trabalho pesado: mais de 80% da polinização é feita por eles, principalmente por insetos. As abelhas são parte fundamental deste processo. O problema? Elas estão sumindo! Desaparecendo mesmo, ninguém sabe pra onde elas vão! Bzzz...zzz...zz...z... Abelhas, polinização, alimento. Se as abelhas se extinguirem, adivinha o que também vai ficar escasso?

O caso é sério, sério mesmo. São as abelhas as responsáveis pela polinização em larga escala e não são poucas as culturas agrícolas que dependem delas. Conta só: maça, pêra, laranja, melão, melancia, café, castanha, abacate, morango, mirtilo, pepino, algodão, soja, pêssego, abóbora, cebola, castanhas, entre outras. Cerca de 70% das culturas dependem destes animais. Quanto menos abelhas nas plantações, menor será a quantidade de alimento necessário para suprir a demanda crescente das populações.



O sumiço das abelhas começou a chamar a atenção em 1995, nos Estados Unidos. Estudos foram feitos e indicam que o desaparecimento é causado por um distúrbio chamado CCD (Síndrome do Colapso das Abelhas, em inglês). Foi só em 2007 que o assunto foi discutido oficialmente, em um congresso na Austrália. Naquele país, 31% das abelhas desapareceram, segundo matéria da revista Veja. Os efeitos já são vistos também na Europa, Ásia e na América do Sul, inclusive em alguns Estados do Brasil, como SC, SP, RS e MG. 

O CCD acontece quando uma colônia de abelhas é reduzida a poucos indivíduos dentro de alguns dias ou semanas. Elas simplesmente desaparecem do mapa, deixando tudo para trás: filhotes, mel, pólen e até a rainha. Isto acontece porque a síndrome afeta o sistema nervoso das abelhas, o que impacta seu senso de direção e memória. Uma abelha com síndrome não consegue voltar pra colmeia depois de coletar néctar ou pólen nas flores. 

O que causa o CCD? São várias as possíveis origens, que precisam ser investigadas e combatidas para que as abelhas não sejam extintas. Doenças, pragas, fungos, ácaros, vírus, mudanças climáticas, formas de manejo, déficit nutricional, defensivos agrícolas. Dos agrotóxicos, os mais perigosos para as abelhas são os neonicotinoides. Tanto que, em abril de 2013, a União Europeia decidiu suspender seu uso por dois anos para analisar o impacto da ausência destas toxinas. 


Foto: Abelhas - Irina Tischenko/Getty Images/iStockphoto/VEJA

As abelhas existem há mais de 50 milhões de anos e são imprescindíveis para os ecossistemas. Einstein já dizia! “Se as abelhas desaparecerem da face da terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais não haverá raça humana.” 

Com essa preocupação em mente, um grupo de pesquisadores liderado pelo CETAPIS (Centro Tecnológico de Apicultura e Meliponicultura do Rio Grande do Norte) criou a campanha Bee or not to be e uma petição pela proteção às abelhas. Lançada em 2013, ela “quer alertar a população e buscar apoio para a proteção dos insetos no Brasil e no mundo”. A petição será entregue ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Meio Ambiente em novembro de 2014 (próximo mês, gente!) com o objetivo de exigir ações efetivas para combater o CCD. Vamos ajudar! Assine e compartilhe a petição. Se quiser ajudar mais ainda, você pode recolher assinaturas e enviar para a sede do projeto. 

O site da campanha também disponibiliza o aplicativo Bee Alert, onde apicultores, meliponicultores e a comunidade científica podem registrar e documentar as ocorrências de desaparecimento ou perda de abelhas, indicando o local, intensidade e possíveis causas. As informações geradas colaborativamente ajudam no estudo do desaparecimento das abelhas e contribuem para o esforço de proteção a estes insetos. 

Além de assinar a petição e espalhar a palavra, podemos fazer mais pelas abelhas, como por exemplo, plantar árvores, cultivar flores em casa, consumir produtos orgânicos, ter colmeia em casa (com abelhas sem ferrão, claro) e consumir conscientemente, além de muitas outras atitudes e práticas sustentáveis que você pode adotar no dia a dia.

A frase de Shakespeare que inspirou o lema da campanha (To be or not to be – ser ou não ser) não foi usada apenas pela sonoridade com a palavra abelha em inglês (bee), ela tem tudo a ver com a questão. A nossa existência pode estar ligada diretamente à existência desses pequenos insetos.
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Sete publicações educativas sobre consumo consciente

Por Letícia Maria Klein •
24 setembro 2014
Você coloca atitudes sustentáveis em prática no seu dia a dia? Ou você quer imprimir a sustentabilidade na sua vida, mas não sabe por onde começar? Seja o primeiro ou o segundo caso, existem várias publicações na internet cheias de dicas de como ser sustentável em várias áreas, segmentos, compartimentos e seções da sua vida. Para este post, eu separei algumas relacionadas a consumo consciente. Escolha os seus preferidos, boa leitura e mãos à obra! ;)

12 princípios do consumidor consciente

O Instituto Akatu elaborou uma cartilha muito simples e rápida de ler com 12 princípios para seguir na hora de comprar, como, por exemplo, avaliar os impactos do seu consumo e consumir apenas o necessário. 


Guia Consumo Consciente e Saúde

Também do Instituto Akatu, em parceria com uma empresa do ramo da saúde, este guia dá dicas de como cuidar da gente e do planeta através de um consumo melhor e diferente. As dicas estão divididas em três seções: consciência à mesa, saúde para todos e ações para um mundo melhor. 



Consumismo infantil: na contramão da sustentabilidade

O Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Alana criaram uma cartilha com foco no consumismo infantil, que explica os males de incentivar as crianças ao consumo desenfreado e mostra como os pais e educadores podem ajudar os pequenos a viver uma infância plena. 


Manual de educação para o consumo sustentável 

Foi desenvolvido em parceria entre o Ministério do Meio Ambiente, o Ministério da Educação e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. Bem didática, a publicação está dividida em oito capítulos e ensina como ser um consumidor consciente quando o assunto é cidadania, alimentação, água, transportes, biodiversidade, lixo, energia e publicidade. 


Pequeno guia de consumo em um mundo pequeno

Super simpático e rápido de ler, o guia traz muitas dicas de consumo consciente que podemos aplicar na sala de casa, no quarto, no escritório, no banheiro, na cozinha, na área de serviço, no jardim e na rua. O guia é uma iniciativa do WWF, da Agência Nacional de Águas e do Programa Água Brasil. 


Estado do mundo teen – ter mais ou viver melhor?

Voltada para os jovens, esta publicação é uma versão teen do relatório “Estado do Mundo 2010 – Transformando Culturas, do Consumismo à Sustentabilidade” elaborado pelo Worldwatch Institute e publicado no Brasil em parceria com o Instituto Akatu. Ela explica o que é consumismo, como ele afeta o planeta e os seres vivos e dá dicas de como aplicar o consumo consciente no nosso cotidiano.


Projeto cidadão – o lixo agora é problema de todos

Lixo tem tudo a ver com consumismo: quanto mais se consome, mais lixo se gera. Nesta cartilha, você vai saber o que é lixo, como está a situação dos resíduos sólidos no Brasil, os 4 Rs, os materiais que podem e não podem ser reciclados e curiosidades. 

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Eleições 2014: em quem não votar

Por Letícia Maria Klein •
15 setembro 2014

Você já decidiu em quem votar nas próximas eleições? Elas estão logo aí e a gente precisa escolher candidatos que reflitam as nossas preocupações e tragam melhorias enquanto estiverem no governo. Na minha visão, e talvez na sua também, é importante escolher candidatos que mostrem preocupação com a natureza e apresentem propostas de proteção à biodiversidade e medidas de sustentabilidade. Para isso, uma ótima ação que a gente pode fazer é não votar em ruralista, os representantes do agronegócio. A questão é tão séria que a organização 350.org criou a campanha #NãoVoteEmRuralista. Entenda por que e conheça o verdadeiro negócio do agronegócio. 



O agronegócio engloba a pecuária e a agricultura em larga escala, produzindo no Brasil carne, grãos e outros produtos, como café, açúcar, etanol e suco de laranja, que são os mais exportados. Isso é bom, não é? Gera emprego, comida e faz a economia girar. Na teoria, tudo é uma beleza. Mas à luz da verdade, as “belezas” do agronegócio se transformam em horrores, tanto sociais quanto ambientais. Mas por que o setor do agronegócio é tão mal? Vamos entender!

Pra começar, a gente se ilude quando a questão é comida. Na verdade, 70% do que comemos vem da agricultura familiar. De toda a produção do agronegócio, a maior parte vai para biodiesel, industrializados e exportação, enquanto a população brasileira fica com apenas 30% da comida. 

O agronegócio é um dos grandes responsáveis pelas mudanças climáticas que causam enchentes e outras catástrofes como seca, furações, aumento do nível do mar, degelo das calotas polares e aumento da temperatura média do planeta. O aquecimento global é intensificado pela emissão de gases que provocam o efeito estufa. Das atividades humanas, a que mais libera esses gases é o agronegócio, responsável por 59% das emissões no Brasil, segundo a 350.org. Grande parte dos gases vem dos próprios animais criados, pois bois e vacas produzem gás metano, que é 21 vezes mais ativo em reter os raios solares na atmosfera do que o dióxido de carbono (ou gás carbônico). Ou seja, é 21 vezes pior que o CO2! E sabe quantos bovinos existem no Brasil? 209 milhões, mais que a própria população brasileira!



O agronegócio também é o setor econômico que mais utiliza água doce no país: 72% da água consumida no Brasil. Um contraste com as centenas de cidades brasileiras que sofrem com a seca. Além disso, a bancada ruralista luta contra o enfraquecimento dos direitos das populações indígenas. Não bastasse querer tirar os índios de suas terras, o agronegócio brasileiro é o que mais consome agrotóxicos no mundo, o que polui as terras e os lençóis freáticos e é prejudicial às pessoas. 

Outro grande problema causado pelo agronegócio é o desmatamento. Quanto mais florestas nativas são derrubadas, maior é a perda de biodiversidade e maior é a confusão no clima, pois são as árvores que regulam o sistema de chuvas. Cada árvore adulta exala por dia, em média, 500 litros de água em forma de vapor, que posteriormente caem em forma de chuva em diversas regiões do país e do continente. Quanto menos árvores, menos chuva. A chuva é fundamental para a agricultura. Já deu pra perceber a cadeia de eventos, né. Sem contar que as árvores, quando cortadas, liberam todo o gás carbônico que armazenaram durante a vida, contribuindo para o aquecimento global

Um dos aspectos mais vergonhosos do agronegócio é o emprego de mão de obra escrava. Sim, ainda existem escravos no mundo. Enquanto muitos trabalham de forma indigna, muitos outros passam fome. Ao passo que um terço dos alimentos produzidos no mundo é perdido ou desperdiçado nos processos de produção, transporte e venda, cerca de 925 milhões de pessoas passam fome no mundo. E um terço de comida mundial equivale a 1,3 bilhão de toneladas!



Você e eu podemos mudar esses cenários! Podemos combater este mercado do mal comprando direto do produtor, em feiras livres de produtos orgânicos. Ajudamos a natureza, melhoramos nossa saúde e contribuímos para a justiça social. A agricultura familiar emprega 77% dos trabalhadores do campo, o que significa mais de 15 pessoas a cada 100 hectares. No agronegócio, são apenas duas pessoas por 100 ha. 

Outra forma de mudar a realidade é votar conscientemente. Então, junte-se à campanha e não vote em candidatos ruralistas. Mas como eu vou saber quem é ruralista ou não? O site da campanha ajuda! São vários links de páginas que nos dizem tudo sobre os candidatos:

- O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar disponibiliza a lista de deputados federais e senadores eleitos que compõem a bancada ruralista no congresso.
- O Tribunal Superior Eleitoral, através da plataforma Divulgacand, mostra informações precisas sobre os políticos que se candidataram a um cargo eletivo. 
- Esta lista traz todos os deputados que votaram pela aprovação do Código Florestal, uma lei que acabou beneficiando mais os ruralistas do que a natureza. 
- O organismo Transparência Brasil reúne várias ferramentas para ajudar a gente a fiscalizar os candidatos em quem votamos. A campanha #NãoVoteEmRuralista recomenda estas duas: Às Claras, para saber se o candidato tem um doador ligado ao agronegócio, e Excelências, que faz um raio X dos ruralistas. 
- O site República dos ruralistas é obra do trabalho de organizações da sociedade civil e mostra informações sobre os políticos ruralistas. Para ver uma surpresa no site, basta digitar a palavra “ruralista” em qualquer parte. 
- Nesta lista da ong Repórter Brasil, dá para descobrir se o candidato está relacionado ao agronegócio. Também é possível pesquisar por parentes, que muitas vezes servem de laranja para políticos que querem se livrar de acusações. 

Pra terminar, fica aqui o vídeo da campanha.


Também deixo uma entrevista que a jornalista Francine Lima, do canal no Youtube Do campo à mesa, fez com May Boeve, diretora da 350.org e articuladora da ação global contra a emissão de gases estufa, e com Verena Glass, jornalista ambiental da Fundação Rosa Luxemburgo, sobre o poder político ruralista no Brasil e sua ligação com as mudanças climáticas globais.

 

Podemos fazer a diferença, então vamos usar bem o nosso voto! Leia, pesquise e, fica a dica, não vote em ruralista!
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Foz do Iguaçu e a imponência das cataratas

Por Letícia Maria Klein •
09 setembro 2014

Não é à toa que as Cataratas do Iguaçu estão entre as sete maravilhas naturais do mundo. Que lugar! Que força da natureza! Pertinho das quedas, o único som que se escuta é o das águas, que descem a uma vazão média de 1.500 metros por segundo. Eu visitei o parque recentemente e fiquei maravilhada. A vista de cima, do avião, já impressiona, então imagina caminhar pela passarela por entre as cataratas?! E estar embaixo delas, então? O Macuco Safari, passeio com barco que passa embaixo de umas das quedas, é muito emocionante! Visitei também o Parque das Aves. Pra quem curte passeios na natureza, este roteiro é imperdível! 

Vista da passarela

Ao chegar ao Parque Nacional do Iguaçu, recebemos um mapa ilustrado com informações sobre as cataratas e o parque. As cataratas são formadas pelo Rio Iguaçu, que significa água grande em tupi-guarani. O rio nasce em Curitiba e percorre 1320 km até desaguar no Rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e a Argentina. As cataratas começaram a ser formadas há 150 milhões de anos e somam 275 quedas aproximadamente. 

Vista do começo da trilha que leva à passarela

O parque foi criado em 1939 (é o segundo mais antigo do Brasil, depois do Parque do Itatiaia, criado dois anos antes) e abriga o maior remanescente de Floresta Atlântica do país, com 185.262,5 hectares. 


Nós (eu, meu namorado e meus tios) fomos com guia turístico, o que é bom por um lado. O lado ruim é que tem horário pra chegar e sair, então não dá pra fazer os passeios com mais calma. Se eu puder ir uma próxima vez, quero ir por conta e fazer as trilhas que o parque oferece (a do Poço Preto, que tem 9 km e termina com um passeio de barco ou caiaque, e a das Bananeiras, de menos de 2 km). 

Um detalhe em preto e azul no meio do verde

A primeira parada no parque foi o Macuco Safari. São duas horas de passeio, em que percorremos um trecho da trilha de carreta puxada por carrinho elétrico, com o guia explicando sobre a fauna e flora local. Depois, seguimos outro trecho a pé até chegar à casinha onde deixamos os pertences e descemos para o barco. Importante: leve uma roupa extra! Você realmente se molha. Eu usei capa de chuva e ela ajuda a molhar menos, mas tem que trocar de roupa de qualquer forma. 

Começo da trilha a pé

O barco inflável leva o pessoal até uma das quedas mais tranquilas, digamos assim. O banho é no lado argentino mesmo. Cerca de 70% das cataratas ficam lá. As que estão próximas da passarela ficam no lado brasileiro. Se você não quiser levar uma facada e gastar muitos dinheiros com as fotos profissionais, fica a dica para levar a própria câmera (a prova d’água, claro). O passeio é muito legal, bem divertido! Mas, vou confessar, é difícil respirar quando se está embaixo da queda d’água. A pressão é grande e realmente falta ar. Acho que o melhor é abaixar a cabeça pra tentar respirar direito (o que não me ocorreu na hora e eu fiquei lá ofegando). Mas é massa, vale a pena!

Já no barco, com vista para as cataratas na Argentina. 
Foto profissional

Depois do Macuco Safari, o ônibus de turismo nos levou até a Parada Trilha das Cataratas, que leva até a passarela perto das quedas no lado brasileiro. A trilha tem pouco mais de um quilômetro com mirantes ao longo do caminho. Ah, cuidado com as sacolas! Os quatis adoram xeretar em busca de comida e, apesar de acostumados com pessoas, eles podem atacar. Ainda assim, fiquei com vontade pegar no colo. 

Fofos e atrevidos

Antes de entrar na passarela, pausa para colocar as capas de chuva. Aqui elas ajudam muito, assim não precisamos trocar de roupa de novo. Como é gostoso ficar tão perto das quedas! Sensação deliciosa. Fora o visual, que é lindíssimo! O dia estava ensolarado e havia um pequeno arco-íris embelezando a paisagem. 

O que é esse borrão aí no meio??

Saindo da passarela, subimos no elevador panorâmico e almoçamos rapidinho antes do ônibus de turismo voltar para nos levar ao Parque das Aves. Sério, eu nunca vi tantas aves juntas! São mais de 200 espécies espalhadas em vários viveiros. O parque, o maior viveiro do mundo especializado em araras, tem 16,5 hectares, sendo que uma parte é fechada à visitação. Cerca de 50% das aves que vivem lá foram resgatadas de maus tratos e do tráfico de animais e outras 43% nasceram dentro do parque. 

Dentro de um dos viveiros de araras. Elas ficam tão pertinho!

A entidade faz um trabalho bem legal na recuperação de indivíduos machucados e de espécies ameaçadas de extinção, como o papagaio-de-peito-roxo e o papagaio-charão. Apesar do nome, o parque não tem só aves: tem saguis, répteis e um viveiro de borboletas. Aquela cidade tem muita borboleta, gente! No Parque do Iguaçu, mesmo, uma a cada passo. 

Arara-piranga ou Arara-canga (Ara macao)

As iniciativas das unidades de conservação, principalmente dos parques, de aproximar as pessoas da natureza e estimular a consciência ambiental são nobres e muito importantes, quiçá fundamentais para um mundo sustentável. Mas elas devem ser feitas mediante regras e parâmetros para que não acabem por ocasionar o efeito contrário, causando danos à natureza. Digo isto porque, enquanto almoçava no Parque do Iguaçu, senti cheiro de esgoto. E o restaurante fica sobre o rio. Também existe um hotel dentro do parque. Eu enviei um e-mail para eles questionando algumas coisas, vamos ver se me respondem (ATUALIZADO em 9/12/2014: eles ainda não me responderam, mas esta reportagem recente do G1 informa que o parque está fazendo uma obra que vai dobrar a captação do esgoto do restaurante e outras áreas, chegando a tratar 70% do esgoto)

Restaurante sobre as águas

Eu penso que existem remanescentes dos biomas que devem ficar intocados, mas também acredito que as pessoas devem, sim, ter a oportunidade de visitar esses refúgios naturais e experienciar a maravilha que é ficar perto da natureza. Mas isso precisa ser feito de forma a minimizar os impactos humanos sobre o ambiente. Os parques podem, e devem, ser abertos à visitação, mas para isso precisam oferecer a infraestrutura adequada tanto para a preservação daquele habitat e suas formas de vida quanto para a boa experiência do visitante. 

Lado brasileiro das cataratas

Quando você está frente a frente com as cataratas, na passarela, percebe como a força da natureza é incomensurável. Diante dela, uma pessoa é como um grão de areia diante de um furacão. Entretanto, como bem observou meu namorado, quando as pessoas se unem, elas conseguem fazer coisas também poderosas, como é aquela passarela, que tem que ser muito forte para aguentar toda a água que passa por ela. Unidos, podemos muito mais. Então, vamos juntar nossas forças em prol de um mundo sustentável, onde há espaço para todos e no qual o respeito pela vida, seja em qual forma for, estará intrínseco em cada ação humana. 
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Ensinando a crianças a importância de cuidar da água

Por Letícia Maria Klein •
25 agosto 2014
Não há dúvidas de que a educação é fundamental para transformar o mundo. Ou melhor, transformar as pessoas, como já disse Paulo Freire, pois são as pessoas que transformam o mundo. O Museu da Água de Blumenau, regido pelo Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto), faz um trabalho muito bacana de educação ambiental. Eles criaram uma cartilha educativa voltada para crianças que explica como a água é tratada, fala da importância de cuidar dela, dá dicas de uso consciente e traz atividades e brincadeiras. O Samae autorizou e eu escaneei as páginas. Se você tem filho, neto, sobrinho, afilhado ou trabalha como educador, está aí uma sugestão de atividade divertida e educativa pra fazer com a criançada.

A cartilha, que acompanha os personagens Tina e Tony em uma visita ao Museu da Água, foi distribuída em 2013 em todos os colégios públicos e particulares de Blumenau, estimulando os professores a promover atividades de educação ambiental com seus alunos. As escolas podem agendar visitas ao museu ou marcar palestras na própria instituição, o que é legal quando o número de alunos é muito grande. Hoje, o museu recebe em médias duas visitas de escolas por semana. 

Robson Michelmann, coordenador do Museu da Água, me contou por e-mail que, como as crianças ficam conhecendo o museu a partir da cartilha entregue por ele e sua equipe, elas chegam para a visita ou para a palestra com muitas perguntas e idéias. O que, para Robson, indica uma mudança de pensamento dos alunos quanto à importância da água e a necessidade de preservá-la. 

O local foi a primeira estação de tratamento de água em Blumenau, criada em 1943, e virou museu em setembro de 1999. Abre todos os dias, das 9h às 18h, sem fechar para o almoço. Quem visita o museu conhece, além do processo de tratamento de água, um grande acervo de arquivos e fotos que contam a história da estação. O lugar também garante uma bela vista da cidade. O agendamento de visitas pode ser feito pelos números 3340-1742 ou 3340-3242 ou pelo e-mail museu@samae.com.br.

Confira abaixo as páginas escaneadas da cartilha educativa, em ordem. Salve, compartilhe e se divirta com as crianças! =) 





















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