Cerca viva de hibiscos: beleza e eficiência

Por Letícia Maria Klein •
17 julho 2014

O que fazer quando, mesmo com passarela, faixa de pedestres e sinaleira, as pessoas ainda atravessam a rua onde é mais perigoso? Como o problema é sério e educação é uma solução a longo prazo, a prefeitura pensou numa alternativa mais imediata. Uma cerca viva de hibiscos. É visualmente mais bonita do que uma estrutura de concreto, mais barata de fazer, fácil de manter e cumpre o propósito de coibir a passagem de pedestres apressadinhos. E você, o que acha da ideia?

O pedido para uma barreira na divisão entre as vias na Rua Antônio da Veiga partiu da Furb (Universidade Regional de Blumenau). O trânsito de pedestres da Furb, ou daquele lado da rua, para o outro lado, onde fica um supermercado, é intenso e muitas, tipo, MUITAS, pessoas atravessam sem usar a passarela, a faixa de pedestres ou caminhar até a sinaleira. Às vezes nem olham para o lado. Sério, eu já vi.

Trecho próximo à Rua São Paulo

Preocupada com essa situação, que vem de tempos, por sinal, a reitoria da universidade pediu, no começo de 2013, uma solução à Secretaria de Planejamento Urbano. Depois de muito discutir, a resposta veio em maio deste ano. O Robson Luiz Polmann, da diretoria de Desenvolvimento de Projetos da secretaria, me disse por telefone que, depois de muita discussão, o projeto vencedor foi a cerca viva de hibiscos. Ele comentou que alguns na secretaria queriam uma cerca de metal, então foi preciso muito diálogo. Que bom que os hibiscos levaram a melhor! 

As vantagens são várias, como tá lá em cima. Desvantagem: demora um pouco pra ficar pronta. As mudas foram plantadas agora, nesta semana, por causa do período de férias, e devem levar seis meses pra crescer. Até lá, estruturas de bambu foram colocadas junto das mudas para fazer as vezes de barreira física. Quando as plantas estiverem crescidas, os bambus serão retirados. 

Hibiscos em Zimbros

Foram plantadas 735 mudas de hibisco (Hibiscus sp) no trecho de maior demanda, que é na frente da Furb. São ao todo 220 metros, entre a esquina com a Rua São Paulo e com a Rua Max Hering. Robson explicou que eles escolheram hibiscos por ser uma planta bonita e fácil de produzir mudas, até porque a cerca vai precisar de manutenção regular para podas, adubação e plantio de mais mudas. 

A Secretaria de Serviços Urbanos, responsável pela plantação da cerca e sua manutenção, também substituiu os coqueiros jerivá (Syagrus romanzoffian), que já estavam no canteiro e tinham morrido. Ambas as espécies são produzidas pelo horto ornamental da secretaria.

Todo o trecho, que vai até esquina com Max Hering

Vamos combinar que nem seria necessária uma barreira se todas as pessoas respeitassem o trânsito e, principalmente, a própria vida. Muita gente não tem consciência de que estas medidas são para o próprio bem, para a segurança de todos. Espero que as mesmas pessoas que antes atravessavam neste trecho, agora respeitem a cerca e tomem consciência de que aquele minuto usado para chegar até a sinaleira ou cruzar a passarela é muito valioso e não uma perda de tempo. 

Gostei muito da ideia dos hibiscos para a cerca. Deixa a cidade mais bonita e mais verde. E você? Conte o que achou aqui nos comentários. 
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A copa e o tatu-bola

Por Letícia Maria Klein •
09 julho 2014
Graças à sua carapaça especial, esta fofura brasileiríssima que é o tatu-bola consegue se fechar numa bolinha para escapar dos predadores. Mas a Fifa é uma predadora grande e já chutou essa bola pra bem longe. Ofereceu uma quantia para o projeto de proteção da espécie, a ONG responsável considerou a oferta insuficiente e nada de patrocínio para o bichinho, que está ameaçado de extinção. Pois a Fifa que vá embora com a sua mesquinharia. Os holofotes sobre a situação crítica do tatu-bola chamaram atenção de muitos, dentro e fora do Brasil, e já tem iniciativas para resgatar a espécie do caminho sem volta da extinção.

Foto: Mark Payne-Gill

O tatu-bola-do-nordeste ou tatu-bola-da-caatinga, (Tolypeutes tricinctus), que virou mascote da copa, é exclusivamente brasileiro, só existe aqui, nos biomas Caatinga e Cerrado. Com sua carapaça de três cintos (daí o nome em latim), o tatu-bola se fecha quando se sente ameaçado e vira uma bolinha, resistente até a ataque de onça. 

Infelizmente, a carapaça não é à prova de seres humanos, que nos últimos 10 anos foram responsáveis por reduzir o número de indivíduos da espécie pela metade, tanto pela caça quanto pelo desmatamento. Hoje ela está classificada como vulnerável pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).

Considerando esse cenário, a ONG Associação Caatinga, que trabalha para a preservação do bioma, criou a campanha que elegeu o tatu-bola como mascote da copa. A ideia foi boa. Animal que vira uma bola combina com futebol. E chama atenção para a preservação do meio ambiente. Por isso o nome Fuleco, futebol + ecologia (pensando bem, deveria ser Futeco, mas acho que o primeiro soa melhor). 

Foto: Mark Payne-Gill

Em contrapartida, a Fifa patrocinaria o projeto de preservação da espécie na natureza, desenvolvido pela ONG. Aí surgiu o problema. A associação queria 1,4 milhão de dólares (mais ou menos 3 milhões de reais) e disse que recebeu da Fifa uma proposta de 300 mil reais. A Fifa diz que ofereceu 300 mil dólares. Há divergências aí. Mesmo assim, a diferença entre o que uma queria e o que a outra ofertou é grande. 

A ONG considerou o valor insuficiente para o projeto e tudo que ele requer (pesquisas e mapeamentos). A Fifa, então, destinou a quantia para outros projetos. As negociações, aparentemente, terminaram. A federação alegou que não tinha mais dinheiro para o tatu-bola. Convenhamos, com o orçamento da copa podendo chegar a R$ 28 bilhões, é muito difícil de acreditar que não houvesse mais verba para o projeto.

Foto: Rodrigo Castro

Mesmo sem o patrocínio da Fifa, Rodrigo Castro, secretário-geral da Associação Caatinga, tem motivos para comemorar. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) lançou o Plano de Ação Nacional (PAN) para preservação do tatu-bola. Aprovado em 22 de maio de 2014, ele tem o objetivo de diminuir o risco de extinção do tatu-bola-do-nordeste e do Tolypeutes matacus, o tatu-bola-do-Centro-Oeste. Eles querem alcançar o objetivo em cinco anos, a partir da prática de 38 ações, divididas em seis objetivos específicos. 

Além de petições online para convencer a Fifa a ajudar o tatu-bola e mobilizações voluntárias de pessoas de outros países, como Alemanha e Suíça, a própria ONG Associação Caatinga está angariando fundos para o projeto, principalmente com a venda de produtos. O que mais está chamando a atenção é um tatu-bola de pelúcia que vira uma bolinha, confeccionado de forma artesanal. Qualquer pessoa pode ajudar e de várias maneiras. Para saber mais, é só clicar no banner abaixo.


A associação, que ajudou na elaboração do PAN junto com outras entidades, também desenvolveu um programa em pareceria com as ONGs The Nature Conservancy e Grupo Especialista em Tatus, Preguiças e Tamanduás. Com o Projeto Tatu-bola, eles esperam fundar Unidades de Conservação e corredores ecológicos em áreas prioritárias para a conservação do tatu-bola, aumentar o conhecimento sobre a espécie e os ambientes naturais onde ela ocorre e promover ações de educação ambiental

O desejo dos envolvidos na preservação do tatu-bola é que, no futuro, ele não seja apenas lembrado como mascote da copa 2014, mas que esteja a salvo da extinção. Que assim seja. 

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Conservação e preservação da natureza – Semana do Meio Ambiente 2014

Por Letícia Maria Klein •
04 julho 2014

A mensagem dos participantes da mesa-redonda sobre conservação e preservação da natureza foi clara: precisamos conviver em harmonia com a natureza e os animais. Os palestrantes da noite foram Lucia Sevegnani, presidente da Associação Catarinense de Preservação da Natureza (Acaprena) e professora da Furb, Lauro Bacca, ambientalista e professor da Furb, e Jean Naumann, presidente da Fundação Municipal de Meio Ambiente (Faema). 

A primeira a falar foi a professora Lucia, que começou sua fala mostrando esta imagem abaixo, obra do pintor e matemático Escher. Ele conseguiu encaixar perfeitamente formas humanas e animais umas nas outras, representando assim a importância de respeitar as outras espécies e viver em paz, pois há espaço para todos. Lindo o quadro!

 Plane Filling II, litografia, 1957. Fonte: M. C. Escher

Ao longo da exposição, ela mostrou imagens de satélite das áreas verdes em Santa Catarina e fotografias do Parque São Francisco, que abriga de 500 a 600 espécies por hectare. A vegetação e as espécies animais do parque, assim como em todo o estado, fazem parte da Mata Atlântica. Hoje, os remanescentes de Mata Atlântica em SC estão entre 23% e 27%. Precisamos sim preservar a cobertura vegetal, afinal, além de purificar o ar, a vegetação ajuda a conter a erosão do solo de encostas, prevenindo tragédias ambientais, como a que aconteceu na região em 2008. 

Blumenau tem hoje 53% de cobertura vegetal, o que é bom, disse Lucia. Porém, no começo de 2000 a cobertura era de 57%, o que significa que a redução das áreas verdes na cidade está acontecendo rapidamente. A degradação da natureza acontece por causa de caça, roubo de palmito, abertura de estradas, pastoreio, e por aí vai. Com as populações urbanas crescendo, a pressão sobre os órgãos ambientais será cada vez maior, alertou a professora. 

O recado de Lauro Bacca foi o seguinte: “ou se preserva as áreas ambientais ou haverá extinção em massa de animais e vegetais”. O professor e sua esposa são donos da RPPN Bugerkopf, que fica no sul de Blumenau, e fazem parte da Associação dos Proprietários de Reservas Particulares do Patrimônio Natural de Santa Catarina. Durante a palestra, ele falou sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação e mostrou fotos de algumas RPPNs pelo Brasil. Uma mais linda que a outra!

Vista da RPPN Bugerkopf. Fonte: RPPN Catarinense

Para fechar a mesa-redonda, o presidente da Faema, Jean Naumann, citou uma frase que exemplifica por que a natureza sofre tanto nas mãos de pessoas: “O pobre faz por ignorância, o rico faz por ganância”. Claro que não são todos; sem generalizações, por favor. Enquanto alguns não sabem como agir e acabam fazendo errado, outros só querem ganhar, ganhar, ganhar e se dar bem à custa dos outros e da natureza. Existe solução pra essas pessoas? Tem! Conscientização, educação ambiental, bons exemplos.

Este foi o último post sobre as palestras da Semana do Meio Ambiente 2014 de Blumenau, mas tem mais! No dia 20 vai ter aquela caminhada no Parque das Nascentes, que tinha sido adiada por causa da chuva. Ainda dá pra se inscrever! Se você for, quem sabe não nos vemos lá? =)
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Logística reversa da Dudalina – Semana do Meio Ambiente 2014

Por Letícia Maria Klein •
27 junho 2014

O projeto de logística reserva da Dudalina rendeu uma economia de mais de R$ 55 mil para a empresa em 2013, ano em que foi criado. Blumenauense de fundação, a Dudalina produz camisaria feminina e masculina de alto padrão e conta hoje com 100 lojas em todo o país. No fim do ano passado, ela foi vendida para fundos de investimento estadunidenses. Na palestra sobre a logística reversa da Dudalina, Bruno Luz Martins, engenheiro ambiental e analista de meio ambiente da empresa, explicou como surgiu o projeto, como ele funciona e quais os benefícios. Teve até sorteio de sacolas ecológicas para os participantes (feitas com restos da produção!).


Logística reversa é quando uma empresa recolhe os materiais que produziu ou vendeu para que eles sejam reaproveitados ou reciclados. Está na Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305, de 2010. Empresas que vendem lâmpadas, por exemplo, são obrigadas a aceitá-las de volta após o descarte por parte do cliente (então, quando você for descartar uma lâmpada, leve-a de volta ao estabelecimento onde comprou). 

O projeto de logística reversa da Dudalina começou com uma preocupação ambiental. Era tamanha a vontade de um dos donos da empresa, Rui Dudalina, que nem estudo de viabilidade financeira foi feito. No começou foram muitos os problemas, mas aos poucos o projeto foi sendo aperfeiçoado. 

Os objetos visados pela logística reversa da empresa são os acessórios que acompanham a camisa que chega às lojas. O cliente que compra uma camisa Dudalina sai da loja apenas com ela, mas da fábrica à loja a camisa leva vários acessórios. Clipes de metal e plástico, suporte de PVC, borboleta de PVC, suporte de papelão, papel de seda, saco plástico, peitilho, tag da marca, cartão de instruções e caixa de papelão. 

Bolsa coletora fechada

Antes, as vendedoras tiravam todos esses acessórios e jogavam no lixo (que era destinado à reciclagem local). Com a logística reversa, os acessórios são separados e guardados numa bolsa coletora, que têm bolsos específicos para cada objeto. Estes materiais voltam para a fábrica e são reaproveitados em outras camisas. 

Os únicos acessórios que não têm potencial de reutilização direta pela empresa são o suporte e a caixa de papelão e o papel de seda, que são enviados diretamente para a reciclagem (o papel de seda volta para Blumenau para ser reciclado aqui). 

Em 2013, foi evitada a compra de 699.775 desses itens que acompanham a camisa, gerando uma economia para a empresa de R$ 55.462,35. O conjunto de acessórios por camisa tem um custo de um real para a Dudalina. 

Bolsa coletora aberta, com bolsos para cada acessório

A bolsa coletora onde os objetos são guardados teve várias versões até chegar à atual, que ainda está sendo aprimorada. Elas são confeccionadas a partir de sobras da produção. A maioria das lojas tem duas bolsas, mas as lojas maiores ou que têm mais demanda ficam com três ou quatro. Cada bolsa leva de 10 a 15 dias para encher.

A fase piloto do projeto envolveu três lojas Dudalina, que ficam na região de Blumenau. A fase 1 incluiu mais 10 lojas de São Paulo e atualmente 30 lojas participam do projeto. De acordo com Bruno, todas as lojas serão atendidas até o fim de 2014, mas vão começar separando apenas parte dos materiais. 

Ainda há alguns ajustes para serem feitos no projeto, como agilizar o envio dos coletores de volta às lojas, encontrar uma forma de lacrar as bolsas para que elas não sejam mexidas no trajeto e arrumar os bolsos para que os acessórios não caiam. 


A Dudalina já tem um trabalho bem bacana na área social, com incentivo à formação de grupos de geração de renda através do Instituto Adelina, nomeado em homenagem à fundadora da empresa. Agora a empresa caminha para incluir a sustentabilidade e a preocupação com o meio ambiente em suas rotinas. O próximo projeto da Dudalina em relação à sustentabilidade é calcular a pegada ecológica de cada camisa e incluir as informações nos produtos. 

Uma curiosidade: a perda de tecido na indústria têxtil é de 30 a 40%. Na Dudalina, a média é 15%. Essas sobras vão para o Instituto Adelina, que repassa a instituições e grupos de geração de renda para serem transformados em produtos com patchwork, como as sacolas ecológicas que foram sorteadas na palestra. Com isso, os 15% viram 8%. Este material restante também tem seu uso: ele é destinado à reciclagem, onde vira barbante e assoalho de carro. Sem perda de tecido! Segundo o site da Dudalina, quase 53 toneladas de retalho deixaram de ir para o lixo com os projetos do Instituto Adelina. 

Bolsa de patchwork produzida 
pelos grupos de geração de renda

Muito bacana, né, gente. Até o próximo, e último, post da Semana do Meio Ambiente!
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Saneamento em Blumenau – Semana do Meio Ambiente 2014

Por Letícia Maria Klein •
20 junho 2014

Palestra perfeita para entender o projeto de saneamento básico em Blumenau, compreender a importância do tratamento de esgoto e saber sobre o cronograma de obras na cidade. Quem falou foi o gerente operacional da Foz do Brasil, Cleber Renato Virginio da Silva. A Foz, que muda seu nome para Odebrecht Ambiental em julho, é a empresa concessionária que faz as obras e a manutenção do tratamento de esgoto em Blumenau. Para ficar por dentro do projeto de saneamento da cidade, dê uma olhada abaixo nas informações da palestra. 

Primeira coisa, separar alhos de bugalhos. A Foz do Brasil é responsável pelo esgoto. Água e lixo são departamento do Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto de Blumenau). Os três vêm descritas na fatura de água, sendo que o valor da taxa de lixo é baseado no volume de água consumido e o valor do tratamento de esgoto fica em torno de 100% do custo do consumo de água. Ou seja, o dobro.



Abro breves parênteses aqui. Não foram poucas as pessoas que reclamaram do aumento da fatura de água quando o tratamento de esgoto começou a ser implantado em Blumenau. Sinceramente, por que é tão fácil ver preço e tão difícil ver o valor da coisa em si? O bem que o tratamento de esgoto traz ao meio ambiente e à sociedade compensa qualquer investimento. 

Eu gostei do comentário que o presidente da Faema (Fundação Municipal do Meio Ambiente), Jean Naumann, fez após a fala de um participante de que sua conta de água tinha dobrado de 30 e poucos para 70 e poucos reais. Como ele disse, qualquer almoço ou jantar em família ou amigos sai mais caro que isso e vale só por aquele momento, enquanto que a taxa do tratamento de esgoto é paga uma vez por mês e dura por semanas. 

Na hora de dizer que precisamos ser sustentáveis e cuidar do meio ambiente, muita gente se dispõe a falar; agora na hora de agir, a postura é outra. Cadê a coerência? Cadê a coletividade? Cadê a preocupação com os outros e o meio em que vivemos? Mandemos a hipocrisia às favas, minha gente. Muito mais que preço, as coisas têm valor. Que apreciemos o valor do tratamento do esgoto e paguemos a devida conta com orgulho e consciência de sua importância. Fim dos (talvez não tão breves) parênteses.

Quando a Foz assumiu a concessão, em 2010, a cidade tinha apena 4,8% do seu esgoto tratado, que contemplava a rua XV de Novembro, a Beira-rio e o bairro Garcia. Hoje, 30% das residências de Blumenau têm tratamento de esgoto. 

Estação de Tratamento de Esgoto do bairro Fortaleza, 
em foto tirada por mim no roteiro dos resíduos em 2013.

O cenário anterior, de menos de 5%, contribuía para que Santa Catarina figurasse entre os piores estados brasileiros em relação ao tratamento de esgoto. O estado ocupa a 19º posição entre os 26. De todas as cidades pelas quais o Rio Itajaí-Açu passa, Blumenau é a que mais o polui, sendo responsável por sujar 40% do rio

Um dado muito importante: a vazão dos canos de esgoto está prevista para a demanda que a cidade terá em 2050. Até lá, todos os 1.100 km de tubulações da rede de esgoto, equivalentes aos 1.100 km de rios e córregos da cidade, estarão implantados. De acordo com o cronograma da Foz, as obras para implantação do sistema de tratamento de esgoto devem terminar em 2026. Depois disso, quando estiver concluída a universalização do sistema de tratamento de esgoto (como é chamado o processo), a Foz continua operando o sistema. Como Cleber explicou, o trabalho da Foz não é fazer obra, é tratar o esgoto. 

No ano passado, durante a Semana do Meio Ambiente 2013, eu participei do roteiro de resíduos em Blumenau, que incluiu uma visita à Estação de Tratamento de Esgoto do bairro Fortaleza. Se você ainda não leu e quiser saber como funciona o tratamento de esgoto da cidade, dê uma olhadinha no post sobre o roteiro. Para saber mais sobre o assunto, vale uma visita ao site da Foz do Brasil. Está bem legal e traz muitas informações sobre o sistema de tratamento de esgoto.
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Mudanças Climáticas: causas e impactos na sociedade – Semana do Meio Ambiente 2014

Por Letícia Maria Klein •
10 junho 2014

“Impõe-se uma nova revolução civilizacional e uma evolução do conhecimento e da tecnologia”. A frase é do professor e geólogo Juarês José Aumond, que abriu a Semana Municipal do Meio Ambiente de Blumenau com uma palestra sobre “Mudanças climáticas – causa e impactos na sociedade”. O salão estava lotado e a palestra foi muito interessante! Ele mostrou dados e imagens que mostram as transformações que os humanos estão causando no clima, compartilhou informações das pesquisas dele e falou sobre o que devemos fazer para reverter a situação. Vamos a uma pincelada sobre os principais pontos da palestra.

Juarês José Aumond. Fonte: SindsegSC.

O professor deu um grande puxão de orelha na humanidade. “Os dinossauros viveram 100 milhões de anos na Terra. A humanidade existe há 200 mil anos e já mostra sinais de que não vai durar tanto”. Isso porque, entre outros motivos, “o homem sempre viu a natureza como estoque de matéria-prima”. Pois, é. Isso é um enoooooooorme problema.

Um pouquinho de informação técnica. Existem duas típicas eras no planeta: glaciais e interglaciais (“de efeito estufa”, como chamou o professor), que são fenômenos naturais do planeta. O problema é quando o efeito estufa é intensificado e acelerado pelos humanos, o que vem acontecendo desde o século XVII – Para saber mais sobre as causas da mudança climática, confira este post do blog. 

As eras glaciais sempre duram muito mais tempo que as épocas de efeito estufa. A última era do gelo durou entre 100 mil e 13 mil a.C.. Nestas épocas, as florestas diminuem e há secas. No período interglacial, que estamos vivendo agora, deveria ser o contrário: aumento das florestas e chuvas. Mas as florestas vêm diminuindo graças à ação humana e os eventos climáticos (secas, tornados, enchentes, etc.), vem aumentando. 

Procurando imagens sobre era glacial, achei esta charge. Não resisti. 

Bem, quem é responsável por essa bagunça no clima? Nós, pessoas. As evidências de flutuações entre efeito estufa e era do gelo estão mais frequentes, segundo o professor. Não importa quais países mais causam o aquecimento global, todo o globo sofre. “Não só a economia está globalizada, as mudanças climáticas também. A crise ultrapassa fronteiras”, disse Juarês. “A natureza está dando sinais!” 

No começo da palestra, ele mostrou vários desses sinais: fotos de catástrofes climáticas ao redor do mundo, como a nevasca em Nova York em 2010 (a pior dos últimos 40 anos); chuvas concentradas na China e no Paquistão; o maior deslizamento do Brasil, no Rio de Janeiro, em 2010. Juarês também mostrou fotos que tirou durante suas pesquisas no Alasca e na Antártida, onde também há sinais das mudanças climáticas.

Deslizamento de terra nos morros em Teresópolis (RJ) após as fortes chuvas - 12/01/2011
Deslizamentos no Rio de Janeiro. Fonte: Veja.

“O que precisamos fazer é saber interpretar estes sinais da natureza e tomar as medidas certas. As mudanças climáticas vão transformar os padrões de produção e consumo como conhecemos hoje e vão incentivar a inovação tecnológica.” A lição do professor é que os problemas existem e estão aumentando, mas eles são uma oportunidade de aprendizado. 

Quais as ações que devemos tomar? De acordo com Juarês, precisamos de mais informação e mais consciência para mantermos a Terra no seu ponto de equilíbrio. Temos os desafios de identificar as áreas críticas, prever e praticar ações estratégicas que reduzam a frequência e a intensidade dos desastres, cooperar com todas as esferas da sociedade e aprender cidadania socioambiental. Em suma, precisamos de soluções que sejam economicamente viáveis, socialmente justas e ambientalmente corretas. 

Tá acabando! No fim da palestra, na parte das perguntas, eu perguntei a ele qual a importância que ele dava para as ações que cada um pode fazer no seu dia a dia. Ele contou um caso muito interessante que aconteceu com ele e que valeu mais do que qualquer outra coisa. 


Enquanto estudante na escola de geologia, ele saiu para fotografar a erosão do rio junto com professores e o corpo de bombeiros. Sabe o que ele fez com o plástico da câmera? Jogou no chão. Foi quando uma colega chegou perto e disse: “Viu o que tu fez, Juarês?”. Ele disse que esta chamada de atenção foi a maior lição que recebeu e que valeu mais que qualquer palestra de um grande orador. Moral da história: o poder dos bons exemplos. Vamos ser sustentáveis no nosso dia a dia e servir de exemplo para os outros. 

Agora acabou. Ah, tem algumas curiosidades abaixo, também da palestra. 

- Hoje ocorrem 300 mil mortes por anos em decorrência das mudanças climáticas. Nos próximos anos, serão 500 mil mortes anuais. 
- Os pólos do planeta são termoestabilizadores, ou seja, controlam a temperatura da Terra. O grande problema é que eles estão derretendo. O Ártico já perdeu 40% do seu gelo permanente desde 1985. Há 244 geleiras na Antártida, das quais 212 (87%) estão reduzindo. 
- Contabilizando toda a água que se gasta na cadeia de produção de bens de consumo, cada ser humano consome, por dia, 800 litros de água!!
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