Eleições 2014: em quem não votar

Por Letícia Maria Klein •
15 setembro 2014

Você já decidiu em quem votar nas próximas eleições? Elas estão logo aí e a gente precisa escolher candidatos que reflitam as nossas preocupações e tragam melhorias enquanto estiverem no governo. Na minha visão, e talvez na sua também, é importante escolher candidatos que mostrem preocupação com a natureza e apresentem propostas de proteção à biodiversidade e medidas de sustentabilidade. Para isso, uma ótima ação que a gente pode fazer é não votar em ruralista, os representantes do agronegócio. A questão é tão séria que a organização 350.org criou a campanha #NãoVoteEmRuralista. Entenda por que e conheça o verdadeiro negócio do agronegócio. 



O agronegócio engloba a pecuária e a agricultura em larga escala, produzindo no Brasil carne, grãos e outros produtos, como café, açúcar, etanol e suco de laranja, que são os mais exportados. Isso é bom, não é? Gera emprego, comida e faz a economia girar. Na teoria, tudo é uma beleza. Mas à luz da verdade, as “belezas” do agronegócio se transformam em horrores, tanto sociais quanto ambientais. Mas por que o setor do agronegócio é tão mal? Vamos entender!

Pra começar, a gente se ilude quando a questão é comida. Na verdade, 70% do que comemos vem da agricultura familiar. De toda a produção do agronegócio, a maior parte vai para biodiesel, industrializados e exportação, enquanto a população brasileira fica com apenas 30% da comida. 

O agronegócio é um dos grandes responsáveis pelas mudanças climáticas que causam enchentes e outras catástrofes como seca, furações, aumento do nível do mar, degelo das calotas polares e aumento da temperatura média do planeta. O aquecimento global é intensificado pela emissão de gases que provocam o efeito estufa. Das atividades humanas, a que mais libera esses gases é o agronegócio, responsável por 59% das emissões no Brasil, segundo a 350.org. Grande parte dos gases vem dos próprios animais criados, pois bois e vacas produzem gás metano, que é 21 vezes mais ativo em reter os raios solares na atmosfera do que o dióxido de carbono (ou gás carbônico). Ou seja, é 21 vezes pior que o CO2! E sabe quantos bovinos existem no Brasil? 209 milhões, mais que a própria população brasileira!



O agronegócio também é o setor econômico que mais utiliza água doce no país: 72% da água consumida no Brasil. Um contraste com as centenas de cidades brasileiras que sofrem com a seca. Além disso, a bancada ruralista luta contra o enfraquecimento dos direitos das populações indígenas. Não bastasse querer tirar os índios de suas terras, o agronegócio brasileiro é o que mais consome agrotóxicos no mundo, o que polui as terras e os lençóis freáticos e é prejudicial às pessoas. 

Outro grande problema causado pelo agronegócio é o desmatamento. Quanto mais florestas nativas são derrubadas, maior é a perda de biodiversidade e maior é a confusão no clima, pois são as árvores que regulam o sistema de chuvas. Cada árvore adulta exala por dia, em média, 500 litros de água em forma de vapor, que posteriormente caem em forma de chuva em diversas regiões do país e do continente. Quanto menos árvores, menos chuva. A chuva é fundamental para a agricultura. Já deu pra perceber a cadeia de eventos, né. Sem contar que as árvores, quando cortadas, liberam todo o gás carbônico que armazenaram durante a vida, contribuindo para o aquecimento global. 

Um dos aspectos mais vergonhosos do agronegócio é o emprego de mão de obra escrava. Sim, ainda existem escravos no mundo. Enquanto muitos trabalham de forma indigna, muitos outros passam fome. Ao passo que um terço dos alimentos produzidos no mundo é perdido ou desperdiçado nos processos de produção, transporte e venda, cerca de 925 milhões de pessoas passam fome no mundo. E um terço de comida mundial equivale a 1,3 bilhão de toneladas!



Você e eu podemos mudar esses cenários! Podemos combater este mercado do mal comprando direto do produtor, em feiras livres de produtos orgânicos. Ajudamos a natureza, melhoramos nossa saúde e contribuímos para a justiça social. A agricultura familiar emprega 77% dos trabalhadores do campo, o que significa mais de 15 pessoas a cada 100 hectares. No agronegócio, são apenas duas pessoas por 100 ha. 

Outra forma de mudar a realidade é votar conscientemente. Então, junte-se à campanha e não vote em candidatos ruralistas. Mas como eu vou saber quem é ruralista ou não? O site da campanha ajuda! São vários links de páginas que nos dizem tudo sobre os candidatos:

- O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar disponibiliza a lista de deputados federais e senadores eleitos que compõem a bancada ruralista no congresso.
- O Tribunal Superior Eleitoral, através da plataforma Divulgacand, mostra informações precisas sobre os políticos que se candidataram a um cargo eletivo. 
- Esta lista traz todos os deputados que votaram pela aprovação do Código Florestal, uma lei que acabou beneficiando mais os ruralistas do que a natureza. 
- O organismo Transparência Brasil reúne várias ferramentas para ajudar a gente a fiscalizar os candidatos em quem votamos. A campanha #NãoVoteEmRuralista recomenda estas duas: Às Claras, para saber se o candidato tem um doador ligado ao agronegócio, e Excelências, que faz um raio X dos ruralistas. 
- O site República dos ruralistas é obra do trabalho de organizações da sociedade civil e mostra informações sobre os políticos ruralistas. Para ver uma surpresa no site, basta digitar a palavra “ruralista” em qualquer parte. 
- Nesta lista da ong Repórter Brasil, dá para descobrir se o candidato está relacionado ao agronegócio. Também é possível pesquisar por parentes, que muitas vezes servem de laranja para políticos que querem se livrar de acusações. 

Pra terminar, fica aqui o vídeo da campanha.


Também deixo uma entrevista que a jornalista Francine Lima, do canal no Youtube Do campo à mesa, fez com May Boeve, diretora da 350.org e articuladora da ação global contra a emissão de gases estufa, e com Verena Glass, jornalista ambiental da Fundação Rosa Luxemburgo, sobre o poder político ruralista no Brasil e sua ligação com as mudanças climáticas globais.

 

Podemos fazer a diferença, então vamos usar bem o nosso voto! Leia, pesquise e, fica a dica, não vote em ruralista!
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Foz do Iguaçu e a imponência das cataratas

Por Letícia Maria Klein •
09 setembro 2014

Não é à toa que as Cataratas do Iguaçu estão entre as sete maravilhas naturais do mundo. Que lugar! Que força da natureza! Pertinho das quedas, o único som que se escuta é o das águas, que descem a uma vazão média de 1.500 metros por segundo. Eu visitei o parque recentemente e fiquei maravilhada. A vista de cima, do avião, já impressiona, então imagina caminhar pela passarela por entre as cataratas?! E estar embaixo delas, então? O Macuco Safari, passeio com barco que passa embaixo de umas das quedas, é muito emocionante! Visitei também o Parque das Aves. Pra quem curte passeios na natureza, este roteiro é imperdível! 

Vista da passarela

Ao chegar ao Parque Nacional do Iguaçu, recebemos um mapa ilustrado com informações sobre as cataratas e o parque. As cataratas são formadas pelo Rio Iguaçu, que significa água grande em tupi-guarani. O rio nasce em Curitiba e percorre 1320 km até desaguar no Rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e a Argentina. As cataratas começaram a ser formadas há 150 milhões de anos e somam 275 quedas aproximadamente. 

Vista do começo da trilha que leva à passarela

O parque foi criado em 1939 (é o segundo mais antigo do Brasil, depois do Parque do Itatiaia, criado dois anos antes) e abriga o maior remanescente de Floresta Atlântica do país, com 185.262,5 hectares. 


Nós (eu, meu namorado e meus tios) fomos com guia turístico, o que é bom por um lado. O lado ruim é que tem horário pra chegar e sair, então não dá pra fazer os passeios com mais calma. Se eu puder ir uma próxima vez, quero ir por conta e fazer as trilhas que o parque oferece (a do Poço Preto, que tem 9 km e termina com um passeio de barco ou caiaque, e a das Bananeiras, de menos de 2 km). 

Um detalhe em preto e azul no meio do verde

A primeira parada no parque foi o Macuco Safari. São duas horas de passeio, em que percorremos um trecho da trilha de carreta puxada por carrinho elétrico, com o guia explicando sobre a fauna e flora local. Depois, seguimos outro trecho a pé até chegar à casinha onde deixamos os pertences e descemos para o barco. Importante: leve uma roupa extra! Você realmente se molha. Eu usei capa de chuva e ela ajuda a molhar menos, mas tem que trocar de roupa de qualquer forma. 

Começo da trilha a pé

O barco inflável leva o pessoal até uma das quedas mais tranquilas, digamos assim. O banho é no lado argentino mesmo. Cerca de 70% das cataratas ficam lá. As que estão próximas da passarela ficam no lado brasileiro. Se você não quiser levar uma facada e gastar muitos dinheiros com as fotos profissionais, fica a dica para levar a própria câmera (a prova d’água, claro). O passeio é muito legal, bem divertido! Mas, vou confessar, é difícil respirar quando se está embaixo da queda d’água. A pressão é grande e realmente falta ar. Acho que o melhor é abaixar a cabeça pra tentar respirar direito (o que não me ocorreu na hora e eu fiquei lá ofegando). Mas é massa, vale a pena!

Já no barco, com vista para as cataratas na Argentina. 
Foto profissional

Depois do Macuco Safari, o ônibus de turismo nos levou até a Parada Trilha das Cataratas, que leva até a passarela perto das quedas no lado brasileiro. A trilha tem pouco mais de um quilômetro com mirantes ao longo do caminho. Ah, cuidado com as sacolas! Os quatis adoram xeretar em busca de comida e, apesar de acostumados com pessoas, eles podem atacar. Ainda assim, fiquei com vontade pegar no colo. 

Fofos e atrevidos

Antes de entrar na passarela, pausa para colocar as capas de chuva. Aqui elas ajudam muito, assim não precisamos trocar de roupa de novo. Como é gostoso ficar tão perto das quedas! Sensação deliciosa. Fora o visual, que é lindíssimo! O dia estava ensolarado e havia um pequeno arco-íris embelezando a paisagem. 

O que é esse borrão aí no meio??

Saindo da passarela, subimos no elevador panorâmico e almoçamos rapidinho antes do ônibus de turismo voltar para nos levar ao Parque das Aves. Sério, eu nunca vi tantas aves juntas! São mais de 200 espécies espalhadas em vários viveiros. O parque, o maior viveiro do mundo especializado em araras, tem 16,5 hectares, sendo que uma parte é fechada à visitação. Cerca de 50% das aves que vivem lá foram resgatadas de maus tratos e do tráfico de animais e outras 43% nasceram dentro do parque. 

Dentro de um dos viveiros de araras. Elas ficam tão pertinho!

A entidade faz um trabalho bem legal na recuperação de indivíduos machucados e de espécies ameaçadas de extinção, como o papagaio-de-peito-roxo e o papagaio-charão. Apesar do nome, o parque não tem só aves: tem saguis, répteis e um viveiro de borboletas. Aquela cidade tem muita borboleta, gente! No Parque do Iguaçu, mesmo, uma a cada passo. 

Arara-piranga ou Arara-canga (Ara macao)

As iniciativas das unidades de conservação, principalmente dos parques, de aproximar as pessoas da natureza e estimular a consciência ambiental são nobres e muito importantes, quiçá fundamentais para um mundo sustentável. Mas elas devem ser feitas mediante regras e parâmetros para que não acabem por ocasionar o efeito contrário, causando danos à natureza. Digo isto porque, enquanto almoçava no Parque do Iguaçu, senti cheiro de esgoto. E o restaurante fica sobre o rio. Também existe um hotel dentro do parque. Eu enviei um e-mail para eles questionando algumas coisas, vamos ver se me respondem (ATUALIZADO em 9/12/2014: eles ainda não me responderam, mas esta reportagem recente do G1 informa que o parque está fazendo uma obra que vai dobrar a captação do esgoto do restaurante e outras áreas, chegando a tratar 70% do esgoto). 

Restaurante sobre as águas

Eu penso que existem remanescentes dos biomas que devem ficar intocados, mas também acredito que as pessoas devem, sim, ter a oportunidade de visitar esses refúgios naturais e experienciar a maravilha que é ficar perto da natureza. Mas isso precisa ser feito de forma a minimizar os impactos humanos sobre o ambiente. Os parques podem, e devem, ser abertos à visitação, mas para isso precisam oferecer a infraestrutura adequada tanto para a preservação daquele habitat e suas formas de vida quanto para a boa experiência do visitante. 

Lado brasileiro das cataratas

Quando você está frente a frente com as cataratas, na passarela, percebe como a força da natureza é incomensurável. Diante dela, uma pessoa é como um grão de areia diante de um furacão. Entretanto, como bem observou meu namorado, quando as pessoas se unem, elas conseguem fazer coisas também poderosas, como é aquela passarela, que tem que ser muito forte para aguentar toda a água que passa por ela. Unidos, podemos muito mais. Então, vamos juntar nossas forças em prol de um mundo sustentável, onde há espaço para todos e no qual o respeito pela vida, seja em qual forma for, estará intrínseco em cada ação humana. 
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Ensinando a crianças a importância de cuidar da água

Por Letícia Maria Klein •
25 agosto 2014
Não há dúvidas de que a educação é fundamental para transformar o mundo. Ou melhor, transformar as pessoas, como já disse Paulo Freire, pois são as pessoas que transformam o mundo. O Museu da Água de Blumenau, regido pelo Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto), faz um trabalho muito bacana de educação ambiental. Eles criaram uma cartilha educativa voltada para crianças que explica como a água é tratada, fala da importância de cuidar dela, dá dicas de uso consciente e traz atividades e brincadeiras. O Samae autorizou e eu escaneei as páginas. Se você tem filho, neto, sobrinho, afilhado ou trabalha como educador, está aí uma sugestão de atividade divertida e educativa pra fazer com a criançada.

A cartilha, que acompanha os personagens Tina e Tony em uma visita ao Museu da Água, foi distribuída em 2013 em todos os colégios públicos e particulares de Blumenau, estimulando os professores a promover atividades de educação ambiental com seus alunos. As escolas podem agendar visitas ao museu ou marcar palestras na própria instituição, o que é legal quando o número de alunos é muito grande. Hoje, o museu recebe em médias duas visitas de escolas por semana. 

Robson Michelmann, coordenador do Museu da Água, me contou por e-mail que, como as crianças ficam conhecendo o museu a partir da cartilha entregue por ele e sua equipe, elas chegam para a visita ou para a palestra com muitas perguntas e idéias. O que, para Robson, indica uma mudança de pensamento dos alunos quanto à importância da água e a necessidade de preservá-la. 

O local foi a primeira estação de tratamento de água em Blumenau, criada em 1943, e virou museu em setembro de 1999. Abre todos os dias, das 9h às 18h, sem fechar para o almoço. Quem visita o museu conhece, além do processo de tratamento de água, um grande acervo de arquivos e fotos que contam a história da estação. O lugar também garante uma bela vista da cidade. O agendamento de visitas pode ser feito pelos números 3340-1742 ou 3340-3242 ou pelo e-mail museu@samae.com.br.

Confira abaixo as páginas escaneadas da cartilha educativa, em ordem. Salve, compartilhe e se divirta com as crianças! =) 





















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Resíduos sólidos + criatividade = móveis e decoração para geração de renda

Por Letícia Maria Klein •
09 agosto 2014

Um super projeto de Balneário Camboriú, no litoral catarinense, está transformando o que muitos chamariam de lixo em oportunidade de geração de renda para famílias da cidade. Pneus, garrafas pet, vidro, latas, cano de PVC e outros resíduos sólidos reutilizáveis viram móveis e objetos decorativos nas mãos dos artesãos integrantes do Eco Cidadão. A iniciativa é recente e enfrenta desafios diários, mas tem tudo pra dar muito certo, promovendo conscientização e educação ambiental com foco na redução, reutilização e reciclagem de resíduos sólidos.

Mesa e cadeiras confeccionadas com pneus

Quem idealizou o projeto foi a Luciana Andrea de Jesus, presidente da Associação de Mulheres Solidárias Criativas (AMSC). Eu conversei com ela durante a 10ª edição da Home Art, feira de móveis e decoração, realizada aqui em Blumenau no primeiro fim de semana de agosto, onde conheci o projeto. Luciana contou que já trabalhava com artesanato de reciclagem. Ela mesma confeccionava produtos a partir de materiais dados por amigos e conhecidos. Era tanto material que ele nem tinha onde guardar.

Pufes e caminhas de pets de pneus

Aproveitando a ideia, em parceria com o Fórum Municipal de Economia Solidária de Balneário Camboriú (FMES/BC), ela e as artesãs do AMSC criaram em dezembro de 2013 o projeto Eco Cidadão. Hoje são 44 famílias envolvidas no projeto, a maioria de artesãos e algumas de catadores de lixo. Elas pagam uma mensalidade e recebem comissões sobre as vendas dos produtos artesanais.

Luminárias feitas pela 2por2 Luminárias, 
empresa amiga do projeto e que reaproveita madeira

Divididos em grupos de trabalho, cada um com sua especialidade, os artistas criam sofás, cadeiras, mesas, pufes, casinhas de animais de estimação e floreiras a partir de pneus, que são recolhidos nas ruas, terrenos baldios e em borracharias. Com outros resíduos sólidos doados pela comunidade, como garrafas de plástico, latas de alumínio, vidros, caixas longa vida e filtros de café, os artesãos fazem luminárias, estantes, outros pufes e sofás e mais objetos decorativos. 

Luminárias de cano de PVC feitas pelas artesãs do projeto

Qualquer pessoa que mora em Balneário Camboriú ou cidades vizinhas pode doar os materiais (limpos e secos!), com exceção dos pneus. São quase 300 famílias cadastradas no programa, que gera benefícios para os dois lados. Os artesãos recebem matéria-prima e os doadores ganham pontos como moeda de troca. Cada pessoa que leva os materiais ao Centro Eco Cultural, casa do projeto, recebe um cartão Eco Cidadão, que acumula pontos para cada resíduo sólido levado. Os pontos podem ser trocados pelos produtos artesanais ou vale compras no mercado local, de bairro.

Filtro usado de café foi utilizado nesta luminária

E não é só “lixo” que as pessoas podem doar para o projeto. Óleo de cozinha e eletrônicos também são recebidos no centro e encaminhados para destinação correta. O que não serve ou não tem mais utilidade para os participantes, como roupas, calçados, acessórios, decoração, também pode ser doado para fazer parte do bazar de reuso. Livros são igualmente aceitos e passam a integrar a Ecoteca, ação do projeto que incentiva a leitura aos portadores do cartão Eco Cidadão. Ah, todos esses produtos também rendem pontos!

Sofá feito com pneus. É bem confortável!

O projeto ainda oferece oficinas de artesanato, toda segunda e terça-feira, e toda quinta-feira o espaço hospeda a feira de orgânicos do bairro. Tudo é muito bem estruturado e é um ótimo empreendimento com cunho sustentável, mas os artesãos enfrentam um grande desafio diário: a falta de patrocinador. Nem do governo municipal eles recebem ajuda financeira. E nem sempre os produtos têm comprador. Por isso, conta Luciana, o projeto vem passando dificuldades e todo mês as famílias precisam tirar dinheiro do próprio bolso pra manter o Eco Cidadão ativo.

Floreiras de pneus. Lindas!

Eu torço muito para que apareçam algumas empresas para abraçar a ideia e contribuir com a causa, tão importante para o meio ambiente e as famílias envolvidas. Se você mora em Balneário Camboriú ou alguma cidade vizinha, aproveite a oportunidade e faça parte do Eco Cidadão! Você dá destino correto para materiais reutilizáveis e ainda pode ganhar produtos ambientalmente responsáveis. 

Mais floreiras.

O que achou do projeto? Deixe seu recadinho abaixo. =)
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Minha primeira ida à feira de orgânicos

Por Letícia Maria Klein •
01 agosto 2014

Nesta semana fui pela primeira vez à feira para comprar orgânicos. Costumo comer frutas, verduras e outras comidas orgânicas na casa do meu namorado, mas na minha casa não tínhamos esse costume. Como uma vida sustentável pede uma alimentação mais sustentável e ecológica, já estava mais do que na hora de eu incorporar este hábito à minha rotina. A partir de agora, frutas, verduras, legumes, pão, ovos e laticínios só orgânicos, comprados na feira diretamente do produtor. Melhor para o meio ambiente, melhor para a saúde e melhor para o bolso. Opa! Este último só se comprar na feira. 



Alimentos orgânicos estão cada vez mais presentes na vida e mesa das pessoas que se preocupam com a saúde. Frutas e vegetais do agricultor familiar tidos como orgânicos são aqueles sem agrotóxicos e fertilizantes. Estes venenos são mega prejudiciais à natureza, contaminando o solo e a água. Quem ingere água contaminada fica doente e comer alimentos cheios de venenos não faz nenhum bem à saúde. Já está no nome, é tóxico. Além do mais, alimentos orgânicos são bem mais saborosos. Você já experimentou morango orgânico, por exemplo? Tem muita diferença pra aquele que a gente no supermercado. 

Como no mercado os alimentos orgânicos podem ter aumento de preço de até 400% (!!!), lembrando que todos eles vêm com selo pra marcar que é orgânico, o ideal é comprar em feiras, onde você tem contato com o produtor, que vende bem mais barato, e pode saber mais sobre o processo de produção dos alimentos você quer levar. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) criou um mapa de feiras orgânicas brasileiras. Dá pra pesquisar a feira mais perto de você e também incluir feiras que não estão lá. Outro lugar legal para encontrar feiras orgânicas é o site da AAO, Associação de Agricultura Orgânica. No post que eu fiz sobre o movimento Slow Food também tem links para locais que vendem alimentos ecologicamente amigáveis. 


Mapa de feiras do Idec

Os orgânicos da feira não se limitam a frutas e vegetais. Tem produtos sem glúten, sem lactose, caseiros, como pães, bolos e biscoitos, produtos mais naturais, não industrializados. Tem também os alimentos de origem animal, como ovos e laticínios. Qual a diferença destes para os que compramos nos supermercados? Os animais da fazendo do pequeno agricultor são criados de forma natural, com espaço e boa qualidade de vida. Já os produtos de origem animal que estão nos mercados... A maioria vem das grandes indústrias e a criação industrial de animais é muito cruel. 

Galinhas, porcos e vacas ficam trancafiados em gaiolas ou espaços minúsculos, sem lugar para se mexer, sofrendo abusos e maus-tratos até serem “descartados” como se fossem objetos quando deixam de ser “úteis” para a indústria. Arrrggg, isso me revolta!! Tem um monte de sites e vídeos na internet que mostram os métodos horríveis que os bichos sofrem nas indústrias alimentícias, têxteis, farmacêuticas e de cosméticos (não vi nenhum vídeo até hoje, não tenho coragem!). 

Quando consumimos produtos que machucaram animais para poderem ser produzidos, estamos sendo coniventes com essa crueldade. Mas podemos fazer diferente. Podemos boicotar as grandes indústrias e comprar do produtor familiar que respeita os seus animais. Eu tomei essa decisão. Fiz com o leite, agora com os ovos e vou procurar na feira produtores que vendam queijos orgânicos. Com o tempo, vou tornando minha alimentação mais sustentável. Se você consome carne, procure a que vem de fazendas certificadas com selos que comprovem o tratamento digno para com os animais. 


Criação industrial de galinhas

Em prol de todos os animais que sofrem nas mãos dos humanos e suas diversas indústrias, existem ONGs e associações lutando pra acabar com a crueldade. A Animals Australia e a HSI fazem um ótimo trabalho em muitos países. E você pode ajudar, participando das campanhas ou doando dinheiro. 

Ser sustentável é respeitar a natureza e sua biodiversidade, respeitar a nós mesmos e ao próximo. Com a alimentação sustentável não podia ser diferente. Comprando produtos orgânicos, a gente ajuda o pequeno agricultor, beneficia nossa saúde, preserva a natureza e respeita os animais. 

Sabe a história da borboleta que bate as asas aqui e causa um tornado lá no outro lado do mundo? Pois é, tudo está interligado, a natureza funciona em rede. Os hábitos que a gente tem hoje vão surtir efeitos lá na frente. Já geram efeitos no presente mesmo. Se eles serão bons ou ruins, vai depender do que cada um escolher. Vamos todos, cada um no seu ritmo e espaço, gerar bons frutos?

Campanha do Idec para alimentação orgânica
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Caminhada cercada pela Mata Atlântica na Nova Rússia

Por Letícia Maria Klein •
24 julho 2014

Sob uma temperatura de menos de 10ºC, às 8h da manhã de domingo, eu e minha dinda encaramos o percurso de 10 km na Nova Rússia, localidade ao sul de Blumenau que fica no entorno do Parque Nacional da Serra do Itajaí. Estávamos num grupo de dezenas de pessoas que se reuniu para a Caminhada das Nascentes, proposta e coordenada pela Secretaria de Turismo, com parceria da Fundação Municipal do Meio Ambiente. O dia estava maravilhoso! A neblina foi se dissipando e nos presenteou com um lindo céu azul. Uma manhã perfeita em meio a Mata Atlântica!

Eu e minha dinda Denise. Então, tava frio. 

Munidos de luvas, cachecóis, tocas e a camiseta do evento (feita a partir de garrafas pet!), os participantes largaram às 8h e pouco, depois de um alongamento coletivo. Importante, muito importante, vai por mim! Durante o percurso fomos acompanhados por policiais motorizados e por uma ambulância, que ia no fim da fila. Nos empurrando, como disse minha dinda, já que ficamos por último. 

Muita neblina de manhã, no começo da caminhada

Além da camiseta, a inscrição também nos deu direito a uma mochila ecológica. Saí de casa com ela, levando minha companheira de todas as horas, a garrafa de água, e a câmera digital. Pena que a mochila não era tão sustentável, pois no trajeto de volta ela arrebentou. A da minha dinda também. Bom, nada que uma costura não resolva.

Povo começando a caminhada. Olha a mochilinha aí.

Esta foi a primeira edição da Caminhada das Nascentes, chamada assim porque o trajeto termina no Parque das Nascentes, que faz parte do Parque Nacional da Serra do Itajaí. Era para ter sido no dia 8 de junho, pra fechar a Semana Municipal do Meio Ambiente, mas choveu naquele dia, então passaram para 20 de julho. O que foi ótimo, o dia estava fantástico! Friozinho e mega ensolarado. 


Cruzando a ponte

Foram 10 km de caminhada e ciclismo (os ciclistas largaram às 9h, mas foram poucos os aventureiros nesta modalidade), com três paradas para reabastecer nossas energias. Em cada posto havia frutas e copinhos d’água, com latas de lixo próprias para cada tipo de resíduo. Como fruta é alimento orgânico, deixamos as cascas na floresta mesmo. Menos lixo. 


Sol aparecendo

Na parada final, dentro do Parque das Nascentes, tinha um café colonial com pães, cucas e geleias caseiras feitas por um dos ranchos localizados no começo do trajeto. Tem muitos lugares pra visitar e muita natureza pra observar na Nova Rússia, que fica no bairro Progresso. Ranchos para encontros em família ou amigos, almoços e venda de alimentos caseiros, recantos de natureza silvestre onde dá pra tomar banho no rio. 


Uma das propriedades ao longo do caminho, que são algumas.
Adorei o efeito dos raios.

Tem também pousada e eco museu, que ficam em outra direção, tomando a bifurcação da direita que aparece no meio do caminho. A Faema planeja uma caminhada com este roteiro, das Minas da Prata, em novembro. Já tá na agenda!

Dava pra fazer o percurso de volta a pé. Nós até consideramos, mas pra não forçar a barra (nem a coluna), voltamos com um dos micro-ônibus disponibilizados para trazer os participantes de volta ao ponto de largada. Eles saíam em períodos regulares a partir das 10h30. Eu e dinda chegamos ao ponto final nesta hora. Foram dez mil metros em pouco mais de duas horas. Muito bom! Ficamos para o café, respondemos a uma pesquisa de satisfação sobre o evento e voltamos lá pelas 11h30. 


Na parada final, o Parque das Nascentes

Que passeio, gente! Acordar cedo te dá outra disposição. Aproveitamos bem a manhã num lugar lindo, cercado de Mata Atlântica, num dia maravilhoso, curtindo a natureza e o ar puro. Não deu pra ver muitos animais, nem as aves apareceram muito, mas deu pra sentir aquela paz e aquele bem-estar que me invadem quando estou nesse meio É tão revigorante, motivador, gratificante. Amo demais! Como é bom estar em contato com a natureza! Já estou ansiosa pelo próximo.
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