O homem que salvou Nova York da falta de água e outros 11 mestres da sustentabilidade, de Rafael Chiaravalloti [Resenha]

Por Letícia Maria Klein •
04 janeiro 2016
Mostrar que existem soluções para os problemas ambientais e nos inspirar a agir em nosso dia a dia é a proposta do livro “O homem que salvou Nova York da falta de água e outros 11 mestres da sustentabilidade”. Com uma escrita fluida e envolvente, o autor Rafael Morais Chiaravalloti descreve a trajetória de vida, os desafios e as conquistas de personalidades brasileiras e estrangeiras que fizeram ou fazem a diferença quando se trata de respeitar o ambiente e viver de maneira sustentável.

Cada capítulo é dividido em subtítulos, que organizam a narrativa e tornam a leitura mais dinâmica. Para explicar o impacto positivo que cada um destes atores sociais gerou, o autor precisou abordar contextos sociais, econômicos, políticos, culturais e ambientais, o que deixa a narrativa mais interessante e permite ao leitor ter uma visão sistêmica sobre os problemas e as soluções. Como eu gosto de saber de onde vêm as informações, senti falta da lista de referências ao fim do livro, importante para que o leitor possa ir atrás de outras fontes e aprofundar seus conhecimentos. 


Rafael, que é pesquisador do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e foi finalista do prêmio Rolex Awards para jovens visionários de 2015, escolheu uma dúzia de pessoas (super-heróis sem superpoderes, como ele diz) que pensaram fora da caixa, que ousaram sonhar e realizar seus sonhos, que lutaram pelo que consideravam certo, que agiram em prol da coletividade, que saíram da zona de conforto, abraçaram uma missão de vida e escolheram um caminho diferente para o mundo.

Com Albert Appleton, aprendemos que “a única forma de se chegar ao impossível é acreditar que ele é possível”. Com Chico Mendes aprendemos que o bem e o certo podem perder algumas batalhas, mas sempre vencem a guerra. Com John Elkington aprendemos que o processo para um mundo melhor passa pelo entendimento da visão sistêmica. Com Ray Anderson aprendemos que preservação do meio e a economia são fortes aliadas. Com Claudio e Suzana Padua aprendemos que dinheiro e status nenhum valem mais do que a realização pessoal, a crença numa causa e a preservação da espécie.

Estes são apenas alguns dos muitos ensinamentos que aprendemos com estes e os outros mestres da sustentabilidade, que incluem Marcio Ayres, Roberto Waack, Harri Lorenzi, Patricia Pinho, Walfrido Tomas, Teresa Corsão e Ricardo Voltolini. Eles não têm os superpoderes típicos dos heróis de quadrinhos, mas, assim como cada um de nós, tiveram o poder de mudar a própria vida e a realidade que os cercava. O que eles fizeram foi ter determinação e vontade para tentar até conseguir. Dizem que o que te incomoda é aquilo que te motiva. Estas pessoas, como tantas outras por todo o mundo, são uma inspiração para que nós paremos de desviar os olhos do que nos incomoda e tomemos as atitudes necessárias para melhorar o cenário.
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Por um ponto de equilíbrio

Por Letícia Maria Klein •
23 dezembro 2015
Dia e noite. Claridade e escuridão. Coragem e medo. Força e fraqueza. Dois lados da balança, dois extremos de uma situação. Opostos e complementares. Um não existe sem o outro, pois o sentido de um passa pela compreensão do significado do outro. São referências mútuas, que ajudam a explicar uma a outra. Uma não é melhor ou pior do que a outra, mas a tendência para apenas um dos lados costuma não acabar bem. A solução reside em respeitar ambos e aceitar ambos, escolhendo o meio termo. A solução é o equilíbrio. 

Equilíbrio na hora de fazer escolhas, na hora de falar, na hora de agir. Equilíbrio nos relacionamentos, na forma de viver a vida. Equilíbrio com a natureza e com o meio em que vivemos. O equilíbrio provém de conhecer a realidade, analisar os diversos aspectos de uma situação, pesar prós e contras, entender o contexto para então agir da maneira que considere tudo e não machuque nada. O melhor resultado é sempre o ganha-ganha, nenhuma parte perde, nenhuma parte sofre.

O equilíbrio está embasado no respeito. Respeito a nós mesmos, aos outros, ao ambiente. Nada se conquista e nada perdura sem respeito, pois ele é a base da vida em sociedade, das redes complexas do planeta vivo. O equilíbrio garante a sustentabilidade do sistema, a manutenção do meio e tudo que dele depende. O equilíbrio está em agir agora pensando no amanhã, em fazer escolhas tendo em mente as consequências, em tomar atitudes considerando a coletividade. 

O equilíbrio advém da consciência do eu, do autoconhecimento, da noção de indivíduo membro de uma sociedade, da compreensão do pertencimento ao meio, do reconhecimento da teia da vida. Equilíbrio é vida em abundância. Equilíbrio é paz.

A busca é constante, diária, pois equilíbrio não se ganha, se conquista. Utilizando-me das palavras proferidas em um discurso de formatura: “Insista, persista, nunca desista. Assim você conquista”. Que este Natal seja leve, iluminado e que abra as portas para um 2016 em que você conquiste o seu ponto de equilíbrio.


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A árvore do Sustenta Ações na Serra da Gandarela

Por Letícia Maria Klein •
20 dezembro 2015

Em julho deste ano, publiquei este post em prol da campanha “Plante uma Árvore”, organizada pelo Coletivo Cirandar e pela Floricultura Ikebana Flores para reflorestar a Serra da Gandarela, em Minas Gerais. Cada publicação sobre a campanha recebe uma árvore nativa plantada no Cerrado. No dia 14 de novembro, os 70 sites e blogs que divulgaram o projeto tiveram mudinhas plantadas em seus nomes e a do Sustenta Ações está lá! 

Como havia muitos voluntários para ajudar no plantio, ao total foram 230 mudas nativas plantadas. Esta foi a quinta etapa da campanha, que já plantou 537 árvores nativas na Serra do Gandarela de espécies como Candeia, Ipê Branco, Ipê Crioulo, Ipê Amarelo, Mogno, Jacarandá, Sucupira, Aroeira, Peroba, Jequitiba, entre outras. 



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O acordo de Paris e o que você tem a ver com isso

Por Letícia Maria Klein •
15 dezembro 2015
A COP 21 conseguiu o que se esperava das convenções do clima há muitos anos: um acordo internacional com força de lei, aprovado por 196 Estados (basicamente o mundo inteiro), fruto da união de todos contra as mudanças climáticas. O acordo é ambicioso no que se refere a limitar o aumento da temperatura a uma média bem abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-revolução industrial, fazendo “esforços para limitar o aumento de temperatura a 1,5°C”. A temperatura média do planeta já aumentou 1ºC (marca atingida neste ano), devido ao alcance de 400 partes por milhão de carbono na atmosfera, então dá para entender por que o acordo é visto como ambicioso. Entretanto, e aqui jaz um ponto crucial, o texto não faz nenhuma menção a metas (quantidades e prazos) de redução de gases de efeito estufa em longo prazo. 


Cientistas do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU, estimam que, para evitar um aumento médio de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, as emissões teriam de cair entre 70% e 90% em 2050 (em relação a 2005) e zerar a partir de 2075. As INDC (Contribuições Nacionais Pretendidas), que são as metas de redução de emissões de gases estufa apresentadas por cada país, não garantem a temperatura média da Terra abaixo de 2ºC. Pelo contrário. Somadas, as medidas revelam um aumento médio entre 2,7ºC e 3ºC em 2100, então temos um grande desafio pela frente. O acordo de Paris estabelece que os países se reúnam a cada cinco anos para rever (lê-se aumentar) suas metas nacionais. O primeiro balanço está previsto para 2018, mas os países só devem ampliar suas propostas em 2023. 

O acordo também prevê que o IPCC realize estudos, nos próximos três anos, para avaliar a quantidade de emissões que precisa ser cortada para impedir o aumento médio de 1,5ºC, pois o documento não determina as quantidades de emissões que devem ser cortadas nem quando as emissões devem parar de subir e começar a descer. O que os países precisam fazer é reduzir ou zerar suas emissões de gases de efeito estufa, que são responsáveis pelo aquecimento médio da Terra e suas consequentes mudanças climáticas. Isso é possível, por exemplo, por meio de investimento em energias renováveis, como solar, eólica e biocombusíveis e do desinvestimento em combustíveis fósseis, como petróleo e carvão.


Para inserir o mundo numa economia de baixo carbono, os países desenvolvidos se comprometeram a financiar US$ 100 bilhões nos países em desenvolvimento por meio de ações que visam ao corte de emissões de gases estufa e à adaptação aos efeitos das mudanças climáticas. As ações devem acontecer entre 2020 e 2025 e a partir desta data o valor do investimento será revisto, e reajustado para cima, a cada cinco anos. O que o acordo não diz, porém, é quanto cada país vai pagar e como será feito o financiamento.

Por fim, é importante ressaltar que o acordo é legalmente vinculante (tem força de lei), mas, como informa o jornalista André Trigueiro neste comentário, o texto não prevê multa, sansão, boicote ou retaliação contra os países que descumprirem o documento aprovado. Isso, aliado à ausência de metas para redução de emissões, significa que “nada se conquistou em relação à economia de baixo carbono e aos cálculos científicos”, como explica Trigueiro. Outro ponto relevante é que o acordo deve ser implementado em cada país por “ratificação, aceitação, aprovação ou acessão”. Esta matéria do G1 explica que, na prática, algumas partes do acordo, como o aumento médio menor que 2°C, precisam ser transformadas em leis e outras, como a implementação das metas nacionais de redução de emissões, podem começar a valer a partir de decretos presidenciais e outros instrumentos legais menos fortes.

Onde eu entro nesta história?

É lindo ver todos os presidentes aprovando o acordo de Paris, aplaudindo de pé e dando discursos motivacionais. É mesmo. Mas este documento é só o ponto de partida. Para conseguirmos evitar o aumento da temperatura média do planeta em 1,5º (desejável) ou 2ºC (máximo), é preciso que a ação parta de todas as esferas e segmentos da sociedade, do indivíduo cidadão aos grandes grupos econômicos formados por vários países. É necessário, urgente eu diria, que as pessoas repensem suas formas de consumo e modo de vida; que as empresas e as indústrias reavaliem suas formas de produção e manutenção; que o poder público crie políticas de incentivo a energias renováveis e a padrões sustentáveis de produção de alimentos, entre outros. 

Para cumprir as metas nacionais pretendidas, os governos em âmbito federal, estadual e municipal podem aumentar os subsídios e diminuir os impostos para energia renovável, diminuir até zerar o investimento em combustíveis fósseis, investir no transporte coletivo e sustentável por meio de melhoria e ampliação da infraestrutura, como corredores de ônibus e ciclovias, investir em gerenciamento de resíduos sólidos (pois a disposição final dos resíduos gera emissões de gases estufa), zerar o desmatamento e investir em reflorestamento.

Na esfera pessoal, cada um de nós também pode fazer a sua parte de várias maneiras:

- Usar o transporte coletivo ou bicicleta como principal meio de locomoção.
- Quando utilizar o carro, dar ou pegar carona sempre que possível, o que evita mais carros nas ruas.
- Comprar alimentos de produtores locais, que não precisam viajar longas distâncias e, portanto, liberam menos gases de efeito estufa para chegar até sua mesa. A regra vale, na verdade, para qualquer produto. Quanto mais local, melhor, afinal se gasta menos combustível e conserva-se mais o veículo, o que aumenta a vida útil de peças e partes, como os pneus, por exemplo.
- Consumir alimentos cultivados sem agrotóxicos. Além de contaminar o solo e os cursos de água, os fertilizantes geram gases de efeito estufa. Isto acontece porque os agrotóxicos são ricos em nitrogênio, mas grandes quantidades deste elemento não são absorvidas pelas plantas e retornam à atmosfera, onde reagem com vapor d’água e formam o óxido nitroso, um dos gases de efeito estufa.
- Reduzir (até parar, preferencialmente) o consumo de carne, visto que a pecuária é responsável por 14,5% dos GEE emitidos na atmosfera por atividades humanas, segundo a ONU. O dado está presente na publicação "Comendo o mundo", da Associação Vegetariana Brasileira, que aborda os impactos negativos no planeta provenientes da criação de animais para o abate.


- Instalar equipamentos que utilizam a radiação solar para aquecer a água ou gerar energia elétrica. O sol é uma fonte totalmente renovável de energia e o custo dos equipamentos se paga em pouco tempo, sendo uma média de dois a quatro anos para o sistema de aquecimento de água e de 10 anos para o microgerador com placas fotovoltaicas.
- Repensar seu estilo de vida e hábitos de consumo, buscando sempre seguir a ordem de prioridade referente à gestão dos resíduos sólidos, prevista no art. 9º da Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305/2010: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final, o que inclui a compostagem dos orgânicos.
- Plantar uma árvore. As árvores são parte fundamental do ciclo da água, regulam o ciclo das chuvas, reduzem a temperatura, filtram o ar, oferecem sombra, protegem do vento e da poluição sonora, evitam a erosão do solo e preservam a fauna. Uma árvore pode parecer pouco, mas se cada ser humano plantar uma, já serão mais de sete bilhões!
- Economizar energia e trocar as lâmpadas incandescentes e halógenas por fluorescentes e LED, que são mais eficientes e reduzem a tarifa de energia elétrica. 
- Cancelar correspondências físicas de lojas, bancos e qualquer outra instituição, o que diminui a quantidade de coisas transportadas e, por sua vez, reduz as emissões de GEE.

“Acreditar é essencial, mas atitude é o que faz a diferença”. A COP 21 é considerada um marco na história da humanidade, pois conseguiu convergir todos os países na luta contra as mudanças climáticas. A partir de agora, é preciso que cada parte implemente as ações necessárias e faça tudo que estiver ao seu alcance para garantir o mínimo impacto negativo à vida na Terra como existe hoje. Conhecemos a teoria, temos as ferramentas, vamos à ação!
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7 vídeos para entender as mudanças climáticas

Por Letícia Maria Klein •
05 dezembro 2015
Negacionistas de plantão, atenção: as mudanças climáticas não são uma questão de opinião, são fatos. O aumento acelerado e intenso de gases de efeito estufa na atmosfera, provocado por ações humanas em grande escala, gera consequências graves para o planeta Terra e sua biodiversidade. Em clima de COP 21, a 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, que está sendo realizada em Paris, nada melhor do que assistir a alguns vídeos e documentários que explicam as causas e os efeitos das alterações no clima e nos ajudam a entender a importância de diminuir a dependência que temos dos combustíveis fósseis.

Conferência de Paris sobre o Clima: Adaptando-se a um clima em transformação 

Neste vídeo, a ONU traz um panorama das causas e efeitos das mudanças climáticas e a necessidade de adaptação às novas realidades causadas por elas. Além deste, o canal da ONU Brasil no Youtube tem muitos vídeos sobre o tema.


Uma verdade inconveniente

Dirigido por Davis Guggenheim e apresentado pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, este documentário trata da relação entre as mudanças climáticas e as ações humanas, comprovada por pesquisas, estudos, gráficos e imagens de satélite, entre outros. O filme foi vencedor de cinco categorias do Oscar, incluindo melhor documentário. Al Gore também fez três palestras no TED Talks sobre as mudanças climáticas. Além dele, há dezenas de palestras de outras personalidades falando sobre o tema no site do Ted Talks.


Mudanças climáticas

Bem didático e voltado para crianças, este vídeo produzido pelo INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais explica desde o efeito estufa até as consequências das mudanças climáticas na Terra, incluindo informações sobre como cada um de nós pode contribuir para combater estas alterações no clima.


Mudanças do clima, mudanças de vidas

Este documentário da ONG Greenpeace Brasil mostra como as mudanças climáticas estão impactando os brasileiros em diversas regiões do país, além de trazer entrevistas com cientistas sobre as alterações no clima e o que deve ser feito, por nós, cidadãos, e por governos, para reduzir os impactos. 



Aula da USP sobre Mudanças Climáticas

Aula do professor Tércio Ambrizzi, disponível no Portal da Universidade de São Paulo, sobre as mudanças climáticas, passando por causas naturais e antropogênicas até as diversas consequências. Pode ser vista aqui.

Desmistificando a acidificação dos oceanos

Produzido pela California Academy of Sciences, este vídeo explica como acontece a acidificação dos oceanos, um dos efeitos das mudanças climáticas, e as consequências dela para a vida marinha e também terrestre. 





Derretimento de geleiras na Groenlândia

Um dos capítulos da série "Terra, que tempo é esse", produzida pelo programa Fantástico, da Rede Globo, explica outra das consequências das mudanças climáticas: o derretimento das geleiras.


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Práticas cruéis – Parte 2

Por Letícia Maria Klein •
24 novembro 2015

Independentemente do motivo, nenhuma atividade humana deve estar baseada no sofrimento e sacrifício de outras espécies. Vivemos em rede, em um sistema chamado planeta Terra, e como parte dele, é nosso dever agir de maneira ética e colaborativa, fortalecendo o meio que nos sustenta. Toda ação tem uma reação e cada ato nosso de cada dia, por menor que seja, tem uma consequência, seja para nós mesmos, para o próximo, para o ambiente, para a sociedade. Por isso, cada atitude conta e nós temos, sim, o poder de fazer a diferença. Como o tema é práticas cruéis com animais, vamos ver o que cada um de nós pode fazer, na nossa rotina, para combatê-las.

Como diz a campanha do Ministério Público de Santa Catarina contra a farra do boi, “farra do boi é maldade e maldade não é tradição”. O jingle é muito legal, ouça aqui. A campanha é realizada nos municípios das regiões de Itajaí e Grande Florianópolis e inclui ações nas escolas, como palestras e concurso de redação, e também ações repressivas. Quem souber de alguma farra do boi, pode denunciar para a Polícia Militar pelo telefone 190. 



Aliás, a Polícia Militar atende qualquer denúncia de crime ambiental, tendo batalhões da Polícia Militar Ambiental em todos os estados. Denúncias de crime ambiental (conheça todos os crimes na Lei 9.605/1998) também podem ser feitas para o IBAMA pela Linha Verde, telefone 0800-618080, pelo e-mail linhaverde.sede@ibama.gov.br ou no próprio site. Outros órgãos ambientais, como fundações estaduais, por exemplo, também recebem denúncias. O canal da FATMA – Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina para denúncias é este aqui. O Ministério Público, seja estadual ou federal, também pode ser contatado nestes casos. Quando a denúncia for grande, o Poder Legislativo pode ser acionado. A ouvidoria da Câmara dos Deputados recebe denúncias e encaminha aos órgãos competentes.  

Outra forma de ajudar é participar de campanhas (presenciais, como estas contra as touradas e o foie gras) e de abaixo-assinados on-line, que funcionam de verdade. Tem sites como Avaaz.org e Change.org, em que dá para criar a própria campanha e coletar assinaturas para reivindicar uma causa perante governo, indústria ou comércio. Também é possível participar de campanhas de organizações não governamentais, como HSI, WWF, Sea Shepherd, Conservation International e Greenpeace, que tem suas repartições brasileiras. Outras ONG brasileiras incluem SOS Mata Atlântica, Instituto Socioambiental, Instituto Akatu, Instituto Ecoar, Recicloteca, ECOA, Fundação Gaia, Fundação Biodiversitas, Amigos da Terra e Renctas – Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais. Silvestres. A campanha atual do Greenpeace Brasil, por exemplo, é “Carne ao molho madeira”, relacionada à origem da carne que as pessoas compram nos mercados e açougues. 


Falando nisso, que tem tudo a ver com a produção industrial de animais e suas práticas cruéis citada no post passado, uma das formas de boicotar as indústrias que têm métodos desumanos é consumir o produto de fazendas que priorizam o bem-estar animal, como já existem algumas no Brasil. Mas o melhor mesmo, de verdade verdadeira, é diminuir o consumo de carne progressivamente, até chegar a uma dieta sem este alimento. 

Esta publicação da Associação Vegetariana Brasileira fala tudo sobre os impactos ambientais da criação e consumo de animais, que incluem aumento dos gases de efeito estufa (que causam as mudanças climáticas), desmatamento e uso excessivo de água. A entrevista de Cynthia Schuck, uma das autoras do dossiê, ao Instituto Humanita Unisinos está muito interessante. Eu sou vegetariana há alguns anos e posso dizer com toda certeza que a carne não faz nenhuma falta; sinceramente, eu me sinto bem melhor seguindo esta dieta. Mas é importante diminuir o consumo aos poucos e fazer um acompanhamento com nutricionista para não prejudicar o organismo.


Publicação da AVB

Ainda falando de alimentos, o que também podemos fazer para boicotar e combater as práticas cruéis da indústria alimentícia é consumir alimentos orgânicos, como frutas e verduras. A agricultura sustentável preserva o solo e os corpos d’água e mantém os produtores locais, entre outras vantagens. O mesmo vale para produtos provenientes de animais criados eticamente, com liberdade e bem-estar. Saber que você está consumindo ovos ou leite e derivados de animais bem criados faz toda a diferença, para o ambiente e para nós mesmos. Ou você se sente confortável e de consciência limpa comendo produtos de animais que são confinados, apertados, estressados e machucados? 

A indústria do vestuário também se utiliza de animais para fazer produtos, como jaquetas, bolsas e sapatos de couro. Uma forma de contribuir neste aspecto é não comprar estes artigos. A demanda faz a oferta. Quanto mais as pessoas consomem, mais é produzido. Se eu deixo de comprar, já é um a menos a financiar este comércio. Imagine milhões de pessoas!? Claro que esta ação deve andar junta com a da alimentação vegetariana, coerentemente.

O capitalismo, movido pela ganância e orgulho de quem acha que pode mais porque tem mais dinheiro, inseriu a sociedade numa cadeia de massificação, industrialização e desumanização, onde o lucro vem primeiro, em detrimento da ética e da consciência. Nós temos poder de escolha e livre-arbítrio. As decisões que tomamos fazem toda a diferença, contribuindo para o bem ou para o mal. Quais as suas?
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