Desenhos de Pawel Kuczynski que refletem realidades

Por Letícia Maria Klein •
10 outubro 2013
É incrível como uma imagem tem o poder de dizer coisas que um texto, por maior e melhor que seja, talvez não consiga. Por meio de pintura, desenho ou fotografia é possível contar diversas coisas de uma só vez ou uma coisa de diversas formas. Ela pode nos fazer chorar, rir, sorrir, falar, calar, refletir. As ilustrações de Pawel Kuczynski conseguem fazer isso. Com temas como sociedade, economia, política e ambiente, o artista polonês não te deixa indiferente. Os desenhos dele podem te provocar, inquietar, abalar, preocupar, comover. O maior propósito, eu diria, é querer fazer você mudar. 

Ao mostrar comportamentos humanos e as consequências deles à sociedade e ao planeta Terra, Pawel alerta para os problemas que enfrentamos e os males que causamos à natureza e a nós mesmos, propondo reflexões sobre o que podemos fazer para mudar os cenários tão negativos que estão a nossa volta. O site espanhol EcoSiglos publicou 40 ilustrações dele e eu escolhi algumas que mais chamaram minha atenção. Abaixo de cada uma fiz um comentário sobre a mensagem que elas me passaram. 


Consumismo é a primeira palavra que me vêm à mente quando olho para essa imagem. O consumo desenfreado e desmedido, que gera toneladas de desperdício e lixo ao nosso planeta. Como não vemos para onde vai o lixo que produzimos, é fácil não pensar ele e no grande problema que ele gera. As montanhas de lixo, que infelizmente tem muito material que poderia ter sido reciclado ou reutilizado, são bem perturbadoras. Conto mais sobre isso neste relato que fiz sobre o roteiro dos resíduos em Blumenau.


Degelo, e com ele, o fim de algumas espécies que vivem nos polos da Terra, entre elas pinguins e ursos polares. É o que o aquecimento global provoca e ele está sendo intensificado em ritmo alucinante pela humanidade. Falando nisso, o IPCC lançou em setembro o quinto relatório sobre as mudanças do clima. As consequências são várias e para todos, inclusive os humanos. Situação crítica mesmo está para os animais que dependem do gelo e os que vivem no mar, que está esquentando. 


Depois que enegreceu, não adianta querer reverter a situação. Tapar o sol com a peneira não resolve nada, pelo contrário. É muito mais simples e barato prevenir do que remediar, evitar o problema a ter que inventar soluções pra ele depois. Reduzir as emissões de gases do efeito estufa é uma necessidade pra ontem. Estamos poluindo nossa casa. A gente pode até não sentir muito os efeitos do aquecimento global agora, mas as próximas gerações vão sentir, e muito. 


Essa é mais social, mas quis colocar aqui porque achei impactante e porque, afinal, tudo está interligado. Não dá pra falar de ambiental sem falar de social, nem de política sem economia, e assim vai. Acho que o mais expressivo aqui é a questão de guerras e desavenças. Plantamos discórdia no lugar da paz. Ao invés de cultivar alegrias, cultivamos ódio e um monte de sentimentos ruins, e depois que a guerra começou, fica bem mais difícil fazer a paz. Também vejo a questão da fome. Investimentos para acabar com a fome no mundo dão lugar a investimentos no setor bélico. 


O que é brincadeira para algumas crianças, é questão de sobrevivência para outras. Aqui a fome, considerado pela ONU o maior problema solucionável da atualidade, é o tema principal e foi retratado com muita propriedade, o que causa bastante tristeza. Enquanto poucos têm muito, muitos têm pouco e a distância entre ricos e pobres parece só aumentar. 


A Terra virou uma panela de pressão. Está bastante relacionado ao aquecimento global, mas acho que também reflete a pressão existente em todos os setores da sociedade. Pressão para acabar com a desigualdade, a fome, a insegurança, a corrupção, a violência. Reparou que a tampa está pregada à panela? Existe um limite e ele está cada vez mais próximo. Mais cedo ou mais tarde, a panela vai explodir. Só que não estamos falando de uma simples panela. 


Estamos drenando os bens naturais, nos apropriando do que a Terra oferece a todos os seres vivos sem dar tempo dela repor. Os animais também sofrem, servindo muitas vezes a propósitos egoístas e mesquinhos de pessoas e corporações. 


Uma das que mais mexeu comigo. O tempo da Terra e de seus habitantes está contando. O que nós estamos fazendo com o nosso tempo? Que atitudes estamos tendo para tornar nosso planeta um lugar melhor, mais bonito e sustentável? Estamos fazendo nosso melhor? É preciso agir enquanto há tempo. E, como cantava Cazuza, o tempo não para. 

Agora é a sua vez. O que achou das ilustrações? O que elas te dizem? Não deixe de comentar. Estou curiosa pra saber sua opinião! 
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Fábrica de filhotes: a origem de animais vendidos em pet shops

Por Letícia Maria Klein •
03 outubro 2013

Um dia dessa semana eu passei na frente de um pet shop e vi que estavam à venda um coelho rosa e outro azul. Porque, assim, é muito comum encontrar coelhos coloridos pra comprar. Imagina que legal, você pode fazer coleção de coelhinhos de várias cores. Tua casa nem vai precisar de árvore iluminada no Natal, com os coelhos coloridos ela já vai parecer uma! Só que não. Não, não mesmo! Animais não vieram ao mundo para que a gente faça experimentos com eles. São seres vivos e não brinquedos com os quais se joga a bel prazer. Duvido que qualquer pessoa gostaria de ser pintada contra a vontade da cabeça aos pés de azul ou rosa. Onde já se viu uma coisa dessas? Juro que fiquei (e ainda estou) indignada. Bem, acho que já deu pra perceber, né. Mas o que eu quero mesmo falar neste post é sobre outra prática de pet shops: venda de animais. 

Não interessa qual o bicho: gato, cachorro, hamster, chinchila, coelho. Aves então, nem me fale. Além de não serem de estimação, aves têm asas, que servem pra voar. Como eu li uma vez, ave na gaiola não canta, lamenta. O pet shop que eu citei vende aves. Mas sabe o que é pior? A loja é licenciada pelo Ibama, o que me revolta mais ainda (o órgão não deveria ser a favor do meio ambiente?? Por que é tão difícil pensar no bem-estar do animal e não tratá-lo como um meio para agradar os humanos??). Particularmente, eu não gosto que pet shops vendam animais e motivos não faltam. Primeiro, eu considero injusto e errado obter lucro em cima de vidas inocentes. Quem gosta de verdade de animais, quer que eles fiquem bem e vivam bem. Quem gosta deles não os usa pra ganhar dinheiro. 



E infelizmente esse é o caso de muitos pet shops que compram bichinhos de fábricas de filhotes (puppy mill, em inglês). Também estão nessa conta aquelas pessoas leigas que criam animais em casa pra depois vender por meio de anúncios e classificados online. Sabe por que isso é trágico? Os animais criados em fábricas ou por pessoas leigas que só querem lucro são maltratados, confinados em gaiolas, não têm interação com humanos, não tem liberdade e ainda são cruzados constantemente com outras espécies, o que acaba com a saúde do animal e ainda gera um monte de doenças. 

Antes de continuar, porém, quero deixar bem claro que não estou generalizando. Existem sim canis sérios, que criam raças respeitando os animais e sua natureza, assim como tem pet shops que só compram animais de canis e criadores especializados e de renome. Ao que eu refiro aqui são as fábricas de filhotes e os criadores ilegais, que não estão nem aí pra saúde ou bem-estar do animal, só querem saber de ganhar dinheiro. É sobre eles que eu vou falar mais um pouco e também citar outros motivos que possam te convencer de que adotar um animal é bem melhor do comprar um. Pra me colocar na história, eu mesma tenho uma gatinha, que por sinal veio de um pet shop. Eu ainda não tinha essa consciência quando a comprei, anos atrás. Mas depois que eu soube da existência das fábricas de cães e outras histórias, minha visão mudou totalmente. 


Resgate de Beagles de uma fábrica de filhotes na Itália (link da matéria está lá embaixo)

A primeira vez que eu ouvi falar foi num programa do Animal Planet, o Encantador de Cães. Mas vira e mexe tem matérias na mídia falando sobre o assunto (no fim do post tem alguns links). O episódio do programa de TV, que pode ser visto mais abaixo (por sorte alguém gravou a televisão e disponibilizou os vídeos na internet), mostrou as condições miseráveis em que os pobres cachorrinhos viviam. As cadelas, por exemplo, engravidavam a cada cio e ficavam trancadas o dia inteiro em gaiolas. Isso desregula todo o aprendizado do animal, que, estando preso em uma gaiola, não aprende a defecar ou urinar longe da comida, o que gera um grande problema quando alguém tenta educá-lo depois. Além disso, os donos não têm a menor piedade em matar os que não são comprados. O programa informa que dois milhões de cachorros são assassinados no mundo inteiro todos os anos por falta de comprador. O.O Quando eu ouvi, fiquei pasma e no fim do programa eu já estava chorando. E estamos falando apenas de cachorros. Imagina quantos milhões de gatos, coelhos e tantos outros também são sacrificados? Isso acontece porque tem gente que só se preocupa com dinheiro e fica cega pra todo o resto. 

Eu juro que não entendo como tem pessoas que não têm o mínimo respeito e amor pelos animais. É muito triste dizer isso, mas se nós vemos pessoas machucando pessoas, o que se dirá sobre pessoas machucando animais? Pra terminar os parênteses, duas frases que expressam bem essa situação: “A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo como seus animais são tratados” (Mahatma Gandhi) e “A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem” (Arthur Schopenhauer). Bem verdade. 



Voltando do desabafo, deixa eu te dar mais algumas razões sobre por que adotar ao invés de comprar é um bem que se faz. Animais que não são bem criados desenvolvem uma série de doenças, como problemas neurológicos, nos olhos, paralisia do quadril (chamada displasia), problemas no sangue e parvovirose, uma doença com alta taxa de mortalidade e que atinge também humanos. Eu sofro quando vejo um animal sofrendo, então só de pensar que fábricas de cães e muitos canis são coniventes com isso me dá um embrulho no estômago. Outro problema que existe na criação irregular e na presença dos animais em pet shops é referente ao comportamento, pois as pessoas envolvidas não entendem de adestramento, o que pode dificultar na hora do novo dono tentar reeducar hábitos que o animal adquiriu de forma errada. 

A separação precoce da mãe é outro problema que envolve animais vendidos em pet shops e criados irregularmente. É preciso que o filhote fique um tempo mínimo com a mãe para que aprenda um pouco sobre a natureza de sua raça. No caso dos cães é 90 dias e no dos gatos é um pouco menos, oito semanas. Outra coisa: sabia que você pode devolver o filhote comprado em pet shop se ele “apresentar” problema? Como se ele fosse um produto qualquer que você pegou na prateleira (arrrrrg, coisa revoltante!!). E sabe o que eles fazem com o animal devolvido? Só uma chance pra adivinhar, porque acho que você já adivinhou. Isto mesmo, eles matam, geralmente. E os tais problemas podem ter vindo justamente da forma como os animais foram criados para a venda.

Uma vez alguém me contou que ouviu um dono de pet shop reclamando que a cirurgia ou tratamento que foi preciso fazer no bichinho saiu mais caro do que o quanto ele ganharia com a venda. Sabe o que ele falou depois? Que se soubesse antes, teria mandado matar! Cruz credo!! Mas é claro que os pet shops tratam de encobrir as mortes, assim como também escondem o fato de que você pode estar comprando um filhote que acha que é puro de tal raça, quando na verdade não é. Então você paga caro e quando o filhote cresce, percebe ele tem comportamento típico de outra raça. Leia mais sobre isso neste artigo, que foi de grande valia. 


Resgate em fábrica de filhotes nos EUA (link da matéria está depois dos vídeos)

Qual a alternativa então pra ter um bichinho de estimação sem comprá-lo de pet shop? A melhor de todas, na minha opinião: adoção. Você acolhe um animal que foi abandonado, muitas vezes, dando amor e carinho e contribui para acabar com o comércio ilegal de animais. Como diz num dos vídeos: quando você compra um animal em pet shop, você não está resgatando um, mas sim abrindo espaço para que outro bichinho sofra em seu lugar. Neste link você vai ver ONGs e entidades amigas que doam animais. Ou você pode adotar de ONGs e entidades da sua cidade (e é mais ecológico inclusive). Mas se você faz questão de ter um animal de raça pura, se certifique de que ele vem de um canil legalizado ou de criadores legalizados e renomados. Ainda assim, é bom cuidar, pois existem canis sérios que criam muitas raças diferentes, o que faz com que os animais tendam a não ser muito saudáveis. Passe longe também de pessoas anônimas ou leigas que vendem animais pela internet e dos criadores que vendem indivíduos micro, mini, anão e assim por diante. Isso é bem preocupante, saiba por que aqui. 

Abaixo estão os vídeos do episódio do programa Encantador de Cães, do Animal Planet. Depois deles tem um documentário que fala sobre as fábricas de filhotes e a venda de animais em pet shops. Tem cenas fortes pelo que eu vi por cima, então confesso que ainda não criei coragem pra assistir. E você, já sabia da existência das fábricas de cães? Me conte o que achou do post e dos vídeos!









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Rio, de Carlos Saldanha [Resenha]

Por Letícia Maria Klein •
26 setembro 2013

Blue e Linda vivem tranquilamente no estado de Minnesota, Estados Unidos. Companheiros a vida toda, só tem um ao outro. Mas eles não são uma dupla típica: Blue é uma ararinha-azul, que cruzou o caminho de Linda quando ela ainda era criança. Quando o ornitólogo Túlio viaja até os EUA para encontrar a ave, os dois amigos descobrem que Blue é o último macho da espécie e deve voltar ao Brasil para conhecer Jade, a última ararinha-azul fêmea que vive em cativeiro. E, como se espera dos dois, formar um casal e voltar a viver livremente na natureza. Mas até isso acontecer, muitas aventuras e perigos vão se colocar no caminho das duas aves. Só tem um detalhe: Blue não saber voar. 




Dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha, o mesmo que dirigiu a série A Era do Gelo, o filme de animação Rio põe em pauta um grave problema, responsável pela morte de milhares de indivíduos e que pode levar à extinção de espécies na natureza: o tráfico ilegal de animais silvestres. Segundo esta reportagem do portal G1, o tráfico de animais está entre as atividades ilícitas mais praticadas, atrás do tráfico de armas, drogas e humanos. No Brasil, de cada 10 animais traficados, seis são comercializados no país e o restante é exportado. De cada 10 animais, oito são aves e de cada 10 aves traficadas, apenas uma sobrevive. As outras nove morrem de maneira cruel. Isso me dá uma tremenda dor no coração. 



Mesmo que de forma superficial, o filme mostra os animais sendo capturados, presos e traficados. É devido ao tráfico que Blue vai parar nos Estados Unidos. É por causa dele também, que Blue precisa voltar para o Brasil para ficar com Jade, pois a espécie é vítima do tráfico e hoje, no mundo real mesmo, é considerada criticamente em risco de extinção. A boa notícia é que existem projetos de reintrodução da espécie na natureza, como estes da Ararinha na Natureza e Arara-azul.




Eu gostei muito do filme. Os personagens são bem construídos, carismáticos e rendem cenas bem engraçadas, principalmente o Blue. Também tem os vilões, claro, e um deles é uma espécie de ave. Essa parte eu não gostei. Assim como falei na resenha do filme O Reino Escondido, a ideia de que existem espécies de animais malvadas é irreal (não contando, obviamente, certa quantidade de indivíduos humanos, que podem ser bem cruéis). O que também não me agradou no filme, desta vez falando de forma geral, são os estereótipos que sempre aparecem quando o assunto é Brasil: samba, futebol, praia, carnaval. Sendo o diretor um brasileiro, eu esperava que ele retratasse o país de maneira menos clichê. 


Mas no todo, o filme é ótimo, principalmente por falar do tráfico de animais silvestres. E a continuação já está em andamento, com previsão de estreia para março de 2014. E você, já viu o filme? Se viu, gostou? Fique à vontade para deixar um comentário com sua opinião sobre a animação. 

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Muitas pessoas com uma paixão por observar aves

Por Letícia Maria Klein •
19 setembro 2013
Como é bom conhecer pessoas! Quando se tem afinidades com elas ou gostos em comum, melhor ainda. Assunto não falta e a troca de experiências é riquíssima. Foi nesse clima alto astral que eu passei o fim de semana, em meio a pessoas com muita história pra contar, muito conhecimento pra compartilhar e uma grande paixão em comum: as aves. Foi minha primeira vez como observadora de aves desde que eu conheci esta atividade fantástica no começo de 2011 e que virou tema do meu projeto experimental em jornalismo. Enquanto a maioria dos participantes chamava os bichinhos pelo nome científico, eu mal sabia o nome popular. Mas tudo bem, é assim que se começa. Afinal, como diz o ditado, é de grão em grão que a galinha enche o papo. 

Foto: Maicon Mohr

E de ave em ave, minha (futura) listinha no Wikiaves vai aumentando (eu ainda não criei uma, mas abafa o caso...). A lista do pessoal que estava presente no evento já é bem extensa, todos apaixonados por observar e/ou fotografar as mais diversas espécies. Foi por causa das aves e da paixão por elas que o grupo de observadores se reuniu nos dias 14 e 15 de setembro na cidade de Timbó, vizinha a Blumenau (SC). A primeira edição do Avistar Vale Europeu Catarinense, um desmembramento regional do Avistar Brasil, foi organizada e realizada pelo Coave – Centro de Observação de Aves do Vale Europeu em parceria com o Avistar Brasil. 

O encontro teve 10 palestras com temas variados e dois workshops, um sobre fotografia de aves e outro para iniciantes sobre observação de aves. Foi este que eu fiz. No sábado de manhã foi a parte teórica e no domingo de manhã a parte prática (eba!). Foi incrível! Em 2011, para o projeto da faculdade, eu apenas documentei e não cheguei a observar as aves de fato. Então imagina a minha euforia cada vez que eu conseguia focalizar uma com o binóculo e enxergar direitinho as cores, o bico e outras características que ajudam a identificar a espécie. Super show, adorei! 

O savacu ficou um tempão nas pedras

Tirei algumas fotos de aves, mas como minha câmera é daquelas digitais básicas, você fica meia hora pra achar o passarinho na fotografia. Uma das que ficaram melhores é esta aqui em cima do Nycticorax nycticorax, conhecido popularmente como savacu. Bonitinho ele, né! Ele estava bem pertinho do local onde foram realizadas as palestras. Para a segunda parte dos workshops, para observar e fotografar as aves em natureza, nós fomos ao Jardim Botânico da cidade. Um lugar muito bacana e com várias aves. Algumas até ficavam perto da gente, no chão, caminhando ou pulando de um lado para o outro. 

Quem deu o workshop de observação foi o biólogo Eduardo Alexandrino. Sabe o Túlio, do filme de animação Rio? Então, Eduardo serviu de inspiração para o personagem! Haha, brincadeirinha, mas que os dois são bem parecidos, são. Os amigos até chamam Eduardo de Túlio, às vezes. Como estavam presentes observadores com bastante experiência, a parte teórica do workshop foi muita rica em conhecimento. Os encontros para observação de aves, conhecidos como Avistar, começaram oficialmente no Brasil na primeira década do século XXI. Mas, como eu soube durante o workshop, na década de 1980 já se realizava o ENOA – Encontro Nacional de Observadores de Aves. O problema é que não há registro disso, então sempre há muito que pesquisar e descobrir no campo da observação de aves no Brasil. 

Eduardo "Túlio" Alexandrino contando o histórico da 
observação de aves e ensinando técnicas para observá-las

As palestras também foram ótimas. No primeiro dia, Guto Carvalho, um dos organizadores do Avistar Brasil, falou sobre o porquê de observarmos as aves. Na verdade, são mais elas que observam a gente do que o contrário. Você sabia que elas enxergam bem melhor do que os humanos? Algumas conseguem identificar um alvo de dois milímetros a 18 metros de distância! Elas também enxergam mais cores, pois veem o infravermelho e o ultravioleta. Outra curiosidade é que elas vêm o mundo em outra velocidade. Enquanto nós enxergamos 30 quadros por segundos. (a maioria dos filmes é rodada em 24 qps), algumas aves enxergam 120 quadros por segundo. É como se elas vissem o mundo em câmera lenta. Por isso elas são tão boas predadoras. 

Excelente palestra a do Guto, falou com paixão sobre as aves

A palestra seguinte, do ornitólogo e guia de observação de aves Adrian Eisen Rupp, foi sobre os roteiros turísticos para observação de aves na natureza aqui no Vale Europeu, no estado. Ele viaja por vários lugares do Brasil e outros países da América Latina guiando pessoas que gostam de observar aves. Profissão legal, né! E de muito estudo também, com certeza. 

Adrian mostrou destinos turísticos no Vale

A terceira exposição do sábado foi feita por Ana Maria Machado, gestora da RPPN – Reserva Volta Velha, que fica na cidade de Itapoá, litoral norte de Santa Catarina. Foi a família dela que criou a RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) em 1992 e desde então, o local serve de base para pesquisa científica, projetos de conservação, educação ambiental e ecoturismo, incluindo observação de aves. Ela falou sobre como é morar na reserva e receber os turistas que vão lá para observar as aves da região (o Adrian, inclusive, é um dos guias de birdwatching).

Fiquei com muita vontade de visitar a Reserva Volta Velha, da Ana Maria

Depois, quem falou foi Ari Fernando Raddatz, da Eco Pousada Rio dos Touros, em Urupema (SC). Ele contou sobre o papagaio-charão (Amazona pretrei), que em bandos, entre março e julho, migram do Rio Grande do Sul e chegam à cidade para se alimentar das sementes de pinhão. Tem até um festival dedicado à espécie, que foi criado em 2012. E o prefeito super apóia e incentiva o festival.

Ari, com a esposa e o filho Gui, de cinco anos. 
O menino é uma graça, já conhece várias espécies.

A última palestra do sábado foi dada por Luis Augusto Ebert. Ele falou sobre as aves marinhas e a diversidade de espécies que existe no litoral catarinense. É um nicho de observação de aves para ser explorado, afinal, não é só nas florestas que elas estão, podemos também observá-las no litoral. 

Luis mostrou várias espécies de aves marinhas

No domingo, quem falou primeiro foi Tietta Pivatto, bióloga e sócia da empresa Photo in Natura. Ela participa ativamente da realização e organização de encontros para observação de aves e também tem um blog onde relata suas experiências com observadora, o Bonito Birdwatching (tem um post lá sobre o encontro em Timbó). Na palestra, ela falou sobre o turismo de observação de aves, as oportunidades que existem e os desafios que devem ser superados, por parte do setor turístico e hoteleiro, para que os observadores tenham uma boa experiência durante sua viagem. 

Tietta sugeriu várias melhorias para o setor turístico de observação de aves

Em seguida, o professor Carlos Eduardo Zimmermann, da Fundação Universidade Regional de Blumenau, falou sobre os impactos que a fragmentação de habitats causa à avifauna. Em gráficos, ele apontou a relação entre o tamanho da área fragmentada e o número de espécies e aves e também mostrou fotos de algumas em áreas verdes fragmentadas em Blumenau. 

Carlos mostrou a pesquisa que desenvolve na faculdade

Depois, a vez de falar foi da gestora do Parque Nacional da Serra do Itajaí, Viviane Daufemback. Eu já assisti a uma palestra dela sobre o PNSI na Semana do Meio Ambiente. Esta foi mais focada nas aves que existem no parque e as atividades ligadas a elas. Infelizmente, ainda existe muita caça e tráfico de aves. O número de pesquisas sobre as aves também é pouco. Ela disse que de seis projetos inscritos, apenas um foi realizado e o relatório ainda está sendo escrito pelo autor. 

Viviane falou sobre as aves no Parque Nacional da Serra do Itajaí

A penúltima palestra foi sobre a Reserva Rio das Furnas, mantida pelo casal Renato Rizzaro e Gabriela Giovanka. A reserva fica num canyon no Alto da Boa Vista, em Alfredo Wagner (SC). Eles falaram sobre a atividade de educação ambiental que fazem com crianças, chamada Roda de Passarinho. Na roda, eles vão mostrando fotos de aves, objetos relacionados e vão fazendo música, mostrando alguns cantos de passarinhos. Eles viajam por todo o Brasil e, em forma de brincadeira, vão ensinando às crianças a importância de preservar a natureza e não ter passarinhos presos em gaiolas. A reserva também tem blog.

Renato falou sobre a reserva e mostrou como se faz uma Roda de Passarinho

Quem fez o fechamento foi Maicon Mohr, membro do Coave. Ele falou sobre como funciona o processo de eleição de ave símbolo nas cidades que contam com a participação da população. Aqui no estado são nove as cidades que elegeram sua ave símbolo com os votos dos cidadãos. A ave símbolo do Brasil é o sabiá-laranjeira, mas alguns ornitólogos defendem que deveria ser a ararajuba, até porque ela tem cores da bandeira do país e infelizmente está ameaçada de extinção. 

A primeira cidade brasileira a eleger uma ave símbolo com 
a participação da população foi Indaial (SC), contou Maicon

Um dos méritos da atividade de observação de aves é a consciência ambiental que ela desperta nas pessoas, tanto em crianças quanto adultos. Além da observação em si, palestras ou outras ações de educação ambiental, como fazem o Coave e Renato e Gabriela, por exemplo, ensinam às crianças, o principal público, a importância de preservar o meio ambiente e de deixar as aves livres na natureza. Afinal, elas têm asas e asas servem para voar (com exceção de algumas espécies, como galinhas e pinguins). Parece óbvio, mas muita gente se esquece disso e tranca as amadinhas em gaiolas. Imagine você ter que viver sua vida inteira trancado dentro do quarto, sem poder sair. Que desespero! 

Se você gosta de aves, quebre gaiolas e plante árvores, como diz a campanha da União Libertária Animal. Assim como um jardim bem cuidado atrai borboletas, árvores atraem aves. Se você gosta de ouvi-las cantar, plante uma árvore. Mesmo que você more em apartamento, sempre tem uma árvore por perto onde há algum passarinho. Basta ter o costume de olhar para elas e ficar de ouvidos atentos. Cada vez que eu saio de casa olho para as árvores e sempre vejo vários birds, além de escutar muitos cantos. A natureza está ao nosso redor e nós somos parte dela, não donos dela. Quem ama, cuida e quer ver o outro bem. Quem ama aves sabe que elas ficam bem estando livres. Agora, se você tem um passarinho na gaiola, deixe-o lá, porque ele não sabe caçar na natureza e provavelmente vai morrer se for solto. O importante é ter consciência da barbaridade que é deixar um ser voador preso e espalhar essa convicção. Se de cada 100 pessoas, apenas uma mudar de ideia, já será uma vitória e um pássaro a menos na gaiola.


O Avistar Vale Europeu superou minhas expectativas. Conheci pessoas super bacanas, que conhecem muito sobre aves, desenvolvem projetos incríveis, contribuem para a preservação da natureza e prezam pelo bem-estar das aves (e deixo aqui registrado meu agradecimento pelas caronas de ida e volta). Acredito que um dos motivos pelos quais gostamos tanto das aves é porque apreciamos a liberdade que elas têm. Na verdade, queríamos ser iguais a elas e poder voar livres, leves e soltos por aí. De certa forma, apenas observá-las na natureza já nos dá essa sensação gostosa de liberdade. Estar em meio a natureza, observando aves, é delicioso, reconfortante, incrível. Sobram adjetivos pra descrever a sensação. Posso dizer com certeza que essa foi a primeira experiência como observadora de muitas que ainda virão. E poder rever amigos e pessoas queridas nos encontros de birdwatching torna tudo ainda melhor. 
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Tá frio, tá morno... agora tá quente, muito quente!

Por Letícia Maria Klein •
12 setembro 2013


É assim que o planeta Terra está ficando: muito quente! O aquecimento global existe sim e tem o poder de mudar o mundo como o conhecemos hoje. Mudar para pior. O fenômeno, na verdade, é natural: os gases do efeito estufa presentes na atmosfera impedem que uma parte da radiação infravermelha refletida pela superfície terrestre escape para o espaço, o que mantém o planeta aquecido. Por isso se chama efeito estufa, é como uma estufa de plantas. Se não fossem por eles, gelo e neve dominariam a Terra. O grande problema é que o aquecimento global deixou de ser um processo natural a partir da Revolução Industrial, que começou na Inglaterra por volta de 1750. Desde então, a humanidade vem jogando toneladas e mais toneladas de gases na atmosfera, o que faz com que o efeito estufa fique mais intenso, o que por sua vez faz com que a Terra esquente mais, numa velocidade alarmante. Essas mudanças climáticas intensificadas, se não causadas, pelas ações humanas já afetam a vida de milhares de pessoas, plantas e animais em todo o mundo e estão alterando a configuração terrestre. Existe solução? Sim, basta vontade política e muita ação da parte de todos os setores da sociedade. Na verdade, de todos mesmo, inclusive você e eu. 



Para entender certinho o que é o aquecimento global e quais as consequências dele para a vida no planeta, vamos a um pouco de história e geografia. São seis os gases considerados causadores do efeito estufa, como mostra o Instituto Carbono Brasil*: dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), clorofluorcarbonetos (CFCs), hidrofluorcarbonetos (HFCs), e hexafluoreto de enxofre (SF6). Existem outros na atmosfera, mas esses é que deixam a Terra aquecida. O CO2, também conhecido como gás carbônico, de acordo com o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, é o maior responsável pelo aquecimento global, pois é o mais emitido pelas atividades humanas (cerca de 77%). Antes da era industrial, a concentração CO2 na atmosfera era de 285 partes por milhão (ppm). O que era natural. Hoje, neste ano de 2013, o índice passou a marca dos 400 ppm, o que é extremamente perigoso para nosso planeta. 

Como conta o Blog do Clima, as previsões do IPCC dizem que, para termos 50% de chance de que o aumento da temperatura média da Terra não ultrapasse os 2ºC até 2050 - o que foi estabelecido na COP15 (Conferência da ONU sobre mudanças climáticas) e que é tido pelos cientistas como seguro - a concentração de gás carbônico na atmosfera deve ficar abaixo de 450 ppm. Agora veja bem porque o cenário é problemático e dramático: a concentração de dióxido de carbono cresce atualmente 3 ppm por ano. Neste ritmo, a marca de 450 ppm será atingida daqui a menos de duas décadas, antes de 2030! SOCORRO!!! 


Mas afinal, o que o aquecimento geral do planeta causa aos seus habitantes? Desde que a temperatura começou a ser medida no planeta, em 1850, o termômetro global registrou um aumento na temperatura média de 0,79ºC, estando hoje com cerca de 14,5ºC, como mostra o gráfico acima, da Organização Meteorológica Mundial (WMO). Temperatura média, lembrando bem. O aumento parece pouco, mas já causou muitos danos. E com certeza você já presenciou pelo menos um efeito. Não esteve calor demais no último verão ou deu uma onda atípica de frio intenso no inverno? Secas, enchentes, inundações, ciclones, tempestades, ondas de calor estão mais frequentes. Pode reparar no noticiário. 

Outro efeito: com a temperatura mais quente, o gelo dos polos começa a derreter, o que põe em risco a vida dos animais que dependem dele e também as cidades costeiras, que verão a água do mar subir e invadir ruas e casas. Na primeira década deste século, o nível médio do mar aumentou 3 milímetros por ano, o que dá quase quatro centímetros em 13 anos. Parece nada, mas quem mora em cidade onde acontece enchente, como a minha, sabe como cada centímetro faz diferença. E isso em 100, 200 anos, vai fazer uma grande diferença. Também teve muita gente morrendo por causa das mudanças do clima: mais de 370 mil entre 2001 e 2010, devido a eventos climáticos como furações e ondas de calor, segundo informações do Centro de Investigação sobre a Epidemiologia dos Desastres, relatadas no Blog do Clima. Só para citar alguns, pois há muitos outros efeitos do aquecimento global. 

Ah, reparou outra coisa no gráfico? A primeira década do século XXI, em que estamos, foi a mais quente da história!! Dá só uma olhada neste vídeo da Nasa sobre o aumento da temperatura média no planeta desde 1880. Já dá pra ver como a situação é grave, imagina então se a temperatura ultrapassar o limite estabelecido de 2ºC? E quem vai sentir na pele as consequências serão nossos netos, bisnetos. O que estamos sentindo agora é apenas o começo. Como é explicado no livro Diário do Clima, que tem resenha aqui no blog, nós hoje ainda sentimos os efeitos da Revolução Industrial de duas décadas atrás. O que nós estamos provocando hoje será sentido daqui a muito tempo. E não é só das indústrias que saem os gases do efeito estufa (GEE). Agricultura, pecuária, transporte, desmatamento (campeão de emissões no Brasil), geração de energia, expansão urbana, manejo de resíduos e uso de combustíveis fósseis em processos industriais são exemplos de atividades que geram GEE. 


Para ajudar a manter o planeta na temperatura média em ele que está agora, temos muito o que fazer. Nós, todos nós, cada membro da sociedade, temos muito mais a ver com o aquecimento global do que imaginamos. Cada pessoa pode ajudar a evitar o contínuo aquecimento global. Você aí, eu aqui. Claro que resoluções e ações em nível estadual, nacional e mundial por parte de governos e grandes economias são extremamente importantes. Mas o que seria da abelha rainha sem as operárias? O que seria do formigueiro no inverno se as formigas não se reunissem pra buscar comida? Pode até ser uma alusão tosca, mas o que eu quero dizer é que o topo da pirâmide é sustentado pela base. É na base da sociedade que nós estamos. Nós sustentamos o que vem acima, com ações, comportamentos, atitudes e somos todos sustentados pelo planeta, pelo meio ambiente. Por isso a importância de ser sustentável, agir sem prejudicar o próximo e a natureza. 

Com atitudes simples e conscientes, podemos contribuir para que as próximas gerações consigam viver bem e conheçam a Terra de hoje olhando pela janela, e não apenas em fotos. Andar menos de carro, consumir apenas o suficiente, não desperdiçar água e energia, reciclar o lixo são alguns exemplos de ações que podemos fazer para ajudar a combater o aquecimento global. Afinal, o produto que você comprou jogou muitos gases na atmosfera enquanto estava sendo feito e depois transportado até a loja mais próxima de sua casa. Essa ligação entre cada ser humano e o aquecimento global fica bem clara no vídeo abaixo, feito pelo Instituto Akatu, que também criou uma lista com 10 atitudes que ajudam a combater o aquecimento do planeta. Lembra o post da semana passada, sobre a história das coisas, não lembra?  



O tema é longo e as discussões são muitas. O que importa é que é possível solucionar o problema e cada pessoa, na sua rotina, no seu dia a dia, pode ajudar a combater o aquecimento global. Se você se interessou e quer saber mais, uma boa fonte são os vídeos do canal Climatempo Meteorologia no youtube sobre mudanças climáticas. A série apresenta entrevistas com pesquisadores brasileiros sobre o tema e foi feita para aproveitar o lançamento do quinto relatório do IPCC, que sai ainda neste semestre. O novo relatório é uma atualização dos aspectos científicos, técnicos e socioeconômicos das mudanças climáticas. Neste link do site Mundo Sustentável, do autor do livro de mesmo nome (tem resenha no blog também), tem várias matérias sobre aquecimento global. Boa "imersão" no assunto e fique à vontade para comentar! 

*O Instituto Carbono Brasil encerrou suas atividades jornalísticas em agosto de 2014 por falta de patrocinadores e anunciantes para o portal. Triste notícia para o jornalismo ambiental brasileiro!
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A história das coisas, de Louis Fox [Resenha]

Por Letícia Maria Klein •
05 setembro 2013
De onde as coisas vêm? Pra onde elas vão? O que acontece no processo de fabricação, distribuição e descarte delas? E, o principal, como fica o planeta nessa história toda? Annie Leonard viajou durante anos pelo mundo em busca de respostas para essas questões. O que ela descobriu não é brincadeira. Em vinte  e um minutos de vídeo, Annie traça um mapa do consumismo e da relação das pessoas com as coisas que adquirem, explica como nosso padrão de vida afeta o meio ambiente e o que devemos fazer para que “A História das Coisas” termine bem. 

O filme foi lançado em dezembro de 2007 por Annie, cientista ambiental, e pela Free Range Studios e continua super atual, eu diria até que está ainda mais pertinente. O planeta está em crise e uma das principais causas é o consumismo, que podemos definir como consumo desenfreado, irresponsável e gerador de desperdícios. O vídeo é resultado de uma grande jornada da cientista, que passou duas décadas rastreando o tráfico internacional de lixo, combatendo a incineração do lixo e estudando a economia dos materiais nos mais de 30 países pelos quais viajou. 


Com a ajuda de desenhos animados, a autora e produtora de The Story of Stuff, no original, fala sobre as diferentes áreas da economia de materiais: extração, produção, distribuição, consumo e descarte, explicando como é impossível ter um sistema linear num planeta que é finito, com bens naturais que se esgotam. Não dá pra gerar coisas e depois “jogá-las fora” num processo sem fim. E convenhamos, não existe um fora, tudo continua dentro do planeta, poluindo e degradando a nossa grande casa. 

Se você acha que reciclar é a solução de todos os problemas relacionados ao lixo, pense de novo, pois como bem mostra Annie, reciclagem não é nem nunca será suficiente. Nós precisamos repensar o consumo e a maneira como consumimos. Por uma simples razão: consumimos os bens naturais da Terra mais rápido do que ela pode repor, o que torna todo o sistema insustentável. Por isso ter um estilo de vida que o planeta possa sustentar é fundamental para a preservação dos bens naturais, dos ecossistemas, das espécies (incluindo a humana, obviamente). 




No vídeo, Annie conta um dado alarmante que mostra como estamos sobrecarregando nosso mundo: 99% das coisas que passam pelo sistema da economia de materiais viram lixo num período de apenas seis meses. De 10 coisas, nove são descartadas em meio ano! É lixo demais. Isso não te dá uma agonia? Nossa, eu fico muito agoniada, eita coisa ruim. Mas tem solução, ou melhor, soluções, e muitas delas já estão acontecendo, como Annie comenta no vídeo. 

Com linguagem fácil e bonequinhos simpáticos, A História das Coisas é um resumo fantástico de como nós e todos os outros afetamos o planeta produzindo e consumindo coisas das quais não precisamos e das quais nos livramos facilmente quando nos cansamos delas ou achamos que elas já não servem mais (quando ainda estão perfeitamente usáveis – a tal da obsolescência percebida que Annie explica no filme). É uma cadeia regida pelo status e pelo dinheiro e que existe para gerar mais dinheiro e conceder ou fortalecer status.



  (Para ativar a legenda em português, clique no ícone ao lado do ícone do relógio)

O vídeo fez tanto sucesso (já são mais de 15 milhões de visualizações) que deu origem ao Projeto História das Coisas e ao livro “A História das Coisas – da natureza ao lixo, o que acontece com tudo que consumimos”. O projeto surgiu em 2008, logo depois do lançamento do vídeo, como uma resposta a milhares de pedidos de pessoas que queriam mais informações e saber maneiras de se envolver com a sustentabilidade. Desde então, a equipe produz e disponibiliza na internet vídeos curtos que exploram pontos-chave da nossa relação com as coisas e como podemos melhorar. O projeto ainda oferece materiais educacionais e programas para professores, empresários, líderes comunitários e quem mais tiver interesse em fazer a diferença. 

Tem também a comunidade da História das Coisas, com mais de 400 mil membros em todo o mundo interessados e engajados em mudar a maneira de consumir e descartar coisas. Qualquer um pode entrar para o grupo! Eu mesma acabei de me inscrever. Que tal participar também? No site do projeto, dá pra baixar diversos materiais educacionais, ver os vídeos, ouvir podcasts e ler notícias sobre o tema. Além do pioneiro, até agora foram produzidos sete vídeos que contam histórias de coisas, como por exemplo, de cosméticos e eletrônicos. Abaixo está o da História da Garrafa de Água, que me deixou com orgulho da minha garrafinha ecológica.


(Para ativar a legenda em português, clique no ícone ao lado do ícone do relógio)

Gostou da história? Vamos contribuir para um desenrolar feliz e sustentável? Como diz o lema do Movimento Nós Podemos, em prol dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio: eu posso, você pode e juntos, nós podemos. 
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