Embaixador Lixo Zero

Por Letícia Maria Klein •
Lixo Zero é um movimento em prol de uma sociedade sem lixo, em que os materiais orgânicos viram adubo e os materiais recicláveis são reinseridos na cadeia produtiva, potencializando ao máximo o reaproveitamento de resíduos e a redução ou fim do encaminhamento de lixo para os aterros sanitários. O movimento Zero Waste (desperdício zero, em inglês) surgiu na década de 1970 na indústria química. No Brasil, existe o Instituto Lixo Zero Brasil, fundado em 2010. O ILZB representa no Brasil a ZWIA (Zero Waste International Alliance - Aliança Internacional do Lixo Zero), movimento internacional de organizações que desenvolvem o conceito e princípios Lixo Zero no Mundo. Em 2011, o instituto lançou também a vertente jovem, chamada de Juventude Lixo Zero (Zero Waste Youth).
A  ZWIA diz que o conceito lixo zero representa um objetivo ético, econômico, pedagógico, eficiente e visionário com foco na orientação da sociedade para a mudança do estilo de vida e para práticas que incentivem a sustentabilidade. Ser lixo zero é evitar a geração de lixo e responsabilizar-se pelo encaminhamento correto dos resíduos e pela redução do consumo e tomar consciência sobre os resíduos sólidos com a finalidade de promover a logística reversa, redução da poluição, economia de água e energia, conservação da natureza e inclusão social.
Tipos de resíduos
Primeiramente, é importante entender o conceito de lixo, uma palavra utilizada antigamente para designar tudo que restava das atividades humanas e que era inútil e sem valor. Ela foi substituída pela palavra resíduo sólido, que é o que tem potencial de reaproveitamento. Acabamos usando a palavra lixo para falar da mistura de recicláveis, orgânicos e rejeitos, o que impossibilita a recuperação destes materiais.
Reciclável é tudo aquilo que pode ser reintroduzido na cadeia produtivo para ser transformado no mesmo ou em outro produto, em um processo que economiza energia, água e outros recursos quando comparado à fabricação de produtos a partir da matéria-prima natural.
Orgânico é tudo aquilo que veio da terra e para a qual pode voltar através da compostagem, como cascas e restos de frutas e verduras, casca de ovo, borra de café, cabelo, folhas, entre outros.
Rejeito é considerado tudo aquilo que ainda não pode ser reaproveitado porque não existe tecnologia para tal ou porque não é economicamente viável.
Temos ainda os resíduos perigosos, que devem ser levados a pontos de coleta para serem encaminhados a um tratamento especial, que vai recuperar estes materiais ou dispensá-los da maneira correta em aterros industriais. São eles: óleo lubrificante, óleo de cozinha usado, eletroeletrônicos, resíduos da construção civil, lâmpadas, pilhas e baterias, medicamentos, pneus.
Por que ser lixo zero?
Grande parte do que geramos de resíduos é matéria orgânica e outra grande parte é feita de plástico, metal, vidro, papel ou uma combinação destes. Dos resíduos sólidos que produzimos, cerca de 50% são orgânicos e 40% são recicláveis, então podemos dizer que o tal “lixo” é, na verdade, muito útil! De lixo mesmo, só os rejeitos. Sendo assim, uma sociedade sem resíduos sólidos (ou com muito pouco) é possível, sim!
Respondendo à pergunta, aqui estão alguns motivos:
Os bens naturais são finitos, o que significa que acabam se a gente não souber preservar. O sistema de produção vigente é linear (extração – produção – uso – descarte) e tende ao infinito, em oposição ao sistema cíclico da Terra (ciclos da água, do oxigênio, do carbono etc.) e seu limite espacial. A onda doentia de consumismo aumenta diariamente a quantidade de “lixo” produzida no mundo e, como a Terra é finita, os espaços são limitados. O descarte aumenta, mas o planeta não.
Além da questão ambiental, tem-se ainda os efeitos econômicos e sociais. O índice baixíssimo de reciclagem faz com que o país perca oito bilhões de reais por ano, em média, provando que o reaproveitamento de resíduos é um setor importante da economia. O trabalho de catadores nos lixões ainda existentes, cujo fim está estabelecido na Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), é insalubre e em total desacordo com os direitos humanos. Por outro lado, as cooperativas de catadores, as centrais de triagem, as fábricas de reciclagem e as atividades de reuso de materiais oferecem empregos dignos e de fundamental importância para a preservação do planeta e nossa própria espécie.
Por tudo isto, é imprescindível que cada um faça a sua parte no cuidado com a nossa grande casa que é o planeta Terra. Consumir conscientemente e com responsabilidade, fazer compostagem, separar os materiais recicláveis e garantir que eles tenham o destino correto faz parte das atitudes que devemos ter em prol de uma sociedade lixo zero e sustentável. 
Embaixador Lixo Zero
Você pode levar o movimento para sua cidade e se tornar um embaixador do Instituto Lixo Zero Brasil ou da Juventude Lixo Zero. Por meio de projetos ou consultoria, você pode gerar impacto positivo em diversos segmentos da sociedade e incentivar pessoas a repensarem e mudarem hábitos de vida e consumo em prol de um mundo lixo zero. Para saber mais sobre como você pode atuar nessa área, visite o site do Instituto Lixo Zero Brasil e a fanpage da Juventude Lixo Zero Brasil. O vídeo abaixo explica sobre o movimento jovem e alguns projetos que você pode fazer na sua cidade.

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