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10 nov
2017

Como você escolhe mudar o mundo?

Esta pergunta estava na apresentação da Larissa Kroeff no IV Encontro Internacional Juventude Lixo Zero, que aconteceu de 20 a 22 de outubro. Neste último post sobre o evento (aqui estão o primeiro e o segundo), vou transmitir as mensagens inspiradoras de algumas pessoas igualmente inspiradoras que palestraram no encontro. Para começar, como você escolhe mudar o mundo?

Thaianna Cardoso começou cedo no movimento jovem a se engajar em causas socioambientais. Hoje ela é engenheira sanitarista e ambiental e acredita que a sustentabilidade precisa ser amorosa e praticada coletivamente, pois não se faz quase nada sozinho. “Vivemos em coletividade, mas não conseguimos ser cidadãos.” Por isso é fundamental refletirmos e agirmos em prol do bem de todos os que habitam o planeta Terra.

Thaianna Cardoso - engenheira ambiental

Quem compartilha dessa ideia é Tia Kansara, que aplica o conceito Replenish Earth (reabastecer a Terra) no seu trabalho de consultoria para governos, empresas e indivíduos que querem beneficiar o mundo. O site de Tia informa que “reabastecer é a medida do serviço do ecossistema de um indivíduo para a natureza. Uma pesquisa sobre reabastecer fornecerá uma medida per capita para mudar radicalmente nossa percepção de uso de recursos, impactando positivamente o meio ambiente à medida que os cidadãos tomam passos pequenos e gerenciáveis para reduzir seu impacto negativo na Terra”.

Apesar de sermos natureza, diz Tia, achamos difícil traduzir isso para as nossas vidas [por causa da visão fragmentada de mundo ditada pela ciência ocidental por séculos]. Você pode esperar pela mudança ou pode ser a mudança. Precisamos agir como um ecossistema, com consciência de que somos integrantes da teia da vida e de que tudo o que fazemos tem consequências. Nós somos e existimos sempre em relação com o meio e com os outros. Ninguém é nem existe por si próprio, como um fim em si mesmo, mas como fruto das relações e dos contextos que vive a cada dia.

Tia Kansara - consultora 2

Disse Tia: pense de forma diferente. O que você sabe e conhece te serve ou não? O que você faz ou pretende fazer com isso? Qual é o momento da sua vida em que é você que escolhe? Os valores fundamentais são um manifesto pessoal que te guia, são a base do seu trabalho. Se você vive de acordo com seus valores, você é feliz. Não é sobre fazer as coisas da forma certa, mas fazer a coisa certa. O que pode te ajudar nisso é o questionamento criativo. Já ouviu falar dele?

Tia disse que se você tiver o hábito de se fazer perguntas complexas, durante cinco minutos do seu dia, você estimula a consciência reflexiva e a criatividade [além de ser uma forma bem interessante de autoconhecimento e aprimoramento]. Ela também passou outro exercício para ser feito todos os dias, por no mínimo duas semanas. É composto de seis passos e muito bom (experimentamos na palestra e já fiz algumas vezes em casa). Anote aí:

  1. Respire em três partes (abdômen, peito e garganta). A inspiração começa no abdômen, depois enche o peito e sobe para a garganta; a expiração vai seguir o caminho reverso. Você pode sentar no chão com as pernas cruzadas (em posição de meditação) e apoiar as mãos nos joelhos. Na primeira respiração, una a ponta do polegar com a ponta do indicador, formando um O. Na segunda respiração, você une o polegar ao dedo médio. Assim sucessivamente até ter feito oito respirações (duas vezes os quatro dedos).
  2. Expire com um “hum”. Faça as oito respirações novamente, unindo os dedos como antes, mas na hora de expirar você vai fazer o som de “hum” até o ar acabar.
  3. Expire com um “aham”, que significa “eu estou aqui”. Repita as oito respirações, unindo os dedos como antes, mas na hora de expirar você vai falar “aham”.
  4. Aos extremos da sua respiração. Agora faça as respirações como no item 1, prestando atenção ao momento de transição do inspirar para o expirar e vice-versa.
  5. Manifeste hoje. Visualize o que você quer que aconteça na sua vida (pode ser desde algo simples do dia a dia até um sonho para o futuro) e sinta todas as emoções e sentimentos que você vai sentir quando conseguir realizar o que quer.
  6. Envolva-se em proteção. Visualize-se envolto em proteção e sinta-se protegido.

A apresentação de Guto de Lima foi, no mínimo, inesperada. Até dançamos! Ele é daquelas pessoas que você quer abraçar e que te faz sentir bem, sabe? Ele começou seu momento tocando um instrumento musical e seguiu dizendo que precisamos ver a Terra como nossa mãe e cuidarmos dela como cuidamos da nossa mãe biológica. Precisamos dar de volta para a Terra, retribuir. Para estarmos prontos para isso, primeiro precisamos dar a nós mesmos. Com isso ele quis dizer que precisamos começar em casa, agradecendo diariamente aos nossos pais ou outros familiares com quem moramos, manter nossa casa limpa e bem cuidada, cuidar de nós mesmos. Além disso, é fundamental ter coerência entre suas atitudes e seus valores. “Não precisamos de drama, precisamos de amor, amar a nós mesmos como estamos hoje e aos outros como estão”. Na hora das perguntas, um amigo meu perguntou como foi que Guto chegou até este momento com o seu jeito tão alto astral e do bem. Guto respondeu dizendo que se o meu amigo sentia isso, é porque ele tinha nele mesmo também. Reconhecer, ele disse, é um jogo de espelho: admiramos no outro o que admiramos em nós mesmos e só reconhecemos no outro o que temos em nós mesmos. Por fim, uma pergunta bem interessante que ele fez como comentário a outra indagação da plateia: quando o agora passa?

Já passou?

Guto de Lima

Na verdade, o agora não passa nunca, pois sempre vivemos o agora.

Por falar em agora, seguem as dicas de Marcus Nakagawa, que falou sobre empreendedorismo social e como começar o seu negócio que vai melhorar o mundo. Para saber qual é, você precisa se perguntar: qual problema do mundo você quer resolver?

“Podemos fazer mais do que o “eu”, do que apenas trabalhar para pagar contas. Não é possível que gastemos nosso tempo para perpetuar os problemas do mundo. Tem uma coisa muito maior do que simplesmente ganhar uns trocados.” Além da motivação social, é preciso gerar valor agregado e financeiro, pois na vida real, como ele disse, “sem dinheiro não funciona, não dá para conversar”.

Um negócio social é movido por uma missão de impacto social, oferecendo serviços e produtos e tendo um retorno em lucro. Hoje, no Brasil, uma empresa social precisa ter CNPJ de empresa ou de associação. Ainda não existe CNPJ próprio de empresa social, mas a questão está em tramitação. Para quem quer começar, Marcus indicou algumas instituições que auxiliam negócios sociais: Ashoka Brasil, ABRAPS, Yunus, ICE, Artemisia, NESsT, VOX, Brasil27 e Pipe Social.

Partindo para a prática, aqui estão os passos para começar uma empresa social:

  1. Pesquise, busque informações, veja se já existe algum negócio similar.
  2. Veja o modelo que melhor se aplica ao que você quer (empresa, associação etc) e estude como vai prestar o serviço/produto.
  3. Conheça os personagens dos seus sonhos trabalhando numa empresa social ou organização não governamental por um tempo.
  4. Faça um bom planejamento de ações e um planejamento financeiro.
  5. Vá fazendo e testando, não espere ter tudo pronto para começar.
  6. Tenha suas contas pagas. Para isso estabeleça o mínimo que precisa por mês e comece a partir disso. Você pode vender coisas que possui para investir em você mesmo e te manter enquanto monta seu negócio.
  7. Tenha foco.

Marcus Nakagawa

Para terminar, uma das conclusões a que cheguei depois de participar do encontro é que falar de lixo zero é falar da raiz dos problemas socioambientais, pois os resíduos refletem os modos de produção, de consumo e os estilos de vida vigentes no mundo todo e afetam milhares de espécies, interferindo em toda a teia da vida do planeta. O lixo é um problema global gerado pela humanidade, estranho à natureza, e ignorá-lo não vai fazer com que seja resolvido. Bem pelo contrário, vai agravá-lo até os danos serem irreversíveis. Por isso precisamos agir pra ontem e fazer absolutamente tudo que estiver ao nosso alcance em prol da vida no planeta. Então, como você escolhe mudar o mundo?

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