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30 nov
2016

Diário de bordo #14 – O que é Schumacher College para quem estuda e trabalha aqui

Depois de uma incursão pela história, rotina, princípios e festividades na Schumacher College, o último vídeo da série sobre a escola traz a opinião de estudantes, voluntários e funcionários sobre o que este lugar de aprendizado transformacional significa para cada um. Abaixo do vídeo, tem a segunda parte das entrevistas sobre os desafios de viver nesta comunidade, aprendizados e como é trabalhar aqui (como voluntário ou funcionário).

Como está sendo sua experiência na Schumacher College?

“A experiência aqui é muito intensa, de várias formas. Acho que tudo aqui é sentido ao extremo, o bom, o mal, a intensidade. Tudo aqui é tão intenso, é fantástico e intenso. Estar aqui na Schumacher está me ajudando a ter uma visão melhor e mais clara de mim mesma e do mundo.”
Anat Haas, israelita, cursando o mestrado em Economia para transição.

“Está sendo uma experiência incrível. Além de toda teoria, leitura e coisas que temos que estudar, o cuidado que a escola oferece não só com o corpo físico, mas também com a parte mental e espiritual faz toda a diferença em comparação com outras universidades.”
Debora Leal, brasileira, cursando o mestrado em Economia para transição.

“Tem sido fantástica. Estou aprendendo muita coisa nova. Eu me senti super bem acolhida, mesmo antes de vir eu já senti que seria assim.”
Cristiane Guerreiro, brasileira, cursando o mestrado em Ecological design thinking.

“Eu estou percebendo muitas mudanças em mim. Tudo está sempre mudando. Está sendo uma boa oportunidade para enfrentar dificuldades no aprendizado, porque eu não estudei ciência.”
Lisa Tanaka, japonesa, cursando o mestrado em Ciência Holística.

“Aprender a lidar e interagir com a comunidade. Há limitações em relação à liberdade, que existe, mas trabalhá-la pelo bem comum é um desafio. Eu não quero colocar valor na experiência, porque é em si enriquecedora. Não tem nada de mal aqui, cada um tem seus desafios. Vale a pena cada minuto da experiência.”
Marc Haentjens, alemão, cursando o mestrado em Ciência Holística.

“A experiência está sendo ótimo, estou adorando. Acho que o principal para mim é a vida em comunidade e isso foi uma novidade para mim e um dos motivos pelo quais eu vim. Então, estou bem interessada em ver como eu posso levar isso de volta para casa e construir comunidade no meu país. Tem sido ótimo conhecer pessoas de todas as partes do mundo e suas histórias de vida, ouvir sobre o que está acontecendo em seus países e aprender sobre novas possibilidades e alternativas.
Deirdre Kelly, irlandesa, cursando o mestrado em Economia para transição.

“Eu me surpreendi, porque eu realmente achei que [a experiência] seria constantemente elevada, mas obviamente isso não acontece porque você tem momentos bons e ruins. Tem sido uma experiência incrível, eu me sinto muito privilegiado de estar aqui e tentar apreciar isso todos os dias coloca uma pressão em estar lá todos os dias. Mas olhando para trás e revendo meu diário, onde eu às vezes escrevo sobre meu dia, eu penso “eu realmente fiz tudo isso?”. Eu lembro de um dia em que tivemos aula do Stephan [coordenador do mestrado em Ciência Holística] sobre a teoria de Gaia, em que ele tocou lindamente o violão. Então andamos de volta do Elmhirst Center [no topo do morro] pela floresta, à beira do rio, nadamos no rio. Durante o jantar, eu conversei com Pat McCabe, uma mulher maravilhosa da cultura indígena dos Estados Unidos e depois tivemos histórias ao redor da fogueira em comemoração ao equinócio de outono. Esse é um dia normal aqui, então é maravilhoso.”
Samson Hart, inglês, cursando o mestrado em Economia para transição.

Quais são os seus desafios ao viver nesta comunidade?

“Primeiramente, eu estou aqui com meu parceiro, o que é um desafio porque comunidades pequenas são bem desafiadoras, pois você sempre vê as mesmas pessoas. Pode não ser fácil, às vezes, quando você tem discussões, desacordos ou quando você não gosta de alguém. Esta não é a parte mais fácil. Também, quando as coisas não acontecem da forma como eu gostaria e eu preciso aceitar, porque é assim que funciona. Porque tudo aqui é tão intenso, tudo que poderia ser um pouco difícil se torna intensamente difícil. Então, o que na minha casa seria ok, aqui se torna mais emocional.”
Anat Haas, israelita, cursando o mestrado em Economia para transição.

“A Schumacher te proporciona muitas possibilidades. Tem a sala de artes, tem os cursos de marcenaria, de costura, então a gente fica com a ansiedade de estar deixando alguma coisa de fora. A gente tem tanta leitura, tanto estudo, tanta aula, a gente quer se integrar e conversar com todo o mundo, mas chega num dado momento que você percebe que tem uma pessoa com quem você está há meses no mesmo lugar e ainda não conseguiu trocar uma palavra com ela. Acho que um dos maiores desafios, apesar de todo o acolhimento, é justamente você conseguir ter tempo para parar e não fazer nada. Para mim, está sendo um desafio me permitir não fazer nada, porque sempre tem algo bacana para fazer aqui.”
Debora Leal, brasileira, cursando o mestrado em Economia para transição.

“Às vezes tem muita gente aqui, por causa dos cursos curtos, daí eu não gosto, eu me sinto invadida, porque é como se a gente estivesse em casa, mas de repente vem um monte de convidado que eu não convidei e fica aquele tumulto. Outra dificuldade que eu tenho é de achar minha rotina dentro da rotina daqui. Tem muita coisa para fazer, toda hora e às vezes falta um espaço, por exemplo, quando eu vou estudar e cuidar de mim. Então tem que aprender a falar não aqui, aprender a se sentir e ter seus momentos consigo mesmo, porque não dá para participar de tudo.”
Cristiane Guerreiro, brasileira, cursando o mestrado em Ecological design thinking.

“Um dos desafios que às vezes enfrentamos é tentar fazer o trabalho na comunidade ser visto como um prazer e não uma tarefa, para que as pessoas vejam que passar meia hora lavando louça não é negativo ao fim do dia, mas uma forma de se engajar na comunidade. Então é um desafio quando as pessoas não veem as coisas dessa forma.”
Rachel Musson, inglesa, voluntária.

“Sempre tem muito acontecendo, então tem que decidir para o que dizer não. Todos queremos aproveitar ao máximo nosso tempo aqui, então você quer dizer sim para tudo, mas saber que ter uma pausa e refletir também é importante. Outro desafio é sobre o que mais nós precisamos ver que ainda não percebemos, pois aceitamos o status quo, então precisamos nos desafiar e tentar fazer a transição de velhos paradigmas para novos paradigmas.”
Deirdre Kelly, irlandesa, cursando o mestrado em Economia para transição.

Como é a experiência de voluntariar/ser funcionário na Schumacher College?

“Eu tive a experiência como estudante e agora como voluntária. Para mim, a diferença é entre ser apoiado e oferecer apoio. Como voluntária, há mais responsabilidade e necessidade de saber tudo que acontece, mas é a mesma alegria de viver em comunidade.”
Diana Behrens, brasileira, voluntária (cursou o PG Cert em Ciência Holística em 2015)

“Estudar, viver, comer, cozinhar e trabalhar juntos faz da experiência de aprendizado algo muito especial. Facilita muito a inteligência coletiva e a troca entre cursos. As pessoas que vêm aqui são incríveis, com histórias loucas. Este é meu segundo ano, agora estou trabalhando aqui. Depois de começar a namorar Diana [Behrens], fomos para o México e decidimos ficar mais um ano aqui para devolver um pouco de tudo que esta comunidade nos deu e também para aprender sobre os desafios que significam manter o espaço são e seguro para viver, aprender a viver em comunidade e tomar decisões em comunidade.”
José Alejandro, mexicano, voluntário (cursou o mestrado em Economia para transição em 2015/2016)

“Ser um voluntário amplia a perspectiva da Schumacher College e eu adoraria ver em prática a ideia de o mestrado incluir uma parte de voluntariado depois dos estudos. Então, eu encorajaria qualquer um que estudou aqui a voluntariar depois, porque a perspectiva se torna muito mais rica e viva.”
Ingrid Cozma, romena, voluntária.

“É um trabalho pesado, mas que é uma linda forma de contribuir. O que é de fato interessante aqui é que ao ser um facilitador de várias tarefas aqui, você se envolve em muitos dos aprendizados que estão ocorrendo e, da mesma forma, permite que os estudantes se engajem nos bastidores do que acontece, então tudo está integrado. É uma verdadeira honra poder vir aqui e dar e receber.”
Rachel Musson, inglesa, voluntária.

“Primeiro eu vim como participante de um curso curto, quando tive uma experiência muito intensa, alucinante. Depois voltei como voluntário e aquela foi uma experiência sobre servir, você entende muito mais as dificuldades e desafios que existem aqui na escola. O mestrado que fiz depois foi uma jornada, como cada mestrado aqui é. Muitos desafios e aprendizados além do conteúdo do curso e isso é uma grande da experiência aqui na escola e em Dartington. Finalmente, trabalhar como funcionário proporciona uma nova camada de desafios. Ver os bastidores, os desafios em manter o lugar e os valores e ter que se moldar perante regras e regulamentos de organizações externas, como escolares, governamentais ou o Estate. Como eu consigo unir todas estas experiências é ver os desafios a partir de todas as perspectivas porque eu acho que geralmente tem mal-entendidos e falhas na comunicação entre os vários grupos.”
Faze Ali, inglês, funcionário do departamento de instalações (cursou o mestrado em Ecological design thinking, ex-voluntário).

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