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04 set
2016

Diário de bordo #1 – Primeira semana e primeiras impressões na Schumacher College

Para ser sincera, nem sei por onde começar! Estou sentada na biblioteca, olhando a chuva cair sobre o gramado e as árvores e ouvindo a música do piano que James, outro estudante da escola, está tocando no cômodo ao lado. Há outros colegas aqui, concentrados nas suas leituras ou explorando as prateleiras. A biblioteca é linda, uma graça, super aconchegante, com uma cama-sofá ao lado do janelão. Bem como a gente vê em filmes, sabe?

Biblioteca da Schumacher CollegeBiblioteca

Cheguei aqui na terça-feira, dia 29, mas parece que estou aqui há bem mais tempo. Outros com quem falei sobre isso têm a mesma sensação. Engraçado, talvez seja a familiaridade com o lugar, como tudo funciona tão direitinho com os grupos de trabalho, o aconchego, a recepção calorosa ou mesmo uma espécie de magia que existe neste lugar. Como o título de uma das dissertações de mestrado, “the magic of Schumacher is real” (a mágica da Schumacher é real).

Cada estudante (estamos em 37 nos três cursos) tem seu próprio quarto e já estou bem instalada. São quatro prédios de acomodação aqui do ladinho da escola e um outro a alguns minutos de caminhada colina acima, chamado Higher Close. A escola fica em Dartington Hall Estate (como se fosse um feudo de antigamente) administrado pelo Dartington Hall Trust, que foi fundado em 1925 por Dorothy e Leonard Elmhirst, inspirado na obra do poeta, educador, reformador social indiano e ganhador do Prêmio Nobel Rabindranath Tagore. O casal comprou e reabilitou os 1.300 hectares de Dartington Estate para desenvolver modelos de regeneração rural por meio da economia, da educação e de atividades artísticas diversificadas.

Vista da biblioteca da Schumacher CollegeVista da biblioteca

Na sexta, Jon Rae, o diretor da escola, levou todos os estudantes para um passeio por Dartington Hall Estate, contando sobre a história do local e as mudanças ao longo do tempo. Hoje, por exemplo, 80% da eletricidade vêm de fontes renováveis (solar e biomassa). Também fomos apresentados a esta linda biblioteca e tivemos uma manhã muito divertida com brincadeiras e jogos para entrosamento do grupo. Um deles foi a trilha de sensibilização em que uma pessoa fica de olhos fechados e outra vai guiando. Além da exploração dos sentidos, é muito bom saber que podemos confiar numa pessoa que mal conhecemos e perceber como queremos que os outros confiem em nós.

No dia anterior, quinta-feira, também foi dia de induction, como eles chamam. Recebemos as boas-vindas de Stephan Harding, professor e co-fundador da escola, e do diretor Jon Rae e conhecemos o trabalho na cozinha, na horta e como a escola funciona. Aqui é assim: tem os funcionários, os voluntários e os estudantes. Nós, estudantes, somos divididos em grupos de trabalho e em cada dia da semana fazemos uma tarefa diferente, que ao todo incluem cuidar da limpeza de louças, cozinhar, jardinar e limpar a casa. As pessoas dos grupos mudam toda semana, assim todos se conhecem e trabalham em todas as tarefas. Este sistema é ótimo para estimular o senso de coletividade e companheirismo.

Um dos lados do prédio principal da Schumacher CollegeUm dos lados do prédio principal da Schumacher College

Os fins de semana geralmente são livres, a não ser quando estamos escalados para trabalhar. E tem sempre tanta coisa para fazer! Tem cursos de arte e “faça você mesmo” do movimento The Craft Revolution, cujo galpão está instalado no terreno da escola, tem passeios que podemos fazer, tem muita leitura do curso. Além disso, tem muito para absorver e explorar. Conversas com pessoas do mundo todo, caminhos pelos bosques e florestas, inspiração, introspeção, redescobrimento de si mesmo, mudanças de pré-conceitos e visões de mundo. Nesta segunda tudo começa para valer! Estou ansiosa e empolgada!

Um dos lados do prédio principal da Schumacher College

Ontem à tarde, sábado, tivemos um cream tea com os mestrandos que entregaram suas dissertações nesta semana. Foi o hand over, tipo cerimônia de passar o bastão, mesmo. Foi lindo! Tão emocionante! O cream tea estava uma delícia (é um bolinho que se recheia com creme, tipo uma manteiga doce, e geleia, acompanhado de chá, obviamente, porque chá é o que não falta). Aliás, a gente só faz comer aqui, de tão gostosa que é a comida! Incrível como a alimentação vegetariana é tão rica e diversificada. Não posso deixar de comprar os dois livros de culinária vegetariana editados pela escola, o Gaia’s Kitchen e o Gaia’s Feasts.

Falando em comida, daqui a pouco é hora do jantar (18h30 é servido) e estou curiosa para saber as delícias que teremos esta noite. Aos poucos, vou fazendo posts, vídeos e fotos sobre a escola, as aulas, modos de vida em comunidade e outras coisas interessantes que surgirem por aqui. A internet aqui nem sempre é boa, mas não se preocupe que vou atualizar sempre que der! Também quero ouvir de você, então fique à vontade para comentar. Até breve! =)

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