Alumínio ou isopor? Se puder escolher, coma no restaurante

Por Letícia Maria Klein •
09 julho 2013

Seria o ideal, com certeza. Maaaas, nem sempre é possível almoçar ou fazer um lanche no local que oferece a comida, então acabamos utilizando as embalagens de isopor ou alumínio para levar a refeição para casa. Às vezes, nem é a porção inteira: quando comemos no restaurante e sobra comida, também levamos pra casa (eu pelo menos levo, detesto ver comida indo para a lata de lixo). E quando você pede comida em casa, onde que ela vem, mesmo? Pois é, nas tais “marmitas” de plástico ou alumínio. Invariavelmente, acabamos nos deparando com elas vez ou outra. 

A parte boa? Tanto as embalagens de alumínio quanto as de isopor são recicláveis. Totalmente reaproveitáveis. Como diria um antigo professor de história, “Legal, né!”. Sim, bastante. Ah, importante lembrar! Para ser reciclada, a embalagem precisa estar limpa, sem restos de comida. Só tirar o que ficou de alimento e dar uma enxaguada, sem sabão mesmo. É coisa rápida e faz uma baita diferença! Na minha visita ao centro de reciclagem aqui em Blumenau, alguns materiais que foram descartados como rejeitos (destino: aterro sanitário) poderiam ter sido reciclados se estivessem limpos. 

Agora a parte ruim. As embalagens são recicláveis QUANDO existe o processo de reciclagem onde você mora e quando existe um mercado de reciclagem para esses produtos. Em Blumenau, por exemplo, são reciclados apenas os recipientes de alumínio. Os de isopor vão para o aterro sanitário. Agora a pior parte: o tempo de decomposição do isopor é... indeterminado! Ele leva tanto tempo pra se decompor que não se sabe quanto. Alguns autores dizem 600 anos, mas não há um consenso. Por isso, quando puder escolher, prefira as “marmitas” de alumínio. 

Imagina esse isopor na natureza por centenas... 
centenas... centenas... de anos

Como me explicou Luiz Eduardo, da gerência de resíduos sólidos do Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto), o processo de reciclagem do alumínio é mais comum, porque é mais simples implantar um sistema automático que separa o metal (ferroso e não ferroso) do que o plástico (isopor é plástico, é o nome comercial de poliestireno expandido – EPS). Além disso, o alumínio é mais fácil de ser amassado, ocupando assim menos espaço. No caso do isopor, questão de espaço é um problema. E, caso não haja reciclagem na sua cidade e tudo vá para aterros sanitários, o alumínio é melhor do que o isopor, pois leva de 200 a 500 anos para se decompor. 

Agora pare e pense, você vê mais embalagens de “marmita” de alumínio ou isopor? Acho que você pensou isopor, assim como eu. A maioria dos restaurantes utiliza o isopor, é fato. Mas eu realmente não entendo por que: além da questão da reciclagem, o isopor é mais caro do que o alumínio! Depois que o Luiz Eduardo me falou, eu fui pesquisar e é verdade, as embalagens de isopor são mais caras que as de alumínio. Se fosse o contrário, eu até entenderia a preferência dos bares, restaurantes e serviços de entrega de comida pelo isopor. Mas não é!!!!! Vai entender!? 

Melhor que as embalagens de isopor

A diferença na quantidade de um material para o outro é visível na cooperativa de reciclagem aqui na cidade. O Recicla Blumenau recebe mais embalagens de isopor do que de alumínio, “com certeza” (palavras do Luiz). Em quis muito saber qual a quantidade de embalagens de cada material que eles recebem, mas não há dados quantitativos sobre isso. Tentei com o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Blumenau e Região essas informações de quantas embalagens são utilizadas por dia, quantos estabelecimentos utilizam cada tipo e o porquê da preferência por isopor, mas a resposta que recebi foi “Infelizmente não temos dados estatísticos sobre este assunto.” 

Infelizmente mesmo, seria muito benéfico para o meio ambiente se todos os bares, restaurantes e similares passassem a usar apenas as embalagens de alumínio. Ainda mais numa cidade que recicla menos de 5% do lixo e neles não está incluso o isopor. Ainda; tenho fé de que as coisas vão mudar. Mas, contrariando o ditado, fé não move montanhas, quem se move é você. As ações e mudanças devem partir de cada um de nós. Você pode ajudar e a sua ajuda é mega benéfica para o meio ambiente! Vou te propor uma ação. Se você é chegado num desafio, encare como um. É tranquilo de fazer. Sabe aquele restaurante onde você sempre compra refeição ou aquele serviço de comida que você pede em casa? Que tal sugerir que eles utilizem embalagens de alumínio ao invés de isopor? Uma vez eu fiz isso num estabelecimento (a franquia Tropical Banana). Eles utilizam copos de isopor e eu sugeri utilizarem de plástico, que é mais fácil de reciclar. Coincidentemente, o atendente me disse que a filha dele tinha feito essa mesma proposta para a empresa, que estava estudando o assunto. Isso já faz uns dois anos e a última vez que eu fui lá (foi este ano ainda), estava tudo igual. Mas pelo menos testaram. Vai que muda? O importante é fazer a nossa parte. 

Comer no restaurante e pedir uma quantidade que não vá sobrar é sempre a melhor opção! Se não der, prefira o alumínio. Se o estabelecimento só tiver de isopor, sugira o alumínio. Se não surtir efeito, troque de restaurante (você pode estar rindo, mas é sério!). Eu ainda sou mais fã de outra ideia. O site da Veja replicou uma matéria do site Chow, especializado em comida, bebida e diversão, que deu nota para alguns tipos diferentes de embalagens. Adivinha a que eu mais gostei? A sua própria embalagem, claro, que você utiliza todo dia e não é descartável. Vai sair e precisa buscar comida? Leva o pote junto. Não gera lixo e não gasta energia com processo de reciclagem. Transporte de comida com o mínimo de impacto para o meio ambiente. Sustentabilidade na prática. ;)


Bem melhor para o meio ambiente

7 comentários:

  1. Lourdinha12/03/2013

    OLá, como vai? gostei do seu texto, entre outros eu li "Alumínio ou isopor? Se puder escolher, coma no restaurante.." e achei muito bacana.
    Sempre tenho dúvida sobre quais materiais são realmente passíveis de reciclagem. Aqui em BH, acontece a coleta seletiva, de modo que separo as embalagens ( fatalmente acumulamos as tais embalagens) e papéis para serem recolhidas, pela prefeitura, às quartas-feiras...mas eu tenho muitas dúvidas sobre o que de fato deve ser separado para esse fim. Alguns supermercados oferecem espaço para depositarmos "os recicláveis", mas eu confesso que fico em dúvida se o material ali colocado está tendo uma bom destino mesmo, enfim se é uma atitude séria ou se vai acabar tudo em pizza, traduzindo no lixão... Eu me sinto mais à vontade e confiante entregando "os recicláveis" às pessoas que fazem coletas pela cidade, com aqueles carrinhos; elas vendem o que coletam e com isso conseguem uma renda, então eu acho que elas devem saber o que é realmente reaproveitado. Vou continuar lendo suas postagens. Abraços. Lourdinha

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    1. Oi Lourdinha!
      É verdade, não sabemos realmente quais materiais são recicláveis ou não. Alguns que achamos que não, são, mas por falta de mercado de reciclagem na cidade, acabam indo para os aterros, ou pior, para os lixões. É bom perguntar para quem coleta quais os materiais que eles aceitam como recicláveis. É bem bacana a iniciativa dos supermercados de recolher as embalagens recicláveis, aqui eu ainda não vi, mas é bom se informar sobre qual o destino dos materiais depositados ali, pra saber se a ação é legítima. Eles devem ter uma lista das cooperativas de catadores ou empresas de reciclagem para as quais enviam. Entregar diretamente para os coletores é bem legal também. O importante é separar o material reciclável. Mas temos que ter em mente que a reciclagem faz parte dos 3 Rs (reduzir, reciclar e reutilizar). Não basta só reciclar, é preciso reduzir a quantidade de lixo que produzimos e reutilizar os objetivos o máximo possível. ;)
      Ah, o site Planeta Sustentável publicou um manual de etiqueta e lá tem os materiais que achamos que são recicláveis e não são e vice-versa: http://planetasustentavel.abril.com.br/pdf/2013.pdf.
      Abraços, obrigada pelo comentário!

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  2. Lourdinha12/06/2013

    legal, obrigada pela dica. abraços.

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  3. Excelente muito bom mesmo

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    1. Muito obrigada, Leandro!
      Bem-vindo ao blog e volte sempre.

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  4. Anônimo6/28/2015

    Que ótimo! Hoje descobri que marmitex é reciclável.
    Viram só? A ignorância não é um prato que devemos apreciar;
    informação é tudo.
    E como dizem: antes tarde do que nunca!!!
    Essa, pelo menos, morro de velho mas soube...
    Beijos à redatora.

    João Marcelo

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    1. Olá, João.
      Devemos sempre procurar informação e conhecimento, mesmo!
      Obrigada por comentar.

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